Portal de Notícias sobre o
Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

Investimentos em Energia e Segurança Jurídica

13/2/2026

O Brasil atraiu US$ 16,2 bilhões em investimentos para projetos de energia renovável em 2024, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance. Este volume coloca o país entre os cinco principais destinos globais de capital para o setor. Porém, a conversão de intenções de investimento em projetos operacionais ainda enfrenta obstáculos significativos relacionados à previsibilidade regulatória e à estabilidade jurídica dos contratos de longo prazo.

A segurança jurídica no setor energético vai além da simples existência de leis. Envolve a consistência na aplicação de normas, a proteção contra mudanças retroativas, a eficiência dos mecanismos de solução de conflitos e a clareza nas regras de conexão e operação. Investidores institucionais que trabalham com horizonte de 20 a 25 anos precisam de garantias sólidas antes de alocar recursos na casa dos bilhões.

Antonio Araújo da Silva

PARA LER COM CALMA

21/3/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos da comunidade dessa semana, aqui vai um resumo:

LRCAP

- Primeira etapa (18/03):

> Realizado em 18/03, com deságios variados (2,97% para 2026, 6,24% para 2028). https://bit.ly/3Pih8DD

> Sete geradoras dominaram 65% da potência contratada (Eneva, Petrobras e J&F lideraram no segmento térmico). https://bit.ly/41hhuNj

> TCU apontou fragilidades metodológicas, mas recomendou a realização do certame. https://bit.ly/4rOiSSI

- Segunda etapa (20/03): Foco em termelétricas a combustíveis líquidos, com deságio de 43,77% para 2026. https://bit.ly/4bqjb0U

Expansão e Planejamento Energético

- PDE 2035: Cenário otimista projeta expansão de consumo para 138 GW, impulsionado por data centers e hidrogênio verde. https://bit.ly/4cPXxnU

- Interconexão Brasil-Bolívia: Acordo bilateral assinado para integração elétrica entre os países. https://bit.ly/47xTjOg

Mercado e Tarifas

- Crise no Mercado Livre: Baixa liquidez e distorções no sinal de preços, conforme alerta do Rodrigo Ferreira, presidente executivo da Abraceel.  https://bit.ly/4rEA0Kl

- Tarifas Reguladas: Aneel estima aumento médio de 8% em 2026, acima da inflação (IGP-M e IPCA). https://bit.ly/40GNlXB

- Tarifa Branca: Energisa sinaliza baixo impacto na mudança de hábitos dos consumidores.  https://bit.ly/4bwjAz7

Geração e Operação

- Curtailment: Volumes de cortes em renováveis dobraram em 2026, com impacto financeiro triplicado. Solução regulatória esperada até junho.  https://bit.ly/3NJ4SeK / https://bit.ly/4bBlahQ

- Carga no SIN: Queda de 0,6% em março, com variações regionais (Norte: +5,5%; Sudeste/Centro-Oeste: -2,7%).  https://bit.ly/47y4VAO

Outras notícias

- CCEE: Denúncias de interferência do ministro Alexandre Silveira na eleição do Conselho de Administração, com indicação de Olavo Bilac Pinto Neto para a vaga das distribuidoras no colegiado. https://bit.ly/4sSFv9r

- Enel vs. Aneel: Enel tenta barrar processos administrativos na Aneel via mandado de segurança. https://bit.ly/4cQQkUG

- Hidrogênio Verde: Desaceleração global em 2025, mas China avança em projetos, superando EUA e Europa.  https://bit.ly/4bAvRkP

Fonte: CanalEnergia

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Workshop PSR/CanalEnergia – 18 de março/2026

19/3/2026

Workshop PSR/CanalEnergia debate transição energética e o impacto da inteligência artificial no setor elétrico global

O 16º Workshop PSR/CanalEnergia, realizado nesta quarta-feira (18) no Rio de Janeiro, marcou o início de discussões profundas sobre os vetores que estão transformando o setor elétrico global.

No painel “Transição ou ruptura? Luiz Barroso e Mario Veiga debatem as forças que vêm redesenhando o setor elétrico”, promovido pela Informa Markets e pela PSR, os especialistas destacaram como fatores geopolíticos, avanços tecnológicos e novos desafios de segurança energética estão redefinindo o cenário global. Mario Veiga, fundador e diretor de Inovação da PSR, e Luiz Barroso, especialista em energia, apontaram que o setor vive um momento de inflexão, em que a transição energética deixa de seguir uma trajetória linear e passa a refletir disputas econômicas, pressões políticas e mudanças estruturais.

Durante o debate, Mario Veiga destacou que o mundo caminha para uma reorganização marcada pela polarização entre países produtores de combustíveis fósseis, os chamados “petrostates”, e economias que apostam na eletrificação, os “electrostates”. Segundo ele, a estratégia recente dos Estados Unidos, baseada na reindustrialização e no incentivo à exportação de petróleo e gás, consolidou esses dois blocos. No Sul Global, países têm avançado na eletrificação como forma de reduzir a dependência externa e aumentar a competitividade, combinando fontes renováveis e armazenamento para ampliar a segurança energética e a previsibilidade de custos. Veiga também ressaltou que choques geopolíticos recentes recolocaram a segurança energética como prioridade global, levando governos a revisarem suas estratégias diante da volatilidade dos preços de combustíveis fósseis e dos riscos nas cadeias de suprimento. Esse movimento já se reflete na retomada do interesse por energia nuclear, na ampliação de investimentos em renováveis e, em alguns casos, no uso de carvão como alternativa de curto prazo.

Outro ponto central do painel foi o papel crescente da inteligência artificial na transformação do setor elétrico. Mario Veiga explicou que a tecnologia evoluiu para modelos avançados, capazes de realizar raciocínio estruturado e tomar decisões em múltiplos estágios. Esses avanços aceleram a inovação e reposicionam a energia como ativo estratégico na economia digital. Ele destacou que empresas do setor elétrico estão migrando para modelos “AI-cêntricos”, com processos replicados por sistemas digitais, gerando ganhos significativos de produtividade. Veiga também mencionou a parceria da PSR com a NVIDIA para otimização de modelos computacionais, ressaltando a importância da infraestrutura de computação, como data centers e GPUs, para sustentar essa nova dinâmica. Segundo ele, a crescente demanda por computação está recolocando a energia no centro da economia digital, tornando sua disponibilidade um fator determinante para o crescimento tecnológico. “Compute é energia”, sintetizou o especialista, destacando que a convergência entre energia e tecnologia redefine cadeias de valor e exige uma abordagem estratégica das lideranças do setor.

O painel evidenciou que o setor elétrico global está sendo redesenhado por múltiplos vetores simultâneos, incluindo descarbonização, digitalização, segurança energética e competitividade econômica. Para os especialistas, o cenário exige das empresas e dos formuladores de políticas públicas uma abordagem integrada e estratégica, capaz de lidar com os desafios de um ambiente cada vez mais complexo e volátil. O 16º Workshop PSR/CanalEnergia segue com uma programação rica em debates e insights sobre o futuro do setor elétrico.

Painel "Agenda em Movimento Pós-COP30" destaca desafios e oportunidades para o setor energético em um cenário de mudanças climáticas

Rio de Janeiro, 18 de março de 2026 – O painel “Agenda em Movimento Pós-COP30: Clima e Economia entre Novos Focos e Riscos Permanentes”, realizado na manhã desta quarta-feira durante o 16º Workshop PSR/CanalEnergia, organizado pela Informa Markets e PSR, reuniu especialistas para discutir os impactos das mudanças climáticas e os desafios da transição energética global. O evento trouxe reflexões sobre o mercado de hidrogênio, carbono, planejamento energético e os riscos regulatórios no setor elétrico.

Luana Gaspar, Head - Descarbonização da PSR, destacou que o mercado global de hidrogênio tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado, com cancelamentos de projetos e dificuldades na implementação de iniciativas, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. A China, por sua vez, apresenta maior consistência na execução, embora o setor ainda enfrente incertezas. Segundo Luana, o avanço do hidrogênio depende de políticas públicas e mecanismos de incentivo, como leilões internacionais e programas nacionais. No Brasil, há expectativa de que o programa de hidrogênio de baixo carbono seja estruturado ainda este ano.

Ainda sobre a transição energética, Luana ressaltou que o mercado de carbono no Brasil está em fase inicial, com a regulamentação e a governança sendo etapas críticas para dar previsibilidade ao setor. Ela apontou que os mercados voluntários ainda têm baixa capacidade de orientar investimentos, mas que a criação de um mercado regulado pode trazer mais credibilidade e previsibilidade, como observado em outras regiões. “O mercado está nascendo, mas ainda precisa de estrutura, preço e previsibilidade para destravar investimentos em escala”, afirmou.

Julio Alberto Dias, Head - Ferramentas Analíticas da PSR, enfatizou que o planejamento energético deve focar na intensificação de eventos extremos, como ondas de calor e secas prolongadas, em vez de se basear apenas em médias climáticas. Ele destacou que esses eventos são os principais responsáveis por pressionar o sistema elétrico e que o setor precisa adotar abordagens mais resilientes, considerando cenários de incerteza e variabilidade climática. “O planejamento precisa olhar para esses cenários mais severos, e não apenas para a média que aparece nos modelos”, concluiu.

Edmundo Grune, Diretor Técnico - Estratégia de Mercado e Riscos da PSR, reforçou que a adaptação do setor elétrico às mudanças climáticas passa pela combinação de diferentes tecnologias, como geração térmica, armazenamento em baterias e fontes renováveis. Ele destacou que a diversificação é a chave para aumentar a resiliência do sistema em um ambiente mais incerto. “Não existe bala de prata. O que vemos é um mix de soluções, cada uma contribuindo com o que tem de melhor”, afirmou.

Gisella Siciliano, Team Leader - Regulação e Litígio da PSR, abordou os desafios regulatórios e jurídicos decorrentes das mudanças climáticas. Ela destacou o desalinhamento entre responsabilidades institucionais, como a manutenção de vegetação em vias públicas, que impacta diretamente as distribuidoras de energia. Além disso, chamou atenção para o avanço da litigância climática no Brasil, com ações judiciais que buscam responsabilizar empresas por impactos ambientais ou comunicações inadequadas sobre sustentabilidade. “Mesmo sendo um tema em estágio inicial, o potencial de impacto é grande. Não é algo para ignorar”, alertou.

O painel evidenciou a necessidade de ações coordenadas entre governos, empresas e sociedade para enfrentar os desafios climáticos e garantir uma transição energética sustentável e resiliente.

ENTRE NORMAS E NARRATIVAS: O QUE ESPERAR DA PRÓXIMA ONDA DA REGULAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO

Durante o painel "Entre Normas e Narrativas: O Que Esperar da Próxima Onda da Regulação do Setor Elétrico", realizado na 16ª edição do Workshop PSR/CanalEnergia, organizado pela Informa Markets e pela PSR, especialistas e líderes do setor elétrico discutiram os desafios e as transformações que moldam o futuro da regulação no Brasil. O painel contou com a participação de Paula Valenzuela, Angela Gomes, Nina Hubner e José Rosenblatt, que abordaram temas como integração entre redes, modernização tarifária, geração distribuída, eólicas offshore, judicialização e a necessidade de evolução regulatória para acompanhar as mudanças estruturais e tecnológicas.

Paula Valenzuela, Diretora Técnica - Regulação e Litígio da PSR, destacou que o setor elétrico enfrenta o desafio de redesenhar seus modelos regulatórios para equilibrar previsibilidade e flexibilidade. Segundo ela, contratos e concessões devem garantir segurança jurídica, mas também se adaptar às mudanças ao longo do tempo. “A única certeza que temos é que o sistema vai mudar nos próximos 30 anos, prazo típico desses contratos”, afirmou. Fatores como mudanças climáticas, novas tecnologias e a necessidade de resiliência exigem um novo olhar sobre a alocação de riscos e a adaptação das regras. Paula também ressaltou a importância de maior integração entre os sistemas de transmissão e distribuição, dado que quase 30% da capacidade instalada do país não está sob coordenação direta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para enfrentar esse desafio, a PSR, em parceria com a Daimon, desenvolveu um projeto para o ONS, propondo o fortalecimento do papel das distribuidoras como intermediárias na relação com o operador.

Angela Gomes, Diretora Técnica - Redes da PSR, reforçou que a integração entre transmissão e distribuição avança na prática, mas depende diretamente da capacidade das distribuidoras de se estruturarem para um novo papel operacional. Segundo ela, medidas como o plano de gestão de cortes de geração já estão sendo implementadas e exigem maior coordenação com o ONS, incluindo troca de informações em tempo real. Angela destacou que essa transformação exige um salto operacional e tecnológico das distribuidoras, com aprimoramento de sistemas de medição, comunicação e controle. “Algumas distribuidoras já estão sendo chamadas a implementar instruções operativas. As demais precisam se preparar, porque esse movimento vai se expandir”, afirmou. Ela também ressaltou que a evolução não segue um modelo único e deve ocorrer por etapas, com aprendizado progressivo a partir da implementação prática e da experiência operacional.

A modernização tarifária foi outro tema central do painel. Angela Gomes apontou que a forma como a energia é tarifada no Brasil deve passar por mudanças significativas para refletir melhor os custos reais do sistema e os diferentes impactos do consumo. A discussão conduzida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ainda está em estágio inicial, mas já indica a necessidade de incorporar sinais locacionais e horários, além de diferenciar o consumo por perfil. “Os impactos variam muito dependendo do local e do horário. Isso precisa ser capturado na estrutura tarifária”, explicou Angela. Ela também destacou que experiências internacionais podem servir de referência para criar tarifas mais dinâmicas e alinhadas aos custos reais do sistema. No entanto, Angela alertou que a discussão ainda avança mais pela forma de implementação do que pela definição dos fundamentos econômicos que deveriam orientar o modelo. “É uma discussão que ainda está muito focada na implementação via tarifa, sem entrar no fundamento de quais são, de fato, os custos e benefícios envolvidos”, afirmou.

Nina Hubner, Lead Specialist - Estudos Internacionais da PSR, destacou que a previsibilidade e a evolução gradual da regulação são fatores centrais para o desenvolvimento equilibrado da geração distribuída. Ela citou o exemplo do Havaí, onde programas de incentivo foram estruturados com limites claros e transições definidas, permitindo ajustes conforme o sistema evolui. “Não se trata de retirar incentivos, mas de ajustá-los ao longo do tempo, conforme os impactos se tornam mais claros”, afirmou Nina. Ela também ressaltou que a evolução regulatória precisa acompanhar o avanço tecnológico, com a incorporação de novos requisitos de medição, comunicação e integração com recursos como baterias. Segundo Nina, a antecipação regulatória é essencial para evitar distorções e custos elevados no futuro. “Quando essa discussão chega tarde, o custo para o sistema já está dado e é muito mais difícil corrigir as distorções”, alertou.

Paula Valenzuela abordou ainda o potencial das eólicas offshore como elemento de resiliência climática para o sistema elétrico, mas alertou sobre as incertezas regulatórias que podem atrasar sua implementação. Segundo ela, embora haja expectativa de avanço ainda neste ano, existe o risco de que as definições fiquem para 2027. “O desafio é organizar a tomada de decisão. Os elementos para avançar já estão na mesa”, afirmou Paula, destacando o papel central do ONS na coordenação e transparência do processo. Ela também ressaltou que a regulamentação das eólicas offshore depende de definições claras sobre regras e mecanismos de contratação, como eventuais leilões de cessão de áreas.

A judicialização recorrente do setor elétrico foi outro ponto de destaque. José Rosenblatt, Expert - Regulação e Litígio da PSR, alertou que o excesso de disputas judiciais tem imposto um ritmo mais lento às mudanças regulatórias e interfere diretamente nas decisões estruturantes do mercado. Ele citou o exemplo do risco hidrológico (GSF), que permaneceu por anos no centro de disputas judiciais, travando avanços importantes. “Esse ambiente de incerteza jurídica cria um efeito cascata, afetando não apenas a previsibilidade regulatória, mas também a capacidade de implementação de soluções estruturais no setor elétrico”, afirmou Rosenblatt.

O painel evidenciou que o setor elétrico brasileiro enfrenta desafios complexos, mas também oportunidades significativas para evoluir. A integração entre redes, modernização tarifária, previsibilidade regulatória e coordenação entre agentes são pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade e eficiência do sistema. Especialistas reforçaram que a regulação precisa acompanhar a dinâmica tecnológica e de mercado, com soluções flexíveis e coordenadas que promovam segurança jurídica, eficiência econômica e inovação. O aprendizado internacional e a antecipação regulatória são elementos-chave para enfrentar os desafios e construir um setor elétrico mais resiliente e preparado para o futuro.

Energisa destaca inovação, “multipotencialidade energética” e desafios do setor elétrico no CEO Talks

Rio de Janeiro, 18 de março de 2026 – A 16ª edição do Workshop PSR/CanalEnergia, organizado pela Informa Markets e pela PSR, foi palco de discussões profundas sobre os desafios e transformações do setor elétrico. Durante o painel CEO Talks Energisa, realizado nesta quarta-feira (18), executivos e especialistas abordaram temas como inovação, transição energética e a necessidade de revisão de subsídios no setor.

Luiz Barroso, CEO da PSR, abriu o painel destacando a importância da inovação como motor do futuro do setor elétrico. Ele enfatizou que o verdadeiro desafio está na execução prática das ideias. “Ser inovador de PowerPoint é fácil. O desafio é ser inovador com ‘skin in the game’, colocar o dinheiro na mesa e fazer acontecer”, afirmou. Barroso também elogiou a Energisa por sua capacidade de transformar tendências em ações concretas, destacando o conceito de “multipotencialidade energética” como uma abordagem essencial para lidar com a complexidade crescente do setor.

Representando a Energisa, Ricardo Botelho, CEO da companhia, reforçou a relevância do evento como espaço qualificado de debate e destacou a importância da convivência entre diferentes fontes de energia na transição energética. “A transição não é linear, não abandonamos uma fonte para entrar em outra. O que acontece é uma adição energética”, explicou. Ele também defendeu o papel estratégico do gás natural como combustível de transição, apontando sua flexibilidade e menor intensidade de emissões em comparação a outras fontes fósseis. No Brasil, o gás natural representa menos de 12% da matriz energética, frente a uma média global de 24%, o que demonstra um grande potencial de expansão.

Botelho ainda chamou atenção para desafios estruturais do mercado, como a dificuldade de equilibrar oferta e demanda, e destacou oportunidades de aumento da competitividade, como o melhor aproveitamento da produção nacional de gás. Ele mencionou aplicações estratégicas do insumo, como data centers, transporte pesado e produção de fertilizantes, ressaltando que cerca de 85% desses insumos são importados pelo Brasil.

Outro ponto central do painel foi a crítica de Botelho às distorções nos preços de energia no Brasil. Segundo ele, os preços atuais não refletem a realidade operativa nem remuneram adequadamente os recursos necessários para equilibrar o sistema. “Os sinais de preço hoje estão absolutamente atenuados e não cumprem seu papel de orientar a alocação de capital, a tomada de risco e a introdução de tecnologia”, afirmou. Ele defendeu uma revisão mais ágil dos subsídios e a criação de mercados de serviços ancilares que valorizem a flexibilidade como atributo econômico do sistema.

Como resposta aos desafios do setor, Botelho destacou iniciativas inovadoras da Energisa, como o FlexLab, uma plataforma que integra projetos de armazenamento, geração distribuída e redes inteligentes. O objetivo, segundo ele, é testar tecnologias e modelos de negócio que viabilizem a integração eficiente de fontes renováveis ao sistema elétrico.

O CEO Talks Energisa, parte da programação do Workshop PSR/CanalEnergia, reafirmou a importância de debates qualificados para enfrentar os desafios do setor elétrico e construir um futuro mais sustentável e inovador.

Workshop PSR/CanalEnergia debate inovação e desafios no setor elétrico brasileiro

O Bloco 3 do Workshop PSR/CanalEnergia, realizado pela Informa Markets e pela PSR, trouxe à tona discussões fundamentais sobre inovação e os desafios do setor elétrico brasileiro, com a participação de especialistas renomados. O painel, intitulado "A próxima onda: a inovação como diferencial competitivo e a energia como serviço", abordou temas como tecnologias emergentes, regulação, armazenamento e formação de preços.

Amanda Fernandes, Head -  Redes da PSR, destacou o potencial do Dynamic Line Rating (DLR) para ampliar a capacidade de transmissão de energia sem a necessidade de novas linhas. A tecnologia ajusta, em tempo real, a capacidade das linhas de transmissão com base em condições operativas como temperatura, vento e radiação. Segundo Amanda, estudos indicam que o DLR pode aumentar a capacidade das redes entre 10% e 40%, mas seu avanço no Brasil depende da integração entre planejamento, regulação e operação.

Thais Sobrosa, Lead Specialist - Regulação e Litígio da PSR, apontou a falta de incentivos econômicos e sinais adequados de preço como entraves para a combinação de baterias com geração solar no Brasil. Apesar dos benefícios operacionais, como maior controle da produção e otimização de custos, a hibridização ainda não avançou. Thais destacou experiências internacionais, como os modelos de remuneração adotados no Chile e na Califórnia, que poderiam inspirar soluções para o mercado brasileiro.

Gabriel Cunha, Diretor Técnico - Estudos Internacionais da PSR, abordou a indefinição sobre a tarifação das baterias no sistema elétrico brasileiro, que dificulta o avanço do armazenamento. Segundo ele, a dupla tarifação, que cobra tanto no consumo quanto na geração, inviabiliza economicamente os projetos. Gabriel defendeu que tratar as baterias como geração seria a abordagem mais adequada para o Brasil, além de destacar a necessidade de consultas públicas sobre armazenamento. Ele também discutiu a falta de remuneração adequada para a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro, o que limita o avanço de tecnologias como baterias. Gabriel ressaltou que o modelo atual remunera a disponibilidade dos ativos, mas não a entrega efetiva de flexibilidade no momento necessário. Além disso, destacou que a implementação de um modelo de preços mais eficiente depende da integração entre operação física e mercado, com regras claras para formação de preços ex ante e ex post. Ainda sobre formação de preços, Gabriel apontou que a revisão dos limites de preço no mercado de energia pode fortalecer mecanismos de arbitragem e melhorar os sinais econômicos para tecnologias como baterias. Ele destacou que um sinal de preço adequado orienta decisões de operação, investimento e uso dos recursos, beneficiando todo o sistema elétrico.

Jairo Terra, head de Regulação e Litígio da PSR, avaliou que as baterias não foram competitivas no leilão de reserva de capacidade realizado em 18 de março, devido à exigência de disponibilidade contínua de energia, característica que favorece usinas térmicas. No entanto, Jairo destacou que, com um desenho de produto mais aderente às características do armazenamento, as baterias poderiam participar de forma competitiva em leilões futuros. Ele também analisou os resultados do leilão de reserva de capacidade, que contratou energia com preços próximos ao teto, indicando forte demanda por potência no sistema elétrico. Jairo reforçou a importância de discutir o desenho dos produtos contratados e os sinais econômicos associados, especialmente diante da evolução tecnológica e da entrada de novos recursos no sistema.

Abertura do mercado livre de energia e novos desafios regulatórios são debatidos no Workshop PSR/CanalEnergia

O Workshop PSR/CanalEnergia, realizado pela Informa Markets e pela PSR, trouxe à tona discussões cruciais sobre os desafios e oportunidades do setor elétrico brasileiro, com foco na abertura do mercado livre de energia e na evolução dos modelos regulatórios e computacionais. Durante o Bloco 4, intitulado "Os desafios da transição: o que os preços estão dizendo sobre o futuro", especialistas da PSR apresentaram análises aprofundadas sobre o cenário atual e as perspectivas para os próximos anos.

Mateus Cavaliere, Head - Planejamento e Inteligência de Mercado da PSR, destacou que a abertura do mercado livre exigirá das comercializadoras uma oferta mais ampla de serviços, com foco em agregação de valor, eficiência comercial e educação do consumidor. Segundo ele, o avanço da migração dependerá menos do preço da energia e mais da capacidade das empresas em estruturar soluções completas para os novos clientes. Cavaliere também apontou que o ambiente de mercado tende a apresentar preços mais voláteis, maior diferencial horário e redução da liquidez no mercado de contratos, além de maior atenção ao risco de crédito. “Não vai ser mais energia só pela energia. O cliente quer serviço, quer pacote, quer mais do que a commodity”, afirmou.

Julia Spiegel, Lead Analyst - Redes da PSR, abordou a implementação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), que busca organizar o processo de conexão de novos projetos e cargas por meio de critérios econômicos. Segundo Julia, a transição do modelo "first come, first served" para um processo competitivo representa um avanço, mas ainda demanda ajustes regulatórios, como a revisão das garantias financeiras. “Hoje, o custo de desistência é o mesmo independentemente do momento. Ajustar esse mecanismo pode incentivar a devolução antecipada da margem e reduzir ineficiências”, explicou. Ela também destacou o desafio de viabilizar grandes cargas, sugerindo a adoção de garantias progressivas ao longo do tempo.

Rodrigo Gelli, Diretor Técnico - Planejamento e Inteligência de Mercado da PSR, apontou que a redução do diferencial de preços entre o mercado cativo e o mercado livre tem diminuído a atratividade econômica da migração de consumidores. Ele destacou que mudanças regulatórias recentes transferiram novos custos ao mercado livre, exigindo estratégias comerciais mais completas e integradas. “A vantagem de migrar está ficando cada vez menor”, afirmou. Gelli também ressaltou que, para consumidores de maior porte, a decisão de migração envolve a avaliação do custo de autoprodução ou contratação de novos projetos, com o custo de energia de empreendimentos solares centralizados servindo como referência.

Celso Dall'Orto, Head - Planejamento e Inteligência de Mercado da PSR, discutiu os avanços e desafios do modelo Newave híbrido, que trouxe maior aderência à realidade física do sistema elétrico, mas ainda exige ajustes metodológicos e regulatórios. Ele destacou a necessidade de maior integração entre planejamento e operação, além de uma revisão conceitual na calibragem dos parâmetros de aversão ao risco. “Se consideramos o modelo novo mais aderente à realidade, o correto seria ajustar o planejamento a ele, e não o contrário”, afirmou. Dall’Orto também defendeu que a evolução do modelo passe por ajustes estruturais, evitando soluções paliativas e garantindo maior previsibilidade para o mercado.

O evento reuniu especialistas e líderes do setor para debater as transformações em curso e os caminhos para um mercado mais eficiente, competitivo e alinhado às demandas de consumidores e investidores.

Fonte: PSR/CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

19/3/2026

Dia 19 de março de 2026, quinta-feira

- SOLUÇÃO PARA CURTAILMENT (política)

Uma solução para o curtailment, que vem se apresentando como um dos principais problemas do setor, deve ser apresentada de abril até junho. Durante o Workshop PSR/ CanalEnergia, Paula Valenzuela, Diretora Técnica de Regulação e Litígio da consultoria, destacou que a situação das geradoras afetadas está difícil. Porém, há a determinação em lei e uma consulta pública sobre o assunto já encerrada. De acordo com ela, a falta de uma solução nesse prazo levaria a uma judicialização.

> Continue a leitura na matéria “PSR vê solução para curtailment entre abril e junho”: https://bit.ly/4bBlahQ

- ENEL TENTA BARRAR JULGAMENTO NA ANEEL (distribuição)

A Enel interpôs um mandado de segurança com o objetivo de suspender os processos administrativos em curso na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A medida foi tomada em meio a um cenário de discussões sobre a qualidade dos serviços prestados pela empresa e possíveis penalidades regulatórias. A agência reguladora vai recorrer dessa medida. Nas palavras do diretor geral Sandoval Feitosa, essa ação representa uma tentativa de interferência no processo administrativo da autarquia.

> Saiba mais na matéria “Enel tenta barrar julgamento na Aneel com mandado de segurança”: https://bit.ly/4cQQkUG

- HIDROGÊNIO VERDE (expansão)

O ímpeto com o hidrogênio verde, considerado o energético do futuro, arrefeceu no mundo em 2025. Durante o Workshop PSR/CanalEnergia, realizado nesta quarta-feira, 18 de março, no Rio de Janeiro (RJ), a head em descarbonização Luana Gaspar revelou que apesar dos passos mais lentos e recuos em projetos, o aumento do interesse da China é a grata surpresa. De acordo com ela, a relação de projetos anunciados versus os projetos em implementação no país asiático o deixa em um patamar superior aos dos Estados Unidos e Europa. Nessas duas regiões, foram lançados muitos projetos, que não foram à frente. “Ainda é cedo para falar ‘agora vai’, tem que esperar, mas pelo menos é um ponto positivo”, afirma.

> Leia mais em “Hidrogênio patina, mas interesse da China traz atenção, diz PSR”: https://bit.ly/4bAvRkP

- EVENTOS (CanalEnergia)

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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WhatsApp Silmara - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511989155084

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MEETUP | Sistema em Crise: entre a Escassez Hídrica e aumento da Demanda de Energia

Foco da discussão

Data: 31 de março

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://events.teams.microsoft.com/event/4881bdc8-49cc-4518-9164-10a837a5b8ff@2567d566-604c-408a-8a60-55d0dc9d9d6b

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

MME e Consumidores divergem sobre impacto do LRCAP: https://bit.ly/3PasWb1

Governo calcula que substituição do parque térmico reduz 24% o custo de energia, enquanto associações que defendem os consumidores apontam alta média de 10% com o aumento do encargo de reserva.

Data centers colocam energia no centro da inovação, diz Mario Veiga: https://bit.ly/4bjX2kP

Expansão da inteligência artificial exige investimentos bilionários em transmissão e distribuição, com o Brasil em posição estratégica.

Energy Solutions Show debaterá gestão estratégica de energia: https://bit.ly/47KlF83

Evento reunirá especialistas e empresas em São Paulo para discutir desafios e oportunidades no setor elétrico para consumidores corporativos de todo o país.

Fonte: CanalEnergia

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Consulta Pública nº 39/2025 da ANEEL: O que pode mudar no MCPSE e no controle patrimonial do setor elétrico

19/3/2026

Ivangleidson Aguiar da Cruz

Engenheiro Eletricista | Especialista em Gestão de Ativos | Especialista Regulatório de Setor Elétrico

11 de março de 2026

O controle patrimonial é um dos pilares da regulação econômica do setor elétrico brasileiro. Embora muitas vezes seja percebido apenas como uma obrigação contábil ou de cadastro técnico, ele desempenha um papel essencial na transparência dos investimentos realizados pelas concessionárias e na própria estrutura tarifária do setor.

Sempre que uma empresa do setor elétrico realiza investimentos seja na ampliação de redes, instalação de equipamentos ou modernização de instalações, esses ativos passam a compor a base de ativos das empresas na prestação do serviço público. Nesse contexto, surge uma questão fundamental para o regulador: como acompanhar, de forma padronizada, todos esses ativos distribuídos pelo sistema elétrico?

Para responder a essa necessidade, a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica estabeleceu regras específicas para o controle patrimonial das concessionárias por meio do Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico (MCPSE), criando um modelo padronizado que permite registrar, classificar e monitorar os bens vinculados à prestação do serviço público de energia. Esse instrumento regulatório organiza a forma como os ativos são cadastrados e caracterizados pelas empresas do setor, permitindo maior transparência, rastreabilidade e consistência das informações utilizadas nos processos de fiscalização e acompanhamento regulatório.

O papel do MCPSE no controle patrimonial do setor

Com o objetivo de uniformizar os procedimentos de registro patrimonial das empresas do setor, a ANEEL instituiu o Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico (MCPSE), inicialmente por meio da Resolução Normativa nº 367, de 2009. Posteriormente, o manual passou por revisão e atualização, culminando na publicação da Resolução Normativa nº 674, de 2015, que permanece como a referência regulatória vigente.

O principal propósito desse instrumento regulatório é padronizar os procedimentos de controle patrimonial adotados pelas empresas do setor elétrico. A padronização permite que a ANEEL acompanhe os ativos utilizados na prestação do serviço, fiscalize investimentos realizados pelas concessionárias e avalie adequadamente os bens considerados reversíveis ao final das concessões.

Além disso, o manual fornece uma base estruturada para o cadastro patrimonial, definindo conceitos, terminologias e procedimentos técnicos que orientam o registro dos ativos pelas empresas reguladas.

Estrutura e funcionamento do manual

O MCPSE apresenta uma estrutura técnica detalhada que orienta o processo de registro e classificação dos ativos do setor elétrico. O manual estabelece regras de cadastro, terminologias padronizadas e instruções específicas para a identificação dos diversos tipos de equipamentos e instalações presentes no sistema elétrico.

Um dos elementos centrais desse processo é a utilização dos chamados Tipos de Unidade de Cadastro (TUC), que funcionam como categorias padronizadas para o registro dos ativos. Cada TUC possui atributos técnicos específicos que permitem caracterizar o equipamento com maior precisão, considerando aspectos como tensão, corrente, número de fases e outras características técnicas relevantes.

Essa estrutura permite que equipamentos semelhantes sejam registrados de maneira consistente entre diferentes empresas do setor, o que facilita processos de fiscalização, auditoria e análise regulatória.

Consulta Pública nº 39/2025: proposta de revisão do MCPSE

Diante da evolução tecnológica do setor elétrico e das dificuldades observadas na aplicação prática do manual, a ANEEL abriu a Consulta Pública nº 39/2025, vinculada ao processo nº 48500.906412/2019-67.

A iniciativa tem como objetivo coletar contribuições do mercado para a revisão da Resolução Normativa nº 674/2015 e, consequentemente, para a atualização do Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico.

A consulta foi conduzida na modalidade de intercâmbio de documentos, permitindo que agentes do setor, especialistas e demais interessados apresentassem sugestões e análises técnicas sobre possíveis melhorias no modelo atual de cadastro patrimonial. O prazo estabelecido para envio de contribuições foi até 4 de março de 2026.

Desafios regulatórios que motivaram a revisão

A abertura da consulta pública reflete desafios que vêm sendo observados ao longo dos últimos anos na aplicação do modelo atual de controle patrimonial.

Entre os principais pontos discutidos no setor está a complexidade do processo de cadastro dos ativos, especialmente em relação à caracterização técnica dos equipamentos e à definição de seus atributos. Em muitos casos, a ausência de simplificação no processo de cadastro acaba gerando dificuldades operacionais para as empresas responsáveis pelo registro patrimonial.

Outro fator relevante é o surgimento de novos equipamentos e tecnologias no setor elétrico que, em alguns casos, ainda não possuem classificação ou atributos adequadamente definidos dentro da estrutura do MCPSE. Essa lacuna regulatória pode gerar incertezas na forma de registro e classificação desses ativos.

Além disso, a própria dinâmica de atualização do manual tem sido apontada como um desafio, já que alterações regulatórias podem ter impactos relevantes nos processos de cadastro, avaliação patrimonial e fiscalização.

A importância da modernização do controle patrimonial

O controle patrimonial adequado é essencial para garantir a confiabilidade das informações utilizadas pelo regulador e pelas próprias empresas do setor. A precisão desses registros influencia diretamente processos relevantes, como a avaliação de ativos vinculados às concessões, a definição da base de remuneração regulatória e a análise de bens reversíveis.

Um modelo de cadastro patrimonial bem estruturado também contribui para maior eficiência na gestão dos ativos pelas concessionárias, além de facilitar processos de auditoria e fiscalização por parte da ANEEL.

Nesse sentido, a modernização do MCPSE pode representar um avanço importante para tornar o processo de registro patrimonial mais simples, mais claro e mais alinhado às transformações tecnológicas do setor elétrico.

Conclusão

A abertura da Consulta Pública nº 39/2025 sinaliza um movimento relevante da ANEEL no sentido de atualizar e aprimorar o modelo de controle patrimonial aplicado ao setor elétrico brasileiro.

Mais do que uma simples revisão normativa, a iniciativa representa uma oportunidade para discutir como o cadastro patrimonial pode evoluir para acompanhar a crescente complexidade dos ativos e das tecnologias presentes no sistema elétrico.

Ao promover esse debate com os agentes do setor, a Agência cria espaço para o aprimoramento de um instrumento regulatório fundamental para a transparência, a fiscalização e a eficiência da gestão dos ativos utilizados na prestação do serviço público de energia elétrica.

A atualização do MCPSE, portanto, não se limita a ajustes técnicos no manual, mas pode contribuir para fortalecer a governança regulatória e melhorar a qualidade das informações que sustentam decisões estratégicas em todo o setor elétrico.

Fonte: Linkedin

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O Guardião do Patrimônio - A Fatura Chegou: Como a Nova Taxação Exige um Arsenal Corporativo de Elite Para Salvar Seu Caixa

19/3/2026

A era dos lucros 100% isentos acabou. Com a nova mordida de 10% nos dividendos e o imposto mínimo sobre altas rendas, o "jeitinho" de misturar contas virou risco de ruína. Descubra o arsenal de estratégias que os grandes empresários estão usando para transferir e proteger seu dinheiro do jeito certo.

Durante anos, o Brasil foi um verdadeiro paraíso para a distribuição de lucros. O empresário pagava os impostos na operação da sua empresa (PJ) e transferia o dinheiro limpo, totalmente isento, para a sua conta na Pessoa Física (PF).

Mas a fatura finalmente chegou. Como seu Guardião do Patrimônio, meu dever é colocar as cartas na mesa: a nova legislação mudou radicalmente as regras do jogo. Acabou a isenção absoluta. Agora, enfrentamos uma tributação de 10% sobre os dividendos distribuídos acima de 50 mil reais por mês recebidos de uma única empresa, e para altas rendas globais um imposto mínimo uma alíquota progressiva de até 10% para rendas acima de 600 mil reais por ano.

Na prática, o "pedágio" para tirar o seu próprio dinheiro da empresa ficou muito mais caro. E é exatamente neste cenário de pressão fiscal que a tentação do amadorismo pode destruir o trabalho de uma vida inteira.

A Armadilha: O "Cartão Corporativo" e a Malha Fina

Com os dividendos tributados e a renda global na mira do novo imposto, a "estratégia" amadora número um adotada por muitos empresários é deixar o lucro retido no CNPJ e usar o cartão da empresa para pagar a vida pessoal: o condomínio, a fatura da esposa, o carro do filho ou a viagem de férias.

Se antes o Fisco já monitorava isso, agora, munido de inteligência artificial e cruzamento de dados (e-Financeira), ele será implacável. Quando a Receita Federal identifica o pagamento de despesas pessoais pela empresa, ela aplica o conceito de Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL).

Para o auditor, aquilo não é um dividendo (que custaria 10%); é uma remuneração oculta, um pró-labore não declarado. O resultado é devastador: o Fisco cobra os 27,5% da tabela cheia do IRPF retroativo, soma a contribuição previdenciária (INSS) sonegada e aplica multas que chegam a 150%.

Fugir do novo imposto pelo caminho errado pode custar o seu patrimônio. Mas, felizmente, a engenharia tributária legal nos oferece caminhos estratégicos e eficientes. Veja as 6 estratégias de elite que estamos aplicando e o verdadeiro custo-benefício de cada uma:

1. A Holding de Participações (O "Cofre" Blindado)

A regra de ouro da nova tributação é: o imposto só machuca quando o dinheiro "encosta" na Pessoa Física. Portanto, a estratégia mais robusta hoje é evitar o saque para a PF. Em vez de distribuir os lucros direto para o seu CPF, criamos uma Holding (uma empresa "cofre") que será a dona das cotas da sua operação, recebendo os lucros de forma isenta (PJ para PJ) e servindo como veículo de investimentos.

  • O Custo (O Pedágio): É a estrutura com o maior custo de setup (largada). Exige honorários jurídicos especializados, taxas da Junta Comercial e, dependendo da estruturação, custos com ITBI. Além disso, exige uma contabilidade mensal formal.
  • O Benefício (O Prêmio): Infinito no longo prazo. Ao reter o dinheiro na Holding, você zera o impacto dos 10% sobre dividendos que pagaria na PF. Na sucessão, você economiza milhões evitando o inventário judicial dos bens alocados.
  • O Veredito: Alto custo inicial, mas benefício monumental e permanente. Obrigatório para quem tem excesso de caixa e acumula patrimônio.

2. Inclusão da Família: Diluindo a Base Tributável

A legislação permite a distribuição desproporcional de dividendos. Ao incluir herdeiros na sociedade e dividir o lucro entre vários CPFs, você foge das faixas mais altas do novo imposto progressivo sobre altas rendas.

  • O Custo e o Risco de Simulação: Exige a montagem de um Acordo de Sócios e o pagamento de impostos na entrada (como o ITCMD, na doação de cotas). O risco crítico aqui é fazer isso sem "Propósito Negocial". Dar cotas ao filho na segunda-feira e distribuir R$ 500 mil na terça é simulação. A família precisa ter participação justificada e documentada em conselhos para o Fisco aceitar a operação.
  • O Benefício (O Prêmio): Redução drástica da carga tributária anual da família como um todo, além de organizar a sucessão em vida.
  • O Veredito: Essencial. É a forma mais inteligente de jogar com a tabela progressiva a seu favor, desde que amparada por governança real.

3. Cotas Preferenciais Resgatáveis: O Retorno de Capital Inteligente

Uma das manobras mais sofisticadas da engenharia societária atual. A lógica é simples: em vez de distribuir lucro (tributado), a empresa "devolve" o capital investido pelo sócio. Como devolução de capital social não é renda, a operação é isenta de imposto.

  • O Custo e o Risco de Simulação: Alta complexidade jurídica para criar uma classe de cotas "resgatáveis" no contrato social. Aqui mora um perigo imenso de simulação: se você capitalizar os lucros isentos da empresa hoje e "resgatar" essas cotas no mês seguinte apenas para fugir dos 10% de dividendos, o Fisco autuará a operação como fraude. Exige lastro temporal (tempo de maturação) e racional econômico.
  • O Benefício (O Prêmio): Transferência de grandes volumes de caixa da PJ para a PF com 0% de imposto.
  • O Veredito: Nível de precisão cirúrgica. Não serve para pagar as contas do mês, mas é insuperável para planejamentos de longo prazo, gerando liquidez futura ao fundador de forma 100% limpa.

4. JCP (Juros sobre Capital Próprio): A Matemática a Seu Favor

A empresa paga ao sócio uma remuneração pelo capital investido, sendo tratada como despesa financeira.

  • O Custo (O Pedágio): Quando o dinheiro cai na PF, o governo retém IR na fonte (15%). Exige a contabilidade rigorosa e mais cara do regime de Lucro Real.
  • O Benefício (O Prêmio): A mágica acontece na PJ. Ao pagar o JCP, a empresa abate esse valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O ganho fiscal corporativo pode chegar a 34%.
  • O Veredito: É o clássico Ganha-Ganha. Você (PF) paga 15% na entrada, mas a sua Empresa (PJ) economiza até 34% na saída.

5. O Mútuo Societário: Dinheiro na PF Sem Pagar Dividendo

Se você precisar de grande quantia na PF (para comprar um imóvel), mas recusa-se a pagar a taxação sobre esse megadividendo, a empresa faz um empréstimo formal para você.

  • O Custo (O Pedágio): É obrigatório recolher o IOF na largada. Você terá que pagar juros (atrelados à Selic) para a sua própria empresa e exige um contrato jurídico impecável contra fraudes.
  • O Benefício (O Prêmio): Acesso à liquidez imediata. Você coloca milhões na PF de forma legal, sem acionar a tributação de dividendos nem as altas rendas.
  • O Veredito: Custo médio. Não acumula riqueza, mas é uma "ponte" tática formidável para necessidades de caixa rápido na PF, devolvendo o valor com o tempo.

6. Previdência Corporativa: O Caixa com "Carimbo" de Proteção

A Empresa (CNPJ) contrata um fundo de previdência (PGBL) em favor dos sócios. O dinheiro sai da empresa sem transitar pela sua conta corrente, fugindo da tributação imediata.

  • O Custo (O Pedágio): O dinheiro perde liquidez imediata. Se sacar no curto prazo, a mordida do Leão é punitiva (até 35%).
  • O Benefício (O Prêmio): Tríplice coroa: 1. Dedução fiscal na empresa (Lucro Real). 2. Diferimento na PF (não entra nas altas rendas e no futuro paga a menor alíquota do Brasil: 10%). 3. Eficiência Sucessória (vai para a família sem inventário e sem ITCMD).
  • O Veredito: Baixo custo de estruturação e altíssimo benefício. É a ferramenta mais barata e inteligente para o dinheiro focado no longo prazo.

A Conclusão: Escolha a Sua Batalha

O amadorismo no Brasil costumava sair de graça. Hoje, a conta chega pesada. A inércia tem um custo fixo: 10% de dividendos, e o imposto mínimo progressivo das altas rendas. Um pedágio que corrói o patrimônio da sua família ano após ano.

Implementar essas estratégias exige investimento em bons advogados, contadores e planejadores financeiros. Mas não se trata de uma despesa. Trata-se de construir um sistema de retenção de riqueza.

Você prefere pagar os honorários de quem protege o seu dinheiro uma única vez, ou pagar o dobro disso em impostos para o Estado todos os anos?

Fonte: Guia Invest Wealth, de 18/03/2025

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