Portal de Notícias sobre o
Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

Investimentos em Energia e Segurança Jurídica

13/2/2026

O Brasil atraiu US$ 16,2 bilhões em investimentos para projetos de energia renovável em 2024, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance. Este volume coloca o país entre os cinco principais destinos globais de capital para o setor. Porém, a conversão de intenções de investimento em projetos operacionais ainda enfrenta obstáculos significativos relacionados à previsibilidade regulatória e à estabilidade jurídica dos contratos de longo prazo.

A segurança jurídica no setor energético vai além da simples existência de leis. Envolve a consistência na aplicação de normas, a proteção contra mudanças retroativas, a eficiência dos mecanismos de solução de conflitos e a clareza nas regras de conexão e operação. Investidores institucionais que trabalham com horizonte de 20 a 25 anos precisam de garantias sólidas antes de alocar recursos na casa dos bilhões.

Antonio Araújo da Silva

PARA LER COM CALMA

14/2/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos da comunidade dessa semana, aqui vai um resumo:

SIN

- Carga do SIN:  https://bit.ly/3OuSmzr

> Previsão de recuo de 1,8% em fevereiro/2026 (87.482 MW médios)

> Quedas regionais: Sudeste/Centro-Oeste (-5,0%) e Sul (-4,5%)

> Crescimento no Nordeste (+8,2%) e Norte (+7,5%)

- Armazenamento do SIN: Reservatórios atingiram 50% em janeiro devido às chuvas https://bit.ly/4rkqXPx

Leilões

- LRCAP 2026:

> Editais aprovados pela Aneel com exclusão de empresas em recuperação judicial  https://bit.ly/4a8DOOA

> Revisão dos preços-teto após pressão do mercado (aumentos de até 100%)  https://bit.ly/4csBnYv

> Inflação de equipamentos citada como principal fator para ajustes  https://bit.ly/4kyPOwh

- Leilão de Baterias (BESS): https://bit.ly/3OEbPhd

> Previsto para até junho/2026 (data prevista: 30/04)

> Objetivo: consolidar energias renováveis e fomentar políticas de conteúdo local e desenvolvimento tecnológico nacional

Regulação e Políticas

- Autonomia Financeira das Agências:  https://bit.ly/3Mk6Z8e

> TCU determinou plano de ação em 180 dias para 11 agências reguladoras federais

> Foco em fortalecer autonomia, a capacidade, a governança e a transparência.

- Axia Energia: Aneel aprova captura de R$146 mi para modicidade  https://bit.ly/4aowY6q

Comercialização

- Preços na BBCE: Forte alta na última semana, com ativos acima de R$400/MWh https://bit.ly/46iF13F

- Monitoramento Prudencial: CCEE lançou um novo módulo digital para envio de documentos e informações  https://bit.ly/4ahH4px

Estudos e Planejamento

- PDE 2035 e PNE 2055:  https://bit.ly/46QT8NB

Consultas públicas lançadas pelo MME

Previsão de investimentos:

> PDE: R$3,5 trilhões (80% em petróleo e gás)

> PNE: Até R$2 trilhões em expansão elétrica em 30 anos

- Demanda global de energia: https://bit.ly/4chumtw

> Projeção de crescimento médio de 3,5% ao ano até 2030 (fonte: AIE)

> Fontes predominantes: renováveis, gás natural e nuclear

Destaques Empresariais

- Aeris: Nomeação de José Ricardo Elbel Simão como Diretor Administrativo Financeiro e RI  https://bit.ly/4akMbp7

- Eneva: Captação de R$2,4 bilhões em debêntures  https://bit.ly/4kDspdi

- Equatorial: Crescimento na distribuição no 4T25  https://bit.ly/4aFzztX

- Iberdrola: OPA pela Neoenergia com liquidação até abril https://bit.ly/3ZAze5G

- Térmicas da Bertin: Revogação de outorgas de 6 usinas e manutenção de multas por não execução dos empreendimentos https://bit.ly/4tyLdhG

Fonte: CanalEnergia

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GERAÇÃO

13/2/2026

Oferta de geração de energia elétrica em janeiro ultrapassa 500 MW

Em janeiro, a expansão foi de 543 MW, impulsionada principalmente por usinas solares.

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Publicado em 12/02/2026 09h35

Em janeiro, o incremento verificado na matriz elétrica brasileira foi de 543 MW, sendo a maioria de usinas solares. Um total de 13 usinas entrou em operação comercial no mês: 11 centrais solares fotovoltaicas (509 MW), uma usina termelétrica (20 MW) e uma pequena central hidrelétrica (14 MW).

Quatro estados em quatro regiões do Brasil tiveram empreendimentos liberados para operação comercial no primeiro mês de 2026. Os destaques, em ordem decrescente, foram Minas Gerais, com 409 MW decorrentes da entrada em operação de nove usinas, seguido da Bahia (100 MW e duas usinas), Pará (20 MW e uma usina) e Paraná (14 MW e uma usina).

Capacidade total de usinas centralizadas é de 216,5 GW

Em 9 de fevereiro, o Brasil somou 216.912.004,59 MW de potência fiscalizada, de acordo com dados do Sistema de Informações de Geração da ANEEL, o SIGA, atualizado diariamente com dados de usinas em operação e de empreendimentos outorgados em fase de construção.

Onde encontrar mais dados sobre a geração elétrica

Uma abordagem mais detalhada do crescimento da oferta centralizada de energia elétrica pode ser encontrada no painel RALIE, que reúne informações sobre a expansão da matriz elétrica. Com formato intuitivo, a ferramenta amplia o acesso aos dados de fiscalização de novas usinas em implantação e facilita o acompanhamento da expansão da oferta de geração de acordo com o ano, região, tipo de fonte de energia, entre outros filtros. Os objetivos são aprimorar a interatividade e fornecer mais informações sobre obras de geração.

As informações do painel são atualizadas mensalmente baseadas nas inspeções in loco nas obras das centrais geradoras e nos dados disponibilizados no Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel), que conta com a contribuição das empresas fiscalizadas para uma análise minuciosa da equipe de monitoramento. Veja neste link os relatórios e indicadores da ANEEL relacionados à geração de energia elétrica.

Fonte: Aneel

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Resumo das Notícias de Hoje

13/2/2026

Dia 13 de fevereiro de 2026, sexta-feira

- Aneel aprova editais com novos preços-teto do LRCAP: https://bit.ly/467hUsz

Valores foram recalculados pela Empresa de Pesquisa Energética, por decisão do Ministério de Minas e Energia.

- PRESSÃO NO CAPEX PARA LRCAP (política)

O mercado reclamou e o governo atendeu a demanda sobre os preços para o 1º LRCAP a ser realizado desde 2021. A inflação de equipamentos é a grande responsável pela disputa. A alta demanda por unidades geradoras fez com que os preços dos equipamentos disparassem no mercado internacional. Adicionalmente, as fábricas estão sem espaço para novos pedidos. Dessa forma, os valores de referência naquela oportunidade não se enquadram mais em 2026.

> Saiba mais na matéria “Inflação de equipamentos pressionou capex para LRCAP deste ano”: https://bit.ly/4kyPOwh

- CONSULTAS PÚBLICAS DO PDE 2035 E DO PNE 2055 (expansão)

O Ministério de Minas e Energia lançou nesta quinta-feira (12/06) as consultas públicas do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 e do Plano Nacional de Energia 2055. O PDE estima investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões, dos quais 80% serão concentrados nos setores de petróleo e gás natural. Já o PNE projeta até R$ 2 trilhões na expansão da matriz elétrica em 30 anos, a depender do crescimento da carga e da ambição climática do país.

> Continue a leitura na matéria “MME lança consultas públicas do PDE 2035 e do PNE 2055”: https://bit.ly/46QT8NB

- ARMAZENAMENTO DO SIN (geração)

Os níveis de armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegaram a cerca de 50% ao fim de janeiro, impulsionados pelo aumento das chuvas nos principais reservatórios do país. O dado foi apresentado na 315ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na última quarta-feira, 11 de fevereiro, no Ministério de Minas e Energia (MME).

> Leia mais em “Chuvas elevam reservatórios e CMSE ajusta estratégia para 2026”: https://bit.ly/4rkqXPx

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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MEETUP | O futuro da matriz elétrica para além de 2030

Data: 26 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Iberdrola deverá liquidar OPA pela Neoenergia até abril: https://bit.ly/3ZAze5G

Parcela de ações negociadas na B3 está em 16,2% do capital da empresa, a estimativa é de que a aquisição desses papeis some R$ 6 bilhões.

Aneel mantém multa de R$ 3,45 milhões à UTE do Atlântico: https://bit.ly/4qCxwvB

Geradora foi penalizada devido à gestão inadequada de manutenção e operação.

Energia solar lidera expansão da matriz elétrica em janeiro: https://bit.ly/4auS1Et

Brasil adicionou 543 MW à capacidade instalada, com destaque para Minas Gerais e Bahia.

Fonte: CanalEnergia

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MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA – MME REVISA PREÇOS DO LRCAP 2026

13/2/2026

O Ministério de Minas e Energia (MME) revisou os preços do LRCAP 2026. Os valores para o produto térmico de empreendimentos novos a gás natural e carvão passaram de R$ 1,6 milhão por MW ao ano para até R$ 2,9 milhões por MW ano no 2o leilão de capacidade, o LRCAP. A pasta destacou que esse processo deve-se ao “processo institucional de escuta, contribuições e avaliações técnicas criteriosas conduzida pela Pasta e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”.

As UTEs existentes passaram de R$ 1,12 milhão para R$ 2,25 milhões por MW ao ano. Conforme esperado, o produto hidrelétrico não foi alterado e manteve-se em R$ 1,4 milhão por MW ano. Além disso, as usinas a Óleo e Biodiesel também tiveram os valores revisados. Os valores passaram de R$ 920 mil para R$ 1,6 milhão por MW.ano para o produto térmico 2026 e 2027. Para o produto potência 2030 o preço-teto foi majorado de R$ 990 mil por MW.ano para R$ 1,75 milhão por MW.ano.

O aumento do preço-teto ficou em 81,25% para as térmicas a GN e Carvão novas. Entretanto, o valor aumentou mais ainda para as usinas térmicas existentes. Nesse caso, a elevação ultrapassou 100%. Para o leilão de usinas a óleo e biodiesel o aumento ficou entre 73% e 76% quando comparado aos valores anteriores.

Justificativas

De acordo com o MME, entre as novas premissas que levaram à atualização, considerou-se de maneira mais precisa os investimentos necessários para que usinas existentes operem com segurança ao longo do novo período contratual. Dessa forma, diz, evita riscos operacionais e jurídicos que podem se tornar em custos adicionais futuros ao sistema.

Ainda ontem a reportagem do CanalEnergia apontou que a inflação dos equipamentos havia levado à frustração do mercado com os preços-teto. Segundo especialistas, os valores não representavam mais a realidade do mercado.

Além disso, a EPE realizou um refinamento técnico na estrutura de custos, sem alteração da metodologia central mantendo intacta a lógica metodológica originalmente estabelecida. Entretanto, realocou para a parcela fixa componentes anteriormente inseridos na parcela variável para assegurar “maior coerência econômica no cálculo”.

Adicionalmente, apontou o MME, a pasta incorporou o que classificou como evidências recentes do cenário internacional. Dentre elas, marcadas por aumento de custos de capital, equipamentos e financiamento, conforme indicado no mercado após a divulgação dos preços na última terça-feira, 10 de fevereiro.

“Esses três fatores, respaldados em boletins técnicos internacionais, explicam integralmente a atualização técnica dos parâmetros econômicos, não havendo qualquer outro elemento além desses”, ressaltou comunicado do Ministério.

A decisão de alterar os parâmetros, destacou ainda a pasta, poderia levar a distorções, reduzir a atratividade do certame ou até comprometer seu resultado. Especialistas alertavam que o produto térmico poderia ‘dar vazio’.

Fonte: CanalEnergia | Divulgação / GNA

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Sinal de Preço e Horário de Ponta: Como a Resposta da Demanda Pode Gerar Receita

13/2/2026

A resposta da demanda movimentou R$ 4,8 bilhões no mercado energético brasileiro em 2024, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Este mecanismo permite que consumidores industriais e comerciais ajustem seu consumo em resposta a sinais de preço, transformando flexibilidade operacional em receita adicional. Empresas que dominam estratégias de demand response conseguem reduzir a fatura de energia em até 22% e ainda gerar créditos vendáveis no mercado de capacidade.

A lógica é simples: quando o sistema elétrico está congestionado e os preços disparam, consumidores que conseguem reduzir carga recebem compensação financeira. Quando os preços estão baixos, aumentam o consumo para aproveitar tarifas reduzidas. Essa arbitragem entre horários exige capacidade técnica de resposta rápida e sistemas de monitoramento em tempo real.

Estrutura Tarifária e Sinais Econômicos

A tarifa horo-sazonal no Brasil diferencia o preço da energia por horário e período do ano. Consumidores do grupo A pagam valores distintos em horário de ponta (17h às 20h em dias úteis) e fora de ponta. A diferença pode chegar a 300% dependendo da distribuidora e da modalidade tarifária contratada. Em São Paulo, a tarifa de ponta para consumidores do subgrupo A4 alcança R$ 1.847/MWh contra R$ 487/MWh fora de ponta.

O PLD horário, implementado pela CCEE em 2021, trouxe granularidade ainda maior aos sinais de preço. Agora o mercado precifica energia em intervalos de uma hora, refletindo condições reais de oferta e demanda. Em dias de alta geração solar, o PLD entre 11h e 14h pode cair para R$ 80/MWh, enquanto às 19h sobe para R$ 450/MWh. Essa volatilidade cria oportunidades para quem consegue deslocar consumo.

Bandeiras tarifárias funcionam como sinal adicional para consumidores cativos. Quando o sistema opera com custo elevado, a bandeira vermelha adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Consumidores atentos ajustam processos produtivos em resposta, reduzindo consumo em períodos de bandeira vermelha e compensando em momentos de bandeira verde.

A Tarifa Branca, disponível para consumidores residenciais desde 2018, permite que famílias pratiquem demand response doméstico. Quem concentra uso de chuveiro elétrico, máquina de lavar e ar-condicionado fora do horário de ponta pode economizar até 18% na conta mensal. A adesão ainda é baixa - apenas 2,3% dos consumidores elegíveis - mas cresce à medida que a automação residencial se populariza.

Tecnologias Habilitadoras de Demand Response

Sistemas de gestão energética (EMS) industriais integram medição em tempo real com algoritmos de otimização. Sensores monitoram consumo de cada linha de produção, caldeiras, compressores e sistemas de climatização. Quando o preço ultrapassa threshold pré-definido, o sistema automaticamente ajusta cargas não críticas ou aciona geração própria.

Baterias de armazenamento permitem estratégias avançadas de arbitragem. Durante a madrugada, quando o PLD está baixo, o sistema carrega as baterias. No horário de ponta, descarrega para alimentar a planta e ainda pode vender excedente no mercado spot. Projetos piloto em indústrias químicas mostram payback de 4 a 6 anos para sistemas dimensionados corretamente.

Controladores lógicos programáveis (CLP) conectados à nuvem permitem ajustes remotos e em tempo real. Gestores energéticos podem modificar setpoints de temperatura, velocidade de motores e sequenciamento de processos via smartphone. A latência entre decisão e execução caiu de minutos para segundos com a evolução das redes 5G industriais.

Plataformas de inteligência artificial aprendem padrões de consumo e preveem janelas de oportunidade. Algoritmos de machine learning analisam histórico de PLD, previsão meteorológica, calendário de produção e disponibilidade de equipamentos para recomendar o momento ideal de redução ou aumento de carga. A acurácia dessas previsões supera 87% em horizontes de 24 horas.

Modelos de Negócio e Participação no Mercado

Agregadores de demanda reúnem múltiplos consumidores pequenos para atingir escala necessária para participação no mercado. Uma indústria com 2 MW de flexibilidade sozinha tem pouco poder de barganha. Mas 50 empresas agregadas somam 100 MW, volume suficiente para negociar contratos atrativos com comercializadoras e participar de leilões de capacidade.

Contratos interruptíveis oferecem desconto na tarifa de demanda em troca do compromisso de reduzir consumo quando solicitado pelo operador. No modelo da Cemig, consumidores recebem desconto de até 25% na tarifa de demanda contratada e pagam apenas quando efetivamente interrompidos. Em 2024, foram chamados para interrupção em apenas 8 ocasiões, gerando economia líquida mesmo considerando os custos operacionais.

Programas de incentivo à eficiência energética das distribuidoras remuneram consumidores que investem em tecnologias de resposta da demanda. A CPFL oferece financiamento a custo zero para instalação de controladores e medidores inteligentes em troca de participação em programa de redução de ponta. O consumidor amortiza o investimento com a economia gerada em 18 meses.

Mercados de capacidade remuneram a disponibilidade de carga interrompível independentemente de acionamento efetivo. O modelo testado no sistema isolado de Roraima paga R$ 280/kW.ano apenas pela garantia de que o consumidor pode reduzir consumo em até 2 horas após solicitação. Para indústrias com processos flexíveis, isso representa receita adicional sem impacto produtivo significativo.

Setores com Maior Potencial de Aplicação

A indústria de cimento lidera a adoção de demand response no Brasil. Moagem de clínquer pode ser facilmente deslocada para horários de menor custo energético sem comprometer a produção final. Empresas do setor reportam economia média de 16% na conta de energia após implementação de estratégias de deslocamento de carga.

Frigoríficos e câmaras frias possuem inércia térmica que permite desligamento temporário sem perda de qualidade do produto. Um frigorífico de médio porte consegue desligar sistemas de refrigeração por até 90 minutos durante picos de preço, desde que o processo seja bem gerenciado. A temperatura interna sobe apenas 2°C, dentro da margem de segurança sanitária.

Mineradoras com operações de britagem e beneficiamento têm processos descontínuos naturalmente adaptáveis. Vale e Samarco já operam sistemas automatizados que priorizam processamento em períodos de baixo custo energético. A estratégia também melhora o fator de carga, reduzindo a demanda contratada e gerando economia adicional.

Shoppings centers representam oportunidade significativa no segmento comercial. Sistemas de ar-condicionado central respondem por 45% do consumo total e podem ser pré-resfriados antes do horário de ponta. A temperatura é reduzida 2°C às 16h30, permitindo desligamento parcial entre 18h e 19h30 sem desconforto para clientes.

Estações de tratamento de água e esgoto operam 24 horas mas têm flexibilidade em processos secundários. Aeração de tanques de lodo ativado, por exemplo, pode ser intensificada na madrugada e reduzida no horário de ponta. Sanepars no Paraná economizou R$ 8,2 milhões em 2024 com essa estratégia.

Barreiras Técnicas e Operacionais

A rigidez de processos produtivos contínuos limita a flexibilidade em alguns setores. Siderúrgicas, petroquímicas e refinarias não podem interromper fornos e reatores sem risco de danos permanentes aos equipamentos. Para esses casos, a resposta da demanda se concentra em cargas auxiliares como compressores, ventiladores e sistemas de utilidades.

A falta de medição granular impede que muitas empresas identifiquem onde está o potencial de flexibilidade. Medidores convencionais registram apenas consumo total, sem discriminar por centro de custo ou equipamento. Investimento em sub-medição inteligente varia entre R$ 150 mil e R$ 800 mil dependendo da complexidade da planta.

Contratos de fornecimento de energia com cláusulas de take-or-pay rígidas criam desincentivos à resposta da demanda. Se a empresa se comprometeu a consumir volume mínimo mensal, reduzir consumo em horário de ponta pode gerar sobra contratual e exposição ao PLD. A solução passa por renegociar contratos com modulação horária.

Questões trabalhistas surgem quando o deslocamento de carga implica mudança de turno de produção. Transferir operações da tarde para a madrugada pode gerar adicional noturno e resistência sindical. Empresas bem-sucedidas envolvem colaboradores desde o início, explicando benefícios econômicos e compartilhando ganhos via PLR.

Regulamentação e Perspectivas Futuras

A Resolução Normativa ANEEL 1.034/2024 estabeleceu diretrizes para programas de resposta da demanda coordenados pelo ONS. A partir de 2026, consumidores com carga superior a 5 MW poderão se cadastrar como recursos de flexibilidade e receber despacho direto do operador em situações de emergência. A remuneração será calculada com base no custo evitado de geração térmica.

Leilões de capacidade com participação de demand response estão previstos para 2027. O modelo seguirá experiência internacional onde consumidores competem com usinas para fornecer garantia de potência ao sistema. Simulações indicam que demand response pode ser até 40% mais barato que construir novas térmicas para atender picos.

A integração com mercados de serviços ancilares abre novas oportunidades de receita. Consumidores com resposta rápida (menos de 30 segundos) poderão fornecer controle de frequência, assim como as usinas hidrelétricas fazem hoje. O mercado potencial é estimado em R$ 2,5 bilhões anuais.

Blockchain e contratos inteligentes começam a ser testados para automatizar transações de demand response. Plataformas descentralizadas permitem que consumidores negociem redução de carga peer-to-peer sem intermediários. Projetos piloto na região Sul mostram redução de 35% nos custos de transação.

ROI e Viabilidade Econômica

O investimento inicial em sistemas de demand response varia conforme o nível de automação desejado. Soluções básicas com controladores manuais custam entre R$ 80 mil e R$ 200 mil. Sistemas totalmente automatizados com IA podem ultrapassar R$ 1,5 milhão em plantas industriais complexas.

O retorno vem de múltiplas fontes: redução da fatura em horário de ponta (40% do ganho total), otimização de demanda contratada (25%), receita de interruptibilidade (20%) e venda de excedentes contratuais (15%). Uma indústria de médio porte com consumo de 8 MW médios pode gerar economia e receita combinadas de R$ 2,8 milhões por ano.

O payback médio fica entre 14 e 28 meses, dependendo do setor e da agressividade da estratégia. Empresas que já possuem automação industrial avançada conseguem implementar demand response com investimento marginal, reduzindo o payback para menos de 12 meses.

Custos ocultos incluem manutenção de sistemas, treinamento de equipes e eventuais perdas de produtividade durante curva de aprendizado. Empresas relatam que os primeiros 6 meses exigem atenção intensiva da equipe de energia e operações. Após esse período, os processos se tornam rotineiros e os ganhos se consolidam.

Fonte: Assuntos de Energia | NEWS – Edição de 06/02/2026

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