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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

As ondas de calor da Europa (e do mundo) vieram para ficar

10/7/2026

Nas últimas semanas de junho de 2026, a Europa veio ao centro da discussão sobre mudanças climáticas em razão de uma intensa onda de calor. Temperaturas atingiram 40,9°C em Paris e chegaram a 43,8°C em Pulluau, no oeste da França. Recordes também foram registrados na Alemanha, Polônia e República Tcheca, enquanto quase 150 milhões de pessoas foram afetadas e mais de 1.300 mortes foram associadas ao calor desde 21 de junho na Europa. Na França, o evento agravou a seca e elevou significativamente o risco de incêndios florestais.

O episódio levanta uma questão central: trata-se de um evento isolado ou de uma manifestação do aquecimento global?

Uma das consequências mais evidentes do aquecimento global é o aumento da frequência, intensidade e duração desses eventos. As ondas de calor são períodos prolongados de temperaturas excepcionalmente elevadas acima de 37°C próximas à superfície terrestre e representam um dos eventos climáticos extremos de maior impacto na saúde humana.

O calor extremo já constitui um novo regime climático em muitas regiões do planeta. Atualmente, cerca de 30% da população mundial está exposta a condições potencialmente letais por pelo menos 20 dias por ano, enquanto a proporção da população submetida a pelo menos 90 dias anuais de forte estresse térmico aumentou de 55% na década de 1970 para 70% atualmente. Em várias regiões, ocorreram até 50 dias adicionais de estresse térmico por ano, acompanhados pelo prolongamento da estação quente. As noites mais quentes estão aquecendo mais rapidamente do que os dias mais quentes, favorecendo eventos compostos de calor diurno e noturno cada vez mais frequentes e prolongados.

A Europa está entre as regiões onde o sinal das mudanças climáticas se manifesta de forma mais evidente. As temperaturas aparentes (ou seja, como são percebidas pelo corpo) máximas durante os dias mais quentes do ano aumentaram cerca de 4°C nos últimos dez anos em comparação com a década de 1970, enquanto o estresse térmico extremo tornou-se 2,5 vezes mais frequente (assim como na América do Sul). Eventos compostos de calor diurno e noturno aumentaram 73%, episódios com duração entre 15 e 30 dias tornaram-se 3,4 vezes mais frequentes e ondas de calor com até 120 dias consecutivos praticamente dobraram de frequência. Países como Espanha, França, Alemanha, Polônia, Estados Bálticos e Ucrânia apresentam aumento significativo na frequência e intensidade desses eventos, com um sinal climático que já emergiu da variabilidade natural desde aproximadamente 2011.

As ondas de calor resultam da interação entre processos atmosféricos e condições da superfície terrestre. Bloqueios atmosféricos e a advecção de massas de ar quente mantêm temperaturas elevadas sobre uma região, enquanto fatores locais, como disponibilidade de água no solo, cobertura vegetal, nebulosidade e albedo, determinam quanto da energia solar é dissipada por evapotranspiração ou convertida em aquecimento. Em regiões secas, a redução da evapotranspiração diminui o resfriamento promovido pela vegetação, intensificando e prolongando o calor. Em escala climática, a variabilidade associada ao ENSO (El Niño-Oscilação Sul) também influencia esses eventos, com episódios de El Niño favorecendo ondas de calor mais frequentes e intensas, especialmente nos trópicos.

A onda de calor de 2026 na Europa exemplifica esses mecanismos. O evento foi sustentado por um bloqueio ômega, um sistema persistente de alta pressão que interrompeu o fluxo da corrente de jato, mantendo ar quente estacionário sobre a Europa Ocidental. A subsidência atmosférica, o céu predominantemente limpo e a advecção de ar muito quente do norte da África elevaram as temperaturas acima de 40°C, enquanto o ressecamento do solo reduziu a evapotranspiração e reforçou o aquecimento da superfície. Embora bloqueios atmosféricos ocorram naturalmente, o aquecimento global aumenta a probabilidade de que produzam ondas de calor mais intensas e duradouras.

As projeções indicam que o risco de ondas de calor continuará aumentando em todo o mundo. Até 2100, entre 48% e 74% da população poderá viver sob exposição frequente a calor extremo, dependendo se adotaremos medidas de fortes reduções das emissões ou se continuaremos aumentando-as continuamente por muitos anos. Além do aumento na frequência, espera-se que as ondas de calor sejam mais longas, intensas e acumulem maiores cargas de calor, fazendo com que grande parte da população experimente condições climáticas sem precedentes em relação ao clima observado no século 20. Crianças nascidas entre 2021 e 2050 viverão sob um regime térmico substancialmente diferente daquele experimentado por seus avós, mesmo em cenários de mitigação das emissões. Em algumas regiões, projeta-se que nenhuma pessoa viverá sob condições consideradas 'familiares' em relação ao clima observado entre 1961 e 1990. As mudanças nas ondas de calor farão com que mais de 60% da população europeia esteja exposta a níveis inéditos de calor acumulado durante ondas de calor.

As ondas de calor representam um dos eventos climáticos extremos de maior impacto sobre a saúde humana, os ecossistemas, a agricultura, a infraestrutura, a disponibilidade hídrica e a produtividade econômica, aumentando a demanda por atendimentos de emergência, hospitalizações e serviços de vigilância em saúde, especialmente entre populações mais vulneráveis.

Ondas de calor resultam em acúmulo de calor no organismo e em uma elevação perigosa da temperatura corporal central acima do seu nível ideal (hipertermia). O calor já constitui a principal causa de mortalidade relacionada às condições meteorológicas no mundo, agravando doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e transtornos de saúde mental. Entre 1990 e 2019, estimou-se que 0,94% das mortes ocorridas durante a estação quente no mundo foram atribuíveis às ondas de calor, o equivalente a cerca de 153 mil óbitos por ano. Na média dos últimos três anos, quando o aquecimento global atingiu 1,5°C e as ondas de calor bateram recordes, o número de mortes atingiu cerca de 500 mil por ano, especialmente idosos com até 14 mil mortes no Brasil. Crianças, idosos, trabalhadores expostos ao ar livre e populações socialmente vulneráveis estão entre os grupos mais suscetíveis. Durante a terceira onda de calor do verão de 2020 na Inglaterra, foi observado um aumento significativo da mortalidade entre pessoas de zero a 64 anos, um padrão que não havia sido registrado em anos anteriores. Segundo o Unicef, cerca de 559 milhões de crianças já vivem sob elevada frequência de ondas de calor e praticamente todas as crianças do planeta enfrentarão esses eventos com maior frequência até 2050, mesmo em cenários compatíveis com o Acordo de Paris.

Os impactos também se estendem aos ecossistemas e à economia. Ondas de calor intensas associadas ao déficit hídrico reduzem a produtividade agrícola, aumentam o risco de incêndios florestais, comprometem o funcionamento dos ecossistemas, elevam o consumo de energia, afetam a infraestrutura urbana e reduzem significativamente a produtividade do trabalho.

Embora parte do aumento das ondas de calor já seja inevitável devido ao aquecimento acumulado do sistema climático, seus impactos futuros dependerão da combinação entre mitigação das mudanças climáticas e adaptação.

A principal estratégia de mitigação consiste na rápida redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia, aumento da eficiência energética e conservação dos ecossistemas naturais. Nesse contexto, a expansão das energias renováveis já demonstra resultados importantes: em 2025, elas responderam por 46,4% da geração de eletricidade na Europa, com a energia solar atingindo participação recorde (12,5%). Paralelamente, florestas e outros ecossistemas naturais desempenham papel fundamental ao remover dióxido de carbono da atmosfera, regular o ciclo hidrológico, promover resfriamento por evapotranspiração e reduzir a intensidade dos extremos de calor, especialmente em escala regional.

A adaptação torna-se igualmente essencial. Sistemas de alerta precoce, planos de ação para ondas de calor, fortalecimento da vigilância em saúde, ampliação da arborização urbana, criação de áreas verdes, restauração ecológica de ecossistemas terrestres e de áreas úmidas, infraestrutura resiliente e outras estratégias de resfriamento das cidades, como ampla implementação de telhados verdes, podem reduzir significativamente a exposição da população. A incorporação de índices de estresse térmico, como o UTCI (Índice Universal de Clima Térmico), às avaliações de risco permite identificar situações em que temperatura, umidade e vento tornam o calor mais perigoso do que indicado apenas pela temperatura do ar.

Sem reduções rápidas das emissões e investimentos robustos em adaptação, bilhões de pessoas adicionais poderão enfrentar condições perigosas de estresse térmico nas próximas décadas, com consequências crescentes para a saúde, a segurança alimentar, os ecossistemas e a economia global.

Para ler mais:

Global heat stress intensification and its expanding footprint on the human population

How fast is climate changing? One generation is sufficient for unfamiliar heatwave characteristics to emerge in Europe

Global, regional, and national burden of heatwave-related mortality from 1990 to 2019: A three-stage modelling study

Heatwave Mortality in Summer 2020 in England: An Observational Study

Fonte: Ecoa | Carlos Nobre – 07/07/2026

Resumo das Notícias de Hoje

24/7/2026

Dia 23 de julho de 2026, quinta-feira

- REGRAS PARA RESSARCIMENTO DE CORTES (finanças e RI)

Com a publicação da Portaria no 140, o Ministério de Minas e Energia deu um passo a mais na disputa sobre o ressarcimento dos cortes de geração, popularmente chamado de curtailment. Apesar disso, a avaliação dos agentes é de que há muito trabalho pela frente. O termo de compromisso era aguardado há muito tempo, desde a abertura da consulta pública, em dezembro de 2025. O texto final é o resultado de idas e vindas e intensas negociações sobre o tema. Agora com os prazos dados a perspectiva é de que apenas em 2027 os geradores afetados pelos cortes vejam os valores devolvidos. Contudo, essa será uma ‘devolução contábil’, mas o tema ainda está cercado de incertezas quanto às regras para o futuro.

> Saiba mais na matéria “Regras para ressarcimento de cortes são bem recebidas, mas incerteza permanece”: https://shorturl.at/sqisZ

- CMSE AUTORIZA ANTECIPAÇÃO DE TÉRMICAS (política)

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico autorizou a antecipação de usinas térmicas. A decisão alcança contratos negociados no Leilão de Capacidade na forma de Energia de 2022 e no de Potência de 2026. A medida foi aprovada nesta quarta-feira, 22 de julho e garante a entrada de 1,8 GW adicionais no Sistema Interligado a partir de 1º de setembro.

> Continue a leitura na notícia “CMSE autoriza antecipação 1,8 GW em térmicas de leilões de potência”: https://shorturl.at/Dm3eI

- EXPANSÃO CHINEZA DE RENOVÁVEIS (negócios e empresas)

Relatório do Monitor Global de Energia mostra que a expansão china de renováveis tem hoje mais de 500 GW de usinas eólicas e solares em construção. Esse valor é mais do que o restante do mundo somado. Contudo, a expansão recorde pode não ser suficiente para reduzir a dependência do carvão. Segundo o estudo, o país reúne 1.362 GW de projetos eólicos e solares em diferentes estágios de desenvolvimento. São 664 GW de solar e 698 GW de eólica. No ritmo atual, a China poderá atingir ainda neste ano a meta de seu Plano Quinquenal de fazer com que as duas fontes sejam mais da metade da capacidade instalada prevista para 2030.

> Leia mais em “Expansão chinesa de renováveis pode ser insuficiente para conter carvão, diz estudo”: https://shorturl.at/RbPro

- EVENTOS CANALENERGIA

Brazil Windpower

Data: 27-29 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aneel mantém multa a eólica por determinação pós-apagão de agosto de 2023: https://shorturl.at/FRjs1

A agência confirmou a penalidade ao proprietário da Eólica Vento Aragano I pelo descumprimento de prazos para atendimento de providências determinadas pelo ONS.

Lucro da Neoenergia no 2º tri recua e vai a R$ 900 milhões: https://shorturl.at/jDf6z

Ebitda subiu no período e foi a R$ 3,55 bilhões. Em seis meses, o lucro da companhia é de R$ 2,18 bilhões.

Lucro da WEG cai e fica em R$ 1,45 bilhão no segundo trimestre: https://shorturl.at/nEpMR

Ebitda no período registrou baixa de 2,1% e ficou em R$ 2,21 bilhões.

Fonte: CanalEnergia

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Ondas de calor estão entre eventos climáticos extremos que mais cresceram no país

Por: Carlos Nobre

No período de maio a julho de 2026, ondas de calor atingiram grande parte da Europa, levando as temperaturas a níveis recordes em vários países e, em alguns locais, às maiores temperaturas máximas diárias de toda a série histórica. O calor extremo também provocou impactos graves à saúde, com registros de milhões de mortes associadas às altas temperaturas na França. O calor também veio acompanhado de seca generalizada, que, somada às altas temperaturas, favoreceu a ocorrência de incêndios florestais, principalmente na Península Ibérica e no sul da França.

Aqui no Brasil, o verão de 2026 foi marcado por ondas de calor recorrentes, embora, em escala nacional, tenha sido menos extremo do que o verão de 2023?2024, que permanece como o mais quente da série histórica do Brasil. O verão de 2026 ficou entre os mais quentes desde 1961, mantendo a tendência de aquecimento observada nas últimas décadas. A primeira onda de calor ocorreu da última semana de dezembro de 2025 até a primeira semana de janeiro. Diversas cidades do Centro-Oeste, Sudeste e parte do Sul registraram máximas superiores a 38°C a 40°C. A segunda onda aconteceu entre aproximadamente 24 e 31 de janeiro, e registrou temperaturas acima de 38°C em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e oeste de São Paulo. A terceira onda de calor persistiu durante a primeira semana de fevereiro, e houve estresse térmico significativo sobre áreas agrícolas do Sul do Brasil, com impactos potenciais para soja, milho e pecuária.

Nos anos anteriores, o ano de 2023 foi o mais quente já observado até então, com temperatura média 0,69°C acima da climatologia (1991?2020), o ano de 2024 superou o de 2023 e tornou-se o ano mais quente da série histórica iniciada em 1961, com anomalia de +0,79°C em relação à média climatológica. O ano de 2025 foi mais quente do que a média em praticamente todo o Brasil, com uma anomalia de +0,33°C. Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou alguns dos maiores valores de temperatura máxima desde o início das observações meteorológicas. O período foi marcado por sucessivas ondas de calor, associadas ao forte El Niño de 2023?2024 e ao aquecimento global. Em 2023, a maior temperatura já registrada no Brasil desde o início da série histórica do Inmet foi registrada em Araçuaí (MG), em 11 de novembro, durante uma intensa onda de calor associada ao forte El Niño. Uma das maiores temperaturas da história do país em 2024 ocorreu no dia 6 de outubro, com 44,5°C em Goiás (GO), e, no mesmo dia, Cuiabá registrou 44,1°C. Naquele ano, foram registrados 58 dias com temperaturas iguais ou superiores a 40°C em diferentes localidades brasileiras, principalmente entre setembro e outubro. Em 2025, Quaraí (RS) registrou 43,8°C no dia 2 de fevereiro, o recorde histórico do Rio Grande do Sul e a temperatura mais alta. Todos estes recordes ocorreram durante episódios de ondas de calor. O verão de 2024?2025 foi o sexto mais quente do Brasil desde 1961, com três ondas de calor que atingiram principalmente o Sul do país.

Episódios de ondas de calor são definidos com base em temperaturas máximas e mínimas muito acima do climatológico, por períodos de três a cinco dias ou mais. As ondas de calor se caracterizam por temperaturas acima do normal, baixa umidade relativa do ar, noites excepcionalmente quentes, afetando simultaneamente diversas regiões brasileiras.

A maior frequência é observada em anos de El Niño, embora também ocorra em anos neutros e de La Niña. A causa são os chamados bloqueios atmosféricos persistentes, que impedem a chegada de frentes frias e favorecem o céu limpo e o forte aquecimento. No Brasil, estes bloqueios ocorrem na região central do país. Um fator que também favorece ondas de calor é o solo seco (feedback solo-atmosfera).

As ondas de calor são um dos eventos climáticos extremos que mais cresceram em frequência, duração e intensidade no Brasil nas últimas décadas. Esse aumento está associado ao aquecimento global antropogênico, à variabilidade climática natural (especialmente durante eventos de El Niño) e a fatores locais, como a urbanização acelerada e as ilhas de calor urbanas. Estudos recentes do Cemaden mostram que a frequência desses eventos aumentou significativamente desde os anos 2000 e tende a continuar crescendo. Este aumento na frequência, duração e intensidade resulta em impactos adversos à saúde humana e maior mortalidade entre grupos fisiologicamente vulneráveis. O aspecto mais preocupante é que mais de 90% do território brasileiro registrou ondas de calor desde 2001, incluindo as regiões Nordeste e Norte, que raramente eram afetadas nas décadas anteriores. Em 2025, as ondas de calor no Sul e Sudeste do Brasil bateram recordes e afetaram desproporcionalmente grupos vulneráveis. As ondas de calor tornaram-se uma preocupação significativa para a saúde pública e um risco de incêndios.

Geograficamente, as regiões mais afetadas são o Centro-Oeste, com episódios prolongados, temperaturas frequentemente acima de 40°C. No Norte e na Amazônia, o calor extremo é frequentemente associado a secas severas, em eventos complexos de seca-calor que, na região, aumentam o risco de incêndio. No Sudeste, o fenômeno pode se intensificar devido às ilhas de calor urbanas, especialmente nas grandes metrópoles. No Sul, há um aumento expressivo da frequência desde os anos 2000, com vários recordes históricos. No Norte e Nordeste tem-se observado desde 2000 uma tendência de maior número de ondas de calor, em relação a décadas anteriores, e o calor pode estar associado à escassez hídrica e estresse hídrico.

Atualmente, o Brasil registra, em média, entre oito e 14 ondas de calor por ano, com tendência de aumento devido ao aquecimento global e à variabilidade climática, especialmente em anos de El Niño. As ondas de calor no Brasil podem ocorrer em qualquer época do ano, mas são muito mais frequentes entre a primavera e o verão, quando a insolação é maior e sistemas atmosféricos favorecem a persistência de massas de ar quente. Nos últimos anos, também têm sido registradas ondas de calor no outono e, ocasionalmente, até no inverno, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Houve uma onda de calor durante a segunda quinzena de junho de 2024, embora tenha sido menos abrangente do que as grandes ondas observadas entre setembro e novembro de 2023 ou entre agosto e outubro de 2024, e tenha afetado o Centro-Oeste, o interior do Sudeste e parte da Região Sul.

Entre os setores mais afetados pelas ondas de calor, podemos mencionar a saúde. A desigualdade socioeconômica amplia a exposição e reduz a capacidade de adaptação ao calor extremo. De fato, as ondas de calor representam um importante risco para a saúde pública, e seus impactos se refletem no aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares, no aumento de internações por doenças respiratórias, na desidratação e na exaustão térmica, na piora de doenças crônicas e no maior risco para idosos, crianças, gestantes e trabalhadores expostos ao ar livre. Estimou-se que as ondas de calor foram responsáveis por aproximadamente 120 mil mortes atribuíveis no período de 2000 a 2019, 0,6% do total de mortes, com frações atribuíveis substancialmente maiores entre idosos e para as doenças respiratórias. Estes resultados constam em um relatório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em conjunto, esses achados indicam que os efeitos são mais intensos sobre populações vulneráveis, moradores de periferias urbanas, pessoas em situação de rua, trabalhadores rurais e da construção civil, garis, e outros que trabalham em áreas externas. Os efeitos e impactos das ondas de calor sobre a mortalidade no Brasil são social e climaticamente desiguais, refletindo a interação entre exposição climática, vulnerabilidades demográficas e desigualdades estruturais.

Durante as ondas de calor de 2023, o sistema de saúde do Brasil registrou aumento da demanda, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Um estudo da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) estimou um excesso de mortalidade de 1.392 pessoas em um curto período no Rio de Janeiro, afetando desproporcionalmente idosos e mulheres, com muitas mortes ocorridas em casa. Em 2025, o Brasil enfrentou diversas ondas de calor intensas, com temperaturas recordes nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Até a última semana de dezembro de 2025, São Paulo registrou um aumento de 27,2% nos atendimentos ambulatoriais por insolação e condições relacionadas, no período de janeiro a outubro, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Foram registrados 1.052 atendimentos em 2025 e 827 em 2024. No Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mais de 5.000 pessoas (3.000 em janeiro e cerca de 2.400 no início de fevereiro) buscaram atendimento médico em 2025 devido a problemas relacionados ao calor ? incluindo desidratação e complicações de doenças crônicas, número mais de duas vezes superior ao registrado em anos recentes. Em dias com temperaturas próximas a 40°C, algumas unidades de saúde registraram cerca de 450 casos de estresse térmico, incluindo desmaios e mal-estar.

*Colaborou José Marengo

Fonte: Ecoa | Carlos Nobre – 21/07/2026

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Resumo das Notícias de Hoje

22/7/2026

Dia 22 de julho de 2026, quarta-feira

- CUSTOS DE SISTEMAS DE ARMAZENAMENTO DE ENERGIA (negócios e empresas)

O custo de sistemas de 500 kW/1.000 kWh caiu 53% entre 2020 e 2025. Os dados são da consultoria Greener que atribui esse comportamento à rápida expansão do mercado brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). Esse crescimento está justamente impulsionado por reduções de custos e crescente adoção em múltiplos setores. De acordo com a empresa, a tecnologia é economicamente viável para um número crescente de aplicações.

> Saiba mais na matéria “Custos de sistemas de armazenamento de energia caem 53% no Brasil”: https://short-url.cc/1ulwT

- FLEXIBILIDADE SERÁ O DIFERENCIAL NOS FUTUROS LEILÕES DE ENERGIA (política)

O setor elétrico brasileiro está passando por uma transformação fundamental na forma como precifica e contrata recursos de geração. O avanço da flexibilidade é o principal diferencial nos futuros leilões. A avaliação é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado. Essa análise toma como base o fato de que a expansão está pautada principalmente em fontes eólica e solar.

> Continue a leitura em “Flexibilidade será o diferencial nos futuros leilões de energia, diz presidente da EPE”: https://short-url.cc/1ulBg

- CURTAILMENT EXIGE QUE EMPRESAS PROTEJAM RECEITAS (negócios e empresas)

O curtailment no Brasil exige que as empresas adotem estratégias para proteger receitas e reposicionar portfólios de investimentos. A avaliação é de Fábio Bortoluzo, presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil.

> Leia mais em “Curtailment exige que empresas protejam receitas, diz presidente da Atlas”: https://short-url.cc/1zVRY

- MME REGULAMENTA COMPENSAÇÃO DO CURTAILMENT

Diretrizes para ressarcimento por confiabilidade elétrica ou de indisponibilidade externa estavam previstas na lei 15.269/2025 e foram alvo de consulta pública lançada em dezembro de 2025.

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aneel mantém multa de R$235,6 mi por inexecução da UTE Rio Grande: https://short-url.cc/1zVP0

Mercado da Energisa aumenta 4,3% em junho: https://short-url.cc/1ulDb

Reservatórios recuam no SIN e deplecionamento soma 0,4 p.p em julho: https://short-url.cc/1ulEG”

Fonte: Canal Energia

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Resumo das Notícias de Hoje

21/7/2026

Dia 21 de julho de 2026, terça-feira

- REGRAS DO LRCAP (expansão)

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica Gentil Nogueira Junior afirmou nesta segunda-feira, 20 de julho, que a autarquia está avaliando as sugestões da Empresa de Pesquisa Energética para aperfeiçoar as regras dos leilões de capacidade para a contratação de baterias. A EPE sugeriu em ofício enviado à agência a adoção de mecanismo que impeça a transferência de projetos vencedores dos LRCAPs antes de sua implantação. E também, aprimoramentos nas garantias financeiras exigidas dos participantes.

> Continue a leitura na matéria “Aneel avalia sugestões da EPE de aperfeiçoamento de regras do LRCAP”: https://shorturl.at/evKG3

- ENTRADA DE FUNDO DE SINGAPURA NA ALIANÇA ENERGIA (negócios e empresas)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou sem restrições à entrada do fundo GIC na Aliança Geração de Energia. A compra de participação minoritária e sem controle será através do Warrington Investment Pte Ltd, veículo de investimento da GIC Infra Holdings.

> Leia mais em “Cade aprova entrada de fundo de Singapura na Aliança Energia”: https://shorturl.at/1E0JB

- RESERVATÓRIOS EM 70,7% (geração)

Os níveis dos reservatórios no SIN iniciam a semana em 70,7% ao final do domingo. As informações são do boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).A variação foi negativa em 0,1 p.p. e no acumulado de julho o deplecionamento no SIN é de 0,2 p.p. Assim, o país registrava armazenamento de 206.499 MW mês ante o total de 292.068 MW mês.

> Saiba mais na notícia “IPDO: SIN inicia a semana com reservatórios em 70,7%”: https://shorturl.at/tsYYb”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Isa Energia consegue LP para projeto Itatiaia: https://shorturl.at/zOAUq

Empreendimento de R$ 2,7 bilhões ampliará escoamento de energia renovável no Norte de MG para Sudeste.

Cade dá aval para Gerdau comprar fatia da Copel na Dfesa: https://shorturl.at/gdGdz

Operação custou R$ 150 milhões e deixa produtora de aço como única acionista da Dfesa.

Engie vende SPEs de Iluminação Pública: https://short-url.cc/1ugk4”

Fonte: CanalEnergia

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Confira a consulta pública terminando na próxima semana

21/7/2026

Data final: 30/07/2026

Consulta Pública n°224 de 01/07/2026

Instrumento orientativo e estratégico para o fortalecimento do ecossistema nacional de dados energéticos, com foco na governança, padronização, integração, interoperabilidade, qualidade, segurança, transparência, acesso e uso estratégico das informações energéticas.

Saiba mais no site: https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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