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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

Capital sem fronteiras - Os minerais invisíveis que passaram a mover o mundo

Existe uma frase atribuída ao historiador Yuval Harari que diz que:

“Toda civilização é construída sobre aquilo que ela consegue extrair, transformar e controlar.”

Durante o século XX, o petróleo simbolizou esse poder. No século XXI, talvez os ativos mais estratégicos do mundo não sejam tão visíveis. Eles estão dentro de baterias, turbinas eólicas, semicondutores, sistemas militares, data centers e inteligências artificiais.

Estamos falando das terras-raras.

Quase ninguém vê esses materiais. Mas praticamente toda a economia moderna depende deles.

Para entender o panorama completo sem cair em simplificações excessivas, vale esclarecer o que são esses elementos.

Terras-raras é o nome dado a um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica. Ao contrário do que o termo sugere, eles não são exatamente escassos na crosta terrestre. O verdadeiro desafio, que justifica o nome e o valor de mercado, é que eles se encontram dispersos em concentrações muito baixas.

É como tentar extrair pitadas microscópicas de um ingrediente precioso espalhado por toneladas de rocha comum. O processo de separação, extração e refino é extremamente complexo, caro e exige um controle ambiental severo.

Cada um desses elementos possui propriedades magnéticas, luminescentes e catalíticas únicas, para as quais a indústria de alta tecnologia simplesmente não encontra substitutos à altura, o que acaba sendo um dos pontos centrais da tese.

O neodímio e o praseodímio, por exemplo, são vitais para criar ímãs permanentes de altíssima potência. O disprósio e o térbio movem os motores de veículos elétricos e as turbinas eólicas. Já o ítrio é aplicado em lasers e fibras ópticas. Sem eles, os sistemas de refrigeração e os componentes de alta eficiência que permitem o funcionamento dos data centers de inteligência artificial entrariam em colapso.

A grande questão macroeconômica reside no fato de que a demanda por esses insumos avança em um ritmo muito superior à capacidade de refino global. Projeções da Agência Internacional de Energia e do banco UBS apontam que a demanda global deve saltar significativamente nas próximas décadas, criando um descompasso claro com a oferta disponível a partir dos projetos atualmente anunciados.

Talvez o ponto mais relevante dessa discussão esteja na geopolítica.

Atualmente, a China domina aproximadamente 70% da produção global e possui a maior capacidade mundial de refino e processamento de terras-raras.

Mesmo quando a extração mineral ocorre em solo americano, australiano ou de outros países, o minério bruto frequentemente precisa ser enviado para o território chinês para ser transformado em metal utilizável pela indústria de ponta. Isso cria uma dependência estrutural extremamente relevante para o Ocidente.

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos mostram que, enquanto a China lidera com reservas estimadas em 44 milhões de toneladas, os Estados Unidos possuem menos de 2 milhões de toneladas. Essa assimetria confere a Pequim um imenso poder de barganha, transformando esses minerais em verdadeiras armas de pressão em guerras comerciais.

Os Estados Unidos vêm reativando minas domésticas. A Europa tenta reduzir dependências estratégicas. O Japão busca acordos internacionais para garantir o fornecimento de longo prazo.

O mercado global entendeu algo importante:

Quem controla minerais estratégicos controla parte relevante da infraestrutura do futuro.

Diante desse cenário, você pode estar se perguntando como essa dinâmica geopolítica impacta diretamente a sua visão de investimento e a proteção do seu patrimônio. A resposta está na forma como você avalia os riscos estruturais da sua carteira de ativos globais.

Muitas vezes, ao buscar exposição ao crescimento tecnológico internacional, tendemos a concentrar nossos recursos nas empresas de tecnologia que desenvolvem os produtos finais.

No entanto, o cenário atual mostra que a vulnerabilidade dessas companhias não está apenas nos seus balanços financeiros ou na concorrência de mercado, mas sim na segurança de suas cadeias de suprimentos materiais.

Se o acesso a esses minerais for restringido por decisões políticas internacionais, os valuations de empresas líderes do setor de semicondutores e transição energética podem sofrer revisões severas.

Assim, muitas empresas ligadas à mineração, processamento e infraestrutura de minerais estratégicos, começam a ocupar um espaço cada vez mais relevante dentro da cadeia global de crescimento tecnológico.

A lógica de alocação eficiente passa por compreender o equilíbrio entre o velho e o novo paradigma industrial. Setores tradicionais da economia, como a mineração diversificada e a produção de metais básicos, continuam sendo a espinha dorsal da infraestrutura do planeta.

Contudo, as estratégias que conseguem associar essa operação tradicional ao fornecimento de minerais críticos para o futuro tecnológico criam uma avenida robusta de geração de valor e proteção contra a inflação de insumos.

Para sintetizar o nosso raciocínio, os movimentos mais relevantes do mercado internacional raramente ocorrem de forma abrupta. Eles começam com ajustes graduais de fluxo e com a percepção de riscos que antes pareciam distantes. Vivemos um momento em que a avaliação de uma tese de investimento exige transcender a leitura fria de lucros trimestrais e compreender as correntes estruturais de longo prazo que movem o tabuleiro global.

A minha perspectiva técnica sobre o tema é de que o ceticismo ou o otimismo em relação ao futuro da tecnologia não deve ser medido apenas pela adoção de usuários, mas sim pela viabilidade física dos recursos que a sustentam. Ignorar a geopolítica das matérias-primas críticas na montagem de uma estratégia internacional pode deixar o seu capital excessivamente vulnerável a decisões centralizadas em Pequim ou a gargalos de refino que levarão anos para ser solucionados.

A sofisticação na gestão patrimonial reside justamente na capacidade de antecipar essas transições, ajustando as suas alocações com serenidade e disciplina, sem depender de palpites ou reações emocionais aos noticiários de curto prazo. Trata-se de construir um portfólio que seja resiliente tanto aos ciclos econômicos tradicionais quanto às transformações tecnológicas mais profundas.

Fonte: GuiaInvestWealth‍

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Brasil avança na transição energética: ENASE 2026 reúne lideranças do setor para debater o futuro da energia nacional

18/6/2026

Evento chega à 23ª edição consolidado como principal espaço de diálogo sobre os rumos do setor elétrico brasileiro

O ENASE 2026 marca sua 23ª edição como um dos principais fóruns de discussão e construção de ideias do setor elétrico brasileiro. O evento reúne as principais lideranças do segmento para debater os desafios e oportunidades que moldarão o futuro da energia no país.

Momento decisivo para a energia brasileira

O Brasil atravessa um período estratégico na área energética. O país avança consistentemente na transição energética, amplia a participação das fontes renováveis em sua matriz e consolida sua posição como referência global no setor.

Paralelamente a esses avanços, o setor enfrenta desafios estruturais importantes:

  • Modernização do mercado de energia
  • Armazenamento energético em larga escala

Fonte: CanalEnergia

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CVaR (Conditional Value at Risk)

17/6/2026

Edivaldo Santana | Conselho de empresas e de entidades de filantropia ...

E a CVaR, o que você faria se estivesse no lugar do CMSE?

A pressão era enorme. Cartas abertas em capas de jornais, pareceres técnicos e outros métodos mais contemporâneos. Mas o CMSE resistiu e manteve os parâmetros da CVaR no par (15; 40), mais conservador. O pleito era alterar para (15; 30), mais moderado.

A decisão não era simples. Tais parâmetros passaram para os valores atuais em 2025, quando o cenário hidrológico era mais razoável, e foram mantidos para 2026, dado que o quadro era o mesmo. O CMSE tinha uma “âncora”. Talvez não tivesse lógica mudar agora a trajetória, de conservadora para moderada, se o cenário hidrológico é igual ou pior, e ainda tem a ameaça do El Niño para o 2º semestre deste ano, que afetaria o ano que vem.

Do outro lado, as associações questionam, com certa razão, que manter o par atual, que implica usar mais termelétricas, tem um custo bem maior que os benefícios. E dizem mais: o custo é certo, os benefícios não. (E eu concordo). Isto significa que são elevados os custos de se arrepender. Ex.: despachar mais UTEs que o necessário, com custos ineficientes. Ou até o contrário, que seria desprezar o uso de UTEs e esvaziar os reservatórios, que reduz a segurança do sistema.

O que me deixa apreensivo é o fato de o CMSE não ter aproveitado a oportunidade para alterar o ritmo de aplicação e o formato de evolução dos parâmetros da CVaR. Ou seja, o setor elétrico perdeu a chance de minimizar os custos do arrependimento.

Em 2013, quando a regra foi aprovada, a dinâmica de avaliação dos efeitos das mudanças no clima era bem diferente, e a matriz elétrica mais ainda. Imaginava-se que em abril de cada ano era possível prever o que aconteceria nos 12 meses seguintes.

Não é mais assim. As perspectivas de geração, que agora não dependem só da água, mudam muito até de um trimestre para o outro, e muda também a carga prevista. Por isso, me parece anacrônico manter fixo por 12 meses os parâmetros da CVaR, quaisquer que sejam.

Seria mais sensato o CMSE estabelecer a trajetória, com três ou quatro pares (otimistas, moderados e mais conservadores), que poderiam ser utilizados, ao longo do ano, de acordo com previsões mais próximas, por isso mais precisas. Ex.: (15; 40); (15; 35); (15; 30).

É um formato que preserva a previsibilidade, pois o mercado conhecerá antecipadamente a trajetória (o conjunto de pares), não eleva desnecessariamente os custos, mantém o rigor com a segurança do sistema e, o que é mais relevante, minimiza os custos de se arrepender.

Respondendo à pergunta do título deste post: era esse formato, de trajetória, e não de valor fixo, que eu proporia se ainda fizesse parte do CMSE.

E pergunto: você sabia que diariamente, a cada instante, nossas decisões são orientadas para minimizar os efeitos do arrependimento?

Fonte: Linkedin

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O nexo água – energia – alimentos e os desafios do Brasil

17/6/2026

Carlos A. Nobre e André F. Simões*

O nexo água-energia-alimentos refere-se à forte interdependência entre água, energia e produção de alimentos. Esses três elementos sustentam a vida, a economia e o funcionamento das sociedades, e estão profundamente conectados entre si: qualquer alteração em um deles provoca impactos diretos sobre os outros. O conceito de nexo água-energia-alimentos surgiu justamente para destacar que esses setores não podem ser planejados separadamente. Pensar o desenvolvimento de forma integrada tornou-se essencial diante de desafios contemporâneos fundamentais, tais como as mudanças climáticas, o crescimento populacional, as desigualdades sociais ou ainda as pressões crescentes sobre a base de recursos naturais de nosso planeta.

No Brasil, a relação entre água, energia e produção de alimentos é marcada por disputas cada vez mais intensas pelo uso da terra e dos recursos naturais. Isso acontece porque grande parte da eletricidade do país ainda depende das usinas hidrelétricas. Muitas dessas usinas exigem enormes áreas alagadas, o que frequentemente provoca a perda de plantações, áreas de pastagem e até mesmo o deslocamento de comunidades inteiras (em geral, indígenas, quilombolas ou ribeirinhos). Famílias são obrigadas a deixar suas terras e seus modos de vida, o que pode aumentar o êxodo rural e a pobreza nas cidades.

Situação semelhante vem ocorrendo no Nordeste com a expansão de parques eólicos. Pequenos proprietários rurais têm perdido espaço para grandes empreendimentos energéticos. Mesmo aqueles que permanecem em suas terras convivem com impactos constantes, como sombras das turbinas e ruídos contínuos das pás eólicas, fatores que afetam a saúde mental, a qualidade de vida e até a produção agropecuária. Cabe destacar que a área total de parques eólicos e de painéis solares para prover toda eletricidade que o país necessita (caso, hipoteticamente, toda eletricidade consumida no Brasil fosse produzida em usinas solares e eólicas) é bem pequena quando comparada às áreas desmatadas no país, de cerca de 3,2 milhões de km²; portanto, é totalmente factível a implementação de novas usinas eólicas longe de moradores.

A expansão da energia solar também tende a ampliar essa disputa por terras agricultáveis. Em países como a Índia, por exemplo, já existem evidências de conflitos entre a instalação de usinas solares e a agricultura familiar, com impactos mais intensos sobre as mulheres.

Outro exemplo importante no Brasil envolve os biocombustíveis, especialmente o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. No estado de São Paulo, a expansão da cana substituiu áreas antes destinadas à produção de alimentos, como grãos, frutas e leguminosas. Isso pode encarecer determinados alimentos, principalmente para as populações mais pobres, já que muitos produtos passam a vir de regiões mais distantes. Além disso, como destacava o professor Célio Bermann (1953-2026), que morreu recentemente, do Instituto de Energia e Ambiente da USP (Universidade de São Paulo), seria inviável substituir totalmente os combustíveis fósseis por biomassa sem ocupar extensas áreas agrícolas e aumentar ainda mais a dependência de fertilizantes e defensivos ligados ao petróleo.

Essas conexões entre água, energia e alimentos mostram como uma crise em um setor pode afetar diretamente os demais. Menos chuva, por exemplo, reduz a água disponível para irrigação e para os reservatórios das hidrelétricas, prejudicando tanto a produção agrícola quanto a geração de eletricidade. Da mesma forma, a produção de alimentos depende fortemente de energia para máquinas, transporte e fertilizantes. Já o abastecimento de água e o saneamento básico precisam de eletricidade para funcionar. Em outras palavras, quando falta água, energia ou alimento, os impactos acabam se espalhando por toda a sociedade.

No contexto brasileiro, é urgente desenvolver políticas públicas intersetoriais voltadas ao nexo água-energia-alimentos, dada a notável falta de planejamento coordenado entre esses setores interconectados. Além disso, a sustentabilidade do nexo água-energia-alimentos depende do aumento da eficiência no uso da água na agricultura, expansão de energias renováveis não hídricas (solar e eólica, em particular), reuso de água em cidades, redução de perdas (tanto de alimentos quanto de água e energia), além de incentivo à socio bioeconomia.

Cabe ainda destacar as inter-relações entre o nexo água-energia-alimentos e a floresta, particularmente no caso do Brasil, um componente fundamental da governança sustentável da água, da produção de alimentos e da segurança energética a longo prazo. O desmatamento e a fragmentação das florestas afetam diretamente a água disponível para agricultura, geração de energia, abastecimento urbano e manutenção dos ecossistemas. As florestas, portanto, exercem papel fundamental na regulação do clima e das chuvas, funcionando como verdadeiras "bombas de umidade" que ajudam a manter o ciclo da água.

Quando grandes áreas florestais são destruídas ? seja para agropecuária, mineração ou expansão de infraestrutura ? ocorre redução da evapotranspiração e da formação de chuvas. Como consequência, rios, reservatórios e bacias hidrográficas passam a receber menos água, aumentando os riscos de secas, escassez hídrica e conflitos entre diferentes setores da sociedade. A floresta Amazônica, por exemplo, desempenha papel decisivo ao transportar umidade através dos "rios voadores" para importantes regiões agrícolas e áreas de geração hidrelétrica em grande parte do país. Com o avanço do desmatamento, essa dinâmica é comprometida, afetando a produção de alimentos, a geração de energia e o abastecimento de água para milhões de pessoas, com forte impacto na saúde humana decorrente da poluição do ar pelas queimadas.

*André Felipe Simões é professor associado 3 da USP (Universidade de São Paulo), doutor (PPE/Coppe/UFRJ) e pós-doutor (Unicamp) em Planejamento Energético. Engenheiro Metalúrgico com mestrado em Engenharia Química, de Materiais e Processos Ambientais. Suas pesquisas e estudos focam, em particular, as inter-relações entre energia (produção e consumo), mudanças climáticas e desigualdades sociais. Publicou, até o momento, mais de 200 trabalhos científicos originais. Parecerista ad-hoc do CNPq, Capes, Finep e Fapesp. Revisor dos relatórios de avaliação do IPCC. Como integrante da Delegação Oficial do Brasil participou de diversas Conferências das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.

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Resumo das Notícias de Hoje

17/6/2026

Dia 17 de junho de 2026, quarta-feira

- LRCAP DE MARÇO (expansão)

A área técnica do Tribunal de Contas da União recomendou em relatório que órgão prossiga com a ratificação do resultado dos leilões de capacidade realizados em março. Entretanto, o texto sugere a abertura de um processo apartado para eventual apuração de responsabilidades.

> Leia mais na matéria “TCU: relatório sugere aprovar LRCAP, mas recomenda apurar responsabilidades”: https://shorturl.at/JgHx3

- LEILÕES (expansão)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem uma agenda bem agitada de leilões até o final de 2027. A previsão é de 10 certames, mas esse volume pode mudar ao longo dos próximos meses. O destaque está no segmento de transmissão que deve movimentar mais de R$ 40 bilhões em investimentos até 2027.

> Continue a leitura em “Aneel prevê mais de R$ 40 bi em leilões de transmissão até 2027”: https://shorturl.at/2ijva

- PLP 73 (política)

A Comissão da Infraestrutura do Senado aprovou nesta terça-feira, 16 de junho, projeto de lei complementar que impede o contingenciamento orçamentário dos recursos direcionados às atividades das agências reguladoras. A proposta teria que passar pela Comissão de Assuntos Econômicos. No entanto, a CI aprovou pedido de urgência do senador Wellington Fagundes (PL-MT) para que o PLP 73 seguisse diretamente para o plenário da casa.

> Saiba mais na notícia “CI aprova projeto que impede contingenciamento orçamentário das agências”: https://shorturl.at/p56M7

- AVISOS CANALENERGIA

ENASE | O Futuro da Energia - Reformas e Eleições Moldando o Setor Elétrico

17 e 18 de junho/2026

Hotel Windsor Oceânico – RJ

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aneel aprova aumento tarifário de 11,27% para Energisa Minas Rio e de 16,06% para RGE: https://shorturl.at/CZS9w

A Aneel aprovou a revisão tarifária da Energisa Minas Rio, distribuidora do Grupo Energisa. O índice médio é de 11,27% para o conjunto dos consumidores. A Agência reguladora também votou o reajuste anual da RGE Sul, que terá aumento médio de 16,06% no primeiro processo tarifário aprovado pela agência após a renovação do contrato da [...].

Copel vende fatia na UHE Dona Francisca para Gerdau por R$ 150 milhões: https://shorturl.at/6EaIT

Transação faz parte da estratégia de otimização de portifólio da elétrica paranaense, que busca concentrar investimentos em ativos de maior porte e controle relevante.

S&P mantém rating máximo brAAA da Axia Energia com perspectiva estável: https://shre.ink/3BUj

Companhia fortaleceu seu perfil de governança e mitigou riscos institucionais ao firmar um acordo com o governo e simplificar sua estrutura societária.”

Fonte: CanalEnergia

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