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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

Ruptura Regulatória na Revisão Tarifária do Transporte de Gás

30/7/2026

A revisão tarifária atualmente em curso representa muito mais do que uma discussão metodológica sobre a valoração da Base Regulatória de Ativos e definirá o grau de confiança que investidores atribuirão ao arcabouço regulatório brasileiro nos próximos anos

Por Edmar Almeida

Coautores: Luciano Losekann e Niagara Rodrigues

17/07/2026

A revisão tarifária das transportadoras de gás natural conduzida pela ANP ocorre em um contexto em que a redução do preço do gás natural passou a ocupar posição central na política energética brasileira. Desde o programa Novo Mercado de Gás, a expectativa de aumentar a competitividade da economia por meio da redução dos custos do insumo tem orientado diversas iniciativas regulatórias.

Nesse ambiente, a revisão das tarifas de transporte deixou de ser uma discussão estritamente técnica sobre remuneração de ativos e assumiu papel estratégico na busca por tarifas menores para consumidores industriais, termelétricas e distribuidoras estaduais.

Apesar de ser compreensível o interesse do Governo Federal em buscar caminhos para a redução dos preços do gás para o consumidor, mudanças inesperadas e sem embasamento técnico no processo de revisão tarifária podem comprometer a promoção de investimentos no setor de gás.

Como a remuneração do capital investido representa parcela significativa da receita permitida das transportadoras, a redução da Base Regulatória de Ativos (BRA) passou a ser vista como um dos principais instrumentos para reduzir as tarifas de transporte.

A lógica é simples: quanto menor a base de ativos reconhecida pelo regulador, menor será a remuneração do capital e, consequentemente, menor será a receita necessária para financiar o serviço. Trata-se, portanto, de uma decisão regulatória que produz efeitos diretos sobre um dos elementos de cálculo da tarifa paga pelos usuários da infraestrutura.

É nesse contexto que a Consulta Pública nº 11/2026 propõe a adoção do Recovered Capital Method (RCM) para valorar a Base Regulatória de Ativos das malhas da TAG e da NTS.

Diferentemente das metodologias tradicionalmente utilizadas na regulação econômica, o RCM considera o histórico de receitas como proxy direta da remuneração dos investimentos para recalcular o valor regulatório dos ativos. Na proposta apresentada pela ANP, retornos considerados superiores à estimativa dos parâmetros regulatórios ao longo do período de operação reduzem significativamente o valor da BRA, produzindo uma expressiva diminuição da remuneração futura das transportadoras.

Previsibilidade rompida

O debate sobre o RCM, entretanto, vai muito além da escolha de uma metodologia de cálculo. O aspecto mais relevante é que sua adoção representa uma ruptura da própria “jurisprudência” regulatória construída pela ANP.

Na revisão tarifária da TBG, realizada em 2019, a agência consolidou como referência a valoração da base regulatória pelo custo histórico depreciado corrigido pela inflação, metodologia amplamente utilizada na regulação de monopólios de infraestrutura em diversos países. Esse precedente conferiu previsibilidade ao processo regulatório e permitiu que os agentes formassem expectativas sobre a forma como investimentos de longo prazo seriam remunerados.

A substituição desse entendimento pelo RCM altera substancialmente essa referência. Embora o método tenha sido utilizado em circunstâncias específicas na Austrália, ele não constitui prática amplamente disseminada na regulação internacional, nem encontra respaldo consistente na literatura especializada como metodologia padrão para determinação da base regulatória de ativos.

Além disso, seus resultados mostram elevada sensibilidade às hipóteses adotadas para parâmetros como custo de capital, taxa livre de risco e prêmio de risco-país. Pequenas alterações nessas premissas podem produzir diferenças expressivas no valor final da BRA, ampliando a percepção de discricionariedade regulatória ex post.

A título de ilustração deste problema, a nota técnica em consulta pública pela ANP utilizou hipóteses distintas para os três períodos considerados no cálculo do custo de capital (2006 – 2013, 2014 – 2018 e 2019 – 2025). Caso a janela de tempo para o cálculo da taxa livre de risco e do Risco Brasil do primeiro período tivesse a mesma duração daquela considerada para o período mais recente (20 anos), a BRA calculada para a Malha Nordeste saltaria de R$ 595 milhões, que é o valor sugerido na nota técnica, para R$ 3,93 bilhões.

Aumento de risco regulatório

Caso a ANP realmente opte por esta mudança de orientação regulatória, a agência provocará um aumento da percepção de risco justamente em um setor caracterizado por investimentos intensivos em capital, ativos específicos e horizontes de amortização que frequentemente ultrapassam trinta anos.

Em atividades dessa natureza, a previsibilidade das regras constitui elemento tão importante quanto a própria taxa de remuneração. Quando investidores passam a considerar possível a revisão ex post dos critérios utilizados para valorar ativos já existentes, aumenta a percepção de risco regulatório, elevando o custo de capital e reduzindo os incentivos para novos investimentos.

A metodologia será aplicada a todos?

Ressalte-se ainda que esta abordagem regulatória heterodoxa poderá não ficar restrita ao segmento do transporte de gás. A ANP ainda tem uma longa jornada pela frente para determinação das metodologias para tarifas negociadas para acesso às infraestruturas essenciais, como segmento do escoamento, tratamento do gás natural, estocagem e terminais de GNL.

Se aplicarem a revisão dos ganhos do passado via o método RCM para o Transporte, por que não aplicar também nestas outras infraestruturas? Afinal, foi justamente para definir tarifas de referência para o acesso negociado para gasodutos de transporte que o método foi utilizado na Austrália.

O momento em que essa discussão ocorre torna seus efeitos ainda mais relevantes. A expansão da produção de gás natural do pré-sal exigirá, nos próximos anos, investimentos significativos na ampliação da infraestrutura de transporte para conectar as novas áreas produtoras do pré-sal aos principais mercados consumidores do Sudeste e do Sul do país, intensificando a competição na molécula posta na costa, principal elemento de custo na formação do preço final.

A construção de novos gasodutos, reforços de capacidade e interligações demandará elevado volume de recursos privados e dependerá de um ambiente regulatório estável, previsível e capaz de oferecer segurança aos investidores.

Curto prazo x longo prazo

É natural que o regulador busque promover ganhos de eficiência e reduzir tarifas para os consumidores. No entanto, políticas voltadas exclusivamente para a redução dos preços de curto prazo podem produzir efeitos adversos sobre a expansão da infraestrutura necessária para garantir a segurança energética e o desenvolvimento do mercado no longo prazo.

O verdadeiro desafio regulatório consiste em encontrar um equilíbrio entre modicidade tarifária e estabilidade institucional, preservando os incentivos econômicos para que novos investimentos continuem sendo realizados.

A revisão tarifária atualmente em curso representa, portanto, muito mais do que uma discussão metodológica sobre a valoração da Base Regulatória de Ativos. Ela definirá o grau de confiança que investidores atribuirão ao arcabouço regulatório brasileiro nos próximos anos.

Em um momento em que o país dispõe de uma oportunidade única para transformar a produção crescente do pré-sal em desenvolvimento econômico e segurança energética, fortalecer a previsibilidade regulatória talvez seja tão importante quanto tentar reduzir tarifas artificialmente no curto prazo.

* Luciano Losekann e Niagara Rodrigues são pesquisadores da Faculdade de Economia da UFF

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Metade Curtailment ou Meta de Curtailment?

30/7/2026

A frustração de mercado por falta de demanda constitui risco empresarial do gerador, não sendo passível de indenização. A regra é simples e justa: a padaria não pode cobrar pelo pão que deixou de vender porque o cliente resolveu comer biscoito.

Por Jerson Kelman

27/07/2026

O Ministério de Minas e Energia (MME) emitiu a Portaria Normativa nº 140/2026 regulamentando o ressarcimento retroativo (de setembro de 2023 a novembro de 2025) a empresas que sofreram cortes na geração de energia (curtailment), conforme previsto na Lei nº 15.269/2025.

A regulação faz uma clara distinção entre:

  • Restrições elétricas/confiabilidade, motivadas pela saturação da capacidade de transmissão ou razões de segurança do sistema;
  • Restrições energéticas, causadas pela simples ausência de demanda para absorver a energia produzida.

Conforme estabelecido pela regulação setorial e pela própria lógica dos contratos de comercialização, a frustração de mercado por falta de demanda constitui risco empresarial do gerador, não sendo passível de indenização. A regra é simples e justa: a padaria não pode cobrar pelo pão que deixou de vender porque o cliente resolveu comer biscoito.

Ocorre que, no cenário recente do Sistema Interligado Nacional (SIN), o curtailment atingiu patamares críticos — ultrapassando, em determinados momentos, a marca de 70% do potencial gerador no Nordeste e no Norte de Minas Gerais. Desse montante cortado, estima-se que cerca de metade venha sendo enquadrada na categoria de restrição energética (sem direito a ressarcimento), enquanto a outra metade é classificada como restrição de escoamento ou confiabilidade (passível de compensação via Encargo de Serviço do Sistema - ESS).

Há quem questione se a metodologia de classificação dos curtailments, que resulta em indenizar aproximadamente a metade da energia ceifada, decorre de uma análise técnico-operacional sólida da física do sistema, ou se trata de uma conveniente "meta de curtailment", moldada pelas limitações contábeis da CCEE e pelo receio do impacto tarifário ao consumidor. Pessoalmente, acredito que a classificação seja feita com base na física do sistema elétrico.

O ressarcimento total poderá ficar em cerca de R$ 3,5 bilhões, dependendo da adesão dos agentes geradores. Os recursos não sairão dos cofres públicos, mas sim de um encontro de contas na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), utilizando parte dos cerca de R$ 6 bilhões que as próprias usinas eólicas e solares devem no âmbito de suas operações.

Porém, como esse saldo devedor das geradoras intermitentes poderia ser direcionado para abater encargos setoriais (como a CDE ou o próprio ESS), trata-se de um arranjo que, no fim das contas, é custeado pelo consumidor. Utiliza-se um crédito do sistema para cobrir a indenização, abrindo mão de uma redução na conta de luz.

Uma solução mais racional seria um rearranjo regulatório que fizesse com que o preço horário da energia (PLD) pudesse flutuar livremente conforme varia o custo marginal de operação, sem estar limitado inferiormente pelo PLDmin.

Se assim fosse, nas horas em que ocorre curtailment por excesso de geração ou falta de consumo — essencialmente as horas ensolaradas e ventiladas —, o PLD seria próximo de zero e as usinas cortadas adquiririam no mercado, praticamente de graça, a energia necessária para honrar seus contratos.

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Resumo das Notícias de Hoje

Dia 29 de julho de 2026, quarta-feira

- EDITAL DO LRCAP DE BATERIAS (geração)

A Aneel aprovou nesta terça-feira, 28 de julho, a abertura de consulta pública com a minuta do edital dos leilões de capacidade para contratação de armazenamento por baterias. A proposta mantém o rateio dos custos da contratação exclusivamente com os geradores, nos termos da regulamentação que a agência vai tentar aprovar em processo específico, antes da publicação do edital.

> Continue a leitura “Aneel aprova abertura de consulta sobre edital do LRCAP de baterias”: https://short-url.cc/1uQ0q

- COMPENSAÇÃO DO CURTAILMENT (negócios e empresas)

Para a agência de classificação de risco Fitch Ratings, as novas regras para compensação pelos cortes na geração de energia podem beneficiar os geradores de energia eólica e solar. O governo definiu as regras na última semana. De acordo com a Fitch, o efeito financeiro deve ser incorporado apenas em 2027, quando os valores serão definidos. As atuais premissas de rating não incorporam compensação por curtailment, uma vez que os valores ainda serão definidos. O impacto nas notas de projetos de infraestrutura dependerá da performance individual.

> Leia mais na notícia “Fitch: compensação do curtailment só deve trazer efeito financeiro em 2027”: https://short-url.cc/1uQeY

- ALTERAÇÕES NAS REGRAS DE COMERCIALIZAÇÃO (comercialização)

A Aneel vai submeter a consulta pública alterações nas Regras de Comercialização para incluir os leilões de capacidade ( LRCAPs) realizados em março de 2026. A revisão proposta contempla termelétricas a óleo combustível e a diesel, a gás natural e a carvão mineral com contratos para início de suprimento a partir de agosto desse ano.

> Saiba mais em “Regras de Comercialização para LRCAP de março vão a consulta pública”: https://short-url.cc/1ArqV”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Tarifas da EDP ES terão reajuste médio de 7,52%: https://short-url.cc/1uQdR

Energia impacta e IPCA-15 vai a 0,06% em julho: https://short-url.cc/1uQd1

BBCE: fenômeno El Niño afeta negociações em contratos: https://short-url.cc/1uQfe”

Fonte: CanalEnergia

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O subsídio do passado e o custo ambiental: a insustentabilidade da nossa reserva de energia

29/7/2026

Por Carlos Nobre

O Brasil atravessa um momento crítico de redefinição de sua matriz elétrica, enfrentando o desafio de integrar uma crescente participação de fontes renováveis variáveis ao SIN (Sistema Interligado Nacional). No entanto, as escolhas recentes para garantir a segurança desse sistema revelam um apego anacrônico aos combustíveis fósseis, financiando o passado em detrimento de um futuro climático seguro.

O resultado dos leilões de reserva de capacidade de 2026 é o retrato de uma política que ignora a eficiência socioeconômica das energias renováveis e a urgência ambiental. Adicionalmente, as energias renováveis (solar e eólica) não somente têm custo menor em comparação com as termelétricas, mas também empregam um número maior de pessoas para a mesma quantidade de energia produzida.

Para assegurar a potência energética nos momentos de maior demanda, o país contratou uma reserva energética que atingirá 16.759 MW até 2031. O problema reside na fonte: a aposta majoritária em usinas termelétricas (UTEs) a gás natural, óleo e carvão mineral.

Ao analisarmos os indicadores de VSPL (Valor Social Presente Líquido), o "Mix dos Leilões" apresenta um saldo negativo de R$ 116,9 bilhões. Isso significa que a sociedade está pagando por uma solução que gera mais custos do que benefícios reais ao bem-estar da população.

Essa ineficiência é agravada por contratos assinados no "preço teto". O custo da disponibilidade de potência de UTEs a gás natural chega a R$ 2,48 milhões por MW ao ano, enquanto as UTEs no Sul do país a carvão mineral importado alcançam R$ 2,24 milhões. São valores exorbitantes para manter usinas que, em sua maioria, operam sob uma lógica de "margem de segurança" que ignora alternativas mais limpas e baratas.

A conta da nossa segurança energética não é apenas financeira; ela é paga em emissões de gases de efeito estufa. O custo social dessas emissões, calculado com base em um preço social de R$ 150 por tonelada de CO2 equivalente, soma R$ 1,8 bilhão por ano no horizonte do estudo. Para o carvão mineral, esse custo social atinge R$ 8,3 bilhões por ano.

Manter usinas com fatores de emissão elevados — como o ciclo aberto de gás natural (0,532 tCO2/MWh) ou o óleo diesel (0,774 tCO2/MWh) — é subsidiar diretamente o agravamento da crise climática. Estamos utilizando o dinheiro do consumidor de energia para manter ativos energéticos que aceleram os eventos extremos devido às emissões de gases de efeito estufa principalmente pela queima de combustíveis fósseis que, por ironia, colocam em risco a nossa própria geração hidrelétrica.

O contraponto a esse modelo fóssil está na tecnologia de sistemas de armazenamento por baterias (BESS). A Análise Custo-Benefício demonstra que o BESS é a melhor alternativa para a formação da reserva de capacidade. Com um IBC (Índice Benefício-Custo) de até 1,32, as baterias oferecem um retorno social positivo, ao contrário das térmicas.

Diferente das UTEs, as baterias resolvem o problema do curtailment (o desperdício de energia renovável solar e eólica quando há excesso de oferta), gerando um benefício evitado de R$ 24,8 bilhões por ano. Além disso, a arbitragem de preços permite que o sistema armazene energia barata durante o dia para entregá-la no pico noturno, gerando receita adicional de R$ 13,7 bilhões por ano.

O Brasil não pode mais ignorar a ciência econômica e climática em seus leilões de energia. A contratação de térmicas ineficientes sob a premissa de segurança é um subsídio ao atraso.

Se o objetivo é a segurança do suprimento energético com sustentabilidade, a transição para sistemas de armazenamento com baterias e a eliminação gradual de fontes de alto carbono não são apenas desejáveis, são imperativas.

O planeta e o bolso do brasileiro não suportam mais o custo invisível de uma reserva que nos prende ao século passado.

Fonte: ECOA | Carlos Nobre

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Resumo das Notícias de Hoje

28/7/2026

Dia 28 de julho de 2026, terça-feira

- A THOPEN PEDE PROTEÇÃO DA JUSTIÇA (negócios e empresas)

A Thopen conseguiu proteção da Justiça por 60 dias contra execuções de dívidas. Essa medida foi concedida pela 6ª Vara Empresarial no Rio de Janeiro. A companhia argumenta que atravessa um período de escassez de liquidez, decorrente de fatores de mercado e decisões estratégicas por administrações anteriores que, segundo a empresa, comprometeram gravemente a liquidez da operação e o equilíbrio da sua estrutura de capital.

> Saiba mais na matéria “Thopen pede proteção para entrar com Recuperação Judicial”: https://shorturl.at/pK8O8

- “JABUTIS” DO PL DA IRRIGAÇÃO (geração)

Associações do setor elétrico enviaram carta conjunta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) em defesa das emendas que retiram os “jabutis” do PL 5.017/2019. O texto do projeto da Câmara dos Deputados tratava de descontos tarifários para irrigação e poços artesianos. A Comissão de Infraestrutura aprovou o texto em votação relâmpago, com contratações obrigatórias de térmicas a gás e pequenas hidrelétricas.

> Leia mais em “Associações defendem emendas que retiram “jabutis” do PL da irrigação”: https://shorturl.at/jUbL2

- ACORDO BRASIL E COREIA (política)

Brasil e República da Coreia deram um novo passo na parceria estratégica no setor energético. Os dois países assinaram nesta segunda-feira, 27 de julho, um Memorando de Entendimento (MoU) sobre cooperação na área de energia, com foco na aceleração da transição energética e no desenvolvimento de tecnologias limpas. O acordo estabelece um novo marco para o desenvolvimento de ações conjuntas em áreas estratégicas do setor energético. Entre os temas prioritários estão energias renováveis, eficiência energética, transmissão e distribuição.

> Continue a leitura na notícia “Brasil e República da Coreia assinam acordo para ampliar cooperação em transição energética e minerais críticos”: https://shorturl.at/vtmoZ”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Engie acerta com WEG para fornecer turbinas da expansão da UHE Jaguara: https://shorturl.at/FJF0O

Investimento será de R$ 1,2 bilhão e inicio da operação está previsto para 2030.

Cosip deve custear, prioritariamente, a Iluminação pública, diz entidade: https://shorturl.at/u4CkL

A reforma Tributária flexibilizou o uso dos recursos da contribuição municipal que pode custear também sistemas de monitoramento de segurança e preservação dos espaços públicos.

Armazenamento em baterias deve crescer 42% entre 2025 e 2030, avalia GlobalData: https://short-url.cc/1Amcx

Fonte: CanalEnergia

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ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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