Portal de Notícias sobre o
‍
Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

22/9/2026

Dia 22 de setembro de 2026 – terça-feira

- RESPOSTA DE DEMANDA

A redução ou o deslocamento voluntário do consumo de energia elétrica por meio do mecanismo de Resposta de Demanda, é de 8,8 GW, no cenário de referência. O potencial, no entanto, pode variar de 5,9 no cenário conservador, a 13,1 GW, no otimista. O cálculo considera apenas a indústria e a cogeração de energia no Brasil. Em 

Continue a leitura na matéria “Potencial de Resposta de Demanda pode variar de 5,9 a 13,1 GW, calcula EPE”: https://tinyurl.com/mwrfxx9v

- TARIFAS DE ENERGIA EM 2026

A Agência Nacional de Energia Elétrica projeta que os reajustes tarifários em 2026 terá efeito médio de 9,4%  em todo o país. Segundo dados da terceira edição do InfoTarifa, o percentual supera consideravelmente as estimativas de inflação para o período, com o IGP-M projetado em 4,4% e o IPCA em 5%.

Leia mais em “Aneel projeta elevação média de 9,4% nas tarifas de energia em 2026”: https://tinyurl.com/3np6yyhy

- CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou que o consumo nacional de energia elétrica registrou crescimento de 2,6% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Saiba mais na notícia “Consumo de energia elétrica cresce 2,6% no 2º trimestre de 2026, aponta EPE”: https://tinyurl.com/226d5rjz

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Total Energies mantém Data Centers no radar: https://tinyurl.com/3ayuf7cn

Petrobras reforça necessidade de expansão em renováveis: https://tinyurl.com/nx9umr7h

Localização e horário do consumo podem proporcionar até 34% de economia na conta de energia: https://tinyuirl.com/3s8vz6vx

Fonte: CanalEnergia

Gostou deste conteúdo?

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE HOJE

21/9/2026

Dia 21 de setembro de 2026 –segunda-feira

CARGA EM SETEMBRO

A revisão semanal do ProgramaMensal de Operação (PMO) de setembro indica um crescimento de 4,9% na carga deenergia para o mês, segundo dados divulgados pelo Operador Nacional o SistemaElétrico (ONS). Isso representa uma estabilidade em relação à previsão dasemana anterior, que projetava um aumento da mesma ordem de grandeza, houve umapequena redução de 9 MW médios entre as duas semanas.

Saiba mais na notícia “Cargadeve encerrar setembro com alta de 4,9%”: https://tinyurl.com/5f4xhryy

AGENDA ESTRATÉGICA DA ABRACEEL

A Abraceel estruturou umaagenda estratégica em três frentes para enfrentar os desafios do mercado livrede energia: segurança do mercado, abertura para baixa tensão e aprimoramentourgente na formação de preços. O vice-presidente da associação, AlessandroCantarino, alertou que a formação de preços está machucando o mercado edefendeu mudanças que possam reduzir riscos e aumentar liquidez nos próximos 12meses.

Leia na matéria “Abraceeldefende mudanças na formação de preços e autorregulação para 2026”: https://tinyurl.com/4b5ek45x

CONCESSÕES DE TRANSMISSÃO

O seguimento de transmissão temquase 170 concessões cujos contratos vencem até 2042. Diante desse cenário, aAssociação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate)defende a manutenção do direito à indenização pelos ativos que não tiverem sidoamortizados ou indenizados ao fim os contratos assinados até 2019.

Continue a leitura em“Concessões de transmissão colocam indenizações em debate”: https://tinyurl.com/454am8hz

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

PNAST viabiliza 30,7 GW em pedidosde acesso em 2026: httpsal://tinyurl.com/u7bsfxrw

Copel solicitará deslistagem daLatibex: https://tinyurl.com/yyyw9j5h

S&P eleva rating de créditoda Light Sesa: https://tinyurl.com/yc73erz7

Fonte: CanalEnergia

Gostou deste conteúdo?

Nove preocupações e uma boa notícia no setor de energia

21/9/2026

O início do próximo governo éuma janela real. Não porque haja solução mágica na gaveta, mas porque pelaprimeira vez existe base compartilhada para agir e as conversas com ascampanhas indicam que o tema não chegará como novidade

Por Paulo Pedrosa

18/09/2026

Artigo do dia

Em julho escrevi nestas páginasque o Brasil tem muita energia para perder tantas oportunidades. Aquele artigonasceu de um episódio — mais uma leva de jabutis aprovada às pressas — e tratoudo sintoma. Quero agora aprofundar os pontos que levantei lá, organizando o queos estudos da Abrace Energia vêm apontando sobre o rumo do setor elétrico.

E o momento eleitoral pedeisso: em breve estará em construção um novo ciclo, sendo um presidente novo ouse o atual presidente for reeleito. E a agenda que ele herdar definirá se oBrasil aproveita ou desperdiça o que tem de melhor, seu potencial de produzirenergia limpa e barata. Deixo a boa notícia para o fim. Antes dela, nove razõesde preocupação:

1.A CDE não foi contida — foi contida pela metade. Oteto aprovado foi um avanço real, mas alcança apenas parte da conta: a outrametade segue crescendo. E a base de pagadores está encolhendo. Quando onumerador cresce e o denominador diminui, o resultado é aritmético; em reais porMWh, para quem paga, a CDE continuará explodindo.

2. O leilão de reserva decapacidade é a próxima CDE— só que maior. Esse encargo caminha para superar a própria CDE. A cobrança vemsendo feita de maneira equivocada e contrata-se solução de quem não resolve oproblema. Explosão de custo e mais distorção. Estamos criando, com nome novo, opassivo que levamos duas décadas para admitir que existia.

3. A transmissão vai custarmuito mais. Arede fica cada vez mais complexa, as fontes estão distantes da carga e seuplanejamento é extremamente conservador. Teremos mais rede, porém mais ociosa.O custo por unidade de energia entregue sobe.

4. A distribuição também. Modernizar as redes eprepará-las para a resiliência climática é necessário. Mas amplia a base deinvestimentos remunerada das distribuidoras, que chega ao consumidor como custode energia.

5. Seguem as imposições deenergia cara.O exemplo mais eloquente é a eventual retomada de Angra 3, com energia que podepassar de R$ 800 por MWh, rateada entre todos. Não é escolha do mercado nem doconsumidor, é imposição cujo custo é socializado e cuja conta chega em um lugarsó.

6. O próprio custo da energiasobe. Poderiaser muito barata, mas não está sendo. Além do custo de capital de um país dejuro alto, os geradores passaram a precificar a modulação, a diferença entresubmercados e o corte de geração. Riscos legítimos, mas, em boa medida, produtodas nossas próprias regras, que voltam ao consumidor no preço de longo prazo.

7. O setor está desorganizado. O mercado está quebrado empedaços que quase não conversam: geração distribuída, mercado regulado, energiaincentivada, autoprodução, autoprodução incentivada e mercado livre. Cada umpaga uma parcela diferente dos custos do sistema. Toda diferença artificial decusto entre compartimentos é convite à arbitragem e o resultado é ineficiênciacrescente e menos liquidez.

A geração distribuída é o casomais eloquente e por isso volto a ela. Sua expansão deixou de guardar relaçãocom qualquer política pública e passou a ser puxada pelo subsídio implícito. Aolado dela cresce a GD gato, a instalação que se veste da moldura regulatóriapara capturar o benefício sem entregar o que a regra pretendia. É precisoconter as duas: a explosão da GD subsidiada e a fraude que prospera à suasombra.

Os cortes de geração são a facemais cara dessa fragmentação. Já argumentei aqui que o curtailment é sintoma enão causa. O que ficou mais claro desde então é a sua dimensão distributiva. Opaís despreza energia limpa já contratada e já paga. O prejuízo recai sobrequem investiu, inclusive a indústria que foi para a autoprodução renovável paracumprir metas climáticas. E o risco retorna precificado no contrato de quemcompra. Cortar não tem efeito neutro, é transferência de valor entrecompartimentos que ninguém decidiu e ninguém controla.

8. Há indícios de exercício depoder de mercado.O tema precisa sair do sussurro das conversas do setor para a análise. Fala-seem contenção da oferta e em atuação sobre a regulação para elevar o custo daenergia, como a consideração exagerada de fatores de risco na operação. Não setrata de acusar ninguém e sim de reconhecer que mercado opaco e segmentado éterreno fértil para isso. Faltam instrumentos de monitoramento à altura.

9. A desorganização produzcomportamentos oportunistas.Muitos deles legítimos. Quando o sistema cobra de forma assimétrica, cadaagente busca a rota de menor custo. Mas a fuga individual não faz o custodesaparecer e sim transfere, concentra e amplia. O somatório de decisões racionaisproduz um resultado coletivamente ineficiente.

O caminho: sinais econômicoscorretos

A solução não é mais umremendo. É reorganizar o setor a partir de sinais econômicos corretos, sob umprincípio simples e exigente: cada agente ganha conforme o benefício que trazao sistema e paga pelo custo que aporta a ele.

Isso muda a natureza do jogo.Hoje o esforço dos agentes é gasto em arbitrar contra o sistema — migrar decompartimento, buscar o enquadramento que paga menos encargo, fugir de custosque continuarão existindo depois que se vai.

Com sinais corretos, acompetitividade passa a arbitrar a favor do sistema. Para a indústria, éconcreto consumir mais quando a energia tem custo marginal próximo de zero, nashoras em que o país estaria simplesmente cortando geração limpa, e reduzirconsumo, ofertando a sobra, quando essa energia compete com a térmica.

O consumidor industrial deixade ser custo a ratear e passa a ser fonte de flexibilidade, remunerado pelovalor que entrega, isto é, a forma mais barata de obter o que hoje tentamoscomprar com leilões emergenciais e encargos.

A boa notícia

Existe hoje uma convergênciainédita em torno do diagnóstico no governo, no mercado e no Congresso, onde jáhá percepção de que certas distorções custam caro ao país. Nestas mesmaspáginas, Jerson Kelman tem descrito um setor que, de remendo em remendo, virouum "Frankenstein", e tem sistematizado os pilares de uma reforma.

Mais importante ainda é aconvergência dentro do setor. As lideranças das grandes empresas, por meio desuas associações, estão dialogando e nesse diálogo se dissolve a lógica que nostravou por tanto tempo, a de resolver o problema de casa exportando o custopara o vizinho.

Já não se sustenta defender opróprio jabuti e condenar o do outro. Esse amadurecimento já produziumovimentos concretos: o teto da CDE, ainda que parcial, e as discussões sobre acontenção dos custos da geração distribuída.

Por isso o início do próximogoverno é uma janela real. Não porque haja solução mágica na gaveta, mas porquepela primeira vez existe base compartilhada para agir e as conversas com ascampanhas indicam que o tema não chegará como novidade.

Um Plano Real da energia

E qual é a resposta? Crescer.

Repito de propósito o queescrevi em julho: o Brasil precisa estimular o consumo de energia - e não oconter -, eletrificar processos hoje movidos a fósseis, recuperar a capacidadeociosa pela qual já estamos pagando e devolver competitividade à indústria.

É o crescimento do consumo quedilui os custos fixos sobre uma base maior, que reduz o custo unitário paratodos e faz girar as engrenagens da economia.

Seria, no sentido mais literal,um Plano Real da energia, um choque de ordenamento que estabiliza custos,restabelece sinais de preço e devolve previsibilidade a quem investe e a quemconsome. Este é o caminho de recuperação não só do setor elétrico, mas de todaa sua cadeia.

Fonte: Brasil Energia

Gostou deste conteúdo?

Você herdará a conta gigantesca do data center e será chamado de “otário elétrico”

21/9/2026

Por: Edvaldo Santana | Conselhode empresas e de entidades filantrópicas ...

Dia 18 estive num evento daLawInfra. Na plateia, a maioria era da área jurídica. Foram impactantes asfalas de duas desembargadoras e um juíz. Conhecem as entranhas do setorelétrico (SEB). Foi inquietante saber que o SEB é grande demandante dos guichêsdo judiciário. E foi perturbador ver um juíz, com bons exemplos, indicar o que,logo ali, chegará no seu tribunal. E só falou do leilão de baterias.
Fiquei entusiasmado ao ouvir o representante da CCEE dizer o que (já) faz umdata center (DC) no mercado de eletricidade. Para quem não sabe, os DCs jáestão entre os principais agentes de resposta da demanda no PJM.
Eu estava no painel sobre gargalos de transmissão. O termo “gargalo” éimpróprio, até injusto. Em 2025, o tempo que o brasileiro ficou semeletricidade por causa da transmissão foi 15 minutos, e apenas 7 minutos noSE/CO. Um segmento com tal performance, das melhores do mundo, não temgargalos, que implicam graves problemas.
O gargalo de transmissão é parte de uma narrativa tão convincente que,bisonhamente, atraiu o MME, a Aneel, o ONS e a EPE. Fizeram até um “plano” paraequacionar “gargalos” que não existem.
É que o lobby dos DCs, muito eficaz, espalhou que o Brasil perderia o bonde dahistória se não arrumasse um jeito de integrar à rede, em 12 ou 18 meses,usuários que consumiriam de 3 a 6 GW, isso na primeira leva. Não disseram quenão há sistema no mundo onde isso seja possível. 3 GW é o consumo do Paraná. Ouseja, o sistema teria que atender, de uma hora para outra, uma cargaequivalente a dois estados do Paraná.
O melhor (ou seria pior?) é que o setor elétrico atenderá grande parte disso.MAS VOCÊ PAGARÁ A CONTA.
Não se sabe ainda os custos das obras de transmissão, mas superarão a R$ 25bilhões. As transmissoras vencedoras dos leilões ganharão um contrato de 30anos. 50% dos custos serão das usinas e o resto será nosso.
E aqui vem o grave problema: os DCs, QUE PROVOCARAM OS CUSTOS, QUE NÃOEXISTIRAM SEM ELES, ASSINARÃO UM CONTRATO DE APENAS 4 ANOS. Sim. 4 anos.
Daqui a 5 ou 6 anos, os DCs, por razões que destaquei em artigo no Valor,postado no LinkedIn, consumirão no máximo 20% do que usam hoje. Diminuirão,assim, seus pagamentos com o uso da transmissão.
Com quem ficará a conta da transmissão desperdiçada, se a concessão foicontratada por 30 anos? As usinas herdariam uma parte, mas claro que lutarãocontra na justiça. Os grandes consumidores farão o mesmo, e sairão vencedores.É que até o balcão da entrada principal do MME sabe que faltará dinheiro.
Em sistemas elétricos, em virtude de leis da física, é possível saber como asdecisões de hoje afetarão os próximos 5, 10 ou 20 anos. O curtailment é um bomexemplo. Por isso, daqui a 6 anos, se tanto, estará na mesa dos juízes adisputa de com quem ficará a conta dos DCs. E, claro, sabemos o resultado.
Você entendeu por que seremos chamados novamente de otários elétricos.

Fonte: Linkedin

Gostou deste conteúdo?

FRASE DA SEMANA

21/9/2026

“Uma jornada de mil quilômetros precisa começar com um simples passo.”

Autor: Lao Tzu

Gostou deste conteúdo?

Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

Soluções no Setor Elétrico

Nossa expertise no Setor Elétrico é resultado de diversos projetos executados por nossos profissionais em empresas de Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização.

Por que escolher a TATICCA?

O objetivo de nosso time é apresentar insights relevantes para o seu negócio e apoiá-lo em seu crescimento!

  • Equipe personalizada para cada projeto

  • Adequação caso a caso

  • Abordagem flexível

  • Envolvimento de Executivos Sêniores nos serviços

  • Expertise

  • Independência

  • Recursos locais globalmente interconectados

  • Equipe multidisciplinar

  • Capacitação contínua

  • Métodos compartilhados com os clientes

  • Amplo conhecimento dos setores

  • Mais modernidade, competência, flexibilidade, escalabilidade e foco no cliente

Nossa equipe

Profissionais especialistas no setor elétrico
Você possui alguma dúvida?

Envie-nos uma mensagem

por favor, preencher o campo.

Obrigado por entrar em contato! Recebemos sua mensagem e em breve retornaremos!
Infelizmente não foi possível enviar sua solicitação, tente novamente mais tarde.