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Leilão de energia fóssil compromete a política climática do Brasil

15/7/2026

O Brasil vive, de forma dramática, os impactos da crise climática. Secas que ameaçam nossa segurança hídrica e a comida que chega à mesa. Enchentes que destroem vidas e economias inteiras. Ondas de calor que castigam a saúde de todos e incêndios que devoram a Amazônia e os demais biomas do país. Esses eventos não são mais exceções: eles se tornaram a nova realidade do aquecimento global, alimentado pela queima incansável de combustíveis fósseis.

Por um lado, o Brasil assumiu a liderança na COP30, em Belém, junto com dezenas de nações, ao propor o "Mapa do Caminho" para o fim gradual e rápido dos combustíveis fósseis. Por outro, o governo realizou o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade de Energia Elétrica), que abre caminho para um grande volume de novas usinas termelétricas fósseis.

O LRCap foi apresentado como uma medida de segurança energética. O mecanismo paga as usinas simplesmente para estarem disponíveis e poderem gerar energia quando o sistema mais precisa — especialmente entre 18h e 21h, quando o sol se põe, o vento diminui, as luzes das casas acendem e o consumo dispara. Na prática, porém, ele se transformou num forte incentivo à construção de novas térmicas a gás, carvão e diesel. Em vez de nos ajudar a abandonar os fósseis, o leilão garante que eles continuem poluindo o ar e emitindo GEE (gases de efeito estufa) de nosso sistema elétrico por décadas.

Ao assinar contratos de longo prazo com fontes fósseis, o país manda um sinal claro ao mercado: seguimos na direção oposta àquela que defendemos nos fóruns internacionais e na COP30. Isso cria um sério problema de credibilidade. Não adianta falar bonito lá fora sobre o fim dos fósseis enquanto, aqui dentro, construímos uma expansão estrutural baseada em fontes poluentes.

Essa escolha tem um impacto frontal sobre a Política Nacional de Mudança do Clima e afeta diretamente as metas das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) do Brasil, apresentadas pelo país à ONU por meio da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima. A contradição é alarmante: enquanto o leilão contrata poluição para as próximas décadas, as NDCs estabelecem metas de redução de emissões em toda a economia, com cortes significativos de 53% até 2030 em relação às emissões em 2005, avançando para metas ainda mais ambiciosas de 67% para 2035 e reafirmando o objetivo de neutralidade climática até 2050.

Ao viabilizar novas térmicas fósseis de longa duração, o LRCap dificulta o cumprimento dessas metas e compromete o caminho para o net zero. Não se trata apenas de números: trata-se de coerência. Uma política climática séria não pode aceitar decisões que aumentam as emissões de carbono justamente no setor que deveria liderar a descarbonização.

Outro aspecto crítico é o choque com o mercado de carbono que o Brasil está construindo. Com a regulação avançando, o preço do carbono vai se tornar um instrumento central para guiar investimentos. A dependência de combustíveis fósseis criada pelo LRCap significa que, em poucos anos, essas usinas se tornarão ativos encalhados, caros de operar, incompatíveis com as regras de carbono e fonte de custos adicionais para toda a sociedade. O contribuinte vai pagar duas vezes: na conta de luz e no ajuste do mercado de carbono, enquanto perdemos a oportunidade de investir em soluções verdadeiramente sustentáveis.

Como climatologistas que acompanham há décadas os efeitos da mudança do clima no nosso país, vemos aqui um descompasso estratégico perigoso. A segurança energética é legítima, mas não pode servir de pretexto para atrasar o que é inevitável: o fim dos combustíveis fósseis. O "Mapa do Caminho" internacional que o Brasil ajudou a articular na COP30, com apoio de mais de 80 países, mostra que temos visão e liderança global. Agora precisamos ter coerência aqui em casa.

O Brasil tem tudo para ser protagonista da transição energética: sol de sobra, vento forte e muita água. Em vez de apostar em fósseis inflexíveis, deveríamos priorizar baterias de armazenamento em grande escala, resposta inteligente da demanda, modernização da rede e renováveis despacháveis. Essas alternativas são mais baratas, flexíveis e perfeitamente alinhadas ao futuro de baixo carbono que nossos compromissos internacionais e o mercado de carbono exigem.

A crise climática não aceita contradições. Enquanto o mundo acelera a transição energética, o Brasil não pode se dar ao luxo de defender liderança global e, ao mesmo tempo, apostar em mais décadas de combustíveis fósseis. O LRCap é um erro estratégico. Ainda é possível corrigir o rumo: colocar as soluções limpas no centro das decisões, alinhar toda a política energética à Política Nacional de Mudança do Clima e transformar o discurso da COP30 em ação concreta. O caminho para o fim dos fósseis começa agora, dentro de casa. Só assim o Brasil deixará de ser parte do problema e se tornará, de fato, parte da solução, antes que o custo para o clima, para a economia e para as gerações futuras se torne irreversível.

Cientistas brasileiros lançaram no início de novembro de 2025 na Academia Brasileira de Ciências, e relançaram durante a COP30, o estudo "Brazil Net Zero by 2040", que mostra que o Brasil tem todas as condições de zerar as emissões líquidas dos GEE até 2040, com rápida transição para zerar uso de combustíveis fósseis em todos os setores, especialmente em termelétricas.

Fonte: Ecoa | Carlos Nobre

Resumo das Notícias de Hoje

5/3/2026

Dia 05 de março de 2026, quarta-feira

- DUPLA COBRANÇA DE USO DA REDE PARA BATERIAS (geração)

O diretor Fernando Mosna vai apresentar voto contrário à dupla cobrança da tarifa de uso da rede para baterias, na proposta de regulação dos Sistemas de Armazenamento de Energia. Mosna anunciou em conversa com jornalistas que o processo da Consulta Pública 39 estará na pauta da reunião da Aneel da próxima terça-feira, 10 de março.

> Saiba mais na notícia “Mosna anuncia voto contrário à dupla cobrança de uso da rede por baterias”: https://bit.ly/4b55umx

- MODULAÇÃO DE FONTES* (geração)

Os ganhos de modulação mitigaram em 34% o efeito de curtailment da Auren Energia no último trimestre de 2025. Conforme os dados apresentados, a capacidade de ajustar o volume de geração e contratação para corresponder às variações de demanda e aos preços horários do mercado reduziram em R$ 70 milhões o impacto de R$ 207 milhões da geração frustrada no período.

> Continue a leitura na matéria “Modulação de fontes reduz em R$ 70 mi o curtailment da Auren”: https://bit.ly/4sqxp7w

- 1ª JANELA DE ACESSO À TRANSMISSÃO (expansão)

A primeira janela de acesso à transmissão acontecerá entre setembro e outubro. Conforme a divulgação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a competição envolvendo a nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão vai acontecer entre 28 de setembro e 8 de outubro. Agentes interessados poderão se inscrever nos primeiros 15 dias de junho. Enquanto a publicação da sistemática e da primeira nota técnica estão previstas para 30 de abril.

> Leia mais em “Primeira janela de acesso à transmissão começa em setembro”: https://bit.ly/4rKWtGu

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

8 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

9 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

Aproveite o DESCONTO EXCLUSIVO para assinantes!

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Em nota, associações pedem isonomia no custeio da reserva de capacidade e mudança na lei: https://bit.ly/4rVuP9Z

Nota conjunta de cinco associações quer que custeio do leilão de capacidade seja compartilhado entre todos os usuários.

STJ: Jirau e Santo Antônio deverão indenizar pescadores por construção no Rio Madeira: https://bit.ly/3NkIx74

ROCorte manteve decisão do TJ-RO que reconheceu responsabilidade das empresas pela redução de peixes no Rio.

Obras e reforços em subestações devem trazer receita de R$ 445 milhões para Axia: https://bit.ly/4sxiHvP

Companhia investiu R$ 3,2 bilhões em 2025 nas obras de grande porte e executou 71 obras em 43 subestações.”

Fonte: CanalEnergia

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Transição energética: Brasil quer puxar a fila, mas falta engatar o passo

5/3/2026

A transição para longe dos combustíveis fósseis entrou em 2026 como um dos nós mais difíceis para a diplomacia climática desatar. A ideia de construir um roteiro global para esse abandono gradual chegou à COP30, no ano passado, como tema sensível demais para o texto final. E aí, com o assunto fora do acordo oficial de Belém, a saída encontrada foi uma promessa paralela: países dispostos a avançar trabalhariam por fora para não deixar o tema morrer.  Pouco depois do encerramento da conferência, em dezembro, o Brasil deu um passo a mais dentro de casa: o presidente Lula assinou um decreto determinando que os ministérios de Minas e Energia, Fazenda, Meio Ambiente e Casa Civil apresentassem, em 60 dias, diretrizes para uma “transição energética justa e planejada” ao Conselho Nacional de Política Energética.

SAIBA MAIS

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Resumo das Notícias de Hoje

4/3/2026

Dia 04 de março de 2026, quarta-feira

- PERSPECTIVA DA NOTTUS PARA 2026 (geração)

O aquecimento gradual do Oceano Pacífico deve mudar o padrão climático em 2026, trazendo um alerta para reservatórios hidrelétricos e redes elétricas. De acordo com a perspectiva da Nottus, o comportamento poderá impactar setores da economia brasileira, como consumo, produção e infraestrutura. A constatação é de que o ano começou sob influência de uma La Niña em enfraquecimento, com tendência de neutralidade climática nos próximos meses e um Pacífico mais quente a partir do meio do ano.

> Continue a leitura na matéria “Nottus: Pacífico mais quente traz alerta para reservatórios e redes”: https://bit.ly/3N2qxyj

- ESTRATÉGIA DA CHINA PARA H2V (expansão)

Análise da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde sobre a estratégia da China para o energético mostra que não é apenas uma política doméstica. É uma estratégia industrial que deverá trazer novos preços aos equipamentos, insumos e modelos de projeto no mercado internacional. De acordo com a associação, ao organizar demandas, padronizar rotas e acelerar a capacidade produtiva, há redução de custo, prazos mais curtos e arquiteturas tecnológicas se transformam em ‘novo normal para investidores e compradores globais.

> Saiba mais em “Para ABIHV, estratégia da China para H2V trará impactos positivos ao mercado internacional”: https://bit.ly/4cZWVfq

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Setor prevê competição no LRCAP, após ajustes nos preços-teto: https://bit.ly/4u96b7g

Expectativa é lances bastante competitivos na disputa por contratação de potência de hidrelétricas

e termelétricas. 

Shell confirma R$ 3,5 bi para salvar a Raízen: https://bit.ly/4so2l8y

Presidente da petroleira afirma que maioria das partes interessadas acredita na recapitalização da empresa para só depois da estatização pensar na separação dos negócios de etanol e distribuição de combustíveis.

Renováveis e H2 seguem fora do radar da Shell no Brasil: https://bit.ly/40JhghI

Foco da companhia recai em petróleo, gás e biocombustíveis de olho nos impactos que a guerra no Irã e geopolítica de Trump poderá trazer ao país.

Auren tem prejuízo de R$ 557,9 milhões em 2025: https://bit.ly/4su2fwl

No quarto trimestre de 2025, companhia reverte prejuízo e tem lucro de R$ 354,7 milhões.

Fonte: CanalEnergia

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CAPTAÇÃO DE RECURSOS DO GRUPO EQUATORIAL

4/3/2026

Por Leonardo Lucas | CFO|IRO|M&A – GRUPO EQUATORIAL

Costuma-se dizer que, no Brasil, o ano só começa depois do Carnaval — e que sexta-feira 13 não costuma ser um dia propício para grandes decisões.
No Grupo Equatorial, fizemos justamente o contrário.
Foi na sexta-feira, 13/02, ainda antes do Carnaval, que liquidamos uma operação bem competitiva, aproveitando uma janela de mercado rara e que poderia se fechar rapidamente.
Concluímos a emissão de R$ 3 bilhões em debêntures incentivadas das distribuidoras Equatorial Goiás, Equatorial Pará e Equatorial Piauí, com custo all-in final abaixo do CDI — um conjunto de condições incomum para infraestrutura, especialmente em ano eleitoral.

Volumes por companhia:
R$ 1,6 bi – Equatorial Goiás
R$ 800 mi – Equatorial Pará
R$ 600 mi – Equatorial Piauí

Uso dos recursos
Expansão, Melhoria e Renovação, gerando melhoria de qualidade e resiliência da rede.
Com esta captação, boa parcela dos investimentos de 2026 já está coberta, reforçando disciplina financeira e previsibilidade para a execução do ciclo de modernização e expansão nas três concessões.
A emissão contou com garantia firme integral de XP (Líder), Itaú BBA, Bradesco BBI e BTG Pactual, fundamentais para a agilidade e a solidez da operação.
Agradecimentos especiais
🔹 À Tatiana Vasques, Albano S. Dias Gonçalves e toda a equipe, pela execução técnica exemplar e pela intensidade do trabalho que permitiu capturar essa oportunidade.
🔹 Aos bancos parceiros — XP (Líder), Itaú BBA, Bradesco BBI e BTG Pactual — pela prontidão, confiança e parceria estratégica.
🔹 Ao nosso Conselho de Administração, pela sensibilidade e rapidez na aprovação, permitindo que estivéssemos na linha de frente dessa excelente janela de captação.
Na Equatorial, o ano começou antes — e começou com funding abaixo do CDI. 

Fonte: Linkedin

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O motor invisível da Inteligência Artificial

4/3/2026

“A velocidade com que a tecnologia avançou nos últimos 24 meses desafia a nossa percepção comum de progresso e inovação. Não estamos mais tratando de projeções para o futuro ou de tecnologias experimentais que levarão décadas para amadurecer.

As empresas de tecnologia voltadas para IA já integraram suas soluções às nossas ferramentas de trabalho e mudaram a produtividade cotidiana. Hoje, assistentes de codificação permitem que desenvolvedores entreguem projetos em frações do tempo original e modelos de linguagem redigem contratos complexos com precisão.

Já testemunhamos a criação de sistemas capazes de gerar imagens realistas a partir de frases e ferramentas que resumem reuniões em tempo real. Se você observar suas ferramentas de pesquisa e escrita hoje, notará que a IA atua como um assistente técnico em quase todas as funções digitais.

O que está por vir nos próximos meses é uma transição da inteligência assistida para a inteligência autônoma, onde os sistemas executam decisões de ponta a ponta. Veremos agentes capazes de gerir cadeias de suprimentos inteiras e modelos de saúde que diagnosticam doenças antes mesmo dos primeiros sintomas.

Essa nova onda exigirá uma capacidade de processamento que tornará as ferramentas atuais parecidas com calculadoras rudimentares. Para que essa evolução aconteça, o mundo precisará de uma infraestrutura robusta capaz de sustentar trilhões de operações por segundo em tempo real.

Para ilustrar essa escala, basta olhar para o consumo de energia nessas interações que parecem simples. Uma única consulta realizada em um modelo de IA avançado consome, em média, dez vezes mais eletricidade do que uma pesquisa comum no Google.

Se uma busca tradicional consome cerca de 0,3 Wh de energia, uma interação com IA pode chegar a 3 Wh. Isso significa que cada resposta inteligente que recebemos em nossas telas equivale a manter uma lâmpada LED acesa por cerca de 20 minutos.

Quando escalamos esses números para o nível industrial, o cenário torna-se ainda mais relevante para o investidor estratégico. O treinamento de um modelo de grande escala, como o GPT-4, consome energia suficiente para abastecer milhares de residências durante um ano inteiro.

As empresas de tecnologia que lideram o desenvolvimento desses modelos estão criando um valor sem precedentes para a economia mundial. Acompanho com entusiasmo as oportunidades que surgem nessas gigantes, mas meu papel é ajudar a enxergar o ecossistema completo que permite que elas continuem inovando.

O sucesso dessas tecnologias é evidente, mas elas dependem de uma base material que muitos investidores ainda não perceberam. A realidade que sustenta a era da IA é que a inovação depende de uma infraestrutura física composta por hardware e sistemas de energia.

Existe uma conexão direta entre a capacidade de expansão dessas empresas de tecnologia e a estabilidade da rede elétrica que as alimenta. Vejamos exemplos concretos desse movimento que já começou a mobilizar bilhões de dólares nos bastidores do mercado global.

A Microsoft assinou recentemente um contrato de 20 anos para reativar um reator na usina nuclear de Three Mile Island. O objetivo é garantir energia firme e limpa exclusivamente para sustentar a expansão agressiva de seus novos centros de dados.

Outro exemplo é a Amazon, que adquiriu um campus de data centers localizado diretamente ao lado de outra central nuclear ativa. Esses movimentos mostram que as empresas de tecnologia voltadas para IA entenderam que o fornecimento de energia é o principal limitador do crescimento para a próxima década.

Além disso, fundos de investimento globais estão se posicionando rapidamente para financiar essa reconstrução da infraestrutura. A BlackRock, em parceria com a Microsoft, lançou um fundo de 30 bilhões de dólares focado exclusivamente na base física que sustenta a inteligência artificial.

Este capital será usado para construir desde novas redes de transmissão até fontes de geração de energia estável em solo estratégico. Estimativas indicam que a participação dos data centers no consumo global de eletricidade pode chegar a 10% até o final desta década.

O gargalo de energia é onde a inovação tecnológica encontra os limites físicos da infraestrutura global. É fascinante investir nas empresas que criam a inteligência da nossa era, mas é igualmente estratégico olhar para o sistema nervoso que as mantém vivas.

Governos e corporações entenderam que liderar a IA exige garantir soberania energética e eficiência de distribuição em escala industrial. Estamos observando um fluxo massivo de capital para a modernização de redes elétricas que ficaram estagnadas por décadas.

Essas oportunidades costumam ser menos óbvias do que as ações de tecnologia de consumo, mas são fundamentais para o crescimento patrimonial. A tecnologia escala com velocidade incrível, mas uma rede de energia estratégica é um ativo real com proteção estrutural única.

Existe uma simbiose clara: o avanço da IA gera a demanda, enquanto a base física fornece a viabilidade para esse progresso. Não perceber a conexão entre o sucesso das empresas de tecnologia e a infraestrutura elétrica é ignorar metade da engrenagem atual.

No mercado global, essa clareza separa o investidor que segue modismos daquele que entende a engenharia real por trás do lucro. O meu convite é para que você olhe para os fundamentos que permitem que toda essa economia digital funcione sem interrupções.

Ter clareza sobre esses limites físicos nos permite manter a sobriedade necessária enquanto o mercado se deixa levar pelo entusiasmo visual. O investidor que percebe a tecnologia como um ecossistema dependente de energia está melhor posicionado para navegar as volatilidades do futuro.

Fonte: Offshore Connection | Guia Invest Wealth – 28/02/2026

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