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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

30/10/2026

Dia 30 de outubro de 2026, sexta-feira

LEILÃO DE BATERIAS

O ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica e advogado Tiago Barros avalia que a agência deu ao edital do leilão de armazenamento ameniza riscos. A Aneel aprovou o edital essa semana. De acordo com ele, que elogiou o trabalho da agência, isso de certa forma assegura a realização do certame, em dezembro. Contudo, ele crê em uma alteração na regra da lei que trata do encargo de reserva de capacidade de maneira que o gerador. Do contrário, haveria impacto na oferta e no preço do leilão.

Continue a leitura na matéria “Ex-diretor da Aneel vê leilão de baterias com menos riscos após edital”: https://tinyurl.com/bdhhzmaw

Sobre o mesmo assunto, leia também “LRCAP de baterias terá preços teto de R$ 1,76 mi e R$ 1,58 mi/MW.ano”: https://short-url,cc/1GZgD

CARGA DO SIN

A carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve atingir 87.347 megawatts médios (MWmed) em novembro, alta de 6,42% em relação ao mesmo  mês de 2025. A projeção foi apresentada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta quinta-feira, 29 de outubro, durante a reunião do Programa Mensal da Operação (PMO). A estimativa foi revisada em relação aos 89.566 MWmed previstos no planejamento anterior.

Leia mais na notícia “Carga do SIN deve crescer 6,4% em novembro, prevê ONS”: https://tinyurl.com/4cnkhvzr

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

- Abradee pede definição da demanda do Paraguai para Itaipu em 2027: https://tinyurl.com/yc5wrn8v

- MME abre CP sobre planejamento da transmissão: https://tinyurl.com/4ckvshj9

- Venda de energia elétrica da Petrobras cresce 5,6% no 3T26: https://tinyurl.com/4mp5ty44

Fonte: CanalEnergia

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PAUTA DA 22ª REUNIÃO PÚBLICA ORDINÁRIA DA DIRETORIA DE 2026

30/10/2026

03/11/2026

RELAÇÃO DOS ASSUNTOS RELATIVOS AOS AGENTES DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO.

‍1. Processo: 48500.027333/2025-38 Assunto: Resultado da Consulta Pública nº 40/2025, instituída com vistas a colher subsídios e informações adicionais para aperfeiçoamento da regulamentação contábil tributária do Fundo de Descomissionamento de Angra 1 e 2, em atendimento à determinação do Acórdão nº 2.502/2024 do Tribunal de Contas da União – TCU. Área Responsável: Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica - STR.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior

2. Processo: 48500.017235/2025-92 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Energisa Mato Grosso – Distribuidora de Energia – EMT contra o Auto de Infração nº 1/2025, lavrado pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso – AGER-MT, decorrente da fiscalização acerca da cobrança de ICMS retroativo de consumidores com micro e minigeração distribuída. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
*Processo com deliberação suspensa na 21º Reunião Pública Ordinária 2026

3. Processo: 48500.017813/2026-71 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Voltalia Energia do Brasil Ltda. contra o Despacho nº 1.956/2026, emitido pela Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica – SCE, que indeferiu o pleito de outorga de autorização para as Centrais Geradoras Eólicas – EOLs Potiguar C11 e C12. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Ludimila Lima da Silva
*Processo com deliberação suspensa na 21º Reunião Pública Ordinária 2026

4. Processo: 48500.026215/2026-93 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado pela Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí Ltda. – Celetro com vistas à manutenção provisória da situação jurídica e operacional do Contrato de Comercialização de Energia Elétrica a partir de Licitação Pública – CCELP celebrado entre a Recorrente e a Copel Comercialização S.A., e não aprovado pela ANEEL, até a análise de mérito do Recurso Administrativo interposto pela Requerente contra o Despacho nº 3.446/2026, emitido pela Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica – SGM. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

5. Processo: 48500.028772/2026-49 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado pela Companhia Energética Amazonense – CEA com vistas a que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE utilize na apuração e liquidação da Receita Fixa do Contrato de Energia de Reserva por Disponibilidade – CER-D nº 464/2022, da Usina Termelétrica – UTE Manaus I, o valor mensal calculado com os parâmetros do próprio mês para a parcela Receita Fixa Demais, e a inflexibilidade sazonalizada declarada pelo agente ao ONS antes do início do suprimento para a parcela Receita Fixa vinculada ao custo do combustível, até a análise de mérito do requerimento. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
O processo foi retirado de pauta

6. Processo: 48500.002836/2026-81 Assunto: Apuração do critério de eficiência com relação à gestão econômico-financeira no ano de 2025, nos termos da Resolução Normativa nº 948/2021. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado - SFF.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
O processo foi retirado de pauta

BLOCO DA PAUTA

Os itens de 7 a 19 serão deliberados em bloco, conforme os arts. 42 e 49 da Norma de Organização ANEEL nº 1, aprovada pela Resolução Normativa nº 1.133/2025

7. Processo: 48500.004496/2025-42 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Quanta Geração S.A. contra o Despacho nº 3.344/2025, emitido pela Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica – STD, que indeferiu o Requerimento Administrativo protocolado pela Recorrente, com vistas a autorizar que a Central Geradora Hidrelétrica – CGH Tombos realize a conexão de suas unidades geradoras, cada qual vinculada a um ponto de conexão individualizado em distribuidoras distintas, Enel Distribuição Rio – Enel RJ e Cemig Distribuição S.A. – Cemig-D. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - STD, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

8. Processo: 48500.030696/2025-51 Assunto: Pedido de Reconsideração interposto pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – Coelba contra a Resolução Homologatória nº 3.578/2026, que homologou o resultado do Reajuste Tarifário Anual de 2026, as Tarifas de Energia – TE e as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD referentes à Recorrente e deu outras providências. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

9. Processo: 48500.001878/2023-52 Assunto: Pedido de Impugnação apresentado pela PCH Jauru SPE S.A. em face de deliberação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, em sua 1.318ª Reunião, referente ao Termo de Notificação nº CCEE 12460/2022. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

10. Processo: 48500.024797/2025-92 Assunto: Pedido de Impugnação apresentado pela Maracanaú Geradora de Energia S.A. – UTE Maracanaú contra a decisão do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, em sua 1.470ª, referente ao Procedimento de Desligamento por Descumprimento de Obrigação. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

11. Processo: 48500.001217/2024-16 Assunto: Termo de Intimação nº 81/2024, lavrado pela Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado – SFF, que cientificou a Brasil Bio Fuels S.A. da possibilidade de aplicação de penalidade de revogação de autorizações de usinas sob regime de produção independente de energia elétrica. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado - SFF.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato
*Atualizado em 28/10/2026, às 11h55min.

12. Processo: 48500.018333/2026-28 Assunto: Transferência de titularidade das outorgas das Usinas Hidrelétricas – UHEs Água Vermelha (Antiga José Ermírio de Moraes), Bariri (Álvaro de Souza Lima), Barra Bonita, Caconde, Euclides da Cunha, Ibitinga, Limoeiro (Armando Salles de Oliveira), Nova Avanhandava (Rui Barbosa), UHE Promissão (Mário Lopes Leão), e a Pequena Central Hidrelétrica – PCH Mogi-Guaçu, atualmente detidas pela Auren Operações S.A., em favor da Companhia Energética de São Paulo – Cesp. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Ludimila Lima da Silva
Minutas de voto e ato  
*Atualizado em 29/10/2026, às 9h25min.

13. Processo: 48100.001017/1996-25 Assunto: Extinção das concessões para exploração das Usinas Hidrelétricas – UHE Santana e São João, da Pequena Central Hidrelétrica – PCH Ijuizinho e da Central Geradora Hidrelétrica – CGH Nascer do Sol. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Ludimila Lima da Silva
Minutas de voto e ato

14. Processo: 48500.029448/2026-48 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Copel Distribuição S.A., das áreas de terra necessárias à implantação da Subestação Albatroz, localizada no município de Matinhos, estado do Paraná. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

15. Processo: 48500.017893/2026-65 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Forquilha II Geração de Energia Ltda., das áreas de terra necessárias à implantação da Pequena Central Hidrelétrica – PCH Forquilha II, localizadas nos municípios de Machadinho e Maximiliano de Almeida, estado do Rio Grande do Sul. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

16. Processo: 48500.029247/2026-41 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Elektro Redes S.A., das áreas de terra necessárias à implantação da Subestação Mairiporã, localizada no município de Mairiporã, estado de São Paulo. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

17. Processo: 48500.030304/2026-34 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Energisa Tocantins – Distribuidora de Energia S.A., das áreas de terra necessárias à implantação da Subestação Jardim Taquari, localizada no município de Palmas, estado de Tocantins. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

18. Processo: 48500.029146/2025-99 Assunto: Alteração, a pedido, da Resolução Autorizativa nº 16.534/2025, que trata da Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Transmissora Brasrio S.A., das áreas de terra necessárias à regularização das Subestações GNA I e GNA II, localizadas no município de São João da Barra, estado do Rio de Janeiro. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

19. Processo: 48500.029875/2026-26 Assunto: Autorização e estabelecimento da Parcela da Receita Anual Permitida – RAP, referente a reforços em instalações de transmissão, sob concessão da Marituba Transmissão de Energia S.A., em decorrência da 1ª emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica – POTEE 2026. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
O processo foi retirado de pauta.

Fonte: Aneel

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO (OSE) – EDIÇÃO 222, DE 27/10/2026 (continuação)

30/10/2026

- Desafios e oportunidades para o armazenamento de energia no Brasil

Por Marcio Takata e Luiza Bertazzoli

Os seis fascículos anteriores desta série construíram, capítulo a capítulo, o raciocínio que sustenta o momento atual do armazenamento de energia no Brasil: os fundamentos físicos do "guardar energia", o mapa de tecnologias disponíveis, as aplicações práticas que já criam valor real para o sistema elétrico e os modelos de negócio que começam a viabilizar economicamente esses projetos. Chegado a este ponto, cabe uma pergunta mais direta e menos técnica: o que, na prática, ainda impede o armazenamento de decolar no Brasil - e o que, ao mesmo tempo, torna essa decolagem praticamente inevitável?

Esta é a pergunta que orienta este artigo. Sob a ótica de quem acompanha o mercado de transição energética de perto - via a Inteligência de Mercado da Greener, responsável pelo Estudo Soluções Energéticas Distribuídas e por um estudo estratégico dedicado ao armazenamento de energia, ambos construídos a partir de pesquisa primária com fabricantes, integradores e distribuidores de equipamentos -, o armazenamento brasileiro vive hoje uma contradição produtiva: enfrenta gargalos concretos de custo, regulação e modelo de negócio, mas está cercado por um conjunto de forças estruturais que tornam sua expansão uma questão de tempo, não de possibilidade.

CUSTOS DE IMPORTAÇÃO E DEPENDÊNCIA DA CADEIA GLOBAL

O primeiro obstáculo é também o mais citado por quem já tentou viabilizar um projeto de armazenamento no Brasil: o custo tributário da importação. Segundo levantamento do Estudo Estratégico de Armazenamento da Greener, a carga tributária incidente sobre sistemas BESS importados (NCM 8504.40.40) pode chegar a 76% do valor CIF, somando Imposto de Importação de 16%, IPI de 9,75%, PIS de 2,10%, COFINS de 10,45% e ICMS de 18%. Células e baterias importadas separadamente enfrentam estrutura semelhante, com Imposto de Importação de 18% e IPI de 11,25% - uma camada tributária que se soma a cada etapa da cadeia, da célula ao sistema integrado.

Essa dependência de importação também é uma questão de concentração: os cinco maiores importadores de baterias de lítio responderam por 86% do mercado brasileiro em 2024, ano em que o volume importado de baterias cresceu cinco vezes frente a 2023 e o volume de células aumentou 30%. É um mercado em rápida expansão, mas ainda pouco diversificado do lado da oferta - o que expõe o Brasil a decisões de alocação de capacidade tomadas por um número reduzido de players internacionais, em sua maioria asiáticos.

A boa notícia é que a curva de preços globais trabalha a favor do setor. Segundo dados da Greener, o preço de células caiu 50% e o de baterias 48% nos últimos dois anos; a BloombergNEF projeta que o preço do pack de baterias de lítio continue recuando até 2030, aproximando o Brasil de patamares de viabilidade que pareciam distantes há pouco tempo. Só no segmento C&I, o CAPEX de sistemas de armazenamento já caiu 50% nos últimos cinco anos - queda mais acentuada nos últimos dois -, com projeção da Greener de recuo adicional de ao menos 29% até 2030. Mas essa queda internacional só se traduz em competitividade real na ponta se a política tributária brasileira não corroer boa parte do ganho antes que ele chegue ao projeto: hoje, a bateria já representa entre 63% e 80% do custo total de um BESS C&I, dependendo do porte e da aplicação, tornando o setor especialmente sensível a qualquer variação de custo ou câmbio nesse componente.

REGULAÇÃO: UM MERCADO EM TRANSIÇÃO

O segundo grande desafio para o armazenamento no Brasil é regulatório. Mas o cenário atual é menos de vazio e mais de transição: o país começou a estruturar um arcabouço específico para as baterias justamente quando o armazenamento passou a ser reconhecido como um recurso relevante para a segurança e a flexibilidade do sistema.

Essa evolução ocorre em duas frentes. De um lado, a ANEEL vem construindo a regulação geral dos Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE). De outro, o MME avançou na criação do primeiro mecanismo de contratação de baterias em escala de sistema, o LRCAP Armazenamento, previsto para ocorrer em dezembro de 2026.

A trajetória pode ser dividida em três momentos: 2020–2024, de construção conceitual e estudos da ANEEL; 2025, quando o armazenamento ganhou respaldo na política energética com a Lei nº 15.269/2025 e a consulta pública do LRCAP; e 2026, quando a regulamentação começou efetivamente a se materializar. Em junho, a ANEEL publicou as RENs nº 1.161 e 1.162, regulamentando, respectivamente, os SAE autônomos e o armazenamento colocalizado a centrais geradoras. No mesmo período, o MME publicou a Portaria Normativa nº 136/2026, estabelecendo as regras do LRCAP, enquanto EPE e ONS avançaram nos requisitos técnicos de conexão. Em julho, a EPE abriu o cadastramento dos projetos para o leilão.

O desenho do LRCAP sinaliza uma mudança importante de status do armazenamento: remuneração fixa em R$/MW.ano, fator locacional, requisitos de credenciamento e financiamento e operação grid-forming passam a tratar as baterias como ativos estruturantes do sistema, e não apenas como uma tecnologia emergente.

Ainda assim, a regulação está longe de completa. Permanecem em discussão temas como participação nos mercados de energia e serviços ancilares, tarifas e encargos, condições de acesso e operação, comercialização da energia armazenada e o tratamento do BESS atrás do medidor. No mapeamento de riscos realizado pela Greener para o LRCAP, foram identificados 26 riscos em cinco dimensões e 74 possíveis ações de mitigação, mostrando que a publicação das regras reduz, mas não elimina, a incerteza para os investidores.

Um ponto adicional está na geração distribuída. O conceito de curtailment atualmente previsto na REN nº 1.030/2022 não se aplica formalmente à MMGD, que ainda não possui uma regulamentação específica para esse tipo de restrição. Isso deixa em aberto o papel que o armazenamento poderá desempenhar na gestão de excedentes locais da geração distribuída — justamente uma das aplicações com potencial para ampliar o valor dos BESS nesse segmento.

FALTA DE SINAIS ECONÔMICOS CLAROS E MODELOS DE NEGÓCIO EM MATURAÇÃO

O terceiro desafio talvez seja o mais silencioso: mesmo quando o custo cai e a regulação avança, falta ao investidor brasileiro um sinal de preço suficientemente forte e estável para justificar o investimento em armazenamento sem depender de um único mecanismo de remuneração. Os próprios números do mercado brasileiro de BESS ilustram essa fase de maturação: em 2025, a Greener mapeou 43 empresas atuando na cadeia de armazenamento voltada a C&I, sendo apenas 16 delas provedoras diretas de soluções BESS - um ecossistema ainda pequeno perto do potencial do mercado. Do lado residencial e comercial, mais de 2 mil empresas já oferecem sistemas híbridos (FV + bateria) a consumidores de baixa tensão, mas a atratividade financeira ainda depende fortemente da combinação de múltiplos benefícios - confiabilidade, redução de consumo na ponta (load shifting) e redução de demanda (peak shaving) - para compensar um CAPEX que, isoladamente, ainda inibe parte da decisão de compra.

Esse é, em essência, um problema de sinal de preço: hoje, o principal motivador de compra de sistemas de armazenamento no Brasil segue sendo a confiabilidade diante de quedas de energia, e não a arbitragem tarifária ou a remuneração por flexibilidade - simplesmente porque essas alternativas ainda não estão suficientemente desenhadas, precificadas ou acessíveis na maior parte do território. Regiões com tarifa de ponta elevada, como as áreas atendidas por Equatorial Pará e Coelba, já mostram atratividade via load shifting, mas seguem sendo exceção, não regra. Sem tarifas dinâmicas (Time-of-Use) amplamente disseminadas - modelo já adotado em países como China, Alemanha e Estados Unidos -, sem um mercado de capacidade consolidado nos moldes do que já existe na Austrália e na própria Alemanha, e sem aprimoramentos que valorem adequadamente o crédito de energia por horário de geração na GD, o armazenamento brasileiro segue crescendo, mas de forma mais lenta e mais dependente de nicho do que sua atratividade técnica sugeriria.

UM PAÍS COM VOCAÇÃO PARA O ARMAZENAMENTO

Se os desafios são reais, as forças que empurram o armazenamento para a frente já aparecem nos números - e são, em boa medida, específicas do Brasil.

O armazenamento brasileiro deixou de ser promessa: segundo mapeamento da Greener, o país acumula 1.918 MWh vendidos ou contratados entre 2020 e junho de 2026, partindo de 52 MWh em 2020 até um salto expressivo em 2025, quando 730 MWh foram vendidos ou contratados - sozinho, mais do que todo o acumulado dos cinco anos anteriores (684 MWh entre 2020 e 2024).

Para o primeiro semestre de 2026, a Greener mapeou um pipeline de venda de 504 MWh - alta de 36% - reforçando que o ritmo de contratação segue acelerando. Olhando à frente, a projeção da Greener para o mercado de armazenamento atrás do medidor, offgrid e microrredes aponta investimentos superiores a R$ 23 bilhões até 2030, ante R$ 5,4 bilhões já investidos até 2024 - ou seja, mais de três quartos desse investimento ainda está por vir. No cenário global, o mercado de armazenamento por bateria deve ultrapassar 863 GW de potência instalada até 2030, liderado por China e Estados Unidos, com 57% dos investimentos mundiais já direcionados a aplicações atrás do medidor (residenciais e comerciais) - sinal de que a descentralização, e não apenas a escala de rede, é onde a maior parte do capital global está apostando.

FLEXIBILIDADE E O NOVO PAPEL ATIVO DO SISTEMA

O primeiro Leilão de Reserva de Capacidade dedicado a baterias é, em si, uma oportunidade concreta - mas seu significado vai além do leilão pontual. Ao exigir que os projetos vencedores operem como fonte formadora de rede (grid-forming), o Operador Nacional do Sistema Elétrico sinaliza uma mudança de paradigma: o armazenamento deixa de ser um recurso passivo, que apenas segue a rede, e passa a contribuir ativamente para sustentar frequência, tensão e estabilidade em um sistema cada vez mais dominado por fontes conectadas via inversores eletrônicos, sem a inércia mecânica das grandes usinas síncronas. Para o setor, isso abre um mercado de serviços de flexibilidade que tende a se expandir para além do próprio LRCAP, seguindo o exemplo de mercados de capacidade já consolidados na Austrália, nos Estados Unidos e na Alemanha - experiências que o próprio Estudo Estratégico de Armazenamento da Greener cita como referência de caminho regulatório a seguir.

O Brasil tem dimensão continental, e isso aparece nos próprios números do setor: do total de 1.416 MWh de armazenamento acumulado até o fim de 2025, segundo mapeamento da Greener, sistemas isolados (MIGDI/SIGFI e off-grid) ainda respondem pela maior fatia - 39% e 12%, respectivamente -, refletindo um mercado que começou resolvendo problemas de falta de energia e universalização do acesso. Mas o dado mais revelador está no crescimento do segmento comercial e industrial (C&I), que saltou de 7% para 32% da capacidade acumulada em apenas um ano - hoje o principal vetor de crescimento do setor, ao lado de aplicações residenciais (7%), GTD (5%) e microrredes/P&D/SISOL (5%). No agronegócio, o armazenamento associado à geração solar já se mostra altamente atrativo frente ao alto custo do diesel, embora o mercado de microrredes agro ainda seja inicial, em torno de 21 MWh mapeados pela Greener - um volume pequeno, mas com tendência clara de crescimento dado o diferencial de custo frente às soluções a diesel. Do lado industrial, mais de 70% dos consumidores desse segmento já reportam impactos relevantes de interrupções de energia, com destaque para os setores de injeção de plástico, extração de minerais não metálicos e metalurgia - um mercado natural para soluções que ampliem confiabilidade e qualidade de suprimento por meio de baterias.

ELETRIFICAÇÃO DO TRANSPORTE

A frota eletrificada brasileira já soma 837 mil veículos até junho de 2026, um crescimento de 34% em relação ao ano anterior, e os elétricos e híbridos já respondem por 16% das vendas totais de automóveis no país. O Brasil conta hoje com cerca de 25 mil eletropostos, e o mercado de integradores solares já reage a esse movimento: 39% das empresas do setor já atuam com carregadores veiculares, e outras 47% pretendem passar a atuar, segundo o Estudo SED Greener. Essa curva de eletrificação cria uma demanda importante por armazenamento estacionário - tanto para viabilizar recarga rápida sem sobrecarregar redes de distribuição já congestionadas, quanto para permitir que frotas e eletropostos otimizem o uso de energia solar local em vez de depender exclusivamente da rede em horários de pico. É uma convergência de tendências - eletromobilidade, geração distribuída e armazenamento - que tende a se reforçar mutuamente ao longo desta década.

Por fim, vale destacar uma oportunidade menos discutida no debate público, mas visível para quem acompanha o varejo solar de perto: a geração distribuída brasileira já funciona, na prática, como um laboratório de adoção do armazenamento em pequena escala. O preço de sistemas híbridos residenciais (5 kWh de lítio associados a 4 kWp de solar) já caiu 29% desde 2020, chegando a R$ 5,61/ Wh em 2025, com queda projetada de mais 20% a 22% até 2030 segundo a Greener. Esse movimento de preço, somado ao aumento da percepção de valor da confiabilidade em meio a interrupções cada vez mais frequentes nos grandes centros urbanos e industriais, explica por que mais de 2 mil empresas já oferecem sistemas híbridos a consumidores de baixa tensão no Brasil - um número que praticamente não existia há poucos anos. Esse movimento antecede - e, de certa forma, prepara o terreno para - a chegada de mecanismos de mercado mais sofisticados, como o próprio LRCAP. Cada sistema híbrido residencial ou comercial instalado hoje gera aprendizado sobre dimensionamento, operação e comportamento do consumidor que será valioso quando o armazenamento em escala de rede se tornar mais comum.

DO POTENCIAL À EXECUÇÃO

Os desafios e as oportunidades do armazenamento de energia no Brasil não são forças opostas competindo pelo mesmo espaço - são, na verdade, duas faces do mesmo processo de amadurecimento. Os custos de importação vêm caindo de forma consistente no mercado internacional, ainda que a carga tributária brasileira siga absorvendo parte relevante desse ganho; a regulação, embora incompleta, avançou mais nos últimos dois anos do que na década anterior, com o LRCAP como principal evidência; e os modelos de negócio - da venda direta ao armazenamento como serviço (Energy Storage as a Service, ou ESaS) -, ainda que pouco maduros, já convivem com mercados claramente identificados (microrredes isoladas, off-grid, behindthe-meter junto à carga ou à geração, mercado de capacidade via LRCAP) e aplicações cada vez mais diversificadas (load shifting, peak shaving, confiabilidade, qualidade de energia), nos quais investidores começam a testar e ajustar suas teses, apoiados por uma base de dados de mercado cada vez mais robusta.

O que faltará, daqui para frente, não é potencial técnico ou econômico: é execução coordenada entre reguladores, distribuidoras, financiadores e o próprio mercado, que precisa continuar produzindo dados e evidências - como os que orientam este artigo - capazes de transformar incerteza em previsibilidade. Assim como a geração distribuída solar percorreu, em pouco mais de uma década, o caminho de nicho experimental a pilar do sistema elétrico brasileiro - hoje com mais de 50 GW de capacidade acumulada e 4,5 milhões de consumidores com sistema próprio -, o armazenamento parece caminhar em direção semelhante. A diferença é que, desta vez, o setor tem à sua disposição o aprendizado acumulado da própria transição energética que o antecedeu, e isso pode significar um caminho mais rápido do que se imagina.

*Marcio Takata é CEO da Greener, empresa brasileira de inteligência de mercado especializada em transição energética. Atua na estratégia e no desenvolvimento de análises de mercado que apoiam empresas e investidores na tomada de decisões no setor de energia. Luiza Bertazzoli é Head de Inteligência de Mercado da Greener, empresa brasileira de inteligência de mercado especializada em transição energética. Atua na liderança de estudos e pesquisas de mercado, incluindo o Estudo SED (Soluções Energéticas Distribuídas) e o Estudo Estratégico de Armazenamento de Energia.

- Da potência à inteligência operacional

Como a Inteligência Artificial está redefinindo a infraestrutura e a operação dos Data Centers

*Por Anny Rodrigues de Assis

1 - RESUMO EXECUTIVO

A Inteligência Artificial está impulsionando uma nova geração de Data Centers, marcada por maiores densidades de potência, aumento da demanda energética e níveis inéditos de complexidade operacional. Essa transformação não se limita aos servidores. Ela alcança toda a infraestrutura crítica, da conexão com a rede elétrica e dos sistemas de distribuição à refrigeração, à automação e à operação.

Na América Latina, esse movimento abre uma nova fase de investimentos em infraestrutura digital. No Brasil, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o REData, amplia a discussão sobre competitividade, capacidade energética, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico. O país reúne atributos relevantes para participar desse ciclo, mas transformar potencial em capacidade efetiva dependerá de energia disponível, segurança regulatória, profissionais qualificados e maturidade operacional.

Para suportar cargas de IA, não basta disponibilizar mais potência no rack. É necessário assegurar que os sistemas elétricos e térmicos evoluam de forma coordenada, com capacidade, redundância, flexibilidade e eficiência. Ao mesmo tempo, a própria Inteligência Artificial passa a apoiar a operação desses ambientes. Sensores, BMS, EPMS e Gêmeos Digitais podem consolidar dados elétricos, térmicos e operacionais para identificar anomalias, antecipar riscos, testar cenários e otimizar recursos.

O desafio dos Data Centers do futuro não será apenas fornecer mais potência. Será integrar infraestrutura física e inteligência operacional para converter essa potência em disponibilidade, eficiência, previsibilidade e sustentabilidade.

2 - BRASIL E AMÉRICA LATINA: A NOVA FRONTEIRA DA INFRAESTRUTURA DIGITAL

A expansão da Inteligência Artificial está promovendo uma das maiores ondas de investimento da história recente da infraestrutura digital. Modelos avançados exigem volumes crescentes de processamento, armazenamento e conectividade, impulsionando novos projetos e ampliando a demanda por energia.

A demanda mundial de eletricidade dos Data Centers poderá mais que dobrar até 2030, alcançando aproximadamente 945 TWh, com os ambientes otimizados para IA entre os principais vetores desse crescimento. Em atualização publicada em 2026, a Agência Internacional de Energia informou que o consumo elétrico do setor cresceu 17% em 2025 e projetou que o consumo dos sites focados em IA poderá triplicar até 2030. São projeções de cenário, mas indicam com clareza a velocidade da transformação.

Na América do Sul, a Mordor Intelligence estima que o mercado de Data Centers passe de US$ 4,19 bilhões em 2026 para US$ 7,05 bilhões em 2031, com crescimento anual composto de 10,96%. Embora seja uma projeção de mercado, o indicador ajuda a dimensionar a direção do crescimento regional.

No Brasil, esse movimento ganha relevância adicional com o REData, estruturado para estimular a implantação e a ampliação de Data Centers por meio da suspensão de tributos federais incidentes sobre bens elegíveis, vinculada a compromissos de sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento e disponibilização de capacidade para o mercado interno. Seu impacto dependerá da regulamentação, da segurança jurídica, da conexão elétrica e da capacidade dos empreendimentos de atender às contrapartidas estabelecidas.

No Brasil, esse movimento ganha relevância adicional com o REData, estruturado para estimular a implantação e a ampliação de Data Centers por meio da suspensão de tributos federais incidentes sobre bens elegíveis, vinculada a compromissos de sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento e disponibilização de capacidade para o mercado interno. Seu impacto dependerá da regulamentação, da segurança jurídica, da conexão elétrica e da capacidade dos empreendimentos de atender às contrapartidas estabelecidas.

O país combina matriz elétrica com forte participação renovável, recursos energéticos, conectividade internacional e um ambiente mais favorável à infraestrutura digital. Se essa oportunidade for bem aproveitada, novos projetos poderão estimular competências locais em engenharia, automação, operação e tecnologias de IA. Entretanto, o desafio não estará apenas em construir instalações. Estará em operá-las com eficiência em um ambiente mais denso, integrado e complexo.

3 - A NOVA ESCALA DA INFRAESTRUTURA DE IA

Uma das principais características dos ambientes voltados para Inteligência Artificial é o aumento expressivo da densidade computacional. Enquanto racks corporativos tradicionais operam tipicamente entre 5 e 10 kW, clusters dedicados a treinamento e inferência já alcançam faixas de 40 a 120 kW por rack, com projetos de ponta acima desse patamar. Não se trata de uma evolução incremental, mas de uma mudança de regime para a infraestrutura elétrica e térmica.

O efeito percorre toda a cadeia crítica: conexão com a rede, subestações, transformadores, média e baixa tensão, UPS, barramentos, distribuição aos racks, refrigeração e sistemas auxiliares. O maior consumo também produz mais calor. Energia e refrigeração tornam-se, portanto, um único problema de engenharia e operação.

Em ambientes de alta densidade, soluções baseadas exclusivamente em ar encontram limitações técnicas e econômicas. Cresce, por isso, a adoção de resfriamento líquido, principalmente em clusters de IA. Em projetos novos, a arquitetura elétrica, térmica e digital pode ser planejada de forma integrada. Em instalações existentes, a introdução de cargas de alta densidade pode encontrar restrições de capacidade, espaço, peso, rotas de distribuição, rejeição de calor e janelas de manutenção.

O perfil elétrico também muda. Cargas não lineares de alta potência, variações rápidas de consumo e requisitos rigorosos de continuidade demandam atenção à qualidade de energia, à resposta dos sistemas de alimentação ininterrupta e à redundância. A capacidade nominal total da instalação nem sempre representa capacidade utilizável no ponto da nova carga. Pode haver energia disponível sem refrigeração equivalente, espaço sem caminho elétrico adequado ou capacidade sem margem para contingências.

Em minha experiência, a expansão computacional só se sustenta quando acompanhada pela evolução coordenada das infraestruturas elétrica, mecânica e operacional. A potência instalada permanece essencial, mas sua gestão passa a determinar a eficiência e a confiabilidade do empreendimento.

4 - DA INFRAESTRUTURA FÍSICA À INTELIGÊNCIA OPERACIONAL

Expandir capacidade computacional tornou-se uma necessidade. Operá-la de forma eficiente tornou-se uma vantagem competitiva. Indicadores como PUE, WUE e CUE ajudam a avaliar os efeitos das decisões de projeto e operação sobre energia, água e emissões. Seu uso conjunto é importante porque a otimização isolada de um indicador pode transferir o impacto para outro recurso.

À medida que os ambientes se tornam mais densos, a eficiência deixa de depender apenas do desempenho dos equipamentos. Passa a depender da capacidade de compreender o comportamento da instalação em tempo real e de coordenar energia, refrigeração, capacidade e disponibilidade.

Os Data Centers modernos geram grandes volumes de informações sobre energia, temperatura, qualidade elétrica, vazão, pressão, vibração, desempenho térmico e condições dos ativos. Sensores distribuídos capturam esses dados, enquanto sistemas como o Building Management System, BMS, e o Electrical Power Monitoring System, EPMS, consolidam a visão dos sistemas prediais, mecânicos e elétricos.

Essas plataformas formam a base da inteligência operacional. Historicamente, a operação foi predominantemente reativa: alarmes indicavam desvios e as equipes respondiam aos eventos. Com mais dados disponíveis, torna-se possível correlacionar variáveis, reconhecer tendências e antecipar condições de risco antes que produzam impacto.

Essa evolução pode ser entendida como uma jornada de maturidade. O primeiro estágio é o monitoramento, com dados e alarmes básicos. Em seguida vêm análise e diagnóstico assistido. Os estágios de maior valor prático são o preditivo, no qual modelos antecipam desvios e falhas, e o prescritivo, no qual o sistema compara cenários e recomenda ações. A autonomia plena deve permanecer sujeita a supervisão, validação e limites claros, especialmente em ambientes de missão crítica.

Nesse contexto, o Gêmeo Digital, ou Digital Twin, ganha relevância como evolução da supervisão tradicional. Mais do que uma representação visual, ele combina modelos de engenharia, topologia e dados operacionais para criar uma representação digital dinâmica da infraestrutura. Essa visão permite analisar capacidade, investigar eventos, comparar estratégias e avaliar mudanças antes da intervenção no ambiente físico.

Em instalações de IA, onde decisões sobre expansão, refrigeração ou manutenção podem produzir impactos relevantes sobre disponibilidade e custo, reduzir incertezas antes da execução deixa de ser apenas uma vantagem. Torna-se uma necessidade operacional.

Quando associados a técnicas de Inteligência Artificial, sensores, BMS, EPMS e Gêmeos Digitais podem apoiar diferentes objetivos:

  • identificação de anomalias e desvios de desempenho;
  • correlação de eventos elétricos, térmicos e operacionais; 
  • manutenção preditiva e priorização de riscos; 
  • planejamento de capacidade e avaliação de novas cargas; • otimização energética e térmica; 
  • simulação de contingências e estratégias de manutenção.

O valor dessas tecnologias não está somente em monitorar ativos, mas em converter dados dispersos em contexto operacional. Um caso publicado pela iniciativa Better Buildings, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, registrou economia anual superior a 1.240 MWh e redução de custos elétricos acima de US$ 100 mil em um site que aplicou gestão dinâmica de refrigeração baseada em IA e aprendizado de máquina. O resultado é específico daquele projeto e não deve ser generalizado, mas demonstra que análises avançadas podem produzir ganhos mensuráveis.

A inteligência operacional depende, contudo, da qualidade e da integridade dos dados. Padronização dos pontos de medição, calibração de sensores, consistência temporal e integração entre plataformas são pré-requisitos para análises confiáveis. A convergência entre sistemas operacionais e plataformas de dados também amplia a importância da cibersegurança OT, pois uma falha na camada de controle pode afetar a disponibilidade tanto quanto uma falha física.

A IA aplicada aos Data Centers não deve ser compreendida como automação pela automação. Seu valor está em transformar grandes volumes de dados em conhecimento capaz de apoiar decisões, reduzir riscos e melhorar eficiência, disponibilidade e sustentabilidade. A mesma tecnologia que aumenta a demanda computacional pode, assim, tornar-se uma aliada para operar a infraestrutura que a sustenta.

Na prática, a integração entre essas camadas amplia a capacidade de enxergar relações que dificilmente seriam percebidas em sistemas isolados. Uma elevação de temperatura pode estar associada não apenas ao sistema de refrigeração, mas também à alteração de carga em um conjunto específico de racks, ao desempenho de bombas e ventiladores ou à distribuição elétrica. Ao correlacionar essas variáveis, a equipe deixa de analisar sintomas de forma fragmentada e passa a compreender causas e efeitos dentro do sistema completo.

O planejamento de capacidade é outro campo em que essa abordagem gera valor. Em instalações de alta densidade, a disponibilidade de espaço não significa necessariamente capacidade para receber novas cargas. É preciso verificar simultaneamente potência, caminho elétrico, refrigeração, peso, redundância e margem operacional. Modelos digitais alimentados por dados reais podem apoiar essa avaliação e reduzir o risco de decisões baseadas apenas em valores nominais ou médias históricas.

A manutenção também evolui. Estratégias exclusivamente preventivas, baseadas em intervalos fixos, podem levar a intervenções desnecessárias ou não capturar degradações que surgem entre inspeções. A análise contínua de tendências permite identificar alterações graduais de comportamento e direcionar a atenção das equipes para os ativos que apresentam maior probabilidade de falha ou maior impacto potencial. A decisão permanece sob governança humana, mas passa a ser sustentada por evidências mais completas.

Esse avanço não elimina a experiência dos profissionais de operação. Ao contrário, torna essa experiência ainda mais valiosa. Modelos analíticos podem reconhecer padrões, mas a interpretação do contexto, a avaliação do risco e a autorização de uma mudança crítica exigem conhecimento da instalação e disciplina operacional. A tecnologia deve ampliar a capacidade das equipes, e não substituir os controles que protegem uma infraestrutura de missão crítica.

Por isso, a adoção de IA operacional e Gêmeos Digitais deve seguir uma trajetória progressiva: começar por casos de uso de menor risco, medir resultados, validar modelos e ampliar o escopo conforme a confiança aumenta. Detecção de anomalias, análise energética e apoio à manutenção são pontos de partida mais seguros do que o controle autônomo de sistemas críticos. Essa evolução gradual permite capturar benefícios sem comprometer a disponibilidade, que continua sendo o princípio central da operação.

5 – CONCLUSÃO

A Inteligência Artificial inaugura uma nova etapa na evolução dos Data Centers. O aumento da capacidade computacional deixa de produzir efeitos apenas na sala de TI e passa a exigir respostas coordenadas em toda a infraestrutura crítica. Sistemas elétricos, refrigeração, automação e operação precisam evoluir como partes de um mesmo sistema.

A implantação de cargas de alta densidade demonstra que disponibilizar potência no rack é apenas uma parte do desafio. Essa energia deve percorrer uma cadeia segura, protegida e redundante; depois de utilizada pelo processamento, o calor correspondente precisa ser removido continuamente. Qualquer desequilíbrio entre capacidade elétrica, capacidade térmica e estratégia operacional pode limitar a expansão, reduzir a eficiência ou elevar riscos.

Ao mesmo tempo, a própria IA pode contribuir para operar essa infraestrutura de forma mais inteligente. Dados provenientes de sensores, BMS e EPMS, combinados a modelos digitais e técnicas analíticas, permitem avançar de uma supervisão reativa para uma operação mais preditiva. O Gêmeo Digital amplia essa capacidade ao possibilitar a avaliação de expansões, manutenções e contingências antes da intervenção física, desde que sustentado por governança de dados e cibersegurança adequadas.

O REData acrescenta uma dimensão econômica e estratégica a esse cenário ao reforçar a competitividade brasileira na atração de investimentos em infraestrutura digital. Transformar essa oportunidade em capacidade efetiva exigirá avanços coordenados em energia, conexão elétrica, engenharia, refrigeração, automação, qualificação profissional, sustentabilidade e maturidade operacional.

O futuro dos Data Centers não será definido apenas pela capacidade de fornecer mais potência. Será definido pela capacidade de integrar engenharia, eficiência e inteligência operacional para transformar essa potência em disponibilidade, resiliência, sustentabilidade, controle e geração de valor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADVANCED RESEARCH PROJECTS AGENCY-ENERGY (ARPA-E). OMNICOOL: pumped two-phase cooling architecture for deployable AI factory and HPC systems. Washington, DC: U.S. Department of Energy, 2025. Disponível em: https://arpa-e.energy.gov/programs-and-initiatives/searchall-projects/omnicool-pumped-two-phase-cooling-architecture-deployableai-factory-and-hpc-systems. Acesso em: 14 set. 2026.

AMERICAN SOCIETY OF HEATING, REFRIGERATING AND AIRCONDITIONING ENGINEERS (ASHRAE). ASHRAE TC 9.9 Thermal Guidelines for Data Processing Environments. Atlanta: ASHRAE, 2021

ASHRAE; NATIONAL ELECTRICAL MANUFACTURERS ASSOCIATION

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RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

29/10/2026

Dia 29 de outubro de 2026, quinta-feira

DECRETO DE EÓLICAS OFFSHORE

A Casa Civil deverá receber nas próximas o decreto regulamentador da Lei das eólicas offshore, a lei 15.097/2025.

A informação é da secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Mariana Espécie. Ela revelou durante o Brasil Windpower, realizado na última terça-feira, 27 de outubro, que a intenção é que o texto seja publicado ainda este ano. O decreto traz as diretrizes para a estruturação do Portal Único de Gestão de áreas offshore (PUG). A Empresa de Pesquisa Energética desenvolve o portal. Este será uma espécie de plataforma centralizadora os procedimentos relacionados à emissão da Declaração de Interferência Prévia. Dessa forma, contribui para integração das informações e a coordenação na gestão das áreas marítimas.

Continue a leitura na matéria “Casa Civil deve receber decreto de eólicas offshore nas próximas semanas”: https://tinyurl.com/3key8mr4

EL NIÑO

A meteorologista da Climatempo Marcely Sondermann, avalia que o El Niño já pode ser classificado como muito forte. A tendência é de continuidade de intensidade e alcançar o patamar de evento mais intenso já registrado. A afirmação ocorreu durante a 17ª edição do Brazil Windpower nesta quarta-feira, 28 de outubro. Entre as características está o aquecimento anômalo expressivo no Pacífico (índice Niño 3.4).

Leia mais na notícia “El Niño muito forte deve persistir até início do outubro de 2027, alerta Climatempo”: https://short-url.cc/1GZgq

MIGRAÇÃO DE CONSUMIDORES E OPEN ENERGY

A Aneel aprovou novas regras para os serviços de distribuição, em consequência da abertura de mercado para consumidores do Grupo A. A agência também instituiu o Open Energy, instrumento que garante ao consumidor acesso aos dados de consumo, faturamento e medição, além do compartilhamento dessas informações com instituições de sua escolha.

Saiba mais em “Aneel aprova regras sobre migração de consumidores e Open Energy”: https://tinhyurl.com/3u4zp

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

- Aneel confirma orçamento de R$ 52,7 bilhões para a CDE: https://tinyurl.com/482xsnb3

- Statkraft investirá cerca de R$ 2,5 bilhões em parque eólico no RS: https://tinyurl.com/2ve37ybh

- LRCAP de baterias terá preços teto de R$ 1,76 mi e R$ 1,58 mi/MW.ano: https://short-url.cc/1GZqD

Fonte: CanalEnergia

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO (OSE) – EDIÇÃO 222, DE 27/10/2026

28/10/2026

- Armazenamento, inteligência artificial e resiliência: a agenda do setor elétrico 

Editorial

A expansão das fontes renováveis, o avanço da inteligência artificial, a crescente demanda por energia e os eventos climáticos extremos exigem respostas cada vez mais eficientes, seguras e sustentáveis por parte dos setores de GTD. Nesta edição de outubro, aprofundamos a abordagem técnica em temas cruciais para o setor elétrico como armazenamento de energia, instalações elétricas de baixa e média tensão, data centers e inteligência artificial, proteção contra descargas atmosféricas, resiliência das redes, segurança do trabalho, dentre outros assuntos que nos ajudam a compreender as transformações que vivemos, contribuindo para a identificação de caminhos para que a indústria elétrica nacional esteja preparada para os desafios que já se impõem.

O armazenamento de energia ocupa um lugar central nessa discussão. No fascículo dedicado ao tema, Miriam Penna Diniz e Michele dos Reis aprofundam o debate sobre as tecnologias que podem ampliar a flexibilidade e a confiabilidade do sistema elétrico. As baterias ganham protagonismo diante da necessidade de administrar a variabilidade das fontes renováveis, aproveitar melhor a energia disponível e oferecer maior segurança no fornecimento. Entretanto, ainda precisamos superar obstáculos relacionados aos custos, à tributação, à regulamentação e aos modelos de negócio. O avanço dessa tecnologia dependerá não apenas da redução dos preços, mas também da construção de condições regulatórias e econômicas que permitam transformar seu potencial em investimentos concretos.

Essa transformação está diretamente relacionada à expansão dos data centers e à revolução promovida pela inteligência artificial. O crescimento das cargas digitais coloca novas exigências sobre a infraestrutura elétrica, que precisa assegurar disponibilidade, qualidade de energia e continuidade operacional. Nos fascículos dedicados aos data centers e à inteligência artificial, Alexandre Kontoyanis e Leo Almeida abordam questões fundamentais para compreender essa nova fronteira tecnológica.

A classificação e a operação dos grupos geradores, os requisitos de infraestrutura e a busca por maior eficiência mostram que atender à economia digital exige muito mais do que ampliar a oferta de eletricidade. É necessário planejar, integrar tecnologias e garantir que os sistemas críticos funcionem com segurança e confiabilidade.

Neste contexto, é indispensável olharmos para as instalações elétricas de baixa e média tensão, que constituem a base de inúmeras aplicações industriais, comerciais e de infraestrutura. No fascículo assinado por Luiz Carlos Catelani, o conhecimento técnico contribui para orientar profissionais diante da evolução dos equipamentos, das exigências de desempenho e da necessidade de instalações cada vez mais seguras. Essa preocupação se conecta à atualização das normas técnicas e regulamentadoras, tema que ganha relevância especial com a revisão da NR-10. As mudanças ampliam a importância da gestão de riscos elétricos, da análise de energia incidente, da prevenção de acidentes com arco elétrico e da capacitação dos trabalhadores.

...

Já os debates sobre inovação e equidade, regulação, iluminação pública, instalações em atmosferas explosivas, qualidade de energia, pesquisa e desenvolvimento e a relação entre energia, ambiente e sociedade ampliam o olhar para além dos equipamentos, mostrando que o desenvolvimento do setor também depende de pessoas, conhecimento e planejamento.

- O PAPEL DO BRASIL NO MERCADO DE HIDROGÊNIO VERDE: AVANÇOS E OPORTUNIDADES

Por: Fernanda Delgado

O mundo está diante de uma transformação profunda na forma como produz, consome e comercializa energia. A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ocupar espaço central nas estratégias industriais, comerciais e de segurança energética dos países. Nesse cenário, o hidrogênio verde, especialmente o produzido a partir de fontes renováveis, ganha relevância como vetor de descarbonização e como insumo para uma nova geração de produtos e cadeias industriais.

O Brasil parte de uma posição particularmente favorável. Temos uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, ampla disponibilidade de recursos eólico e solar, experiência consolidada em biocombustíveis e uma indústria capaz de incorporar novas tecnologias.

Mas potencial não é sinônimo de liderança. A oportunidade brasileira dependerá da nossa capacidade de transformar vantagens naturais em projetos, investimentos, infraestrutura, tecnologia, empregos e produtos de maior valor agregado. O verdadeiro desafio não é apenas produzir hidrogênio verde, mas construir, a partir dele, uma nova plataforma de industrialização.

Nos últimos anos, o Brasil deu passos importantes nessa direção. A aprovação da Lei nº 14.948, em 2024, estabeleceu o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono e criou instrumentos para estimular o desenvolvimento da indústria. A legislação também definiu entre seus objetivos atrair investimentos, ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional e fomentar a produção de hidrogênio verde e seus derivados para exportação ou utilização em cadeias produtivas capazes de agregar valor aos produtos nacionais.

O Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), instituído pela Lei nº 14.990/2024, tem entre seus objetivos desenvolver o hidrogênio verde, estabelecer metas para o mercado interno e apoiar a descarbonização de setores industriais de difícil redução de emissões, como fertilizantes, siderurgia, cimento, química e petroquímica.

Agora mais recente, em agosto de 2026, esse processo avançou com a publicação do Decreto nº 13.096, que regulamentou o marco legal e o PHBC. É um avanço importante para transformar a legislação em um ambiente mais concreto para a tomada de decisão empresarial.

Nesse processo, a Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) tem atuado na articulação entre empresas, governo e demais atores da cadeia para contribuir com a construção de um ambiente capaz de dar previsibilidade e competitividade ao setor.

Esses avanços regulatórios são fundamentais, mas precisam ser acompanhados por uma visão integrada de desenvolvimento. O hidrogênio verde não deve ser tratado isoladamente como uma nova molécula energética. Ele precisa estar conectado à política industrial, ao planejamento elétrico, à infraestrutura, ao financiamento, à formação profissional, à inovação e à estratégia de comércio exterior.

Essa integração é especialmente importante porque a competitividade do hidrogênio verde depende diretamente do custo da energia e da capacidade de garantir fornecimento renovável em escala. Em um país com recursos abundantes, a vantagem não está simplesmente em ter sol e vento, mas em conseguir convertê-los em energia competitiva e, posteriormente, em moléculas e produtos que encontrem mercados.

É nesse ponto que surge uma das maiores oportunidades brasileiras: utilizar o hidrogênio verde como plataforma de agregação de valor. Em vez de pensar apenas na exportação da molécula, podemos avançar na produção de amônia, metanol e outros derivados, além de utilizar o hidrogênio verde em cadeias

industriais como fertilizantes, siderurgia, refino, indústria química, transporte marítimo e aviação.

O Nordeste ocupa posição relevante nessa construção. A disponibilidade de recursos renováveis e a existência de infraestrutura portuária criam condições para o desenvolvimento de polos industriais associados ao hidrogênio verde e seus derivados.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do mercado interno é tão importante quanto a perspectiva de exportação. Um país que pretende ser protagonista internacional precisa também criar demanda doméstica. Contratos de longo prazo, instrumentos de financiamento, mecanismos de redução de risco e políticas capazes de estimular os primeiros consumidores são fundamentais para que projetos avancem da fase de anúncio para a decisão final de investimento.

Para o Brasil, isso significa que a janela de oportunidade está aberta, mas não permanecerá indefinidamente. Outros países também estão estruturando políticas, infraestrutura e mercados para disputar investimentos e cadeias produtivas associadas à transição energética.

Precisamos, portanto, avançar com previsibilidade. Investimentos de longo prazo exigem regras claras, segurança jurídica, estabilidade regulatória e sinalização consistente de preços e demanda. Também é necessário incorporar a expansão das grandes cargas associadas à eletrólise ao planejamento do setor elétrico, garantindo que o crescimento da indústria do hidrogênio verde ocorra de maneira eficiente e compatível com a expansão da oferta e da transmissão.

O Brasil já deu passos importantes. Agora, a oportunidade é consolidar esse ambiente e fazer com que a energia renovável brasileira se transforme em competitividade, indústria, tecnologia, emprego e desenvolvimento.

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO (OSE) – EDIÇÃO 222, DE 27/10/2026

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