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A Lacuna Regulatória dos BESS Embarcados: Entre a Inovação Tecnológica e a Fragmentação Normativa

21/7/2026

1 Cesar Sobral

2 Mauricio Moszkowicz

3 Henrique Reis

4 João Vieira

A transição energética global tem acelerado o desenvolvimento de soluções de armazenamento de energia capazes de ampliar a flexibilidade, a resiliência e a eficiência dos sistemas elétricos. Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias (Battery Energy Storage Systems – BESS) embarcados, flutuantes, móveis ou transportáveis surgem como uma das fronteiras tecnológicas mais relevantes da atualidade. Seja em embarcações, barcaças, plataformas flutuantes, unidades containerizadas ou sistemas móveis terrestres, essas soluções vêm assumindo um papel estratégico na eletrificação portuária, integração de fontes renováveis, prestação de serviços ancilares e expansão da infraestrutura energética em áreas remotas ou críticas.

Portanto, a viabilidade dos BESS embarcados parece residir menos em rupturas legislativas e mais em uma abordagem funcional e incremental. Trata-se de privilegiar a coordenação normativa e o uso de mecanismos flexíveis, como já observado na experiência internacional, permitindo que a inovação seja integrada de forma experimental e orgânica à arquitetura energética atual.

Paradoxalmente, o avanço tecnológico dessas aplicações não foi acompanhado, na mesma velocidade, pela evolução regulatória. O cenário internacional revela uma evidente lacuna normativa, uma vez que não se identifica, atualmente, um regime jurídico específico e abrangente destinado aos BESS embarcados ou móveis. Isso não impede que sua viabilização decorra da articulação entre diferentes regimes regulatórios já existentes, os quais, ainda que tenham sido concebidos para finalidades distintas ou não tenham considerado expressamente os atributos e as características de BESS embarcados ou móveis, podem ser adaptados para incorporar essas soluções.

Tal fragmentação normativa é, ao mesmo tempo, um sinal da maturidade ainda incipiente do setor e uma demonstração da capacidade adaptativa dos ordenamentos jurídicos contemporâneos. O BESS embarcado pode ser tratado, simultaneamente, como instalação elétrica, infraestrutura portuária, equipamento marítimo, carga perigosa, ativo de armazenamento energético ou recurso de flexibilidade do sistema elétrico. Seu enquadramento jurídico varia conforme a função exercida, o local de operação e a forma de conexão com outros sistemas, de modo que seja necessariamente híbrido, fragmentado ou experimental.

No ambiente marítimo, por exemplo, a disciplina regulatória decorre principalmente da aplicação indireta de instrumentos desenvolvidos no âmbito da International Maritime Organization, como a Convenção SOLAS e os códigos internacionais de transporte de cargas perigosas. Embora tais instrumentos não tenham sido concebidos especificamente para sistemas de armazenamento em larga escala, acabam funcionando como uma referência obrigatória para questões relacionadas à segurança operacional, prevenção de incêndios e integridade das embarcações.

Ao mesmo tempo, a ausência de normas internacionais específicas levou os padrões técnicos a assumirem um protagonismo regulatório. Standards desenvolvidos por organizações como a International Electrotechnical Commission, o Institute of Electrical and Electronics Engineers e a International Organization for Standardization passaram a exercer uma função quase normativa, especialmente em temas relacionados à segurança de baterias de íon-lítio, interoperabilidade, sistemas elétricos embarcados e conexão navio-terra (shore-side electricity).

Essa realidade evidencia um fenômeno cada vez mais presente na transição energética: a substituição parcial da regulação clássica por mecanismos de governança técnica. Em muitos casos, não é a existência de uma lei específica que assegura a viabilidade do projeto, mas sim a demonstração de conformidade com padrões técnicos reconhecidos internacionalmente. Assim, o centro da segurança jurídica desloca-se da norma estatal formal para a capacidade de integração entre certificações técnicas, exigências operacionais e licenciamento multissetorial.

No entanto, essa solução pragmática possui limitações relevantes. A dependência excessiva de standards técnicos e instrumentos de soft law pode gerar insegurança jurídica, especialmente em projetos inovadores que envolvam múltiplas funções simultâneas. Situações como ship-to-ship charging, vessel-to-grid, armazenamento móvel conectado temporariamente à rede ou plataformas híbridas flutuantes ainda operam em zonas regulatórias cinzentas, nas quais as competências institucionais se sobrepõem sem critérios claros de coordenação.

Destaca-se que a experiência internacional demonstra que os países mais avançados no uso de BESS embarcados não necessariamente criaram marcos regulatórios específicos, mas desenvolveram mecanismos administrativos flexíveis capazes de acomodar a inovação. Projetos implementados no Reino Unido, nos Países Baixos e em diferentes iniciativas europeias mostram que a ausência de norma específica não impede a implantação tecnológica, desde que haja uma capacidade institucional de interpretação funcional dos regimes existentes.

Entretanto, essa lógica possui um limite. À medida que os sistemas de armazenamento deixam de ser soluções experimentais e passam a desempenhar funções estruturais no setor elétrico, torna-se inevitável enfrentar questões regulatórias mais complexas, especialmente relacionadas à remuneração de serviços ancilares, à definição da natureza jurídica e do regime de outorga do armazenamento, à incidência tarifária, aos critérios de conexão e acesso à rede e à responsabilidade operacional.

No Brasil, essa discussão assume uma importância estratégica. O país possui condições particularmente favoráveis para o desenvolvimento de aplicações móveis e embarcadas de armazenamento, seja em razão de sua extensa infraestrutura hidroviária e portuária, seja pela necessidade de atendimento energético em regiões isoladas, sistemas críticos e operações logísticas descentralizadas. Apesar disso, de modo análogo ao que se verifica no cenário internacional, o ordenamento brasileiro ainda não dispõe de disciplina específica para a viabilização da implantação de BESS embarcados ou móveis com a devida segurança jurídica e regulatória.

Contudo, em 2026, essa discussão ganhou um novo patamar regulatório no País. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em 2 de junho de 2026, o primeiro marco regulatório aplicável aos sistemas de armazenamento de energia, concluindo o primeiro ciclo de normatização no âmbito da Consulta Pública nº 39/2023 e estabelecendo requisitos e procedimentos para a outorga de autorização dos Sistemas de Armazenamento de Energia (SAEs).

O avanço é institucionalmente relevante, pois deixa de tratar o armazenamento apenas como um tema prospectivo e passa a inseri-lo, de forma estruturada, na arquitetura regulatória do Setor Elétrico Brasileiro (SEB). Ao mesmo tempo, a solução aprovada confirma que as dificuldades classificatórias persistem, já que a disciplina do armazenamento continua a exigir diferenciações conforme a forma de operação do ativo, seu grau de coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e sua posição funcional entre consumo, injeção e prestação de serviços ao sistema.

Além da criação de um regime de outorga próprio, a deliberação da ANEEL enfrentou um dos pontos mais sensíveis para a inserção econômica do armazenamento: a tarifação pelo uso da rede. O desenho aprovado adotou uma solução intermediária, distinguindo, de um lado, os sistemas autônomos submetidos ao despacho integral do ONS — para os quais a incidência tarifária tende a recair apenas sobre a injeção — e, de outro, os sistemas com operação livre, que permanecem sujeitos a um tratamento mais oneroso, com a contratação de demanda de injeção e consumo e tarifação nos dois sentidos.

Além da criação de um regime de outorga próprio, a deliberação da ANEEL enfrentou um dos pontos mais sensíveis para a inserção econômica do armazenamento: a tarifação pelo uso da rede. O desenho aprovado adotou uma solução intermediária, distinguindo, de um lado, os sistemas autônomos submetidos ao despacho integral do ONS — para os quais a incidência tarifária tende a recair apenas sobre a injeção — e, de outro, os sistemas com operação livre, que permanecem sujeitos a um tratamento mais oneroso, com a contratação de demanda de injeção e consumo e tarifação nos dois sentidos.

O marco, portanto, reduz parte da insegurança jurídica e econômica da tecnologia, mas não elimina a complexidade regulatória. Em especial, permanecem abertas questões decisivas para ativos móveis ou embarcados, cuja mobilidade, conexão temporária, multifuncionalidade e eventual inserção em ambientes portuários ou aquaviários desafiam a lógica regulatória, ainda fortemente ancorada em ativos fixos, ponto de conexão estável e alocação funcional rígida.

Esse movimento regulatório foi imediatamente complementado, no plano de política pública setorial, pela publicação da Portaria Normativa MME nº 136/2026, que estabeleceu as diretrizes e a sistemática dos primeiros Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência, destinados a novos SAEs em baterias. A Portaria institucionalizou dois certames distintos, ambos previstos para dezembro de 2026: o LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional, voltado a sistemas que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização nos termos do Sistema-CFI do BNDES, e o LRCAP de 2026 – Armazenamento, de caráter geral e aberto aos demais projetos. O desenho adotado é relevante não apenas por inaugurar a contratação competitiva de potência a partir de baterias no Brasil, mas também por sinalizar uma opção de política pública, quais seja, a incorporação do armazenamento à expansão do sistema, com ênfase simultânea em segurança operativa, flexibilidade e desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.

Em complemento, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou, em junho de 2026, as instruções para o cadastramento e a habilitação técnica de SAEs, passando a reconhecer expressamente a possibilidade de sua implantação em Porto Organizado e em Terminal de Uso Privado (TUP), com exigências documentais específicas para comprovação do direito de uso ou disposição da área. Trata-se de um avanço importante, pois sinaliza, no plano procedimental, que a administração setorial passou a admitir a viabilidade de BESS implantados em contextos portuários e, até mesmo, em estruturas associadas a instalações sobre a água, ainda que isso não equivalha, por si só, à construção de um regime regulatório completo para ativos embarcados ou móveis.

Nota-se que a própria Portaria de diretrizes do LRCAP evidencia os limites do avanço normativo quando confrontado com aplicações não convencionais. Embora a disciplina do LRCAP represente um marco decisivo para a contratação de BESS em larga escala, seu desenho foi pensado sobretudo para sistemas estacionários, novos, com parâmetros técnicos definidos, conexão estruturada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e prestação de disponibilidade de potência em moldes padronizados. As regras do certame introduzem, sob razoáveis fundamentos, uma bonificação de localização, via desconto percentual no preço de lance, para projetos que indiquem conexão em pontos do SIN listados previamente em anexo da própria Portaria, sendo vedada a sua alteração após o Leilão para pontos que possam alterar a elegibilidade à referida bonificação.

Em outras palavras, houve um avanço regulatório importante para o armazenamento como infraestrutura setorial, mas não necessariamente para todas as suas manifestações tecnológicas. Soluções móveis, embarcadas, flutuantes, temporárias ou logisticamente integradas a instalações portuárias continuam demandando enquadramentos complementares, inclusive quanto à natureza do ativo, ao regime de conexão, ao uso da rede, à interface com a regulação portuária e à compatibilização com exigências de segurança e licenciamento.

Nesse contexto, a principal lição da experiência internacional talvez seja precisamente a necessidade de evitar soluções regulatórias excessivamente rígidas ou prematuras, considerando que o desenvolvimento tecnológico dos BESS ocorre em velocidade superior à capacidade tradicional de produção normativa. Assim, a criação de categorias jurídicas estanques antes da consolidação tecnológica pode gerar efeitos contraproducentes, reduzindo flexibilidade e limitando modelos inovadores de negócio.

O desafio regulatório, portanto, já não consiste em um cenário de absoluta ausência normativa, mas em saber se os avanços recentes serão suficientes para acomodar, de forma coerente, as soluções que escapam ao paradigma do armazenamento estacionário convencional. A ANEEL aprovou um primeiro marco regulatório para o armazenamento, o MME estruturou os primeiros leilões específicos para contratação de potência a partir de baterias e a EPE passou a contemplar, em suas instruções de habilitação técnica, hipóteses de implantação em Porto Organizado e em TUP, movimentos que demonstram inequívoca evolução institucional.

Ainda assim, ativos móveis e embarcados continuam a desafiar pressupostos básicos do SEB, como ponto de conexão fixo, CUST/MUST permanentes, territorialidade da outorga e clara separação entre infraestrutura elétrica, instalação portuária e ativo logístico. O futuro dessas tecnologias dependerá menos da existência de uma norma nominalmente dedicada aos “BESS embarcados” e mais da capacidade do Estado de articular, de forma funcional, a regulação elétrica, portuária, ambiental e marítima, adaptando instrumentos já existentes para uma realidade marcada por mobilidade, temporariedade e integração multissetorial.

A lacuna regulatória existente não representa apenas uma deficiência normativa, sendo, em certa medida, o reflexo da própria transformação estrutural do setor energético contemporâneo. Os BESS embarcados revelam que as fronteiras tradicionais entre geração, consumo, transporte, logística e infraestrutura vêm se tornando progressivamente difusas. O ordenamento jurídico ainda opera com categorias herdadas de um sistema energético do Século XX, enquanto a inovação tecnológica já constrói, na prática, a arquitetura energética do Século XXI. Deste modo, o sucesso regulatório brasileiro dependerá da capacidade de reconhecer essa transformação sem sufocar a inovação.

Os avanços recentes mostram que o país superou a fase de completa lacuna normativa e regulatória. Já existe um marco legal e um primeiro marco regulatório do armazenamento aprovado pela ANEEL, complementado por diretrizes ministeriais para contratação de baterias em mecanismo centralizada, com sinais procedimentais explícitos de abertura da EPE para projetos em contextos portuários e aquaviários.

Porém, esses marcos, embora relevantes, ainda não resolvem integralmente as especificidades dos BESS embarcados, móveis ou multifuncionais. Mais do que estabelecer novas proibições ou categorias excessivamente fechadas, será necessário desenvolver uma regulação flexível, tecnologicamente neutra e funcionalmente orientada, capaz de garantir segurança operacional e jurídica sem impedir a evolução de soluções que podem desempenhar um papel decisivo na transição energética nacional.

O risco apontado aqui, portanto, não está na ausência de norma específica, mas na falta de coordenação institucional mínima e de instrumentos que permitam o aprendizado regulatório, já que uma regulação excessivamente rígida ou prematura pode ser tão problemática quanto a carência de diretrizes.

Este artigo foi elaborado no âmbito de Projeto de PD&I nº 16277-2601/2026, do Programa da Aneel com apoio da Karpowership Brasil Energia.

Fonte: CanalEnergia by Informa | GESEL – Grupo de Estudos do Setor Elétrico

FRAGMENTOS EXTRÁIDOS DO ENERGY SOLUÇÕES SHOW – 22 e 23/04/2026

5/5/2026

São Paulo, 22 de abril de 2026 – O primeiro dia do Energy Solutions Show 2026 consolidou um novo eixo de discussão no setor elétrico: mais do que a abertura do mercado livre, o foco passou a ser a reorganização estrutural do modelo, a pressão crescente de custos e a necessidade de gestão de riscos por parte dos consumidores empresariais.

Realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, o evento reuniu executivos, especialistas e representantes de associações para discutir os desafios de operar em um ambiente mais aberto, porém mais complexo, em que energia se torna variável estratégica para a competitividade das empresas.

- Reforma do setor e aumento de encargos entram no centro do debate

No painel sobre reforma do setor elétrico, especialistas apontaram a necessidade de uma reestruturação ampla para corrigir distorções e redistribuir custos do sistema.

Helder Sousa, diretor de Regulação e Mercado da TR Soluções, afirmou que os reajustes tarifários devem ficar em média em 15,5% em 2026, pressionados principalmente pelo aumento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), da Tarifa Social, da geração termelétrica, nuclear e da expansão da reserva de capacidade. Segundo ele, apenas os custos ligados à contratação de potência podem adicionar cerca de R$ 13 bilhões ao sistema já no próximo ano.

“O consumidor está começando a perceber que a energia não vai ficar mais barata. A tendência é de aumento de custos e maior complexidade tarifária”, afirmou.

Ao longo da discussão, ganhou força a avaliação de que o modelo atual se tornou mais fragmentado, concentrando encargos em uma parcela menor de consumidores.

Luiz Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, destacou a necessidade de convergência entre os diferentes agentes do setor para viabilizar uma reforma mais ampla.

“Não se consegue fazer uma reforma se não tiver todo mundo sentado em volta da mesa. Cada grupo tem seus interesses e, enquanto não houver um pacto, vamos continuar empurrando os problemas”, afirmou.

Mario Menel, presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE), reforçou que 2026 representa uma janela importante para estruturar mudanças que possam ser implementadas a partir de 2027.

“A gente precisa preparar agora uma agenda para implementar a partir de janeiro de 2027. Não podemos perder essa janela”, disse.

- Curtailment e excesso de oferta pressionam decisões do consumidor

A discussão sobre competitividade trouxe um alerta relevante para consumidores industriais: o Brasil convive hoje com um cenário de sobreoferta de energia em relação à demanda, o que amplia a necessidade de cortes de geração.

Paulo Pedrosa, presidente executivo da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE), destacou que esse contexto exige atenção redobrada na tomada de decisão.

“A nossa grande oportunidade como país é fazer energia limpa e renovável. Se tivermos capacidade de industrializar, o Brasil pode produzir de forma muito competitiva”, afirmou.

Segundo ele, o cenário atual impõe a necessidade de considerar o curtailment em qualquer estratégia de contratação.

“Hoje temos mais oferta de energia do que consumo. Se não corta, o sistema pendura. O curtailment tem que ser gerenciado e precificado em qualquer opção de mercado”, disse.

- Mercado livre avança, mas exige maior preparo das empresas

Nos debates sobre mercado livre, o consenso foi de que a migração já é realidade, mas ainda ocorre com assimetrias de informação e preparo.

No painel moderado por Adriana Luz, professora do IBMEC, participantes reforçaram que a decisão de contratação exige coerência entre estratégia, perfil de consumo e capacidade de gestão.

Edvaldo Santana, CEO da Neal, destacou que a falta de planejamento pode comprometer resultados e expor empresas a riscos contratuais e operacionais.

A flexibilidade do mercado livre segue como vantagem, mas exige estrutura técnica para lidar com volatilidade, contratos e gestão de portfólio.

- Segurança energética e riscos globais entram na agenda empresarial

O debate também avançou sobre segurança energética, ampliando a discussão para fatores externos que impactam diretamente o fornecimento e os custos de energia.

Elisa Bastos Silva, diretora de Assuntos Corporativos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), destacou que a confiabilidade do sistema depende de planejamento e coordenação entre agentes, em um cenário impactado por eventos climáticos e mudanças no perfil de consumo.

Os participantes também citaram riscos associados a conflitos geopolíticos e seus efeitos sobre combustíveis como gás natural e diesel, com impacto direto na geração de energia elétrica.

- Energia se consolida como variável estratégica para o negócio

Ao longo do dia, ficou evidente que a energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser um elemento central na estratégia das empresas.

A exposição a riscos, a pressão de encargos e a complexidade regulatória exigem maior governança interna, acesso à informação qualificada e suporte especializado.

Sem essa estrutura, empresas podem enfrentar impactos diretos na operação, na margem e na competitividade.

Energy Solutions Show 2026 encerra edição com foco em reforma estrutural, gestão de riscos e novo papel do consumidor

São Paulo, 23 de abril de 2026 – O segundo e último dia do Energy Solutions Show 2026 consolidou um novo eixo de discussão no setor elétrico: mais do que a abertura do mercado livre, o foco passou a ser a reorganização estrutural do modelo, a pressão crescente de custos e a necessidade de gestão de riscos por parte dos consumidores empresariais.

Realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, o evento reuniu executivos, especialistas e representantes de associações para discutir os desafios de operar em um ambiente mais aberto, porém mais complexo, em que energia se torna variável estratégica para a competitividade das empresas.

- Reforma estrutural e pressão de custos

Ao longo dos dois dias de programação, representantes do setor destacaram que o avanço da abertura de mercado trouxe ganhos importantes, mas também expôs distorções estruturais, especialmente relacionadas à formação de preços, encargos e sinais econômicos. A necessidade de uma reforma mais ampla do modelo elétrico foi apontada como essencial para garantir previsibilidade, eficiência e equilíbrio entre os agentes.

Outro ponto recorrente foi o aumento da pressão de custos sobre os consumidores, impulsionado por encargos setoriais, volatilidade de preços e mudanças regulatórias. Nesse contexto, a gestão de energia deixa de ser operacional e passa a ocupar espaço nas decisões estratégicas das empresas, com impacto direto na competitividade e na sustentabilidade dos negócios.

- Contratação mais complexa e gestão de riscos

Os debates também evidenciaram a crescente complexidade na contratação de energia, com maior necessidade de análise de risco, estruturação de contratos e acompanhamento constante do mercado. A combinação entre variáveis técnicas, regulatórias e financeiras reforça a importância de especialização e planejamento de longo prazo.

- Consumidor mais ativo e gestão da demanda

No segundo dia, as discussões avançaram para a operação prática desse novo cenário, com destaque para o papel mais ativo do consumidor e o avanço da gestão da demanda. A capacidade de responder a sinais de preço, ajustar consumo e atuar de forma mais estratégica passa a ser determinante para a eficiência operacional das empresas.

- Tecnologia e armazenamento ganham escala

A volatilidade do mercado livre e a maior exposição a sinais de preço têm levado empresas a revisar contratos e adotar estratégias mais sofisticadas. Nesse ambiente, soluções como sistemas híbridos e armazenamento por baterias (BESS) ganharam relevância como ferramentas para mitigar riscos, ajustar o perfil de consumo e aumentar a previsibilidade.

Especialistas apontaram que, embora a expansão das fontes renováveis tenha reduzido o custo de geração, também aumentou a intermitência e a necessidade de equilíbrio em tempo real, impactando diretamente a estrutura dos contratos e a operação do sistema.

- DSO e a nova lógica operacional do sistema

O segundo dia também destacou a evolução do papel das redes de distribuição, com o avanço do conceito de operador do sistema de distribuição (DSO), que exige maior integração entre dados, ativos e comportamento do consumidor em um ambiente mais descentralizado e digital.

- Encerramento: um setor mais complexo e estratégico

No fechamento, o Energy Solutions Show 2026 consolidou a percepção de que o setor elétrico brasileiro entra em uma nova fase, marcada por maior complexidade, necessidade de coordenação entre agentes e crescente protagonismo do consumidor, que passa a atuar de forma mais estratégica na gestão da energia.

Fonte: ENERGY SOLUÇÕES SHOW – 22 e 23/04/2026

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Fragmentos extraídos do Electra Clipping Ed. 04/2026, de 30/03/2026

4/5/2026

- Aneel terá que se debruçar no tema de falta de liquidez no setor de energia, diz diretor

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) terá que se debruçar nas discussões sobre falta de liquidez no mercado livre de energia brasileiro, em uma atuação que será nova para o regulador, mas importante no contexto de liberalização total do segmento, disse o diretor Gentil Nogueira. Para ele, um sinal importante de que pode realmente haver um problema ⁠de liquidez foi dado pelos consumidores de energia, que lançaram uma manifestação pública sobre o tema.

- Preço de energia sobe com inclusão de usina em modelo e comercializadoras acionam a Aneel

A inclusão de uma pequena usina (Foz da Prata, de 49 MW) nas informações usadas para a operação do sistema elétrico teve forte impacto "altista" sobre o cálculo dos preços para maio, estimado em até R$ 80/MWh. A Abraceel afirma que a medida causou forte distorção dos preços e que já levou o caso à Aneel para que o regulador fiscalize o que teria sido um "descumprimento da governança setorial" por parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

- Justiça manda CCEE manter contratos da Electra após ajustes por falta de garantia

A Electra obteve nova decisão judicial para preservar o registro e a contabilização de seus contratos já existentes na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), após a Câmara fazer ajustes nos registros contratuais em razão do não aporte de garantias financeiras pela empresa. A decisão também suspendeu o processo de desligamento da comercializadora até completar 60 dias do ajuizamento da ação, mas a manteve em Operação Balanceada.

- Grupo de associações alerta para falta de liquidez no mercado de energia e pede flexibilização de regras

Um grupo de associações do setor elétrico emitiu um manifesto afirmando que há um “quadro crítico de restrição de liquidez” que tem exposto agentes e consumidores a penalidades regulatórias e ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mercado de curto prazo. Este mercado é mais volátil e, para essas instituições, foi concebido originalmente para a liquidação residual de desvios contratuais, mas, diante da situação atual, “passa a exercer um papel desproporcional e indevido”. Neste contexto, o grupo sugere o avanço da regulamentação da Lei nº 15.269/25.

- Conta de luz deve subir mais e empurra setor para sustentabilidade

A conta de luz dos brasileiros deve continuar subindo nos próximos anos com a inclusão de novos custos no setor elétrico, o que pode levar a um cenário de insustentabilidade, na avaliação do presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata. Para ele, a Lei 15.269/2025 trouxe avanços importantes, como a criação de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mas não resolveu os principais problemas estruturais e novas despesas já estão sendo incorporadas às tarifas, como os custos dos contratos do leilão de reserva de capacidade.

- Preços de energia apresentam alta de 20%  na BBCE na última semana

O pregão do EHUB, plataforma de negócios da BBCE, encerrou a última semana com elevação nos preços, concentrada principalmente nos contratos mensais e trimestrais com entrega ao longo de 2026. Entre as principais altas, o destaque foi o contrato convencional com entrega no Sudeste com vencimento em maio, que avançou 20,06%, para R$ 240,20/MWh. Para a energia incentivada, maio também apresentou valorização, passando de R$ 229,03/MWh para R$ 269,18/MWh, uma elevação de 17,53%.

-  Aumenta probabilidade de El Niño, que traz mais volatilidade ao setor elétrico

As instituições meteorológicas têm ampliado gradativamente a probabilidade de configuração de um El Niño nos próximos meses. Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial sugeriu “um provável retorno das condições do El Niño já entre maio e julho”, com intensificação nos meses seguintes. O fenômeno climático tem diversos efeitos no Brasil, podendo contribuir para uma volatilidade ainda maior dos preços de energia no segundo semestre.

- Contabilização dupla: para precificar o certo, o incerto e o flexível

A proposta da CP 218/2026 aperfeiçoa o mercado de energia de forma a lidar melhor com os desafios dos desequilíbrios enfrentados no dia a dia. Este desenho de mercado traz mais aderência à realidade operativa do sistema, promovendo uma operação mais eficiente e justa. Ao melhorar o sinal de preço e distribuir melhor os riscos, consolida-se uma estrutura de incentivos mais alinhada aos fundamentos do setor.

- MME pede extensão de suspensão de cobrança de geradores renováveis

O Ministério de Minas e Energia (MME) pediu à Aneel a prorrogação da suspensão dos ressarcimentos financeiros devidos por geradores eólicos e solares aos consumidores pela energia não entregue, após o fim de uma medida cautelar que vigorou por 90 dias até o dia 20 de abril.

- Governo desiste de segurar a conta de luz. Por enquanto

O governo federal chegou a discutir uma medida provisória para viabilizar um empréstimo às distribuidoras de forma a permitir aumentos tarifários menores neste ano, mas o plano não foi adiante e a Aneel decidiu seguir com os reajustes. Os planos vinham sendo criticados por especialistas porque apenas postergariam as cobranças, que depois voltariam às contas dos consumidores com juros.

- Aneel: em 60 dias será feito diagnóstico sobre aumento de geração distribuída sem autorização

O diretor da Aneel, Gentil Nogueira, esclareceu que foi fixado um prazo de 60 dias para a realização um diagnóstico sobre os casos de aumentos de potência elétrica sem a devida autorização nas chamadas minigerações distribuídas e nas situações com maior desvio entre a potência autorizada e a efetivamente injetada na rede elétrica. Além de irregulares, essas mudanças ameaçam a segurança do sistema.

Fonte: Fragmentos extraídos do Electra Clipping  Ed. 04/2026, de 30/03/2026

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FRASE DA SEMANA

4/5/2026

“Em todas as áreas, é saudável de vez em quando colocar um ponto de interrogação nas coisas que você naturalmente aceita como verdadeiro.”

Autor: Bertrand Russel

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Resumo das Notícias de Hoje

30/4/2026

Dia 30 de abril de 2026, quinta-feira

- PODER DE MERCADO (mercado)

A Agência Nacional de Energia Elétrica poderá se debruçar sobre a atual crise do mercado livre de energia. De acordo com o diretor Gentil Nogueira de Sá, essa medida pode se dar pela fiscalização sobre empresas de maior porte. Afinal, uma das atribuições da autarquia está na análise do exercício de poder de mercado.

> Saiba mais na matéria “Aneel poderá fiscalizar denúncias de poder de mercado”: https://bit.ly/4ufaKfq

- LRCAP (expansão)

O diretor, geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse nesta quarta-feira (29/04) que a avaliação do Tribunal de Contas da União sobre o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) não diz respeito à atuação da agência. Feitosa acrescentou que está à disposição da corte. Entretanto, se não tiver nenhum ato do TCU que altere o processo de homologação do resultado, a Aneel vai continuar fazendo seu papel e seguir as etapas do certame.

> Leia mais em “Avaliação do TCU sobre o LRCAP não diz respeito à atuação da Aneel, diz Feitosa”: https://bit.ly/4n1vOU9

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

CCEE não caracteriza cenário atual como uma crise: https://bit.ly/4ek7VVI

O diretor de segurança de mercado da CCEE, Eduardo Rossi, destacou a segurança de mercado como essencial para evolução do setor elétrico brasileiro.

MME abre consulta sobre plano de transição energética: https://bit.ly/4n3f4fq

Proposta inclui um conjunto de ações cujo objetivo é alcançar a neutralidade das emissões em um horizonte de 30 anos.

Neoenergia e GIC fecham novo acordo de R$ 2,4 bi em transmissão: https://bit.ly/3PegN50

Acordo também prevê compra de 1% na Neoenergia Transmissão que ficará com 16 ativos e será uma das cinco maiores do setor.

Solar supera R$ 300 bi, mas expansão perde o fôlego, avalia Absolar: https://bit.ly/4tcGYHj

Investimentos avançam, mas cortes e gargalos de rede desaceleram o setor.”

Fonte: CanalEnergia

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E se a Selic parar de cair? Cautela do Copom mexe com dinâmica de investimentos

30/4/2026

O Copom reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, mas adotou um tom mais cauteloso diante da revisão das expectativas de inflação, da pressão externa sobre o petróleo e da persistência da inflação de serviços. Analistas avaliam que o Banco Central pode interromper os cortes da Selic mais à frente, mesmo com o Boletim Focus projetando juros em 13% ao fim de 2026.

A possibilidade de juros altos por mais tempo afeta diretamente os investimentos. A renda fixa segue mais atrativa, especialmente os ativos pós-fixados, enquanto ações, fundos imobiliários e empresas mais dependentes de crédito barato podem sofrer mais. O cenário favorece carteiras defensivas, com foco em liquidez, preservação de capital e seleção criteriosa de ativos.

O QUE ACONTECE AGORA:

  • Renda fixa deve continuar no centro das carteiras, com destaque para pós-fixados, crédito privado high grade e FICs FIDC bem estruturados.
  • Ações exigem mais seletividade, priorizando empresas com caixa forte, baixa dívida, receitas previsíveis e atuação em setores essenciais.
  • FIIs podem enfrentar maior concorrência da renda fixa, já que o CDI elevado aumenta a exigência de retorno dos investidores.
  • Fundos multimercados podem ganhar relevância, desde que tenham gestão ativa e flexibilidade para operar juros, inflação, câmbio e proteção de carteira.
  • O mercado deve acompanhar de perto o tom dos próximos comunicados do Copom, especialmente sinais sobre inflação, expectativas e risco fiscal.

SAIBA MAIS

Fonte: Desperta | exame, de 30/04/2026

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Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

Soluções no Setor Elétrico

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Nossa equipe

Profissionais especialistas no setor elétrico
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