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INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

20/10/2026

Dia 20 de outubro de 2026, terça-feira

SISTEMAS DE ARMAZENAMENTO HIDRÁULICO

A Empresa de Pesquisa Energética publicou as Instruções para Solicitação de Cadastramento e Habilitação Técnica de Sistemas de Armazenamento Hidráulico de Energia. O documento estabelece a forma de apresentação da documentação e os requisitos aplicáveis ao processo de cadastramento e habilitação técnica na EPE.

Continue a leitura na notícia “EPE publica Instruções para cadastramento de sistemas de armazenamento hidráulico”: https://tinyurl.com/3v7zv9t3

UTE JORGE LACERDA

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) homologou os novos valores do Custo Variável Unitário (CVU) das quatro unidades do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, da Diamante Geração de Energia. Também foi revisada a receita fixa anual prevista no Contrato de Energia de Reserva nº 478/25, firmado entre a empresa e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Saib mais em “Aneel revisa custos e receita fixa de UTE Jorge Lacerda”: https://tinyurl.com/5s78ufzr

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

- Geração térmica líquida da Eneva recua 38% no 3º trimestre: https://tinyurl.com/ymx67ump

- Aggreko compra seis usinas termelétricas da BBF no Amazonas: https://tinyurl.com/mtr4v2fc

- IFC libera US$ 79 milhões em rede elétrica da EDP ES: https://tinyurl.com/2rsuzae6

- Memória da Eletricidade completa 40 anos: https://tinyurl.com/5cend6jz

Fonte: CanalEnergia

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CONFIRA AS CONSULTAS PÚBLICAS TERMINANDO NA PRÓXIMA SEMANA

20/10/2026

Data final: 26/10/2026

- Consulta Pública 032/2026

Obter subsídio para o aprimoramento da minuta do Edital e dos Anexos do Leilão nº 1/2027- ANEEL

Data final: 30/10/2026

- Consulta Pública 035/2026

Obter subsídios para a definição dos critérios e da metodologia aplicáveis à extensão de prazo prevista no § 7º do art. 26 da Lei nº 9.427/1996, referente à prorrogação por prazo suficiente à amortização dos investimentos de acréscimo de capacidade de geração, objetivando o aproveitamento ótimo, do potencial hidráulico.

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública

Fonte: CanalEnergia

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RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

19/10/2026

Dia 19 de outubro de 2026, segunda-feira

AUMENTO NA CARGA PARA OUTUBRO

A revisão semanal do Programa Mensal de Operação de outubro a ponta uma elevação de 4,9% na carga em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. No maior submercado do país, no Sudeste/Centro-Oeste, a estimativa é de aumento de 3,5%. Na Região Norte a previsão é de elevação de 10,3%. Já no Nordeste deverá ter o maior crescimento, com 11,8%. Enquanto isso, no Sul deverá ter recuo de 0,8%.

Leia mais na notícia “ONS aponta aumento de 4,9% na carga para outubro”: https://tinyurl.com/3m3avcak

PEDIDOS DE RECONTABILIZAÇÃO

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) reduziu de quase seis meses  para cerca de um mês o tempo total necessário para que os agentes percebam os efeitos financeiros completos de um processo de recontabilização, entre janeiro e agosto de 2026.

Saiba mais na matéria “CCEE reduz em 75% o prazo médio para processar pedidos de recontabilização”: https://tinyurl.com/23f8m786

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

A aceleração da transição energética pode gerar ganhos econômicos de aproximadamente US$ 47 trilhões até 2050, em comparação com a trajetória baseada nos planos e políticas energéticas atuais. A estimativa é da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), apresentada no relatório World Energy Transition Outlook 2026: 15ºC Pathway.

Continue a leitura em “Transição energética pode elevar PIB global em US$ 47 tri até 2050, aponta Irena”: https://tinyurl.com/4ut6sdh5

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Alta das tarifas em 2026 leva indústria a cortar desperdícios sem reduzir produção: https://url.com/459r352m

Aneel revisa custos e receita fixa de UTE Jorge Lacerda: https://tinyurl.com/5s78ufzr

ONS, CCEE e EPE abrem código de novo modelo: https://tinyurl.com/vnsusxzn

Fonte: CanalEnergia

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FRASE DA SEMANA

19/10/2026

“Ser você mesmo em um mundo que está sempre tentando te mudar é a maior conquista possível.”

Autor: Ralph Waldo Emerson

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RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

16/10/2026

Dia 16 de outubro de 2026, sexta-feira

CAPACIDADE DE ENERGIA LIMPA

Estudo da BNEF mostra que a América Latina registrou a primeira queda anual nas adições de capacidade de energia limpa em mais de uma década. O recuo foi puxado por uma desaceleração acentuada n Brasil. No país, as adições de energia eólica e solar caíram 27% em 2025, à medida que a escassez de rede e o curtailment diminuíram o entusiasmo dos desenvolvedores. Projetos estão atrasados ou as empresas desistindo.

Saiba mais na matéria “BNEF: adição anual de renováveis cai na América Latina”: https://tinyurl.com/vafp78tx

WORD ENERGY TRANSITION OUTLOOK 2026

A aceleração da transição energética pode gerar ganhos econômicos de aproximadamente US$ 47 trilhões até 2050, em comparação com a trajetória baseada nos planos e políticas energéticas atuais. A estimativa é da Agência Interhttpsnacional de Energias Renováveis (Irena), apresentada no relatório World Energy Transition Outlook 2026: 1.5ºC Pathway.

Continue a leitura em “Transição energética pode elevar PIB global em US$ 47 tri até 2050, aponta Irena”: https://tinyurl.com/4ut6sdh5

NOVO MODELO COMPUTACIONAL DO SETOR ELÉTRICO

O novo modelo computacional do setor elétrico avança. O sistema de código aberto está em desenvolvimento pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Publicado no GitHub na última quinta-feira), 8 de outubro, esse é o início da primeira etapa e está voltada ao planejamento, programação da operação e à formação de preços do setor elétrico brasileiro. O código poderá ser acessado por agentes, universidades, consultorias e pesquisadores, que também poderão propor melhorias.

Leia mais na notícia “NOS, CCEE e EPE abrem código de novo modelo”: https://tinyurl.com/ynsusxzn

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Eneva e Itaú assinam acordo de investimento de R$ 1,8 bi: https://tinyurl.com/4utnxcec

Prêmio ONS de qualidade na operação ganha novas categorias em 2026: https://tinyurl.com/4yx97yzz

Abrace: em 26 anos, pressão dos custos energéticos representa 48,2% da inflação dos investimentos: https://tinyurl.com/3jeshwmm

Fonte: CanalEnergia

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Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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