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NOVO MARCO DO SANEAMENTO: SUCESSO OU FRACASSO?

31/8/2026

Por Thiago Giron Garcia *

Seis anos após a promulgação da Lei nº 14.026/2020, o debate sobre o Novo Marco Legal do Saneamento permanece polarizado. De um lado, estão os que identificam avanços institucionais relevantes, especialmente a introdução de metas objetivas de universalização, o fortalecimento da regulação, a regionalização e a atração de novos investimentos. De outro, acumulam-se críticas relacionadas à privatização, à persistência das desigualdades territoriais, à insuficiência dos investimentos e ao risco de exclusão das populações economicamente menos atrativas.

A análise dos resultados disponíveis demonstra que seria tecnicamente precipitado classificar o Novo Marco como sucesso ou fracasso absoluto. O modelo produziu avanços institucionais inequívocos, mas ainda não demonstrou capacidade suficiente para assegurar a universalização nos prazos estabelecidos. O principal problema, portanto, talvez não esteja exclusivamente no desenho jurídico da Lei nº 14.026/2020, mas na distância entre a sofisticação do novo arranjo institucional e a capacidade real dos municípios, prestadores, reguladores e entes federativos de implementá-lo.

Uma pergunta que exige mais do que uma resposta ideológica

O debate sobre o Novo Marco Legal do Saneamento frequentemente é reduzido a uma disputa entre duas posições aparentemente inconciliáveis: para uns, a Lei nº 14.026/2020 representa a modernização necessária de um setor historicamente marcado por baixos investimentos; para outros, constitui um processo de mercantilização de um serviço essencial, capaz de aprofundar desigualdades sociais e territoriais.

Nenhuma dessas interpretações, isoladamente, é suficiente.

O saneamento brasileiro acumulou, durante décadas, um déficit estrutural que antecede o Novo Marco. A existência de milhões de brasileiros sem acesso adequado à água e ao esgotamento sanitário não foi produzida pela Lei nº 14.026/2020. Ao contrário: foi justamente a persistência desse déficit que criou o ambiente político para sua aprovação.

O problema central é que a nova legislação assumiu uma promessa extremamente ambiciosa: transformar, em pouco mais de uma década, uma realidade construída ao longo de mais de um século.

A Lei estabeleceu metas de atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, vinculando a expansão dos serviços à capacidade econômico-financeira dos prestadores, à regionalização e ao fortalecimento da regulação.

A questão que deve ser formulada, portanto, não é simplesmente se o Marco Legal é “bom” ou “ruim”. A pergunta tecnicamente mais adequada é:

O novo modelo institucional está produzindo resultados suficientes, na velocidade necessária e com equidade territorial, para cumprir a promessa de universalização?

Até o momento, a resposta parece ser: ainda não.

O que o Novo Marco efetivamente mudou

A Lei nº 14.026/2020 não foi apenas uma alteração pontual na legislação. Ela modificou profundamente a arquitetura institucional do saneamento brasileiro.

Entre suas principais transformações estão:

  • estabelecimento de metas nacionais de universalização;
  • exigência de comprovação da capacidade econômico-financeira dos prestadores;
  • fortalecimento da prestação regionalizada;
  • estímulo à concorrência e à participação privada;
  • ampliação das atribuições da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico – ANA;
  • criação de normas de referência nacionais para a regulação;
  • maior vinculação entre contratos, metas, investimentos e indicadores de desempenho;
  • redução da utilização dos contratos de programa como instrumento de expansão da prestação estatal.

A transferência para a ANA da competência para editar normas de referência representa uma das mudanças institucionais mais importantes. Cinco anos após a aprovação do Marco, a Agência já havia publicado mais de dez normas de referência voltadas à organização regulatória do setor.

Esse avanço merece reconhecimento.

Historicamente, o saneamento brasileiro foi caracterizado por forte heterogeneidade regulatória. Municípios, estados e diferentes entidades reguladoras utilizavam metodologias, indicadores e critérios distintos. A ausência de padronização dificultava comparações, aumentava a insegurança jurídica e limitava a construção de um ambiente regulatório mais previsível.

Nesse sentido, a busca pela harmonização regulatória não deve ser interpretada como mera burocratização. Trata-se de uma condição necessária para que metas contratuais possam ser fiscalizadas de maneira objetiva.

A Norma de Referência nº 08/2024, por exemplo, reforça a necessidade de monitoramento das metas de universalização em escala municipal e estabelece parâmetros para a aferição do atendimento dos serviços.

Este é um dos pontos em que o Novo Marco apresenta resultado institucional concreto: o setor tornou-se mais orientado por metas, indicadores, contratos e regulação baseada em evidências.

Mas instituições melhores não significam automaticamente serviços universalizados.

O avanço regulatório não se converteu, ainda, em universalização

Este é o principal ponto crítico da avaliação.

O Brasil avançou na construção de instrumentos para alcançar a universalização. Contudo, a velocidade da expansão dos serviços permanece insuficiente diante do prazo legal.

Estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, com base nos dados do SNIS, apontou que aproximadamente 32 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à água potável e mais de 90 milhões permaneciam sem coleta de esgoto.

A leitura desses números exige cautela.

O fato de o déficit persistir não significa, por si só, que a Lei fracassou. Entretanto, demonstra que a alteração institucional ainda não produziu a aceleração necessária para cumprir as metas de 2033.

Essa preocupação torna-se ainda mais relevante diante das projeções realizadas com base no ritmo histórico de evolução. Estudos divulgados em 2024 indicaram que, mantida a velocidade então observada, a universalização poderia ocorrer apenas por volta de 2070.

A distância entre 2033 e 2070 revela um problema fundamental.

O desafio do saneamento brasileiro deixou de ser apenas definir metas. O desafio passou a ser construir capacidade material para cumpri-las.

Não basta estabelecer metas em lei. É necessário:

  1. transformar metas em investimentos;
  2. transformar investimentos em obras;
  3. transformar obras em infraestrutura efetivamente operante;
  4. transformar infraestrutura em atendimento real;
  5. transformar atendimento em qualidade, continuidade e sustentabilidade.

O erro recorrente no debate brasileiro é confundir compromisso contratual com resultado social.

Uma meta de universalização escrita em um contrato não significa, necessariamente, uma rede instalada no território.

O investimento aumentou, mas continua abaixo da necessidade

A principal promessa econômica do Novo Marco foi a criação de condições capazes de ampliar significativamente os investimentos no setor.

Há sinais de avanço.

Dados apresentados em debate no Senado Federal indicaram aumento de 56,5% no investimento médio anual entre 2021 e 2023, alcançando aproximadamente R$ 127 por habitante. Contudo, esse valor correspondia a apenas 57% do patamar de R$ 223 por habitante previsto como necessário pelo Plano Nacional de Saneamento Básico – Plansab.

Este dado talvez seja um dos mais importantes para responder à pergunta central deste artigo.

O Marco Legal produziu avanços? Sim.

Os avanços são suficientes? Ainda não.

O setor de saneamento possui uma característica econômica particular: demanda investimentos elevados, maturação de longo prazo e forte dependência de infraestrutura física.

Não existe universalização de baixo custo.

É necessário financiar:

  • captação;
  • adução;
  • estações de tratamento;
  • reservação;
  • redes de distribuição;
  • redes coletoras;
  • interceptores;
  • estações elevatórias;
  • estações de tratamento de esgoto;
  • soluções descentralizadas;
  • infraestrutura de drenagem;
  • recuperação e modernização de sistemas existentes.

Além disso, grande parte dos investimentos necessários não ocorre nas áreas de maior retorno financeiro.

E é precisamente neste ponto que surge uma das críticas mais relevantes ao modelo.

A universalização pode ser economicamente seletiva?

Os críticos do Novo Marco argumentam que a lógica de expansão baseada em contratos economicamente viáveis pode produzir uma espécie de “seleção territorial”.

Áreas densamente povoadas, com maior capacidade de pagamento e infraestrutura urbana consolidada tendem a apresentar maior atratividade econômica.

Já áreas rurais, periferias urbanas, pequenos municípios e comunidades dispersas apresentam custos elevados e menor capacidade de geração de receita.

Essa preocupação aparece com intensidade em análises críticas publicadas por movimentos ligados ao setor público e aos trabalhadores do saneamento. Artigos publicados pelo Brasil de Fato e pelo Outras Palavras questionam a capacidade do modelo de alcançar populações rurais e regiões economicamente menos atrativas.

É necessário reconhecer que essas fontes possuem posicionamentos críticos explícitos em relação à privatização. Contudo, a origem política da crítica não elimina a relevância do problema técnico levantado.

A pergunta permanece válida:

Quem financiará a universalização onde a tarifa não é suficiente para remunerar os investimentos?

Essa é uma questão central para qualquer modelo.

A própria legislação reconhece a necessidade de apoio público em situações nas quais a sustentabilidade econômico-financeira não pode ser alcançada exclusivamente por tarifas, inclusive após mecanismos de regionalização.

Portanto, há uma conclusão importante:

A universalização brasileira não será financiada exclusivamente pelo mercado, nem exclusivamente pelo orçamento público.

O futuro do setor provavelmente dependerá de um modelo híbrido, envolvendo:

  • recursos tarifários;
  • investimentos públicos;
  • financiamento público e privado;
  • subsídios;
  • fundos setoriais;
  • subsídios cruzados;
  • prestação regionalizada;
  • mecanismos de equalização territorial.

A discussão, portanto, não deveria ser “Estado ou mercado”.

A discussão deveria ser:

Qual combinação institucional consegue levar saneamento onde o mercado não chega e onde o Estado isoladamente demonstrou dificuldade histórica de chegar?

O maior risco: confundir privatização com universalização

Uma das principais falhas conceituais no debate brasileiro consiste em tratar privatização e universalização como conceitos equivalentes.

Não são.

Um serviço pode ser:

  • público e eficiente;
  • público e ineficiente;
  • privado e eficiente;
  • privado e ineficiente.

A natureza jurídica do prestador não determina, por si só, a qualidade do serviço.

O que efetivamente determina o resultado é a combinação entre:

  • planejamento;
  • capacidade financeira;
  • qualidade contratual;
  • regulação independente;
  • fiscalização efetiva;
  • metas realistas;
  • mecanismos de penalidade;
  • transparência;
  • participação social.

A experiência brasileira demonstra que contratos privados não substituem a regulação. Pelo contrário.

Quanto maior a transferência de responsabilidades para contratos de longo prazo, maior deve ser a capacidade técnica do regulador.

Um contrato de concessão com metas ambiciosas, mas fiscalizado por uma agência reguladora fragilizada, pode transformar a universalização em uma promessa formal.

Por outro lado, uma empresa estatal com metas claras, governança adequada e regulação independente pode alcançar resultados superiores.

A pergunta correta não é:

“Quem presta o serviço?”

Mas:

“Quem responde pelos resultados, como os resultados são medidos e quais são as consequências pelo descumprimento?”

É aqui que a regulação assume posição central.

A agência reguladora tornou-se peça decisiva do Novo Marco

O Novo Marco aumentou significativamente a importância das entidades reguladoras infranacionais.

A regulação deixou de ser uma atividade secundária de acompanhamento administrativo e passou a ocupar posição estratégica na implementação da política pública.

A entidade reguladora deve ser capaz de avaliar:

  • metas de universalização;
  • equilíbrio econômico-financeiro;
  • investimentos;
  • qualidade da água;
  • continuidade do abastecimento;
  • eficiência operacional;
  • perdas;
  • expansão das redes;
  • atendimento rural;
  • tarifas;
  • subsídios;
  • indicadores de desempenho.

A ANA estabelece normas de referência, mas a fiscalização concreta ocorre no território.

É a agência reguladora municipal, intermunicipal ou estadual que deverá responder, em última análise, à pergunta fundamental:

A população está efetivamente recebendo o serviço prometido?

O problema é que muitas entidades reguladoras brasileiras ainda enfrentam limitações de:

  • orçamento;
  • pessoal técnico;
  • sistemas de informação;
  • autonomia;
  • estrutura laboratorial;
  • capacidade de fiscalização.

A assimetria entre grandes operadores econômicos e pequenas agências reguladoras pode se transformar em um dos maiores riscos do novo modelo.

Não existe concessão bem-sucedida sem regulação competente.

Não existe universalização verificável sem indicadores confiáveis.

E não existe proteção ao usuário sem fiscalização permanente.

Pequenos municípios: o ponto mais vulnerável do sistema

O debate sobre a implementação do Marco Legal frequentemente concentra-se nos grandes projetos e leilões de concessão.

Entretanto, a universalização será decidida, em grande medida, nos pequenos municípios.

A Fundação Nacional de Saúde tem destacado justamente as dificuldades enfrentadas por municípios de menor porte para elaborar projetos, atualizar dados, cumprir exigências regulatórias e acessar recursos públicos.

Esse é um ponto de enorme relevância.

Um município pequeno pode enfrentar simultaneamente:

  • ausência de corpo técnico especializado;
  • dificuldades para elaborar projetos;
  • baixa capacidade de arrecadação;
  • infraestrutura deficiente;
  • limitações administrativas;
  • dificuldade para estruturar contratos;
  • dependência de recursos externos.

A legislação pode estabelecer requisitos sofisticados de planejamento, regulação e sustentabilidade.

Mas um município que não possui engenheiros, economistas, advogados especializados e estrutura administrativa dificilmente conseguirá cumprir todas essas exigências sozinho.

A regionalização surge como possível resposta.

Contudo, regionalizar não pode significar simplesmente agrupar municípios em um mapa.

A regionalização precisa produzir:

  • ganho de escala;
  • compartilhamento de riscos;
  • solidariedade tarifária;
  • governança efetiva;
  • capacidade técnica.

Caso contrário, corre-se o risco de criar estruturas regionais formalmente existentes, mas operacionalmente incapazes.

O prazo de 2033 é uma meta ou uma ilusão?

A Lei nº 14.026/2020 estabeleceu 2033 como marco da universalização.

Entretanto, o próprio sistema normativo passou a reconhecer a possibilidade de extensão do prazo em determinadas situações.

A Norma de Referência nº 08/2024 prevê que, quando estudos demonstrarem a inviabilidade econômico-financeira da universalização até 2033, poderá haver dilação até 1º de janeiro de 2040, mediante anuência da entidade reguladora e observância da modicidade tarifária.

Esse dispositivo possui grande significado.

Ele demonstra que o próprio arranjo regulatório reconhece que a universalização não depende apenas de vontade política.

Depende de viabilidade.

Mas existe um risco.

A flexibilização necessária para reconhecer realidades locais pode transformar-se em mecanismo de postergação permanente.

Por isso, qualquer extensão de prazo deve ser tratada como exceção tecnicamente justificada, e não como solução automática.

A agência reguladora deve exigir:

  • estudo técnico independente;
  • demonstração da inviabilidade;
  • cronograma revisado;
  • metas intermediárias;
  • plano de investimentos;
  • mecanismos de acompanhamento.

Adiar uma meta não pode significar reduzir a responsabilidade.

O sucesso do Marco não será medido por leilões

O debate público frequentemente associa o sucesso do Novo Marco ao volume de concessões, privatizações ou investimentos anunciados.

Esse é um indicador incompleto.

Um setor pode anunciar bilhões em investimentos e, ainda assim, não universalizar os serviços.

O verdadeiro indicador de sucesso deve ser o cidadão.

O Marco Legal será bem-sucedido se, em 2033 ou em prazo tecnicamente justificável:

  • menos pessoas dependerem de fontes inseguras de água;
  • mais domicílios tiverem coleta e tratamento adequado de esgoto;
  • rios receberem menos carga poluidora;
  • crianças adoecerem menos por doenças relacionadas ao saneamento;
  • pequenos municípios conseguirem estruturar seus sistemas;
  • populações rurais forem efetivamente atendidas;
  • tarifas permanecerem socialmente suportáveis.

O sucesso não será determinado pela quantidade de contratos assinados.

Será determinado pela quantidade de pessoas efetivamente atendidas.

Afinal, sucesso ou fracasso?

A resposta tecnicamente responsável, neste momento, é:

Nem sucesso consolidado, nem fracasso definitivo.

O Novo Marco produziu avanços institucionais reais:

  • criou metas nacionais claras;
  • fortaleceu a agenda da universalização;
  • ampliou a centralidade da regulação;
  • estimulou investimentos;
  • estruturou mecanismos de regionalização;
  • fortaleceu o papel normativo da ANA.

Esses resultados não devem ser ignorados.

Por outro lado, os desafios continuam extremamente relevantes:

  • investimentos ainda abaixo do necessário;
  • déficit elevado de acesso;
  • desigualdades regionais persistentes;
  • dificuldades dos pequenos municípios;
  • necessidade de fortalecimento das agências reguladoras;
  • risco de exclusão territorial;
  • incertezas sobre a capacidade de cumprimento das metas de 2033.

O maior erro seria considerar que a simples aprovação da Lei nº 14.026/2020 resolveu o problema do saneamento.

Não resolveu.

A lei criou uma nova estrutura.

Agora é necessário construir capacidade para fazê-la funcionar.

Marco será julgado pela universalização, não pela ideologia

A polarização entre “privatização” e “estatização” empobrece o debate.

O Brasil precisa superar uma discussão baseada exclusivamente na identidade do prestador e concentrar-se na qualidade do resultado.

A água não é menos essencial quando distribuída por uma empresa privada.

Mas também não se torna automaticamente um direito garantido quando distribuída por uma empresa pública.

O direito é garantido quando existe serviço efetivo, universal, seguro, contínuo e economicamente acessível.

O Novo Marco Legal do Saneamento ainda está em sua fase de implementação. Seus avanços institucionais são relevantes, mas a realidade demonstra que a universalização continua distante.

A conclusão mais equilibrada é que o Novo Marco ainda não fracassou, mas também não pode ser considerado um sucesso apenas porque modificou a legislação e estimulou novos investimentos.

O verdadeiro teste ocorrerá nos próximos anos.

Será necessário transformar:

  • regulação em fiscalização;
  • contratos em investimentos;
  • investimentos em infraestrutura;
  • infraestrutura em serviço;

e, finalmente,

  • serviço em cidadania.

Se o sistema conseguir alcançar esse resultado, o Novo Marco poderá ser lembrado como um ponto de inflexão histórico.

Caso contrário, haverá o risco de produzir algo que o Brasil já conhece muito bem: uma legislação moderna convivendo com uma infraestrutura incapaz de atender a todos.

E, em saneamento, não existe sucesso parcial quando milhões de pessoas continuam sem acesso ao essencial.

A universalização não será alcançada porque a lei prometeu. Será alcançada quando a regulação, o investimento público, o capital privado, o planejamento e a capacidade institucional passarem a funcionar como partes de um mesmo sistema.

Até lá, a resposta para a pergunta permanece aberta:

O Novo Marco do Saneamento é um projeto com avanços importantes, mas cujo sucesso ainda precisa ser comprovado pela realidade.

* Thiago Giron de Sousa Garcia - Administrador, Superior em Gestão Pública, Pós Graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental, mestrando em Gestão Hídrica e Regulação pela UNESP (Prof. Águas) e Comissário Geral da Agência Reguladora e Fiscalizadora do Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba – AGRF-DAEA.

Fonte: Linkedin

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA SANEAR Nº 53 – AESBE – Comunicação de 27/08/2026

17/9/2026

- Lideranças da Aesbe discutem desafios e soluções para a universalização do saneamento até 2033

Durante o 7º Fórum Novo Saneamento, CEOs da Cesan, Sanepar, Casal e Caesb discutiram os impactos da reforma tributária, os entraves de licenciamento ambiental e a urgência de segurança jurídica na execução dos contratos. Diante das particularidades regionais, os executivos defenderam novas fontes de financiamento e a unificação regulatória para garantir o avanço das metas do Marco Legal no país.

O caminho  para que o Brasil alcance a meta de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033 foi o tema central da participação da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) na 7ª edição do Fórum Novo Saneamento. Realizado pela Hiria Nürnberg Messe Brasil nos dias 12 e 13 de maio, na capital paulista, o evento reuniu os principais players do setor para debater os desafios estruturais, regulatórios e financeiros que marcam o atual cenário de transformação do saneamento no país.

A participação da Aesbe ocorreu na terça-feira (12), durante o painel “Universalização até 2033 na prática: a visão dos CEOs sobre os gargalos de execução e as medidas necessárias para acelerar projetos”. O debate, moderado por Beatriz Nóbrega de Sá, secretária executiva da Frente Parlamentar do Saneamento Básico, reuniu Munir Abud, presidente nacional da Aesbe e diretor-presidente da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan); Wilson Bley, vice-presidente regional Sul da Aesbe e diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar); Luiz Cavalcante Peixoto Neto, presidente do Conselho Fiscal da Aesbe e presidente da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal); e Luís Antônio Almeida Reis, presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

O fórum ocorre em um momento decisivo. Desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento, o Brasil registrou avanços e programou investimentos massivos, mas barreiras persistentes ainda ameaçam o cumprimento das metas. Entre os principais obstáculos discutidos estão a dificuldade de acesso a recursos, as incertezas regulatórias e, especialmente, os impactos da reforma tributária sancionada em janeiro de 2025. Há uma preocupação latente no setor sobre como a nova carga tributária poderá pressionar as tarifas, afetando as populações mais vulneráveis e a atratividade para investidores. Além disso, o papel das agências reguladoras e o impacto das novas normas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) sobre contratos vigentes foram pontos de convergência entre os especialistas.

Visão das concessionárias

Durante o painel, os CEOs das operadoras estaduais detalharam as realidades regionais e as estratégias adotadas para superar dificuldades como o licenciamento ambiental e a judicialização. Munir Abud, presidente nacional da Aesbe e diretor-presidente da Cesan, no Espírito Santo, destacou a necessidade de ajustes no Marco Legal para respeitar as diversidades brasileiras. “A realidade do Brasil é muito diversa e essa diversidade impõe desafios de toda ordem. É necessário, claro, algumas correções no ajuste do marco para que a universalização se transforme em algo possível”, afirmou Abud.

Ele ressaltou ainda os novos obstáculos impostos pelo governo federal: “Como tudo parece que vai bem, o governo federal coloca mais um desafio, seja a reforma tributária, seja a própria lei de licenciamento ambiental, que agora enfrenta discussões de constitucionalidade no STF”, destacou.

Representando a região Sul, Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar, trouxe um cenário de otimismo e execução acelerada. O Paraná projeta atingir a universalização antes do prazo legal. “Queremos chegar a uma universalização não em 2033, mas em 2029. Para isso, são R$ 13 bilhões projetados para os próximos 5 anos”, revelou Bley. Ele destacou que a companhia já opera com quatro Parcerias Público-Privadas (PPPs) e reforçou a importância do compartilhamento de conhecimento para resolver gargalos comuns.

Na sequência, Luiz Cavalcante Peixoto Neto, presidente da Casal, em Alagoas, focou na experiência das concessões parciais e na preocupação com as populações invisibilizadas nos projetos de regionalização. “Temos desafios sobre as comunidades que não estão sendo contempladas, como comunidades difusas, povos indígenas e quilombolas”, pontuou Luiz Neto. Ele citou como avanço a utilização de aditivos contratuais inovadores para incluir novos municípios em contratos já em andamento, garantindo que 80% do estado já tenha investimentos garantidos via concessões privadas.

Por fim, Luís Antônio Almeida Reis, presidente da Caesb, apresentou a realidade ímpar do Distrito Federal, que já atende aos índices previstos, mas luta contra a pressão demográfica e a mudança climática. “Nosso foco é garantir produção de água independente de eventos adversos. Vamos aumentar o uso de água de reúso indireto de 7% para 21% até 2030”, explicou Reis. A companhia prevê investimentos de R$ 4,3 bilhões até o final da década, focando também na redução de perdas, que deve cair de 29% para 22%.

A primeira parte do debate evidenciou que, embora as companhias estaduais apresentem modelos de gestão e realidades geográficas distintas, os desafios de gestão contratual e os impactos da reforma tributária unem o setor em uma pauta comum. A moderadora Beatriz Nóbrega de Sá reforçou que as experiências relatadas pelos CEOs serão fundamentais para subsidiar as decisões políticas em Brasília, garantindo que a legislação sirva, efetivamente, à saúde e dignidade da população.

Dando continuidade ao painel, ela destacou o valor estratégico de reunir, em um mesmo espaço, a pluralidade de visões de diferentes regiões do país. “No Brasil, quando falamos de Nordeste, Sudeste, Centro, Norte e Sul, temos um retrato real do país. O objetivo da Frente Parlamentar é, justamente, trazer essa experiência do que está acontecendo na ponta para dentro do que vamos transformar em decisão em Brasília”, concluiu.

Modelos de gestão e os entraves operacionais

A primeira rodada de questionamentos foi direcionada ao diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley. A moderadora enfatizou que a companhia paranaense é um exemplo consolidado de antecipação de metas, mas indagou quais foram as principais dificuldades enfrentadas ao longo dessa jornada que poderiam servir de lição para o restante do país.

Bley foi categórico ao afirmar que as soluções do setor não aceitam fórmulas genéricas.

“Para cada doença, um remédio. O que se aplicou no Paraná talvez possa servir de exemplo, mas não consegue ser replicado de forma plena em outros estados. A nossa grande discussão foi entender a nossa realidade social e aonde queríamos chegar”, explicou o executivo.

O presidente da Sanepar detalhou que a empresa atende a 345 municípios (344 no Paraná e um em Santa Catarina) e já universalizou o abastecimento de água há quase duas décadas. O grande desafio atual reside no esgotamento sanitário, cuja viabilidade econômica nos pequenos municípios, a maioria com menos de 10 mil habitantes, só foi alcançada graças ao modelo de regionalização e ao uso estratégico do subsídio cruzado. “Se fôssemos avaliar apenas pelo olhar econômico, o Capex elevado não justificaria o investimento em municípios pequenos, pois o payback demoraria anos. O subsídio cruzado, dividindo o estado em três microrregiões, trouxe essa oportunidade. A partir daí, estruturamos Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que tem sido um grande aprendizado jurídico. Não se trata de um contrato de empreitada comum; é um contrato que se move e precisa se adaptar no dia a dia. Esse olhar precisa ser compreendido pelos órgãos de fiscalização”, pontuou Bley.

O CEO da Sanepar também alertou para os conflitos decorrentes do uso múltiplo da água, citando episódios recentes em que a captação para o saneamento concorreu diretamente com a irrigação agrícola e a produção de energia, gerando prejuízos operacionais e financeiros repassados à companhia. Outro ponto crítico levantado foi a morosidade e a falta de uniformidade nos escritórios de licenciamento ambiental. “De oito processos que tínhamos para licitar recentemente, só pude homologar um por falta de licença. Às vezes, escritórios diferentes de um mesmo órgão ambiental têm entendimentos opostos sobre o mesmo rio. Toda essa lentidão gera um custo, e quem paga a conta, ao final, é sempre a sociedade”, atentou.

Meta de 2033: realidade ou utopia?

Diante das profundas disparidades socioeconômicas dos diversos “Brasis”, a meta de universalização estipulada pelo Marco Legal para 2033 é realista? Para o presidente nacional da Aesbe e líder da Cesan, Munir Abud, não.

Segundo ele, o desenho original da revisão do Marco Legal focou excessivamente no estrangulamento das companhias estaduais como forma de forçar a desestatização, quando o cerne do problema do saneamento no Brasil sempre foi o direcionamento de recursos. “O problema é simples: se você não direciona recursos naquela estrada, por óbvio ela não vai ser pavimentada. As associadas da Aesbe fizeram o dever de casa e buscaram seus caminhos: a Sanepar com PPPs; a Casal desestatizando parte dos serviços; e a Caesb estruturando seu modelo próprio. Mas a lei deixou um grande ponto cego: os Serviços Autônomos de Água e Esgoto (SAAs) municipais. Não há mecanismos que apertem esses municípios para saírem da zona de conforto. Se perguntarmos à B3 quantos leilões de SAAs temos marcados hoje, o número é próximo de zero. A lei foi bem-posta para um lado, mas deixou o outro completamente de fora”, observou Munir Abud.

O presidente da Aesbe destacou que o setor necessita de investimentos na casa de R$ 800 bilhões a R$ 1 trilhão para fazer o básico, e que o teto de endividamento das companhias e a escassez de recursos públicos dificultam o avanço. Como contraponto, citou o exemplo do Espírito Santo, que utilizou integralmente os recursos da indenização do desastre da Samarco no Rio Doce para subsidiar a universalização dos municípios que operam fora da Cesan. “Quem não tem um recurso extraordinário desses na mesa faz como? Há uma cobrança enérgica da sociedade, mas se houver a correção da tarifa como manda a lei para cobrir esses investimentos, a população vai querer pagar? Entramos em um debate político avassalador. Quem planeja tem futuro; quem não planeja está sujeito ao destino”, frisou.

O olhar para as comunidades difusas

Voltando o olhar para o cenário do Nordeste brasileiro, o diretor-presidente da Casal, Luiz Cavalcante Peixoto Neto, compartilhou a experiência de Alagoas com o modelo de concessão parcial e a discutir como acomodar as populações que frequentemente ficam à margem das políticas públicas, como ribeirinhos, quilombolas e povos originários.

Luiz Neto explicou que a decisão tomada por Alagoas em 2020 foi pioneira e trouxe bônus e ônus ao terceirizar a distribuição e o esgotamento para a iniciativa privada, mantendo a Casal focada na produção de água em alta. No entanto, o gestor lançou um alerta sobre as limitações dos modelos de desestatização tradicionais. “Nenhum projeto de concessão abrange 100% da população dentro daquele território, porque o saneamento se financia com tarifa e os modelos só abraçam o que cabe na planilha econômica. Diante disso, o Estado de Alagoas foi corajoso ao buscar soluções jurídicas para incluir os municípios que haviam ficado de fora da modelagem inicial. Mesmo enfrentando os entraves do Decreto Federal 11.599, que considero uma anomalia jurídica por vetar a adesão de municípios a processos já homologados, conseguimos assinar um aditivo contratual que integrou seis novos municípios às áreas de concessão”, relatou o presidente da Casal.

Essa engenharia jurídica permitiu à Casal e à concessionária privada Águas do Sertão reequilibrar os fluxos de caixa e estender o atendimento a cerca de 100 mil pessoas em aglomerados rurais antes desassistidos. Contudo, Luiz Neto demonstrou profunda preocupação com a sustentabilidade financeira dos contratos a médio prazo.

“Precisamos discutir alternativas de equilíbrio que vão além da tarifa. A nossa tarifa em Alagoas já é a quarta ou quinta maior do país. Nos próximos dois ou três anos, as estruturas tarifárias não suportarão os reequilíbrios decorrentes da nova Lei da Tarifa Social, que estimamos causar um incremento de 17% nos custos pela migração de economias, somados aos impactos da reforma tributária e às novas exigências da Resolução Conama 430 para efluentes. Se a capacidade de pagamento do usuário for sufocada, o modelo inteiro se desestrutura. Universalização vai virar um palavrão no futuro se não buscarmos fontes periféricas de capitalização e subvenção fiscal”, advertiu.

Desafios e demandas regionais

Finalizando a rodada de apresentações das realidades regionais, o presidente da Caesb, Luís Antônio Almeida Reis, expôs o cenário do Distrito Federal. A moderadora destacou o paradoxo da capital do país: uma região que concentra o maior PIB per capita nacional no Lago Sul, mas abriga uma das maiores ocupações irregulares do continente, no Sol Nascente. Reis iniciou destacando que, para o saneamento, as fronteiras geopolíticas devem ser fictícias. Ele citou a sólida parceria com a Saneago (Goiás) no município de Águas Lindas e no consórcio de captação do Sistema Corumbá como exemplos de cooperação interestadual bem-sucedida. Sobre o território do DF, onde os índices de atendimento já estão praticamente consolidados, o presidente explicou a postura adotada pela Caesb diante do crescimento desordenado.

“O Distrito Federal tem uma característica única: condomínios irregulares com casas de alto padrão e, na outra ponta, bolsões de pobreza extrema. Decidimos que o problema da regularização fundiária não é da Caesb; nossa missão é levar água e esgoto para todos. Através do programa Água Legal, já realizamos mais de 30 mil ligações em comunidades vulneráveis, aplicando de forma direta a tarifa social para os cadastrados no CadÚnico”, informou o executivo.

Diferentemente das demais companhias, a Caesb trilhou um caminho de financiamento focado no mercado bancário privado, estruturando operações dentro do programa Saneamento para Todos. “Como possuímos uma situação financeira sólida, o banco privado funcionou com extrema agilidade para as nossas obras. A entrada do capital privado no setor despertou o interesse desses bancos pelas linhas de saneamento”, avaliou Reis.

O gestor também compartilhou uma mudança institucional recente: desde dezembro de 2024, a Caesb deixou de ser uma concessionária e foi transformada em prestadora de serviço direto do Distrito Federal (que acumula funções de estado e município), eliminando a necessidade de processos licitatórios internos. Essa mudança, contudo, gerou um entrave técnico-regulatório que a companhia tenta reverter junto ao governo federal. “O decreto que regulamenta as debêntures incentivadas exige expressamente o status de ‘concessionária’ para a emissão dos títulos. Estamos em articulação com o Ministério para corrigir essa redação e incluir as prestadoras de serviço direto, o que nos liberaria para acessar o mercado de capitais com mais força”, explicou.

Caminhos de superação para o setor

Ao encerramento do painel, a moderadora Beatriz Nóbrega de Sá solicitou que os participantes sintetizassem as medidas regulatórias, projetos de lei e políticas públicas urgentes para destravar os investimentos necessários no país.

Wilson Bley, da Sanepar, defendeu enfaticamente a simplificação administrativa e a blindagem técnica das agências reguladoras. “Precisamos de menos legislação e mais clareza. Hoje, somos autuados simultaneamente pelo Ibama e pelo órgão estadual (IAT) pelo mesmo fato, sem saber a quem recorrer. Além disso, precisamos acabar com a dualidade no saneamento: de um lado, companhias estaduais cobradas sob extremo rigor técnico; do outro, agências municipais regulando tarifas de forma puramente política. Não se faz investimento com tarifa política. Chegar à universalização em 2033 sob o atual cenário regulatório é uma utopia”, considerou Bley.

Munir Abud, da Cesan/Aesbe, concentrou sua cobrança na revisão urgente das regras fiscais e na celeridade dos órgãos de controle. “A reforma tributária é uma legislação recém-nascida que merece ser refundada, pois ataca de maneira agressiva e visceral a sustentabilidade do saneamento. Também precisamos cobrar prazos dos Tribunais de Contas; na Cesan, um projeto de PPP passou quase um ano em análise prévia, mais tempo do que levamos para estruturar toda a modelagem técnica. O Marco Legal necessita de ajustes que obriguem o direcionamento de fatias do orçamento público para o setor, blindando o saneamento dos ciclos eleitorais”, defendeu Abud.

Luiz Neto, da Casal, por sua vez, propôs uma vinculação legal para os recursos captados nos leilões do setor. “As outorgas bilionárias pagas pela iniciativa privada precisam obrigatoriamente retornar para o saneamento, financiando políticas periféricas como o saneamento rural, que hoje não possui nenhuma legislação nacional focada. Também precisamos que a ANA acelere a uniformização das normas de regulação. A sobreposição de fiscalizações entre agências reguladoras e órgãos de Vigilância Sanitária gera insegurança jurídica e afugenta o capital”, argumentou.

Luís Antônio Reis, da Caesb, encerrou o painel chamando a atenção para as ambiguidades das leis de licenciamento que geram insegurança jurídica nos corpos técnicos das empresas. “O artigo 10 da lei de licenciamento fala em procedimento simplificado, mas coloca tantas vírgulas e exceções que, no mundo real, não muda nada. Se a lei não for clara e taxativa dizendo ‘este investimento está dispensado e ponto final’, o técnico da ponta não assina a liberação com medo de comprometer o seu próprio CPF, para exemplificarmos. Precisamos de leis que garantam segurança jurídica para quem executa a obra na ponta”, concluiu o presidente da Caesb.

A 7ª edição do Fórum Novo Saneamento trouxe em sua programação temas de primeira grandeza que definem a agenda pública-privada, regulatória e operacional do saneamento no Brasil hoje. Com colaboração dos especialistas da Aesbe, a discussão reafirmou-se como um catalisador de soluções, conectando lideranças para fortalecer as bases que permitirão tirar os projetos do papel no ciclo iniciado com as novas gestões municipais.

- Aesbe projeta novo horizonte do saneamento

Diretor executivo Sérgio Gonçalves destaca o apoio ao Raio-X das PPPs do Saneamento como bússola para novas parcerias e como o “cartão de visita” do setor na B3

O calendário do saneamento brasileiro em 2026 iniciou-se sob o signo da maturidade e do planejamento estratégico. No centro dessa engrenagem, a segunda edição do Raio-X das PPPs de Saneamento – Road Show e Diálogos dos Operadores e Investidores, realizada na Arena B3, dia 25 de fevereiro, em São Paulo, não foi apenas um evento de exposição, mas um marco de consolidação para as empresas estaduais e para o mercado de infraestrutura. Organizado pela Hiria Nürnberg Messe e apoiado institucionalmente pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), o fórum revelou um setor que, longe de se acomodar com os avanços do Marco Legal, refina suas modelagens para atrair os R$ 80 bilhões em investimentos projetados para este ano.

Para Sérgio Gonçalves, diretor executivo da Aesbe, o evento na “casa do mercado de capitais” possui um valor simbólico e prático inestimável. Em sua visão, o Raio-X funciona como uma vitrine de transparência e um termômetro de confiança. “Para a Aesbe é um evento fundamental porque nós abrimos o calendário do setor. A maioria das nossas associadas possui parcerias público-privadas (PPPs) e concessões em seus planos de negócios e, ali, elas demonstram ao mercado exatamente o que está sendo trabalhado”, afirma o diretor.

Diferencial estratégico

Diferentemente de fóruns estritamente teóricos, o Raio-X tem se caracterizado por um equilíbrio entre a projeção de futuro e a reflexão sobre o passado recente. Sérgio Gonçalves enfatiza que a infraestrutura de saneamento, no modelo de concessões e PPPs, ainda é um campo em constante evolução no Brasil. Esse “momento de reflexão” citado pelo diretor é o que tem permitido que os editais atuais cheguem ao mercado com uma qualidade técnica superior aos de anos anteriores.

Segundo ele, cada dia a modelagem e os estudos têm que ser aprimorados. “Esse aprendizado é fundamental porque os editais têm saído muito melhores, o que é bom tanto para o setor público quanto para o privado”, explica Gonçalves. A lógica é clara: quanto mais estável e organizado for o projeto, melhor será a regulação e, na ponta final, a prestação do serviço ao cidadão.

Um dos pontos neurais discutidos e que reflete essa evolução técnica é a adoção de mecanismos que evitem a concentração excessiva de mercado. O aprendizado extraído de certames anteriores trouxe para o centro do debate as chamadas “cláusulas de barreira” ou gatilhos. O objetivo é permitir que um maior número de prestadores tenha a oportunidade de vencer lotes diferentes, promovendo uma diversidade de operadores e reduzindo riscos sistêmicos.

De acordo com o diretor da Aesbe, esse movimento, iniciado de forma pioneira pela Sanepar (Paraná), está sendo replicado por outras companhias estaduais. “Isso se demonstrou um aprendizado interessante para abrir o mercado para mais prestadores”, observa. Somado a isso, há um rigor crescente nos levantamentos de ativos, garantindo que o parceiro privado não enfrente surpresas operacionais que possam comprometer a viabilidade do contrato.

Reforma Tributária no radar

Apesar do otimismo com o volume de projetos, que abrange cerca de 10 estados brasileiros este ano, o horizonte não está isento de nuvens. A reforma tributária (PLP 68/2024) foi apontada por Sérgio Gonçalves como uma pauta prioritária no radar da diretoria da Aesbe e seus associados.

O cerne da questão reside no impacto direto nas modelagens econômico- -financeiras. As primeiras gerações de PPPs não previam um aumento na carga tributária, o que agora coloca o setor diante de uma demanda iminente por reequilíbrio de contratos. O receio da Aesbe é o efeito cascata: “Todo reequilíbrio de contratos gera um aumento de tarifa, que quem paga é o consumidor”, alerta o diretor, reforçando que a associação monitora de perto as discussões legislativas para mitigar esses impactos.

Para sustentar essa complexa agenda de concessões, a Aesbe aposta na inteligência coletiva. Há cerca de três anos, a associação mantém a Câmara Técnica de Parcerias, um fórum interno por meio do qual membros das empresas associadas trocam experiências reais sobre sucessos e gargalos.

Este ambiente de colaboração permite que estados que ainda estão na fase de modelagem, como alguns que apresentaram seus pipelines no Road Show da Hiria, possam beber da fonte daqueles que já operam contratos maduros. “Aqueles que já fizeram mostram o que aconteceu, e aqueles que estão se preparando aprendem. A Aesbe tem esse papel de promover a troca de experiências”, diz Gonçalves.

Expectativas e o futuro na B3

Com o encerramento do II Raio-X, a Aesbe já olha para 2027. A parceria com a Hiria e a B3 é vista como vital para manter o saneamento em destaque na agenda dos investidores. Sérgio Gonçalves confirma que a expectativa é de continuidade para que o evento se torne um “cartão de visita anual”.

Muitas empresas estaduais ainda estão refinando seus estudos para parcerias ou concessões (sejam elas plenas ou parciais). Por isso, o fôlego para o próximo ano permanece alto. O objetivo final é a universalização dos serviços de água e esgoto, conforme preconiza o Marco Legal, e o Raio-X das PPPs provou ser a bússola necessária para guiar esse investimento bilionário com segurança jurídica e eficiência operacional.

Como resumiu Munir Abud, presidente nacional da Aesbe, durante a abertura do evento em fevereiro, o encontro é o momento de unir o propósito de universalização à realidade do mercado, garantindo que o saneamento brasileiro avance com a robustez que o país exige.

- União das empresas impulsiona pauta nacional rumo à universalização

Nos bastidores do VII Fórum Novo Saneamento, realizado em São Paulo, dias 12 e 13 de maio, lideranças de companhias associadas à Aesbe reforçam a importância do intercâmbio técnico para superar os desafios do Marco Legal. Os depoimentos dos CEOs da Cesan, da Caema, da Ceade, da Sanepar, da Caesb, da Casal, da Cosanpa e da Caerd para a Revista Sanear, revelam uma agenda comum focada em eficiência tecnológica, segurança hídrica diante de crises climáticas e dignidade social, provando que as soluções para os gargalos históricos na ponta passam pelo fortalecimento e pela modernização da gestão das empresas públicas.

Mais investimentos em inovação e segurança hídrica

Munir Abud, que preside a Cesan, a Companhia de Saneamento do Espírito Santo, e a Aesbe, afirma ser “crucial continuar colocando o saneamento como prioridade nos debates nacionais para superar os desafios e avançar em direção à universalização”. Ele mesmo aponta que as barreiras relativas ao setor, que, entre outros, demanda vultosos investimentos, são muito grandes (leia texto abaixo).

“Não há recursos suficientes no orçamento fiscal, e a capacidade de endividamento das companhias e do mercado financeiro é limitada. É necessário um direcionamento por imposição legal, como a criação de um fundo de saneamento”, analisa. Segundo ele, a reforma tributária, do jeito que está, também é nociva para o setor, pois pode levar ao aumento de tarifas e à redução de investimentos.

Abud aponta também que é fundamental ter uma regulamentação uniforme no Brasil. “Para garantir segurança jurídica e regulatória, com a ANA atuando de forma mais enérgica para que seus normativos sejam vinculantes”, explica.

Para o diretor-presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Luís Antônio Almeida Reis, a participação no fórum é uma oportunidade estratégica para alinhar o setor diante das profundas disparidades regionais do Brasil. Ele destaca que, embora o Distrito Federal possua uma realidade ímpar por ser uma cidade planejada e nova, a capital não está imune aos desafios clássicos do segmento, como a expansão urbana desordenada.

“A Caesb vive um momento de solidez financeira e operacional. Somos uma empresa 100% pública, não dependente do orçamento do Estado, e já atingimos praticamente todas as metas previstas pelo Marco Legal do Saneamento. Nosso foco agora é a universalização plena e a resiliência do sistema”, pontua Reis.

O plano de investimentos da companhia, que prevê o aporte de R$ 4 bilhões até 2030, está ancorado em três eixos fundamentais: ampliação da produção de água, combate rigoroso às perdas e melhoria da qualidade do tratamento de efluentes. Entre as inovações, o presidente ressalta o pioneirismo de Brasília no reúso indireto para consumo humano. “Atualmente, 7% da nossa produção já provém do reúso indireto, com água de excepcional qualidade. Nossa meta é elevar esse índice para 20% até 2030, garantindo segurança hídrica mesmo diante de eventos climáticos adversos. Ao integrarmos o reúso, diminuímos a dependência de água bruta e otimizamos o consumo de energia”, explica.

O diretor-presidente da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), Luiz Cavalcante Peixoto Neto, ressalta que discutir o setor sob a ótica do Marco Legal exige uma atualização constante, dada a velocidade das transformações jurídicas e regulatórias. Alagoas, como estado pioneiro ao realizar o primeiro leilão de saneamento da Região Metropolitana de Maceió em 2020, hoje colhe aprendizados sobre a dinâmica entre o público e o privado. “Vivemos um modelo em que a Casal atua como produtora de água e as concessionárias privadas cuidam da distribuição. Estar em um fórum como este é fundamental para entendermos como a performance de cada ator está funcionando diante dos desafios que o novo cenário impõe”, afirma Luiz Neto.

- Saneamento básico: um desafio que exige ação conjunta

Por Caroline Tonini | Gestora de Contas de Saneamento da UNIPAR

O saneamento básico no Brasil ainda representa um dos maiores desafios sociais e estruturais do país. Apesar dos avanços regulatórios e do debate crescente sobre sustentabilidade, milhões de brasileiros continuam sem acesso adequado à coleta e ao tratamento de esgoto, convivendo diariamente com impactos diretos na saúde, na qualidade de vida e no desenvolvimento econômico.

Segundo o Instituto Trata Brasil, mais da metade dos 100 maiores municípios brasileiros investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor muito abaixo do necessário para a universalização dos serviços. O Ranking do Saneamento 2026 aponta que o investimento médio nos maiores municípios foi de R$ 135,89 por habitante em 2024, ainda distante dos R$ 223 estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento Básico até 2033.

Nesse contexto, ampliar os investimentos e acelerar a implementação de soluções eficientes tornam-se essenciais. Mas esse desafio não pode ser enfrentado apenas pelo poder público. A universalização do saneamento exige uma atuação conjunta entre governos, sociedade civil e iniciativa privada.

E é justamente nesse ponto que a indústria química possui um papel estratégico de transformação. Além de fornecer insumos indispensáveis para o tratamento de água e do esgoto, o setor também pode contribuir diretamente para ampliar o acesso ao saneamento por meio de modernizações, parcerias e projetos sociais de impacto.

A Unipar é um exemplo dessa atuação. A companhia se posiciona como uma das principais fornecedoras de insumos essenciais para o setor de saneamento no Brasil, contribuindo tanto para o tratamento da água e do esgoto quanto para a expansão da infraestrutura necessária ao atendimento da população.

Entre os principais produtos fornecidos pela empresa estão o cloro e o hipoclorito de sódio, fundamentais para a desinfecção da água; o ácido clorídrico, utilizado na produção de coagulantes responsáveis pela remoção de impurezas; a soda cáustica, aplicada na correção do pH; e o PVC, matéria-prima indispensável para a fabricação de tubos e conexões utilizados nas redes de distribuição e esgotamento sanitário. Esses itens garantem segurança, eficiência e confiabilidade em todo o ciclo do saneamento – do tratamento à infraestrutura.

No entanto, o compromisso da Unipar com o saneamento vai além da oferta de produtos. A empresa entende que gerar valor sustentável também significa promover transformação social nas comunidades onde atua. Diante dos desafios enfrentados por áreas sem infraestrutura adequada, a companhia passou a investir em iniciativas de saneamento que se destacam pelo baixo custo, pela facilidade de implementação e pela elevada eficiência no tratamento de efluentes.

Um dos exemplos é o projeto realizado na comunidade Jardim Planteucal, implantado em 2023. Em parceria com a Tigre, a prefeitura local e a ONG Biosaneamento, a Unipar implementou um sistema de saneamento de baixo custo e de fácil instalação que beneficiou 30 famílias da região. O modelo adotado alcança cerca de 90% de eficiência no tratamento dos efluentes, contribuindo para a revitalização do córrego local e promovendo melhorias significativas na qualidade de vida da população. Além dos impactos ambientais positivos, o projeto também trouxe ganhos diretos para a saúde, a dignidade e o bem-estar da comunidade.

Outro exemplo está no Jardim Encantado, em Rio Grande da Serra (SP). Após um projeto de diagnóstico das condições locais, a companhia, em parceria com a ONG Biosaneamento, a Sabesp e a Prefeitura, viabilizou o acesso ao tratamento de esgoto para aproximadamente 150 famílias, cerca de 500 pessoas, contribuindo para reduzir vulnerabilidades sociais e ampliar o acesso a condições mais adequadas de saúde e qualidade de vida. Esses projetos mostram, na prática, como a indústria química pode gerar impacto social real quando associada a ações concretas, investimentos consistentes e parcerias estratégicas. Mais do que cumprir metas ambientais ou fortalecer indicadores corporativos, iniciativas como essas ajudam a transformar realidades e ampliar o acesso a direitos básicos.

Fonte: DA REVISTA SANEAR Nº 53 – AESBE – Comunicação de 27/08/2026 (Continuação)

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA SANEAR Nº 53 – AESBE – Comunicação de 27/08/2026

11/9/2026

- Escola de Saneamento fortalece qualificação profissional e se consolida como referência no setor

Parceria entre Aesbe e FESPSP amplia oferta de cursos estratégicos, alinhados às demandas das companhias e aos desafios da universalização, inovação e gestão no saneamento brasileiro

Em meio aos desafios da universalização, aos obstáculos impostos pelas mudanças climáticas e ao avanço das novas tecnologias no saneamento, a qualificação profissional tornou-se peça central para o fortalecimento do setor. É nesse contexto que a Escola de Saneamento (ESAN), criada pela parceria entre a Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), consolida-se como um espaço estratégico de formação, troca de conhecimento e desenvolvimento técnico para profissionais de todo o país.

A consolidação da ESAN em pouco tempo de atuação, de acordo com Antonio Miranda, coordenador de Projetos da FESPSP e curador técnico da Escola de Saneamento, é resultado da combinação entre dedicação institucional e uma demanda já existente no setor. “Havia uma lacuna em relação à capacitação profissional e a Escola veio preencher esse espaço. Além disso, houve um grande empenho das equipes da Aesbe e da FESPSP, com apoio das diretorias das duas instituições, que perceberam a relevância estratégica dessa iniciativa”, destaca.

Para o coordenador-geral de Projetos e Pesquisa da FESPSP, Elcires Pimenta, a formação continuada deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade permanente para o saneamento. “Os profissionais do setor são desafiados a se adequar a uma grande mudança institucional e técnica. Trata-se de criar um novo paradigma de dinâmica e constância de capacitação em parceria com as empresas e outras instituições, o que beneficiará muito o setor e os profissionais”, afirma.

Pimenta destaca ainda que há uma lacuna histórica na oferta de capacitações específicas para o saneamento no Brasil. “A proposta da ESAN é prover o setor de cursos certificados, desenhados conforme as necessidades e solicitações das empresas. Muitas dessas formações simplesmente não são encontradas no mercado. Além disso, o timing da oferta de determinados cursos por exemplo é muitíssimo importante”, explica.

Formação sob medida 

Um dos diferenciais da Escola de Saneamento é justamente o modelo de construção dos cursos. Em vez de ofertar conteúdos prontos ao mercado, a ESAN desenvolve formações sob medida, a partir do diálogo com as companhias e instituições do setor. “Primeiro conversamos com quem precisa daquela capacitação, entendemos quais conteúdos devem ser priorizados e, a partir disso, moldamos os cursos conforme a demanda do contratante”, explica Miranda. Para ele, esse formato permite que as capacitações estejam diretamente conectadas aos desafios atuais do saneamento, como modernização da gestão, inovação e eficiência operacional.

A coordenadora pedagógica Luciana Barreira reforça que o fortalecimento da qualificação profissional é essencial para que o país avance na universalização dos serviços. “O Brasil possui hoje um arcabouço legal de excelência, mas apenas investimentos não bastam. A aplicação da legislação exige capacidade de planejamento, gestão e profissionais qualificados para responder aos desafios do setor”, afirma.

Para definir os temas prioritários das capacitações, a Escola realizou, no fim de 2024, uma pesquisa com as 13 Câmaras Técnicas da Aesbe. A partir desse levantamento, foi estruturado um catálogo com 11 categorias de cursos considerados estratégicos pelas companhias estaduais. Entre os temas destacados estão desenvolvimento técnico-operacional, gestão de ativos e desempenho, planejamento, comunicação, regulação e compliance.

Entre os cursos que já despertaram grande interesse está a formação sobre Reporte de Informações Financeiras Relativas à Sustentabilidade (IFRS/CBPS S1 e S2), voltada às novas exigências de sustentabilidade nas demonstrações financeiras. O curso já chega à segunda edição e reúne especialistas de diferentes áreas para tratar de forma interdisciplinar temas ligados à contabilidade e à sustentabilidade.

Cursos alinhados aos novos desafios do setor

A agenda de novos cursos também reforça o compromisso da Escola com temas emergentes e demandas práticas do setor. Entre as próximas formações previstas estão o curso “Propostas de Projetos de Inovação e Captação de Recursos – Edital Finep Mais Inovação – Rodada 2 – Economia Circular e Cidades Sustentáveis”, que começa em junho, voltado à estruturação de projetos inovadores em água e esgoto.

Em agosto acontece o lançamento do 1º Curso de Ouvidoria em Saneamento do Brasil. “Será uma formação pioneira que abordará a gestão de ouvidorias e o relacionamento com o cliente no contexto do saneamento. Além disso, estão em fase de elaboração cursos sobre Atendimento ao Cliente no Setor de Saneamento e de Modelagem Hidráulica, que aprofundarão conhecimentos em áreas cruciais para a operação e gestão de serviços”, detalha a coordenadora pedagógica, Luciana Barreiro.

Outro aspecto apontado como fundamental para o crescimento da ESAN é o formato das aulas, com forte presença do ensino a distância e metodologias flexíveis, permitindo que profissionais de diferentes regiões do país conciliem capacitação e rotina de trabalho. “À medida que os cursos vão sendo realizados, cresce também o interesse das companhias e dos profissionais. A expectativa é ampliar cada vez mais o atendimento às lideranças, gestores e equipes operacionais do setor”, afirma Antonio Miranda.

Com uma proposta voltada à capacitação continuada, conteúdos customizados e conexão direta com as demandas das companhias estaduais, a Escola de Saneamento avança como uma importante iniciativa para apoiar a transformação do setor e fortalecer a qualificação dos profissionais responsáveis pelos serviços de saneamento no país.

- Aesbe fortalece debate sobre clima e resiliência no saneamento

Realizado pela da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, seminário marcou o lançamento do Núcleo Clima e Saneamento, que reúne especialistas, academia, gestores públicos e financiadores para discutir adaptação climática, investimentos e o futuro dos serviços no Brasil

As mudanças climáticas deixaram de ser um desafio projetado para o futuro e passaram a impactar diretamente a operação e o planejamento do saneamento no Brasil. Eventos adversos, como secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor, afetam sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos e exigem respostas cada vez mais rápidas e estruturadas do setor.

É nesse contexto que especialistas, gestores públicos, pesquisadores e representantes de empresas de saneamento se reuniram em São Paulo durante o seminário “Clima e Saneamento: Sustentabilidade, Adaptabilidade e o Financiamento para o Setor”, promovido pelo Núcleo Clima e Saneamento da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com apoio da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe).

O encontro, que aconteceu no dia 5 de maio, marcou oficialmente o lançamento do Núcleo Clima e Saneamento (NCS), iniciativa criada para conectar produção acadêmica, formulação técnica e ações práticas voltadas à adaptação do setor frente às mudanças climáticas.

A Aesbe participou ativamente das discussões, representada pelo presidente nacional, Munir Abud, pelo diretor executivo, Sergio Gonçalves, e pelo coordenador da Câmara Técnica de Recursos para Investimento e Financiamento (CTRIF), Joel de Jesus Macedo.

Núcleo fortalece legado da COP30 e preparação do setor

Durante o seminário, representantes da FESPSP e da Aesbe destacaram que o Núcleo Clima e Saneamento nasce como um desdobramento das discussões realizadas durante a COP30, especialmente a partir da experiência da Casa do Saneamento, instalada em Belém. A iniciativa busca consolidar um espaço permanente de articulação entre academia, companhias de saneamento, gestores públicos e especialistas para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre os serviços essenciais.

O coordenador do NCS, Elcires Pimenta, afirmou que o núcleo pretende resgatar e aprofundar as propostas debatidas durante a conferência climática, ampliando a participação de diferentes instituições e apoiando o desenvolvimento de programas de adaptação climática voltados ao setor.

“A proposta é que o núcleo, além de formular, debater e divulgar iniciativas, também consiga apoiar sua implementação, desenvolvendo, em conjunto com as companhias de saneamento e demais entidades do setor, programas de adaptação às mudanças climáticas, assim como ações específicas, sejam elas conduzidas pelas companhias ou por órgãos públicos.”, explicou Pimenta.

O coordenador também ressaltou que a parceria entre a FESPSP e a Aesbe já possui um histórico consolidado em iniciativas de formação e qualificação profissional, como os MBAs em Saneamento Ambiental e a Escola Nacional de Saneamento. Para ele, o novo núcleo amplia essa cooperação em um momento em que o setor precisa fortalecer sua capacidade técnica para enfrentar eventos climáticos extremos.

O presidente nacional da Aesbe e presidente da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), Munir Abud de Oliveira, ressaltou o caráter estruturante do núcleo: “A criação do NCS marca um passo estratégico para o saneamento brasileiro ao reunir conhecimento técnico e experiência prática para apoiar o setor no enfrentamento de eventos climáticos extremos, na gestão de riscos e na construção de soluções para proteger a segurança hídrica e a saúde pública. É uma iniciativa que nasce do senso de urgência e da responsabilidade com o futuro: planejar hoje para garantir resiliência, eficiência e sustentabilidade nos serviços de água e esgoto, sem deixar ninguém para trás”.

Sergio Gonçalves, diretor executivo da Aesbe, acrescentou que o setor de saneamento precisa estar cada vez mais envolvido na discussão sobre mudanças climáticas porque os impactos recaem diretamente sobre os serviços: “O núcleo nasce para ajudar o setor a se preparar melhor para o enfrentamento desses desafios”.

Gonçalves ressaltou que os efeitos das mudanças climáticas já exigem mudanças no planejamento das operações e na concepção de projetos de engenharia. Questões como aquisição de equipamentos mais resilientes, revisão de planos de contingência e preparação para situações de emergência passam a integrar, de forma permanente, a gestão das companhias.

“Quando acontece algum evento fora do trivial, o impacto é direto no abastecimento de água, na coleta e tratamento de esgoto, além da drenagem urbana e dos resíduos sólidos. Precisamos garantir que os serviços continuem funcionando mesmo diante de situações adversas”, pontuou.

NCS: produção técnica e apoio às companhias 

O coordenador de Projetos da FESPSP e também coordenador do NCS, Antonio Miranda, explicou que a proposta é transformar o espaço em um ponto focal para estudos, projetos e assistência técnica voltados à adaptação climática no saneamento.

Segundo ele, embora a relação entre mudanças climáticas e saneamento já seja percebida pelos profissionais do setor, ainda existe necessidade de aprofundamento técnico e científico sobre os impactos específicos e as melhores estratégias de enfrentamento: “O núcleo pretende conectar pesquisa acadêmica e aplicação prática, ajudando municípios, estados e prestadores de serviços a se prepararem melhor para os desafios climáticos”.

Debate estruturado e aproximação com a sociedade

Responsável pela conferência de abertura, o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Motta*, destacou a importância de ampliar o debate sobre clima e saneamento para além do ambiente técnico, aproximando a discussão da sociedade.

Para ele, iniciativas como o Núcleo Clima e Saneamento fortalecem a capacidade de produzir reflexão qualificada e integrar diferentes perspectivas sobre o tema: “Precisamos levar o debate sobre a relação entre clima e saneamento para a sociedade. Isso exige reflexão intelectual estruturada e diversidade de abordagens. Quando reunimos diferentes visões, enriquecemos o debate e ampliamos a capacidade de responder às preocupações da população”, afirmou.

Motta também ressaltou que muitos dos impactos climáticos já são percebidos pela sociedade, ainda que, em muitos casos, as pessoas não consigam identificar claramente sua relação com o saneamento e a infraestrutura urbana.

Financiamento é desafio central para universalização

Durante o seminário, o presidente da Aesbe, Munir Abud, chamou atenção para um dos principais entraves à universalização do saneamento no país: o financiamento dos investimentos necessários para alcançar as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento.

Segundo ele, embora os objetivos de atendimento — 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033 — sejam conhecidos pelo setor, a viabilidade financeira ainda representa um grande desafio.

“Estamos falando de algo entre 800 bilhões e 1 trilhão de reais em investimentos necessários. E esse recurso não está disponível nem nas companhias, nem nos orçamentos públicos”, afirmou.

Abud destacou que a ampliação do acesso a financiamentos será decisiva para garantir o avanço dos projetos, incluindo recursos de bancos públicos, organismos multilaterais e instrumentos do mercado de capitais.

*À época da realização do evento em questão, em 5 de maio, Alexandre Motta ocupava a presidência da Funasa, atualmente liderada por Lenildo Morais.

- Mulheres à frente do saneamento brasileiro

A universalização do saneamento exige investimento, planejamento, capacidade de execução e, sobretudo, habilidade de liderar. Em diferentes regiões do país, mulheres têm ocupado espaços estratégicos à frente de companhias responsáveis por levar água, esgoto tratado e dignidade a milhões de brasileiros.

Nesta edição do Espaço CEO, a Revista Sanear conversa com três presidentes que vivem de perto os desafios e as oportunidades do setor: Deisiane Erculano de Souza, da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama); Nádia Belarmino, da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern); e Samanta Takimi, da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Nas entrevistas, elas compartilham suas visões sobre gestão, inovação, eficiência operacional, investimentos e o papel das empresas de saneamento na construção de um Brasil mais sustentável e universalizado.

Deisiane Erculano de Souza, diretora-presidente da Cosama

Sanear - Como a senhora analisa o cenário atual, os impactos da mudança climática e as novas demandas ambientais e regulatórias do setor? 

Deisiane Erculano - Vivemos no Amazonas a crise climática de forma concreta e urgente. As secas recordes de 2023 e 2024 nos mostraram que não há tempo a perder: comunidades ficaram isoladas, rios baixaram a níveis históricos e a pressão sobre nossos sistemas de abastecimento foi enorme. A logística já é, por si só, um dos maiores desafios do saneamento na Região Norte, e as mudanças climáticas amplificam cada obstáculo. Nós sempre enxergamos a crise climática como algo distante da nossa realidade, pelo fato de estarmos na maior bacia hidrográfica do mundo. Quando pensávamos em mudanças climáticas, pensávamos no derretimento das calotas polares e dos glaciais, nunca imaginamos que a Amazônia seria tão impactada de forma negativa. A Amazônia é um ecossistema complexo, e as alterações no ciclo hidrológico geraram danos socioambientais severos. Essas mudanças impactam em diferentes escalas: em 2023, por exemplo, os danos da seca na capital Manaus foram menores do que no interior, onde as famílias ribeirinhas sofreram os maiores impactos. Levar saneamento a essas comunidades é um desafio multidimensional que envolve questões técnicas, logísticas, ambientais e sociais, mas também uma grande oportunidade de transformação. Nos antecipamos: reforçamos estoques de insumos e garantimos que nenhum dos 15 municípios onde a Cosama atua ficasse sem abastecimento durante as crises. Paralelamente, avançamos com o Programa Água Boa, hoje com 52 sistemas implantados em 47 comunidades de 15 municípios, com capacidade de atender até mil pessoas por dia. Desde 2019, o Governo do Amazonas, por meio da Cosama, investiu no eixo de água tratada, ampliando nossa atuação de 12 para 15 municípios, inaugurando novas agências, novos poços artesianos, estações de tratamento e sistemas simplificados. O Marco Regulatório nos impõe metas ambiciosas até 2033 e seguimos avançando para cumpri-las.

Sanear - Em sua visão, quais são os principais desafios da região para avançar na universalização do saneamento? Deisiane Erculano - O Amazonas tem 62 municípios, uma extensão territorial maior do que muitos países e uma malha de rios que é, ao mesmo tempo, nossa identidade e nosso maior desafio logístico. A Cosama atende hoje 15 municípios, um avanço significativo frente às 12 cidades que operávamos em 2019. Ampliar esse número exige estudos técnicos, volume de investimento e decisão política firme. O Estado tem sido parceiro essencial: sem o seu suporte, não teríamos chegado até onde chegamos. As distâncias são imensas, o transporte é predominantemente fluvial, e cada obra exige planejamento especial. Mesmo assim, seguimos avançando: novos poços artesianos entregues, sistemas revitalizados, comunidades ribeirinhas alcançadas pelo Projeto Água Boa e parcerias estratégicas com UNICEF, com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e municípios, além de equipe técnica multidisciplinar capacitada. A meta de universalização até 2033 é desafiadora para o Amazonas, mas não é impossível.

Sanear - Como as lideranças do setor podem atuar de forma mais eficaz e inovadora para garantir investimentos, ampliar cobertura e manter a sustentabilidade econômico-financeira? Gostaria de citar casos de sua empresa? Deisiane Erculano - Acredito em gestão baseada em diagnóstico real de campo, parcerias estratégicas e uso inteligente de tecnologia social. Na Cosama, o exemplo concreto é o Projeto Água Boa, premiado em 1º lugar no 2º Prêmio Nacional Universalizar da Aesbe, na categoria Justiça Ambiental. O projeto usa sistemas modulares de baixo custo, adaptados à Amazônia, com tratamento completo por coagulação, floculação, sedimentação, filtração e desinfecção. Embora seja um sistema simplificado, ele contempla todas as fases essenciais do tratamento. A Companhia implementou neste semestre um cronograma de treinamento e capacitação para os colaboradores operacionais de todas as agências; em 2026, temos a meta de alcançar todas as equipes de ponta.

Sanear - Como a senhora vê o papel da Aesbe na construção de soluções conjuntas para os desafios do saneamento? Deisiane Erculano - A Aesbe é um espaço essencial de convergência. A parceria com a Aesbe, Funasa e Unicef, e o alinhamento com outras companhias, são fundamentais para avançar no saneamento em estados como o nosso, que têm realidades tão específicas. Foi pela Aesbe que o Projeto Água Boa ganhou visibilidade nacional. A agenda da Aesbe já antecipou a importância do saneamento na COP30. Isso é visão de futuro. Precisamos que o Brasil inteiro entenda o que significa fazer saneamento na Amazônia: aqui, saneamento reflete diretamente a qualidade de vida e a preservação do meio ambiente.

Sanear - Como a presença de mulheres em posições de liderança no saneamento tem contribuído para transformar a gestão e a visão de futuro no setor?

Deisiane Erculano - Sou a primeira mulher a presidir a Cosama nos seus 56 anos de história, e isso me move com profunda responsabilidade e orgulho. Cheguei à presidência pelos degraus da própria Companhia: passei pela área comercial, pela gestão de licitações, compras e chefia de gabinete. Conheço a Cosama de dentro para fora. A liderança feminina agrega ao setor um olhar técnico aguçado, combinado à sensibilidade para enxergar o impacto real do saneamento: na saúde das crianças, na dignidade das mulheres ribeirinhas, na qualidade de vida das comunidades mais distantes. Meu foco é ampliar a cobertura, fortalecer os sistemas existentes e garantir que a água chegue com qualidade a cada família, seja nos 15 municípios, seja nas comunidades alcançadas pelo Projeto Água Boa. Hoje a gestão da Cosama é majoritariamente feminina, e isso nos dá ainda mais segurança para afirmar: quando uma mulher assume a liderança numa Companhia de saneamento, ela também inspira outras e isso transforma o setor de dentro para fora.

Nádia Belarmino, diretora-presidente da Caern

Sanear - Como a senhora analisa o cenário atual, os impactos da mudança climática e as novas demandas ambientais e regulatórias do setor?

Nádia Belarmino - As mudanças climáticas já são a nossa realidade, trazendo desafios como a escassez e os eventos extremos, mas o nosso olhar agora é de antecipação e construção. Nós, que atuamos na linha de frente do saneamento, temos a missão de projetar a resiliência hídrica das próximas décadas. É com essa visão de futuro que encaro o avanço das exigências ambientais e regulatórias: não como um obstáculo, mas como o principal acelerador da nossa jornada ESG. O nosso foco daqui para frente é estruturar a Companhia para os novos tempos, aprimorar a governança e inovar nos processos, garantindo que nossa agenda rumo à universalização caminhe lado a lado com a responsabilidade socioambiental e a segurança hídrica das futuras gerações.

Sanear - Em sua visão, quais são os principais desafios da região para avançar na universalização do saneamento?

Nádia Belarmino - O desafio da universalização é amplo, afeta todo o país e demanda investimentos na casa dos bilhões. Quando olhamos para a nossa realidade regional, no semiárido, lidamos com uma herança desafiadora: o esforço histórico para mitigar a escassez hídrica fez com que o avanço do esgotamento sanitário ficasse em segundo plano. Apesar desse cenário, a Caern não tem medido esforços para acelerar o cumprimento das metas. Um grande reflexo disso é a nossa capital, Natal, que já está muito perto de alcançar a universalização. Para dar capilaridade a esse avanço, estamos com o processo em andamento para a nossa primeira Parceria Público-Privada focada em esgotamento sanitário, um passo estratégico que vai transformar a realidade do saneamento no Rio Grande do Norte.

Sanear - Como as lideranças do setor podem atuar de forma mais eficaz e inovadora para garantir investimentos, ampliar cobertura e, ao mesmo tempo, manter a sustentabilidade econômico-financeira dos serviços? Gostaria de citar casos de sua empresa?

Nádia Belarmino - Para garantir sustentabilidade no longo prazo, a liderança precisa ter a coragem de quebrar paradigmas. Nós superamos aquela fase em que o saneamento não era priorizado. Hoje, munidos do Marco Legal, temos o dever de ir ao mercado buscar soluções. A forma mais eficaz de atuar é combinando a expertise técnica do corpo da Companhia com a agilidade e o capital das parcerias privadas. O processo da nossa primeira PPP de esgotamento sanitário ilustra bem essa virada de chave na Caern: é um modelo que nos permite alavancar quase R$ 3,8 bilhões em investimentos diretos na expansão da rede. E para que essa conta feche, mantendo a sustentabilidade econômico-financeira, a gestão precisa ser inclusiva. Instrumentos como a Tarifa Social são essenciais para ampliar a base de clientes com segurança. Inovar no saneamento, hoje, é ter essa visão sistêmica: fechar grandes parcerias bilionárias em uma ponta e garantir, na outra, que a população tenha o amparo social necessário para se conectar à rede.

Sanear - Como a senhora vê o papel da Aesbe na construção de soluções conjuntas para os desafios do saneamento?

Nádia Belarmino - A Aesbe é, indiscutivelmente, a grande referência institucional do saneamento no Brasil. Em toda a minha trajetória profissional, sempre me pautei pela força da colaboração. Gosto muito de repetir aquela premissa: “se quer ir rápido, vá sozinho, mas se quer ir longe, vá em grupo”. E essa é exatamente a essência da nossa relação com a Associação. A Aesbe exerce um papel integrador fundamental, garantindo que as companhias não sejam vozes isoladas lutando contra desafios imensos. Ela nos permite ecoar uma voz coletiva e uníssona em nível nacional, fomenta uma troca de experiências riquíssima entre as associadas e fortalece a nossa atuação diária. É caminhando juntos que vamos superar os desafios da universalização.

Sanear - Como a presença de mulheres em posições de liderança no saneamento tem contribuído para transformar a gestão e a visão de futuro no setor?

Nádia Belarmino - O fato de eu ser a primeira mulher a assumir a presidência da Caern em mais de meio século de história mostra que, somente agora, em 2026, conseguimos romper uma pesada barreira invisível. A presença feminina na liderança transforma o saneamento porque trazemos para a mesa de decisão uma vivência e uma sensibilidade que são urgentes. Como a ONU muito bem destacou neste ano no Dia Mundial da Água, ao debater o tema ‘Água e Gênero’, a falta de acesso ao saneamento pune de forma desproporcional mulheres e meninas, que são as verdadeiras gestoras da água nos lares mais vulneráveis. Ter mais mulheres ocupando os espaços de poder não é apenas uma questão de representatividade, é a garantia de que as políticas e os investimentos terão o foco correto para erradicar essas desigualdades.

Samanta Takimi, diretora-presidente da Corsan

Sanear - Como a senhora analisa o cenário atual, os impactos da mudança climática e as novas demandas ambientais e regulatórias do setor?

Samanta Takimi - O saneamento brasileiro vive um momento decisivo. O Marco Legal estabeleceu metas claras de universalização, mas a realidade ainda revela um déficit histórico muito profundo, que não faz distinção entre territórios mais ou menos desenvolvidos. É o caso também do Rio Grande do Sul. Hoje, o Estado coleta cerca de 34% do esgoto gerado, enquanto a média nacional está em torno de 56%. Isso significa que enormes volumes de esgoto, algo em torno de 443 piscinas olímpicas ao ano, ainda são lançados diariamente na natureza, pressionando rios, mananciais e sistemas de abastecimento. As mudanças climáticas tornaram esse cenário ainda mais desafiador. A enchente histórica de 2024 mudou definitivamente a forma de pensar e operar o saneamento no Rio Grande do Sul. O que antes era tratado como evento excepcional passou a exigir preparação permanente da infraestrutura. A água deixou de ser apenas uma pauta operacional e passou a ocupar o centro das discussões estratégicas e preocupações das políticas públicas sobre segurança das cidades, saúde, planejamento urbano e adaptação climática. O resultado é que hoje, o setor precisa responder intensa e simultaneamente a demandas ambientais, regulatórias, sociais e econômicas. Isso exige capacidade de investimento, inovação tecnológica, modernização operacional e planejamento de longo prazo. Na Corsan, estruturamos um Plano de Resiliência Hídrica de R$ 1,88 bilhão para preparar os sistemas diante de eventos extremos, com interligação de estruturas, ampliação da reservação, modernização operacional e reforço da segurança hídrica em dezenas de municípios. É um programa que já foi protocolado para análise e aprovação das agências reguladoras. Também avançamos em digitalização, telemetria e monitoramento em tempo real do controle da qualidade da água. Atualmente, a Corsan opera mais de 6 mil pontos de coleta e realiza mais de 1,3 mil análises por hora para monitorar quase 200 parâmetros de qualidade da água distribuída à população. Isso demonstra que saneamento é inteligência operacional, mas, sobretudo, infraestutura e ciência para proteção da vida.

Sanear - Em sua visão, quais são os principais desafios da região para avançar na universalização do saneamento?

Samanta Takimi - O principal desafio do Rio Grande do Sul é superar um déficit estrutural acumulado ao longo de décadas. Quando a operação da Corsan passou para o novo modelo de gestão, em 2023, a cobertura de esgotamento sanitário era de aproximadamente 19% nos municípios atendidos pela Companhia, e 257 cidades não possuíam qualquer cobertura de esgoto. Esse é um cenário incompatível com a dimensão econômica do Estado e com as metas nacionais de universalização. O desafio agora é, ao mesmo tempo em que aceleramos investimentos, manter o ritmo e excelência da execução das obras e a capacidade operacional em uma escala que nunca existiu anteriormente. Historicamente, a Corsan investia cerca de R$ 400 milhões por ano. Hoje, esse volume chega a aproximadamente R$ 1,5 bilhão anuais. Em menos de três anos, mais de R$ 4,3 bilhões foram investidos em infraestrutura de água e esgoto. São números que traduzem a proporção do marco civilizatório que é a universalização do saneamento para um país, estados e municípios. O RS vive o maior ciclo de obras do setor na sua história. Já são aproximadamente mil quilômetros de redes implantadas e cerca de 400 mil ligações de esgoto prontas para conexão intradomiciliar, um volume que representa aproximadamente 40% de todos os ramais disponibilizados em quase 60 anos de história da Corsan. Mas universalizar o saneamento não depende apenas de obras. Existe um desafio importante de conscientização e adesão da população às redes implantadas. O saneamento só cumpre plenamente sua função quando a infraestrutura construída efetivamente retira o esgoto da natureza e dá mais condições de saúde, dignidade e desenvolvimento à população.

Por isso, cidade, operação e sociedade precisam avançar juntas. Outro desafio fundamental é preparar a infraestrutura para eventos extremos. O setor precisa operar com visão de futuro, porque segurança hídrica e resiliência climática passaram a ser condições básicas para o funcionamento das cidades.

Sanear - Como as lideranças do setor podem atuar de forma mais eficaz e inovadora para garantir investimentos, ampliar cobertura e, ao mesmo tempo, manter a sustentabilidade econômico financeira dos serviços? Gostaria de citar casos de sua empresa?

Samanta Takimi - A universalização do saneamento exige um movimento coordenado de liderança capaz de combinar visão estratégica, responsabilidade social, capacidade de execução e coragem para enfrentar desafios históricos. Não existe transformação dessa dimensão sem investimento em larga escala, inovação e eficiência operacional e é preciso entender o papel complementar do poder público, iniciativa privada, sociedade civil organizada e cidadão nessa transformação. Os processos, impactos e benefícios precisam ser pensados coletivamente. Na Corsan, por exemplo, temos trabalhado para estruturar uma operação preparada para atuar em escala industrial, sem perder a sensibilidade social. Isso envolve modernização de processos, incorporação de tecnologia e fortalecimento da cultura de eficiência. Um exemplo é a implantação, em Esteio, de uma fábrica própria de tubos com capacidade de produção de até 200 quilômetros por mês, criada para acelerar a expansão das obras nos 317 municípios atendidos pela Companhia. Também incorporamos tecnologias inovadoras como a SCOTTE, um sistema compacto e transportável de tratamento de esgoto desenvolvido a partir da realidade gaúcha. A solução reduz o tempo de implantação de estações de tratamento de até dois anos para cerca de três meses. Outro ponto central é a redução de perdas de água. Em 2023, aproximadamente 44,3% da água produzida era perdida antes de chegar às residências. Para enfrentar esse desafio, estruturamos um programa baseado em tecnologia e inteligência operacional. Mais de 36,8 mil quilômetros de rede já foram mapeados somente com sensoriamento remoto por satélite e geofones, permitindo identificar e corrigir mais de 32 mil vazamentos ocultos. Sustentabilidade econômico-financeira também significa proteger o equilíbrio do sistema para garantir continuidade dos investimentos e inclusão social. Na área Corsan, a tarifa social será ampliada de cerca de 40 mil para aproximadamente 700 mil famílias beneficiadas, alcançando quase 2 milhões de pessoas com redução de 50% na fatura para consumo de até 15m³. Isso demonstra que expansão de infraestrutura e redução de desigualdades precisam caminhar juntas. Saneamento é uma agenda comum e multidisciplinar, demanda maturidade de gestão e a visão de que exige investimentos estruturantes, de escala, mas, especialmente, proximidade com as pessoas. Melhorar o serviço é sobre melhorar a vida das comunidades, pensar em meio ambiente para o futuro, dar condições de saúde pública, desenvolvimento urbano e competitividade econômica para os territórios.

Sanear - Como a senhora vê o papel da Aesbe na construção de soluções conjuntas para os desafios do saneamento?

Samanta Takimi - A Aesbe ocupa hoje um espaço estratégico na construção do futuro do saneamento brasileiro. O setor atravessa uma transformação histórica, com metas de universalização extremamente desafiadoras, mudanças regulatórias profundas e uma pressão crescente provocada pelos eventos climáticos extremos. Nesse contexto, nenhuma companhia conseguirá responder sozinha à complexidade dessa agenda. A associação tem um papel fundamental ao promover integração técnica, articulação institucional e inteligência coletiva entre as companhias estaduais e os diferentes atores do setor. Representar empresas, nesse contexto, significa ajudar a construir pensamento estratégico para o saneamento brasileiro que nos permita avançar como sociedade diante de desafios dessa magnitude. O país precisa avançar em debates estruturantes sobre resiliência climática, reuso de água, segurança hídrica, inovação operacional, eficiência energética, redução de perdas, financiamento de longo prazo e ampliação do tratamento de esgoto em larga escala. Esses temas exigem capacidade de formulação técnica, troca de experiências e construção conjunta de soluções aplicáveis às diferentes realidades do Brasil. Também considero muito importante o papel da Aesbe na valorização do saneamento como agenda prioritária de desenvolvimento nacional. Durante muito tempo, o setor foi tratado apenas como infraestrutura operacional. Hoje, está cada vez mais claro que saneamento é saúde pública, preservação ambiental, adaptação climática, valorização urbana, competitividade econômica e redução de desigualdades. Portanto, vivemos um momento-chave e estamos, hoje, construindo a nova história do setor. Acredito que o saneamento brasileiro precisa deixar de atuar apenas reagindo aos problemas e passar a liderar uma agenda de cidades mais resilientes, inteligentes e sustentáveis. E isso só será possível por meio de cooperação, inovação e capacidade de pensar o setor de forma integrada e de longo prazo. A Aesbe tem papel central nessa missão.

Sanear - Como a presença de mulheres em posições de liderança no saneamento tem contribuído para transformar a gestão e a visão de futuro no setor?

Samanta Takimi - O saneamento exige conhecimento técnico, gestão operacional e decisões estratégicas, mas também exige escuta, diálogo, sensibilidade social e visão humana sobre os impactos das decisões. Portanto, ser a primeira mulher a liderar a Corsan, em quase 60 anos de história da Companhia, é um símbolo importante de abertura de caminhos e de transformação cultural em um setor historicamente masculino. Ao longo da minha trajetória, aprendi que liderar no saneamento é cuidar de pessoas. Estamos falando de um serviço essencial que impacta diretamente saúde, dignidade, permanência das famílias nos territórios e proteção ambiental. Cada decisão tomada dentro de uma companhia de saneamento repercute na vida de milhões de pessoas. Acredito muito em uma liderança baseada em integração, responsabilidade e propósito coletivo. Mulheres muitas vezes contribuem trazendo uma visão mais conectada entre eficiência operacional, cuidado humano e sustentabilidade de longo prazo. O saneamento transforma realidades de forma “invisível”, mas profunda. E liderar esse processo é compreender que infraestrutura também é justiça social. Cada rede implantada, cada estação construída e cada família atendida representam uma transformação concreta na qualidade de vida e no futuro das cidades.

- “A Amazônia está muito próxima do ponto de não retorno”

Por Carlos Nobre

Apontado como um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos no mundo por seus trabalhos sobre mudanças climáticas e a Amazônia, o pesquisador Carlos Nobre acaba de ser indicado pelo Papa Leão XIV para integrar o Conselho do Vaticano. O acadêmico integrará o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em razão de sua veemente defesa da floresta, seus povos e o preocupante alerta que faz sobre as possibilidades de o desmatamento na região atingir um ponto de não-retorno. Veja a seguir, a entrevista que Nobre concedeu à Sanear.

Sanear - O que significa para um brasileiro ser indicado pelo Papa para o Dicastério do Vaticano? E como o Vaticano pode contribuir na discussão sobre as mudanças climáticas? 

Carlos Nobre - Fiquei muito honrado com a indicação. Sou cientista da área ambiental, climática e amazônica, e acredito que essa foi a razão da escolha. O Vaticano confirmou que minha participação no Sínodo da Amazônia em 2019 foi um dos motivos. O Papa Francisco tem liderado a busca por soluções para a emergência climática, e o Vaticano, com 1,4 bilhão de católicos, muitos em países com altas emissões, tem um papel importante em mostrar os riscos e a necessidade de mudança.

Sanear - O senhor acha que conseguiremos atingir o “net zero” (zero emissões líquidas de carbono) até 2050?

Carlos Nobre - A ciência indicava em 2021 que deveríamos reduzir 43% das emissões até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050. No entanto, nos últimos três anos, a temperatura já atingiu 1,5°C. Artigos recentes mostram que atingiremos permanentemente 1,5°C em 2030. Se zerarmos as emissões apenas em 2050, ultrapassaremos 2°C. Na COP30, propusemos zerar as emissões líquidas até 2040 ou 2045, com uma redução de 5% ao ano até 2030. Infelizmente, muitos países não concordaram.

Sanear - A diplomacia ambiental, inclusive a promovida pelo Vaticano, terá resultados concretos diante da diversidade de realidades e interesses dos países? Carlos Nobre - Temos grande expectativa. O Papa Francisco e agora o Papa Leão XIV têm sido líderes na questão da emergência climática. Minha atuação no Dicastério será semelhante à minha participação no Sínodo da Amazônia, onde levei os riscos da Amazônia e a urgência de soluções, como zerar o desmatamento e valorizar os povos indígenas. Acredito que a divulgação e a oportunidade de discutir o que está acontecendo já são um trabalho positivo.

Sanear - Qual sua avaliação da COP30? Carlos Nobre - Pontos positivos foram a menção aos afrodescendentes e quilombolas e o consenso sobre a urgência de acelerar a adaptação a eventos extremos, com a necessidade de 300 bilhões de dólares anuais para isso. A frustração foi a falta de acordo para acelerar a redução das emissões, especialmente as de combustíveis fósseis e desmatamento, devido à necessidade de consenso entre os países.

Sanear - Como o Brasil deve se posicionar no cenário global. Continuará sendo um líder ambiental? Carlos Nobre - A Amazônia está muito próxima do ponto de não retorno. Se o desmatamento atingir 20-25% e o aquecimento 2°C, perderemos 70-77% da floresta em 30-50 anos. É essencial zerar o desmatamento o quanto antes, não depois de 2030, e fazer mega restauração florestal. O Brasil lançou na COP28 um plano para restaurar 240.000 km² até 2050. Se não fizermos isso, não haverá mais volta.

Sanear - Quanto o Brasil e o mundo podem perder financeiramente com as mudanças climáticas?

Carlos Nobre - Os custos dos eventos extremos são altíssimos. Destroem infraestrutura, afetam a produção agrícola, causam mortes. É mais barato buscar soluções. Por exemplo, proteger as pessoas das ondas de calor é mais econômico do que tratar as consequências médicas. O sistema econômico mundial ainda não está indo nessa direção.

Sanear - Pode-se afirmar que existe dinheiro, mas não vontade política para combater as mudanças climáticas? Carlos Nobre - Sim. Os gastos militares globais, incluindo as guerras, são o quarto maior emissor de gases de efeito estufa. O presidente Lula, na COP30, mencionou que os países gastam 2,3 trilhões de dólares por ano em guerras, muito mais do que o necessário para combater a emergência climática.

Ele disse: “Parem todas as guerras”, e haverá recursos. É um absurdo gastar tanto em conflitos que matam milhares de pessoas.

Sanear - Como garantir que a nova economia da sociobiodiversidade inclua comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas sem repetir modelos de exploração?

Carlos Nobre - É totalmente factível. Cooperativas de produtos da biodiversidade amazônica mostram que os cooperados e fornecedores atingem a classe média, melhorando suas vidas e mantendo a floresta. A socioeconomia da floresta em pé, embora represente apenas 1,5% do PIB da Amazônia brasileira, tem um enorme potencial. A pecuária, que causa desmatamento, representa 17% do PIB e gera pouquíssimos empregos. É preciso valorizar os produtos da biodiversidade e os sistemas agroflorestais.

Sanear - Como convencer os setores econômicos a manter a Amazônia em pé? Carlos Nobre - É preciso ter políticas públicas que forcem a mudança. O agronegócio, culturalmente, não muda facilmente. É necessário zerar o desmatamento e promover a agropecuária regenerativa, que é mais produtiva, sem desmatamento e resiliente a eventos extremos. Atualmente, menos de 15% das fazendas brasileiras adotam essa prática.

Sanear - Qual o papel do setor de saneamento no combate às mudanças climáticas? Carlos Nobre - O saneamento é um grande desafio no Brasil, com muitas residências sem acesso. Isso representa um risco para a saúde humana e a biodiversidade. O saneamento também gera emissões de metano, mas há maneiras de diminuí-las. O maior benefício do saneamento é social, físico e medicinal para a população.

Sanear - Qual sua mensagem para os profissionais do setor de saneamento?

Carlos Nobre - Parabéns pelo trabalho. O desafio é enorme, quase dobrar o saneamento em todo o Brasil para toda a população. É preciso ter poder político para alcançar essa meta.

- O papel das entidades de saneamento na universalização

Especialistas ressaltam que, mais do que esforços isolados, o avanço do setor depende do fortalecimento da articulação entre diferentes atores

À medida que o prazo para a universalização do saneamento se aproxima, especialistas e operadores do setor debatem se os sete anos restantes serão suficientes para alcançar a meta de 99% de acesso à água potável e 90% de cobertura na coleta e tratamento de esgoto. Os últimos anos foram marcados por avanços significativos, mas lacunas em investimento, planejamento e coordenação entre as entidades do setor podem frear a evolução completa dos serviços até 2033.

Até o momento, 28 municípios já alcançaram a universalização do abastecimento de água, sendo 11 deles no estado de São Paulo. Os dados são do Ranking do Saneamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, que também evidencia as dificuldades enfrentadas pelas regiões Norte e Nordeste. Recife, por exemplo, registra 78,9% de cobertura no abastecimento de água, enquanto Porto Velho tem apenas 30,7%.

São necessários R$ 900 bilhões para alcançar a meta, o dobro do que vem sendo alocado anualmente, segundo dados do instituto. “As parcerias público-privadas (PPPs) têm avançado muito, o que consegue responder em parte à universalização. Mas ainda necessitamos de uma mudança institucional referente às fontes de financiamento que propiciem avançarmos de forma mais efetiva, principalmente às populações mais vulneráveis”, avalia o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), Sérgio Gonçalves.

Para ele, o fortalecimento do diálogo institucional entre as diferentes entidades do setor é o principal caminho para consolidar a agenda do saneamento. “As normas de referência para a regulação são fundamentais. Além disso, cada ente estadual, municipal ou consorcial responsável pela regulação pode colaborar com o processo de universalização. A troca de experiências na prestação dos serviços e na regulação, especialmente naquilo que puder ser homogeneizado, ajudará muito”, aponta.

Nesse cenário, as companhias estaduais, presentes em mais de 3 mil municípios brasileiros, tornam-se cada vez mais cruciais, segundo o diretor executivo da Aesbe. “Elas possuem um compromisso público em levar saneamento como uma missão que ultrapassa o compromisso institucional. As companhias estão a cada dia avançando nas agendas ESG/ASG e também nas agendas de mudança climática, se modernizando e permanecendo atentas aos movimentos políticos-institucionais”

É cada vez mais importante que as companhias dialoguem especialmente com os municípios, apontados por Francisco dos Santos Lopes, secretário executivo da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), como um dos principais protagonistas na agenda da universalização. “A cooperação entre municípios, estados, União e entidades do setor é um dos caminhos mais poderosos para superar as desigualdades regionais no acesso ao saneamento. Quando trabalhamos de forma integrada, conseguimos somar capacidades, compartilhar soluções e construir estratégias que respeitam as diferenças territoriais do Brasil, sem deixar nenhum município para trás”, defende.

Para a Assemae, a universalização só será possível se houver articulação permanente entre os diferentes níveis de governo e as instituições que atuam no saneamento. “Trabalhamos para aproximar gestores, promover o diálogo técnico e político e criar espaços em que as experiências bem-sucedidas possam ser replicadas em regiões que ainda enfrentam grandes desafios. Quando unimos esforços, ampliamos o acesso a financiamentos, fortalecemos a regulação, qualificamos a gestão e garantimos que as políticas públicas cheguem de forma mais equilibrada a todas as regiões. É por isso que seguimos empenhados em construir pontes, estimular parcerias e fortalecer o saneamento público municipal como peça central de uma estratégia nacional capaz de reduzir desigualdades e transformar realidades em todo o país”, completa.

A importância de investimentos públicos e privados

A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental possui atualmente 1.844 empreendimentos, que somam R$ 67,7 bilhões em investimentos. Entre 2023 e 2026, foram contratadas mais de 1.200 operações de repasse, totalizando R$ 19 bilhões, além de 146 operações de financiamento com recursos do FGTS, que representam R$ 11,9 bilhões em empréstimos e R$ 13,3 bilhões em investimentos. O setor também conta com participação crescente das debêntures incentivadas de infraestrutura, cuja carteira reúne 91 projetos, com R$ 73,1 bilhões em investimentos.

Diretora-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon), Christianne Dias diz que os investimentos do setor privado são essenciais para mobilizar os R$ 900 bilhões necessários à universalização. “Desde o Marco, os avanços foram significativos, elevando a operação privada para 37,2% dos municípios e gerando a contratualização de R$ 205,1 bilhões em investimentos via 67 leilões. Com isso, o setor de saneamento registra investimento recorde pelo terceiro ano consecutivo, alcançando R$ 29,1 bilhões em 2024”, analisa.

A especialista aponta que modelos de concessão e PPPs são aceleradores da expansão dos serviços, especialmente em regiões deficitárias de atendimento. “Esses modelos combinam eficiência operacional e a capacidade de investimento do setor privado com planejamento de longo prazo. Cada modelo possui suas particularidades e vantagens. Muitas concessões e PPPs foram desenhadas para atender ao modelo de regionalização do atendimento de água e esgoto, juntando no mesmo bloco municípios grandes, com maior rentabilidade, e municípios menores, que não se viabilizariam sozinhos. Isso resulta em subsídios cruzados que promovem a universalização”, explica.

As concessões têm sido amplamente utilizadas no avanço do atendimento de água e esgoto, concentrando 57 dos leilões realizados. Já as PPPs têm sido um instrumento essencial para ampliar a capacidade de investimento das companhias estaduais e acelerar a construção de redes para alcançar a universalização.

Para atrair investimentos de longo prazo, a diretora-presidente da Abcon explica que é necessário segurança jurídica, com respeito aos contratos, aderência aos termos de reajustes e aos reequilíbrios econômico-financeiros de acordo com as matrizes de risco pré-estabelecidas. “Outra condição essencial é a coerência regulatória, que significa alinhamento de objetivos das políticas públicas, para evitar que uma política interfira ou comprometa os objetivos de universalização do saneamento. As normas de referência da ANA [Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico] têm um papel importante de harmonização regulatória no setor de saneamento e contribuem tanto para a segurança jurídica quanto para a coerência regulatória”, completa.

Universalização que chega aos rincões do país

Um dos grandes feitos da universalização será levar o acesso ao saneamento básico às regiões mais afastadas dos centros urbanos, como pequenos municípios, áreas rurais e comunidades mais vulneráveis. Para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Marco Legal permite alcançar populações que ficaram ficou historicamente mais distantes dessas políticas públicas.

“Estamos falando de milhões de brasileiros que ainda convivem com dificuldades de acesso à água tratada, esgotamento sanitário e serviços básicos de saúde ambiental. A Funasa [Fundação Nacional de Saúde] conhece essa realidade de perto porque atua há décadas ao lado desses municípios, especialmente os de menor porte, de até 50 mil habitantes. Muitas vezes, são localidades que não conseguem atrair grandes investimentos e que dependem muito do apoio técnico e institucional do governo federal para tirar projetos do papel”, evidencia Lenildo Morais, presidente da Fundação.

Levar saneamento para essas áreas, segundo ele, é uma questão de saúde pública, já que a ausência desses serviços impacta diretamente os índices de doenças, na qualidade de vida e no desenvolvimento econômico local. Nesse contexto, instituições como a Funasa, que acumulam experiência técnica e presença nos territórios, têm um papel muito importante por ajudar os municípios em várias frentes ao mesmo tempo.

“Não se trata apenas de executar obras, mas de apoiar o planejamento, capacitar equipes locais e construir soluções adequadas para cada realidade. Na prática, muitos municípios enfrentam dificuldades até para estruturar projetos e acessar recursos. É aí que a atuação técnica faz diferença. A Funasa, por

exemplo, tem uma experiência histórica de apoio aos municípios de menor porte, principalmente em áreas rurais e localidades mais vulneráveis”, diz Morais.

Ele destaca ainda que o saneamento não pode ser visto isoladamente, pois está associado diretamente à saúde pública, à preservação ambiental e à qualidade de vida das pessoas. Dessa forma, a visão integrada busca soluções sustentáveis e funcionais no dia a dia das comunidades. “O Brasil tem realidades muito diferentes. Em áreas rurais e comunidades mais isoladas, por exemplo, os custos costumam ser maiores e, muitas vezes, as soluções tradicionais não atendem da melhor forma. Isso exige tecnologias adaptadas e modelos mais flexíveis. Por isso, a Funasa entende que o apoio técnico permanente é fundamental. Fortalecer os municípios, capacitar gestores e desenvolver soluções apropriadas para cada território são passos essenciais para avançarmos de forma consistente na universalização do saneamento”, avalia o presidente da Funasa.

Sociedade civil mobilizada pelo saneamento

O acesso universal ao saneamento também depende da mobilização da sociedade civil. Entidades como o Instituto Trata Brasil auxiliam na conscientização da população, como enfatiza sua presidente-executiva, Luana Pretto. “Temos um desafio grande. Para que possamos possa conscientizar a população e fazer ela entender a importância desse acesso, precisamos tocar o coração das pessoas e mostrar que o saneamento básico pode mudar a vida delas. A produção de dados coloca o 
saneamento na ordem do dia dessas localidades” explica.

Ao abordar temas como desenvolvimento infantil, mudanças climáticas, produtividade no trabalho, renda e turismo, o instituto tangibiliza o impacto do acesso pleno ao saneamento. “Trazer esses dados de uma maneira acessível é algo que pode conectar a população com o tema e fazer com que ela cobre dos governantes o acesso e que os governantes possam promover políticas públicas que fomentem isso”, diz Luana Pretto.

Na mesma linha, o Instituto Água e Saneamento (IAS) defende que a pressão e o acompanhamento da sociedade civil são ações essenciais para que poder público e legisladores formulem políticas que atendam aos interesses da população com maior transparência na aplicação dos recursos públicos.

“No caso do saneamento, existe em todo o país uma extensa rede de ONGs, movimentos sociais e associações que monitoram atentamente diferentes aspectos dessa área, incluindo saneamento indígena, adaptação climática, universalização e governança, com capacidade para fazer contribuições pertinentes e bem informadas. São atores que fortalecem o controle social previsto na legislação brasileira, ampliando a participação popular em conselhos, audiências públicas e processos decisórios. O IAS procura fazer pontes entre os diferentes atores da água, saneamento e clima, além de subsidiar a sociedade com dados e informações por meio de seus relatórios e ferramentas como municípios e saneamento”, explica Paula Pollini, especialista em políticas públicas e co- -coordenadora de Articulação e Incidência do IAS.

Segundo ela, essa mobilização é importante porque os impactos da precariedade do saneamento afetam desproporcionalmente diferentes grupos. Comunidades periféricas, áreas rurais, povos indígenas, quilombolas e moradores de assentamentos precários sofrem mais com enchentes, contaminação da água, insegurança hídrica e eventos climáticos extremos.

“Nesse sentido, discutir universalização sem considerar justiça climática e desigualdade social pode reproduzir exclusões históricas. O IAS tem uma grande preocupação com os estados e municípios que não conseguirão atender as metas de 99% de água e 90% de esgoto até 2033, previstas no Marco Legal de 2020. São, notadamente, estados que têm os piores índices, boa parte nas regiões Norte e Nordeste. Mas, em qualquer região do Brasil que olharmos, o déficit se concentra em grupos e territórios como populações rurais, comunidades ribeirinhas, povos indígenas, quilombolas, moradores de favelas e periferias urbanas, pessoas em situação de rua e pequenos municípios com baixa capacidade financeira. São esses recortes sociais que correm o maior risco de ficar de fora da meta de 90% almejados pela universalização do esgotamento sanitário, por exemplo”, conclui.

Universalização cria oportunidades

Muitas soluções e inovações têm surgido no setor em resposta à demanda da universalização. O desenvolvimento do reúso da água é um dos destaques e pode estabelecer o Brasil como um grande case de sucesso para o mundo, como explica a fundadora e diretora-executiva do Instituto Reúso de Água (IRdA), Ana Silvia Santos.

Também professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ela conta que os índices de atendimento de água e esgoto já são próximos de 100% nos países em desenvolvimento desde o século passado, quando universalizar o esgotamento sanitário significava coletá-lo e tratá-lo, a nível secundário, para posterior descarte em corpos hídricos com segurança e de acordo com a legislação pertinente.

Recentemente, em função das alterações do clima, do crescimento populacional e das mudanças nos hábitos de consumo da sociedade, as águas residuais tratadas têm ganhado protagonismo ao serem reinseridas no ciclo do uso para diversas finalidades, como aplicações urbanas, agrícolas e industriais. No entanto, a prática de reúso demanda tecnologias de tratamento mais avançadas e uma logística de distribuição mais estruturada, o que leva países desenvolvidos e universalizados a otimizar suas instalações existentes.

Enquanto isso, o Brasil pode universalizar já no contexto de projetos mais inteligentes. “Somente 50% dos esgotos são tratados e, assim, a concepção de novas instalações deve caminhar em paralelo com as ações de adaptação às alterações do clima, para o desenvolvimento de cidades mais resilientes, com vistas à segurança hídrica regional”, analisa Ana Silva Santos, que vê condições técnicas e tecnológicas no país para garantir qualidade de água e segurança sanitária e ambiental.

“O Instituto Reúso de Água é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que tem o objetivo de criar uma cultura de inovação e de construção coletiva do conhecimento de modo a pavimentar o caminho do avanço seguro e responsável do reúso de água no país. Com base na inovação estabelecida no mundo, concentramos nossos esforços em ações educacionais e técnico-científicas para o estabelecimento de pontes entre os principais players públicos e privados do setor e entre eles e a sociedade”, completa.

Muito além de metas numéricas

Investimentos corretos e cooperação entre entidades têm se revelado a melhor combinação para uma entrega efetiva, sustentável e de qualidade para a população. Para o presidente nacional da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Marcel Sanches, o país avançou muito nos últimos anos em termos de estruturação institucional, novos contratos e ampliação da capacidade de investimento, mas a universalização exige muito mais do que metas numéricas.

“Ela depende de execução eficiente, maturidade técnica, capacidade de gestão e forte coordenação entre planejamento, engenharia, regulação, financiamento e operação. Do ponto de vista técnico, há desafios relevantes relacionados à elaboração de bons projetos, licenciamento ambiental, capacidade da cadeia de fornecedores, formação de mão de obra especializada, gestão de contratos, eficiência operacional e resiliência climática. Precisamos acelerar obras sem perder qualidade, segurança ou sustentabilidade econômica”, argumenta.

Segundo ele, também será fundamental ampliar a capacidade de planejamento de longo prazo. O setor precisará investir cada vez mais em segurança hídrica, redução de perdas, reúso, digitalização e adaptação a eventos extremos.

“Universalizar significa garantir acesso com qualidade, continuidade e sustentabilidade operacional para toda a população. A visão da ABES é que o país precisa combinar investimento, capacidade técnica, inovação, boa regulação e cooperação institucional. O saneamento é uma agenda de saúde pública, desenvolvimento econômico, proteção ambiental e dignidade humana. A universalização será resultado da capacidade de transformar planejamento em entrega concreta para a sociedade”, explica o especialista.

Por isso, a ABES tem se comprometido a exercer um papel estratégico como espaço de convergência entre conhecimento técnico, formulação institucional e articulação setorial. Em seis décadas de atuação, a entidade se consolidou como uma das principais referências técnico-científicas do saneamento brasileiro, promovendo a integração entre academia, operadores públicos e privados, reguladores, governos, empresas, centros de pesquisa e profissionais do setor.

“A ABES atua como uma ponte entre conhecimento e implementação. Isso significa transformar experiências, pesquisas, inovação e boas práticas em diretrizes, debates e soluções concretas capazes de apoiar políticas públicas, decisões regulatórias e investimentos estruturantes. Além disso, a ABES tem um papel importante na construção de consensos técnicos em um setor que vive uma profunda transformação institucional. O saneamento precisa de estabilidade, previsibilidade e visão de longo prazo. A contribuição da ABES é justamente oferecer um ambiente técnico qualificado, plural e institucionalmente equilibrado para apoiar essa evolução”, conclui Sanches.

Na mesma perspectiva, Agostinho Geraldes, presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), diz que a cooperação entre entidades do saneamento, governo, operadores, universidades e organismos internacionais é essencial porque a universalização é um desafio multidimensional. “Nenhuma instituição consegue resolver sozinha questões que envolvem infraestrutura, financiamento, tecnologia, regulação, desenvolvimento urbano, meio ambiente e inclusão social”, evidencia.

A universalização, segundo ele, não depende apenas de obras, mas de articulação institucional, continuidade de políticas públicas, qualificação técnica e capacidade coletiva de construir soluções sustentáveis para o país. “O poder público define políticas e metas, os operadores executam e investem, a academia produz pesquisa e inovação, entidades técnicas articulam conhecimento e formação, e organismos internacionais contribuem com financiamento, experiências globais e cooperação técnica”, explica.

Quando esses atores trabalham de forma integrada, o setor ganha mais capacidade de inovação, troca de experiências bem-sucedidas, maior eficiência regulatória, planejamento de longo prazo e acesso a novas tecnologias e modelos de gestão. Dentro dessa perspectiva, a AESabesp atua no papel estratégico de ponte entre conhecimento técnico, formulação de políticas públicas e integração institucional do setor de saneamento. Como entidade associativa, ajuda a reunir profissionais, operadores, pesquisadores, empresas e gestores públicos em torno de um objetivo comum: ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário com qualidade e sustentabilidade.

“A atuação da AESabesp em capacitação e disseminação de conhecimento é importante porque o setor de saneamento vive uma fase de transformação acelerada. Hoje, os desafios envolvem não apenas engenharia tradicional, mas também mudanças climáticas, segurança hídrica, digitalização e automação, ESG, reúso de água, eficiência energética e novas exigências regulatórias e de financiamento. Ao promover cursos, congressos, feiras técnicas e intercâmbio entre especialistas, a AESabesp contribui para atualizar continuamente os profissionais do setor. Eventos como a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente) e o Encontro Técnico (Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente), que juntos formam a maior realização de saneamento ambiental das Américas, têm justamente esse papel, reunindo profissionais e empresas e conectando conhecimento técnico, inovação e os olhares da academia, dos operadores e do mercado”, finaliza o presidente da AESabesp.

Fonte: REVISTA SANEAR Nº 53 – AESBE – Comunicação de 27/08/2026

FRASE DO MÊS

11/9/2026

“Sucesso é a soma de pequenos esforços, repetidos o tempo todo.”

Autor: Robert Collier

FRAGMENTOS EXGTRAÍDOS DA ABCON NEWS ESPECIAL 30 ANOS | AGO. 2026 | EDIÇÃO 104

- 30 ANOS DE COMPROMISSO COM O SANEAMENTO E COM O BRASIL

Editorial

Há três décadas, a ABCON atua na defesa do saneamento básico e na construção de um ambiente capaz de atrair investimentos, ampliar a qualidade dos serviços e acelerar a universalização. Ao representar concessionárias que trabalham diariamente em diferentes regiões do país, a entidade contribui para fortalecer um setor essencial ao desenvolvimento brasileiro e à melhoria da vida das pessoas.

Celebrar os 30 anos da ABCON é também reconhecer a trajetória de um setor que vem avançando e enfrentando desafios para levar água tratada, coleta e tratamento de esgoto a cada vez mais brasileiros. Saneamento é infraestrutura, mas é, sobretudo, saúde, dignidade, qualidade de vida e oportunidade. Cada novo investimento, cada obra concluída e cada serviço ampliado representa um passo concreto para transformar a realidade de milhões de pessoas.

Nesta edição especial da nossa newsletter, convidamos você a conhecer um pouco dessa história, relembrar conquistas e acompanhar os caminhos que estão sendo construídos para o futuro do saneamento no Brasil. O Saneamento Brasil Summit e os debates realizados no 10º Encontro Nacional das Águas (ENA), na semana passada, em São Paulo, também são destaques nesta News.

- ABCON chega aos 30 anos de olho no futuro do saneamento

A ABCON completa 30 anos acompanhando a evolução do saneamento brasileiro e a ampliação da participação privada no setor. Fundada em 1996, a entidade participou de debates que contribuíram para a construção da Lei Nacional de Saneamento Básico, do Plansab e do Marco Legal do Saneamento, além de atuar na articulação entre operadores, reguladores, investidores e poder público. Atualmente, mais de 80% da população projetada para 2033 já conta com cobertura contratualizada por meio de concessões e parcerias público-privadas.

Ao longo de sua trajetória, a ABCON também consolidou iniciativas de produção de conhecimento, como o Panorama da Participação Privada no Saneamento, a Agenda Legislativa e o ABCON Data, além do Encontro Nacional das Águas (ENA), que chega à décima edição em 2026. Em 2024, as empresas privadas responderam por R$ 9,4 bilhões em investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário, o equivalente a 32,4% do total investido no setor. Para os próximos anos, a entidade aponta como prioridades a sustentabilidade econômica dos serviços, segurança hídrica, adaptação às mudanças climáticas, inovação e fortalecimento da segurança jurídica e regulatória.

Saiba+

- Edição especial da revista Canal celebra 30 anos da ABCON

A ABCON celebra seus 30 anos com uma edição especial da Revista Canal, que resgata três décadas de transformação do saneamento brasileiro e reúne 30 personalidades que participaram de momentos decisivos da agenda do setor. A reportagem de capa percorre marcos como a Lei Nacional do Saneamento Básico, o Plansab e o Marco Legal de 2020, destacando a contribuição de parlamentares, ministros, reguladores, técnicos e executivos para a construção das políticas públicas, o fortalecimento da regulação e a atração de investimentos.

A publicação também recupera a trajetória da ABCON, reúne os ex-presidentes da entidade e traz análises da atual diretoria sobre os desafios da próxima etapa, incluindo Reforma Tributária, segurança jurídica, regulação, mudanças climáticas, segurança hídrica, mercado de carbono e qualidade dos dados. A edição destaca ainda que, desde a entrada em vigor do Marco Legal até junho de 2026, foram realizados 70 leilões de concessões e PPPs, somando mais de R$ 227 bilhões em investimentos contratados e beneficiando cerca de 100 milhões de brasileiros em 2.480 municípios.

- Saneamento Brasil Summit discute avanços e execução dos investimentos no setor

O Saneamento Brasil Summit reuniu cerca de 200 executivos, lideranças, autoridades, reguladores e representantes da iniciativa privada para discutir os avanços e desafios do saneamento brasileiro. Realizado em São Paulo, o encontro destacou a aceleração dos investimentos, a ampliação da participação privada e, principalmente, a necessidade de transformar os recursos e contratos em obras e serviços para a população. Segundo dados do Panorama da Universalização do Saneamento 2026, da ABCON, o setor registrou em 2024 o terceiro recorde consecutivo de investimentos, com R$ 29,1 bilhões aplicados.

Ao longo do evento, representantes do setor reforçaram que o desafio passa agora da estruturação para a execução dos projetos. Também estiveram em pauta o fortalecimento da regulação, a regionalização, o financiamento de longo prazo e a articulação entre poder público, iniciativa privada e instituições financeiras. No encerramento, o presidente do BID, Ilan Goldfajn, destacou que o grupo já disponibilizou US$ 8 bilhões para projetos de água e esgoto e ressaltou o papel do Marco Legal na ampliação da segurança jurídica e da previsibilidade para os investimentos.

Saiba+

- ENA debate oportunidades e desafios do novo ciclo de investimentos para o setor

O 10º Encontro Nacional das Águas (ENA), promovido pela ABCON em São Paulo, reuniu autoridades, especialistas e lideranças para discutir o novo ciclo de investimentos do saneamento. Na abertura, que também marcou os 30 anos da entidade, os debates destacaram a consolidação do ambiente de negócios após o Marco Legal, a necessidade de garantir a execução dos contratos e a busca por novas fontes de financiamento. Entre os desafios estão o fortalecimento do mercado de capitais, a ampliação das alternativas de crédito, a segurança regulatória e a redução das desigualdades regionais.

O financiamento esteve entre os principais temas do primeiro dia, com participantes defendendo a combinação de recursos do BNDES, BID, bancos comerciais, mercado de capitais e capital próprio para sustentar os investimentos de longo prazo. A reforma tributária também foi destaque, diante das incertezas sobre carga tributária, emissão de notas fiscais, tarifas, cashback e impactos nos contratos de concessão. Segundo os participantes, a transição exigirá adaptação de sistemas e processos, além de maior coordenação entre governo, Receita Federal, reguladores e operadores para preservar o equilíbrio dos contratos.

Saiba+

- Encontro Nacional das Águas debateu soluções para universalização do saneamento básico

O segundo dia do 10º Encontro Nacional das Águas (ENA), realizado pela ABCON em São Paulo, reuniu cerca de 500 participantes para discutir regulação, licenciamento ambiental, mercado de carbono, resiliência da cadeia produtiva e segurança hídrica. Os debates destacaram a necessidade de aprimorar a segurança jurídica dos contratos de longo prazo, com maior uniformidade regulatória e mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro. Também esteve em pauta a modernização do licenciamento ambiental, com foco em dar mais agilidade à implantação de obras sem comprometer a proteção ambiental.

O encontro abordou o potencial do saneamento na agenda climática e a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva para acompanhar o ciclo de investimentos. Representantes do setor defenderam maior previsibilidade da demanda, valorização da indústria nacional e qualificação da mão de obra. O último painel tratou da segurança hídrica diante dos eventos climáticos extremos, destacando alternativas como reúso, diversificação da matriz hídrica e integração entre saneamento e drenagem urbana como caminhos para aumentar a resiliência do setor.

Saiba+

- Coalização do saneamento propõe agenda para universalização aos presidenciáveis

Cinco entidades do setor — Instituto Trata Brasil, ASFAMAS, AESBE, ABES e ABCON — apresentam aos candidatos à presidência da República uma agenda do saneamento com 15 propostas, organizadas em seis blocos temáticos, para acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto entre 2027 e 2030. Entre as prioridades estão o fortalecimento da segurança jurídica e regulatória, ampliação do financiamento, desburocratização, modernização do planejamento e qualificação da mão de obra.

Um dos principais pontos do documento é a criação de uma fonte de custeio federal específica para a Tarifa Social de Água e Esgoto (TSAE), prevista em lei, mas ainda sem recurso garantido. As entidades defendem que o próximo governo assegure as condições financeiras, regulatórias e institucionais necessárias para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento até 2033, quando o país deverá alcançar 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Saiba+

- Sabesp traz tecnologia inédita no Brasil para tratamento de esgoto em Hortolândia

- A SABESP, nossa associada começou nova, estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Hortolândia será a primeira do Brasil a operar com a tecnologia austríaca BIOCOS®, um sistema biológico avançado que amplia a eficiência do tratamento de esgoto com menor consumo de energia e de produtos químicos.

Com investimento de R$ 294 milhões, a unidade atenderá cerca de 252 mil moradores, representando um avanço para o saneamento brasileiro e reforçando o compromisso da Sabesp com a inovação, a sustentabilidade e a excelência operacional. | Saiba+

- Iguá é premiada em “Programa Recicla do Bem” por arrecadação de resíduos | Saiba+

- Terracom investe em telemetria e coloca Casa Branca (SP) à frente em eficiência e inclusão | Saiba+

Fonte: ABCON NEWS ESPECIAL 30 ANOS | AGO. 2026 | EDIÇÃO 104

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA ABCON NEWS ESPECIAL PANORAMA DA UNIVERSALIZAÇÃO 2026 – 11/08/2026 | Edição 104

Editorial

O Panorama da Universalização 2026, principal publicação da ABCON sobre a evolução do saneamento no país, revela um setor em transformação: quase metade dos municípios brasileiros já conta com participação privada, enquanto os investimentos seguem em trajetória de crescimento. Em 2024, foram investidos R$ 29,1 bilhões em saneamento, uma alta de 9% em relação a 2023.

Essa transformação também é seguida pela melhoria de indicadores sociais e chega ao  mercado de trabalho e à renda das famílias. Entre 2019 e 2023, o setor registrou crescimento de 20,9% no número de empregos formais e a remuneração média alcançou R$ 6.595, valor 74% superior ao salário médio da economia brasileira (R$ 3.783), e equivalente a cerca de quatro vezes o salário-mínimo.

O desafio agora é transformar esse ciclo de investimentos em universalização. A agenda dos próximos anos será marcada pela execução dos contratos, pela ampliação da capacidade de atendimento e pela manutenção de um ambiente regulatório seguro e previsível. O Brasil já demonstrou que consegue acelerar investimentos e atrair capital para o saneamento, mas é necessário garantir que esse movimento continue e chegue a quem ainda não tem acesso adequado aos serviços. O novo capítulo dessa história é fazer com que a expansão da infraestrutura se traduza em mais saúde, qualidade de vida, empregos e empregos e desenvolvimento para todos os brasileiros.

Nesta edição especial, a newsletter reúne alguns dos principais números do Panorama e mostra como o avanço do saneamento já produz efeitos que ultrapassam a infraestrutura. Tarifa social, emprego, qualificação profissional, indústria e construção civil também fazem parte dessa transformação, e ajudam a entender por que o saneamento ocupa um papel cada vez mais estratégico no desenvolvimento do país.

Estudo revela avanços no setor e aumento de investimentos

Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento, o setor apresenta avanços expressivos em investimentos, ampliação do acesso aos serviços e desenvolvimento econômico, segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, da ABCON. O estudo mostra que a combinação entre segurança jurídica, estabilidade regulatória e maior participação privada impulsionou um novo ciclo de expansão. Em 2024, os investimentos alcançaram o terceiro recorde anual consecutivo, somando R$ 29,1 bilhões. Desde 2020, 7,7 milhões de domicílios passaram a contar com abastecimento de água com disponibilidade diária e 9,3 milhões foram conectados à rede de esgoto, enquanto o volume de esgoto tratado cresceu 5% entre 2023 e 2024.

O Panorama também evidencia os impactos sociais e econômicos desse avanço. A tarifa social ampliou seu alcance, beneficiando 3,8 milhões de residências em 2024, e o setor registrou crescimento de 6,9% no número de trabalhadores em 2025, com remuneração média 74% superior à média nacional. Desde o Marco Legal, foram realizados 70 leilões, contratando mais de R$ 227 bilhões em investimentos para atender cerca de 100 milhões de pessoas. Apesar dos resultados, o estudo destaca que a universalização ainda exige novos esforços, especialmente na expansão da coleta e do tratamento de esgoto e na estruturação dos municípios que ainda não contrataram suas metas, preservando um ambiente regulatório estável para garantir a continuidade dos investimentos e o cumprimento das metas até 2033.

Saiba+

Os impactos da tarifa social no saneamento

Anuário da ABCON mostra que o número de residências beneficiadas pela tarifa social de água e esgoto cresceu 46% entre 2019 e 2024, passando de 2,6 milhões para 3,8 milhões. O avanço demonstra que a ampliação do acesso ao saneamento depende não apenas da expansão da infraestrutura, mas também da garantia de que os serviços sejam economicamente acessíveis às famílias de baixa renda. A evolução ocorreu antes mesmo da entrada em vigor da Lei nº 14.898/2024, que instituiu a Tarifa Social de Água e Esgoto em âmbito nacional.

O estudo também aponta que a implementação da nova legislação avança em todo o país. Atualmente, 1.896 municípios já concluíram a adoção da tarifa social, enquanto outros 1.882 estão em fase de implementação. 

Saneamento impulsiona geração de emprego e renda

Os investimentos no setor vêm gerando impactos que vão além da ampliação do acesso à água e ao esgotamento sanitário. Em 2025, o número de trabalhadores cresceu 6,9%, enquanto a quantidade de profissionais com ensino superior, mestrado ou doutorado aumentou 22,6% em relação a 2019, refletindo a maior qualificação da mão de obra. A remuneração média do setor alcançou R$ 6.595, valor 74% superior à média da economia brasileira, reforçando o papel do saneamento na geração de emprego e renda.

Os efeitos também se estendem à indústria e à construção civil. O aumento das obras impulsionou a demanda por máquinas, equipamentos e tecnologias para o setor, levando a indústria de saneamento a registrar Valor Bruto da Produção de R$ 31 bilhões em 2024. Já o segmento de construção de redes de água e esgoto registrou o terceiro ano consecutivo de crescimento, avançando 16% entre 2023 e 2024, evidenciando que o ciclo de investimentos fortalece a atividade econômica e movimenta cadeias produtivas em todas as regiões do país.

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O saneamento é estratégico e solução para a crise climática

O saneamento básico vem consolidando seu papel estratégico na adaptação às mudanças climáticas e na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, da ABCON, 81% das empresas do setor já adotam procedimentos para mensurar suas emissões e 78% publicam inventários. A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, o reúso de água, a proteção de mananciais, a eficiência energética, o uso de fontes renováveis e o aproveitamento energético do biogás fortalecem a segurança hídrica, aumentam a resiliência das cidades e ampliam a contribuição do setor para a descarbonização da economia.

A regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, abre novas perspectivas para o saneamento. A ABCON defende que as especificidades do setor sejam consideradas, uma vez que o tratamento de esgoto substitui um cenário de emissões difusas decorrentes do lançamento de efluentes sem tratamento. Para a entidade, é importante preservar o tratamento diferenciado previsto em lei e permitir que as empresas permaneçam no mercado voluntário de carbono, criando condições para que investimentos em tecnologias de mitigação sejam reconhecidos e remunerados por meio da geração de créditos de carbono.

Panorama mostra diferentes caminhos para a universalização nas regiões do país

O Panorama da Universalização do Saneamento 2026 apresenta um retrato regional do avanço do saneamento brasileiro, com dados sobre a participação privada, investimentos contratualizados e desafios ainda existentes em cada parte do país. Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste têm realidades distintas: enquanto o Sudeste concentra o maior volume de investimentos contratualizados, com R$ 132,4 bilhões em 24 leilões, o Nordeste soma R$ 50,5 bilhões em 17 leilões; Sul, Norte e Centro-Oeste também avançam na estruturação de concessões e projetos. A publicação mostra ainda exemplos de iniciativas desenvolvidas nos diferentes territórios, evidenciando como modelos de concessão, inovação e soluções adaptadas às características locais podem contribuir para ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário.

Fonte: ABCON NEWS ESPECIAL PANORAMA DA UNIVERSALIZAÇÃO 2026 – 11/08/2026 | Edição 104

Quando o exemplo vira legado: Dia dos Pais inspira história de Jerson e Rafael Kelman na comunidade da água

13/8/2026

Pai e filho compartilham uma trajetória marcada pela engenharia, pela gestão dos recursos hídricos, pela pesquisa, pela inovação e por uma convivência em que os ensinamentos atravessam gerações

Há ensinamentos que não precisam ser repetidos muitas vezes para permanecer. Eles se constroem no convívio, no exemplo, nas escolhas diárias e na forma como uma trajetória pode inspirar outra. No Dia dos Pais, a ABRHidro celebra histórias em que afeto, conhecimento e compromisso público se transformam em legado.

Na comunidade da água, essa transmissão entre gerações ganha um significado especial. A gestão dos recursos hídricos exige rigor técnico, escuta, diálogo, responsabilidade coletiva e compromisso com o futuro. Em muitos casos, esses valores também se fortalecem dentro de casa, nas conversas, nas referências e nas experiências compartilhadas.

É nesse contexto que a ABRHidro conta a história de Jerson Kelman e Rafael Kelman, pai e filho, ambos engenheiros civis, com trajetórias profissionais, acadêmicas e institucionais ligadas à área de recursos hídricos e à Associação.

Uma história conectada à trajetória da ABRHidro

A ligação de Jerson Kelman, 78 anos, com a ABRHidro vem desde a origem da Associação. Engenheiro civil pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestre pela COPPE/UFRJ e Ph.D. pela Colorado State University, Jerson foi, em 1977, um dos organizadores do Seminário de Hidrologia e Recursos Hídricos na UFRJ, evento em que foi fundada a ABRHidro. Também integrou a primeira diretoria da Associação, no biênio 1977-1979, e foi presidente da entidade entre 1987 e 1989. Atualmente, é membro dos conselhos de administração da Iguá Saneamento, Orizon e Evoltz.

Rafael Kelman, 52 anos, também é engenheiro civil pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestre e doutor pela COPPE/UFRJ. É diretor executivo da PSR, onde coordena projetos em mais de 30 países nas áreas de energia, recursos hídricos e inovação. Na ABRHidro, foi diretor no biênio 2012-2013.

A trajetória dos dois revela uma continuidade que vai além da formação acadêmica. Ela mostra como a ciência da água, quando vivida também no ambiente familiar, pode se tornar linguagem comum, inspiração profissional e caminho de construção conjunta.

Da convivência familiar à escolha profissional

A aproximação de Rafael com a área de recursos hídricos começou ainda na adolescência, ao acompanhar de perto a paixão e a dedicação do pai pela profissão. Essa curiosidade natural o levou à Engenharia Civil e, posteriormente, à especialização em recursos hídricos no mestrado.

Foi nesse percurso que a relação entre pai e filho também se estreitou no ambiente acadêmico. Rafael foi aluno de Jerson na disciplina de Hidrologia Estocástica e, mais tarde, já integrando a equipe da PSR, concluiu o doutorado em otimização.

A convivência profissional entre os dois sempre se entrelaçou de forma natural e harmoniosa com a vida familiar. Em quase todos os encontros de família, Jerson e Rafael encontram um momento a sós para colocar as “agendas profissionais” em dia, trocar ideias ou colaborar em novos artigos.

No início, predominavam os conselhos do pai. Com o tempo e a maturidade, a troca tornou-se bidirecional, com o filho também aconselhando o pai. Quando a conversa técnica se estende além da conta, entra em cena o “cartão vermelho” de Celeste, mãe de Rafael e esposa de Jerson há 56 anos, lembrando aos dois, com delicadeza, que o momento também é de família.

Experiência, inovação e continuidade

Entre as realizações de Rafael, um assunto desperta especial interesse em Jerson: as atualizações do Hera, modelo computacional para estudos de hidrelétricas e usinas reversíveis, com armazenamento por bombeamento. 

A ferramenta busca conciliar viabilidade econômica com impactos sociais e ambientais, conectando energia, recursos hídricos, inovação e planejamento.

Além das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, Rafael também desenvolve um lado empreendedor e empresarial complementar. Essa combinação entre ciência aplicada, tecnologia e visão de futuro traduz uma das marcas da troca entre gerações: de um lado, a experiência acumulada ao longo de décadas; de outro, novas ferramentas, novas linguagens e novas formas de enfrentar desafios complexos.

Para pai e filho, quando a ciência da água atravessa os vínculos familiares, muda também a forma de enxergar os desafios da profissão. Eles passam a ganhar continuidade, afeto e cumplicidade.

O interesse pela água e o compartilhamento de conhecimentos entre gerações transformam a atividade profissional em uma linguagem comum em família. Essa convivência permite reunir a experiência acumulada ao longo dos anos com novas ferramentas técnicas e visões renovadas do setor, como modelos de circulação global, modelos digitais de terreno, sensoriamento remoto e uso da inteligência artificial.

No fim, percebe-se que a paixão pela gestão dos recursos hídricos e pelo impacto econômico e social da engenharia é algo que se transmite pelo exemplo.

Uma mensagem às novas gerações da comunidade da água

A história de Jerson e Rafael também deixa uma mensagem importante aos novos profissionais, pesquisadores e estudantes que estão começando sua trajetória na área:

“Sugerimos que combinem rigor técnico e inovação com uma curiosidade permanente e uma capacidade de escuta e diálogo interpessoal, pois a gestão de recursos hídricos é, acima de tudo uma construção coletiva entre diferentes usos e visões de sociedade. O maior aprendizado que levamos da família para a vida profissional — e vice-versa — é o equilíbrio entre firmeza nos princípios e capacidade de diálogo nas decisões. Assim como em uma família estruturada, a gestão da água exige respeito ao próximo, saber ouvir, ponderar interesses divergentes e agir pensando nas próximas gerações”.

Legados que seguem correndo como água

No Dia dos Pais, a história de Jerson e Rafael Kelman é um exemplo que nos lembra que legados não são apenas herdados: são cultivados, atualizados e compartilhados. Na comunidade da água, eles podem surgir em uma sala de aula, em uma pesquisa, em um projeto, em uma conversa de família ou em uma vida inteira dedicada a compreender, planejar e cuidar de um recurso essencial.

A ABRHidro celebra essa trajetória e reconhece, nela, tantos outros exemplos de pais que inspiram filhos, estudantes, equipes, colegas e novas gerações de profissionais comprometidos com a gestão das águas no Brasil.

A todos os pais da comunidade ABRHidro e do nosso país, em dedicação ao seu ofício e à nobre missão de criar um filho, a Associação deseja um Feliz Dia dos Pais, com reconhecimento, afeto e gratidão pelos exemplos que seguem formando caminhos.

Fonte: Linkedin

Ondas de calor estão entre eventos climáticos extremos que mais cresceram no país

Por: Carlos Nobre

No período de maio a julho de 2026, ondas de calor atingiram grande parte da Europa, levando as temperaturas a níveis recordes em vários países e, em alguns locais, às maiores temperaturas máximas diárias de toda a série histórica. O calor extremo também provocou impactos graves à saúde, com registros de milhões de mortes associadas às altas temperaturas na França. O calor também veio acompanhado de seca generalizada, que, somada às altas temperaturas, favoreceu a ocorrência de incêndios florestais, principalmente na Península Ibérica e no sul da França.

Aqui no Brasil, o verão de 2026 foi marcado por ondas de calor recorrentes, embora, em escala nacional, tenha sido menos extremo do que o verão de 2023?2024, que permanece como o mais quente da série histórica do Brasil. O verão de 2026 ficou entre os mais quentes desde 1961, mantendo a tendência de aquecimento observada nas últimas décadas. A primeira onda de calor ocorreu da última semana de dezembro de 2025 até a primeira semana de janeiro. Diversas cidades do Centro-Oeste, Sudeste e parte do Sul registraram máximas superiores a 38°C a 40°C. A segunda onda aconteceu entre aproximadamente 24 e 31 de janeiro, e registrou temperaturas acima de 38°C em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e oeste de São Paulo. A terceira onda de calor persistiu durante a primeira semana de fevereiro, e houve estresse térmico significativo sobre áreas agrícolas do Sul do Brasil, com impactos potenciais para soja, milho e pecuária.

Nos anos anteriores, o ano de 2023 foi o mais quente já observado até então, com temperatura média 0,69°C acima da climatologia (1991?2020), o ano de 2024 superou o de 2023 e tornou-se o ano mais quente da série histórica iniciada em 1961, com anomalia de +0,79°C em relação à média climatológica. O ano de 2025 foi mais quente do que a média em praticamente todo o Brasil, com uma anomalia de +0,33°C. Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou alguns dos maiores valores de temperatura máxima desde o início das observações meteorológicas. O período foi marcado por sucessivas ondas de calor, associadas ao forte El Niño de 2023?2024 e ao aquecimento global. Em 2023, a maior temperatura já registrada no Brasil desde o início da série histórica do Inmet foi registrada em Araçuaí (MG), em 11 de novembro, durante uma intensa onda de calor associada ao forte El Niño. Uma das maiores temperaturas da história do país em 2024 ocorreu no dia 6 de outubro, com 44,5°C em Goiás (GO), e, no mesmo dia, Cuiabá registrou 44,1°C. Naquele ano, foram registrados 58 dias com temperaturas iguais ou superiores a 40°C em diferentes localidades brasileiras, principalmente entre setembro e outubro. Em 2025, Quaraí (RS) registrou 43,8°C no dia 2 de fevereiro, o recorde histórico do Rio Grande do Sul e a temperatura mais alta. Todos estes recordes ocorreram durante episódios de ondas de calor. O verão de 2024?2025 foi o sexto mais quente do Brasil desde 1961, com três ondas de calor que atingiram principalmente o Sul do país.

Episódios de ondas de calor são definidos com base em temperaturas máximas e mínimas muito acima do climatológico, por períodos de três a cinco dias ou mais. As ondas de calor se caracterizam por temperaturas acima do normal, baixa umidade relativa do ar, noites excepcionalmente quentes, afetando simultaneamente diversas regiões brasileiras.

A maior frequência é observada em anos de El Niño, embora também ocorra em anos neutros e de La Niña. A causa são os chamados bloqueios atmosféricos persistentes, que impedem a chegada de frentes frias e favorecem o céu limpo e o forte aquecimento. No Brasil, estes bloqueios ocorrem na região central do país. Um fator que também favorece ondas de calor é o solo seco (feedback solo-atmosfera).

As ondas de calor são um dos eventos climáticos extremos que mais cresceram em frequência, duração e intensidade no Brasil nas últimas décadas. Esse aumento está associado ao aquecimento global antropogênico, à variabilidade climática natural (especialmente durante eventos de El Niño) e a fatores locais, como a urbanização acelerada e as ilhas de calor urbanas. Estudos recentes do Cemaden mostram que a frequência desses eventos aumentou significativamente desde os anos 2000 e tende a continuar crescendo. Este aumento na frequência, duração e intensidade resulta em impactos adversos à saúde humana e maior mortalidade entre grupos fisiologicamente vulneráveis. O aspecto mais preocupante é que mais de 90% do território brasileiro registrou ondas de calor desde 2001, incluindo as regiões Nordeste e Norte, que raramente eram afetadas nas décadas anteriores. Em 2025, as ondas de calor no Sul e Sudeste do Brasil bateram recordes e afetaram desproporcionalmente grupos vulneráveis. As ondas de calor tornaram-se uma preocupação significativa para a saúde pública e um risco de incêndios.

Geograficamente, as regiões mais afetadas são o Centro-Oeste, com episódios prolongados, temperaturas frequentemente acima de 40°C. No Norte e na Amazônia, o calor extremo é frequentemente associado a secas severas, em eventos complexos de seca-calor que, na região, aumentam o risco de incêndio. No Sudeste, o fenômeno pode se intensificar devido às ilhas de calor urbanas, especialmente nas grandes metrópoles. No Sul, há um aumento expressivo da frequência desde os anos 2000, com vários recordes históricos. No Norte e Nordeste tem-se observado desde 2000 uma tendência de maior número de ondas de calor, em relação a décadas anteriores, e o calor pode estar associado à escassez hídrica e estresse hídrico.

Atualmente, o Brasil registra, em média, entre oito e 14 ondas de calor por ano, com tendência de aumento devido ao aquecimento global e à variabilidade climática, especialmente em anos de El Niño. As ondas de calor no Brasil podem ocorrer em qualquer época do ano, mas são muito mais frequentes entre a primavera e o verão, quando a insolação é maior e sistemas atmosféricos favorecem a persistência de massas de ar quente. Nos últimos anos, também têm sido registradas ondas de calor no outono e, ocasionalmente, até no inverno, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Houve uma onda de calor durante a segunda quinzena de junho de 2024, embora tenha sido menos abrangente do que as grandes ondas observadas entre setembro e novembro de 2023 ou entre agosto e outubro de 2024, e tenha afetado o Centro-Oeste, o interior do Sudeste e parte da Região Sul.

Entre os setores mais afetados pelas ondas de calor, podemos mencionar a saúde. A desigualdade socioeconômica amplia a exposição e reduz a capacidade de adaptação ao calor extremo. De fato, as ondas de calor representam um importante risco para a saúde pública, e seus impactos se refletem no aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares, no aumento de internações por doenças respiratórias, na desidratação e na exaustão térmica, na piora de doenças crônicas e no maior risco para idosos, crianças, gestantes e trabalhadores expostos ao ar livre. Estimou-se que as ondas de calor foram responsáveis por aproximadamente 120 mil mortes atribuíveis no período de 2000 a 2019, 0,6% do total de mortes, com frações atribuíveis substancialmente maiores entre idosos e para as doenças respiratórias. Estes resultados constam em um relatório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em conjunto, esses achados indicam que os efeitos são mais intensos sobre populações vulneráveis, moradores de periferias urbanas, pessoas em situação de rua, trabalhadores rurais e da construção civil, garis, e outros que trabalham em áreas externas. Os efeitos e impactos das ondas de calor sobre a mortalidade no Brasil são social e climaticamente desiguais, refletindo a interação entre exposição climática, vulnerabilidades demográficas e desigualdades estruturais.

Durante as ondas de calor de 2023, o sistema de saúde do Brasil registrou aumento da demanda, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Um estudo da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) estimou um excesso de mortalidade de 1.392 pessoas em um curto período no Rio de Janeiro, afetando desproporcionalmente idosos e mulheres, com muitas mortes ocorridas em casa. Em 2025, o Brasil enfrentou diversas ondas de calor intensas, com temperaturas recordes nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Até a última semana de dezembro de 2025, São Paulo registrou um aumento de 27,2% nos atendimentos ambulatoriais por insolação e condições relacionadas, no período de janeiro a outubro, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Foram registrados 1.052 atendimentos em 2025 e 827 em 2024. No Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mais de 5.000 pessoas (3.000 em janeiro e cerca de 2.400 no início de fevereiro) buscaram atendimento médico em 2025 devido a problemas relacionados ao calor ? incluindo desidratação e complicações de doenças crônicas, número mais de duas vezes superior ao registrado em anos recentes. Em dias com temperaturas próximas a 40°C, algumas unidades de saúde registraram cerca de 450 casos de estresse térmico, incluindo desmaios e mal-estar.

*Colaborou José Marengo

Fonte: Ecoa | Carlos Nobre – 21/07/2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA NEWS ABCON – JULHO 2026 | EDIÇÃO 101

22/7/2026

- Editorial

Junho foi um mês marcado por avanços importantes para o saneamento brasileiro, reforçando a confiança de que o setor segue no caminho certo para alcançar a universalização dos serviços. Entre os destaques está a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de rejeitar o pedido de revisão do Tema 565, preservando um entendimento consolidado que traz mais segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estabilidade para contratos e investimentos. Trata-se de uma sinalização relevante para um setor que demanda planejamento de longo prazo e ambiente institucional favorável à expansão dos serviços.

O mês também foi marcado por movimentos significativos na agenda de investimentos. O setor se mobilizou para a privatização da Copasa que representou um novo capítulo para o saneamento em Minas Gerais, demonstrando a capacidade do setor de atrair capital e ampliar a participação privada na prestação dos serviços. A Concessão de Andradas (MG) também demonstrou que projetos bem estruturados podem atrair investimentos em pequenos municípios.  E o cenário segue promissor com o leilão da Cagece, reforçando a dinâmica de transformação vivida pelo setor em diferentes regiões do país.

Ao longo de junho, a ABCON esteve presente em diversas agendas estratégicas, contribuindo para o debate sobre temas essenciais para o futuro do saneamento, como segurança jurídica, sustentabilidade, infraestrutura, regulação e desenvolvimento econômico. Em fóruns nacionais e internacionais, seguimos defendendo políticas públicas e marcos regulatórios capazes de impulsionar investimentos e acelerar a universalização.

Os acontecimentos deste mês mostram que, apesar dos desafios, o saneamento continua avançando. Cada decisão, investimento e debate qualificado fortalece as bases para que mais brasileiros tenham acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto, promovendo saúde, qualidade de vida, desenvolvimento sustentável e mais oportunidades para o país.

- STJ mantém entendimento do Tema 565 e reforça segurança jurídica no saneamento

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido de revisão do Tema 565 e manteve o entendimento de que a cobrança da tarifa de esgoto é legítima mesmo quando nem todas as etapas do tratamento são executadas, desde que haja prestação de serviços que integrem o sistema de esgotamento sanitário. A decisão preserva a segurança jurídica do setor, afasta riscos à sustentabilidade econômico-financeira dos contratos e garante previsibilidade para investimentos de longo prazo. Na avaliação do setor, a manutenção da tese contribui para a continuidade da expansão dos serviços, a execução de obras de infraestrutura e o cumprimento das metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento.

Saiba+

- PPP da Cagece movimenta R$ 7 bilhões e reforça agenda de universalização

O Consórcio Ceará Saneamento venceu o leilão da PPP do Bloco Norte-Litorâneo da Cagece, realizado nesta terça-feira (30), na B3, em São Paulo. O projeto inaugura a série de cinco blocos regionais estruturados pelo Governo do Ceará para ampliar a cobertura de esgotamento sanitário e cumprir as metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento. O programa prevê quase R$ 7 bilhões em investimentos ao longo de 28 anos, com potencial para beneficiar cerca de 1,5 milhão de pessoas. A diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, acompanhou o certame, que reforça o avanço da agenda de investimentos e parcerias para expansão do saneamento no país.

Saiba+

- ABCON defende fortalecimento do diálogo com a sociedade em concessões de infraestrutura

O fortalecimento do diálogo com a sociedade foi um dos temas centrais da participação da diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, na Bienal das Rodovias, realizada em Brasília. Em painel dedicado à licença social, Christianne ressaltou que a experiência do setor de saneamento tem mostrado que comunicação transparente, escuta ativa e proximidade com a população são fatores decisivos para o sucesso dos projetos de infraestrutura. Segundo ela, quando a sociedade compreende os benefícios dos investimentos e participa das discussões, aumenta a confiança nos empreendimentos e a legitimidade das concessões. O debate reuniu especialistas e executivos do setor, que destacaram a importância de aproximar usuários e operadores para garantir a sustentabilidade dos contratos e a geração de valor para a população ao longo do tempo.

Saiba+

- Concessão de Andradas prevê mais de R$ 209 milhões em investimentos no saneamento

O município de Andradas (MG) realizou o leilão da concessão dos serviços de água e esgoto, com vitória do Consórcio Serra da Mantiqueira, formado pela Infrainvest Participações, Águas de Valencia do Brasil e Senha Engenharia e Urbanismo. O projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 209 milhões ao longo de 30 anos, com foco na ampliação e modernização dos sistemas e no cumprimento das metas de universalização do saneamento. Realizado na B3, o certame contou com a participação de quatro grupos econômicos, evidenciando o interesse do mercado por projetos em municípios de diferentes portes. Para a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, o resultado reforça a capacidade de projetos bem estruturados atraírem investimentos e acelerarem a expansão dos serviços para a população.

Saiba+

- ABCON destaca avanços da universalização em congresso da OAB-SP

A diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, participou do painel "Desenvolvimento Sustentável e Saneamento" durante o 1º Congresso Infraestrutura, Logística e Desenvolvimento Sustentável da OAB-SP, em São Paulo. Na ocasião, destacou os avanços do setor após a aprovação do Marco Legal do Saneamento, ressaltando que mais de 1.800 municípios brasileiros já possuem metas de universalização contratadas. Christianne enfatizou que a definição de objetivos claros para ampliar o acesso à água e ao esgotamento sanitário trouxe maior previsibilidade aos investimentos e contribui para a construção de cidades mais resilientes e sustentáveis, além de fortalecer a adaptação às mudanças climáticas e a proteção dos recursos hídricos.

Saiba+

- Sabesp transforma água do mar em água potável em Ilhabela (SP)

Água do mar transformada em água potável. Essa é a proposta do novo sistema de dessalinização que está sendo implantado em Ilhabela (SP) por nossa associada Sabesp. Uma solução inovadora que contribuirá para fortalecer a segurança hídrica da cidade. Com investimento de R$ 56,4 milhões, a Sabesp iniciou as obras do projeto, que utilizará a tecnologia de osmose reversa para ampliar a disponibilidade de água e beneficiar até 60 mil moradores e turistas. A previsão é que a primeira fase da usina entre em operação já no fim de 2027, com conclusão total do sistema estimada em três anos. Quando finalizada, a obra vai ampliar em 20% a oferta atual de água do município, garantindo o abastecimento especialmente nos períodos de alta temporada.

- Iguaçu Saneamento completa um ano de atuação no Paraná com mais de R$ 9,5 milhões investidos | Saiba+

- Aegea transforma quase 900 cidades com R$ 9,2 bilhões em investimentos | Saiba+

Fonte: NEWS ABCON – JULHO 2026 | EDIÇÃO 101

EXPERIÊNCIA DE BASE DE REMUNERAÇÃO REGULATÓRIA

9/7/2026

O modelo regulatório híbrido adotado na concessão da Sabesp tende a se tornar referência para as futuras concessões de saneamento no Estado de São Paulo. Na LMDM, acompanhamos esse movimento com especial atenção, por atuarmos diretamente com regulação e Base de Ativos Regulatória, entendendo seus impactos na estruturação das concessões.

Entre os principais elementos desse modelo estão a remuneração vinculada aos ativos efetivamente reconhecidos pela agência reguladora e o fortalecimento de mecanismos de certificação independente das informações patrimoniais. No âmbito do programa UniversalizaSP, a proposta é que a Base de Ativos seja constituída, nos primeiros ciclos tarifários, a partir do Valor Original Contábil (VOC). A partir do terceiro ciclo, está prevista a adoção do Custo de Reposição Depreciado (DRC) como metodologia para valoração dos ativos que compõem a Base de Ativos Regulatória.

Esse modelo reforça a importância da gestão patrimonial. O reconhecimento regulatório dos investimentos dependerá da qualidade das informações patrimoniais e da comprovação da elegibilidade dos ativos. Inventário físico, conciliação entre registros contábeis e cadastro técnico, rastreabilidade documental, correta classificação dos ativos e processos de certificação independente passam a ser elementos essenciais para conferir confiabilidade às informações regulatórias.

Esse movimento converge com a agenda regulatória da ANA. A Consulta Pública nº 08/2025 propõe uma Norma de Referência sobre contabilidade regulatória, acompanhada do Manual de Contabilidade Regulatória e do Manual de Controle Patrimonial do Setor de Saneamento Básico, estabelecendo diretrizes para padronizar o controle patrimonial e fortalecer a confiabilidade das informações utilizadas na regulação.

A convergência dessas iniciativas demonstra que a construção de uma Base de Ativos Regulatória consistente dependerá, cada vez mais, de processos contínuos de gestão patrimonial, governança e qualidade da informação.

Fonte: LMDM – CONSULTORIA | LINKEDIN

FRASE DO MÊS

9/7/2026

“Antes de entrar numa batalha, é preciso acreditar naquilo pelo qual se está lutando.”

Autor: Chuang Tzu

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA NEWS ABCON – EDIÇÃO 99 DE MAIO/2026

10/6/2026

Editorial

A agenda regulatória do saneamento brasileiro ganha cada vez mais relevância em um momento decisivo para o avanço da universalização dos serviços até 2033. Nesse cenário, a ABCON tem ampliado sua atuação institucional em debates estratégicos relacionados à regulação, segurança jurídica, investimentos e sustentabilidade do setor.

Nas últimas semanas, representantes da entidade participaram de encontros com reguladores, agentes públicos, operadores e especialistas para discutir temas centrais para o desenvolvimento do saneamento no país.

A ABCON também mantém acompanhamento constante das discussões conduzidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) sobre Normas de Referência, incluindo temas como reúso não potável, instrumentos negociais e contratos de cofaturamento. O avanço dessas diretrizes é considerado fundamental para ampliar a harmonização regulatória e fortalecer a segurança institucional do setor.

Ao mesmo tempo, a entidade segue ampliando o diálogo com diferentes segmentos da infraestrutura e da indústria, levando as pautas do saneamento para fóruns econômicos e institucionais nacionais.

Essa convergência de agendas estará refletida na programação da 10ª edição do Encontro Nacional das Águas (ENA), que reunirá debates sobre regulação, mercado de capitais, sustentabilidade, segurança hídrica e financiamento da universalização. Nesta edição, a novidade é o Saneamento Brasil Summit, espaço criado para ampliar o diálogo entre infraestrutura, desenvolvimento econômico e inovação no setor. A proposta é aproximar operadores, investidores, formuladores de políticas públicas e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades do saneamento brasileiro.

Mais do que acompanhar as transformações do setor, a ABCON reforça seu papel na construção de um ambiente capaz de sustentar investimentos, fortalecer a governança e acelerar o avanço do saneamento no Brasil.

- ENA 2026 terá debates sobre regulação, mercado de capitais, sustentabilidade e segurança hídrica

A programação da 10ª edição do Encontro Nacional das Águas (ENA), promovido pela ABCON, reunirá em São Paulo alguns dos principais temas que devem moldar o futuro do saneamento brasileiro nos próximos anos. Marcado para os dias 12 e 13 de agosto de 2026, no Teatro B32 na Avenida Faria Lima, em São Paulo, o evento terá painéis dedicados à regulação, financiamento, mercado de capitais, reforma tributária, licenciamento ambiental, sustentabilidade e eficiência operacional.

Reconhecido como um dos principais fóruns de debate do setor, o ENA irá reunir autoridades, reguladores, investidores, operadores privados, representantes do poder público e especialistas para discutir os desafios da universalização dos serviços de água e esgoto até 2033.

Entre os destaques da programação estão os debates sobre o papel das agências reguladoras, segurança jurídica e os impactos das novas regras tributárias sobre os investimentos em infraestrutura. O evento também abrirá espaço para discussões sobre estruturação de projetos, atração de investimentos e ampliação da participação do mercado de capitais no financiamento da universalização.

A agenda prevê ainda painéis voltados à sustentabilidade e às novas agendas globais, com foco em mercado de carbono, segurança hídrica, uso racional dos recursos naturais e adaptação climática. Temas ligados à operação dos sistemas, gestão de ativos, eficiência operacional e soluções para tratamento e destinação de lodo também integram a programação técnica.

Uma das novidades desta edição será o Saneamento Brasil Summit, espaço criado para ampliar o diálogo entre infraestrutura, desenvolvimento econômico e inovação no setor. A proposta é aproximar operadores, investidores, formuladores de políticas públicas e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades do saneamento brasileiro.

O ENA 2026 também marcará os 30 anos da ABCON, entidade que representa operadores privados de saneamento no país e atua em pautas relacionadas à ampliação dos investimentos, segurança regulatória e universalização dos serviços.

As inscrições para o evento estão abertas no site oficial do ENA.

- ABCON defende ambiente regulatório mais atrativo para investimentos durante encontro nacional de agências reguladoras

As metas de universalização do saneamento até 2033 são viáveis, mas dependem do fortalecimento do ambiente regulatório e da ampliação da segurança para investimentos no setor. A avaliação foi feita pela Diretora Regulatória e de Governança Corporativa da ABCON, Thaís Mallmann, durante participação no III Encontro Nacional das Agências Reguladoras (III ENAR), realizado em 14 de maio, em Brasília.

No painel sobre o Marco Legal do Saneamento Básico e os desafios para o cumprimento das metas de universalização, Thaís destacou que a estabilidade da regulação ainda representa um dos principais desafios para ampliar a participação privada e garantir previsibilidade aos investidores.

Segundo ela, o avanço da universalização exige atuação conjunta entre agentes públicos e privados, além de segurança regulatória e jurídica para viabilizar os investimentos necessários à expansão dos serviços.

A Diretora da ABCON também alertou para os impactos que possíveis mudanças geradas no meio do caminho ruma à universalização podem gerar, ao exemplo da reforma tributária e da norma de referência de contabilidade regulatória. Cada elemento novo agregado nessa conta afeta os investimentos e medidas adotadas pelos prestadores de serviços, em um momento considerado estratégico para o cumprimento das metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento.

O debate foi mediado por Álvaro Machado, ex-presidente da Associação Brasileira das Agências Reguladoras (ABAR), e reuniu Benedito Braga, presidente honorário do Conselho Mundial da Água e do Conselho Latino-americano da Água; Larissa Rêgo, Diretora-Presidente interina da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA); Luis Antônio Almeida Reis, Presidente da CAESB; e Esmeraldo Pereira Santos, Presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae).

O encontro reuniu representantes de agências reguladoras nacionais e infranacionais, operadores, especialistas e autoridades para discutir os avanços regulatórios e os desafios estruturais do saneamento básico no Brasil.

- ABCON acompanha agenda regulatória do saneamento e destaca avanço das Normas de Referência

A ABCON faz um acompanhamento constante e atento da agenda regulatória do setor, especialmente as discussões conduzidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) no âmbito das Normas de Referência.

Entre os temas monitorados pela entidade no primeiro trimestre de 2026 estão as diretrizes para reúso não potável de efluentes tratados, a padronização dos instrumentos negociais das concessões e PPPs e a minuta do contrato de cofaturamento.

“O avanço das Normas de Referência é fundamental para ampliar a previsibilidade regulatória e oferecer maior segurança aos titulares, reguladores e prestadores de serviço. A construção de diretrizes nacionais mais harmonizadas fortalece o ambiente de investimentos e contribui para o avanço da universalização do saneamento no país”, afirma a Diretora Regulatória e de Governança Corporativa da ABCON, Thaís Mallmann.

- ABCON participa de 2º Encontro Sobratema e destaca avanços no setor

O coordenador técnico da ABCON, Romário Júnior, destacou os avanços do saneamento brasileiro após a aprovação do marco legal do setor, o crescimento da participação privada nos serviços de água e esgoto e a ampliação da carteira de projetos em diferentes estados durante o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios – Retroescavadeiras, realizado dia 21, em São Paulo.

Na palestra, o coordenador técnico também apresentou dados sobre os leilões realizados desde 2020 e reforçou o volume de investimentos necessário para que o país alcance as metas de universalização previstas até 2033. Segundo ele, a universalização do saneamento demanda recursos financeiros, capacidade operacional, obras em larga escala e uma cadeia de fornecedores preparada para atender o aumento da demanda. Romário Júnior ainda destacou os impactos positivos do novo ciclo de investimentos sobre a infraestrutura nacional e a geração de oportunidades para segmentos ligados à execução das obras, especialmente os equipamentos utilizados em escavações, ampliação de redes e implantação de sistemas de água e esgoto.

Fonte: ABCON – Associação Brasileira das Empresas de Saneammento

FRASE DO MÊS

10/6/2026

“São as derrotas na vida que te fortalecem para as vitórias. Cair, levantar, aprender com os erros do passado, manter a humildade, repetindo esse exercício a longo prazo é o que te levará para onde sempre desejou.”

Autor: XP Investimentos

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

7/5/2026

- Cloro e hipoclorito de sódio: os protagonistas invisíveis no tratamento da água

A água potável que chega às casas de milhões de brasileiros percorre um longo caminho até se tornar segura para consumo e uso. Nesse processo, dois agentes químicos exercem papel fundamental, ainda que muitas vezes invisível: o cloro e o hipoclorito de sódio. Esses compostos são amplamente utilizados no tratamento da água por sua capacidade de eliminar agentes patogênicos, como bactérias, vírus e protozoários, garantindo que a população tenha acesso a um recurso essencial à vida em condições adequadas de higiene e segurança.

    Além da função desinfetante, essas substâncias atuam como uma proteção contínua ao longo da rede de distribuição, prevenindo contaminações até o ponto de consumo. Essa eficácia, aliada ao baixo custo de aplicação, torna o cloro e o hipoclorito aliados estratégicos na manutenção da saúde pública.

    Entretanto, a importância desses agentes ultrapassa a potabilização da água. Sua presença está diretamente relacionada à prevenção de doenças e à redução das internações por infecções de veiculação hídrica, que ainda afetam milhares de brasileiros. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, mais de 344 mil pessoas foram internadas em 2024 devido a enfermidades associadas à falta de saneamento básico. A universalização do acesso à água tratada e ao esgoto coletado e tratado poderia evitar cerca de 70% dessas internações, resultando em uma economia anual próxima de R$ 50 milhões para o sistema público de saúde.

    A ausência de saneamento básico impacta não apenas a saúde, mas também o acesso à educação. Estudo do Instituto Trata Brasil indica que 300 mil crianças são internadas anualmente por doenças relacionadas à falta de saneamento, e mais de 6,6 milhões já foram afastadas da escola, em algum momento, por motivos ligados à ausência de água tratada e esgoto adequado.

    Esse problema se reflete no desempenho acadêmico: estudantes sem acesso a tratamento adequado da água apresentam rendimento até 20 pontos menor em avaliações escolares. Ou seja, a questão ultrapassa os limites da infraestrutura e configura-se como uma barreira real ao desenvolvimento de milhões de jovens brasileiros.

    Diante desse cenário, a educação surge como ferramenta essencial para transformar essa realidade. A conscientização sobre a importância do tratamento da água e do saneamento básico deve começar precocemente, especialmente em localidades onde o acesso a esses serviços ainda é limitado. Diversas iniciativas têm buscado preencher essa lacuna por meio de experiências educativas e interativas. Um exemplo são as ativações promovidas por empresas do setor, como a Unipar, em espaços culturais como o Museu Catavento e o Museu da Imaginação, ambos localizados em São Paulo.

    No Museu Catavento, a exposição Elemento Água apresenta conteúdos sobre as origens da água, sua composição molecular e sua importância para a vida. Já no Museu da Imaginação, a experiência Jornada da Água: uma imersão interativa com ciência, história e sustentabilidade reforça o papel da educação como agente transformador. A proposta é engajar o público em uma vivência sensorial e informativa, estimulando o pensamento crítico acerca do uso consciente da água, da importância do saneamento e da preservação dos recursos hídricos.

    O Instituto Trata Brasil também destaca, com base em estudos, que municípios com melhores indicadores de saneamento apresentam maior taxa de frequência escolar, menor evasão e melhor desempenho em avaliações educacionais. Dados do IBGE (2022) apontam que a escolaridade média das pessoas com saneamento é de 11,87 anos, enquanto, entre aquelas sem acesso a esses serviços, a média cai para 10,06 anos. Essa correlação entre infraestrutura e educação demonstra que investir em saneamento é também investir no futuro do país. O ciclo é claro: com água tratada e esgoto coletado, há menos doenças, mais presença nas escolas, melhor aprendizagem e maiores oportunidades para o desenvolvimento social e econômico.

    Portanto, o cloro e o hipoclorito são muito mais do que simples substâncias químicas aplicadas no tratamento da água. São peças-chave em uma engrenagem que conecta saúde, educação, cidadania e qualidade de vida. Ao investir em saneamento e em educação para sua valorização, o Brasil não apenas combate doenças, mas constrói um caminho mais justo, seguro e digno para toda a população. Levar esse conhecimento às escolas, museus e espaços culturais é garantir que as futuras gerações compreendam a importância da água limpa como um direito essencial e inegociável.

Fonte: REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

6/5/2026

- Saneamento na rota do clima: como o setor pode reduzir emissões de gases de efeito estufa 

Práticas operacionais, eficiência energética, biogás, energias renováveis e inovação tecnológica reposicionam o setor como parte da resposta às mudanças climáticas.

No setor de saneamento, a análise das emissões de gases de efeito estufa ao longo de toda a cadeia – da captação de água ao tratamento de esgoto – mostra que o tratamento de esgoto é, em geral, a principal fonte de emissões, sobretudo pelas emissões diretas de processo. Destacam-se o metano (CH₄), gerado na degradação anaeróbia da matéria orgânica, e o óxido nitroso (N₂O), associado aos processos de nitrificação e desnitrificação. Ambos possuem elevado potencial de aquecimento global, o que faz com que mesmo emissões relativamente pequenas tenham grande impacto climático, superando, em muitos casos, aquelas relacionadas apenas ao consumo de energia elétrica. O diagnóstico é de Ana Lucia Szajubok, consultora independente e coordenadora da Câmara Temática de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono no Saneamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). 

     “Se formos pensar no inventário de emissões de gases de uma companhia de saneamento, mais de 90 por cento das emissões são provenientes do tratamento de esgoto. O metano é 27 vezes mais potente, em relação ao aquecimento global, do que o dióxido de carbono (CO₂). Outra grande fonte de emissões no setor é a gestão de resíduos. Na Saneago, por exemplo, o lodo do tratamento do esgoto da nossa principal estação de tratamento, em Goiânia, faz a incorporação no solo, tanto para recuperar a área degradada quanto para uso agrícola, e essa é uma das fontes que emitem menos emissões de GEE. Além disso, o biogás produzido por algumas companhias é uma forma eficiente de aproveitamento energético”, analisa Camila Roncato, coordenadora da Câmara de Gestão Ambiental e Mudança do Clima da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Saneamento de Goiás S/A (Saneago). 

     Para Ana Lucia Szajubok, as emissões indiretas associadas à eletricidade estão presentes em toda a cadeia do saneamento e, embora relevantes, tendem a ser secundárias em relação às emissões do esgoto: “Mas a dependência da matriz energética nacional expõe as companhias de saneamento às oscilações da sustentabilidade e da confiabilidade da energia, especialmente no Brasil, onde a geração hidrelétrica é sensível a secas e à variabilidade climática. Diante desse cenário cada vez mais imprevisível, torna-se estratégico reduzir a dependência da rede elétrica por meio de eficiência energética e autogeração, com uso de biogás, fontes solar, eólica e hidráulica. Integrar o controle das emissões do tratamento de esgoto a uma estratégia energética diversificada fortalece a agenda climática do saneamento e aumenta a resiliência do setor frente às mudanças do clima”, sintetiza.

Redução de perdas de água = estratégia climática

A redução de perdas nas redes de distribuição é a estratégia mais importante que uma companhia deveria adotar nesse cenário de mudança do clima, aponta Camila Roncato. “Temos um exemplo muito claro em Goiás. A Saneago começou a adotar a redução de perdas como uma estratégia operacional, sem pensar nesse contexto e, entre 2019 e 2025, conseguimos reduzir 10 por cento das perdas na capital. Isso significa 400 litros por segundo que deixamos de perder na distribuição. Conseguimos acompanhar o crescimento da cidade, aumentar o número de casas atendidas, sem precisar aumentar a nossa captação de água bruta no manancial. Evitamos aumentar o bombeamento, deixamos de gastar com mais produtos químicos e economizamos o consumo de energia elétrica”. 

     A especialista aponta que, se a Saneago não tivesse investido nessa mudança de comportamento há 10 anos, hoje estaria enfrentando uma crise hídrica muito mais severa: “Hoje, aqui em Goiás, nós já alcançamos o que é estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento. Estamos com uma perda em torno de 23 por cento no Estado, então já estamos abaixo dos 25 por cento preconizados pelo Marco Legal para 2033”, explicita Camila Roncato. 

     Esse posicionamento também é defendido pela coordenadora da Câmara Temática de Mudanças Climáticas da ABES: “A redução de perdas é uma das estratégias climáticas mais eficazes e, ao mesmo tempo, mais subestimadas do setor. Menos perdas significam menos água captada, tratada e bombeada para entregar o mesmo volume faturado, o que reduz consumo energético, emissões associadas e pressão sobre mananciais – especialmente em cenários de escassez hídrica. Além disso, o controle de perdas reduz a necessidade de expansão de infraestrutura ao longo do tempo, evitando emissões embutidas em obras, materiais e novos ativos. Trata-se de uma estratégia que combina mitigação, adaptação e eficiência econômica”, destaca Ana Lúcia Szajubok.

Saneamento como parte da solução climática

Ana Lucia Szajubok frisa que a agenda climática do saneamento começa na operação: “É na forma como os sistemas são operados, especialmente no tratamento de esgoto, que o setor pode deixar de ser apenas um emissor relevante e se tornar parte ativa da solução climática”. 

     De acordo com a consultora, esse reposicionamento passa por alguns eixos estruturantes: 

     • Gestão climática do tratamento de esgoto, com foco explícito na redução de emissões de CH₄ e N₂O, por meio de maior estabilidade de carga, controle fino de oxigênio dissolvido, entre outros controles, visando à otimização do desempenho operacional. 

     • Eficiência energética incorporada à rotina operacional, indo além de projetos pontuais, com automação de bombeamentos, otimização de pressões, setorização de redes e manutenção preditiva. 

     • Economia circular aplicada, transformando subprodutos como biogás e lodo em ativos energéticos e ambientais, quando técnica e regulatoriamente viável.

     • Gestão de riscos climáticos, integrando eventos extremos, escassez hídrica e vulnerabilidade energética à gestão de ativos e ao planejamento operacional.

     “Quando o clima deixa de ser apenas um tema de inventário e passa a orientar decisões estratégicas e operacionais, o saneamento se reposiciona de forma estrutural na resposta às mudanças climáticas”, analisa a especialista.

Tecnologia na redução da pegada de carbono

Digitalização, automação e uso de dados são habilitadores relevantes da descarbonização. Sem dados confiáveis e gestão em tempo real, metas climáticas não se materializam. 

     Para a coordenadora da Câmara Temática de Mudanças Climáticas da ABES, essas ferramentas permitem otimização do consumo energético em bombeamentos e aeração; maior estabilidade dos processos biológicos nas ETEs; detecção rápida de vazamentos e gestão ativa de pressões; manutenção preditiva e operação em faixas ótimas de eficiência; e inventários de GEE mais precisos e alinhados a padrões internacionais de reporte. “Na prática, não existe saneamento de baixo carbono sem gestão baseada em dados”, defende Ana Lucia Szajubok.                                         

     Camila Roncato destaca a confiabilidade das informações quando essas ferramentas são utilizadas: “Precisamos de automação para ter controle telemétrico de válvulas e também ter telemetria de carregamento desses dados para tomar decisões mais rápidas. Por isso, é fundamental investir em automação e em tecnologias avançadas, como a inteligência artificial. Nos distritos de medição e controle (DMCs), por exemplo, essas ferramentas permitem analisar com precisão a vazão mínima noturna, considerando as variações de pressão ao longo do dia e da noite, já que os padrões de consumo mudam nesses períodos. Todo investimento em tecnologia, nesse contexto, torna-se uma estratégia relevante para a redução da pegada de carbono”, afirma. 

     Experiências internacionais com metas de neutralidade de carbono 

Na Europa e no Reino Unido, diversas companhias de saneamento estabeleceram metas de neutralidade de carbono operacional, acompanhadas de roteiros claros de redução de emissões. 

     De acordo com Ana Lucia Szajubok, essas experiências mostram que neutralidade não é apenas um selo ambiental, mas um modelo avançado de gestão e eficiência. Para ela, as principais lições dessas experiências são: a importância de inventários robustos e granulares; a priorização da redução real de emissões antes de compensações; o enfrentamento explícito das emissões de processo (CH₄ e N₂O); e a incorporação do Escopo 3, ou seja, assumir a responsabilidade também pelos impactos gerados indiretamente, especialmente por obras, materiais e cadeia de suprimentos.

Redução de emissões X planos de universalização dos serviços

Universalizar os serviços de saneamento e, ao mesmo tempo, reduzir emissões de gases de efeito estufa não são objetivos opostos e podem avançar juntos. É o que afirma Ana Lucia Szajubok. Ela defende que a integração entre essas agendas passa por planejamento com foco no menor custo ao longo do ciclo de vida dos projetos, priorização de ações com alto retorno econômico e climático, como eficiência energética e redução de perdas, além do uso escalonável de biogás e autogeração. 

     A especialista explica que esse alinhamento ganhou peso com as novas exigências de financiadores e investidores, que cobram transparência e gestão de riscos climáticos: “No Brasil, a adoção dos padrões IFRS S1 e S2 pela CVM e o avanço da Taxonomia Sustentável Brasileira reforçam esse movimento, ao dar mais clareza e credibilidade aos projetos. Regulamentação com critérios climáticos, linhas de crédito específicas, incentivos à autogeração e políticas públicas integradas são apontados como essenciais para acelerar a transição para um saneamento de baixo carbono, posicionando o setor como parte ativa das soluções climáticas”, explica a consultora.

Relatórios de diretrizes climáticas colocam a Aesbe no debate global

Nos últimos dois anos, a Câmara de Gestão Ambiental e Mudança do Clima da Aesbe intensificou o trabalho junto às companhias de saneamento para produzir diretrizes técnicas voltadas à adaptação e à continuidade da operação diante de eventos climáticos extremos. O esforço resultou na elaboração de nove publicações com orientações práticas, produzidas no contexto da COP30, abordando desde a resiliência operacional até a integração entre políticas públicas, clima e saneamento. Os documentos podem ser acessados no site da Aesbe: https://aesbe.org. br/serie-universalizar-cop30-saneamento-online/ 

     Segundo a coordenadora da Câmara, o objetivo foi garantir que o saneamento passasse a ocupar espaço qualificado no debate climático. Esse movimento se refletiu na participação do setor em painéis e discussões durante a COP30, incluindo eventos como a Vila das Águas, coordenada pela Sabesp. “A próxima etapa será aprofundar o assunto e produzir guias ainda mais direcionados”, destaca Camila Roncato.

A agenda climática na ABES

A ABES vem consolidando, de forma contínua, a pauta de mudanças climáticas como uma agenda permanente do setor de saneamento. Segundo Ana Lucia Szajubok, antes mesmo da criação da Câmara Temática de Mudanças Climáticas e Gestão de Carbono, a entidade já produzia notas técnicas, promovia debates especializados e realizava encontros de alto nível, contribuindo para amadurecer o diagnóstico sobre descarbonização, emissões de gases de efeito estufa e Escopo 3 no setor. 

     Com a formalização da Câmara, esse trabalho ganhou coordenação e escala. A agenda passou a dialogar diretamente com políticas públicas, financiamento e gestão de riscos climáticos, incluindo a organização de painéis no 33º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental – Fitabes 2025, a elaboração de uma carta aberta entregue ao Ministério do Meio Ambiente e ações preparatórias para a COP30.

Fonte: REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA Abcon NEWS ABR. 2026 | EDIÇÃO 97 de 30/04/2026

6/5/2026

- Agenda do saneamento avança com foco em investimentos e segurança regulatória

Editorial

O saneamento brasileiro vive um momento de forte dinamismo, marcado pela ampliação dos investimentos, maior presença no debate público e intensificação do diálogo entre os diferentes atores do setor.

Nesse contexto, a atuação institucional da entidade tem se tornado cada vez mais relevante e reflete a importância de manter um diálogo contínuo com governo, Congresso, reguladores, investidores e formadores de opinião. Ao fortalecer essas conexões, a ABCON contribui para qualificar o debate e impulsionar soluções que respondam aos desafios estruturais do país.

- ABCON reforça atuação nacional e articulação estratégica no setor

As últimas semanas foram de muito trabalho na ABCON. As agendas foram intensas e a associação esteve presente em Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF) debatendo saneamento básico e infraestrutura em fóruns, seminários, reuniões e audiências públicas. O objetivo é reforçar o diálogo com formadores de opinião, ampliando a atuação no governo federal, Congresso e imprensa.

- ABCON celebra 30 anos e realiza 10ª edição do ENA em São Paulo

A ABCON realiza, nos dias 12 e 13 de agosto de 2026, em São Paulo, a 10ª edição do Encontro Nacional das Águas (ENA), principal espaço de debates técnicos e estratégicos do setor. O encontro também marcará a celebração dos 30 anos de atuação da entidade no setor. O evento será no Teatro B32, localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732 - Itaim Bibi, São Paulo.

Consolidado como ponto de convergência das principais lideranças do saneamento, o ENA também promoverá o Saneamento Brasil Summit que reunirá executivos, representantes do poder público, reguladores, investidores e especialistas para debater temas como financiamento, segurança regulatória, inovação e eficiência operacional.

- ABCON e Ministério das Cidades alinham agenda para avançar na universalização do saneamento

A ABCON participou, nesta semana, de reunião com o ministro das Cidades, Vladimir Lima, em Brasília, para discutir o avanço do saneamento básico no País e os caminhos para ampliar os investimentos necessários à universalização dos serviços.

O encontro, que contou com a presença da diretora-presidente da entidade, Christianne Dias, reforçou a importância da articulação entre os setores público e privado para o cumprimento das metas previstas no marco legal do saneamento até 2033.

O ministro destacou o compromisso do governo com o cumprimento das metas de universalização de água e esgoto. “Essas discussões fazem parte de algo maior, que é continuar investindo em saneamento básico e melhorando a saúde das pessoas. Nós temos mais de R$ 60 bilhões investidos em saneamento pelo Novo PAC e sabemos que a universalização não virá apenas com recursos públicos, precisamos de equilíbrio com os recursos privados”, afirmou.

- Cagece publica edital de PPP para esgotamento em 127 municípios do Ceará

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) publicou edital de PPP para universalizar o esgotamento sanitário em 127 municípios do estado. A iniciativa prevê cerca de R$ 7 bilhões em investimentos e integra a estratégia de ampliação da infraestrutura alinhada ao marco legal do saneamento.

A medida se soma a um conjunto de ações em diferentes estados. Estão previstos leilões e empreendimentos na Paraíba (R$ 3 bilhões), Goiás (R$ 6,2 bilhões) e Ceará (R$ 6,9 bilhões), além de estudos no Rio Grande do Norte (R$ 4,1 bilhões) e iniciativas em Alagoas e Rondônia.

No total, essas frentes podem alcançar mais de 500 municípios, beneficiar cerca de  10 milhões de pessoas e mobilizar aproximadamente R$ 27,4 bilhões em recursos.

Saiba mais

Projeto prevê investimentos bilionários e reforça papel das parcerias para avanço da universalização no Brasil

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) publicou edital de Parceria Público-Privada (PPP) para a universalização dos serviços de esgotamento sanitário em 127 municípios do estado. A iniciativa integra a estratégia de ampliação da infraestrutura de saneamento e está alinhada às diretrizes do marco legal do setor.

O edital, estruturado como concorrência pública internacional, prevê a concessão administrativa dos serviços necessários à expansão e operação dos sistemas de esgotamento sanitário nas localidades atendidas, com o objetivo de acelerar o acesso da população e contribuir para o cumprimento das metas de universalização.

Com investimentos estimados em cerca de R$ 7 bilhões, o projeto figura entre as principais iniciativas em estruturação no país, abrangendo municípios do interior e reforçando o modelo de parceria como instrumento para viabilizar obras de grande escala. A modelagem prevê contratos de longo prazo, com remuneração vinculada ao cumprimento de metas de desempenho e qualidade dos serviços.

A iniciativa dá continuidade à agenda de estruturação de projetos no Ceará, que tem utilizado o modelo de PPP para ampliar a cobertura de esgotamento sanitário e acelerar investimentos no setor.

Para a diretora-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), Christianne Dias, iniciativas como essa reforçam a importância da colaboração entre os setores público e privado. “Projetos estruturados como PPPs são fundamentais para viabilizar investimentos em larga escala e acelerar o avanço rumo à universalização dos serviços de saneamento no Brasil”, afirma.

O lançamento do edital ocorre em um contexto de ampliação dos investimentos no setor, impulsionado pelo marco legal do saneamento, e reforça a importância de um ambiente regulatório estável para atrair capital e garantir a continuidade dos projetos.

Pipeline de projetos reforça ciclo de investimentos

Além do projeto no Ceará, outros estados avançam na estruturação de concessões e PPPs no setor. Na Paraíba, está previsto para maio de 2026 o leilão da PPP da Cagepa, com investimentos superiores a R$ 3 bilhões para esgotamento sanitário em 85 municípios. Em Goiás, a Saneago mantém edital aberto para projetos que somam R$ 6,2 bilhões, com potencial de atender mais de 3,2 milhões de pessoas em 216 municípios.

No Ceará, outro projeto já avançou para a fase de consulta pública, abrangendo 128 municípios e estimativa de R$ 6,9 bilhões em investimentos. No Rio Grande do Norte, estudos estão em desenvolvimento, com previsão de R$ 4,1 bilhões e cobertura de 48 municípios.

Também estão no radar projetos em Alagoas, com a estruturação do bloco D — que reúne serviços de água e esgoto em 21 cidades — e em Rondônia, onde a concessão já foi concluída, com previsão de atender 45 municípios e mobilizar R$ 4,9 bilhões.

Somadas, essas iniciativas podem alcançar 543 municípios, beneficiando cerca de 10 milhões de pessoas e mobilizando aproximadamente R$ 27,4 bilhões em investimentos, reforçando o pipeline do setor e o papel das parcerias na expansão do saneamento no país.

Fonte: Abcon NEWS ABR. 2026 | EDIÇÃO 97 de 30/04/2026

FRASE DO MÊS

6/5/2026

“O mercado de ações está repleto de indivíduos que sabem o preço de tudo e não sabem o valor de nada.”

Autor: Philip Fisher

Casa do Saneamento inaugura uma nova convergência institucional e de governança Pós-COP30

7/4/2026

Para Alexandre Motta, presidente da Funasa, o espaço simboliza o resgate da visibilidade da fundação e a reafirmação do setor como militância pela saúde pública, focando agora no letramento social, no combate ao subfinanciamento rural e nos desafios climáticos de 2026.

Se a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) consolidou o saneamento como pilar da justiça climática, a Casa do Saneamento em Belém (PA) ergue-se como o maior legado de integração institucional do setor nas últimas décadas. Instalada na sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o que inicialmente foi concebido como uma solução de infraestrutura logística para o evento transmutou-se em um modelo de governança multissetorial. Sob a ótica de Alexandre Motta, presidente da Funasa, o espaço transcendeu a função de hospedar eventos para tornar-se um conceito de articulação política e técnica, unindo o poder normativo do Estado à capacidade operacional das companhias estaduais representadas pela Aesbe.

Nós começamos na COP. Queremos agora atrair novos atores, como as universidades e os departamentos de pesquisa que discutem o saneamento sob o prisma da inovação tecnológica.” Alexandre Motta, presidente da Funasa

    “Às vezes, fazemos uma proposta que parece lógica e pontual para o momento, mas não temos a exata dimensão do que aquilo pode tomar. A Casa do Saneamento virou o epicentro de um processo muito mais amplo. No primeiro momento, imaginávamos apenas um espaço físico para dar atratividade ao setor, mas o conceito ganhou aspectos mais amplos porque o saneamento carecia de um ponto de referência unificado”, avalia Motta. O presidente destaca que a iniciativa partiu de uma provocação estratégica da Aesbe: a constatação de que, embora as COPs debatessem segurança hídrica, a prestação de serviços de saneamento raramente ocupava o centro das diretrizes globais de adaptação.

    Deste modo, a Casa do Saneamento representou um divisor de águas ao articular, sob o mesmo guarda-chuva, entidades de representação como Aesbe, AESabesp, Abes, Assemae e Abcon, além de órgãos centrais do governo federal, como a ANA, o Ministério das Cidades e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Essa convergência permitiu que o setor superasse a fragmentação institucional, criando um bloco de pressão política capaz de pautar o debate tanto na “Zona Azul” (diplomática) quanto na “Zona Verde” da COP30.

    Motta destaca que a ideia da Casa do Saneamento não é acabar na COP. “Nós começamos na COP. Queremos agora atrair novos atores, como as universidades e os departamentos de pesquisa que discutem o saneamento sob o prisma da inovação tecnológica. Precisamos trazer também as entidades que representam a produção de equipamentos, pois o setor privado tem muito a contribuir na prova de conceito de novas soluções”, defende Alexandre Motta. Essa visão de longo prazo visa transformar o espaço em um fórum permanente de discussão técnica, no qual críticas e sugestões possam ser depuradas antes da implementação de políticas públicas.

Nós começamos na COP. Queremos agora atrair novos atores, como as universidades e os departamentos de pesquisa que discutem o saneamento sob o prisma da inovação tecnológica.” Alexandre Motta, presidente da Funasa

    A análise técnica da Funasa corrobora um cenário crítico enfrentado pelo setor: o subfinanciamento crônico, com ênfase no saneamento rural e em comunidades isoladas. Alexandre Motta argumenta que a resolução desse gargalo econômico passa, obrigatoriamente, por uma mudança na comunicação social do setor. Para o presidente, o saneamento precisa sair do campo da engenharia invisível para se tornar uma prioridade verbalizada pela sociedade. “O tema do saneamento tem sido pouco explorado nos meios de comunicação de massa. O subfinanciamento só será equacionado na medida em que isso for uma prioridade para a sociedade brasileira. A Casa do Saneamento foi o passo fundamental de articulação para projetarmos esse debate. Como o Sérgio Gonçalves, diretor-executivo da Aesbe, observou, se a Casa não existisse, talvez nem os poucos debates que conseguimos levar para dentro da COP30 teriam existido. Conseguimos dar uma dimensão política ao assunto que antes era puramente técnico”, enfatiza o presidente da Funasa.

Trabalho multissetorial

Para a Funasa, a Casa do Saneamento simboliza o resgate da visibilidade positiva da instituição frente aos agentes do setor e ao próprio Governo Federal.

Após um período de reestruturação institucional, a fundação reafirmou sua relevância como braço executor de políticas de saneamento ambiental e saúde pública. Alexandre Motta destaca que a iniciativa projetou a “nova Funasa” perante organismos internacionais como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Banco Mundial e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

    Para Motta, a Fundação ganhou uma dimensão diferente. Organizações internacionais agora reconhecem que há um player estratégico retomando seu lugar no jogo. “No caso da OPAS, com quem temos uma relação histórica, essa parceria foi reforçada por uma atuação mais madura e focada. A Casa do Saneamento foi fundamental para resgatar a imagem da fundação perante o setor e dentro do próprio Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha tem reforçado a necessidade de incluir a Funasa em todos os projetos estruturantes de saúde e saneamento”, observa.

    Alexandre Motta introduz um conceito pragmático de governança, focado na reunião de tomadores de decisão com alto poder de fogo. Diferente de eventos de massa, a Casa do Saneamento foi desenhada para ser um hub de instituições. Motta destaca o grupo de trabalho multissetorial que opera via comunicação direta. “Nós não buscamos apenas quantidade, mas qualidade de decisão. O grupo que articulamos, inclusive via plataformas digitais, reúne pessoas que detêm o conhecimento técnico de décadas e o comando de bilhões de reais em recursos. Se chegamos a um consenso sobre uma diretriz tecnológica ou uma alocação de investimento, isso significa que o dinheiro e a técnica vão para aquela direção. É um espaço privilegiado de reflexão e ação rápida, por meio do qual consultamos equipes de engenharia em tempo real para avaliar a viabilidade de propostas. É ali que o saber acumulado de profissionais da Aesbe e da Assemae, por exemplo, se converte em decisão política”, detalha.

    Um dos objetivos técnicos para o pós-COP30 é promover o que Motta chama de “letramento da sociedade”. O presidente ressalta a importância de compreender o saneamento como um sistema complexo e interdependente, composto por água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem pluvial. A ausência de visão sistêmica, segundo ele, impede que a população e os gestores compreendam a gravidade das contaminações cruzadas e dos passivos ambientais.

    Segundo ele, a maioria das pessoas associa saneamento apenas a esgoto. Mas é preciso entender a interconexão: o manejo de resíduos impacta o chorume que contamina o manancial, o que torna o tratamento da água muito mais complexo e caro. A drenagem urbana precisa estar separada do esgotamento sanitário para evitar colapsos. “Atacar o problema do saneamento rural e de pequenos municípios (até 50 mil habitantes), onde vive um terço da população brasileira, exige esse entendimento técnico apurado. Não é barato nem simples, mas é uma discussão filosófica sobre como ocupamos o território”, reflete o presidente.

Rumo ao Fórum Mundial da Água e COP31

Para 2026, a Funasa estabelece como prioridade a assistência técnica aos municípios para a adaptação climática. O foco está na formulação e revisão de Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) que incorporem a gestão de riscos climáticos. Alexandre Motta elogia o trabalho da Aesbe ao adotar o termo “eventos adversos” nas diretrizes técnicas, termo que ele considera mais preciso para o setor.

    “No saneamento, o evento não precisa ser extremo para causar um desastre; basta ele ser adverso. Se uma chuva interrompe o fornecimento de energia, o sistema de bombeamento e tratamento para. Queremos apoiar os municípios na organização da ação operativa e no financiamento de projetos resilientes. A Funasa está retomando seu papel histórico de formação e qualificação de mão de obra, criando um centro de formação em Brasília para que prefeituras saibam operar os ativos que emergirem dos nossos investimentos, como ETEs e ETAs”, explica.

    O cronograma internacional de 2026 exige que a mobilização iniciada em Belém seja intensificada. O Brasil, mantendo a presidência da COP por um ano, tem a missão de consolidar o saneamento como pauta fixa para a COP31 na Turquia. Além disso, o Fórum Mundial da Água, nos Emirados Árabes Unidos, é visto por Motta como o evento mais importante do ano para o setor.

    Ele destaca que a presidência da COP começou em Belém e vai até a Turquia e estão sendo preparados documentos sólidos que discutam clima e saneamento sob uma perspectiva global e nacional. “Precisamos de uma delegação técnica forte nos Emirados Árabes Unidos, pois sem saneamento não há enfrentamento real à crise climática. A água é vida e é o centro de todo o processo de tratamento e gestão ambiental. Se você não morre por falta d’água em 72 horas, pode morrer em 120 horas por contaminação hídrica. É esse o nível de seriedade que o nosso trabalho visa atingir”, frisa.

    Alexandre Motta faz um convite à reflexão sobre a carreira dos profissionais no setor. Para ele, o legado da Casa do Saneamento é a percepção de que a atividade técnica é, em sua essência, uma militância em prol da saúde pública e da dignidade humana. “Compreender que o saneamento não é apenas uma atividade profissional, mas uma militância, foi extraordinário para mim. Ninguém se aposenta do saneamento. Por isso, quero deixar uma mensagem de luta contínua: a Funasa continuará contribuindo para disseminar conhecimentos e conseguir mais recursos para as pequenas cidades e áreas rurais. A Casa do Saneamento agora é simbólica e conceitual: ela existe onde todos nós estivermos reunidos para transformar a realidade através da técnica e da atuação política organizada”, conclui.

Fonte: REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

Após a COP30: o Saneamento como pilar da justiça climática e do desenvolvimento sustentável

2/4/2026

Sérgio Gonçalves e Alexandre Motta

     O mês de novembro de 2025 ficará marcado nos anais da história ambiental como o momento em que o Brasil, sob o olhar atento de quase 200 nações, reafirmou seu protagonismo na agenda climática global. Para além das metas de descarbonização e proteção das florestas, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, consolidou uma percepção até então periférica: o saneamento básico é a espinha dorsal da resiliência urbana e da justiça climática. Para a Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), a conferência não representou apenas um evento de calendário, mas o ápice de um movimento estratégico iniciado dois anos antes. Através de uma atuação planejada e vigorosa nos bastidores, na produção de conhecimento técnico e na articulação política, a associação avançou no objetivo de reposicionar o setor. O saneamento deixou de ser visto meramente como uma questão de engenharia civil ou saúde pública para ser compreendido como uma ferramenta indispensável de sobrevivência diante de um clima em transformação.

      A trajetória da Aesbe rumo à COP30 iniciou-se em novembro de 2023, quando o colegiado de presidentes das associadas chancelou uma missão imprescindível: inserir o saneamento no epicentro do debate da ONU. Segundo Sérgio Gonçalves, diretor-executivo da Aesbe, o diagnóstico inicial revelava uma lacuna histórica. Nas COPs anteriores, a água era debatida enquanto recurso hídrico, mas a prestação do serviço, representada pelo ato de levar água tratada e coletar esgoto, era frequentemente negligenciada nas discussões de alto nível. “Iniciamos os trabalhos pré-COP em novembro de 2023. O colegiado da Aesbe, composto pelos presidentes das associadas, nos deu autorização para iniciar as tratativas de um trabalho que se delineou e foi concluído ao longo desses dois anos. Durante esse período, estruturamos um projeto para nos inserirmos na pauta climática, aproveitando a janela de oportunidade que a COP30 nos trouxe, especialmente por ser uma edição realizada no Brasil e na Amazônia. Isso confere ao tema, tanto para o país quanto para o mundo, uma marca simbólica de extrema relevância no universo do setor de saneamento”, afirma Gonçalves. 

     Para viabilizar esse objetivo, a associação percorreu, durante dois anos, os corredores das principais autarquias e instâncias decisórias em Brasília. A articulação envolveu os Ministérios das Cidades e do Meio Ambiente, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Casa Civil, por exemplo. O propósito era nítido: pautar o Governo Federal para que o saneamento figurasse como um dos pilares da conferência. Gonçalves ressalta que as edições anteriores da COP não haviam tratado a prestação de serviços com tamanha profundidade. “A COP possui uma missão central voltada ao clima, na qual a água surge como um bem transversal; contudo, a infraestrutura e a operação do serviço em si ficavam de fora desses debates”, explica.

Casa do Saneamento: um marco institucional e de liderança 

     Um dos maiores marcos da COP30 foi, sem dúvida, a Casa do Saneamento. Instalada na sede da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), em Belém, o espaço foi fruto de uma parceria estratégica que uniu a Aesbe e a Funasa e desempenhou um papel institucional determinante. Vinculada ao Ministério da Saúde, a fundação possui um histórico intrínseco de atuação em municípios com até 50 mil habitantes e em áreas rurais, atendendo com exclusividade populações tradicionais, como quilombolas, ribeirinhos e indígenas. Essa capilaridade foi o elo que uniu a infraestrutura de saúde pública à agenda de resiliência climática. 

     Sérgio Gonçalves destaca que a parceria com o presidente da Funasa, Alexandre Motta, foi fundamental e visionária. “Desde as primeiras tratativas, Motta compreendeu a urgência de elevar o saneamento ao centro do debate climático. Ele não apenas abraçou a causa, como ofereceu um ativo estratégico: a rede de sedes físicas da fundação em todo o território nacional. Foi assim que a superintendência da Funasa em Belém, dotada de uma estrutura robusta e privilegiada, foi convertida na Casa do Saneamento”, relata o diretor. 

     O projeto, que nasceu sob o conceito de convergência, materializou-se em tempo recorde. A inauguração oficial ocorreu entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2025, em um evento pré-COP que serviu de termômetro para o setor. Naquela ocasião, a Aesbe lançou um de seus documentos mais importantes: o guia com as 60 Diretrizes aos prestadores de serviços de água e esgoto para o enfrentamento de eventos adversos. Mais do que um edifício, a Casa transformou-se em um ecossistema multissetorial, abrigando grupos de trabalho integrados por especialistas em recursos hídricos, comitês de bacias e gestores de resíduos sólidos, entre outros. 

     Deste modo, durante a realização da COP30 a Casa do Saneamento consolidou-se como o polo de referência do setor em Belém. A agenda foi intensa, com a Aesbe promovendo três eventos magnos e oferecendo suporte operacional a diversas outras discussões. Esse adensamento de debates permitiu que a pauta do saneamento ganhasse capilaridade para além dos muros da fundação, atingindo as instâncias diplomáticas mais restritas do evento. 

     A robustez da programação fez a temática repercutir internamente na Zona Azul, a área de negociações oficiais da ONU. “Com isso, em diversos pavilhões, o saneamento deixou de ser uma nota de rodapé para se tornar um tema central em debates e conversas de alto nível”, salienta Gonçalves. Esse protagonismo serviu também para atrair o interesse de organismos financeiros internacionais. O Fonplata, banco que congrega as cinco nações da Bacia do Prata (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai), e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) pautaram o saneamento em suas agendas oficiais durante a conferência. 

     Paralelamente, o Ministério das Cidades e a Funasa aproveitaram a visibilidade do Pavilhão Brasil para disseminar o modelo brasileiro de resiliência hídrica. De acordo com Sérgio Gonçalves, do final de setembro até o encerramento da COP30, a Casa do Saneamento manteve um fluxo ininterrupto de diálogos, reafirmando que a segurança hídrica e o saneamento são, em última análise, as ferramentas mais eficazes para a adaptação climática em nível global.

Saneamento e resiliência em tempo real 

     A COP30 trouxe uma clareza definitiva: a crise climática não é uma ameaça futura, mas uma realidade que atinge “em cheio” a operação dos serviços de saneamento básico. Sérgio Gonçalves alerta que qualquer evento adverso, mesmo que não seja classificado como extremo nos moldes tradicionais, exige ações de contingência rápidas para evitar o colapso dos sistemas. “Hoje enfrentamos, dentro de um mesmo ciclo anual, secas severas, chuvas intensas e temperaturas altas. Quando a temperatura sobe, o consumo de água dispara; quando há seca, a escassez compromete a captação. O sistema precisa ser resiliente. A propositura da Aesbe foi pautar a importância do saneamento na segurança hídrica e na saúde das populações. Ressaltamos que a ausência do serviço gera impacto direto nos indicadores de saúde pública e no equilíbrio ambiental”, explica. 

     Para enfrentar esse cenário, a Aesbe defende uma revisão profunda dos sistemas de planejamento. “Temos que rever tudo, desde os projetos, que não devem ser os mesmos de 60 anos atrás. Temos que nos adaptar desde a obra até a operação. Precisamos de ferramentas eficazes para agir quando, por exemplo, a energia elétrica acaba e o sistema para. Como repor rápido? Como garantir a qualidade da água segura em cenários de crise?”, considera o diretor-executivo da Aesbe. 

     Essa participação técnica foi sustentada por uma produção documental significativa, disponível na Biblioteca Eletrônica da associação. O destaque na COP30 foi o documento “Saneamento e mudança climática: Diretrizes aos prestadores de serviços de água e esgoto para o enfrentamento de eventos adversos – 3ª edição”. Este guia, desenvolvido em parceria com a Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), apresenta 60 diretrizes práticas para que as empresas enfrentem o novo normal climático. Gonçalves define essas diretrizes como um “documento vivo”. “Não é por acaso que já estejamos na terceira edição; o aprendizado é contínuo. A ideia é realizar revisões constantes, colhendo subsídios de quem enfrenta os problemas no campo para aprimorar nossa forma de atuação. Queremos aprofundar itens essenciais e criar manuais detalhados. Se a diretriz indica a necessidade de ‘alertar’, o objetivo agora é detalhar ‘como atuar’ na prática operacional”, explica o executivo. 

     A realização da COP30 no Brasil representou, portanto, uma janela de oportunidade histórica para o reposicionamento do saneamento na arquitetura financeira global. Hoje, o setor vive um momento de efervescência, no qual o acesso a fundos de investimento climático tornou-se o divisor de águas para a viabilização de projetos de adaptação. Sérgio Gonçalves é enfático ao pontuar que a atração desses recursos é vital, mas adverte que o aporte financeiro deve vir acompanhado de uma revisão profunda na concepção das infraestruturas. 

      “Estamos diante da necessidade imperativa de revisitar nossos paradigmas. A adaptação precisa permear desde a concepção do projeto de engenharia até a execução da obra, passando pela manutenção preventiva e a operação resiliente dos equipamentos”, analisa Gonçalves. Essa visão ganha contornos de urgência ao observarmos as populações mais isoladas. O diretor recorda cenários críticos na Amazônia, onde secas severas interromperam o abastecimento básico de comunidades tradicionais. “Assistimos a episódios em que a água precisou ser transportada por via aérea para territórios indígenas. Isso nos obriga a estar mais atentos e organizados. O enfrentamento de problemas históricos exige que nossos prestadores aprimorem seu planejamento estratégico para minimizar impactos”, reforça.

      A transição para um modelo resiliente passa por uma reforma nos protocolos de gestão de crises. A Aesbe defende a urgência na criação de Planos de Emergência e Contingência robustos, ferramentas ainda escassas em âmbito nacional. Gonçalves destaca que, em um país continental, é possível enfrentar, simultaneamente, secas em uma região e inundações em outra. “Não precisamos necessariamente de um evento extremo de larga escala para colocar um sistema em xeque. Uma interrupção no fornecimento de energia é suficiente para paralisar um complexo de tratamento. A questão central é: quão eficazes somos em repor esse serviço? Necessitamos de ferramentas de gestão que assegurem a qualidade da água e a segurança hídrica independentemente das pressões externas”, destaca o diretor. COP30 inicia um ciclo de liderança Um aspecto fundamental para a compreensão da relevância deste momento reside na própria dinâmica diplomática das Conferências das Nações Unidas. A COP30 em Belém não foi um ponto de chegada, mas o início de um ciclo de liderança. O Brasil detém a presidência da COP por um ano, período em que o país atua como guardião das metas estabelecidas até a transmissão do bastão para a Turquia, que sediará a COP31 em novembro de 2026. Para a Aesbe, esse período de 12 meses é um espaço temporal valioso para consolidar a “marca COP” como um catalisador permanente de mudanças no setor de saneamento.

COP30 inicia um ciclo de liderança

Um aspecto fundamental para a compreensão da relevância deste momento reside na própria dinâmica diplomática das Conferências das Nações Unidas

A COP30 em Belém não foi um ponto de chegada, mas o início de um ciclo de liderança. O Brasil detém a presidência da COP por um ano, período em que o país atua como guardião das metas estabelecidas até a transmissão do bastão para a Turquia, que sediará a COP31 em novembro de 2026. Para a Aesbe, esse período de 12 meses é um espaço temporal valioso para consolidar a “marca COP” como um catalisador permanente de mudanças no setor de saneamento.

      O diretor-executivo frisa que a bandeira da COP deve permanecer hasteada e fortalecida no planejamento da Aesbe. “Existe uma necessidade imperativa de mantermos o saneamento no topo da agenda global, pois este não é um desafio estritamente brasileiro, mas uma crise humanitária de escala mundial”, pontua. Os dados por ele citados são alarmantes: em um planeta que se aproxima dos nove bilhões de habitantes, cerca de quatro bilhões carecem de serviços essenciais de saneamento. Mais grave ainda é o fato de que, deste montante, ao menos 2,5 bilhões de pessoas não possuem acesso à água segura, uma lacuna que compromete diretamente a saúde pública e o desenvolvimento socioeconômico global. 

     Diante desse cenário, o setor deve se posicionar com vigilância e proatividade. A crise climática exige que a humanidade refine suas formas de organização. “Nosso papel é entender os mecanismos da natureza para nos adaptarmos com inteligência. O uso de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e o entendimento do ciclo hidrológico são as chaves para que o saneamento passe a ser a garantia de resiliência das nossas civilizações”, avalia Gonçalves. 

     Além disso, o engenheiro considera que a COP30 estabeleceu um novo patamar para as discussões setoriais, mas isso está condicionado à continuidade das ações. “Acreditamos que foi um divisor de águas, mas a COP é uma bandeira que não pode ser recolhida com o fim do evento. É vital que essa marca não morra como se fosse uma questão pontual encerrada em novembro de 2025”, adverte.       

     Essa continuidade já se materializa nas rotinas da Aesbe, que integrou o saneamento ao cotidiano de pastas estratégicas. Logo após a conferência, a associação realizou o Seminário Nacional Universalizar, celebrando seus 41 anos e transformando as discussões teóricas de Belém em painéis práticos sobre temas, como financiamento e reúso de água (veja na página xx). “Não houve um painel sequer que não tenha reverberado os temas da COP30. O impacto climático no saneamento tornou-se o fio condutor das nossas reflexões”, destaca. 

     Nesse processo, ele observa que a Câmara Técnica de Gestão Ambiental e Mudança do Clima da Aesbe desempenha papel de capitania, mobilizando especialistas para monitorar as transformações. A missão envolve parcerias com entidades congêneres, como a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindicon), a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) e a AESabesp, que foi uma importante parceira na elaboração da 3ª edição das 60 Diretrizes para Eventos Adversos. “Nossa missão interna é clara, mas buscamos a união de todo o ecossistema do saneamento. É fundamental que, em todos os eventos de 2026, mantenhamos o debate sobre a crise climática em evidência. Precisamos internalizar esses conceitos em cada empresa, respeitando seu grau de maturidade, mas fomentando a troca de experiências com outras entidades. Esse processo de solidariedade e cooperação técnica é o que garantirá que o setor esteja preparado para os desafios que já estão batendo à nossa porta”, sinaliza Gonçalves. 

     Ele destaca ainda que a sinergia entre as associadas da Aesbe tem sido o motor para a implementação de soluções resilientes em escala nacional. Este é um processo contínuo de solidariedade e cooperação técnica, operado por meio das Câmaras Técnicas da associação. “O objetivo é aprender com as experiências práticas de quem enfrenta os desafios operacionais no dia a dia, refinando protocolos e otimizando a disponibilidade hídrica. Na COP30, esse debate foi personificado em painéis estratégicos sobre dessalinização e reúso de água, temas que hoje são prioridades máximas para mitigar o desperdício e aumentar a eficiência dos sistemas”, pontua o diretor-executivo. 

     O avanço da água de reúso é classificado por Gonçalves como um “caminho sem volta” para a sustentabilidade do setor. Exemplos emblemáticos, como o projeto Aquapolo, em São Paulo, e as operações da Cesan, no Espírito Santo, e da Cagece, no Ceará, na produção de água de reúso para fins industriais, demonstram que a gestão inteligente dos recursos hídricos é a resposta necessária à escassez. “Estamos observando uma internalização profunda dessas pautas. Companhias com maior musculatura institucional lideram o engajamento, mas mesmo as empresas que ainda não enfrentam crises agudas já buscam entender esses modelos para antecipar protocolos de resposta rápida”, destaca. 

     A consistência do trabalho realizado pela Aesbe no ciclo pré e pós-COP30 gerou uma projeção que rompeu as fronteiras nacionais, posicionando a associação como um interlocutor qualificado perante organismos internacionais. A estratégia de pautar o saneamento como solução climática atraiu parceiros de peso, como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o BID e o Fonplata, do qual o Brasil é signatário, e que tem ampliado significativamente sua atuação em infraestrutura resiliente na região Norte. 

     Essa articulação internacional visa consolidar o saneamento na agenda de financiamento climático global. “Precisamos de recursos para dar escala às ações de mitigação e adaptação. Ao mesmo tempo, fortalecemos o diálogo interno com bancos nacionais, como o BNDES e a Caixa Econômica, pautando o tema do saneamento como já fazem com o mercado de carbono e a proteção de ecossistemas. O mercado deve entender que o saneamento é a ferramenta mais eficaz para garantir simultaneamente o equilíbrio ambiental e a segurança da saúde pública”, afirma Gonçalves.

Fonte: REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

FRASE DO MÊS

2/4/2026

“Não há segredos para o sucesso. É o resultado de preparação, trabalho árduo e aprendizado com o fracasso.”

Autor: Colin Powell

ENTREVISTAS REVISTA SANEAR Nº 52 – DE 10/03/2026

30/3/2026

- Investimentos, regulação e resiliência climática no caminho da universalização do saneamento no Maranhão

Marcos Aurélio Freitas, vice-presidente nacional da Aesbe e presidente da Caema

Projetos de sucesso na Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), onde mais de R$ 100 milhões já foram entregues em obras estratégicas de recuperação da capacidade operacional, mostram que é possível executar um plano que visa à universalização. Presidente da companhia e atual vice-presidente nacional da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), Marcos Aurélio Freitas conta como tem articulado o diálogo entre os agentes de saneamento e elenca os avanços em resiliência urbana após a COP-30.

Sanear – Pensando que o marco da universalização está cada vez mais próximo, quais as prioridades da Aesbe para este ano?

Marcos Aurélio Freitas – O marco da universalização estabelecido pela Lei nº 14.026/2020 exige um planejamento rigoroso. Na Caema, nossa prioridade absoluta, alinhada à visão do governador Carlos Brandão, é a execução do maior portfólio de investimentos da história da Companhia. Por meio do Novo PAC, asseguramos R$ 1.003.065.036,13 especificamente destinados a projetos de abastecimento de água que beneficiarão 24 municípios maranhenses. Além disso, destinamos R$ 83.632.975,00 para a expansão do esgotamento sanitário em Barreirinhas e Itapecuru Mirim. Na Aesbe, defendemos que a universalização só ocorrerá com essa sinergia entre o governo estadual e o federal, com foco na sustentabilidade empresarial e na garantia de que o saneamento chegue às sedes municipais e aos povoados, totalizando hoje mais de 156 sistemas operados por nós.

Sanear – Como presidente da Caema, que experiências ou resultados o senhor tem levado para a Aesbe com o objetivo de fortalecer o setor em nível nacional?

Marcos Aurélio Freitas – Temos levado à Aesbe resultados concretos que demonstram a recuperação da capacidade operacional da Caema. Sob a gestão de Carlos Brandão, investimos R$ 100 milhões em obras estratégicas já entregues, como a ETE Anil, em São Luís, fundamental para a despoluição da Bacia do Anil, e as novas Estações de Tratamento de Água (ETAs) de Pinheiro e Chapadinha. Outro ponto de destaque é nossa

agilidade na segurança hídrica: aplicamos R$ 30,3 milhões na perfuração de 49 poços concluídos e temos previstos mais R$ 46,3 milhões de investimentos próprios para esse fim. Essa expertise em gerir 761 poços e mais de 42 ETAs em um estado de dimensões continentais, como o Maranhão, serve de modelo para outras companhias que enfrentam desafios de logística e dispersão geográfica.

Sanear – O setor de saneamento vive um momento de desafios regulatórios e de financiamento. Na prática, como a Aesbe tem articulado o diálogo entre empresas estaduais, órgãos reguladores e governo federal?

Marcos Aurélio Freitas – O setor vive um momento de transição, e a Caema está preparada. Por meio da nossa Assessoria de Governança e Regulação (PRR), mantemos um diálogo técnico com os órgãos reguladores para garantir o cumprimento das metas contratuais.

O governador Carlos Brandão tem sido o principal articulador político para garantir que o Maranhão acesse os fundos federais, resultando em quase R$ 90 milhões em obras atualmente em execução e outros R$ 79,9 milhões em fase de licitação. Na Aesbe, colaboramos para que as empresas estaduais mantenham sua natureza de economia mista com eficiência de empresa privada, respeitando rigorosamente a Lei nº 13.303/16 (Estatuto das Estatais) e garantindo segurança jurídica para novos financiamentos.

Sanear – A universalização do saneamento básico ainda é uma meta nacional distante em muitas regiões. Que práticas ou modelos de atuação a Caema desenvolveu que podem inspirar outras companhias estaduais?

Marcos Aurélio Freitas – A Caema desenvolveu um modelo de regionalização eficiente por meio das Superintendências Norte e Sul, o que permite uma gestão próxima de cada Gerência de Negócios. Nossa estrutura organizacional, reformulada pelo Regimento Interno aprovado em abril de 2025, foca na Unidade Especial de Planejamento, Controle e Inovação (UEP) para modernizar o cadastro técnico e o geoprocessamento. Atendemos hoje 91% da população de São Luís com água tratada e buscamos elevar os índices de esgotamento, que já beneficiam 387 mil pessoas na capital. Esse equilíbrio entre alta cobertura na região metropolitana e expansão constante no interior, onde possuímos mais de 4,2 milhões de metros de rede de água, é o que inspira outras companhias estaduais a buscarem a universalização com responsabilidade social.

Sanear – Após a COP-30 no Brasil, que avanços concretos o senhor enxerga para o setor de saneamento dentro da agenda climática, especialmente no que diz respeito à adaptação, à resiliência urbana e ao acesso à água em contextos de eventos extremos?

Marcos Aurélio Freitas – A resiliência urbana é o tema central pós-COP-30. O saneamento é a ferramenta mais eficaz de adaptação climática. Na gestão Carlos Brandão, a Caema atua por meio da Gerência de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (EMAR) na gestão de bacias e no licenciamento, garantindo que a captação de água, como a do Sistema Italuís e do Rio Itapecuru, seja sustentável. Investimos na Coordenadoria de Eficientização Energética para reduzir nossa pegada de carbono e garantir que os sistemas operem sem interrupções, mesmo em contextos de eventos extremos. A expansão da rede de esgoto e o tratamento adequado são as maiores defesas que uma cidade pode ter contra a proliferação de doenças em períodos de chuvas intensas, e o Maranhão segue firme nesse propósito, beneficiando diretamente mais de 2 milhões de maranhenses com seus serviços.

- Adalberto Maluf analisa o legado da COP30 e a integração estratégica do saneamento às metas de resiliência e justiça climática

Nesta edição, Adalberto Maluf, secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e copresidente da Coalizão Clima e Ar Limpo da ONU, analisa o legado da COP30 e a consolidação do saneamento como pilar da justiça climática. Com vasta trajetória em economia verde e gestão urbana, Maluf destaca como a agenda de Belém inseriu o setor no centro da resiliência urbana e da segurança hídrica. Ele detalha a articulação federativa para transformar metas globais em ações locais, o papel estratégico do Acordo de Cooperação com a Aesbe e as prioridades do Plano Clima para a universalização e a economia circular da água.

Sanear - Após a realização da COP30 em Belém, quais foram, na sua avaliação, os principais legados e aprendizados para o Brasil?

Adalberto Maluf - A COP30 deixou como principal legado a consolidação de uma abordagem que aproxima a agenda climática da vida cotidiana das pessoas. A presidência brasileira conseguiu estruturar o debate em torno de três eixos centrais — aproximação com a realidade dos territórios, fortalecimento do multilateralismo e aceleração da agenda de ação climática — o que se refletiu em uma conferência marcada pela maior participação popular da história, com forte presença da sociedade civil, povos indígenas e governos subnacionais. Além disso, houve avanços concretos em temas estruturantes, como financiamento, adaptação e justiça social, reforçando o papel do Brasil como articulador político e técnico em um cenário geopolítico complexo.

Sanear - De que forma a COP30 contribuiu para fortalecer o papel do saneamento no enfrentamento às consequências das mudanças climáticas?

Adalberto Maluf - A COP30 contribuiu ao inserir, de forma inédita e consistente, a agenda urbana nos textos finais da Conferência. O saneamento passou a ser reconhecido como elemento central para a adaptação climática, a segurança hídrica e a melhoria da qualidade de vida nas cidades. Os planos de aceleração discutidos em Belém — especialmente aqueles voltados a recursos hídricos, gestão de resíduos e melhorias urbanas — evidenciaram que o saneamento não é apenas uma política setorial, mas um instrumento estratégico para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a resiliência urbana.

Sanear - A partir das discussões em Belém, o que ainda falta para que o saneamento conquiste o protagonismo necessário dentro da agenda climática global e nacional?

Adalberto Maluf - Embora os avanços tenham sido relevantes, ainda é necessário consolidar o saneamento como prioridade explícita nas estratégias climáticas, especialmente nos instrumentos de implementação e financiamento. O desafio agora é transformar o reconhecimento político em diretrizes operacionais claras, com metas, indicadores e mecanismos de financiamento alinhados à agenda climática. Também é fundamental fortalecer a articulação entre políticas urbanas, climáticas e de recursos hídricos, garantindo que o saneamento seja tratado como infraestrutura essencial para adaptação, justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável.

Sanear - Considerando o cenário atual, qual é hoje erando o cenário atual, qual é hoje o maior entrave para avançarmos: orçamento, tecnologia, governança ou processos?

Adalberto Maluf - O principal entrave reside na governança e na articulação entre políticas públicas, mais do que em limitações tecnológicas. A COP30 mostrou que existem soluções técnicas disponíveis e que o financiamento começa a avançar, especialmente com a aprovação do roadmap para alcançar US$ 1,3 trilhão em recursos climáticos. O desafio central está em integrar agendas, alinhar atores e transformar compromissos globais em ações coordenadas nos territórios, especialmente no nível subnacional e em parceria com o setor privado. Falta compromisso político para avançar os temas difíceis.

Sanear - Como o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima tem se articulado com estados e municípios para transformar os compromissos discutidos na COP30 em ações concretas?

Adalberto Maluf - O Ministério tem atuado no fortalecimento do diálogo federativo, reconhecendo que a implementação da agenda climática acontece, em grande medida, nos estados e municípios. O melhor exemplo que posso citar é a iniciativa das cidades verdes resilientes, que avança em diversas frentes, inclusive com soluções baseadas na natureza, integração das agendas verde-azuis das cidades e a construção e uma governança multinível, multisetorial, para enfrentamento dos desafios climáticos. A valorização do papel das cidades na COP30 e nos documentos oficiais, a presença expressiva de prefeitos e a realização do Summit de Prefeitos com a rede C40 reforçam essa estratégia. A articulação tem buscado alinhar os compromissos internacionais com políticas nacionais e ações locais, especialmente nas áreas de saneamento, recursos hídricos e resiliência urbana.

Sanear - Qual avaliação o senhor faz da participação brasileira na COP30 e da mensagem que o Brasil levou ao mundo sobre clima, biodiversidade e justiça socioambiental?

Adalberto Maluf - A participação brasileira foi altamente positiva e estratégica. Mesmo em um contexto geopolítico desafiador, o Brasil conseguiu liderar consensos importantes, resultando na aprovação de 29 documentos-chave, incluindo os Indicadores Globais de Adaptação, o Roadmap de Financiamento, o Plano de Transição Justa e o Plano de Gênero.

A mensagem levada ao mundo foi clara: não há ação climática efetiva sem justiça social, sem fortalecimento do multilateralismo e sem soluções que dialoguem diretamente com a vida das pessoas, os territórios e as cidades. Outro tema relevante foi a proposta da presidência brasileira e criação de mapas do caminho para o fim dos combustíveis fósseis e fim do desmatamento, temas complexos, mas de grande impacto para o sucesso da transição energética e da descarbonização das nossas economias.

“O exemplo das cidades verdes resilientes’ mostra como estamos integrando recursos hídricos e saneamento para alinhar as políticas nacionais às necessidades dos territórios, fortalecendo a capacidade de resposta das cidades.”

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA NEWS ABCON – COMUNICAÇÃO de 11/03/2026

17/3/2026

- Saneago e Cagepa abrem ciclo de leilões de saneamento em 2026

Os leilões da Saneago e da Cagepa, marcados para o fim de março, são vistos pelo mercado como a largada do ciclo de PPPs de saneamento em 2026. O leilão da Saneago, previsto para o dia 25 de março, é hoje um dos principais focos de atenção do mercado de infraestrutura. A companhia programa contratar, via três PPPs de esgotamento sanitário, cerca de R$ 6,2 bilhões em investimentos para universalizar o serviço em 216 municípios goianos e beneficiar mais de 3,2 milhões de habitantes até 2033, o que deve testar o apetite de grandes grupos privados e operadores regionais por projetos de larga escala em esgoto.

Na sequência, em 31 de março, a Cagepa leva à B3 a PPP de esgotamento sanitário das microrregiões do Litoral e do Alto Piranhas, na Paraíba, com investimento estimado em pouco mais de R$ 3 bilhões para atender 85 municípios. Juntos, os certames de Goiás e da Paraíba somam quase R$ 10 bilhões em projetos e são vistos pelo setor como a largada do ciclo de PPPs de saneamento em 2026, além de um termômetro importante sobre o ritmo de investimentos necessários para cumprir as metas do Marco Legal.

- Agenda do Saneamento 2026 reforça diálogo da ABCON com o Congresso

A diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, acompanhada da equipe de Relações Institucionais e Advocacy, percorreu a Câmara e o Senado para convidar parlamentares e mobilizar apoio em torno da Agenda Legislativa do Saneamento 2026. A publicação, que serve de guia para o diálogo com o Congresso, é dividida em temas centrais para o setor, como reforma tributária, modelo tarifário, concessões, PPPs, reúso e sustentabilidade ambiental, e destaca projetos em tramitação que podem acelerar ou travar as metas de universalização dos serviços de água e esgoto.

A sexta edição da Agenda Legislativa do Saneamento 2026 será lançada no dia 18 de março, em Brasília.

- Marco do Saneamento impulsiona investimentos e contratualização de metas

Levantamento da ABCON, com base em dados do SNIS, SINISA e IBGE, mostra que os investimentos em água e esgoto mudaram de patamar após o Marco Legal do Saneamento, em 2020. Entre 2020 e 2024, o setor registrou três anos consecutivos de recorde nos aportes, revertendo a trajetória praticamente estagnada observada entre 2007 e 2019. Atualizados a valores constantes de 2024 pelo IPCA, os dados indicam que a contratualização de metas de universalização tem sido determinante para esse avanço.

Nos municípios com metas formalizadas, os investimentos ficaram 71% acima da tendência pré-2020 em abastecimento de água e 77% em coleta e tratamento de esgoto. Mesmo onde não houve contratualização, houve aceleração — 39% em água e 36% em esgoto. O estudo também aponta que mais de 80% da população estimada para 2033 já está coberta por contratos com metas de universalização, sinalizando avanço na consolidação do novo marco regulatório.

- ABCON e Hydrus lançam curso inédito de IA para o saneamento

A ABCON e o Hydrus Capacitação lançam uma trilha inédita de formação em Inteligência Artificial aplicada aos serviços de água e esgoto. A iniciativa integra a agenda de modernização do setor, com foco em inovação, eficiência operacional e qualificação técnica. A curadoria internacional é da empresa francesa Sparkoper, especializada em soluções de IA para utilities e com projetos junto a organizações como a SUEZ.

A formação será estruturada em três níveis progressivos, combinando fundamentos, aplicações práticas e visão estratégica. O curso inaugural, “Introdução à IA para Serviços de Água”, será realizado online, ao vivo, nos dias 7 e 14 de abril, das 14h às 16h. O investimento é de R$ 450 para associados e R$ 650 para não associados. Informações e inscrições: (11) 91872-2122 (WhatsApp).

- Leilões realizados em 21 estados, desde o Marco Legal do Saneamento

Desde o Marco Legal do Saneamento, 64 leilões foram realizados, em 21 estados, beneficiando 1734 municípios. Os dados são do ABCON Data, o painel da associação que monitora a implementação do Marco Legal no Brasil.

A plataforma é atualizada semanalmente e reúne informações sobre leilões e indicadores econômicos e sociais do setor, oferecendo uma visão clara do avanço do saneamento básico por todo o Brasil.

Acesse o painel e explore os dados aqui.

Fonte: NEWS ABCON – COMUNICAÇÃO de 11/03/2026

Saneamento nas periferias testa o modelo financeiro da Sabesp

17/3/2026

Universalização avança, mas periferias desafiam o modelo financeiro.

A universalização do saneamento no Brasil entra em uma fase mais complexa. Com os grandes projetos de concessão já contratados, o desafio agora passa a ser a expansão dos serviços para áreas periféricas e regiões mais vulneráveis.

No caso da Sabesp, levar água e coleta de esgoto a essas localidades exige obras mais caras, em áreas de difícil acesso e com maior risco de inadimplência. O cenário testa os limites do modelo financeiro das concessões e reforça a necessidade de soluções regulatórias e tarifárias capazes de sustentar o processo de universalização.

Companhia precisa levar água e coleta de esgoto a áreas vulneráveis, onde obras são caras e a inadimplência é alta - Leia mais em: https://capitalreset.uol.com.br/empresas/companhias-abertas/saneamento-nas-periferias-testa-o-modelo-financeiro-da-sabesp/?utm_medium=email&utm_campaign=hiria_-_newsletter_2&utm_source=RD+Station

Fonte: AESB | Comunicação – Revista Sanear nº 52 de 10/03/2026

Trabalhamos para concluir a privatização no 1º semestre, diz CEO da Copasa

27/2/2026

A Copasa trabalha para concluir o processo de desestatização ainda no primeiro semestre deste ano, segundo a presidente da companhia, Marília Carvalho de Melo, em entrevista exclusiva à EXAME . Nesta quarta-feira, a empresa reportou lucro líquido de R$ 337 milhões no 4º trimestre de 2025. "O processo está muito avançado e a definição da data da oferta é do controlador [o governo de Minas Gerais]. A expectativa é a conclusão até o fim do primeiro semestre", afirma Carvalho de Melo ao detalhar o estágio atual da oferta de ações que prevê a entrada de um investidor de referência com 30% de participação.

Fonte: Desperta | exame, de 26/02/202

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DO COMUNICADO HIRIA NURNBERGMESSE BRASIL DE 20 DE FEV. DE 2026

24/2/2026

- SANEAMENTO

Setor pode movimentar R$ 20 bilhões na bolsa.

Com possíveis ofertas de ações de empresas como Copasa, BRK Ambiental e Aegea, o saneamento pode movimentar ao menos R$ 20 bilhões na B3 este ano.

O movimento reforça: interesse estrangeiro, consolidação do setor, busca por capital para expansão, necessidade de segurança regulatória.

Onde discutir impactos regulatórios, estruturação e financiamento?

Raio-X das PPPs em Saneamento | 25 de fevereiro | Arena B3

Roadshow com as principais companhias de saneamento para analisamos de forma objetiva os gargalos práticos, estruturação de projetos e riscos para os próximos leilões no setor de saneamento.  

7º Fórum Novo Saneamento | 12 e 13 de maio | São Paulo

O principal fórum estratégico do setor reúne operadores públicos e privados, reguladores, investidores e estruturadores para debater o pipeline 2026, reforma tributária e seus impactos, consolidação do mercado, financiamento via mercado de capitais, governança e eficiência operacional.  

Dois dias dedicados à visão estratégica e à maturidade institucional do setor.

PPPs e Concessões Sociais

Brasil tem R$ 120 bilhões em PPPs sociais mapeadas.

Segundo levantamento da Radar PPP, o Brasil possui mais de R$ 120 bilhões em projetos de infraestrutura social estruturados ou em modelagem. Saúde, educação, segurança e iluminação pública lideram a carteira.

Especialistas alertam: a expansão dependerá de responsabilidade fiscal, governança e capacidade de execução.

3º Fórum Concessões e PPPs em Infraestrutura Social | 7 de abril | Arena B3

O evento conectará gestores públicos, estruturadores e investidores para discutir a expansão das PPPs sociais no ciclo 2025–2030, abordando garantias, modelagens contratuais e os aprendizados acumulados nos últimos anos.

Financiamento da Infraestrutura

BNDES prevê R$ 300 bilhões para infraestrutura.

O BNDES prevê ampliar o volume de financiamento para infraestrutura em 2026, com projeção de até R$ 300 bilhões.

O cenário envolve: reforma tributária, novo perfil de investidores, mercado de capitais mais ativo, debêntures e instrumentos estruturados.

- Onde entender como o capital será alocado?

Fórum Financiamento da Infraestrutura | 31 de março | Arena B3

O encontro discutirá como o capital será estruturado para viabilizar os projetos do novo ciclo, analisando critérios de crédito, modelagem financeira e a diversificação de players nos leilões previstos para 2026.

- Os movimentos recentes indicam um novo ciclo de decisões para a infraestrutura brasileira.

Os próximos encontros da agenda Infra 2026 foram estruturados para promover esse ambiente de análise qualificada e conexão entre os principais agentes do setor.

Fonte: HIRIA NURNBERGMESSE BRASIL DE 20 DE FEV. DE 2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA COMUNICAÇÃO abcon NEWS de Fev. 2026 | Edição 94

20/2/2026

- Investimentos em saneamento precisam ser ampliados para garantir universalização até 2033, segundo ministro Jader Filho

O Brasil iniciou um novo ciclo de investimentos em infraestrutura que, segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, inclui uma forte agenda para o saneamento básico. Em entrevistas à Reuters, à Folha de S. Paulo e ao Poder 360, o ministro defendeu que para atingir as metas de universalização até 2033 estabelecidas no Marco Legal do Saneamento, é preciso intensificar os investimentos no setor nos próximos anos.

Na entrevista à Reuters, o ministro também citou dados da ABCON que apontam que é necessário investimentos de cerca de R$800 bilhões para atingir as metas do Marco Legal. O levantamento também aponta que municípios que já definiram seus modelos de contratação para alcançar a universalização ampliaram investimentos em água em 71% em relação ao período pré Marco Legal, e em esgoto, em 77%. Já as ⁠cidades que ainda não definiram seus modelos, tiveram aumentos menos significativos, de 39% em água e 36% em esgoto.

O papel estratégico do setor também foi defendido pelo ministro em outras oportunidades. Em evento promovido pelo BNDES, por exemplo, Jader Filho destacou que parte dos recursos selecionados para o setor já chega a cerca de R$ 60,6 bilhões, que, somados às debêntures aprovadas, alcançam R$ 100 bilhões em investimentos previstos.

O ministro também falou do papel do FGTS, de linhas de crédito tanto do setor privado quanto do setor público e das debêntures incentivadas. Para ele, a articulação entre recursos públicos, financiamentos e instrumentos de mercado é essencial para acelerar obras em todo o país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde os déficits de água e esgoto ainda são mais elevados.

- Cagepa marca para 31 de março leilão de PPP de esgotamento sanitário na Paraíba

A Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa) definiu para o dia 31 de março de 2026 a realização do leilão da Parceria Público-Privada (PPP) voltada aos serviços de esgotamento sanitário nas microrregiões do Litoral e do Alto Piranhas. O projeto, regido pela Concorrência Internacional nº 001/2026, abrange 85 municípios atendidos pela companhia.

O edital prevê a contratação no modelo de concessão administrativa, com prazo contratual de 25 anos. As propostas devem ser apresentadas até o dia 26 de março, entre 10h e 12h, na sede da B3, em São Paulo. O critério de julgamento será o de menor valor de contraprestação pública, e o modo de disputa será híbrido (fechado e aberto). O investimento estimado no projeto é de um pouco mais de R$ 3 bilhões.

- De olho no Congresso: ABCON lança Agenda Legislativa em março

A ABCON vai lançar no dia 18 de março, em Brasília, a sexta edição da Agenda Legislativa do Saneamento 2026. A publicação apresenta o posicionamento da entidade sobre diversas proposições em análise no Congresso que impactam o setor e serve de guia para o diálogo com parlamentares.

Para a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, a Agenda tem o objetivo de organizar as prioridades do saneamento junto ao Legislativo: “É o ponto de partida para um ano de debates construtivos e, principalmente, de avanços reais em um setor essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país e que opera sob metas rigorosas de expansão e qualidade”.

- Presidente do Conselho vai a Brasília e destaca atenção à agenda legislativa em ano eleitoral

O presidente do Conselho de Administração da ABCON e CEO da GS Inima, Paulo Roberto de Oliveira, em reunião com a equipe da entidade em Brasília destacou que 2026 será um ano de desafios para o setor, em especial, na agenda legislativa e no acompanhamento de projetos.

“Com a reforma tributária, o setor de saneamento teve sua carga de impostos elevada e isso vai impactar a tarifa e investimentos. É muito importante assegurar ao setor de saneamento o mesmo tratamento dado aos serviços de saúde, para evitar que esse impacto seja sentido pelos usuários. A equipe da ABCON está empenhada em manter um diálogo institucional com o parlamento para reverter a situação ao longo desse ano”, declarou Paulo Roberto.

presidente do Conselho de Administração da ABCON e CEO da GS Inima, Paulo Roberto de Oliveira, em reunião com a equipe da entidade em Brasília destacou que 2026 será um ano de desafios para o setor, em especial, na agenda legislativa e no acompanhamento de projetos.

“Com a reforma tributária, o setor de saneamento teve sua carga de impostos elevada e isso vai impactar a tarifa e investimentos. É muito importante assegurar ao setor de saneamento o mesmo tratamento dado aos serviços de saúde, para evitar que esse impacto seja sentido pelos usuários. A equipe da ABCON está empenhada em manter um diálogo institucional com o parlamento para reverter a situação ao longo desse ano”, declarou Paulo Roberto.

- ABCON amplia presença em colegiados e reforça influência na regulação

Atualmente, a ABCON tem assentos em 14 instâncias de relevância institucional, incluindo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nesses fóruns, a associação apresenta contribuições técnicas, acompanha a implementação do novo marco legal do saneamento e defende regras que garantam previsibilidade e atraiam investimentos de longo prazo.

“Ao participar desses fóruns, a ABCON consolida sua atuação como interlocutora do setor de saneamento, buscando alinhar o debate regulatório aos desafios da universalização dos serviços. A estratégia é transformar discussões técnicas em diretrizes práticas que orientem decisões regulatórias e tenham impacto direto na expansão e na qualidade dos serviços prestados à população”, afirmou Christianne Dias, diretora-presidente da ABCON.

Fonte: COMUNICAÇÃO abcon NEWS de Fev. 2026 | Edição 94

RELATÓRIO DA MINA 2026

2/2/2026

Fonte: Investidor Mestre 3.0

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Seca se intensifica no Sudeste e Centro-Oeste e se abranda no Norte, Nordeste e Sul, aponta Monitor de Secas

28/1/2026

Área com o fenômeno aumenta no Nordeste e Sudeste e diminuiu no Norte, Centro-Oeste e Sul. Seca atinge 63% do território brasileiro em dezembro

Conforme a última atualização do Monitor de Secas, entre novembro e dezembro, em termos de severidade da seca, houve um abrandamento do fenômeno em nove estados: Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

No sentido oposto, a seca se intensificou em dezembro em outros 12 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Já em outras cinco unidades da Federação o fenômeno ficou estável em termos de severidade nesse período: Amapá, Distrito Federal, Pará, Roraima e Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a seca desapareceu em dezembro, deixando o estado sem registro de seca.

Acre

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Acre diminuiu de 88% para 5% do território. É o menor percentual de área com seca observado desde o início da série histórica, em novembro de 2022.

No Acre, a seca se abrandou, já que a seca moderada deixou de ser registrada em dezembro. Trata-se da melhor condição observada desde o início do monitoramento no estado, em novembro de 2022.

Alagoas

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Alagoas aumentou de 40% para 100% do território. É a maior área desde abril de 2025, quando o estado também apresentou 100% do território com registro de seca.

O fenômeno se intensificou em Alagoas em dezembro, com registro de seca grave em 15% do estado. É a pior condição desde maio de 2025, quando o estado registrou 23% de seca grave.

Amapá

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Amapá diminuiu de 62% para 55% do estado.

A severidade da seca se manteve estável no Amapá entre novembro e dezembro, com registro somente de seca fraca, a mais branda na escala do Monitor.

Amazonas

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Amazonas apresentou leve redução, passando de 39% para 38% do território. É a menor área com o registro de seca no AM desde maio de 2023, quando houve registro de seca em 24% do estado.

A severidade da seca diminuiu, com redução da área com seca moderada, que passou de 9% do território em novembro para 7% em dezembro de 2025.

Bahia

Entre novembro e dezembro, a área com seca na Bahia aumentou de 91% para 95% do território. Trata-se do maior percentual registrado desde setembro de 2025, quando o estado apresentou 96% de sua área afetada pela seca. Ainda assim, o estado teve o menor percentual de seca no Nordeste em dezembro, já que o litoral baiano permaneceu livre do fenômeno.

O fenômeno se intensificou levemente na Bahia no período, com avanço da seca extrema, de 28% para 29% do território.

Ceará

A área com seca no Ceará se manteve na totalidade do território do estado entre novembro e dezembro.

O fenômeno se intensificou no Ceará no período, com avanço da seca grave, que passou de 26% do território em novembro para 42% em dezembro.  É a pior condição desde dezembro de 2018, quando o estado registrou 49% de seca grave.

Distrito Federal

A área com seca se manteve estável em 100% do Distrito Federal pelo 20º mês consecutivo. O território do DF registra o fenômeno desde maio de 2024, maior sequência entre todas as unidades da Federação atualmente.

A severidade da seca permanece estável no DF há dez meses consecutivos, com 100% do território apresentando seca moderada.

Espírito Santo

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Espírito Santo aumentou de 84% para 100% do território. É a maior área desde março de 2025, quando o estado também registrou a totalidade do território com seca.

O fenômeno se intensificou no Espírito Santo no período, com aumento da seca moderada, que passou de 24% do território em novembro para 72% em dezembro. É a pior condição desde setembro de 2024, quando o estado registrou 100% de seca moderada. Ainda assim, o estado teve a condição mais branda do fenômeno no Sudeste em dezembro.

Goiás

Entre novembro e dezembro, a área com seca se manteve em 100% de Goiás.

É a maior área com seca desde fevereiro de 2025, quando o estado também registrou o fenômeno na totalidade do seu território.

O fenômeno se intensificou em Goiás no período, com avanço da seca grave, que passou de 7% do território em novembro para 35% em dezembro. É a pior condição desde outubro de 2024, quando o estado registrou 47% de seca grave. Com isso, o estado teve o quadro mais severo do fenômeno de seca no Centro-Oeste em dezembro.

Maranhão

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Maranhão aumentou de 92% para 100% do território. É a maior área com seca desde janeiro de 2025, quando o estado também apresentou a totalidade do território sob influência do fenômeno.

No Maranhão, a seca se abrandou em dezembro, que registrou redução de 73% na área com seca grave em relação a novembro. Trata-se da melhor condição desde agosto de 2024, quando não houve registro de seca grave em nenhum município maranhense. Nesse cenário, o estado teve a melhor condição de seca no Nordeste em dezembro.

Mato Grosso

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Mato Grosso diminuiu de 93% para 86% do território.

No Mato Grosso, houve leve melhora da severidade da seca, com recuo da seca moderada de 8% para 7% do território entre novembro e dezembro. Com isso, o estado teve a condição mais branda do fenômeno no Centro-Oeste em dezembro.

Mato Grosso do Sul

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Mato Grosso do Sul diminuiu de 91% para 66% do território. Com isso, o estado teve o menor percentual de seca no Centro-Oeste em dezembro.

No Mato Grosso do Sul, a seca se intensificou no período, pois a seca grave voltou a ser registrada em 2% do território em dezembro, o que não acontecia desde março de 2025, quando a seca grave esteve presente em 26% do estado.

Minas Gerais

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Minas Gerais se manteve estável em 100% do território.

O fenômeno se intensificou em Minas Gerais no período, com avanço da seca grave, que passou de 45% do território em novembro para 53% em dezembro. É a pior condição do fenômeno em MG desde setembro de 2024, quando foram registrados 4% de seca extrema no território mineiro. Além disso, o estado teve a maior severidade do fenômeno no Sudeste em dezembro.

Pará

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Pará diminuiu de 31% para 19% do estado.

No Pará, a severidade de seca se manteve estável no período, com registro de seca moderada em apenas 1% do território paraense. Trata-se da melhor condição desde janeiro de 2025, quando o estado registrou 25% de seca moderada.

Paraíba

Entre novembro e dezembro, a área com seca na Paraíba aumentou de 87% para 100% do território. É a maior área com seca desde janeiro de 2025, quando o estado também apresentou a totalidade do território com o fenômeno.

A seca se intensificou na Paraíba no período, com avanço da seca extrema, que passou de 38% do território em novembro para 67% em dezembro. É a pior condição do fenômeno no estado desde fevereiro de 2018, quando houve seca excepcional em 28% da Paraíba, a mais severa na escala do Monitor. O estado também teve a condição de seca mais severa do Nordeste em dezembro.

Paraná

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Paraná aumentou ligeiramente de 45% para 47% do estado.

Com isso, o estado teve o maior percentual de seca no Sul em dezembro.

No Paraná, a seca se abrandou levemente no período, com redução da seca grave, que passou de 3% do território em novembro para 2% em dezembro. Ainda assim, essa é a condição mais severa entre os estados do Sul em dezembro.

Pernambuco

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Pernambuco aumentou de 88% para 100% do território.

É a maior área com seca desde abril de 2025, quando o estado também apresentou a totalidade do território com o fenômeno.

A seca se intensificou em Pernambuco no período, com avanço da seca extrema, que passou de 26% do território em novembro para 42% em dezembro. É a condição mais severa do fenômeno no território pernambucano desde março de 2019, quando foi registrado 1% de seca excepcional, a mais severa na escala do Monitor.

Piauí

Entre novembro e dezembro, a área com seca se manteve estável em 100% do Piauí.

O estado registra seca na totalidade de seu território pelo 9º mês consecutivo, desde abril de 2025.

No Piauí, a seca se abrandou no período, com redução da seca extrema, que passou de 43% do território em novembro para 21% em dezembro.

Rio de Janeiro

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Rio de Janeiro manteve-se estável em 100% do território. É o maior percentual de área com seca no RJ desde março de 2025, quando o fenômeno também foi verificado na totalidade do território fluminense.

O fenômeno se intensificou no Rio de Janeiro no período, com avanço da seca moderada, que passou de 22% do território em novembro para 60% em dezembro. Além disso, com o registro de 5% de seca grave em dezembro, trata-se da pior condição observada no estado desde maio de 2020, quando o Rio de Janeiro passou a integrar o Mapa do Monitor.

Rio Grande do Norte

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Rio Grande do Norte aumentou de 94% para 100% do território. É a maior área com seca desde abril de 2025, quando o fenômeno também foi verificado na totalidade do território potiguar.

O fenômeno se intensificou no Rio Grande do Norte no período, com avanço da seca extrema, que passou de 19% do território em novembro para 47% em dezembro. É a pior condição desde fevereiro de 2018 quando houve 18% de seca excepcional no estado, a mais severa na escala do Monitor.

Rio Grande do Sul

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Rio Grande do Sul diminuiu de 34% para 0%, deixando o estado sem registro do fenômeno. Com isso, o estado teve a melhor condição do Brasil, sendo a única UF que ficou livre de seca em dezembro.

Em dezembro, houve o desaparecimento da seca fraca no RS, que ficou 100% livre do fenômeno. Com isso, o estado teve a melhor condição de seca no Sul e no Brasil em dezembro.

Rondônia

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Rondônia diminuiu de 60% para 56% do território.

Em Rondônia, a seca se abrandou no período, com redução da seca moderada, que passou de 18% do território em novembro para 6% em dezembro.

Roraima

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Roraima aumentou de 27% para 59% do território. É a maior área com o fenômeno desde setembro de 2024, quando houve o registro de seca em 77% de Roraima.

O fenômeno manteve-se estável em Roraima no período, com registro de seca moderada em 4% do estado. Trata-se da pior condição desde janeiro de 2025, quando houve registro de seca moderada em 14% do território.

Santa Catarina

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Santa Catarina aumentou levemente de 29% para 30%.

Entre novembro e dezembro, a intensidade da seca se manteve estável em Santa Catarina, que seguiu somente com registro de seca fraca, a mais branda na escala do Monitor.

São Paulo

Em dezembro, a área com seca em São Paulo permaneceu estável em 100% do território, marcando o quinto mês consecutivo com registro do fenômeno em todo o estado.

O fenômeno apresentou leve atenuação no período, com redução da seca moderada, que passou de 55% do território em novembro para 45% em dezembro. A seca grave manteve-se estável, em 38% do território. Ainda assim, trata-se da pior condição registrada no estado desde outubro de 2024, quando 47% do território paulista estava sob seca grave.

Sergipe

Entre novembro e dezembro, a área com seca em Sergipe dobrou, passando de 45% para 90% do território. É a maior área desde janeiro de 2025, quando o estado teve 100% do território afetado pela seca.

O fenômeno se intensificou em Sergipe no período, com avanço da seca moderada no estado de 14% para 42% em dezembro. É a pior condição desde maio de 2025, quando o estado registrou 10% de seca grave.

Tocantins

Entre novembro e dezembro, a área com seca no Tocantins manteve-se estável em 100% do território. O estado registra seca na totalidade de seu território pelo 5º mês consecutivo, desde agosto de 2025.

A seca se abrandou no Tocantins entre novembro e dezembro, com diminuição da seca grave de 45% para 37% do território. Com isso, o estado teve a maior severidade da seca entre os estados do Norte em dezembro.

Fonte: O Monitor de Secas
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA COMUNICAÇÃO ABCON NEWS – JAN 2026 | EDIÇÃO 93

22/1/2026

- 2026: um ano-chave para decisões estruturantes no saneamento

A ABCON inicia o ano em um contexto de intensa movimentação institucional e regulatória no setor de saneamento. Com uma agenda robusta de investimentos, mudanças na condução da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a ampliação das Parcerias Público-Privadas (PPPs), o período se desenha como decisivo para a consolidação dos avanços previstos no Novo Marco Legal.

Nesta primeira newsletter do ano, reunimos os principais temas que devem orientar o debate setorial nos próximos meses: a perspectiva de novos investimentos via PPPs, a agenda regulatória da ANA e a visão da nova presidência do Conselho de Administração da ABCON sobre os desafios e oportunidades do setor.

- Paulo Roberto de Oliveira assume presidência do Conselho da ABCON

Entrevistamos Paulo Roberto de Oliveira, CEO da GS Inima, eleito em dezembro novo presidente do Conselho de Administração da ABCON. O executivo é um dos fundadores da ABCON e volta a ocupar o cargo no ano em que a associação completa 30 anos. Nessa entrevista, o presidente destaca as prioridades da sua gestão, analisa os avanços e os desafios do setor de saneamento básico no Brasil.

Assumir a presidência do Conselho de Administração da ABCON no ano em que a entidade completa 30 anos traz quais responsabilidades e prioridades imediatas?

Assumir a presidência da ABCON, que completa 30 anos de história e reúne associados em todo o país, é uma grande honra. Reafirmo meu compromisso de seguir fortalecendo a atuação institucional com propósito e responsabilidade, garantindo transparência na prestação de contas desse período. Ao mesmo tempo, destaco a importância de olhar para o futuro, com planejamento sólido, para consolidar ainda mais a presença da entidade no mercado.

Como o senhor avalia a trajetória da ABCON ao longo dessas três décadas e o papel da entidade na consolidação da participação privada no saneamento básico no Brasil?

Foi uma trajetória marcada por muito trabalho, dedicação e persistência. Acredito na importância de seguir adiante com a convicção de que o futuro do saneamento no Brasil sempre esteve ligado à participação privada.

Estou certo de que os próximos anos serão construídos sobre uma base institucional sólida, pautada pelo diálogo e pela unidade, tendo os associados como referência essencial para o planejamento das ações, fortalecendo o posicionamento do setor privado como um elo essencial para a promoção da universalização dos serviços de água e esgoto.

Quais serão os principais eixos de atuação do Conselho de Administração sob sua presidência?

Fortalecer a ABCON como instituição nacional de representação das empresas que promovem a universalização do saneamento, destacando sua atuação responsável nos debates institucionais de interesse das associadas, é um objetivo central.

Nesse mesmo caminho, é necessário buscar maior aproximação com os poderes Legislativo e Executivo, garantindo a manutenção do Marco do Saneamento em vigor e assegurando estabilidade ao setor.

Ao mesmo tempo, é fundamental manter-se atento, não se omitir e participar dos debates de forma institucional, reforçando as prerrogativas da unidade associativa e consolidando a representatividade da ABCON.

De que forma a experiência como CEO da GS Inima no Brasil e como um dos fundadores da ABCON contribui para esse novo desafio à frente do Conselho?

Todos os desafios enfrentados e superados desde a primeira concessão da GS Inima no Brasil, com a Ambient em 1995, me proporcionaram visão ampla e conhecimento sobre os entraves que existiam à participação privada. Sem dúvida, essa experiência será fundamental para contribuir nas propostas e nos debates junto aos demais conselheiros.

O Plano de Negócios e o Orçamento de 2026 foram aprovados na AGO. Quais são os principais pontos e metas estabelecidas para o próximo ano?

Fortalecimento da ABCON perante o mercado bem como a busca por novos associados;

Acompanhamento e atuação forte junto ao poder legislativo; Participação em todos os eventos do setor, levando um forte posicionamento da participação privada; Acompanhar e levar propostas aos principais candidatos ao executivo federal.

Como o senhor pretende fortalecer a atuação institucional da ABCON em um momento de mudanças regulatórias e de ampliação dos investimentos no setor?

Participar ativamente de todos os fóruns sobre saneamento, atuando de forma consistente ao lado de outras entidades e contando sempre com o apoio da equipe, é um passo essencial para ampliar o diálogo e fortalecer a representatividade do setor.

Nesse mesmo sentido, torna-se fundamental manter uma agenda permanente com os poderes Legislativo e Executivo, garantindo que o Marco Regulatório do Saneamento em vigor tenha continuidade e seja aplicado de maneira efetiva, garantindo o crescimento econômico do setor e a segurança jurídica de contratos de concessão e PPPs.

Com essas ações articuladas, é possível contribuir de forma decisiva para o fortalecimento da ABCON e para o seu posicionamento como referência nacional no setor de saneamento.

Qual a importância da renovação dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal para a governança da entidade?

Acredito que renovar forças, energias e trazer ideias são fundamentais para traçar caminhos e impulsionar avanços em um país tão complexo como o Brasil.

Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios e oportunidades para o avanço do saneamento privado no Brasil?

Acredito que o acesso a água tratada de qualidade e a coleta e tratamento adequado do esgoto deixaram de ser apenas uma questão de infraestrutura, porque vai muito além do contrato e investimentos realizados, trata-se de uma questão de saúde pública, de melhoria de qualidade de vida, de acesso a um bem universal e de políticas públicas eficientes.

Atrelado a isso temos a necessidade de desenvolvermos um trabalho sério e consistente na mitigação de eventos climáticos dedicando atenção à segurança hídrica. 

Isso se apresenta como um grande desafio à medida que caminhamos a passos lentos na regulação de processos como reúso de água e dessalinização no território brasileiro.

Temos a oportunidade de avançar não só com a regulação, mas com processos e tecnologias adequadas que proporcionam soluções operacionais adaptadas as necessidades de cada território perante esta incrível diversidade de clima que encontramos no Brasil.

O marco regulatório do saneamento nos direciona para a consolidação desses serviços que são essenciais, priorizando a agenda da universalização e promovendo a participação do privado de norte a sul do país.  

Que legado o senhor espera construir à frente do Conselho de Administração da ABCON?

Com três décadas de experiência e aprendizado, espero contribuir para a consolidação da participação privada nos serviços de saneamento e para o fortalecimento do reconhecimento da ABCON como a principal entidade do setor no Brasil.

Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para os associados e para o setor de saneamento neste novo ciclo da entidade?

Aos associados, reafirmo que dedicarei todo meu empenho e compromisso para honrar o posto que me foi confiado, contando com o apoio de todos. Ao setor, asseguro que as empresas privadas continuarão crescendo e consolidando sua participação, oferecendo serviços de qualidade, com tecnologia e sustentabilidade.

- Comitê Estratégico debate regulação e licenciamento ambiental

O Comitê Estratégico da ABCON realizou sua primeira reunião do ano para discutir temas prioritários para o setor de saneamento. Entre os pontos centrais estiveram o acompanhamento da agenda regulatória da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), as consultas públicas em andamento e os impactos das novas normas sobre a atuação das agências reguladoras.

O licenciamento ambiental foi tratado como um dos temas centrais da agenda, com foco na operacionalização prática da nova legislação. A discussão abordou os desafios de interpretação e aplicação das regras nos diferentes entes e agências, considerando seus efeitos sobre prazos, investimentos e execução dos projetos de saneamento.

- ANA passa por transição na presidência e revisa agenda normativa

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) passa por um processo de transição em sua estrutura de comando. No dia 16 de janeiro, Verônica Sanchez deixou a presidência da agência, dando início a um período de presidência interina exercida por rodízio entre os diretores.

O governo divulgou os nomes que irão compor a lista de substituição da Diretoria Colegiada da ANA: a primeira substituta será a superintendente de Estudos Hídricos Socioeconômicos, Ana Paula Fioreze; a segunda será a superintendente de Fiscalização, Viviane Brandão; e o terceiro será o superintendente de Operações e Eventos Críticos, Joaquim Gondim.

As mudanças ocorrem simultaneamente à revisão da Agenda Regulatória da ANA para o período 2025–2026, que reorganiza temas, prazos e prioridades das normas em elaboração. A agência mantém consultas públicas como instrumento para coleta de contribuições técnicas ao longo do processo regulatório.

- PPPs no saneamento avançam no Brasil

O setor de saneamento básico no Brasil projeta um cenário de forte expansão para 2026, impulsionado por novos modelos de contratos via Parcerias Público-Privadas (PPPs). Levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON) prevê seis grandes leilões, que devem somar R$ 27,5 bilhões em investimentos estimados.

“A maioria das iniciativas está estruturada na modalidade PPP, refletindo a consolidação do modelo como instrumento estratégico para viabilizar a universalização do saneamento, especialmente em regiões com maior déficit de infraestrutura”, afirma a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias.

Leia mais

- Plataforma Águas Brasil recebe declaração até o dia 31 de janeiro

A Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) recebe até 31 de janeiro a Declaração de Uso de Recursos Hídricos – Anual (DURH) referente ao ano de 2025. Os titulares que possuem obrigatoriedade de apresentação da declaração devem encaminhar as informações diretamente via Plataforma Águas Brasil, preenchendo todos os dados solicitados.
A DURH Anual integra o processo de automonitoramento do uso da água, no qual os próprios usuários são responsáveis por medir, registrar, armazenar, processar e transmitir à ANA informações sobre o volume captado ou lançado e a qualidade do efluente, quando for o caso, utilizado em suas atividades. O instrumento é regulamentado pela  Resolução ANA nº 188/2024 e constitui uma ferramenta central para o acompanhamento dos usos de recursos hídricos de domínio da União – interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais.

- Está aberta consulta pública sobre reúso da água do esgoto

Até o dia 26 de fevereiro, está aberta a Consulta Pública nº 11/2025, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) dezembro, que trata da criação de uma Norma de Referência com diretrizes para a reutilização de água proveniente do tratamento de esgoto para usos que não envolvem o consumo humano.

As sugestões são por meio do Sistema de Participação Social nas Decisões da ANA.

Leia mais

- ABCON debate papel da ANA na mediação de conflitos 

A diretora-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), Christianne Dias, classificou como “preponderante” o papel da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) no cenário de expansão do setor e de amadurecimento regulatório. A fala foi durante o painel “Visão e necessidades do mercado regulado sobre a mediação pela ANA” que contou com a participação de Neuri Freitas (AESBE) e mediação de  Luis Felipe Valerim (FGV) no workshop sobre capacitação em mediação e solução de conflitos no setor, promovido pela Agência essa semana, em Brasília.

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Leilão da Saneago prevê R$ 6,2 bilhões em investimentos 

Está aberto o edital de leilão da Saneamento de Goiás (Saneago) para Parcerias Público-Privadas (PPPs) voltado à universalização dos serviços de esgotamento sanitário nas três microrregiões de saneamento básico. O investimento previsto é de R$ 6,2 bilhões.

A Saneago permanecerá responsável pelos serviços de abastecimento de água e pela gestão contratual das PPPs. As entregas dos envelopes serão no dia 18 de março de 2026, das 10h às 12h.

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- ABCON lançará agenda legislativa em março 

A ABCON vai lançar no dia 18 de março, na Casa Parlamento, em Brasília, a Agenda Legislativa 2026. A publicação reúne e analisa os principais projetos para o setor de saneamento que estão em tramitação no Congresso Nacional.

- Ferramenta ABCON Data traz o retrato do setor

Desde o Marco Legal do Saneamento, 62 leilões foram realizados, em 21 estados, beneficiando 1732 municípios. Os dados são do ABCON Data, o painel da associação que monitora a implementação do Marco Legal no Brasil. A plataforma é atualizada semanalmente e reúne informações sobre leilões e indicadores econômicos e sociais do setor, oferecendo uma visão clara do avanço do saneamento básico por todo o Brasil.

Acesse o painel e explore os dados aqui.

Fonte: COMUNICAÇÃO ABCON NEWS – JAN 2026 | EDIÇÃO 93

FRAGMENTOS EXTRAIDOS DA COMUNICAÇÃO ABCON SINDUSCON NEWS – NOV. 2025 | EDIÇÃO 90

8/1/2026

- Equipe da ABCON participa de workshop de planejamento estratégico 2026

Nos dias 29 e 30/10, nossa equipe esteve em Brasília para o workshop de planejamento estratégico 2026. Foram dois dias de diagnóstico, análise de cenário e construção conjunta de iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor e dos nossos associados.

- Setor de Infraestrutura se une na defesa de projetos estruturantes relevantes para o país

Em outubro, a ABCON assinou o Pacto pela Infraestrutura Brasileira com mais sete entidades representativas da infraestrutura nacional, durante o evento Infraestrutura em Movimento: Desafios para Transformar o Brasil, promovido pelo MoveInfra, em Brasília. O acordo formaliza o compromisso do setor com a defesa de projetos estruturantes voltados à melhoria do ambiente regulatório e ao estímulo a investimentos no país.

O superintendente jurídico da ABCON, Felipe Cascaes, representou a entidade na assinatura do pacto, que também conta com a adesão da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Aeroportos do Brasil (ABR), Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), além do próprio MoveInfra.

- Ministério das Cidades abre período de consulta pública para revisão do Plansab

A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, abriu nesta segunda-feira (3/11) consulta pública para receber sugestões e críticas à proposta de revisão do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), referente ao ano-base de 2022. A iniciativa ocorre após duas audiências públicas realizadas pela pasta e ficará aberta até 18 de novembro. A atualização do Plansab é fundamental para que o Brasil avance na meta para universalização do acesso à água e para esgotamento sanitário nas cidades brasileiras.

A consulta pública marca uma nova etapa de participação social no processo de revisão do plano, considerado o principal instrumento de planejamento do saneamento no país. O documento, elaborado em 2013, estabelece metas até 2033 e abrange os quatro eixos do saneamento básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem. As contribuições enviadas serão analisadas e incorporadas à versão final do plano. Clique aqui para participar da consulta pública.

- Nossas associadas

• A GS Inima e a Forte Ambiental assinaram o contrato de R$ 937 milhões em investimentos em Saneamento no Lote A com o Governo do Espírito Santo e a Cesan. O acordo prevê ampliar o esgotamento sanitário em 35 municípios, beneficiando cerca de 700 mil pessoas. Saiba+

A associada Tigre Águas e Afluentes vem investindo em soluções de ponta para aprimorar a gestão e o acompanhamento das obras de saneamento. Um dos destaques é o capacete com câmera 360°, que permite captar imagens e vídeos diretamente da obra, possibilitando o acompanhamento online e em tempo real das frentes de trabalho Saiba+

Em outubro comemoramos o aniversário de duas das nossas associadas: Aviva Ambiental e Terracom Saneamento.  Novembro começou com o aniversário da Sabesp. Parabéns por seguirem transformando o acesso ao saneamento e impulsionando o desenvolvimento do nosso país.

A Aegea venceu o prêmio Diversidade em Prática 2025 com o programa “Respeito dá o Tom”, na Categoria Top Of Mind. Saiba+


Fonte: ABCON SINDUSCON NEWS – NOV. 2025 | EDIÇÃO 90

Balanço e retrospectiva 2025

7/1/2026

A diretora-presidente da entidade, Christianne Dias, fez um balanço da atuação da ABCON em 2025 destacando área por área. Para ela, o ano foi de muitas realizações e muitas conquistas graças a um trabalho integrado dos associados com a equipe da ABCON.

Jurídico e Legislativo

Na área jurídica e legislativa, Christianne destacou as vitórias nos temas 414 e 565, ambos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) das Fontes Alternativas, a derrubada dos vetos na lei do Licenciamento Ambiental, o que representa um avanço significativo para o setor de saneamento básico, e as discussões sobre a taxação de debêntures incentivadas, importante instrumento de financiamento do setor, que estava sendo proposta pelo governo federal, mas que o Congresso Nacional não deixou passar.

Interlocução regulatória

Da área de regulatório, a diretora-presidente chamou atenção para a contribuição da ABCON para a construção das normas de referência com as quais a entidade trabalhou e fez interlocução com a Agência Nacional de Águas (ANA) por meio das participações em inúmeras reuniões. Citou a norma de estrutura tarifária e tarifa social, a norma de Co-faturamento e a norma de revisão tarifária.

Inteligência setorial

No que diz respeito à inteligência do setor, a executiva destacou a plataforma ABCON Data, que acompanha os dados do setor a partir do Marco do Saneamento, o Panorama 2025 da participação privada no saneamento, também destacou a reformulação do SPRIS, que é o sistema próprio da ABCON de acompanhamento do setor privado e detalhou as diversas análises conjunturais e o serviço de inteligência oferecido pela área técnica para subsidiar a área de comunicação e as inúmeras discussões com os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Christianne também destacou o estudo mais recente da ABCON que mostra os Caminhos para Universalização, apresentado durante o evento da Secretaria Especial para o Programa de Parcerias e Investimentos (SPPI), em Brasília.

Governança: melhorias e redução de custos

Na área de governança corporativa, os avanços foram significativos esse ano. Christianne ressaltou que vem cumprindo a proposta de promover melhorias e citou a aprovação do novo Estatuto Social da entidade, mais condizente com a realidade do setor e uniformização dos processos. Para ela, os futuros gestores da associação vão conseguir identificar mais facilmente todos os processos e procedimentos, pois vão encontrar tudo documentado na plataforma. Além disso, a área promoveu uma revisão de todos os contratos com os prestadores de serviços, revisou valores, reajustes, adequando a modelos contratuais padronizados, como resultado a ABCON reduziu os contratos e reduziu custos.

Estudos e análises

Na área econômica e financeira, a ABCON trabalhou bastante com a implementação da Reforma Tributária sempre com a colaboração dos associados em inúmeras reuniões. A ABCON se uniu ao setor de infraestrutura na defesa da não taxação das debêntures incentivadas e na produção de material e levantamentos produzidos para subsidiar as argumentações contra a medida com o governo federal e com o Congresso Nacional.

Sustentabilidade em pauta

Na agenda de sustentabilidade, a ABCON apresentou 10 propostas do Saneamento pelo Clima na COP30. O e-Book lançado na Vila das Águas, espaço da Sabesp na COP 30, tem reverberado até hoje em painéis e eventos do setor.  A ABCON também tem atuado na questão da taxonomia sustentável, revisão da resolução do CONAMA, em discussões em fóruns e no Ministério do Meio Ambiente. Christiane destacou também a vitória importante na negociação da revisão da cobrança federal pelo uso da água nas bacias PCJ, aprovada no Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).

Eventos

Dois eventos marcaram o ano da ABCON. O primeiro, foi o lançamento da Agenda Legislativa do Saneamento, em março, em Brasília. O evento destacou os principais projetos de atenção e interesse do setor e contou com a participação de quase 100 pessoas e diversas autoridades.

O segundo evento, o Conexões Saneamento, teve a participação de mais de 300 pessoas que debateram o futuro do saneamento e os caminhos para a universalização dos serviços. O evento, realizado em agosto, também em Brasília, foi prestigiado por autoridades de todos os poderes. O evento foi encerrado pelo ministro das Cidades, Jader Filho, e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

2025 pelo olhar de Rogério Tavares

Rogério Tavares, ex-presidente do Conselho de Administração da ABCON, fez um balanço de 2025 e da sua gestão na associação. Nesta entrevista, ele destaca os principais avanços do ano, fala sobre os leilões e expectativas para 2026, lembra as vitórias do setor e faz uma retrospectiva da sua gestão à frente do Conselho.  

Para ele, o ano foi marcado por conquistas relevantes nos caminhos da universalização. Rogério cita como principal destaque os leilões dos blocos do Pará, pelo tamanho e por ser o maior investimento já feito na Amazônia Legal. A COP 30 também foi lembrada por ele como um importante fórum de discussão. Rogério Tavares também destaca a aprovação do novo Estatuto da ABCON. Em sua opinião, as alterações foram estratégicas e aprimoram a governança da ABCON, fortalecem o Conselho de Administração e dão maior agilidade e assertividade nos processos deliberativos.

Expectativas para 2026 por Christianne Dias

A diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, fez um balanço de como foi 2025 para o setor de saneamento e destacou as conquistas, desafios e expectativas para 2026. Para Christianne o ano teve muitas vitórias, mas o setor precisa estar sempre atento para melhorar normas regulatórias e garantir segurança jurídica para atrair mais investimentos para o setor.

Nesta entrevista, publicada no site, a diretora-presidente fala ainda sobre 2026, sobre os 30 anos da ABCON e sobre a importância de incluir o tema saneamento nas agendas dos candidatos a cargos eletivos.

Os leilões de 2025

Os leilões de saneamento realizados ao longo do ano reforçam a capacidade de acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto em diferentes regiões do país. Os projetos estruturados contemplam ampliações relevantes de infraestrutura e ampliam a presença da iniciativa privada, com impacto direto sobre a qualidade dos serviços e a inclusão de milhões de pessoas nos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário.

Em abril, o estado do Pará realizou leilão para três blocos gerais, com R$15,2 bilhões em investimentos previstos para 99 municípios, beneficiando 4,5 milhões de habitantes. Em junho, o Espírito Santo garantiu R$1,8 bilhão para 43 municípios, com impacto para 1,2 milhão de pessoas. Em agosto, novo certame no Pará, para o Bloco C, contratou R$3,6 bilhões para 27 municípios, alcançando 800 mil pessoas.

Chegamos ao último leilão do ano

O leilão de saneamento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) atraiu 4 propostas e vai acontecer no dia 18 de dezembro, quinta-feira, na B3. A concessão prevê R$ 18,4 bilhões em investimentos para universalizar os serviços em 175 dos 185 municípios de Pernambuco.

O leilão vai beneficiar 7,5 milhões de habitantes e consolida um ciclo de leilões que destrava obras e aproxima o país das metas de universalização previstas pelo Marco Legal do Saneamento.

Novo Estatuto Social

Revisamos e aprovamos o novo Estatuto Social da ABCON, em um processo amplamente debatido e aprovado por unanimidade pelos associados presentes. As mudanças modernizam o documento que orienta a atuação da entidade — que completará 30 anos em 2026 — e reforça seu compromisso com a evolução e o fortalecimento do setor de saneamento no Brasil.

Entre as principais alterações está a nova denominação da associação de direito privado sem fins lucrativos, que passa a se chamar Associação Brasileira das Empresas de Saneamento - ABCON. O novo Estatuto também permite o uso das denominações complementares “Associação” ou “Saneamento Brasil”, refletindo a abrangência nacional e o papel institucional da entidade. A atualização reforça a representatividade da entidade no setor de saneamento.

Fonte: abcon sindicon NEWS – Edição 92 – DEZ 2025

FRASE DO MÊS

7/1/2026

“Em igualdade de condições, a solução mais simples geralmente é também a mais provável.”

NAVALHA DE OCKHAM

Obs: A navalha de Ockham é um princípio filosófico que sugere que entre várias explicações possíveis, a mais simples, é geralmente a mais provável, pois exige o menor número de suposições.

Associada é reconhecida como a melhor empresa de saneamento em comunicação com jornalistas no Brasil

29/12/2025

em 6 de outubro de 2025

O Grupo Águas do Brasil, associado da ABCON, foi eleito pelo 11º ano consecutivo no prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Jornalistas, que chega à sua 15ª edição. A votação foi realizada em junho e julho de 2025, com a participação de jornalistas de todo o Brasil.

Essa conquista reflete o trabalho transparente e efetivo desenvolvido pelas concessionárias, em conjunto com suas assessorias de comunicação, reforçando a importância de uma relação próxima e de confiança com a imprensa.

O relacionamento com os jornalistas é fundamental para democratizar o acesso à informação, ampliar a compreensão da sociedade sobre o setor e valorizar os avanços da nossa atividade.

Parabenizamos o Grupo Águas do Brasil por mais esse reconhecimento!

Fonte: ABCON SINDCON

Operação de saneamento em área do Rio de janeiro adota 100% de energia renovável

29/12/2025

em 13 de outubro de 2025

A Iguá Saneamentoá, nossa associada, anunciou que passou a operar 100% com energia solar em suas unidades no Rio de Janeiro, um marco que reforça o compromisso do grupo com a sustentabilidade e a gestão eficiente dos recursos naturais.

A matriz elétrica da companhia agora é formada integralmente por energia proveniente do sol, garantindo que 90% do consumo seja atendido diretamente por contratos de longo prazo de fontes renováveis. O restante é suprido por meio do mercado livre de energia. Uma iniciativa que coloca a Iguá na vanguarda do setor.

Parabéns à Iguá Saneamento por mais esse avanço em direção a um futuro sustentável!

Fonte: ABCON SINDCON

Equilíbrio entre agilidade e sustentabilidade é fundamental para universalização do saneamento

29/12/2025

em 13 de outubro de 2025

A ABCON SINDCON, que representa as empresas privadas de saneamento, acredita em um Brasil mais saudável, justo e ambientalmente responsável. Comprometida com as metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), a Associação reforça a importância de políticas públicas mais ágeis e coerentes, capazes de transformar o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário em um direito efetivamente garantido a todos.

Com a promulgação do Novo Marco, há cinco anos, o país tem avançado. Foram 60 leilões realizados, mais de 1.500 municípios contemplados e R$ 181 bilhões em investimentos comprometidos com obras que melhoram a vida de milhões de brasileiros (dados do painel ABCON Data).

Ainda assim, os processos de licenciamento ambiental seguem como um dos principais desafios à expansão e universalização dos serviços: desde 2020, apenas quatro empreendimentos de água e esgoto obtiveram licença federal, enquanto outros 39 aguardam análise. Em nível estadual, apenas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, há 586 licenças ambientais pendentes relacionadas à prestação dos serviços públicos de água e esgoto.

Para que o Brasil alcance as metas de universalização, precisamos de mecanismos que conciliem agilidade e responsabilidade. É necessário simplificar e acelerar o licenciamento de obras de saneamento, com critérios técnicos claros, controles rigorosos e salvaguardas ambientais eficazes. A flexibilização temporária para obras essenciais, acompanhada de parâmetros ambientais bem definidos, representa um passo importante para garantir o avanço da universalização sem comprometer a proteção ambiental.

A ABCON SINDCON defende que a eficiência caminhe junto à justiça social. O saneamento é questão de saúde e dignidade humana. Agilizar obras significa, além de proteger o meio ambiente, reduzir doenças, promover qualidade de vida e gerar desenvolvimento local — com mais empregos, renda e fortalecimento das economias regionais. A iniciativa privada está preparada para contribuir, mas é preciso garantir segurança jurídica e previsibilidade regulatória.

Reafirmamos nosso compromisso com a universalização dos serviços de saneamento até 2033. Precisamos de um esforço conjunto entre poder público, iniciativa privada e sociedade para equilibrar celeridade, cooperação e responsabilidade. Só assim será possível garantir que nenhum brasileiro permaneça sem acesso à água tratada e ao esgoto adequado — condições básicas para um país mais justo e sustentável.

Fonte: ABCON SINDCON

ABCON SINDCON divulga manifesto em prol do setor

29/12/2025

A ABCON SINDCON, que representa as empresas privadas de saneamento, defende a necessidade de conciliar agilidade e sustentabilidade para garantir a universalização dos serviços de água e esgoto no Brasil, conforme as metas do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). Desde a promulgação da lei, o setor avançou com 60 leilões realizados, mais de 1.500 municípios contemplados e R$ 181 bilhões em investimentos. No entanto, a lentidão nos processos de licenciamento ambiental continua sendo um obstáculo: apenas quatro empreendimentos obtiveram licença federal desde 2020, e centenas de pedidos seguem pendentes em diversos estados.

A entidade defende a simplificação dos processos de licenciamento para obras essenciais, com critérios técnicos claros, salvaguardas ambientais e segurança jurídica. Para a ABCON SINDCON, acelerar a expansão do saneamento é essencial não apenas para garantir saúde e dignidade à população, mas também para impulsionar o desenvolvimento regional com geração de empregos e renda. A associação reafirma seu compromisso com a universalização até 2033 e conclama o setor público, privado e a sociedade a unirem esforços por um país mais justo, saudável e sustentável.

Fonte: ABCON SINDCON

Dia Mundial do Banheiro 2025 evidencia urgência do saneamento básico no Brasil; Aesbe reforça compromisso com o direito humano ao esgotamento sanitário

29/12/2025

O Dia Mundial do Banheiro, celebrado anualmente em 19 de novembro, é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar a conscientização global sobre a importância do saneamento básico como direito humano fundamental. Em 2025, o tema escolhido  “Saneamento em um Mundo em Transformação” destaca a relação direta entre mudanças climáticas, vulnerabilidade social e falta de infraestrutura sanitária.

O Brasil ainda enfrenta desafios profundos para garantir o acesso a banheiros, coleta e tratamento de esgoto, condições essenciais para proteger a saúde pública, preservar o meio ambiente e promover a inclusão social.

A ONU reconheceu em 2010 o Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário (DHAES). Em 2015, reforçou que os dois direitos são independentes, exigindo ações específicas para superar o déficit de esgotamento sanitário — um dos maiores gargalos nos países em desenvolvimento. O tema integra o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), que prevê universalização até 2030, meta que ainda está distante.

Os dados do portal oficial do Dia Mundial do Banheiro (diamundialdobanheiro.org.br) e de organismos nacionais revelam um cenário alarmante:

1,37 milhão de domicílios brasileiros não possuem banheiro;

4,5 milhões de pessoas vivem sem banheiro dentro de casa;

78% dos domicílios sem banheiro estão na zona rural.

A falta de saneamento também atinge crianças e adolescentes:

19,6 milhões não têm acesso adequado ao esgotamento sanitário;

458 mil estudam em escolas que não possuem banheiro;

4.900 escolas funcionam sem instalações sanitárias.

(Fontes: UNICEF; Censo Escolar 2024)

A ausência de saneamento adequado aumenta a exposição a doenças de veiculação hídrica, principalmente entre crianças. Segundo a OMS, cada R$ 1 investido em saneamento gera R$ 4 de economia em saúde pública. Em 2023, 197 mil internações foram registradas por doenças hídricas — metade envolvendo crianças menores de 14 anos.

O impacto ambiental também é expressivo:

5,7 bilhões de m³ de esgoto são despejados anualmente na natureza;

Apenas 7,6% dos rios da Mata Atlântica têm água de boa qualidade;

Sete em cada dez praias brasileiras estiveram impróprias para banho entre 2023 e 2024;

(Fontes: Sinisa 2023, SOS Mata Atlântica 2024, órgãos ambientais)

O déficit de saneamento reflete desigualdades:

90,3 milhões de brasileiros não têm coleta de esgoto;

34 milhões não possuem acesso à água potável;

Entre pessoas pretas e pardas, 30% não têm esgotamento adequado (16,5% entre brancos; 70% entre indígenas);

Enquanto São Paulo registra 91% de cobertura de esgoto, Rondônia tem apenas 11,7%;

(Fontes: Sinisa 2023, Censo 2022)

Em um mundo marcado por eventos extremos como enchentes, secas e calor intenso a falta de infraestrutura sanitária agrava riscos, compromete a saúde e intensifica vulnerabilidades. Para a Aesbe, garantir saneamento é garantir justiça climática.

A Aesbe reforça seu compromisso com a universalização do saneamento e com a defesa do direito humano ao banheiro. Em alinhamento com a agenda climática e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, as companhias associadas à Aesbe seguem atuando para fortalecer políticas públicas, ampliar investimentos e promover soluções integradas em todo o país.

Sobre o portal Dia Mundial do Banheiro:

O portal “Dia Mundial do Banheiro” (diamundialdobanheiro.org.br) é uma iniciativa estratégica liderada pelo Instituto Água e Saneamento (IAS) para dar visibilidade à crise do saneamento no Brasil, promovendo a conscientização sobre o acesso universal a instalações sanitárias. Com foco em direitos humanos, saúde pública e sustentabilidade, o site serve como plataforma central para a campanha nacional do Dia Mundial do Banheiro, celebrado em 19 de novembro.

A Aesbe é uma das apoiadoras da iniciativa. Clique aqui e acesse

Fonte: AESBE - Comunicação <comunicacao@aesbe.org.br>

COP30 IMPULSIONA OBRAS DE SANEAMENTO E ACELERA METAS NO PARÁ

28/11/2025

Com apenas 8,7% da população com coleta de esgoto, o estado apresenta avanços durante a conferência climática em Belém e começa a contar com investimentos da Aegea que vão alcançar os R$ 19 bilhões.

Enquanto chefes de Estado e lideranças globais se reúnem em Belém para a COP30, o Pará tenta mostrar resultados concretos em uma das áreas mais críticas da Amazônia: o saneamento básico. Apenas 13% da população do estado tem acesso à coleta de esgoto e 58% conta com água tratada — índices que colocam o Pará entre os piores do país.

A situação começou a mudar com a chegada da Aegea Saneamento, companhia que opera em 15 estados e que aposta em um plano de R$ 19 bilhões para transformar a infraestrutura hídrica paraense ao longo dos próximos 40 anos.

O anúncio e a exibição dos primeiros resultados vieram em meio à conferência da ONU, que transformou Belém na capital mundial do debate climático.

“Saneamento é saúde, é dignidade, é redução de desigualdades. Muito se fala em infraestrutura, mas o essencial é entender que estamos falando de um serviço público”, afirmou Adriana Albanese, diretora de Relações com Investidores e Sustentabilidade da Aegea.

A executiva explica que a atuação da empresa no estado começou antes do leilão de concessão vencido neste ano, com operações em municípios como Barcarena e Novo Progresso. O conhecimento prévio da região, diz ela, foi determinante para moldar uma estratégia adaptada às condições amazônicas, que combinam diversidade cultural, grandes distâncias e áreas de difícil acesso.

Universalização do saneamento

Barcarena é hoje o principal exemplo dessa transformação. A cidade caminha para se tornar a primeira do Norte a universalizar o saneamento, com 99% da população tendo acesso à água potável e 90% coberta por rede de esgoto — metas originalmente previstas para 2033, agora antecipadas para 2025.

“Barcarena virou um canteiro de obras. Antecipar essas metas é uma forma de mostrar que o saneamento pode e deve andar junto com a agenda climática”, diz Albanese.

O plano inclui mais de 100 quilômetros de redes de água e 260 quilômetros de esgoto, beneficiando cerca de 120 mil pessoas. A Aegea pretende replicar esse modelo em outras cidades do Pará, com foco na integração entre infraestrutura, inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Em Belém, a companhia já iniciou obras em comunidades como a Vila da Barca, uma das maiores áreas de palafitas da América Latina. Ali, o esgoto corre a céu aberto e a água que chega às torneiras é imprópria para o consumo. A regularização do abastecimento e a ampliação do sistema de coleta fazem parte da estratégia da empresa de atuar de forma próxima aos moradores e com mão de obra local. “As pessoas compravam galões até para cozinhar. Hoje começam a ter água potável em casa. Isso é o que muda a vida das famílias”, afirma Albanese.

Além da infraestrutura, a Aegea mantém políticas tarifárias adaptadas à realidade social do Norte, com programas de desconto e tarifas reduzidas para famílias de baixa renda. Segundo a empresa, a meta é garantir que o acesso ao serviço seja também financeiramente sustentável.

Durante a COP30, o caso do Pará tem sido usado como exemplo de como o saneamento pode contribuir para metas de adaptação climática e de redução de desigualdades.

A coleta e o tratamento adequados de esgoto reduzem a contaminação de rios, recuperam ecossistemas e diminuem a incidência de doenças de veiculação hídrica — temas diretamente ligados à agenda ambiental. “Cada dólar investido em saneamento retorna quatro dólares para a sociedade. É um investimento que salva vidas e gera prosperidade”, conclui Adriana Albanese.

Fonte: Desperta | exame, de 28/11/2025

Apresentado por AEGEA

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA COMUNICAÇÃO ABCON | SINDUSCON NEWS – Edição 91 de novembro/2025.

26/11/2025

- Saneamento e clima: o legado das propostas da ABCON apresentadas na COP30

Durante a Conferência do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), a ABCON ajudou a inserir o saneamento básico no centro das discussões sobre a agenda climática. Em uma semana marcada por intensa articulação e participação em painéis de debates, a diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, esteve presente no espaço Cities&Regions do Ministério das Cidades, na Zona Azul da COP, e também participou de debates nos espaços das associadas Sabesp e Aegea. Durante a semana, participou de um painel na Casa do Saneamento, espaço da Funasa, acompanhando e contribuindo para diálogos fundamentais sobre o futuro do clima e visitou a embarcação Viara da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

O grande momento ocorreu na Vila das Águas, iniciativa da Sabesp na COP30, onde a ABCON apresentou suas 10 propostas estratégicas para a agenda climática. Disponíveis no formato e-Book, as propostas reafirmam o saneamento como ferramenta concreta para enfrentar desafios ambientais e impulsionar ações sustentáveis, evidenciando o compromisso do setor com a transformação social e ambiental.

No painel promovido pelo Ministério das Cidades, o presidente do Conselho Administrativo da ABCON, Rogério Tavares, reforçou a visão de que o saneamento é essencial para preparar o país diante das exigências do clima, destacando seu papel na construção de uma sociedade mais resiliente e sustentável.

Segundo Christianne Dias, a participação na COP30 foi uma oportunidade única de mostrar como o setor de saneamento pode ser agente transformador e contribuir diretamente para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. “Investir em saneamento é fundamental para assegurar água de qualidade e enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, promovendo sustentabilidade, saúde pública e justiça socioambiental”, afirmou.

- D.O.U publica norma de referência da tarifa social de água e esgoto

O Diário Oficial da União publicou na segunda-feira (24) a Norma de Referência nº 13/2025, aprovada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que estabelece critérios para a estrutura tarifária e regulamenta a tarifa social dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

A medida, que integra a Agenda Regulatória da ANA para 2025–2026, atualiza o modelo tarifário do setor, buscando harmonizar práticas regulatórias e incorporar as diretrizes da Lei 14.898/2024, que institui parâmetros nacionais para a Tarifa Social de Água e Esgoto. Entre os objetivos da nova norma estão garantir a sustentabilidade econômico-financeira dos serviços, promover a distribuição equilibrada dos custos entre os usuários e estimular o consumo consciente da água.

- Semana de eventos importantes para o setor de Saneamento

A ABCON começou a semana apoiando o XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos (SBRH), em Serra, na grande Vitória (ES), num evento dedicado à ciência, à inovação, à gestão responsável da água e ao saneamento no Brasil. O SBRH acontece até o dia 28 de novembro e contará com a presença de convidados nacionais e internacionais em 35 mesas-redondas presenciais, sem contar os debates virtuais.

No Fórum de PPPs 2025, dia 25 de novembro, em Brasília, Christianne Dias participa do painel Contribuições das PPPs para Universalização do Saneamento. O evento convida à reflexão sobre o papel estratégico das parcerias entre os setores públicos e privados. No mesmo dia 25, Ilana Ferreira, diretora técnica da ABCON participa da reunião do Comitê Gestor de Documentos Fiscais Eletrônicos em Goiânia. Enquanto o diretor jurídico e legislativo, Felipe Cascaes, participa do painel sobre Impactos da Reforma Tributária nos Contratos de Concessão no evento Arena B3, em São Paulo.

No dia 26 a 28 de novembro começa o XIV Congresso Brasileiro de Regulação da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR), no Rio de Janeiro. A ABAR convidou uma amostra representativa do ecossistema da regulação. Os debatedores retratarão o cenário da infraestrutura, que responde por parte da economia brasileira, mas também serviços públicos essenciais, como saneamento e energia elétrica. A diretora-presidente da ABCON, Christianne Dias, vai participar dos debates sobre saneamento. Para Christianne, eventos como esses são fundamentais para fortalecer o diálogo, o conhecimento e atrair investimentos para o setor.

- Levantamento da ABCON evidencia progresso brasileiro no número de unidades exclusivas de banheiros

A ABCON deu início ao ciclo anual de coleta de dados junto às suas associadas, etapa crucial para consolidar a inteligência setorial e fortalecer a base de conhecimento do setor. O processo foi acompanhado por workshops sobre o Sistema de Informações do Segmento Privado de Saneamento (SPRIS), que passou por atualizações e reúne indicadores exclusivos sobre a atuação das concessionárias privadas de água e esgoto no país.

Segundo o coordenador técnico da ABCON, Romário Júnior, a coleta de dados por meio do SPRIS é estratégica e permite o detalhamento dos investimentos das empresas privadas, incluindo suas participações em PPPs. Os dados coletados subsidiarão o Relatório de Benchmarking do Setor Privado, previsto para março de 2026, por meio do qual as empresas receberão análises personalizadas comparando seu desempenho à média do segmento.

Saiba+

Fonte: COMUNICAÇÃO ABCON | SINDUSCON NEWS – Edição 91 de novembro/2025.

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA SANEAR – SANEAMENTO E CRISE CLIMÁTICA: ADAPTAÇÃO JÁ! – edição nº 51

15/10/2025

- Saneamento inteligente: tecnologia vira aliada contra o colapso climático Iniciativa bilateral fortalece cooperação e troca de conhecimento entre Brasil e Holanda no setor de saneamento

FUAD MOURA, coordenador da Câmara Técnica de Inovação da Aesbe e assessor de Projetos Especiais e Novos Negócios da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb)

As mudanças no padrão climático têm gerado desafios complexos e extremos, como inundações urbanas, estiagens prolongadas e colapsos de infraestrutura, além de eventos totalmente imprevisíveis, o que muitas vezes impede ações preventivas dos responsáveis pelo saneamento e a gestão hídrica.

Nesse contexto, a tecnologia vem se mostrando uma grande aliada na resposta ágil e efetiva aos desastres climáticos. Hoje, o Brasil já conta com ferramentas como sensores inteligentes para monitoramento em tempo real, plataformas de modelagem preditiva, inteligência artificial no planejamento de redes e sistemas de alerta precoce.

Em evolução constante para enfrentar e mitigar os desafios desse novo tempo, as inovações fortalecem a resiliência urbana e operacional das companhias de saneamento, tornando-se um catalisador importante no desafio duplo em que o setor se encontra, como explica Fuad Moura, coordenador da Câmara Técnica de Inovação da Aesbe e assessor de Projetos Especiais e Novos Negócios da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

“As mudanças climáticas exigem respostas urgentes, e a sociedade cobra serviços mais eficientes e inclusivos. É aqui que a inovação, seja tecnológica ou gerencial, disruptiva ou incremental, torna-se nossa maior aliada. Podemos buscar, por exemplo, soluções com uso de inteligência artificial para prever crises hídricas e reduzir perdas na distribuição de água, sistemas de reúso que garantem segurança hídrica e tecnologias acessíveis e novas propostas de atuação para levar saneamento básico a comunidades vulneráveis”, avalia.

Na Aesbe, por meio da Câmara Técnica de Inovação, Moura coordena discussões sobre caminhos para transformar esse potencial em realidade. Uma das frentes analisa como as empresas podem estruturar os Programas de PDI incluindo a inovação como sistemática, não ocasional.

O objetivo é buscar meios de promover a inovação aberta, tentando conectar as companhias de saneamento com startups e universidades.

Moura cita como exemplo a Caesb, que mantém uma parceria de décadas com a Universidade de Brasília (UnB), que já rendeu frutos para o sistema produtor de água, a gestão de perdas e nos processos de tratamento de esgoto. “É sempre importante ressaltar que nossa visão de inovação vai além da tecnologia. Quando falamos em saneamento do futuro, estamos pensando tanto em eficiência operacional quanto em inclusão social. Projetos como o saneamento integrado em comunidades carentes ou soluções de autogestão para áreas rurais mostram que inovação é também sobre equidade”, completa o coordenador da Câmara Técnica de Inovação. Segundo ele, as companhias devem atuar no combate às mudanças climáticas com tecnologia, mas sem nunca perder de vista seu papel social, o que só é possível com o fortalecimento do setor: empresas comprometidas, universidades inovadoras, startups ágeis e um marco regulatório que fomente essas conexões. Sabesp usa inteligência artificial no planejamento de abastecimento e combate a vazamentos Em São Paulo, a Sabesp vem investindo em inovações que prometem deixar o saneamento mais inteligente. A empresa acaba de anunciar a contratação de um serviço para monitorar as chuvas e planejar o abastecimento de forma mais eficaz por meio do aperfeiçoamento da análise de cenários das mudanças climáticas. Uma consultoria especializada na integração de previsões meteorológicas e hidrológicas vai acompanhar os níveis dos mananciais que abastecem cerca de 22 milhões de pessoas. Com uso de inteligência artificial, a ferramenta cruza a base de dados da companhia com as previsões meteorológicas. O investimento é de R$1,5 milhão. “A Sabesp possui séries históricas de dados de armazenamento de água e do volume de chuvas que permitem analisar cenários anteriores, como uma grande seca que aconteceu em 1953 e a crise hídrica de 2014. Essa ampla base de informações, associada à tecnologia, vai ajudar a companhia a prever com mais precisão os extremos climáticos e os impactos para o sistema de abastecimento”, explica Alexandre Bueno, gerente do departamento de Recursos Hídricos da Sabesp. Os primeiros boletins diários da IA serão gerados a partir de julho. No momento, as equipes da Sabesp e os consultores estão inserindo as informações na plataforma. O projeto será implementado inicialmente nos reservatórios do Sistema Cantareira, o maior dos administrados pela companhia. Enquanto isso, outro projeto piloto na capital paulista acaba de atestar a importância do uso de inteligência artificial no saneamento. Combinada com imagens de satélite, uma nova solução identificou cinco vezes mais vazamentos que o método tradicional na região da Consolação.

INOVAÇÃO

A tecnologia, já aplicada em países como Israel e Inglaterra, foi testada pela empresa paulistana e comparou a detecção de perda de água com o modelo atual, via escuta. A região escolhida para o experimento é de alta complexidade graças às diversas interferências no subsolo, como redes de gás, energia elétrica e dados, além do tráfego de veículos intenso. Em 50 quilômetros de redes, a abordagem tradicional encontrou 14 vazamentos. A nova ferramenta detectou 81 pontos, sendo capaz de localizar vazamentos menores e praticamente indetectáveis pelo ouvido humano. A tecnologia não substitui a escuta acústica, mas as equipes passam a ser enviadas para áreas onde há maior probabilidade de grandes vazamentos. “Isso melhora o direcionamento das equipes, aumenta a eficiência do trabalho e traz resultados cada vez melhores”, explica Débora Pierini Longo, diretora de Operação e Manutenção da Sabesp, que confirmou a contratação da tecnologia após o sucesso dos testes. Cidades que concentram 17% de toda a perda de água das áreas que a companhia atende, como São Paulo, Suzano, Barueri, Itaquaquecetuba e Osasco, receberão a inovação. Inovar para resistir e universalizar Diante de um cenário climático cada vez mais desafiador, o setor de saneamento se vê diante da urgência de inovar para sobreviver — e de evoluir para garantir equidade. Casos como o da Sabesp e iniciativas coordenadas pela Aesbe mostram que a tecnologia, quando aliada a uma visão estratégica e inclusiva, pode transformar crises em oportunidades. O caminho está traçado: investir em soluções inteligentes, promover parcerias com centros de pesquisa e fortalecer o papel social das companhias públicas. Só assim será possível enfrentar os impactos das mudanças climáticas com resiliência, eficiência e compromisso com a universalização do saneamento.

- SUSTENTABILIDADE

Reúso de água – De alternativa emergencial à estratégia essencial para a segurança hídrica e a sustentabilidade urbana

Reciclar para garantir o futuro faz com que o reúso de água se firme como solução estratégica na América Latina. Entidades do setor apontam os avanços e desafios para consolidar essa prática essencial, transformando mentalidades e impulsionando investimentos para a segurança hídrica duradoura.

Acrescente pressão sobre os recursos hídricos, impulsionada pelas mudanças climáticas, pelo aumento populacional e pela intensificação do consumo, tem direcionado o olhar para o reúso de água como uma solução estratégica e de caráter permanente. A América Latina, palco de crescente vulnerabilidade hídrica, testemunha uma transformação na percepção e na prática do reúso de água. O que antes era considerado uma solução emergencial, impulsionada por crises de abastecimento em grandes centros urbanos e setores econômicos essenciais, hoje se consolida como pilar fundamental para garantir a segurança hídrica, reduzir a pressão sobre mananciais, otimizar a eficiência dos sistemas urbanos e promover a sustentabilidade. Nesse cenário de transformação, o Instituto Reúso de Água vem atuando na promoção e no avanço dessa prática no Brasil. Ana Silvia Santos, fundadora e CEO do Instituto, destaca que a percepção e a prática do reúso de água no Brasil têm experimentado avanços significativos nos últimos anos, impulsionados principalmente pela crescente preocupação com a falta d’água. “A falta d’água, seja na forma de escassez física devido a secas prolongadas, seja como estresse hídrico onde a demanda supera a oferta, é o principal motor desse avanço”, afirma. Para Ana Silvia, o marco regulatório exerce grande importância para a concretização da prática. “Para colocar o reúso em prática, é preciso um quadro regulatório bem estabelecido, algo que ainda não temos em nível nacional”, explica. No entanto, ela ressalta o progresso em algumas unidades federativas. “Hoje, em nível nacional, oito delas já possuem regulamentação com a definição de parâmetros e padrões de qualidade da água para reúso. O próprio marco legal do saneamento de 2020 indica o reúso como prioritário na gestão eficiente da água, e a partir dele vimos avanços regulatórios em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná”, comenta. Embora o Instituto Reúso de Água tenha sido formalizado há dois anos, Ana explica que atuam desde 2021, com o lançamento do portal reusodeagua.org, promovendo discussões e defendendo um marco regulatório robusto. “Hoje, contamos com a confiança e o apoio de grandes empresas do setor, membros associados que incentivam nosso trabalho para impulsionar o reúso. A indústria tem sido um protagonista fundamental nesse avanço, pois a falta d’água representa um risco de falência, motivando-a a buscar ativamente soluções de reúso junto às concessionárias e companhias de saneamento”, informa. Neste âmbito, o projeto Aquapolo, implementado há 10 anos, é citado como um exemplo bem-sucedido. “O Aquapolo foi um grande marco e hoje é o maior projeto de produção de água industrial a partir do reúso na América Latina. Dez anos depois, começamos a ver projetos similares ou inspirados nele”, conta Ana Silvia.

Reúso como estratégia permanente

A consolidação do reúso como estratégia permanente para a segurança hídrica se sustenta em sólidos argumentos técnicos, econômicos e ambientais, conforme a visão do Instituto Reúso de Água. Ana Silvia aponta um conjunto de fatores interligados que reforçam essa mudança de paradigma. “Além da questão da falta d’água em suas diversas formas, temos as mudanças climáticas, que hoje são percebidas pela sociedade de maneira geral, e as mudanças nos nossos hábitos de consumo, com uma demanda crescente e, muitas vezes, insustentável”, elenca. Ela também menciona o crescimento populacional como um fator de pressão adicional. Como evidencia a especialista, a chave para uma gestão hídrica eficiente reside na compreensão de que água é uma só: “seja água residual, água de chuva, água de rio, água subterrânea, água do mar, tudo isso é água. A sensação de falta d’água que temos é, na verdade, a falta da água fácil, aquela que sempre extraímos preferencialmente de fontes superficiais e subterrâneas”, explica. A transição para um novo patamar de gestão hídrica implica a adoção de “fontes sustentáveis de água”, como águas residuais tratadas, água do mar e água da chuva, complementando a matriz hídrica, assim como ocorreu no setor energético. “No Brasil, passamos de uma matriz quase exclusivamente hidroelétrica para a incorporação de outras fontes, como eólica e solar. No setor hídrico, precisamos seguir o mesmo caminho”, defende. Do ponto de vista econômico, o reúso torna-se viável a partir do momento em que a escassez hídrica impõe custos ainda maiores. “Ficar sem água não tem preço. A viabilidade econômica não se resume ao custo da obra ou da tarifa; é preciso considerar o custo de não ter água”, argumenta Ana Silvia, citando o exemplo da Braskem, âncora do Aquapolo, que enfrentaria sérias dificuldades em uma situação de seca prolongada. Ambientalmente, o reúso representa a utilização de um recurso já disponível, contribuindo para a preservação de mananciais e a redução da descarga de efluentes em corpos hídricos. Socialmente, a disponibilidade de água impulsiona o desenvolvimento socioeconômico, sendo essencial para regiões com histórico de escassez. A CEO do Instituto Reúso de Água enfatiza, também, a disponibilidade de tecnologia, conhecimento, recursos, engenharia e infraestrutura para transformar qualquer tipo de água em água de qualidade. “A água é água, não importa de onde ela vem. Hoje temos as ferramentas para produzi-la a partir de qualquer outra fonte”, observa. Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios regulatórios significativos para a implementação em larga escala de projetos de reúso de água. Ana Silvia aponta essa questão como um foco central do trabalho do Instituto. “Esse é um tema de pesquisa nosso há mais de dez anos, com diversas publicações científicas. Desenvolvemos uma linha do tempo da legislação de reúso em vários países, que inclusive foi citada em um documento oficial da ONU, e percebemos uma grande evolução no mundo, enquanto o Brasil ainda patina”, diz. Ela reconhece os avanços pontuais no país, mas frisa que há muito a ser feito. “Temos exemplos internacionais que podem servir de inspiração, mas é fundamental adaptá-los à nossa realidade, que é complexa devido às dimensões continentais e às grandes diferenças socioeconômico-culturais e ambientais”, atenta. Segundo Ana Silvia, em 2024, o Instituto Reúso de Água, em colaboração com seus membros associados no Grupo de Trabalho (GT) Diretrizes, desenvolveu diretrizes voluntárias e imparciais, cujo objetivo foi apresentar ao governo federal uma proposta para a legislação nacional de reúso, abrangendo parâmetros, padrões de qualidade da água, planejamento de monitoramento e diversas aplicações. “Essas diretrizes foram fruto de várias reuniões do GT ao longo de 2024, e o documento final foi lançado no dia 16 de maio, no canal do YouTube do Instituto, marcando a abertura do Movimento Reúso de Água 2025, que inclui seis eventos (quatro presenciais e dois online) entre 16 de maio e 16 de junho”, informa e acrescenta: “tivemos a presença de grandes líderes do governo federal e entidades públicas e privadas neste lançamento.”

Viabilidade econômica além da tarifa e análise do ciclo de vida

A viabilidade econômica é um fator determinante para a adoção generalizada do reúso e o Instituto Reúso de Água busca desmistificar a visão tradicional focada apenas na tarifa. Ana Silvia Santos questiona a mentalidade de algumas companhias de saneamento que veem o reúso como perda de receita. “Pensar que disponibilizar água para reúso gera perda de receita é, na minha opinião, um pensamento equivocado. Perde-se uma receita, mas pode-se ganhar outra, uma receita acessória”, observa. Ela defende que os gestores e tomadores de decisão precisam criar a necessidade de incorporar essa receita acessória em seus modelos de negócio. Para ela, o caso do Aquapolo ilustra um modelo bem-sucedido. “O Aquapolo se viabilizou porque uma indústria garantiu o pagamento da tarifa por 40 anos em contrato. Esse é um bom modelo, desde que haja um polo industrial”, comenta. Para cenários sem grandes polos industriais, Ana Silvia aponta outras possibilidades, como o abastecimento por caminhão-pipa ou a simbiose industrial, por meio da qual o efluente de uma indústria serve como matéria-prima para outra.

O lançamento, pela Aegea, da Unidade de Negócio Apura, focada no fornecimento de água para reúso, é outro exemplo promissor em sua avaliação. “A Aegea firmou contrato com a Braskem para fornecer água para reúso ao abastecimento total da sua unidade industrial em Duque de Caxias (RJ). Obras de saneamento, embora custosas e complexas, são algo rotineiro para uma empresa de saneamento. O Aquapolo, com seus 17 quilômetros de extensão passando por três municípios, demonstra a viabilidade técnica, apesar do custo do transporte”, avalia. Deste modo, Ana Silvia enfatiza que não existe uma “receita de bolo” única para a viabilidade econômica do reúso. “O modelo ideal depende do cenário específico. O Aquapolo é uma solução excelente para o que se propôs, mas não serve para tudo”, considera. Ela retorna à questão do custo de não ter água como um fator crucial na análise econômica. “A viabilidade econômica tem que considerar o custo de ficar sem água. Na seca de 2013/2014, a Braskem ficaria um período sem água e poderia colapsar. Esse é o verdadeiro custo”, aponta. Além disso, a CEO do Instituto Reúso de Água defende a incorporação da análise do ciclo de vida (Life Cycle Assessment) e do custo do ciclo de vida (Life Cycle Cost) nas avaliações econômicas. “O termo viabilidade econômica sozinho leva a um raciocínio limitado de tarifa, Capex e Opex. Uma análise do ciclo de vida revela outras conclusões, considerando os custos ambientais”, explica. Ela percebe uma mudança de mentalidade no Brasil, impulsionada pelo conhecimento e pela conexão, áreas em que o Instituto investe por meio de cursos e interação. “Nossa bandeira é clara: a água é uma só. Não importa de onde ela vem ou a qualidade que tem; conseguimos produzir água a partir de água, mesmo que seja de excelente qualidade a partir de esgoto bruto, graças à tecnologia, infraestrutura, recursos e engenharia disponíveis”, menciona. A mensagem de Ana Silvia Santos para as companhias de saneamento é a necessidade de uma mudança radical de entendimento. “Precisamos sair do século XX e entrar no século XXI. A gestão atual é ultrapassada para os desafios que enfrentamos. O papel do Instituto é incutir esses entendimentos diferentes para aumentar a receptividade por parte dos empresários”, informa.

Setores com maior potencial e casos de sucesso

O Brasil possui um enorme potencial para a adoção do reúso de água, especialmente na interface entre demanda e oferta. Ana Silvia explica que, apesar da baixa oferta atual devido ao tratamento de apenas 50% do esgoto, a alta demanda em diversos setores abre um leque de oportunidades. “Talvez haja uma vantagem em não termos universalizado ainda nossos serviços de saneamento: a possibilidade de avançar já considerando o reúso na concepção das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Enquanto países desenvolvidos adaptam suas estruturas existentes, o Brasil pode integrar o reúso desde o projeto de novos sistemas de esgotamento sanitário e polos industriais”, aponta. Indústrias hidro intensivas e a agricultura irrigada se destacam como setores com grande potencial. “Em regiões como São Paulo, o estresse hídrico é agravado pelas indústrias que consomem muita água. O reúso pode ser uma solução para abastecer esses polos industriais, assim como grandes áreas de irrigação, comuns no Brasil, diferentemente de países como Portugal, onde a agricultura é mais familiar”, explica. Outras aplicações promissoras incluem a recarga de aquíferos, especialmente em regiões com superexploração. “A recarga de aquíferos é comum em países do Mediterrâneo, como Grécia, Chipre e Malta, onde quase 90% do esgoto é utilizado na agricultura, resolvendo 40% da demanda hídrica. A China também tem investido no reúso industrial como estratégia de crescimento, assim como Singapura”, informa Ana Silvia. Para a engenheira, a inovação tecnológica desempenha um papel fundamental na eficiência e segurança dos sistemas de reúso de água. Ela explica que existem tecnologias convencionais capazes de gerar efluentes tratados de boa qualidade para diversas aplicações e tecnologias mais avançadas para usos mais exigentes. “Para uso potável, tanto direto quanto indireto, é necessária uma combinação de tecnologias avançadas, como membranas, desinfecção e processos oxidativos avançados. Para usos urbanos, como lavagem de ruas e irrigação de canteiros, dependendo da restrição de contato, tecnologias mais simples, como tratamento secundário e desinfecção por cloro, ultravioleta ou ozônio podem ser suficientes”, orienta. Neste cenário, o Instituto Reúso de Água acompanha de perto as tendências em tratamento, monitoramento e distribuição, classificando as tecnologias em categorias de nível secundário, secundário desinfetado e avançado, cada uma atendendo a diferentes demandas de qualidade da água.

Virada de chave para o Século XXI

Ana Silvia destaca o avanço da Lei 14.026 ao mencionar a palavra “reúso” oito vezes, em contraste com a ausência na lei anterior. “Esse foi um grande passo, mas transformar isso em realidade é outro abismo. Precisamos dar um salto imenso, construindo uma ponte para essa nova realidade, mudando nosso mindset”, alerta. A CEO do Instituto Reúso de Água acredita que o Brasil já possui condições de agir. “Estávamos na discussão e no debate. Agora temos a oportunidade de agir. Essa é a minha principal mensagem”, conclui.

- SUSTENTABILIDADE

Segurança hídrica latino-americana passa pelo reúso estratégico

A expansão do reúso na América Latina, segundo Eduardo Pedroza, diretor da Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reuso de Água (Aladyr Brasil), é intrinsecamente ligada à crescente valorização estratégica da água pela sociedade, diante de um cenário de vulnerabilidades hídricas cada vez mais evidentes. “Crises de abastecimento que antes se restringiam a regiões áridas ou semiáridas, nos últimos 15 anos passaram a impactar áreas com maior disponibilidade, mas com demandas de consumo elevadas, como São Paulo, Cidade do México e Montevidéu”, explica o diretor. Este novo contexto, agravado pelos efeitos das mudanças climáticas, abriu espaço para a adoção de soluções baseadas na economia circular da água. Na avaliação da Aladyr, este cenário impulsionou avanços significativos na percepção e prática do reúso. Entre eles, Pedroza destaca que na América Latina observa-se um reconhecimento estratégico do reúso e da dessalinização por governos, que os incorporam como elementos centrais na diversificação da matriz hídrica. “Destacamos a iniciativa pioneira do Governo do Espírito Santo, que, em parceria com a ArcelorMittal, realizou a primeira concorrência pública para fornecimento de água de reúso no Brasil”, informa. Paralelamente, segundo ele, constata-se um crescimento significativo de projetos e investimentos no setor, impulsionado pela crescente demanda do setor privado por tecnologias de reúso e dessalinização em busca de eficiência e competitividade. “O aumento nas importações de membranas no Brasil e em outros países da região reflete esse avanço tecnológico. No campo da dessalinização, são notáveis os ganhos em eficiência energética, como exemplificado no Chile, onde projetos recentes operam com um consumo significativamente menor. Outro indicativo do amadurecimento do tema é a proliferação de projetos de lei voltados à regulamentação e ao estímulo do reúso, bem como o surgimento de modelos de negócio inovadores, a exemplo dos contratos BOO/BOT e das parcerias integradas em complexos industriais, que possibilitam a viabilização de projetos mais robustos e sustentáveis”, descreve o executivo. Fundada em 2010, a Aladyr tem contribuído ativamente para essa evolução através de:

• Promoção de eventos e congressos: a associação organiza eventos como o Congresso da Aladyr Brasil, plataformas para divulgar projetos, fomentar debates sobre políticas e inovações. O evento de 2023, com forte presença brasileira, motivou iniciativas em andamento no Espírito Santo e na Vale.

• Advocacy e políticas públicas: a organização atua como voz ativa, alertando sobre a necessidade de políticas fortes e investimentos em infraestrutura de reúso para enfrentar os desafios hídricos regionais.

• Educação e capacitação: projetos como as “Olimpíadas da Água” e capacitações internacionais visam formar alunos e profissionais sobre a gestão sustentável da água. Para a Aladyr, o reúso transcende a visão de solução emergencial, consolidando-se como estratégia estrutural e permanente, sustentada por argumentos técnicos, econômicos e ambientais robustos. Tecnicamente, Eduardo Pedroza destaca que a eficiência e a confiabilidade dos sistemas são asseguradas por tecnologias avançadas de tratamento, como as membranas (MBR, UF, RO), que garantem alta qualidade para aplicações diversas, incluindo uso potável indireto e industrial exigente. “Além disso, a flexibilidade de aplicação dos sistemas de reúso permite sua adaptação a diferentes contextos urbanos, industriais e agrícolas, com implantação modular e integração à infraestrutura já existente. Um ponto crucial é a independência climática do reúso, que, ao contrário das fontes tradicionais, não depende diretamente do regime de chuvas, conferindo resiliência frente às mudanças climáticas”, explica. No âmbito econômico, apesar do investimento inicial, o executivo lembra que o reúso demonstra potencial para redução de custos a longo prazo, tornando-se competitivo, especialmente em regiões com escassez hídrica e altos custos de captação e tratamento de fontes convencionais. “Para o setor industrial, a garantia de uma fonte estável e controlada de água reduz significativamente os riscos de desabastecimento e interrupções produtivas em setores intensivos no uso desse recurso. Ademais, o reúso estimula a inovação e o desenvolvimento de novos modelos de negócio, fomentando parcerias público-privadas (PPPs), contratos do tipo BOO/BOT e outros arranjos institucionais que atraem investimentos e promovem a modernização do setor”, comenta. Finalmente, os argumentos ambientais reforçam a importância do reúso, uma vez que ele diminui a pressão sobre mananciais como rios, lagos e aquíferos, contribuindo para a conservação dos ecossistemas e a manutenção dos serviços ambientais. “O tratamento e o reaproveitamento de efluentes resultam na redução da poluição hídrica, evitando a descarga de poluentes em corpos d’água e melhorando a qualidade ambiental. Em uma perspectiva mais ampla, o reúso contribui para a economia circular, inserindo o recurso hídrico em um ciclo mais sustentável, alinhado aos princípios da gestão integrada de recursos”, ressalta Pedroza. Desafios regulatórios no Brasil e inspiração internacional Apesar dos avanços tecnológicos e da crescente necessidade, o Brasil ainda enfrenta barreiras legais e normativas para a implementação em larga escala do reúso. Para a Aladyr, segundo Eduardo Pedroza, superar esses entraves é fundamental. Ele aponta a ausência de uma regulação nacional clara e unificada como principal obstáculo. “A produção de água de reúso ainda carece de normas que definam titularidades, clareza fiscal, procedimentos para acesso competitivo a esgotos por atividades econômicas, responsabilidades e diretrizes operacionais”, detalha. A diferenciação entre tipos e usos do reúso (potável, industrial, agrícola, urbano não potável, recarga de mananciais) com parâmetros de qualidade, monitoramento e controle específicos para cada finalidade, apenas quando necessário, também é fundamental. O diretor ressalta que uma regulação excessiva para usos industriais não potáveis pode ser prejudicial, dada a diversidade de processos produtivos. Já para recarga de mananciais, parâmetros rigorosos são indispensáveis. No reúso agrícola, a atenção deve se voltar às especificidades de manejo e ambientais. Outra barreira relevante é a falta de incentivos econômicos e financeiros para remunerar adequadamente os operadores e atrair consumidores industriais e agrícolas. Pedroza observa que a reforma tributária, a qual onera as atividades de reúso e saneamento, contraria o princípio de incentivar a sustentabilidade ambiental. “O reúso e a dessalinização são instrumentos centrais para a diversificação da matriz hídrica e devem ser reconhecidos como integrantes da taxonomia verde, como na União Europeia”, defende. A Aladyr enfatiza a importância de o Brasil se inspirar em modelos internacionais consolidados, como Singapura, Califórnia, União Europeia e México, além de normas técnicas como a ISO 30500 e as diretrizes da OMS. “Esses referenciais demonstram a viabilidade segura, econômica e ambientalmente positiva do reúso”, ressalta.

A flexibilidade de aplicação dos sistemas de reúso permite sua adaptação a diferentes contextos urbanos, industriais e agrícolas, com implantação modular e integração à infraestrutura já existente. Um ponto crucial é a independência climática do reúso, que, ao contrário das fontes tradicionais, não depende diretamente do regime de chuvas, conferindo resiliência frente às mudanças climáticas.”

Eduardo Pedroza, diretor da Associação Latino-americana de Dessalinização e Reuso de Água (Aladyr Brasil)

Fonte: REVISTA SANEAR – SANEAMENTO E CRISE CLIMÁTICA: ADAPTAÇÃO JÁ! – edição nº 51

Expansão do saneamento privado chega a municípios com piores coberturas de água e esgoto

1/10/2025

A expansão da iniciativa privada no saneamento básico não se limitou aos municípios que eram considerados o “filé mignon” do mercado brasileiro. De 2020 para cá, cidades com os piores indicadores de água e esgoto do país também entraram na leva de leilões, privatizações e PPPs (parceria público-privada) que vêm dando o tom do setor atualmente.

Dos 20 municípios que figuram no fim do ranking nacional elaborado pelo Instituto Trata Brasil, 16 já passaram ou devem passar por concessões até o próximo ano. É o caso de Santarém (PA), último da lista com 4% de coleta de esgoto, e cujo contrato foi recentemente arrematado pela Aegea.

O levantamento considera apenas os cem municípios mais populosos do Brasil. No entanto, a penetração privada em locais desafiadores também pode ser constatada pelos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que engloba todas as 5.570 cidades.

Fonte imagem/matéria: Folha de S. Paulo

Fonte: abcon | sindicon

           NEWS – OUT. 2025 | EDIÇÃO 88

Por que o setor de infraestrutura ficou aliviado com o texto da MP do IOF

1/10/2025

O setor de infraestrutura respirou aliviado ao conhecer o relatório do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) para a MP 1.303 de 2025, editada pelo governo Lula para compensar a derrubada dos decretos que aumentavam o IOF.

Zarattini retirou da medida provisória o aumento da alíquota do Imposto de Renda sobre os rendimentos de pessoas jurídicas com debêntures (títulos de dívida privada) de infraestrutura, que financiam projetos específicos do setor, mantendo-a no patamar atual de 15%.

A diretora-executiva da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon), Christianne Dias Ferreira, classificou o relatório de Zarattini como “excelente”, especialmente para o setor de saneamento.

“O setor vem emitindo muita debênture para cobrir os investimentos dos leilões que estão acontecendo, e a gente fez um estudo que mostrou que, se realmente prevalecesse a nova taxação, o setor sofreria um impacto de 15 bilhões de reais”, disse Christianne ao Radar em almoço promovido pela Agência iNFRA, em Brasília.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, disse no mesmo evento que, sem os incentivos tributários às debêntures de infraestrutura, muitos projetos “simplesmente não sairão do papel”.

Segundo o representante do governo Lula, a média anual de emissões desses títulos entre 2018 e 2022 foi de apenas 6 bilhões de reais.

“Com a retomada da confiança do setor privado na economia”, afirmou Renan Filho, as emissões saltaram para 9,3 bilhões de reais em 2023, em seguida para 38,7 bilhões de reais em 2024 e, em 2025, pelas projeções do ministro, as emissões vão superar os 40 bilhões de reais.

ABCON lançará e-Book Saneamento pelo Clima durante COP30

1/10/2025

Até 2040, o Brasil pode registrar um crescimento de 28,8% no consumo total de água, saltando de 2.151,1 m³/s em 2024 para 2.771,6 m³/s. Esse avanço significativo pressiona ainda mais os sistemas de abastecimento e reforça a urgência de colocar o saneamento básico no centro da agenda climática, principalmente no debate da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30). O alerta e a projeção de consumo estão disponíveis no e-book Saneamento pelo Clima: Agenda ABCON para a Universalização Sustentável, que será lançado durante a conferência em Belém (PA).

Além do lançamento do e-book, a ABCON SINDCON, entidade que representa as empresas privadas de saneamento, levará à COP30 um conjunto de evidências, boas práticas e propostas para fortalecer políticas públicas, mecanismos de financiamento e incentivos à inovação tecnológica. “Nossa mensagem é clara: o Brasil tem a oportunidade de liderar pelo exemplo. Com segurança jurídica, financiamento adequado e colaboração entre os setores público e privado, podemos construir um futuro mais justo, saudável e sustentável. Investir em saneamento é investir em resiliência, justiça social e futuro sustentável. O saneamento não pode esperar. O clima também não”, afirma Christianne Dias, Diretora Executiva da entidade.

ABCON SINDCON defende protagonismo do saneamento em congresso nacional de procuradores estaduais e do DF

1/10/2025

A diretora-executiva da ABCON SINDCON, Christianne Dias Ferreira, presidiu o painel Sustentabilidade Econômico-Financeira dos Projetos de Saneamento Básico, durante o 51º Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (CNPE), realizado em Fortaleza no mês de setembro. O debate reuniu procuradores do estado e do DF e especialistas para discutir os principais desafios jurídicos e econômicos que envolvem os contratos de concessão e o futuro da política pública de saneamento no país.

Christianne destacou em sua fala a importância do papel estratégico das Procuradorias-Gerais dos Estados no fortalecimento da segurança jurídica dos contratos. “Buscamos ampliar a interlocução a fim de esclarecer e desmistificar as questões relacionadas à infraestrutura necessária para garantir a sustentabilidade econômica e financeira da prestação dos serviços”, afirmou.

Curso de capacitação on-line começa hoje

1/10/2025

Para acelerar a qualificação de profissionais que fazem o saneamento acontecer no dia a dia, a ABCON SINDCON, associação que representa as operadoras privadas do setor, e o Centro de Capacitação Hydrus, abriram as inscrições para o curso “Ciclo Completo de um Contrato de Concessão de Saneamento”. A formação será dividida em quatro módulos (planejamento, execução, relatório e avaliação) e será oferecida on-line, ao vivo, com foco prático e aplicável. Interessados podem acessar aqui.

Cada módulo terá duas horas de duração, ao longo de quatro aulas a partir de hoje (1º/10). As outras três aulas serão ministradas nos dias 2, 8 e 9 de outubro de 2025. Segundo a diretora-executiva da ABCON SINDCON, Christianne Dias, o setor está em expansão, com novos leilões previstos ainda este ano e mais vagas de trabalho sendo abertas. Para ela, a capacitação é o que coloca o profissional na frente, especialmente quem atua na operação e busca evoluir na carreira.

Esta é uma capacitação realizada em parceria com a Hydrus, organização com 35 anos dedicados à formação em saneamento. Desde 2012 no Brasil, o Hydrus já capacitou 22 mil pessoas.

Edital de concessão dos serviços de saneamento em Pernambuco deve gerar R$ 19 bi de investimentos ao Estado

1/10/2025

O leilão de concessão regionalizada parcial dos serviços de saneamento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) deve gerar R$ 19 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 10,9 bilhões serão destinados à coleta e tratamento de esgoto e o restante será à distribuição de água. O vencedor será a empresa ou consórcio que oferecer o maior desconto sobre as tarifas atuais da Compesa e a maior outorga para o estado. Em setembro, o Governo de Pernambuco publicou o edital para a realização do certame. As empresas devem enviar suas propostas até 11 de dezembro e o leilão está marcado para 18 de dezembro.

A Compesa continuará sendo responsável pela produção e tratamento de água. A iniciativa privada ficará com a distribuição de água, além da coleta e tratamento de esgoto.

Dados do Panorama da Participação Privada do Saneamento 2025, publicação produzida pela ABCON, revelam que a atuação privada em esgoto no Nordeste já alcança 423 municípios. Entre 2020 a 2025, foram realizados 12 leilões na região, com R$ 27,9 bilhões em investimentos e beneficiando 403 municípios. O levantamento mostra ainda que 77% dos municípios nordestinos já possuem a universalização contratualizada, sendo considerada a maior proporção do país.

Setor de Saneamento investe alto no país

1/10/2025

Dados da ABCON DATA revelam que, atualmente, há 26 projetos de saneamento básico em andamento no Brasil, abrangendo 939 municípios e beneficiando 28 milhões de pessoas. O investimento estimado nesses projetos é de R$ 68,2 bilhões.

Os dados são públicos e atualizados mensalmente pela ABCON. Desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento, já foram realizados 60 leilões em 20 estados brasileiros, contemplando mais de 1.500 municípios, com investimento contratado de R$ 181 bilhões.

Mais informações

E a empresa do ano é...

1/10/2025

A Sabesp, empresa do ano pelo ranking MELHORES E MAIORES 2025, virou um case de modernização do setor público brasileiro. O ano histórico teve números expressivos. Em 2024, a Sabesp registrou uma receita líquida de R$ 36,1 bilhões, alta de 41,3% em relação a 2023. O Ebitda totalizou R$ 11,3 bilhões, alta de 19%, com a margem Ebitda ajustada em 52%, quatro pontos percentuais acima de 2023. Já o lucro líquido disparou, chegando a R$ 9,5 bilhões, avanço de 171,9% em relação ao resultado de R$ 3,52 bilhões do ano anterior. Analistas avaliam que parte do resultado vem da forte redução de custos e despesas.

A Sabesp vê uma miríade de oportunidades. Em evento na B3, que marcou o fim do processo de privatização em junho do ano passado, o governador Tarcísio de Freitas disse que a empresa estava pronta para voar e se tornar a maior do mundo. A convicção é a mesma de Piani. O CEO aposta na adoção massiva de tecnologia na operação para trazer mais eficiência. Até por isso, uniu a diretoria de atendimento de clientes, tecnologia e inovação em uma só.

Com a segurança jurídica de um único instrumento até 2060, a Sabesp fez a atualização do histórico de investimentos reversíveis e não totalmente amortizados até o final do contrato, que deverão ser indenizados para a empresa, um padrão em concessões de saneamento e do setor elétrico.

Para melhorar a coleta e o tratamento de esgoto, a deia é aumentar em quase 75% sua capacidade, em 20 metros cúbicos de rejeitos tratados por segundo.

Fonte: Desperta | exame – 26/09/2025

Avanços no saneamento chegam primeiro à população mais pobre e ampliam cobertura de esgoto no Brasil

30/9/2025

25 de agosto de 2025

O acesso ao saneamento básico está deixando de ser um privilégio restrito e alcançando de forma acelerada os brasileiros mais pobres. Entre 2019 e 2023, mais de 674 mil domicílios com renda de até meio salário-mínimo per capita passaram a ter água encanada em casa – um avanço no nível de atendimento o dobro da média nacional no período.

O levantamento faz parte do Panorama da Participação Privada no Saneamento 2025, publicação anual da ABCON SINDCON, que chega à sua 12ª edição como a mais completa radiografia do setor. O livro será lançado nesta terça-feira (26), durante o evento Conexões Saneamento, em Brasília.

Além da água, o maior desafio do setor – o esgotamento sanitário – também avançou. Em quatro anos, 6 milhões de domicílios foram conectados à rede de esgoto, elevando a cobertura para 69,9% dos lares brasileiros. Foi o maior salto da década, reduzindo um dos déficits mais históricos e persistentes de infraestrutura do país. Na população de menor renda, o crescimento no nível de atendimento foi quase seis vezes maior do que a média nacional.

“Os números mostram que o modelo implantado após o Marco Legal do Saneamento deixou de ser promessa e já é realidade. A cada ano, milhões de famílias passam a ter acesso a água tratada e esgoto, mudando completamente sua qualidade de vida”, afirma Christianne Dias, diretora-executiva da ABCON SINDCON.

Emprego e renda

Os avanços sociais vêm acompanhados de impacto econômico direto. Entre 2019 e 2023, o setor de saneamento registrou crescimento de 20,9% no número de empregos formais, gerando trabalho qualificado em todas as regiões do país. No mesmo período, a remuneração média subiu 11,5% em termos reais, evidenciando a valorização da mão de obra especializada.

A indústria nacional ligada ao setor também ganhou força. A produção de equipamentos e materiais específicos cresceu 97,7% em termos reais, movimentando uma cadeia produtiva que já soma R$ 2,6 bilhões anuais.

Investimentos em alta

O volume de recursos investidos atingiu patamar histórico: R$ 24,7 bilhões em 2023, o maior já registrado. Desde a aprovação do Marco Legal, em 2020, o saneamento recebeu R$ 84 bilhões em aportes, uma média anual 22% superior à dos anos anteriores.

A participação privada impulsionou esse salto: a fatia do setor privado nos investimentos passou de 15,1% para 27,3% em apenas três anos, somando R$ 6,7 bilhões em 2023.

Inclusão social

O foco em famílias de baixa renda aparece também na política de tarifa social. Entre 2019 e 2023, o número de residências beneficiadas cresceu 60%, chegando a 4,1 milhões de lares. Entre os operadores privados, o avanço foi ainda mais expressivo: 587% de aumento, com o percentual de beneficiários saltando de 3,6% para 8,5%.

“Esses dados provam que estamos priorizando quem mais precisa. O saneamento tem sido vetor de inclusão social e de combate às desigualdades históricas do país”, reforça Christianne Dias.

Resumo dos principais avanços:

• 6,3 milhões de domicílios passaram a ter água encanada.

• 6 milhões de domicílios foram conectados à rede de esgoto.

• 674 mil lares de baixa renda tiveram acesso garantido à água.

• 20,9% de crescimento no número de empregos formais no setor.

• 11,5% de aumento real nos salários médios.

• R$ 24,7 bilhões investidos em 2023 – recorde histórico.

Fonte: Panorama

Abcon

Sinocon

Investimento em saneamento promove desenvolvimento econômico, geração de empregos e aumento de renda

30/9/2025

Levantamento do Panorama 2025 da participação privada no Saneamento Básico revelou que, em 2023, o setor bateu todos os recordes: R$24,7 bilhões em investimentos, o maior volume já alcançado, com crescimento real de 5,2% em relação a 2022. Desde a sanção do Marco Legal, os investimentos se mantêm em trajetória ascendente. Entre 2020 e 2023, mesmo enfrentando os desafios de uma pandemia global, foram aplicados R$84 bilhões – uma média anual 22% maior do que nos anos anteriores.

O crescimento dos investimentos no período foi impulsionado, de forma significativa, pela ampliação da participação do setor privado. Entre 2020 e 2023, a participação privada nos investimentos saltou de 15,1% para 27,3% – um crescimento de 12,2 pontos percentuais que culminou em R$ 6,7 bilhões investidos só em 2023.

Fonte: Panorama

Abcon

Sinocon

Como o Verificador Independente Fortalece Concessões e Parcerias Público-Privadas

24/9/2025

LMDM – Consultoria Público Privada

A visão do “verificador independente” começou a ser empregada no Brasil com a promulgação da Lei nº 11.079/2004, que regulamenta concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) e criou o contexto legal para mecanismos de supervisão técnica nos contratos. Com a estruturação das PPPs no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, surgiu a necessidade de profissionais ou empresas capazes de atuar de forma imparcial na fiscalização desses contratos, garantindo transparência, confiabilidade e conformidade técnica.

Nesse contexto, o verificador independente desempenha papel central na governança de contratos de concessão e PPPs, garantindo que a execução contratual seja acompanhada com imparcialidade e foco na entrega de resultados. Embora a legislação federal não defina suas atribuições de forma uniforme, regulamentos locais e contratos consolidaram seu papel, que geralmente inclui validar indicadores de desempenho e universalização, verificar a qualidade dos serviços, analisar investimentos, conferir metodologias aplicadas em cálculos de remuneração e reequilíbrio, além de oferecer suporte regulatório e técnico.

Como agente neutro, ele não representa o poder público, o concessionário nem a agência reguladora, atuando de forma objetiva para gerar confiança entre as partes e segurança para a sociedade. Por meio de relatórios técnicos isentos, contribui para a resolução de potenciais conflitos, torna a fiscalização mais objetiva e fortalece o ambiente regulatório. Quando bem estruturada, sua atuação promove estabilidade e previsibilidade nos contratos de longo prazo, elementos fundamentais para atrair investimentos privados em infraestrutura.

Apresentações do II ENCONSAB

6/8/2025

O II Enconsab foi um espaço de construção coletiva, aprendizado e troca de experiências entre profissionais de diversas áreas e instituições que atuam no setor de saneamento e na contabilidade. A Aesbe disponibilizou as apresentações realizadas durante a segunda edição do Encontro Nacional de Contabilidade no Saneamento Básico, pelo link abaixo:

https://drive.google.com/drive/folders/1cay_KzneuyQyKr0FuF7-KFO2Gl_0YfHg

Resolução Conjunta ANA ANEEL nº 127/2022 (Vigente desde 01/01/2023)

2/5/2025

A Resolução Conjunta ANA ANEEL nº 127, de 26 de julho de 2022, estabeleceu as condições e os procedimentos a serem observados pelos titulares de empreendimentos hidrelétricos com potência instalada superior a 1.000 kW para a instalação e operação de estações hidrológicas, visando ao monitoramento pluviométrico, limnimétrico, defluência, fluviométrico, sedimentométrico e de qualidade da água, e para o acompanhamento do assoreamento de reservatórios.

A norma iniciou sua vigência em 1/1/2023 e se aplica a todos os empreendimentos hidrelétricos com potência instalada maior que 1.000 KW e possui as seguintes etapas de implantação:

  • Etapa 1 - Cadastro da Usina, Empresa e Técnicos;
  • Etapa 2 - Projeto de Instalação de Estações Hidrológicas;
  • Etapa 3 - Relatório de Instalação de Estações Hidrológicas;
  • Etapa 4 - Relatório Anual;
  • Etapa 5 - Projeto para Atualização das Tabelas Cota Área Volume (Apenas para Usinas Hidrelétrica despachadas centralizadamente pelo ONS);
  • Etapa 6 - Relatório para Atualização das Tabelas Cota Área Volume (Apenas para Usinas Hidrelétricas despachadas centralizadamente pelo ONS).

No sentido de esclarecer as etapas de implantação da norma, apresenta-se os documentos "Etapas de Implantação da Resolução Conjunta ANA ANEEL 127/2022" e o "Fluxograma de Implantação da Resolução Conjunta ANA ANEEL 127/2022" onde é possível verificar o fluxo das diversas etapas da referida norma.

Na implementação da Resolução Conjunta a ANA disponibilizará os seguintes documentos orientativos:

Os documentos técnicos de atendimento à Resolução Conjunta, Projetos (Instalação e Atualização CAV) e Relatórios (Instalação, Anual, Atualização CAV), devem ser enviados à ANA por meio de uma Carta de encaminhamento para o seguinte destinatário e endereço e protocolados no E-Protocolo da ANA (https://eprotocolo.ana.gov.br/):”

Fonte: Coordenação de Redes Hidrológicas de Setores Regulados – COSET

Superintendência de Gestão da Rede Hidrometeorológica – SGH

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA

Resolução Conjunta ANA/ANEEL nº 3/2010

2/5/2025

Publicado em 23/09/2020 09h01 Atualizado em 24/08/2022 16h06

A Resolução Conjunta ANEEL/ANA nº 03, de 10 de agosto de 2010, publicada em 20 de outubro de 2010, estabeleceu as condições e os procedimentos a serem observados pelos concessionários e autorizados de geração de energia hidrelétrica para a instalação, operação e manutenção de estações hidrométricas visando ao monitoramento pluviométrico, limnimétrico, fluviométrico, sedimentométrico e de qualidade da água associado a aproveitamentos hidrelétricos.

Com tal Resolução, a ANA assumiu a função de orientar os agentes do setor elétrico sobre os procedimentos de coleta, tratamento e armazenamento dos dados hidrométricos objetos do normativo, bem como sobre a forma de envio dessas informações em formato compatível com o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), o que permitirá a difusão dos dados oriundos do monitoramento hidrológico realizado pelos agentes do setor elétrico.

Objetivando auxiliar o entendimento sobre o processo de implantação da Resolução Conjunta, foi realizado o mapeamento disponível a seguir: Mapeamento do Processo de Implantação da Resolução Conjunta ANA ANEEL nº 3/2010.

Na implementação da Resolução Conjunta a ANA disponibiliza os seguintes documentos orientativos:

O Sistema Hidro, as orientações para sua utilização, bem como o Inventário das Estações Hidrométricas atualizado estão disponíveis em http://hidroweb.ana.gov.br/HidroWeb.asp?TocItem=6010

As empresas devem manter o seu cadastro no âmbito do atendimento da Resolução Conjunta atualizados na ANA (representante legal, endereço, técnico responsável, email e telefone). Ressaltamos que diversos comunicados são realizados por email e enviado aos técnicos cadastrados na ANA.

O envio de dados hidrológicos em tempo real deve seguir as orientações disponíveis no documento Orientações para Envio dos Dados Hidrológicos em Tempo Real das Estações Telemétricas - Versão Maio/2015.

O Projeto de Instalação de Estações Hidrométricas deve ser enviado à ANA em até 6 meses após a obtenção pelo Poder Concedente da autorização ou concessão para exploração do Potencial Hidráulico.

O Relatório de Instalação de Estações Hidrométricas está sendo exigidos à todas as Usinas em operação comercial e é neste documento que há a comprovação da instalação de todas as estações hidrométricas. Nesta fase as estações receberão códigos, a empresa receberá o login e senha para acesso ao sistema WebService da ANA. Cabe ressaltar que é fundamental que as Fichas Descritivas de TODAS as estações hidrométricas sejam enviadas em formato Word.

O Relatório Anual só deve ser encaminhado após a aprovação pela ANA do Relatório de Instalação de Estações Hidrométricas.

Monitoramento Hidrológico do Setor Elétrico

2/5/2025

O monitoramento hidrológico realizado pelas Usinas Hidrelétricas Brasileira é regido por Resolução Conjunta celebrada entre a ANA e ANEEL desde 2010.

A Resolução Conjunta ANA ANEEL n° 3/2010 foi publicada em outubro de 2010 e, desde então, regulamenta o monitoramento hidrológicos por esses entes regulados.

A referida norma ficará vigente até 31/12/2022, pois a nova Resolução Conjunta ANA ANEEL n ° 127/2022, de 26/07/2022, iniciará sua aplicabilidade às Usinas Hidrelétricas com potência instalada maior que 1 MW em 01/01/2023.”

Our Work in Sanitation

We provide specialized auditing, tax, accounting, business advisory and consulting services, technology, training, sustainability, corporate finance, expertise and related services.
Gestão de sustentabilidade

Sustainability Management

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Fusões e Aquisições

Mergers and Acquisitions

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Contabilidade e Auditoria

Accounting and Auditing

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Gestão Regulatória e Controle Patrimonial

Regulatory Management and Asset Control

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Gestão de Desempenho e Riscos

Performance and Risk Management

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Sustainability Management

We can specifically help with:

  • Preparation and/or review of sustainability reports;
  • Audit of the Sustainability Report.

Mergers and Acquisitions

We can specifically help with:

  • Accounting and tax advice;
  • Audits and Due Diligence;
  • Project due diligence for evaluating new investments and initiatives;
  • Fundraising support;
  • Analysis of economic and financial viability;
  • Independent reviews and reports.

Accounting and Auditing

We can specifically help with:

  • Independent auditing of corporate and regulatory financial statements;
  • Support in the implementation of new accounting standards (CPCS/IFRs);
  • Outsourcing of financial, tax and accounting activities;
  • Inventories;
  • Accounting reconcilations;
  • Support in the preparation of Manuals, especially Accounting;
  • Advice on impairment tests.

Regulatory Management and Asset Control

We can specifically help with:

  • Adequacy and formulation of regulatory standards and instruments;
  • Economic and financial assessment of the provision of water supply and sewerage services;
  • Preparation of specific reports for regulatory bodies;
  • Tariff structure and tariff assessment;
  • Advice on the concession renewal process;
  • Advice on procedures related to environmental regulation;
  • Mapping, analysis, adaptation of property records and attributes of materials, equipment, and facilities that make up the concession assets;
  • Asset valuation for the purpose of contracting insurance;
  • Equity valuation for the purpose of incorporating or selling assets (pre- or post-acquisition and/or merger);
  • Adequacy or implementation of performance measurement information systems and decision-making elements related to:
    I) Regulatory Activity Indicators;
    II) Service Delivery Indicators;
    III) Social Control Indicators;
    IV) Monitoring the Indicators;
    V) Municipal Sanitation Plan;
    VI) Supervision;
    VII) Administrative Processes;
    VIII) General Data of the municipality of the concessions;
  • Trainings and technical training courses.

Performance and Risk Management

We can specifically help with:

  • Internal Audit;
  • Corporate risk management;
  • Construction implementation management and project management;
  • Fraud prevention process;
  • Tax advice;
  • Implementation of corporate governance and risk management practices;
  • Advice on the selection of suppliers and contract management;
  • Support for international investors in the region, with tax, financial and regulatory advice;
  • Advice, compliance and international tax structure;
  • Advice and implementation of corporate governance projects;
  • Strategy for shared service centers.

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