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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Resumo das Notícias de Hoje

30/7/2025

- LRCAP PARA 2026 (expansão)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) irá acontecer somente em 2026. “Nos próximos dias faremos a consulta para o leilão de capacidade em 2026, com a energia térmica a gás sendo um dos produtos”, destacou Silveira durante o evento de inauguração da térmica Gás Natural Açu II, em São João da Barra (RJ), nesta segunda-feira, 28 de julho.

> Leia mais em “MME confirma LRCAP para 2026”: https://bit.ly/3UxrzCu

- NOVOS PARÂMETROS DE AVERSÃO AO RISCO (operação)

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico vai aprovar em reunião extraordinária na quinta-feira, 31 de julho, os novos parâmetros de aversão ao risco dos modelos computacionais do setor elétrico. A data foi oficializada em resolução publicada nesta segunda-feira, 28.

> Saiba mais em “CMSE vai aprovar parâmetros de aversão ao risco na quinta-feira, 31”: https://bit.ly/45qfKnR

- EVENTOS (canalenergia)

WEBINAR ESS: Maximizando o potencial energético com sistemas híbridos de armazenamento

Data: 13 de agosto

Local: Online via Zoom

Horário: 10h

Inscrições: http://bit.ly/4f1dIO9”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aporte em transição energética sobe para R$ 20 bi no Porto do Açu: https://bit.ly/4lNZNgV

CEO da Pruma Logística confirma sete acordos vinculantes do complexo portuário para seguimentos de energia, gás, H2 e biocombustíveis.

BNDES aprova R$ 1 bi para Atlas Renewable construir 11 usinas fotovoltaicas em MG: https://bit.ly/473eaJM

Projeto terá capacidade instalada total de 505 MW e um sistema de transmissão associado.

Renova Energia anuncia acordo para desenvolver projeto solar em PE: https://bit.ly/4lQUsFR

Matéria atualizada. Acordo prevê a aquisição do complexo pela European Energy composto pelas usinas Boa Hora 4 a 8, que terá capacidade instalada de 149,6 MW.

Moody’s atribui rating Baa2 à CPFL Energia: https://bit.ly/3H54WST

Rating reflete uma probabilidade muito alta de suporte contínuo de sua acionista controladora, a State Grid.

Fonte: CanalEnergia

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS By CANALENERGIA – 169ª edição de 29/07/2025

30/7/2025

EXCLUSIVO

Temas chave para o setor elétrico nacional precisam ser revisitados com frequência. Um dos nossos prediletos é o armazenamento de energia. Por isso, a repórter Michele Rios fez um boa varredura para checar o que há de novo no segmento. Isso resultou em mais uma reportagem especial do CanalEnergia bem bacana. Ela levantou que o mercado nacional de baterias está em rápida expansão, impulsionado pela transição energética e queda significativa de custos. Os dados são da consultoria Clean Energy Latin America (CELA). Projeta-se um crescimento de 800% no valor movimentado até 2030 e a adição de até 2,5 GWh em 2025. Nada mau. O CanalEnergia ainda oferece aos seus assinantes outra visão importante e bem ampla. Desta vez sobre peculiaridades entre redes elétricas da América Latina. Tudo baseado em novo estudo da consultoria PSR, olho que tudo vê.

ECONOMIA

Com tarifaço ou sem tarifaço o tempo não para no setor elétrico brasileiro. Por isso, vale acompanhar a reunião pública da diretoria da Aneel desta terça-feira, 29. Há apenas dois processos previstos para debate. Só que um deles mexe com os nervos do pessoal que cogita participar do mecanismo concorrencial envolvendo GSF, previsto para acontecer na CCEE nesta próxima sexta-feira, dia 1º de agosto. O que está em jogo é o desconto do fio. Quem prorroga concessão continua tendo direito ao benefício? É isso que agência deverá resolver, bem em cima da data do evento.

E tá preocupado com o destino da Aneel? Então colabore! Até 20 de agosto serão recebidas contribuições e propostas para a elaboração da Agenda Regulatória para o biênio 2026-2027. Para fechar, saiba que a diretoria da agência aprovou novas tarifas para as hidrelétricas cotistas. O valor ficou em R$ 214,98/MWh. Cinquenta e nove usinas terão direito a esse reajuste.

A caneta no MME também não para. Saiu a portaria 114, que traz alterações no cronograma dos leilões de projetos de transmissão. O primeiro de 2026, anote aí, vai ser em março e não mais em abril. Cada segundo importa. Ainda em transmissão, vem aí possível respiro para o sufoco do curtailment. Mas não pra já. A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) informou que está desenvolvendo um estudo estratégico para acrescentar 4 GW à capacidade da malha elétrica do Nordeste. As renováveis agradecem.

E é também lá Nordeste que há grande chance de brotar um grande polo de hidrogênio verde. Planos não faltam. Segundo estudo da consultoria CELA, há 111 projetos na praça, que somam algo em torno de R$ 454 bilhões em investimentos, sendo que uma parte considerável deve se instalar naquela região.

Outra notícia boa é que a Neoenergia e a WEG, algumas das primeiras empresas a divulgarem seus resultados na presente safra trimestral, estrearam a temporada com lucros bem gordinhos. Está tudo lá no CanalEnergia. Vamos ver o que acontece na sequência. A Faria Lima está de plantão!

POLÍTICA

Assunto enguiçado é o que não falta no setor. Mas, o da transferência de titularidade da Amazonas Energia para a Âmbar é um dos mais arrastados. Sim, caro leitor, você não perdeu nada. A juíza da 1ª Vara Cível da Justiça Federal no Amazonas, Jaíza Fraxe, prorrogou mais uma vez o prazo para conclusão da operação. Isso, até pelo menos surgir um acordo administrativo ou judicial sobre a questão. Ou então a finalização dos procedimentos junto à Aneel e ao MME. O que ocorrer primeiro. Façam suas apostas. E como suspense pouco é bobagem, tem mais pressão sobre a Aneel. Juntas, as torcidas do Corinthians e do Flamengo aguardam o resultado da consulta pública que debate o curtailment. A divulgação ficou agora para o final de agosto, segundo informou a diretora Agnes da Costa.

CONSUMO E COMPORTAMENTO

Agosto: mês de tarifa louca! Toca vigiar a família inteira para evitar desperdício de energia. Qualquer deslize pode doer no bolso. A Aneel determinou que a partir do próximo dia 1º fica valendo a Bandeira Vermelha Patamar 2. É aquele velho problema. Com afluências abaixo da média há queda na geração hidrelétrica e acionamento de mais térmicas. Pra ajudar, saiu o IPCA de julho e não deu outra. O grupo Habitação teve alta de 0,98%, mais uma vez puxado pelo custo da conta de luz. Dureza! Pelo menos, a Aneel definiu a Tarifa Bônus de Itaipu, usada pelas distribuidoras para calcular o crédito a ser concedido aos consumidores regulados, nas faturas de energia elétrica emitidas entre 1º e 31 de agosto. Mas não é pra todo mundo. Terão direito ao benefício unidades consumidoras residenciais e rurais com consumo faturado mensal inferior a 350 kWh. E tem mais. Depois de um longo processo de discussão, a agência regulamentou a devolução aos consumidores de créditos tributários resultantes de decisões judiciais que excluem o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Há, enfim, alguma luz no fim do túnel.

EFICIÊNCIA NA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Bom pra segurança e para o bolso do contribuinte. O governo acaba de lançar uma chamada de R$ 151 milhões para eficiência na iluminação pública. Serão selecionados projetos de modernização com recursos do Procel a fundo perdido. Haverá troca de luminárias convencionais por modelos a LED. As propostas devem ser entregues até 31 de outubro.

PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO NA ENEL

Você, cliente das distribuidoras controladas pela Enel que já anda meio desanimado com os serviços prestados, aqui vai mais um motivo de lamentação. Relatório recém-publicado pela CGU (Controladoria-Geral da União) revela que o braço paulista do grupo italiano não cumpriu o plano de contingência elaborado após as chuvas de novembro de 2023. Mas, sobrou também para a Aneel. A recomendação da CGU é que se estabeleça um procedimento de fiscalização específico para situações emergenciais.

GERAÇÃO INFLEXÍVEL

A motivação é louvável, mas o mercado está olhando de esgueio para a Portaria 115. Publicada semana passada pelo MME, a medida determina diretrizes para a otimização do uso de geração inflexível proveniente de termelétricas em cenário de excedentes energéticos. Ou seja, quando sobra geração renovável e dá-lhe curtailment. O governo, portanto, quer permitir que geradores contratados por disponibilidade solicitem redução voluntária da inflexibilidade.”

Fonte: VOLTS By CANALENERGIA – 169ª edição de 29/07/2025

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Confira as consultas públicas terminando nas próximas semanas

30/7/2025

Data final: 04/08/2025

- Consulta Pública 025/2025

Obter subsídios para aprimoramento da minuta do Edital e respectivos Anexos dos Leilões nº 5/2025-ANEEL, nº 6/2025-ANEEL e nº 7/2025-ANEEL, denominados, respectivamente, Leilões de Energia Existente “A-1”, “A-2” e “A-3”, de 2025, os quais se destinam à compra de energia elétrica proveniente de empreendimentos de geração existentes.

- Consulta Pública n°191 de 14/07/2025

Proposta de Metodologia de seleção de áreas para oferta nos procedimentos de cessão de uso, visando o desenvolvimento de projetos eólicos offshore no espaço marinho do Brasil.

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública e https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

28/7/2025

- EFEITOS DO LEILÃO DO GSF (geração)

A diretoria da Aneel vai analisar na próxima terça-feira (29/07) os efeitos da negociação dos débitos do GSF no direito aos descontos nas tarifas de uso (Tust/Tusd) e no período de extensão das outorgas dos empreendimentos. A uma semana do leilão que pretende resolver o passivo de R$ 1,13 bilhão no mercado de curto prazo, a agência recebeu pedidos de esclarecimentos de geradores em relação ao tratamento a ser dado aos dois temas.

> Saiba mais na notícia “Aneel vai analisar efeitos do leilão do GSF sobre descontos no fio e outorgas”: https://bit.ly/4lLuYcN

- CASO AMAZONAS ENERGIA (distribuição)

A juíza da 1ª Vara Civel da Justiça Federal no Amazonas, Jaíza Fraxe, prorrogou mais uma vez o prazo para conclusão da operação da transferência do controle da Amazonas Energia para a Âmbar, do Grupo J&F. A decisão proferida nesta quinta-feira, 24 de julho, estende a prorrogação até que haja um acordo administrativo ou judicial sobre a questão, ou a finalização dos procedimentos junto à Aneel e ao Ministério de Minas e Energia, o que ocorrer primeiro.

> Leia mais em “Justiça prorroga transferência de controle da Amazonas Energia”: https://bit.ly/40Dnbp2

HORÁRIO DE VERÃO (geração)

A Thymos Energia avalia que o retorno do Horário de Verão pode ser uma alternativa viável para mitigar a demanda por eletricidade nos horários de pico e auxiliar na manutenção da confiabilidade do sistema elétrico. A análise é de que pode ocorrer uma otimização da geração renovável durante a vigência da medida em estudo pelo governo. Isso a partir das mudanças e configuração atual da matriz elétrica do país.

> Continue a leitura na matéria “Thymos: Horário de verão pode otimizar geração solar e eólica”: https://bit.ly/3ISVJxr

EVENTOS (canalenergia)

WEBINAR ESS: Maximizando o potencial energético c maom sistemas híbridos de armazenamento

Data: 13 de agosto

Local: Online via Zoom

Horário: 10h

Inscrições: http://bit.ly/4f1dIO9”

- OUTRAS NOTíCIAS DE HOJE

“Reservatórios do SE/CO devem terminar agosto com volume de 59,4%: https://bit.ly/3IPLsCo

“Despacho térmico semanal fica em 9.653 MW med., com custo de R$ 553,9 milhões”.

Migma Energy quer ser plataforma inteligente para investimentos em H2V: https://bit.ly/459uAxW

“Projeto criado no Ceará irá monitorar variáveis de mercado para definir qual uso será mais vantajoso”.

Microrredes ganham protagonismo na nova arquitetura energética do século XXI: https://bit.ly/452NhDb

“Soluções como o EcoStruxure e Microgrid Operation, da Schneider Electric, mostram como a digitalização da infraestrutura elétrica prepara empresas para um futuro mais autônomo, resiliente e eficiente”.”

Fonte: CanalEnergia

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Tarifas de Trump podem custar US$ 2 trilhões até 2027 e frear economia global

28/7/2025

As tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, devem gerar um impacto de US$ 2 trilhões até 2027, segundo a Bloomberg Economics. O nível médio de tarifas americanas chegou a 13,5%, o maior desde a década de 1930 e seis vezes superior ao início do governo Trump.

Desde abril, as tarifas mais amplas atingem parceiros estratégicos como União Europeia, Japão, Canadá, China e Brasil. As medidas têm paralisado investimentos, redesenhado cadeias de suprimentos e pressionado margens e preços. O FMI e a OCDE projetam perda de até 1 ponto percentual no PIB global e aumento de até 0,5 ponto na inflação das economias avançadas até 2026.

Trump elevou tarifas sobre a China para 145% e ameaça sobretaxa de 50% sobre o Brasil.

Caso aplicada, a medida pode reduzir o PIB brasileiro em 0,41% no primeiro ano e afetar o agronegócio.

O FMI alerta para maior volatilidade nos mercados; o JPMorgan prevê queda de 5% nos investimentos globais.

Preços de eletrônicos nos EUA já subiram até 9%, e carros elétricos podem ficar 20% mais caros.”

Fonte: Desperta | exame

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Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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