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Leilão de energia fóssil compromete a política climática do Brasil

15/7/2026

O Brasil vive, de forma dramática, os impactos da crise climática. Secas que ameaçam nossa segurança hídrica e a comida que chega à mesa. Enchentes que destroem vidas e economias inteiras. Ondas de calor que castigam a saúde de todos e incêndios que devoram a Amazônia e os demais biomas do país. Esses eventos não são mais exceções: eles se tornaram a nova realidade do aquecimento global, alimentado pela queima incansável de combustíveis fósseis.

Por um lado, o Brasil assumiu a liderança na COP30, em Belém, junto com dezenas de nações, ao propor o "Mapa do Caminho" para o fim gradual e rápido dos combustíveis fósseis. Por outro, o governo realizou o LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade de Energia Elétrica), que abre caminho para um grande volume de novas usinas termelétricas fósseis.

O LRCap foi apresentado como uma medida de segurança energética. O mecanismo paga as usinas simplesmente para estarem disponíveis e poderem gerar energia quando o sistema mais precisa — especialmente entre 18h e 21h, quando o sol se põe, o vento diminui, as luzes das casas acendem e o consumo dispara. Na prática, porém, ele se transformou num forte incentivo à construção de novas térmicas a gás, carvão e diesel. Em vez de nos ajudar a abandonar os fósseis, o leilão garante que eles continuem poluindo o ar e emitindo GEE (gases de efeito estufa) de nosso sistema elétrico por décadas.

Ao assinar contratos de longo prazo com fontes fósseis, o país manda um sinal claro ao mercado: seguimos na direção oposta àquela que defendemos nos fóruns internacionais e na COP30. Isso cria um sério problema de credibilidade. Não adianta falar bonito lá fora sobre o fim dos fósseis enquanto, aqui dentro, construímos uma expansão estrutural baseada em fontes poluentes.

Essa escolha tem um impacto frontal sobre a Política Nacional de Mudança do Clima e afeta diretamente as metas das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) do Brasil, apresentadas pelo país à ONU por meio da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima. A contradição é alarmante: enquanto o leilão contrata poluição para as próximas décadas, as NDCs estabelecem metas de redução de emissões em toda a economia, com cortes significativos de 53% até 2030 em relação às emissões em 2005, avançando para metas ainda mais ambiciosas de 67% para 2035 e reafirmando o objetivo de neutralidade climática até 2050.

Ao viabilizar novas térmicas fósseis de longa duração, o LRCap dificulta o cumprimento dessas metas e compromete o caminho para o net zero. Não se trata apenas de números: trata-se de coerência. Uma política climática séria não pode aceitar decisões que aumentam as emissões de carbono justamente no setor que deveria liderar a descarbonização.

Outro aspecto crítico é o choque com o mercado de carbono que o Brasil está construindo. Com a regulação avançando, o preço do carbono vai se tornar um instrumento central para guiar investimentos. A dependência de combustíveis fósseis criada pelo LRCap significa que, em poucos anos, essas usinas se tornarão ativos encalhados, caros de operar, incompatíveis com as regras de carbono e fonte de custos adicionais para toda a sociedade. O contribuinte vai pagar duas vezes: na conta de luz e no ajuste do mercado de carbono, enquanto perdemos a oportunidade de investir em soluções verdadeiramente sustentáveis.

Como climatologistas que acompanham há décadas os efeitos da mudança do clima no nosso país, vemos aqui um descompasso estratégico perigoso. A segurança energética é legítima, mas não pode servir de pretexto para atrasar o que é inevitável: o fim dos combustíveis fósseis. O "Mapa do Caminho" internacional que o Brasil ajudou a articular na COP30, com apoio de mais de 80 países, mostra que temos visão e liderança global. Agora precisamos ter coerência aqui em casa.

O Brasil tem tudo para ser protagonista da transição energética: sol de sobra, vento forte e muita água. Em vez de apostar em fósseis inflexíveis, deveríamos priorizar baterias de armazenamento em grande escala, resposta inteligente da demanda, modernização da rede e renováveis despacháveis. Essas alternativas são mais baratas, flexíveis e perfeitamente alinhadas ao futuro de baixo carbono que nossos compromissos internacionais e o mercado de carbono exigem.

A crise climática não aceita contradições. Enquanto o mundo acelera a transição energética, o Brasil não pode se dar ao luxo de defender liderança global e, ao mesmo tempo, apostar em mais décadas de combustíveis fósseis. O LRCap é um erro estratégico. Ainda é possível corrigir o rumo: colocar as soluções limpas no centro das decisões, alinhar toda a política energética à Política Nacional de Mudança do Clima e transformar o discurso da COP30 em ação concreta. O caminho para o fim dos fósseis começa agora, dentro de casa. Só assim o Brasil deixará de ser parte do problema e se tornará, de fato, parte da solução, antes que o custo para o clima, para a economia e para as gerações futuras se torne irreversível.

Cientistas brasileiros lançaram no início de novembro de 2025 na Academia Brasileira de Ciências, e relançaram durante a COP30, o estudo "Brazil Net Zero by 2040", que mostra que o Brasil tem todas as condições de zerar as emissões líquidas dos GEE até 2040, com rápida transição para zerar uso de combustíveis fósseis em todos os setores, especialmente em termelétricas.

Fonte: Ecoa | Carlos Nobre

Resumo das Notícias de Hoje

15/7/2026

Dia 15 de julho de 2026, quarta-feira

- ELECTRA COMERCIALIZADORA (comercialização)

A diretoria da Aneel aprovou por unanimidade a rescisão por inadimplência de 19 Contratos Bilaterais Regulados celebrados pela Electra Comercializadora com 17 distribuidoras de pequeno porte. A proposta votada nesta terça-feira, 14 de junho, prevê tratamento regulatório excepcional a ser aplicado aos processos tarifários dessas empresas, desconsiderando os valores da inadimplência contratual.

> Saiba mais na notícia “Aneel aprova rescisão de contratos da Electra com distribuidoras”: https://shorturl.at/5aa3O

- LRCAP DE BATERIAS (política)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o Brasil pode estar próximo do final da contratação de energia por meio de combustíveis fósseis. Em coletiva realizada em Brasília, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética, ele afirmou que o governo deverá realizar um último leilão fóssil. Porém, este seria de pequeno porte quando comparado ao LRCAP de março. Na oportunidade foram viabilizados 19,5 GW, a maior parte de térmicas na soma das duas etapas do certame.

> Continue a leitura na matéria “Sucesso do LRCAP de baterias pode representar o final dos fósseis no país, avalia Silveira”: https://shorturl.at/PZHrV

- CERTIFICAÇÃO DE OPERADORES DO MERCADO 2026 (mercado)

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) abriu as inscrições para a Certificação de Operadores do Mercado 2026. O prazo segue até 18 de setembro. Já a prova será aplicada em 18 de outubro, em formato on-line.

> Leia mais em “CCEE abre inscrições para certificação de operadores do mercado”: https://short-url.cc/1tMjd”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Abdan quer atualizar marco legal e pressionar por Angra 3: https://shorturl.at/cJrtp

Agenda de ações da associação inclui fortalecimento de órgão regulador e mitigação de impactos para licenciamento de projetos na mineração.

CNPE autoriza suspensão das dívidas de Angra 3 com CEF e BNDES: https://short-url.cc/1tMiE

Geração renovável registra crescimento mais rápido da história, aponta Irena: https://shorturl.at/EsXq2

Relatório confirma a expansão eólica e da solar nessa década no Brasil com crescimentos expressivos para ambas as fontes, a segunda em especial que passou de apenas 135 MW para mais de 60 GW em capacidade instalada.

Fonte:  CanalEnergia

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PARA LER COM CALMA

11/7/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos dessa semana, aqui vai um resumo:

Leilões e Expansão

- Leilão de Transmissão: Axia Energia Sul venceu três dos quatro lotes do segundo leilão de transmissão, que foram devolvidos pela MEZ Energia.  https://shorturl.at/3w4M6

- Leilão de Baterias: MME prevê que o primeiro leilão de armazenamento por baterias (dezembro/2026) aumentará a flexibilidade do sistema elétrico.  https://shorturl.at/5uySR

- Leilões de Energia Existente: Aneel propõe estender de 3 meses para 1 ano o prazo de cobertura de garantias nos leilões A-1, A-2 e A-3.  https://shorturl.at/MjBVQ

Cortes de Geração

- Projeto Piraquê: Entrou em operação para reduzir o curtailment de renováveis no Norte de MG e ampliar escoamento para o Sudeste, com capacidade inicial de 2 GW.  https://shorturl.at/KghAb

- CP45: Aneel revisou minuta sobre cortes de geração e sugeriu nova consulta pública após fase de testes ("operação sombra").  https://shorturl.at/DzR8X

Comercialização

- Preços na BBCE: Contratos de energia caíram após CMO zerado nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste na semana de 4 a 10/07.  https://shorturl.at/9Fcmy

- Liquidação do MCP: CCEE estuda reduzir horizonte de liquidação semanal, mas mudança deve levar pelo menos 1,5 ano para ser implementada caso haja a decisão por seguir com alteração.  https://short-url.cc/1yLky

Regulação e Políticas

- Redata: Senador propõe incluir térmicas no atendimento a data centers, mantendo preferência por renováveis.  https://short-url.cc/1tep2

- Transparência no Despacho: CMSE publicou diretrizes para deliberações sobre geração por garantia de suprimento.  https://short-url.cc/1yTQq

Tendências e Desafios

- Data Centers: ONS alerta que expansão de data centers e hidrogênio verde pressionará o sistema elétrico a partir de 2029.  https://short-url.cc/1yLoB

- Renováveis: Relatório da Irena indica que fontes renováveis evitaram US$ 480 bi em custos com combustíveis fósseis em 2025.  https://shorturl.at/LRkD0

- PDE 2036: EPE lançou caderno com cenário de referência de crescimento médio de 2,5% ao ano para a economia brasileira até 2036. https://shorturl.at/ECgSS

Mercado

- Alessandro Cantarino: Exonerado da Aneel, assumirá como vice-presidente executivo da Abraceel. https://shorturl.at/5bfEj

- Engie: Anunciou oferta de ações que pode chegar a R$ 10,5 bilhões.  https://shorturl.at/cJxDq

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

10/7/2026

Dia 10 de julho de 2026, sexta-feira

- CP45 (geração)

A Aneel já tem uma minuta revisada da resolução resultante da Consulta Pública 45, que trata dos cortes de geração no Sistema Interligado. A nova versão adia para uma etapa posterior a decisão final sobre a aplicação da metodologia proposta pela agência. O documento sugere a abertura de outra CP, após a avaliação dos resultados da fase de testes conhecida como operação sombra.

> Saiba mais na notícia "Nova minuta da CP45 prevê consulta pública após operação sombra": https://shorturl.at/DzR8X

- LEILÕES DE ENERGIA EXISTENTE (expansão)

A Aneel decidiu promover novos ajustes nas regras dos leilões de energia existente de 2026. A proposta do edital dos leilões A-1, A-2 e A-3, amplia o prazo de cobertura das garantias a serem aportadas pelos vendedores de três meses para um ano. O objetivo da medida é reduzir os impactos de eventuais inadimplências de comercializadoras, que tem sido majoritárias nesses certames.

> Continue a leitura na notícia "Aneel propõe estender garantias de leilões de energia existente": https://shorturl.at/MjBVQ

- TRANSPARÊNCIA DO DESPACHO (geração)

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico publicou resolução com diretrizes para transparência das deliberações sobre geração por garantia de suprimento energético. A norma estabelece os procedimentos a serem observados pelo CMSE, antes da autorizar esse tipo de despacho.

> Leia mais na notícia "CMSE publica diretrizes para transparência do despacho por garantia de suprimento": https://short-url.cc/1yTQq”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Wartsila: descompasso entre construção de Data Centers e infraestrutura de energia na América: https://shorturl.at/LESCC

Estudo mostra restrições de conexões e sugere que data centers sejam tratados como infraestrutura de longo prazo.

Light conclui aumento de capital de R$ 1,5 bilhão: https://shorturl.at/SGF5b

Companhia encerra a subscrição das sobras, completa a captação e avança para a etapa de conversão de dívidas prevista no plano de recuperação judicial.

Echoenergia aposta em qualidade para crescer na comercialização: https://shorturl.at/SJTVD

Comercializadora foi a sexta maior varejista de 2025, acompanha o movimento de abertura do mercado e vê chance de consolidação do setor.”

Fonte: CanalEnergia

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PAUTA DA 14ª REUNIÃO PÚBLICA ORDINÁRIA DA DIRETORIA DE 2026

10/7/2026

RELAÇÃO DOS ASSUNTOS RELATIVOS AOS AGENTES DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO.


1. Processo: 48500.030071/2025-99 Assunto: Resultado da Revisão Tarifária Periódica da Energisa Sul-Sudeste – Distribuidora de Energia S.A. – ESS, após análise das contribuições recebidas na Consulta Pública nº 10/2026. Área Responsável: Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica - STR.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior

2. Processo: 48500.004063/2020-82 Assunto: Análise dos contratos firmados entre comercializadoras e distribuidoras de pequeno porte. Área Responsável: Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica - STR, Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota

3. Processo: 48500.027624/2025-26 Assunto: Proposta de abertura de Consulta Pública com vistas a colher subsídios e informações adicionais para a revisão da metodologia do Fator X – Componente de Produtividade (Pd). Área Responsável: Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica - STR.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior

4. Processo: 48500.006650/2023-59 Assunto: Proposta de abertura de Consulta Pública com vistas a colher subsídios e informações adicionais para a avaliação de redes subterrâneas e demais padrões de rede para o aumento da resiliência dos sistemas de distribuição de energia frente ao aumento de eventos climáticos extremos ou severos. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - STD.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior

5. Processo: 48500.017275/2026-15 Assunto: Proposta de abertura de Consulta Pública com vistas a colher subsídios e informações adicionais para o aprimoramento do Edital do Prêmio ANEEL de Inovação 2026. Área Responsável: Superintendência de Inovação e Transição Energética - STE.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota

6. Processo: 48500.002008/2024-81 Assunto: Recurso Administrativo interposto pelas empresas Ventos de São Vítor 12 Energias Renováveis S.A., Ventos de São Vítor 13 Energias Renováveis S.A., Ventos de São Vítor 14 Energias Renováveis S.A., Sol do Sertão OB I Energia Solar Ltda., Sol do Sertão OB II Energia Solar Ltda. e Sol do Sertão OB III Energia Solar Ltda. contra os Autos de Infração nº 49 a nº 59/2024, lavrados pela Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica – SFT, por meio dos quais foram aplicadas multas às Recorrentes após fiscalização que teve como objetivo analisar as causas da propagação da perturbação observada no Sistema Interligado Nacional – SIN, em 15 de agosto de 2023. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica - SFT, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva

7. Processo: 48500.006496/2023-15 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Equatorial Goiás Distribuidora de Energia S.A. contra o Auto de Infração nº 24/2025, lavrado pela Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado – SFF, que aplicou a penalidade de multa em decorrência de não conformidades registradas em ação fiscalizadora que verificou conduta que atentou contra a concorrência efetiva e o desenvolvimento normal das operações do mercado de energia elétrica. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado - SFF, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva

8. Processo: 48500.037386/2025-67 Assunto: Pedido de Reconsideração interposto pela Centrais Elétricas de Pernambuco S.A. – Epesa contra a Resolução Normativa nº 1.157/2026, que estabeleceu requisitos e procedimentos referentes ao mecanismo excepcional para tratamento de outorgas de geração e dos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão – CUSTs celebrados por centrais geradoras. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
* Processo destacado do 11º Circuito Deliberativo Público Ordinário de 2026

9. Processo: 48500.037603/2025-19 Assunto: Requerimento de anuência prévia para transferência de controle societário indireto da Concessionária São Francisco Transmissão de Energia S.A. com pedido de alteração de cronograma de implantação. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado - SFF.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
* Processo com deliberação suspensa na 13ª Reunião Pública Ordinária de 2026

10. Processo: 48500.000001/1997-09 Assunto: Prorrogação da concessão para exploração da Usina Hidrelétrica – UHE Salto Santiago, outorgada à Engie Brasil Energia S.A., localizada no município de Saudade do Iguaçu, estado do Paraná. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva

BLOCO DA PAUTA

Os itens de 11 a 31 serão deliberados em bloco, conforme os arts. 42 e 49 da Norma de Organização ANEEL nº 1, aprovada pela Resolução Normativa nº 1.133/2025


11. Processo: 48500.000407/2024-16 Assunto: Requerimento Administrativo protocolado pela Energia Sustentável do Brasil S.A. – ESBR com vistas ao cálculo de extensão da outorga da Usina Hidrelétrica – UHE Jirau, nos termos do artigo 3º-C da Lei nº 10.848/2004, incluído pela Lei nº 14.146/2021. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Diretor(a)-Relator(a) do Voto-Vista: Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Minutas de voto e ato                                                                 Minutas de voto-vista e ato

12. Processo: 48500.000118/2024-17 Assunto: Recurso Administrativo interposto por Álvaro Perez Júnior contra decisão da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo – ARSESP, referente ao pedido de ligação nova na área de concessão da Neoenergia Elektro. Área Responsável: Superintendência de Mediação Administrativa e das Relações de Consumo - SMA, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

13. Processo: 48500.006644/2025-63 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Enel Distribuição Ceará – Enel CE contra decisão da Agência Reguladora do Estado do Ceará – ARCE, referente ao pedido de devolução em dobro dos valores faturados a maior por erro de classificação de unidades consumidoras sob a titularidade do município de Independência, estado do Ceará. Área Responsável: Superintendência de Mediação Administrativa e das Relações de Consumo - SMA, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

14. Processo: 48500.002603/2024-17 Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Enel Distribuição Ceará – Enel CE contra decisão da Agência Reguladora do Estado do Ceará – ARCE, referente ao pedido de devolução em dobro dos valores faturados a maior por erro de classificação de unidades consumidoras sob a titularidade do município de Pedra Branca, estado do Ceará. Área Responsável: Superintendência de Mediação Administrativa e das Relações de Consumo - SMA, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

15. Processo: 48500.004924/2010-51 Assunto: Pedidos de Reconsideração interpostos pela Associação de Energia Solar Fotovoltaica da Bahia – Bahia Solar, pela Associação Brasileira de Geração Distribuída – ABGD, pelas empresas Faro Energy, KWP Energia, Gdsolar Holding, Casa Forte, Órigo, Mori, Solargrid, Canadian e pelo Instituto de Energia Limpa – Inel contra a Resolução Normativa nº 1.059/2023, que aprimorou as regras para a conexão e o faturamento de centrais de microgeração e minigeração distribuída em sistemas de distribuição de energia elétrica e deu outras providências. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Minutas de voto e ato

16. Processo: 48500.005573/2026-62 Assunto: Pedido de Reconsideração interposto pela Axia Energia S.A. (Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobras) contra a Resolução Autorizativa nº 16.648/2026, que autorizou a Recorrente a implantar as Melhorias de Grande Porte em instalação de transmissão de energia elétrica sob sua responsabilidade, estabeleceu os valores das correspondentes parcelas da Receita Anual Permitida – RAP e deu outras providências referentes ao Contrato de Concessão nº 62/2001. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Minutas de voto e ato

17. Processo: 48500.002822/2026-68 Assunto: Pedido de Impugnação apresentado pelos agentes Autódromo Energética S.A., Boa Fé Energética S.A., Serrana Energética S.A. – Palanquinho, Criúva Energética S.A. – PCH Criúva e São Paulo Energética S.A. contra decisão da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, em sua 1.504ª reunião, referente ao parcelamento dos débitos na liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo – MCP. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

18. Processo: 48500.001094/2026-77 Assunto: Pedido de Impugnação apresentado pela RGE Sul Distribuidora de Energia S.A. – RGE contra a decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS referente ao pleito de afastamento da incidência da Parcela por Ineficiência de Ultrapassagem – PIU e do Adicional de Encargos de Uso do Sistema de Transmissão – ADCEUST, em decorrência da ultrapassagem do Montante de Uso do Sistema de Transmissão – MUST no ponto de conexão Cidade Industrial. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica - STD.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Minutas de voto e ato

19. Processo: 48500.025392/2025-71, 48500.026202/2025-33 Assunto: Pedido de Impugnação apresentado pela Termopernambuco S.A. contra a decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS referente à Apuração de indisponibilidade da Central Geradora Térmica – UTE Termopernambuco. Área Responsável: Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica - SGM.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Diretor(a)-Relator(a) do Voto-Vista: Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Minutas de voto e ato                                                                     Minutas de voto-vista e ato

20. Processo: 48500.018909/2026-57 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado pelas empresas N9 Energia Ltda., Cooperativa de Energização e Desenvolvimento Rural do Bolsao do Estado de Mato Grosso do Sul, AMS Empreendimentos Hoteleiros Ltda., Saleh Pousada do Lago Ltda., Indústria de Plásticos Antônio Carlos Ltda., Madeireira Cachoeira Ltda., Carlos Costa Epp., Sulfrios Indústria, Comércio e Transporte de Alimentos Ltda. e Horst Alimentos Ltda. com vistas a determinar a abertura de janela excepcional de migração das unidades consumidoras das Requerentes vinculadas às carteiras da Electra Comercializadora Varejista Ltda. e da Electra Comercializadora de Energia S.A., para fins de portabilidade para outro Comercializador Varejista Substituto. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

21. Processo: 48500.017201/2026-89 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado pela EDP São Paulo Distribuição de Energia S.A. com vistas a suspender as cobranças de Adicional de Encargos de Uso do Sistema de Transmissão – ADCEUST e da Parcela de Ineficiência por Ultrapassagem – PIU, emitidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, decorrentes de ultrapassagens do Montante de Uso do Sistema de Transmissão – MUST pela Requerente verificadas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2026, bem como dos meses vincendos de abril a dezembro de 2026 impactados pelas restrições na contratação de MUST, até a análise de mérito do requerimento. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

22. Processo: 48500.017765/2026-11 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado por Jesuíno Barbosa Junior com vistas a determinar que a Equatorial Goiás Distribuidora de Energia S.A. proceda à manutenção dos efeitos do Orçamento de Conexão nº 184997604, referente ao projeto de Micro e Minigeração Distribuída – MMGD na unidade consumidora do Requerente, localizada em Jataí, estado do Goiás. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

23. Processo: 48500.001394/2026-56 Assunto: Pedido de Medida Cautelar protocolado pela Deputada Federal Delegada Adriana Accorsi com vistas a determinar a suspensão imediata do projeto referente à passagem da Linha de Distribuição Anhanguera – Riviera, localizada no município de Aparecida de Goiânia, estado de Goiás, na área de concessão da Equatorial Goiás Distribuidora de Energia S.A. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

24. Processo: 48500.001134/2024-19, 48500.034958/2025-56 Assunto: Requerimento Administrativo protocolado pela Neoenergia Itabapoana Transmissão de Energia S.A. com vistas ao reconhecimento de excludente de responsabilidade pelo atraso na entrada em operação comercial da Linha de Transmissão Campos 2 – Mutum e à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do Contrato de Concessão nº 3/2019; e Recurso Administrativo interposto pela Neoenergia Itabapoana Transmissão de Energia S.A. contra o Despacho nº 3.162/2025, emitido pela Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica – SCE, que deu provimento parcial ao pleito da Recorrente, reconhecendo 90 dias de excludente de sua responsabilidade pelo atraso na disponibilização das instalações objeto do Contrato de Concessão nº 3/2019. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Minutas de voto e ato

25. Processo: 48500.009101/2026-89 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL Paulista, das áreas de terra necessárias à implantação da Subestação Campinas 27, localizada no município de Campinas, estado de São Paulo. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

26. Processo: 48500.010474/2026-01 Assunto: Declaração de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, em favor da Copel Distribuição S.A. – Copel-DIS, das áreas de terra necessárias à implantação da Subestação APPA, localizada no município de Paranaguá, estado do Paraná. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sa Junior
Minutas de voto e ato

27. Processo: 48500.016421/2026-95 Assunto: Autorização e estabelecimento de parcela de Receita Anual Permitida – RAP pela realização de reforços em instalações de transmissão sob responsabilidade da ISA Energia Brasil S.A., Contrato de Concessão nº 59/2001. Área Responsável: Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica - SCE.
Diretor(a)-Relator(a): Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto e ato

28. Processo: 48100.000139/1996-77, 48100.000152/1996-35 Assunto: Prorrogação do prazo de pedido de vista referente aos Recursos Administrativos interpostos pela Paulista Geradora de Energia S.A. contra os Despachos nº 931/2025 e nº 1.078/2025, emitidos pela Superintendência de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica – SCE, que vetaram o ingresso na Geração Distribuída dos empreendimentos de Aproveitamento Hidrelétrico – AHE Guaraú e Cascata, respectivamente. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Willamy Moreira Frota
Diretor(a)-Relator(a) do Voto-Vista: Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto                                                

29. Processo: 48500.006391/2022-85 Assunto: Prorrogação do prazo de pedido de vista referente ao Resultado da Consulta Pública nº 37/2024, que trata dos pedidos de Revisão Tarifária Extraordinária das concessionárias de distribuição Light, Neoenergia Coelba, Neoenergia Pernambuco, Neoenergia Cosern, Neoenergia Brasília e Copel devido à pandemia de Covid-19, nos termos do Submódulo 2.10 dos Procedimentos de Regulação Tarifária – PRORET. Área Responsável: Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica - STR.
Diretor(a)-Relator(a): Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva
Diretor(a)-Relator(a) do Voto-Vista: Gentil Nogueira de Sá Júnior
Minutas de voto                                                          

30. Processo: 48500.002735/2024-49 Assunto: Ratificação da decisão proferida no 11º Circuito Deliberativo Público Ordinário de 2026, referente ao Recurso Administrativo interposto pela Novo Atacado Comércio de Alimentos Ltda. contra o Auto de Infração nº 144/2024, lavrado pela Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica – SFT, por meio do qual foi aplicada multa à Recorrente, após fiscalização que teve como objetivo analisar as causas da propagação da perturbação observada no Sistema Interligado Nacional – SIN em 15 de agosto de 2023. Área Responsável: Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica - SFT, Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

31. Processo: 48500.002231/2024-29 Assunto: Ratificação da decisão proferida no 11º Circuito Deliberativo Público Ordinário de 2026, referente ao Recurso Administrativo interposto pela Equatorial Alagoas Distribuidora de Energia S.A. contra o Auto de Infração nº 1/2024, lavrado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas – ARSAL, decorrente da fiscalização acerca da qualidade do fornecimento de energia elétrica. Área Responsável: Diretoria Colegiada da Aneel - DIRC-ANEEL.
Diretor(a)-Relator(a): Agnes Maria de Aragão da Costa
Minutas de voto e ato

Fonte: Aneel

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Os desafios do Setor Elétrico Brasileiro em busca de flexibilidade

9/7/2026

Nivalde de Castro

David Alexander

Gustavo Esteves

O Setor Elétrico Brasileiro (SEB) está passando por uma transformação acelerada, reflexo direto do processo de transição energética, que está, entre tantas outras variáveis, impactando os padrões da operação. Durante décadas, planejar o SEB significava, em essência, responder a duas perguntas. Há energia suficiente? Há potência suficiente para atender à demanda? Essas duas dimensões, energia e potência, fundamentaram um qualificado marco regulatório, organizaram leilões de energia nova supercompetitivos e viabilizaram investimentos de capital intensivo e longo prazo de maturação permitindo superar o trauma do Apagão de 2001. Hoje, todavia, uma nova dimensão se impõe com urgência crescente: a flexibilidade.

No contexto de um sistema elétrico, a flexibilidade é a capacidade de acomodar variações rápidas entre oferta e demanda de energia elétrica para garantir, ao extremo, o equilíbrio operativo. No SEB, os atributos e a capacidade de flexibilidade existem e são utilizados pelo Opera dor Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a partir das usinas hidrelétricas, pilar fundamental da matriz elétrica brasileira.

Em condições climáticas adequadas, uma hidrelétrica é, por natureza, um recurso flexível, uma vez que pode aumentar ou reduzir a geração com relativa rapidez, funcionando como um amortecedor natural e eficiente das variações que ocorrem no Sistema Interligado Nacional (SIN). No entanto, esse amortecedor foi dimensionado para uma configuração do sistema que está em rápido e irreversível processo de mutação.

A expansão vigorosa das fontes renováveis variáveis, em especial a solar fotovoltaica, alterou de forma estrutural a dinâmica de expansão da oferta no SEB. Painéis instalados em telhados residenciais, comércios e indústrias injetam energia na rede de distribuição ao longo do dia, reduzindo a necessidade de suprimento pelo SIN no período de maior incidência solar. Contudo, a injeção de energia recua abruptamente no final da tarde, exatamente quando a demanda começa a subir, dinâmica que resulta na chamada “curva do pato”. Este “pato” é a configuração de uma depressão pronunciada na necessidade de oferta do SIN durante as horas de sol e uma rampa ascendente ao entardecer, momento em que o sistema precisa recompor a oferta com os recursos disponíveis no SIN em pouco tempo. Destaca-se que, à medida que a micro e minigeração distribuída (MMGD) avança, essa rampa se torna cada vez mais inclinada, desafiadora e perigosa para a harmonia do SIN.

Em termos quantitativos, a matriz elétrica brasileira já ultrapassou 40 GW de capacidade instalada de MMGD e as projeções elaboradas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam cenários de expansão ainda mais elevados para o futuro breve. O que mais chama a atenção, entretanto, não são os números atuais, mas o fato de que projeções anteriores sistematicamente subestimaram essa trajetória, com patamares de capacidade sendo atingidos com anos de antecedência em relação às estimativas originais da EPE, evidenciando o crescimento desenfreada dessa modalidade.

Isso acontece, pois a expansão da MMGD não dentro de uma lógica de atender a demanda futura a partir de leilões centralizados com cronogramas definidos, mas sim de decisões individuais de consumidores, empresas e investidores, em busca dos benefícios dados pelos subsídios, considerando os preços dos equipamentos, as linhas de crédito capilares e o diferencial das tarifas de energia que vigoram entre o mercado cativo e mercado livre. Assim, as decisões de investimento são descentralizadas e sem nenhuma relação direta como o aumento da demanda, sendo muito difícil de prever a sua expansão com os instrumentos tradicionais de planejamento setorial.

Diante desse quadro, as mudanças no modus operandi do ONS já são visíveis e cada vez mais imprescindíveis, frente às situações em que a geração renovável excede a demanda. De forma mais precisa: a capacidade de absorção de energia do sistema em determinadas regiões e horários é insuficiente frente à oferta, o que obriga a imposição de cortes na geração como uma medida essencial de segurança. São os chamados curtailments por razão energética.

Como os cortes, todavia, nem sempre podem ser previamente planejados, em razão de variações imprevistas de frequência que podem comprometer a segurança da rede, foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), seguindo o seu ritual formal, um novo procedimento denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG). Trata-se de um mecanismo que atua cortando a oferta (geração), e não demanda (carga), nos momentos de sobreoferta, sendo uma salvaguarda operativa legítima, mas que, por definição, é emergencial. Deste modo, o fato de o SIN precisar recorrer frequentemente a esse tipo de mecanismo é um indicador de que a insuficiência de flexibilidade é um problema de curto prazo, mas que tende a se agravar.

Para enfrentar, do ponto de vista estrutural, a carência crescente de flexibilidade, o Ministério de Minas e Energia (MME), através da Portaria Normativa nº 136/2026, instituiu o primeiro leilão do tipo reserva de capacidade (LRCAP), dedicado exclusivamente a sistemas de armazenamento por baterias (BESS, sigla em inglês) capaz simultaneamente de reduzir os curtailments. Os empreendimentos que vencerem terão um contrato regulado com duração de 15 anos, com operação prevista para agosto de 2028. A incorporação de baterias a serem operadas pelo ONS é um avanço relevante e representa um passo concreto na direção de uma solução estrutural para o problema da flexibilidade.

Vale também considerar o contraste com o instrumento imediatamente anterior, o leilão de reserva de capacidade para contratação de usinas termelétricas, realizado recentemente. Os dois leilões respondem ao mesmo desafio operativo, a necessidade de capacidade firme para cobrir os momentos de rampas em que a geração, ao anoitecer, não dá conta da demanda. As termelétricas, entretanto, implicam em custos de contratação e operação mais elevados e emissões de gases de efeito estufa incompatíveis com as diretrizes que o próprio governo vem construindo no âmbito da Política Nacional de Transição Energética e do Plano Nacional de Transição Energética (Plante).

Por outro lado, o leilão de baterias e, em breve, o leilão para sistemas de armazenamento de energia hidrológico, conhecido por usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs), apontam na direção correta de ampliar a diversificação dos instrumentos de flexibilidade, com a vantagem adicional de reduzirem os cortes de energia ao longo do dia, pois os sistemas poderão carregar o armazenamento nos momentos de excesso de oferta.

Um ponto central na análise é que o desafio da flexibilidade do SIN não será resolvido por um único instrumento, por mais bem desenhado que seja. A resposta qualificada está na direção de um mix de soluções de flexibilidade e nos atributos que cada alternativa pode conferir ao sistema. Os BESS são uma peça fundamental desse portfólio. Sua resposta é praticamente instantânea, sua modularidade permite a instalação próxima aos pontos de pressão na rede e sua capacidade de arbitragem temporal, isto é, de armazenar energia no período de sol e devolvê-la ao entardecer, endereça diretamente o problema da rampa solar. Entretanto, a sua baixa capacidade de armazenamento e a vida útil das baterias para longos períodos de uso são fatores restritivos. Diante disso, a diversificação de soluções é vantajosa e essencial para prover resiliência à matriz energética.

Na direção da diversificação, UHRs mostram-se como o ativo de flexibilidade ainda mais valioso da matriz brasileira e seu papel tende a se tornar estratégico à medida que a matriz se torna mais variável, funcionando como um armazenamento de grande escala e longa duração. São projetos de maturação mais lenta e custo mais elevado, mas que oferecem atributos de flexibilidade, vida útil do ativo e capacidade de armazenamento de longa duração significativos. Leilão para esta tecnologia de armazenamento é esperada pelos agentes já para 2027 com início de operação em 2032.

Adicionalmente, é importante ressaltar a importância da realização de leilões de armazenamento mais recorrentes e previsíveis. A previsibilidade é importante para que as cadeias produtivas se consolidem e as decisões de investimento possam ser incorporadas ao planejamento estratégico dos agentes econômicos. A existência de um calendário reduz o custo de capital dos projetos, atrai investidores que hoje precificam o risco regulatório de forma conservadora e, principalmente, permite recalibrar volumes a cada ciclo, diante de uma variável independente, como a MMGD, que já demonstrou repetidamente ser capaz de superar qualquer projeção estática.

Porém, nenhuma dessas possibilidades é uma “bala de prata”. Cada uma tem custos, limitações e resistências, além de estágios distintos de custos, viabilidade econômica e maturidade tecnológica. Destaca-se os futuros editais dos leilões são plenamente capazes de considerar essas diferenças e estimular ao máximo a competição em benefício dos consumidores do SEB.

Nestes termos, deve-se estar atento e dar prioridade a como compor um portfólio de flexibilidade que seja, ao mesmo tempo, tecnicamente eficaz, economicamente sustentável e alinhado com a trajetória do processo de transição energética que está em curso no Brasil. O primeiro leilão de baterias é, portanto, o início de uma nova e dinâmica fronteira de investimentos em sistemas de armazenamento.

Fonte: GESEL – Grupo de Estudos do Setor Elétrico UFRJ

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