- Preços e energia variam 2.000% num mesmo dia. Tem algo artificial?
No mercado de energia de curto prazo no Brasil, os preços passaram de R$ 57,00/MWh pela manhã para R$ 1.611,00/MWh no fim da tarde, uma variação de cerca de 2.700% num único dia, o que tem sido visto por especialistas como um comportamento “bizarro” do sistema de formação de preços. Essa volatilidade tem beneficiado geradores com hidrelétricas não contratadas, que lucram muito nos picos, enquanto usinas solares — que geram energia barata durante o dia e quase nada à noite — e comercializadoras estão enfrentando dificuldades e até quedas no mercado. A combinação de excesso de geração renovável durante o dia, necessidade de fontes caras à noite e mudanças em parâmetros de cálculo de preços tem levado a preços considerados artificialmente altos por alguns analistas. Há um intenso debate no setor sobre a racionalidade atual do modelo de precificação, e a decisão sobre possíveis ajustes caberá ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
- Energia mais cara no mercado livre acirra debate sobre modelo de preço.
A discussão sobre o preço de energia esquentou nas últimas semanas no mercado livre: o preço não para de subir, e há até falta de oferta para contratos de longo prazo. As comercializadoras afirmam que não falta energia, mas sim que há redução na disponibilidade porque os grupos geradores que detêm a produção resistem em vender no longo prazo.
- Governo corre com MP para liberar crédito do BNDES e frear conta de luz em 2026.
A solução do Ministério de Minas e Energia (MME) para reduzir os reajustes tarifários de 2026 deve envolver a edição de uma Medida Provisória (MP) para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) crie uma linha de crédito com juros equivalente à Selic, sem spread, para bancar os diferimentos tarifários. O foco é nas distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
- Energia que nasce da água: por que a matriz elétrica brasileira depende dos recursos hídricos e como o grupo Electra contribui nessa edição.
“A atuação do Grupo Electra no mercado de energia está diretamente conectada à mitigação de riscos e à construção de soluções e produtos sustentáveis para seus clientes. Nossas PCHs, além de representarem uma fonte limpa e renovável, funcionam como um lastro energético fundamental, trazendo previsibilidade e segurança em cenários de maior estresse hídrico. Essa base permite uma gestão mais estratégica dos contratos no ambiente de comercialização, onde temos forte presença e protagonismo — inclusive com o pioneirismo no registro de contratos de energia limpa no Mercado Livre. Ao mesmo tempo, a longevidade e a confiabilidade da fonte hidráulica reforçam seu papel histórico no desenvolvimento do país (...)”, afirma Claudio Fabiano Alves, CEO do Grupo Electra Energia.
- ABSAE cobra rapidez na publicação das diretrizes do LRCAP
O diretor Executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), Fábio Lima, cobrou do governo uma definição sobre as diretrizes do leilão de capacidade para a fonte. Lima lembrou que falta um mês para fechar o prazo dado para a publicação da portaria com as diretrizes do certame. “É essencial que esse prazo seja cumprido para que esses sistemas estejam operando em 2028, como indicam os dados do planejamento,” argumentou Lima.
- Até 2050, a capacidade de data centers no Brasil pode variar de 26 GW a 45 GW, avalia Schneider.
A capacidade instalada de data centers no Brasil pode variar de 26 GW a 45 GW até 2050, segundo estudo da Schneider Electric. Esse volume dependerá da expansão da infraestrutura elétrica renovável. Segundo o levantamento, o consumo de eletricidade dos data centers pode atingir de 160 TWh a 280 TWh até 2040. O valor máximo equivale a cerca de 10% da demanda total projetada para o país.
- Cenário para o setor elétrico será de maior pressão sobre custos e preços em 2026, projeta Fitch.
O cenário para o setor elétrico brasileiro em 2026 deve ser de maior pressão sobre os custos e os preços de energia, motivada por condições hidrológicas mais desfavoráveis do que o esperado no início do ano e pelo encarecimento do despacho térmico, diz a Fitch Ratings. Esse movimento é agravado pelo cenário geopolítico. O conflito no Irã impulsionou o preço dos combustíveis fósseis, tornando a geração térmica mais dispendiosa, o que causou uma elevação nas projeções para os preços no mercado livre até 2028, sinalizando um mercado mais apertado no médio prazo.
- Onda de leilões em março soma R$ 80 bi.
Em março foram realizados nove leilões do setor de infraestrutura no país, número que só não bateu o recorde de quatro anos atrás por conta de cancelamentos registrados no período, inclusive por problemas no desenho das modelagens. Os investimentos previstos devem chegar próximos aos R$ 15 bilhões. Mas, se considerado também o leilão de geração de energia de capacidade, realizado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor chega aos R$ 80 bilhões. Para especialistas, isso mostra que o país está bem-posicionado para atrair investidores estrangeiros nos projetos em meio à dinâmica global de realocação de portfólios.
- Mercado livre de energia pode contar 9,3 milhões de toneladas de CO2 por ano no Brasil, diz MIT.
A expansão do mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenos comércios pode se tornar um dos principais vetores de descarbonização do Brasil. É o que revela um estudo recente apresentado pelo MIT: a medida tem potencial para evitar a emissão de 9,3 milhões de toneladas de CO2 por ano, volume equivalente à retirada de mais de 2 milhões de carros a gasolina das ruas. A análise considerou um consumo anual de cerca de 320 TWh e mostra que se trata menos de uma mudança regulatória e mais de uma "transformação no comportamento de consumo energético no país".
- ONS: volume de água que chegará às hidrelétricas ficará abaixo da média histórica em abril.
O volume de água que deve chegar aos reservatórios das hidrelétricas ficará abaixo da média histórica em abril em todo o País, segundo previsões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Ainda assim, diante da política operativa adotada pela organização, a expectativa é de melhora do armazenamento em três dos quatro submercados. A Energia Natural Afluente (ENA) deve ficar 42.923 megawatts médios (MWmed), ou 78% da média de longo termo (MLT), no Sudeste/Centro-Oeste.
- Comercializadoras de energia avaliam acionar Cade contra geradoras.
Comercializadoras de energia avaliam acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra grandes geradoras, em meio à deterioração das condições de liquidez no mercado livre de energia. O movimento ocorre em um contexto em que agentes relatam concentração de poder de mercado nas mãos de poucos grandes geradores e restrições cada vez maiores ao crédito e à negociação de contratos, o que têm reduzido a liquidez do mercado.
- MME terá departamento dedicado à eletromobilidade.
O MME quer criar um Departamento de Eletromobilidade, vinculado à Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento. A proposta foi apresentada ao Ministério da Gestão e da Inovação (MGI). O novo departamento deve ser responsável pela coordenação de políticas de mobilidade elétrica, adaptando a estrutura do MME à agenda de transição energética e descarbonização.
- Na contramão do setor, Electra reforça capital de comercializadora e investe em renováveis.
O Grupo Electra Energia anunciou um aumento de capital de R$ 250 milhões na Electra Comercializadora e mantém um plano agressivo de expansão em geração renovável. Com a capitalização, o capital social da comercializadora passa a R$ 290 milhões. O objetivo é reduzir o fator de alavancagem da empresa na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), ampliar os limites de crédito com contrapartes e aumentar a capacidade de garantias das operações de comercialização.
- Análise: leilão evita apagão, mas acende alerta de alta conta de energia.
O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) cumpriu seu objetivo ao contratar mais de 19 GW de potência, majoritariamente de usinas termelétricas, reforçando a segurança do sistema elétrico em um momento de crescente dependência de fontes intermitentes. Mas talvez o governo tenha contratado algo a mais: uma conta de luz mais cara pelos próximos anos. Ao longo dos contratos, os consumidores devem arcar com mais de meio trilhão de reais, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Só em receita fixa, o custo anual gira em torno de R$ 39 bilhões.
- ‘Vale’ no consumo de energia é o maior desafio da operação do sistema elétrico, diz ONS.
O diretor de Operações do ONS, Christiano Vieira, disse que o “vale” de carga se tornou o maior desafio para a operação do sistema elétrico e, por isso, o Operador está adotando até “medidas heterodoxas” para fazer frente aos novos desafios. Uma saída adotada em países com alta capacidade instalada de renováveis é o uso de baterias para equilibrar o sistema.
Fonte: ELECTRA CLIPPING ED. 07/26, DE 02/04/2026