- Painel dos CEOs no ENASE 2026: Digitalização, IA e Competitividade Definem Futuro da Demanda Energética
Executivos debatem atração de data centers, novos investimentos industriais e evolução dos sinais econômicos do setor elétrico
O futuro da demanda de energia no Brasil passa cada vez mais pela digitalização da economia, pela inteligência artificial e pela atração de novos investimentos industriais.
Brasil em Posição Privilegiada
No "Painel dos CEOs" do ENASE 2026, Maurício Godoi, editor-chefe do CanalEnergia, moderou o debate com Rui Chammas (ISA Energia), Adriana Waltrick (SPIC), Lucas Witzler (Ultragaz) e Fabio Bortoluzo (Atlas Renewable Energy).
Os executivos destacaram que o Brasil reúne condições únicas para atrair data centers, novas indústrias e projetos ligados à transição energética. A combinação de recursos renováveis, potencial de expansão da oferta e capacidade de atender grandes consumidores coloca o país em posição privilegiada em um cenário global marcado pelo crescimento da inteligência artificial e da eletrificação.
Competitividade Além da Energia
Ao mesmo tempo, os participantes alertaram que transformar potencial em investimentos exige mais do que energia disponível. Competitividade, segurança regulatória, infraestrutura adequada e previsibilidade econômica serão fatores decisivos para que o Brasil aproveite essa oportunidade histórica.
Durante o debate, os especialistas destacaram que o país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e atributos importantes para receber projetos ligados à economia digital. No entanto, ressaltaram que outros mercados também disputam esses investimentos e avançam rapidamente para criar ambientes mais atrativos.
Corrida Global por Investimentos
A corrida global por data centers e inteligência artificial abriu uma janela de oportunidade para o Brasil — mas também aumentou a concorrência entre países por investimentos.
Questões como tributação, infraestrutura de transmissão, disponibilidade de equipamentos, financiamento e ambiente de negócios foram apontadas como fatores fundamentais para acelerar a chegada de novos empreendimentos. Para os painelistas, o Brasil precisa construir uma agenda de competitividade capaz de transformar suas vantagens naturais em crescimento econômico, inovação e geração de empregos.
A mensagem foi clara: energia competitiva é um diferencial importante, mas não basta sozinha para atrair os investimentos que vão moldar a economia do futuro.
Evolução dos Sinais Econômicos
Os participantes do "Painel dos CEOs" defenderam a evolução dos sinais econômicos do setor, com mecanismos que valorizem a flexibilidade, o armazenamento de energia e a resposta da demanda.
O entendimento é que consumidores, comercializadores, geradores e operadores precisarão atuar de forma cada vez mais integrada para acompanhar o crescimento da eletrificação, da digitalização e das novas cargas associadas à inteligência artificial. Também foram debatidas medidas que permitam ao consumidor responder de forma mais eficiente aos sinais de preço, contribuindo para um sistema mais equilibrado e sustentável.
Desafio da Utilização Inteligente
Os executivos reforçaram que o desafio já não é apenas expandir a oferta de energia, mas criar condições para que ela seja utilizada de forma mais inteligente, eficiente e competitiva. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas, a capacidade de adaptar o setor às novas demandas será um dos fatores centrais para garantir segurança energética e crescimento econômico.
- Desenvolvimento de Talentos para a Transição Energética: ENASE 2026 Debate Formação, Requalificação e Novas Competências
Entrevista destaca necessidade de aproximar empresas e universidades para acelerar qualificação profissional no setor energético
"Desenvolvimento de Talentos e Força de Trabalho para a Transição Energética" foi o tema da entrevista conduzida por Gabriela Desiré, Diretora de Operações da Two Square, com a participação de Marina Pimenta Gazeti Scartozzoni (CHRO da Vibra Energia/COMERC), Eduardo Rossi (Diretor de Segurança de Mercado da CCEE) e Priscila Monteiro (Gerente Sênior de RH da Michael Page).
Talentos como Estratégia
O debate destacou que a transição energética não depende apenas de tecnologia, investimentos e infraestrutura, mas também da formação de profissionais capazes de atender às novas demandas do setor.
Os participantes discutiram como a expansão das energias renováveis, a digitalização das redes, o armazenamento de energia e a crescente complexidade do sistema elétrico estão transformando o perfil dos profissionais da área, exigindo novas competências técnicas, digitais e comportamentais.
A principal mensagem foi que desenvolver talentos será tão estratégico quanto expandir a infraestrutura energética. O futuro da transição energética dependerá da capacidade de atrair, capacitar e requalificar profissionais para um setor em rápida transformação.
Aproximação entre Empresas e Universidades
Um dos temas centrais foi a necessidade de aproximar empresas, universidades e centros de formação para acelerar a qualificação de profissionais voltados às novas demandas do setor energético.
Os especialistas destacaram que muitas das funções que ganharão relevância nos próximos anos ainda estão em construção, impulsionadas por tecnologias como armazenamento em baterias, inteligência artificial, digitalização, hidrogênio de baixo carbono e novas soluções para a gestão dos sistemas elétricos.
Competências para Evolução Constante
O debate reforçou que a formação profissional precisa acompanhar a velocidade das transformações do mercado, combinando conhecimento técnico, capacidade analítica e adaptação contínua às mudanças.
Mais do que preparar profissionais para empregos específicos, o desafio passa por desenvolver competências que permitam acompanhar a evolução constante da transição energética.
Requalificação da Força de Trabalho Tradicional
A requalificação da força de trabalho tradicional foi outro destaque da entrevista. Os participantes ressaltaram que a transformação do setor energético não acontece apenas com a chegada de novos profissionais. Ela também exige a atualização contínua de trabalhadores que já atuam na indústria e que precisarão incorporar novas tecnologias, ferramentas digitais e modelos operacionais cada vez mais sofisticados.
Pessoas como Protagonistas
A discussão mostrou que o desafio é combinar experiência acumulada com novas competências, criando equipes preparadas para atuar em um ambiente marcado pela inovação, pela integração de diferentes tecnologias e pela crescente complexidade do sistema energético.
A transição energética, concluíram os especialistas, será construída não apenas por equipamentos e infraestrutura, mas principalmente pelas pessoas que irão planejar, operar e transformar o setor nos próximos anos.
- Reindustrialização Verde no ENASE 2026: Debate Aborda Curtailment, Competitividade e Aproveitamento de Energia Renovável
Painel destaca necessidade de integrar planejamento energético e política industrial para transformar potencial em desenvolvimento econômico
"Reindustrialização Verde: Curtailment, Escoamento de Energia, GD e Demanda" foi o tema do debate moderado por Clauber Leite (Instituto E+), com a participação de Antonio Carlos Vilela (FIRJAN), Lorena Melo Silva Perim (MME), Mariana Amim (ANACE) e Rodrigo Sauaia (ABSOLAR).
Energia Renovável como Vetor de Desenvolvimento
O painel discutiu como transformar a abundância de energia renovável do Brasil em desenvolvimento econômico, competitividade industrial e geração de empregos. Entre os temas abordados estiveram o curtailment, a expansão da demanda, a reindustrialização verde, os sinais econômicos para novos investimentos e o papel da energia como vetor de crescimento.
Os especialistas defenderam uma maior integração entre planejamento energético e política industrial, destacando que o desafio não é apenas produzir energia limpa, mas criar condições para que ela impulsione cadeias produtivas, atraia investimentos e fortaleça a competitividade da indústria brasileira.
Potencial Energético como Vantagem Competitiva
Um dos principais debates foi a necessidade de transformar o potencial energético brasileiro em vantagem competitiva real para a indústria. Os participantes destacaram que o país possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, mas ainda enfrenta dificuldades para converter esse diferencial em crescimento econômico e atração de investimentos.
A discussão reforçou a importância de aprimorar os sinais de preço, reduzir distorções regulatórias e criar mecanismos que estimulem o consumo produtivo da energia disponível, especialmente em regiões com excedentes de geração e restrições de escoamento.
Para os especialistas, energia limpa, sozinha, não garante competitividade. É preciso conectá-la a uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo.
Armazenamento, Resposta da Demanda e Sinais Ambientais
O painel também destacou o papel do armazenamento, da resposta da demanda e dos sinais ambientais como ferramentas para aumentar a eficiência do setor elétrico e apoiar a neoindustrialização brasileira.
Os debatedores defenderam avanços em temas como mercado de carbono, valorização dos atributos ambientais da matriz elétrica nacional e ampliação do uso de baterias, apontadas como uma das soluções para reduzir desperdícios energéticos e ampliar a flexibilidade do sistema.
Coordenação para Resultados Concretos
Ao final, prevaleceu a avaliação de que o Brasil reúne condições únicas para liderar uma economia de baixo carbono, mas que isso exigirá coordenação entre governo, setor produtivo e agentes do mercado para transformar potencial em resultados concretos.
Sinais Econômicos e Planejamento Integrado
Os debatedores reforçaram que a transição energética e a neoindustrialização brasileira dependem de uma discussão mais ampla sobre competitividade, formação de preços e aproveitamento eficiente da energia produzida no país.
O debate defendeu a necessidade de repensar os sinais econômicos do setor, avançar na solução dos cortes de geração renovável (curtailment), ampliar o uso do armazenamento e modernizar os modelos de planejamento e formação de preços.
Desenvolvimento Sustentável e Estratégia Integrada
Nas considerações finais, os participantes destacaram que o desafio não é apenas expandir a oferta de energia, mas garantir que essa energia gere desenvolvimento econômico, competitividade industrial e riqueza para o Brasil. Também houve consenso sobre a importância de promover um diálogo amplo entre governo, reguladores, consumidores e agentes do setor para construir soluções estruturais e de longo prazo.
O consenso é que, para transformar o potencial energético brasileiro em crescimento sustentável, será necessário alinhar planejamento, sinais de preço, inovação e política industrial em uma estratégia integrada de desenvolvimento.
- Armazenamento e BESS no ENASE 2026: Debate Aborda Viabilização, Valoração e Flexibilidade Energética
Painel destaca necessidade de avanços regulatórios e precificação adequada para consolidar mercado de baterias no Brasil
O painel "Armazenamento e BESS: Viabilização e valoração real da flexibilidade energética" reuniu Daniel Carneiro, sócio da Câmara Falcão & Gava Sociedade de Advogados, e os especialistas Bruno Monte (CPFL), Wilson Assofra (Santander), Markus Vlasits (ABSAE) e Rui Altieri (APINE) para discutir um dos temas mais estratégicos para o futuro do setor elétrico brasileiro.
Flexibilidade como Requisito Essencial
Com o crescimento acelerado das fontes renováveis, a flexibilidade passou a ser um requisito essencial para garantir segurança, eficiência e confiabilidade ao sistema. Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) foram apontados como uma solução capaz de ampliar o aproveitamento da geração renovável, reduzir restrições operacionais e apoiar o equilíbrio da rede elétrica.
Os participantes destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para o desenvolvimento desse mercado, mas que a consolidação do setor dependerá de avanços regulatórios, sinais econômicos adequados e modelos de negócio capazes de atrair investimentos em larga escala.
Reconhecimento Econômico dos Benefícios
Um dos principais debates foi a necessidade de reconhecer economicamente os benefícios que as baterias entregam ao sistema elétrico.
Os especialistas ressaltaram que o armazenamento não beneficia apenas os proprietários dos projetos, mas toda a cadeia do setor. As baterias podem reduzir cortes de geração renovável, aliviar congestionamentos na rede, aumentar a confiabilidade da operação e oferecer respostas rápidas em momentos críticos do sistema.
Nesse cenário, os participantes defenderam o avanço de mecanismos regulatórios e de precificação capazes de valorizar esses atributos. A avaliação foi de que a tecnologia já atingiu um nível elevado de maturidade técnica e que o próximo desafio está na criação de condições que permitam sua expansão comercial em larga escala.
Potencial de Crescimento do Mercado
O painel também trouxe reflexões sobre o potencial de crescimento do mercado brasileiro de baterias nos próximos anos.
Os debatedores destacaram que o armazenamento deverá avançar tanto em grandes projetos conectados à rede quanto em aplicações junto aos consumidores, por meio de sistemas instalados atrás do medidor. Experiências internacionais mostram que a combinação entre energia solar e baterias tende a ganhar espaço à medida que evoluem os sinais tarifários e os mecanismos de remuneração.
Ferramenta Estratégica para Transformação
A discussão reforçou que o armazenamento não deve ser visto apenas como uma tecnologia complementar, mas como uma ferramenta estratégica para apoiar a integração das renováveis, aumentar a flexibilidade do sistema e reduzir custos operacionais ao longo do tempo.
Para os especialistas, a tendência é que as baterias desempenhem um papel cada vez mais relevante na transformação do setor elétrico brasileiro.
Momento Decisivo para Consolidação
Nas considerações finais, Bruno Monte (CPFL), Wilson Assofra (Santander), Markus Vlasits (ABSAE) e Rui Altieri (APINE) destacaram que o setor vive um momento decisivo para a consolidação do armazenamento de energia no Brasil.
Os participantes avaliaram que existe uma convergência inédita entre agentes do setor elétrico, investidores, fabricantes e instituições financeiras sobre a importância de ampliar as soluções de flexibilidade para atender às novas demandas do sistema. Também ressaltaram que o capital, a tecnologia e o interesse empresarial já estão disponíveis para impulsionar novos projetos.
Infraestrutura Estratégica
O consenso do painel foi que os próximos avanços dependerão da evolução regulatória, da correta precificação dos atributos das baterias e da construção de um ambiente capaz de oferecer previsibilidade aos investidores.
Os participantes defendem que o armazenamento está deixando de ser uma aposta para se tornar uma infraestrutura estratégica, fundamental para garantir segurança energética, integração das renováveis e modernização do sistema elétrico brasileiro.
- Mudanças Climáticas e COP30 no ENASE 2026: Debate Aborda Mercado de Carbono, Resiliência e Transição Energética
Painel destaca implementação do SBCE, adaptação climática e papel estratégico do setor elétrico na descarbonização da economia
No painel "Mudanças Climáticas e a Operação do Sistema: Legado da COP30 e Próximos Passos", Thiago Barral, Subsecretário de Implementação da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, apresentou um panorama das políticas e marcos regulatórios que vêm sendo estruturados para apoiar a transição energética brasileira.
Agenda Integrada entre Energia e Sustentabilidade
A discussão, moderada por Laiz Hérida (HL Soluções), reuniu Lucas Costamilan (CEBDS), Alexandre Uhlig (Instituto Acende Brasil) e Ricardo Cyrino (Evoltz) para debater os impactos das mudanças climáticas sobre o setor elétrico, a implementação do mercado regulado de carbono e os desafios de construir uma agenda integrada entre energia, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Para os participantes, os compromissos assumidos pelo Brasil exigirão planejamento de longo prazo, coordenação entre diferentes políticas públicas e uma visão cada vez mais estratégica da energia como vetor de competitividade e desenvolvimento.
Agenda Climática como Tema Central
Especialistas destacaram que a agenda climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um tema central de desenvolvimento econômico, industrial, segurança energética e competitividade.
Ao analisar o legado da COP30, os debatedores ressaltaram a importância da regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e da harmonização entre as diversas políticas aprovadas nos últimos anos, como os marcos do hidrogênio de baixo carbono, do combustível do futuro e da abertura do mercado elétrico.
Implementação Coordenada
O consenso do painel foi que o desafio agora não é criar novas leis, mas garantir uma implementação coordenada, capaz de transformar os avanços regulatórios em investimentos, inovação e oportunidades para o país.
Eventos Climáticos Extremos e Infraestrutura
Os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a infraestrutura energética ganharam destaque durante o painel.
Os especialistas lembraram que secas severas, enchentes, ventos extremos e queimadas têm se tornado mais frequentes, exigindo novos investimentos em resiliência, adaptação e gestão de riscos. O debate mostrou que a infraestrutura do futuro já começa a incorporar essas variáveis, mas que também será necessário adequar ativos existentes e aprimorar mecanismos regulatórios para enfrentar uma realidade climática cada vez mais desafiadora.
Adaptação como Condição Essencial
A discussão reforçou que adaptação climática não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma condição essencial para garantir segurança energética, confiabilidade operacional e sustentabilidade econômica no longo prazo.
Papel Estratégico na Descarbonização
Nas considerações finais, Thiago Barral, Lucas Costamilan, Alexandre Uhlig e Ricardo Cyrino reforçaram que o setor elétrico brasileiro tem papel estratégico na descarbonização da economia e na construção de um modelo de desenvolvimento mais resiliente.
Os especialistas destacaram que, mais do que reduzir suas próprias emissões, o setor pode impulsionar a transição energética por meio da eletrificação da indústria, dos transportes e de novas cadeias produtivas associadas à energia limpa. Também defenderam avanços em planejamento, gestão de riscos, adaptação climática e sinalização econômica para ampliar a competitividade do país em um cenário global cada vez mais desafiador.
Harmonização Regulatória
O debate reforçou ainda a importância de harmonizar os diversos marcos regulatórios em implementação, incluindo o mercado de carbono, os programas de combustíveis de baixo carbono e a modernização do setor elétrico, para garantir segurança jurídica e atrair investimentos.
Potencial em Ações Concretas
A avaliação dos participantes foi que o Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética global, mas precisará transformar seu potencial em ações concretas, com visão integrada, planejamento de longo prazo e capacidade de execução.
- Resposta da Demanda no ENASE 2026: Debate Aborda Flexibilidade, Segurança Energética e Déficit de Potência
Painel destaca papel estratégico dos consumidores, agregadores e tecnologias digitais na modernização do setor elétrico brasileiro
O painel "RESPOSTA DA DEMANDA - Como combater o déficit de potência e reforçar a segurança energética?" reuniu Lorena Borges (LB Energy Advisory), Gustavo Ponte (EPE), Camilo Reis (AXIA Energia), Gustavo Checcuchi (Braskem/ABRACE) e Tatiane Moraes Pestana Cortes (ONS) para discutir um dos temas mais relevantes para o futuro do setor elétrico brasileiro: a flexibilidade do sistema.
Flexibilidade como Novo Desafio
Os participantes destacaram que o desafio energético do país não está mais apenas na expansão da oferta de energia, mas também na capacidade de atender às rápidas variações de carga ao longo do dia. Com o crescimento das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, a operação do sistema exige instrumentos capazes de equilibrar geração e consumo de forma cada vez mais dinâmica.
Nesse contexto, a resposta da demanda foi apontada como uma ferramenta estratégica para reforçar a segurança energética, reduzir custos e ampliar a eficiência do SIN. A possibilidade de consumidores ajustarem seu consumo em momentos específicos pode contribuir para reduzir a necessidade de investimentos mais caros em geração de ponta e infraestrutura adicional.
Flexibilidade como Ativo Estratégico
O consenso do painel foi que a flexibilidade passará a ser um dos principais ativos do setor elétrico nos próximos anos, exigindo novas soluções regulatórias, tecnológicas e de mercado para ampliar a participação dos consumidores na operação do sistema.
Consumidor como Recurso Operacional
Os especialistas defenderam uma mudança de visão sobre o papel do consumidor no setor elétrico.
Tradicionalmente, quando surgem desafios de suprimento ou necessidade de capacidade adicional, a principal resposta do mercado costuma ser a expansão da oferta por meio de novas usinas ou investimentos em infraestrutura. Os debatedores argumentaram que existe uma alternativa complementar e muitas vezes mais econômica: utilizar a flexibilidade do consumo como recurso operacional.
Redução de Picos e Equilíbrio do Sistema
A discussão mostrou que a resposta da demanda pode contribuir tanto para reduzir picos de carga quanto para enfrentar os desafios trazidos pela crescente participação das fontes renováveis na matriz elétrica. Ao deslocar ou reduzir o consumo em horários específicos, consumidores industriais, comerciais e futuramente até residenciais podem ajudar a equilibrar o sistema e diminuir custos para toda a cadeia.
Os participantes também destacaram que experiências internacionais demonstram o potencial desse modelo quando associado a sinais econômicos adequados e mecanismos capazes de remunerar corretamente a flexibilidade oferecida pelos consumidores.
Papel dos Agregadores
O papel dos agregadores foi um dos temas centrais do painel.
Os especialistas destacaram que a ampliação da resposta da demanda dependerá da capacidade de integrar consumidores de diferentes portes ao mercado de flexibilidade. Nesse cenário, os agregadores surgem como agentes fundamentais para reunir pequenas cargas, coordenar ofertas e representar consumidores perante os operadores do sistema.
Recursos Distribuídos e Tecnologias Digitais
A discussão mostrou que essa atuação será especialmente importante à medida que o mercado passa a incorporar recursos distribuídos, como geração distribuída, baterias, veículos elétricos e consumidores conectados por meio de tecnologias digitais. Com isso, será possível ampliar significativamente o universo de participantes aptos a contribuir para a segurança da operação.
Os debatedores ressaltaram ainda que tecnologias como medidores inteligentes, plataformas digitais, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial terão papel decisivo para viabilizar essa transformação, aumentando a confiabilidade das informações e permitindo respostas cada vez mais rápidas e precisas às necessidades do sistema elétrico.
Desafios para Aproveitamento Pleno
Os participantes destacaram que o potencial da resposta da demanda no Brasil ainda está longe de ser plenamente aproveitado.
Entre os principais desafios apontados estiveram a evolução dos modelos de linha de base, o aprimoramento dos sinais econômicos e a criação de novos produtos que permitam ampliar a participação dos consumidores. A avaliação dos especialistas foi de que muitos agentes possuem capacidade de flexibilizar seu consumo, mas ainda encontram barreiras regulatórias, operacionais e econômicas para transformar essa flexibilidade em um serviço efetivamente valorizado pelo sistema.
Integração e Digitalização
Outro ponto de destaque foi a necessidade de fortalecer a integração entre operadores, distribuidoras, agregadores e consumidores, criando mecanismos que ampliem a previsibilidade e a confiança dos agentes envolvidos. A qualidade dos dados, a evolução das metodologias de medição e a digitalização dos processos também foram apontadas como fatores essenciais para garantir a expansão desse mercado.
Os debatedores reforçaram que a resposta da demanda não deve ser vista apenas como uma ferramenta emergencial para períodos de escassez, mas como um componente permanente da modernização do setor elétrico brasileiro.
Flexibilidade como Pilar da Segurança Energética
Nas considerações finais, Lorena Borges, Gustavo Ponte, Camilo Reis, Gustavo Checcuchi e Tatiane Moraes Pestana Cortes convergiram em uma mensagem clara: a flexibilidade será um dos pilares da segurança energética brasileira nas próximas décadas.
Os participantes defenderam que o setor precisa avançar na construção de um ambiente capaz de estimular a participação ativa dos consumidores, criando mecanismos que valorizem economicamente a redução ou o deslocamento do consumo em momentos estratégicos para o sistema. Entre os fatores considerados essenciais para destravar esse potencial estão o aprimoramento da linha de base, a ampliação da disponibilidade e qualidade dos dados, a criação de novos produtos para diferentes perfis de consumidores e o fortalecimento dos sinais de preço.
Operação Colaborativa e Descentralizada
Também foi destacada a importância de incorporar novos agentes e tecnologias ao processo, incluindo agregadores, recursos energéticos distribuídos, plataformas digitais, inteligência artificial e sistemas de armazenamento. Para os especialistas, o futuro da operação elétrica será cada vez mais colaborativo, conectado e descentralizado.
O consenso do painel foi que a resposta da demanda está deixando de ser uma alternativa complementar para se tornar um recurso estratégico, capaz de contribuir para a confiabilidade do sistema, reduzir custos e apoiar a transição energética brasileira.
- Recuperação Energética e Resíduos no ENASE 2026: Debate Aborda Biogás, Biometano e Waste-to-Energy
Painel destaca aproveitamento energético de resíduos urbanos como oportunidade para segurança energética, descarbonização e economia circular
O aproveitamento energético dos resíduos urbanos foi apontado como uma das oportunidades mais promissoras para conciliar segurança energética, desenvolvimento sustentável e gestão ambiental no Brasil. Durante o painel "Recuperação Energética e Resíduos", mediado por Hélène Plaisance (EREN), os painelistas Heloisa Borges (EPE), Yuri Schmitke (ABREN) e Francisco Olivati (Interunion) discutiram como transformar um dos maiores desafios das cidades em uma fonte confiável de energia.
Resíduos como Fonte de Energia Firme
Os especialistas destacaram que o país gera diariamente milhares de toneladas de resíduos sólidos urbanos, que ainda têm destinação inadequada em muitas regiões. Nesse contexto, tecnologias como biogás, biometano e Waste-to-Energy (WtE) surgem como alternativas capazes de reduzir impactos ambientais, gerar energia firme e contribuir para a descarbonização da economia. O debate também ressaltou a importância da integração entre políticas energéticas, ambientais e urbanas para que o potencial dos resíduos seja plenamente aproveitado.
Energia Firme e Previsível
A capacidade dos resíduos urbanos de fornecer energia firme e previsível foi um dos destaques do painel. Em um cenário de crescente eletrificação da economia e expansão das fontes renováveis intermitentes, os especialistas defenderam que tecnologias como biogás, biometano e Waste-to-Energy (WtE) podem desempenhar papel estratégico para garantir confiabilidade ao sistema energético brasileiro.
Aproveitamento em Múltiplos Setores
Além da geração de eletricidade, essas soluções permitem o aproveitamento energético dos resíduos em diferentes setores, como transporte, indústria e agronegócio. Os debatedores ressaltaram que o Brasil possui um potencial expressivo ainda pouco explorado e que a valorização dos atributos ambientais dessas fontes será essencial para ampliar sua competitividade e acelerar sua inserção na matriz energética nacional.
Viabilidade Econômica e Benefícios Múltiplos
A viabilidade econômica dos projetos foi apontada como um dos fatores centrais para a expansão da recuperação energética no Brasil. Durante o debate, os especialistas destacaram que esses empreendimentos entregam benefícios que vão muito além da energia gerada, incluindo redução das emissões de metano, destinação ambientalmente adequada dos resíduos, geração de empregos e melhoria das condições sanitárias dos municípios.
Mecanismos Regulatórios e Financiamento
Os painelistas defenderam a criação de mecanismos regulatórios e de mercado capazes de reconhecer e monetizar esses atributos ambientais e sociais. A segurança jurídica, a previsibilidade regulatória e modelos de financiamento de longo prazo também foram apontados como elementos fundamentais para atrair investimentos e viabilizar projetos de maior escala em todo o país.
Agenda Integrada para Desenvolvimento Sustentável
Encerrando o painel, os participantes reforçaram que o aproveitamento energético dos resíduos deve ser encarado como uma agenda integrada, que reúne desenvolvimento econômico, gestão ambiental, planejamento urbano e segurança energética. O Brasil possui grande disponibilidade de resíduos urbanos e agroindustriais, além de demanda crescente por soluções capazes de fornecer energia firme e reduzir emissões.
Economia Circular e Transição Energética
Com mediação de Hélène Plaisance (EREN) e participação de Heloisa Borges (EPE), Yuri Schmitke (ABREN) e Francisco Olivati (Interunion), o debate destacou que transformar resíduos em energia significa também gerar valor econômico, promover a economia circular e contribuir para uma transição energética mais eficiente e sustentável. Os especialistas defenderam que o avanço dessa agenda dependerá da combinação entre inovação tecnológica, educação ambiental, regulação adequada e cooperação entre os setores público e privado.
- Transformação Digital do Setor Elétrico no ENASE 2026: Debate Aborda Redes Inteligentes, Gêmeos Digitais e Tecnologias Emergentes
Painel destaca modernização das redes, análise de dados, inteligência artificial e colaboração entre agentes para viabilizar transição energética
No ENASE 2026, o painel "Transformação Digital do Setor Elétrico: Redes Inteligentes, Gêmeos Digitais e Tecnologias Emergentes", mediado por Maria Tereza Vellano, Consultora de Smart Grid e Transformação Digital - Vellano Smart Energy Consultoria, e com participação de Ricardo Brandão (Diretor Executivo de Regulação - ABRADEE), João Carlos de Souza Marques (Head de Digital Grid - Schneider Electric), Guilherme Sanz (Head da Siemens Power Academy Brazil - Siemens) e Zilda Costa (VP - ABGD), discutiu os caminhos para acelerar a modernização das redes elétricas brasileiras.
Digitalização como Realidade
Durante o debate, os especialistas destacaram que a transformação digital já é uma realidade no setor, com tecnologias como smart grids, IoT, automação e análise de dados contribuindo para redes mais eficientes, inteligentes e preparadas para os desafios de um sistema elétrico cada vez mais descentralizado.
O avanço, porém, depende de uma atuação coordenada entre empresas, reguladores, fornecedores e governo, garantindo investimentos, segurança regulatória e uma infraestrutura capaz de suportar essa nova era da energia.
Dados como Informações Estratégicas
Os participantes discutiram um dos grandes desafios do setor: transformar a enorme quantidade de dados gerados pelas novas tecnologias em informações estratégicas para a operação das redes.
A implementação de sensores, medidores inteligentes, automação e sistemas de monitoramento em tempo real permite uma gestão mais precisa dos ativos, antecipação de falhas e respostas mais rápidas aos eventos que impactam o fornecimento de energia.
Regulação e Capacitação
O debate reforçou que a tecnologia, sozinha, não é suficiente. É necessário avançar em regulação, modelos de negócio, capacitação profissional e planejamento para que a digitalização aconteça de forma estruturada e gere benefícios para consumidores e empresas.
Gêmeos Digitais e Inteligência Artificial
O painel trouxe reflexões sobre como os gêmeos digitais e a inteligência artificial podem transformar a operação das empresas do setor elétrico.
Os especialistas destacaram que os gêmeos digitais deixam de ser apenas ferramentas de engenharia e passam a atuar como uma plataforma estratégica para integrar informações de ativos, clima, operação, mercado e consumidores, apoiando decisões mais rápidas e eficientes.
Resiliência e Confiabilidade
Com redes mais conectadas e inteligentes, o setor ganha capacidade de prever problemas, otimizar a manutenção e aumentar a confiabilidade do fornecimento, fortalecendo a resiliência necessária diante dos novos desafios energéticos e climáticos.
Digitalização como Pilar da Transição Energética
A discussão mostrou que uma rede elétrica moderna precisa ser mais resiliente, conectada e capaz de integrar novas fontes de energia, geração distribuída, armazenamento e novas demandas dos consumidores.
Os participantes reforçaram que o futuro do setor depende da colaboração entre todos os agentes, da evolução regulatória e de investimentos contínuos em tecnologia para construir um sistema elétrico mais seguro, eficiente e preparado para os próximos desafios.
- Encerramento do ENASE 2026: Evento Consolida Aprendizados e Reforça Urgência de Decisões Concretas para o Futuro Energético
Wrap-up destaca oportunidades estruturais, desafios regulatórios e necessidade de planejamento integrado para liderar transição energética
O encerramento do ENASE consolidou os principais aprendizados de dois dias de debates sobre os caminhos do setor energético brasileiro, reunindo reflexões sobre expansão, modernização, regulação e os desafios para transformar oportunidades em decisões concretas.
Brasil Pronto para Liderar Transição Energética
A síntese das discussões reforçou uma mensagem central: o Brasil tem recursos, tecnologia e capital para liderar a próxima fase da transição energética, mas precisa avançar em segurança regulatória, planejamento e velocidade de implementação. O mercado já se movimenta em ritmo acelerado, enquanto a regulação precisa acompanhar essa transformação para garantir competitividade e sustentabilidade.
Data Centers e Novas Demandas Estratégicas
Entre os temas destacados esteve o papel estratégico de novas demandas, como os data centers, que representam uma oportunidade estrutural para o país, mas exigem antecipação de infraestrutura, sinalização adequada e planejamento integrado. Também ganhou espaço o debate sobre inteligência artificial, eficiência energética e o desafio de equilibrar inovação com aumento da demanda por energia.
Pontos Críticos e Soluções Necessárias
Durante o wrap-up de encerramento, foram destacados pontos críticos discutidos ao longo do evento, como a necessidade de aprimorar sinais de preço, modernizar modelos de operação, endereçar os impactos da geração distribuída e acelerar soluções como resposta da demanda, agregadores e maior integração entre agentes.
Janela de Oportunidade Aberta
Com a participação de Amanda Fernandes, Head de Estudos Econômicos (Transmissão e Distribuição) - PSR, e Camila Ramos, CEO e Fundadora - CELA, o fechamento do ENASE reforçou que a janela de oportunidade está aberta — e que o próximo passo depende de decisões capazes de transformar os debates realizados em avanços concretos para o futuro energético do Brasil.
- Principais Mensagens do Encerramento
Recursos e Capacidade
- Brasil possui recursos naturais, tecnologia e capital disponível
- Necessidade de transformar potencial em ações concretas
Regulação e Planejamento
- Urgência de segurança regulatória e velocidade de implementação
- Mercado avança rapidamente; regulação precisa acompanhar
Novas Demandas
- Data centers como oportunidade estrutural
- Inteligência artificial e eficiência energética como desafios emergentes
Modernização Operacional
- Aprimoramento de sinais de preço
- Modernização de modelos de operação
- Resposta da demanda e agregadores como soluções estratégicas
Integração e Colaboração
- Maior integração entre agentes do setor
- Planejamento integrado como requisito essencial
Fonte: CanalEnergia