Edvaldo Santana – Diretor executivo da NEAL, Negócios de Energia Associados
Alguns números-críticos:
- Hoje, às 8h10, aconteceu como em todo feriado. Com um detalhe inédito, mas esperado: para uma carga de 66,2 GW, a solar já produzia um montante superior ao das hidros, ou seja, 26 GW contra 25 GW. Isso nunca aconteceu antes das 10 horas.
- Duas horas depois, a solar, com 31 GW, mas um crescimento bem menor que nos dois dias anteriores, já supria mais de 45% da carga total (que era 1 GW menor), um feito também pouco visto em todo mundo.
- Ontem, no mesmo horário, a solar já gerava 35 GW. O senhor das chuvas, ganhou a parada que disputou com Apolo, o senhor da luz, o que foi bom para a segurança do sistema.
- Hoje, às 11h20 a solar gerava 33 GW, correspondente a 48% da demanda. No dia 30/12, nesse horário, a solar produziu 40 GW. Se esse número tivesse se repetido, 65% da carga seriam atendidos só pela solar.
- Como os 40 GW (ou até mais) ocorrerão com certa frequência, é esse o fator que merece toda atenção nos feriados, coisa que o ONS já tem feito.
- Observe que repetida a carga de hoje às 11h20 (67 GW), com a solar em 40 GW, as hidros gerariam no máximo 20 GW, dada a inflexibilidade das UTEs e a produção das nucleares.
- Veja esse detalhe: hoje, às 5h10 as hidros produziam 54,5 GW, que caiu para 24,3 GW às 8h10. Talvez tenha sido a maior rampa negativa de todos os tempos: 30 GW em três horas. No gráfico esse efeito é chocante.
- Por fim, desde meados dos anos 1980 as hidros não geram tão pouco. Apenas 24 GW no período úmido é evento inédito, mas, nos feriados, será o padrão de agora em diante, como se o setor estivesse de ponta-cabeça. Mas não está.
Feliz 2026 minha gente!