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Sinais de Preço e Resposta da Demanda: o papel das baterias na era da tarifação horária compulsória

16/6/2026

Paulo Steele     Helder Sousa     Rodolfo Ribeiro

1. A evolução regulatória da Tarifa Branca e o fim da inércia tarifária

1.1 O histórico do modelo voluntário (opt-in)

A busca por uma sinalização econômica eficiente para os consumidores conectados em baixa tensão no cenário brasileiro possui raízes profundas, remontando à idealização da antiga Tarifa Amarela, em 1985. Após um longo período de amadurecimento das discussões do setor, o conceito foi reformulado e deu origem à Tarifa Branca por meio da Resolução Normativa nº 733/2016 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) — posteriormente compilada na Resolução Normativa nº 1.000/2021.

Concebida sob a premissa de refletir os custos horários associados à prestação do serviço de transporte na rede de distribuição (componente TUSD Transporte), a Tarifa Branca pretendia alinhar a cobrança ao estresse que o perfil de consumo impõe à infraestrutura. Contudo, o modelo original de adesão espontânea e voluntária mostrou-se ineficaz. Até o ano de 2025, a modalidade havia alcançado cerca de 0,09% do mercado elegível em termos de energia consumida.

Esse cenário é atribuído, em grande parte, às dificuldades de comunicação para o engajamento do consumidor final e à própria estrutura regulatória definida no Submódulo 7.1 dos Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret) na época. É importante ressaltar que o modelo foi proposto em um contexto tecnológico distinto do atual, quando a rede elétrica ainda não possuía a dinâmica e a bidirecionalidade proporcionadas hoje pela geração distribuída e pelos sistemas de armazenamento. Naquele cenário, a simples migração tarifária poderia gerar vantagens ou prejuízos sem que houvesse, de fato, uma mudança real no comportamento do consumidor.

Para evitar movimentos oportunistas que pudessem distorcer o sinal de preços e para preservar o equilíbrio econômico-financeiro das concessões — buscando a neutralidade de receita —, o regulador instituiu o parâmetro kz. Essa trava funcionava como um sistema de freios e contrapesos que, no contexto da época, era visto como um zelo necessário para a estabilidade do setor. No entanto, ao equilibrar as contas, esse mecanismo de proteção acabou limitando os ganhos financeiros potenciais da transição. Como consequência, o sistema travou a própria efetividade do sinal econômico que pretendia criar, esvaziando o incentivo principal para que o usuário alterasse ativamente os seus hábitos de consumo.

1.2 A "Curva do Pato" e a nova abordagem compulsória

O cenário de estagnação da Tarifa Branca colidiu com a rápida transformação do perfil de geração e carga do sistema elétrico brasileiro. O crescimento exponencial da MMGD impulsionou o surgimento da chamada "Curva do Pato" — um fenômeno sistêmico caracterizado por uma severa sobreoferta de energia solar no meio do dia, seguida por uma rampa abrupta de elevação da demanda e necessidade de acionamento de geração térmica ao anoitecer.

É essencial destacar que a modernização tarifária não é uma pauta repentina para a Aneel. O regulador vem pavimentando esse caminho com debates estruturais desde 2018 (nas discussões sobre a tarifa binômia na baixa tensão), passando pela aprovação dos sandboxes tarifários em 2022 e, mais recentemente, pela Tomada de Subsídios nº 11/2023.

O que ocorreu, diante da urgência imposta pela “Curva do Pato”, foi uma decisão estratégica de antecipar as etapas desse roadmap regulatório. A Aneel alterou sua postura rumo a uma indução assertiva de eficiência motivada pela confluência de três fatores críticos: os resultados concretos obtidos nos sandboxes, o amadurecimento da agenda de modernização tarifária e a necessidade inadiável de criar estímulos reais para a modulação de carga.

Por meio da Nota Técnica Conjunta nº 8/2025 e da subsequente instauração da Consulta Pública nº 046/2025, as superintendências técnicas da Agência propuseram a transição automática e compulsória para a tarifação horária focada, inicialmente, nos grandes consumidores da baixa tensão. O cronograma proposto prevê que, até o fim de 2026, todos os consumidores dos subgrupos B1 (residencial), B2 (rural) e B3 (comercial e industrial) com consumo mensal igual ou superior a 1.000 kWh sejam enquadrados compulsoriamente na nova sistemática horária. Embora representem apenas 2,5% do total de unidades consumidoras do segmento, esse grupo responde por expressivos 25% do seu consumo total.

O planejamento regulatório propõe ainda uma ampliação do rol de consumidores alcançados a partir de 2027, reduzindo o corte de enquadramento automático para consumos acima de 600 kWh/mês.

1.3 Custos marginais e a anatomia dos perfis de uso

Para compreender como a metodologia da Aneel transforma a relação dos usuários com a rede, é imperativo mergulhar na engenharia das tarifas. O modelo de cálculo tarifário considera dezenas de perfis típicos de uso, conhecidos como curvas de carga, segregados por classes de consumo, contemplando os setores comercial, industrial, residencial, rural, serviço público e iluminação pública. Essa abordagem analítica busca incorporar ao cálculo tarifário as especificidades setoriais intrínsecas a cada segmento, como os hábitos de consumo, o padrão de utilização da rede e a posse de equipamentos.

O verdadeiro termômetro econômico do sistema, no entanto, surge quando esses dados comportamentais são sobrepostos à realidade física da infraestrutura elétrica. A metodologia estabelece que, ao cruzar os perfis típicos de uso com os carregamentos observados nas redes de distribuição, o regulador obtém curvas horárias de custos estritamente associadas à prestação do serviço de transporte.

O resultado desse cruzamento revela os chamados Custos Marginais de Capacidade, que estimam o impacto econômico exato que ocorre na margem do sistema: o quanto custa expandir ou reforçar a rede de distribuição para atender o acréscimo de 1 kW na demanda.

Dentro da metodologia tarifária fundamentada nesses parâmetros, os custos são traduzidos em componentes tarifárias. São esses custos marginais de capacidade que fundamentam e calibram o valor da componente TUSD Transporte, atuando como uma espécie de fator de ponderação entre os níveis de tensão que rateiam os custos de distribuição e transmissão. Eles buscam garantir que a tarifa reflita de forma precisa e técnica os custos reais de atendimento. Ao revelar o custo exato de cada quilowatt exigido em horários críticos, a metodologia expõe o peso que o perfil estático — isto é, o comportamento inercial e inflexível do consumidor tradicional, que utiliza a energia sem reagir aos sinais de preço — exerce sobre a rede de distribuição.

Sabendo como a distribuidora precifica a expansão de sua rede hora a hora, o usuário equipado com sistemas de gestão automatizada, capacidade analítica e armazenamento de energia poderia moldar ativamente o seu próprio perfil de carga. Com essas tecnologias, ele passa a transitar exclusivamente nas janelas tarifárias de menor custo, beneficiando a si mesmo financeiramente e contribuindo para otimizar a utilização e mitigar a expansão das redes.

1.4 Simulações da tarifa reformulada sob a premissa de inércia comportamental

Para compreender o real impacto dessa modernização, o artigo anterior apresentou simulações em que foram removidas as amarras do parâmetro kz e adotada uma Tarifa Branca “reformulada”, concebida como um reflexo mais direto dos custos marginais de capacidade das redes.

Nessa abordagem, o mecanismo de contenção associado ao kz foi substituído pelo método tradicional de reconciliação de receita, aplicado de forma agregada por nível de tensão. Com isso, a sinalização tarifária passa a refletir com maior fidelidade os custos horários de utilização da infraestrutura elétrica, evidenciando e reduzindo subsídios cruzados historicamente embutidos na tarifa convencional, em especial aqueles em que consumidores comerciais e industriais de baixa tensão acabam contribuindo para financiar o estresse de rede provocado pelo pico noturno predominantemente residencial.

O modelo hipotético testado pela TR Soluções estruturou o sinal de preços que resultaria em uma Tarifa Branca reformulada com quatro postos tarifários bem definidos:

  • Posto 1 (Madrugada - 23h às 07h59): redução de 90% em relação à TUSD Transporte Convencional;
  • Posto 2 (Matutino - 08h às 13h59): redução de 74%;
  • Posto 3 (Vespertino - 14h às 17h59): zona de transição com redução sutil de 3%;
  • Posto 4 (Noturno - 18h às 22h59): elevação abrupta de 240%.

Assumindo uma premissa de inércia comportamental absoluta — isto é, pressupondo que os consumidores manterão estritamente as suas curvas de carga atuais —, as simulações baseadas nos dados reais da concessão revelam um impacto profundamente assimétrico entre as classes de consumo. O subgrupo B3 (comercial e industrial), cuja atividade ocorre majoritariamente no período diurno, é amplamente beneficiado de forma automática: 85,1% de seus consumidores obteriam uma redução média de 23,1% na fatura da TUSD Transporte sem qualquer alteração de rotina. De igual modo, o subgrupo B2 (rural) apresenta um saldo altamente positivo, com 73,9% dos usuários capturando uma redução média de 22,0% em função de perfis já otimizados, como o de irrigação noturna.

O grande gargalo reside no subgrupo B1 (residencial), que responde por 65,4% do mercado analisado. Devido à forte concentração de demanda no início da noite — impulsionada não apenas pelas cargas históricas, mas, cada vez mais, pelos novos hábitos de consumo gerados pela eletrificação da economia —, a inércia comportamental submetida à Tarifa Branca reformulada puniria 53,5% dos consumidores residenciais. Esse cenário de passividade geraria um aumento médio ponderado de 22,2% na fatura de transporte desse contingente, o que empurraria a média geral do subgrupo B1 para uma alta de 8,0%.

1.5 A quebra da inércia pela tecnologia

Os resultados projetados para o setor residencial, contudo, são válidos apenas sob o cenário estático da passividade do consumidor. A grande tese trazida pela modernização do setor elétrico é que a imposição de um sinal de preço rigoroso, transparente e tecnicamente bem estabelecido atua como o principal catalisador para a quebra definitiva dessa inércia comportamental. Um exemplo claro dessa força indutora é a tarifa de aplicação de R$ 1.622,50/MWh no Posto 4 (Noturno - 18h às 22h59) descrita na Tabela 1 — valor que não se trata de uma tarifa oficial publicada pela Aneel, mas sim o resultado do modelo hipotético de Tarifa Branca reformulada definido pela TR Soluções.

Tabela 1 - Tarifas de Aplicação reformuladas pela TR Soluções para o grupo B

Tarifas de Aplicação reformuladas pela TR Soluções para o grupo B
Fonte: Plataforma ESTRUTURA, da TR Soluções.

1.5.1 Viabilidade dos veículos elétricos

A mudança nos hábitos de consumo, aliada à viabilidade de novas tecnologias, altera de forma significativa a relação do usuário com a rede de distribuição. A expansão acelerada da eletromobilidade é o maior expoente dessa transformação: segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de veículos eletrificados cresceram dez vezes mais que o conjunto do mercado automotivo em 2025, atingindo a marca expressiva de 224 mil unidades comercializadas, com um ritmo de adesão ainda mais acelerado registrado no início de 2026.

A introdução de veículos elétricos a bateria (BEV) ou híbridos plug-in (PHEV), por exemplo, adiciona uma carga substancial que pode ser deslocada integralmente para a madrugada (Posto 1), permitindo uma redução de até 90% nos custos relativos à componente de transporte de energia, para o caso específico analisado, da Cemig.

Para assegurar uma comparação aderente à realidade operacional, a análise de custos considerou os seguintes parâmetros técnicos e tributários:

  • Eficiência veicular: rendimento urbano de 6 km/kWh para o veículo elétrico, 12 km/l para veículos movidos a gasolina e 8,5 km/l para o etanol.
  • Custo de combustíveis: valores de mercado de R$ 6,29/l para a gasolina e R$ 4,21/l para o etanol.
  • Custo efetivo da energia: as tarifas de energia (Cemig) foram calculadas considerando os impostos: ICMS (18%), PIS/PASEP (1,25%) e COFINS (5,75%).
  • Distância analisada: projeção de rodagem mensal de 1.000 km, visando mensurar o impacto financeiro.

Sob este cenário, a diferença de custos operacionais entre motores a combustão e elétricos é substancial. Enquanto o gasto mensal com combustíveis fica entre R$ 495 (etanol) e R$ 524 (gasolina), o veículo elétrico apresenta custos significativamente menores. Contudo, a efetividade dessa economia depende dos hábitos de consumo e da modalidade tarifária adotada:

  • Custo padrão (Tarifa Convencional): sob uma tarifa com custo fixo de energia, independente do horário, o custo mensal é de R$ 197.
  • Otimização máxima (Tarifa Branca - madrugada): o carregamento veicular restrito à faixa das 23h às 8h reduz o custo mensal de energia para R$ 126, o que representa uma economia de aproximadamente 76% frente ao uso da gasolina.
  • Cenário crítico (Tarifa Branca - noturno): realizar o carregamento durante o horário de ponta (entre 18h e 22h59) representa a condição tarifária mais onerosa, elevando o custo mensal para R$ 355.

Cabe ressaltar, contudo, que a magnitude dessa economia possui um caráter marcadamente regional devido à complexa assimetria tributária brasileira. O cálculo do custo efetivo da energia, ao incorporar alíquotas 'por dentro', sofre forte variação a depender das normativas de cobrança e das regras de isenção de ICMS vigentes em cada estado. A variação dos custos dos combustíveis líquidos também tem implicações nas vantagens econômicas.

A análise evidencia que a gestão de custos dos veículos elétricos com a adoção da Tarifa Branca depende diretamente da modulação de hábitos de recarga. O carregamento planejado na madrugada maximiza o retorno financeiro do veículo, enquanto a manutenção da Tarifa Convencional mitiga a exposição pontual aos altos custos do horário de ponta. Em suma, a viabilidade microeconômica da eletromobilidade passa a estar intrinsecamente ligada à discricionariedade do consumidor sobre seus horários de recarga.

Sob a perspectiva do planejador de redes, o comportamento agregado dessas frotas de veículos elétricos sob diferentes estímulos tarifários dita a sustentabilidade dos ativos de distribuição. O carregamento desordenado e concentrado no início da noite sobrecarrega subestações e alimentadores locais que já operam no limite devido ao pico residencial tradicional. Portanto, a calibração precisa dos postos horários na Tarifa Branca atua como uma ferramenta de gestão de ativos que otimiza o fator de utilização da infraestrutura existente e posterga a necessidade de investimentos na expansão da capacidade de transporte.

1.5.2 O papel do armazenamento na mitigação da Tarifa Compulsória

A Figura 1 apresenta um dos 15 perfis típicos de carga residencial utilizados na definição da estrutura tarifária da Cemig na revisão tarifária de 2023. À época, esse perfil representava cerca de 12% do consumo residencial e, em uma eventual reformulação da Tarifa Branca nos moldes idealizados pela TR Soluções, essa classe estaria sujeita a um aumento de aproximadamente 11% na fatura de energia elétrica.

Figura 1 - Residencial: perfil típico sem modulação

Residencial: perfil típico sem modulação
Fonte: Plataforma ESTRUTURA, da TR Soluções.

Para um consumo de 1.000 kWh mensais com o perfil típico indicado na Figura 1, sem modulação de carga, a migração compulsória para uma Tarifa Branca reformulada, nos moldes idealizados pela TR Soluções, representaria um aumento de despesas, encarecendo a fatura mensal em R$ 141,24, para R$ 1.374,83. Isso ocorre porque o comportamento padrão da residência concentra grande parte do uso (mais de 35%) no horário Noturno, e o custo elevado cobrado nesse período de pico absorve completamente qualquer economia gerada nas horas mais baratas da madrugada.

Portanto, diante do iminente enquadramento obrigatório, os consumidores que mantiverem seus hábitos originais enfrentarão um aumento inevitável de custos operacionais. Como a alteração da rotina familiar de consumo noturno é, na prática, inviável, a solução técnica definitiva para mitigar esse impacto seria o armazenamento e a modulação inteligente de carga.

A instalação de um banco de baterias aliada à gestão de grandes cargas permite o deslocamento do consumo do horário crítico para a madrugada. Para ilustrar o impacto financeiro dessa estratégia, foram simulados dois cenários de modulação em comparação à fatura não modulada de R$ 1.374:

  • Modulação parcial (atenuação do pico): nesse cenário, o sistema de baterias e a automação são configurados para suprir a demanda da casa apenas nas horas iniciais e mais críticas do posto Noturno (das 18h às 20h), transferindo o carregamento do sistema para a madrugada. Essa manobra gera uma economia direta de R$ 299 mensais, (aproximadamente R$ 3.600 anuais em relação à Tarifa Branca reformulada sem gestão de carga).

Figura 2 - Residencial: perfil típico com modulação parcial

Residencial: perfil típico com modulação parcial
Fonte: Plataforma ESTRUTURA, da TR Soluções.
  • Modulação Extrema (deslocamento total do posto noturno): representa o nível máximo de eficiência. O banco de baterias e a gestão inteligente eliminariam 100% do consumo da rede da concessionária durante todo o posto Noturno (das 18h às 22h59). A madrugada passa a concentrar quase 68% do consumo da casa. O resultado seria a redução da fatura para R$ 865. Ao concentrar a aquisição de energia nos horários de tarifa mínima e evitar integralmente o horário de ponta, o sistema proporcionaria uma economia expressiva de R$ 509 mensais (mais de R$ 6.100 anuais) frente à conta original da Tarifa Branca reformulada.

Figura 3 - Residencial: perfil típico com modulação extrema

Residencial: perfil típico com modulação extrema
Fonte: Plataforma ESTRUTURA, da TR Soluções.

1.5.3 Paybacks dos sistemas de armazenamento

A principal vantagem do uso de sistemas de armazenamento para a modulação de carga é a preservação integral do conforto e da conveniência dos consumidores. Diferentemente de medidas de racionamento, a automação com baterias atua de forma imperceptível, garantindo o suprimento de energia enquanto o sistema gerencia as tarifas de forma autônoma nos bastidores.

Do ponto de vista financeiro, a viabilidade apresenta-se altamente atrativa. Para atender à demanda do cenário de modulação extrema (que requer o armazenamento de cerca de 11,8 kWh diários para utilização no horário de ponta), um banco de baterias de lítio (LiFePO4) de 15 kWh demanda um investimento estimado em R$ 20.000 — pressupondo uma infraestrutura já provida de um inversor híbrido. Diante de uma economia anual superior a R$ 6.100, o retorno sobre o investimento (payback) ocorre em aproximadamente 3,5 anos. Como os módulos de lítio modernos possuem vida útil superior a 10 anos (ou 6.000 ciclos), o equipamento assegura mais de seis anos de retorno líquido após a sua completa amortização.

Mas, apesar da elevada atratividade financeira inicial, uma modelagem de viabilidade rigorosa deve necessariamente ponderar o estresse operacional sobre o CAPEX e o OPEX do sistema. A adoção de um cenário de modulação extrema, que exige ciclos diários profundos de carga e descarga para anular integralmente o consumo no posto Noturno, acelera a degradação física das células de armazenamento. Dessa forma, é prudente que o prosumidor incorpore ao seu planejamento financeiro uma taxa de perda de capacidade anual (“State of Health – SoH”) ao longo da vida útil estimada do equipamento, além de prever custos com a manutenção ou a eventual substituição do inversor híbrido neste horizonte de longo prazo, garantindo que a rentabilidade projetada suporte a realidade operacional da tecnologia.

Vale destacar que, além da otimização financeira, a adoção dessa tecnologia eleva o padrão de qualidade da instalação elétrica residencial ao fornecer resiliência contra interrupções no fornecimento. Em eventos de queda da rede pública, o sistema atua de forma imediata como uma fonte de alimentação ininterrupta (UPS) de alta capacidade, mantendo os equipamentos essenciais e a conectividade em operação. Adicionalmente, os inversores híbridos asseguram um fornecimento de energia estabilizado, protegendo os eletrodomésticos contra oscilações de tensão e surtos da rede, o que prolonga a vida útil dos aparelhos e mitiga prejuízos associados à qualidade da energia entregue pela distribuidora.

A adoção da Tarifa Branca encontra no armazenamento de energia o seu complemento perfeito, gerando uma poderosa sinergia econômica. Longe de atuar apenas como uma salvaguarda contra falhas da rede, a tecnologia consolida-se como uma ferramenta de mercado indispensável para mitigar a exposição aos horários de ponta, assegurar previsibilidade financeira e expandir a autonomia residencial.

Dessa forma, o consumidor deixa de ser um elemento passivo, condicionado à sua curva típica de consumo, e passa a atuar como um agente ativo na gestão da própria demanda.

2. Baterias e a Tarifa Branca: do risco percebido à liberação regulatória

A interseção entre a Tarifa Branca e o uso estratégico da tecnologia de armazenamento de energia foi o epicentro de um dos embates mais intensos da 2ª fase da Consulta Pública Aneel nº 39/2023 (CP 39). No centro da discussão estava o direito de acesso à modalidade horária para unidades consumidoras de baixa tensão (Grupo B) equipadas com sistemas de armazenamento colocalizados. A trajetória desse debate ilustra perfeitamente a tensão entre o conservadorismo protetivo do regulador e a inevitabilidade da transição energética capitaneada pelo prosumidor.

2.1 O receio da agência e a vedação ao acesso

Na minuta original submetida à consulta pública, a Aneel propôs a vedação expressa à adesão à Tarifa Branca para unidades com baterias colocalizadas.

O racional técnico da Agência ancorava-se na previsibilidade do sistema e na proteção do usuário. Isso porque os postos tarifários originais (ponta e fora de ponta) foram calibrados com base em curvas de carga típicas, que não contemplam a alteração drástica e artificial de perfil que um sistema de armazenamento gera. O maior temor do regulador era o risco de falha: caso o equipamento sofresse uma pane ou apresentasse desempenho abaixo do esperado justamente no horário de ponta, quando a energia é substancialmente mais cara, o consumidor sofreria uma elevação em seu faturamento. Sem tempo hábil para adequar seu consumo manualmente, essa oscilação abrupta poderia, na visão da Agência, desencadear uma onda de insatisfação e reclamações.

2.2 Inovação contra o retrocesso

A proposta de restrição foi recebida com forte oposição e unanimemente criticada por diversas entidades do setor elétrico, como ABEEólica, ABGD, ABSAE, Athon Energia, COGEN, EDP, Bright Strategies, entre outras. Os agentes do mercado uniram-se para classificar a medida como um grave retrocesso regulatório, fundamentando a defesa da liberação nos seguintes pilares:

  • Maximização dos benefícios sistêmicos: a essência e principal vocação da Tarifa Branca é induzir o deslocamento do consumo para os períodos de menor demanda. A combinação com o armazenamento potencializa esse objetivo à máxima eficiência, permitindo ao consumidor comprar energia no posto fora de ponta (barata) para consumi-la ou injetá-la no horário de ponta.
  • Alívio imediato para a rede: essa flexibilidade operacional drena o consumo nos momentos críticos de maior estresse da infraestrutura. Esse comportamento alivia o SIN e atua diretamente na postergação de investimentos em reforços e expansão das redes.
  • Inconsistência e falta de fundamentação: as entidades apontaram que a vedação foi proposta de forma arbitrária, sem ter sido submetida a uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) prévia e sem motivação técnica específica que a justificasse.
  • Asfixia da inovação: restringir o acesso a essa modalidade desincentivaria frontalmente a implantação de tecnologias limpas e flexíveis em ambientes residenciais, comerciais e industriais. A proibição colocaria o mercado brasileiro na contramão das megatendências globais de transição energética.

2.3 Neutralidade tecnológica e a assunção de riscos

Diante da robustez técnica das contribuições recebidas, a Aneel demonstrou maturidade institucional ao reavaliar o tema e recuar de sua posição original. Sua deliberação final reconheceu que os benefícios sistêmicos proporcionados pela gestão ativa do consumo superam amplamente os temores iniciais. Ao liberar o acesso, o regulador abraçou o princípio da neutralidade tecnológica e pavimentou o caminho para a estruturação de mercados muito mais sofisticados na baixa tensão, como os programas de resposta da demanda, a criação de usinas virtuais de energia (Virtual Power Plant - VPP) e a futura prestação de serviços ancilares.

Contudo, a liberação consolidou um novo paradigma de responsabilidade. A Aneel deixou claro que a tutela do Estado tem limites: o consumidor que optar por explorar a Tarifa Branca utilizando baterias assume integralmente os riscos inerentes à operação de seu equipamento. Se o sistema falhar durante o horário de ponta, o consumidor arcará com a exposição financeira à tarifa majorada. É uma contrapartida justa da modernização: a liberdade de gerenciar a própria demanda e mitigar custos do sistema exige planejamento, manutenção adequada e gestão de risco por parte do novo consumidor.

3. A assimetria tarifária e o SAE como grande equalizador

A transição para a Tarifa Branca expõe uma vulnerabilidade inerente aos consumidores beneficiários de MMGD. Se por um lado a geração distribuída democratizou o acesso à energia limpa, por outro, a tarifação horária introduz um obstáculo financeiro severo para esses sistemas. Nesse cenário, o SAE pode se consolidar como solução de viabilidade de mercado, bem como vetor para o amadurecimento de modelos de negócio mais sofisticados que agreguem benefícios tanto para os prosumidores quanto para o sistema.

3.1 O descasamento temporal e o fator de ajuste (a perda de valor da energia)

O modelo tradicional de MMGD solar, local ou remota, sofre de um descasamento temporal em relação aos momentos de maior estresse do sistema. A usina injeta o seu volume máximo de energia na rede durante o dia, período que coincide com o horário Fora de Ponta da Tarifa Branca. O problema surge quando a unidade consumidora vinculada à MMGD utiliza essa energia à noite, usualmente durante o horário de Ponta, caracterizado por custos substancialmente mais elevados.

Pelas regras de compensação vigentes, a energia não é trocada simplesmente na proporção de "um para um" quando a energia é compensada em horário distinto daquele em que foi injetada. A regulamentação exige que o abatimento obedeça à relação econômica entre as Tarifas de Energia dos postos tarifários (TE Ponta / TE Fora de Ponta).

As discussões técnicas levantadas durante a CP 39 apontaram que, historicamente, esse fator de ajuste tem variado em média entre 1,6 e 2,1 no Brasil. Na prática, isso cria uma assimetria financeira considerável: o consumidor precisa gerar e injetar na rede cerca de 2 kWh de energia solar durante o dia para conseguir abater apenas 1 kWh do seu consumo no horário de ponta noturno. O resultado é uma perda massiva de eficiência na compensação, reduzindo drasticamente a atratividade e o retorno financeiro do investimento em usinas locais e remotas para clientes submetidos à tarifa horária.

3.2. SAE colocalizado na carga: arbitragem e proteção tarifária

Para contornar essa penalização imposta pelo fator de ajuste, a introdução de um SAE colocalizado na unidade consumidora atua como o escudo perfeito. O armazenamento resolve a ineficiência do descasamento temporal ao permitir que o consumidor arbitre o uso da energia.

A estratégia operacional passa a ser simples e altamente rentável:

  • Carregamento (Fora de Ponta): o consumidor programa sua bateria para carregar durante o dia, absorvendo energia da rede. Como esse consumo ocorre no horário Fora de Ponta, é abatido na proporção ideal de 1 para 1 pelos créditos gerados simultaneamente por sua usina solar.
  • Descarregamento (Ponta): quando o sistema entra no horário de Ponta e a tarifa atinge o seu pico de preço, o consumidor passa a suprir a sua carga interna com a bateria.

Com essa manobra e a depender do dimensionamento dos sistemas, o consumidor pode zerar o seu consumo da rede no horário mais caro, blindando-se contra o "deságio" da energia. O SAE maximiza o valor dos créditos solares, garantindo que toda a energia gerada seja aproveitada em sua eficiência econômica máxima, sem as perdas impostas pela conversão entre os postos tarifários.

3.3. SAE na geração: a inversão da lógica de mercado

O potencial do armazenamento se expande ainda mais quando se analisa sua instalação diretamente na usina de MMGD remota. Essa alternativa, amplamente defendida pelos agentes do setor, permite evitar prejuízos e inverte a regra do fator de ajuste a favor do consumidor.

Ao associar as baterias ao local da geração, o empreendedor passa a armazenar a produção de energia de fonte solar ao longo do dia, podendo injetá-la na rede intencionalmente durante o horário de Ponta. Sob essa configuração, a assimetria regulatória passa a atuar como uma alavanca de benefícios:

  • Multiplicação de créditos: como a injeção ocorre no período em que a Tarifa de Energia (TE) é mais cara, cada 1 kWh injetado no horário de ponta passa a valer muito mais, gerando créditos multiplicados para serem usados nos demais horários.
  • Abatimento exponencial: esses créditos "valorizados" poderão abater um volume significativamente maior de consumo nos períodos Fora de Ponta das diversas unidades beneficiárias do consórcio ou cooperativa.

Para ilustrar esse mecanismo, imagine um cenário em que as TE em A4 e em BT sejam as destacadas nas tabelas a seguir:

Tabela 2 - Tarifas de Aplicação para o Grupo A (Cemig 2026)

Tarifas de Aplicação para o Grupo A (Cemig 2026)
Fonte: Resolução Homologatória Aneel nº 3.589/2026.

Tabela 3 - Tarifas de Aplicação para o Grupo B (Cemig 2026)

Tarifas de Aplicação para o Grupo B (Cemig 2026)
Fonte: Resolução Homologatória Aneel nº 3.589/2026.

Ao instalar SAE colocalizado à usina em A4, a bateria armazena a energia solar gerada de dia e a injeta propositalmente na rede durante o horário de Ponta. Nesse momento, a injeção em A4 passa a ser valorada pela TE Ponta, que é de R$ 474,22/MWh. Assim, a lógica de mercado se inverte a favor do consumidor submetido à modalidade Convencional:

  • O fator de ajuste se torna um "ágio" relevante. A relação (TE Ponta A4 / TE Convencional) é de 474,22 / 310,21, resultando em um fator de ajuste de 1,53.
  • Cada 1 kWh de energia armazenada e injetada pela usina A4 no horário de ponta se transforma em crédito suficiente para abater 1,53 kWh do consumo diurno nas unidades de Baixa Tensão.

No caso de o consumidor de BT estar submetido à Tarifa Branca com consumo (destino) da energia gerada e injetada em A4 (origem) no posto fora de ponta, a relação (TE Ponta A4 / TE Branca) seria de 474,22 / 295,27, resultando em um fator de ajuste de 1,60.

Além da clara vantagem econômica, essa estratégia fornece um serviço importante ao SIN. A injeção concentrada de energia no horário de ponta alivia a infraestrutura da rede de distribuição e transmissão exatamente quando ela é mais exigida, mitigando os efeitos nocivos da "Curva do Pato" e reduzindo o risco de sobrecargas noturnas. Além disso, é justamente esse tipo de resposta da demanda que possibilita mitigar a necessidade de contratação de reserva de capacidade para atendimento dos requisitos de potência do SIN.

Em síntese, seja protegendo o consumidor final na ponta do consumo ou multiplicando os créditos na ponta da geração, os sistemas de armazenamento estabelecem a infraestrutura física necessária para viabilizar mecanismos de resposta da demanda. Como já discutido em artigo anterior publicado pela TR Soluções sobre a escalada de custos do Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCAP), cujas projeções para 2032 apontam para um pico de arrecadação setorial de R$ 53 bilhões decorrente dos leilões de potência, dotar o consumidor de capacidade preditiva e de modulação ativa de carga transforma o usuário passivo em um agente estratégico de estabilização do SIN. O armazenamento de energia, acoplado a sinais tarifários eficientes, prova ser a peça que faltava no quebra-cabeça da Tarifa Branca, convertendo um risco de reajuste em uma ferramenta de modicidade tarifária e eficiência sistêmica.

A despeito de seus inegáveis benefícios, é imperativo que os agentes de mercado reconheçam que a arbitragem tarifária na geração remota (A4) carrega um risco regulatório latente. Historicamente, a Aneel tem atuado para coibir mecanismos que interpreta como arbitragens puramente financeiras, especialmente se o ganho em escala proporcionado pelo armazenamento começar a se traduzir em um dreno não previsto para as contas de compensação das distribuidoras. À medida que o uso de baterias para a multiplicação intencional de créditos no horário de ponta ganhar tração comercial massiva, é altamente provável que essa 'inversão da lógica' enfrente severo escrutínio em próximos ciclos de revisão tarifária ou em futuras atualizações da Resolução Normativa nº 1.000/2021. Portanto, investidores de usinas remotas devem estruturar seus modelos de negócio prevendo não apenas salvaguardas jurídicas, mas também cenários de estresse regulatório que contemplem eventuais alterações nos fatores de ajuste e nas regras de injeção horária.

4. Conclusão

A iminente transição compulsória para a Tarifa Branca representa um divisor de águas no setor elétrico brasileiro, extinguindo definitivamente a era da inércia tarifária para grandes consumidores da baixa tensão. Se, por um lado, essa mudança regulatória impõe um ônus financeiro aos perfis de consumo tradicionais e expõe o descasamento temporal da MMGD, por outro, inaugura uma janela de oportunidades para a gestão ativa da demanda.

Como demonstrado, a adoção de tecnologias de flexibilização atua como o principal catalisador dessa nova realidade. A modulação estratégica de grandes cargas — a exemplo do carregamento de veículos elétricos deslocado para a madrugada — ilustra a capacidade de reduzir drasticamente as despesas com recarga ao se beneficiar diretamente da sinalização de preços da componente de transporte. Contudo, é a integração dos Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) – representados no mercado principalmente pelos sistemas de baterias (BESS) – que promove a verdadeira disrupção nos modelos de negócio do setor.

Do ponto de vista sistêmico, os benefícios dessa quebra de inércia comportamental transbordam as fronteiras da redução de custo individual do grande consumidor de baixa tensão. Ao atenuar as rampas de carga e achatar as pontas de demanda do sistema, o uso agregado de baterias distribuídas atua como um recurso descentralizado de flexibilidade e segurança operacional. Esse avanço reduz diretamente a necessidade de o poder concedente acionar recursos mais caros nos momentos críticos ou promover leilões de reserva de capacidade para fins de potência, cujos custos bilionários são rateados por todos os usuários. Mais do que depender de uma complexa regulamentação sobre os equipamentos instalados por trás do medidor (behind the meter), a consolidação de sinais de preço que estimulem a arbitragem tarifária e a gestão inteligente da demanda — viabilizada por uma Tarifa Branca compulsória e aderente aos custos reais — desenha-se como a alternativa mais factível e imediata para desonerar os encargos setoriais que hoje pesam sobre a matriz elétrica nacional.

As baterias consolidam-se como o grande equalizador regulatório. Sejam localizadas na carga para blindar o consumidor contra os altos custos do horário de ponta, ou instaladas em usinas geradoras remotas para promover a arbitragem do fator de ajuste — convertendo o deságio da energia em ganho econômico na compensação —, o armazenamento inverte a lógica de mercado a favor do investidor.

Em última análise, o SAE deixa de ser uma tecnologia de nicho ou um mero mecanismo de contingência para se estabelecer como o alicerce da viabilidade econômica do prosumidor moderno. Mais do que assegurar rentabilidade, previsibilidade e independência financeira, a inserção estratégica das baterias e a modulação de cargas prestam um serviço essencial à estabilidade do Sistema Interligado Nacional, aliviando o estresse da infraestrutura nos horários críticos e viabilizando uma transição energética mais eficiente, inteligente e resiliente.

1 No mercado, os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) são representados principalmente pelos sistemas de baterias (BESS, do inglês Battery Energy Storage System), mas também contemplam usinas hidrelétricas reversíveis (armazenamento gravitacional), volantes de inércia (armazenamento cinético), armazenamento térmico ou ar comprimido.

Fonte: TR SOLUÇÕES

Resumo das Notícias de Hoje

12/9/2025

Dia 12 de setembro de 2025, sexta-feira

- CUSTOS DO SETOR ELÉTRICO  (consumidor)

Os custos do setor elétrico chegarão a R$ 395 bilhões em 2025. Desse valor, 26%, ou R$103,6 bilhões, são resultantes de subsídios e ineficiências. A conclusão é de estudo produzido pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia.

> Continue a leitura na matéria “Subsídios e ineficiências do setor somarão R$ 104 bi em 2025, diz Abrace”: https://bit.ly/4ghK3Ru

- INVESTIMENTOS EM RENOVÁVEIS  (expansão)

O investimento em renováveis em termos globais atingiu o recorde de US$ 386 bilhões no primeiro semestre do ano. Esse índice é 10% maior quando comparado ao ano anterior. Os dados coletados são da BloombergNEF e publicados no Rastreador de Investimentos em Energia Renovável. O aumento do investimento em renováveis foi impulsionado principalmente por instalações eólicas offshore e solares de pequena escala. Essas instalações compensaram uma queda preocupante de 13% no financiamento para projetos de energia solar em larga escala e eólica onshore.

> Saiba mais na matéria “BNEF: Investimentos em renováveis atingem recorde de US$ 386 bilhões, apesar das mudanças no mercado”: https://bit.ly/4nriJmf

- LIQUIDAÇÃO DO MCP (comercialização)

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica concluiu a primeira liquidação do Mercado de Curto Prazo após o mecanismo concorrencial para o risco hidrológico. A operação de julho de 2025 liquidou R$ 2,54 bilhões. Os valores represados por liminares que isentam ou limitam os efeitos do GSF caíram cerca de 72%. Passaram de R$ 1,09 bilhão em junho para R$ 310,46 milhões neste mês. O valor é o menor desde 2015. Já os R$ 792,59 milhões de diferença correspondem justamente aos montantes liberados graças ao mecanismo.

> Leia mais em “Após leilão do GSF, liquidação do MCP fica em R$ 2,54 bi”: https://bit.ly/47YiPNV

- EVENTOS (canalenergia)

Webinar ESS | Economia que gera valor: Eficiência Energética no Mercado Livre

Data: 24 de setembro

Local: Online via Zoom

Horário: 10h

Brazil Windpower

Data: 28-30 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

WhatsApp Silmara - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511989155084

WhatsApp Bruno - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511932738511

- OUTRAS NOTÍCAS DE HOJE

Iberdrola compra por R$ 11,9 bi fatia da Previ na Neoenergia: https://bit.ly/46op2Ab

Com aquisição, grupo espanhol passa a deter 83,8% do capital social da companhia que atua em geração, transmissão e distribuição.

Cemig vai concluir digitalização via ADMS até 2026: https://bit.ly/4pqfL3o

Além de aporte de R$ 110 milhões no sistema, companhia prevê mais de 1,5 milhão de medidores inteligentes, 3.600 religadores automatizados e controle avançado em tempo real.

CMSE: linhão de Roraima economizará R$ 540 milhões da CCC: https://bit.ly/46yZMsa

Reservatórios evoluíram dentro da normalidade no período seco e deixaram  sistema em situação melhor que no ano passado.”

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

11/9/2025

Dia 11 de setembro de 2025, quinta-feira

- MP 1300 (política)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta quarta-feira, 10 de setembro, que espera que o “corpo central” do projeto de conversão da Medida Provisória 1300 seja mantido tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Uma versão desidratada da MP deve ser votada hoje no plenário da Câmara. A expectativa do governo é de que o texto mantenha o ponto que é crucial para o governo, a ampliação da gratuidade da tarifa social de energia elétrica.

> Continue a leitura na matéria “Silveira espera que base da MP 1300 seja mantida pelo Congresso”: https://bit.ly/3Vch1sQ

- INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA ENTRE OS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL (expansão)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a integração energética entre os países da América do Sul. A defesa ocorreu nesta quarta-feira, 10 de setembro, ao participar da cerimônia de início da energização do linhão Manaus – Boa Vista. O empreendimento atrasou mais de dez anos da previsão inicial de operação para operação ser iniciada. O empreendimento é responsável pela integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional.

> Leia mais em “Lula defende integração energética ao inaugurar linhão de Roraima”: https://bit.ly/4gjVvvP

- PRORROGAÇÃO DA CONCESSÃO DA ENEL RIO (distribuição)

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro entrou com ação pública pedindo que a Agência Nacional de Energia Elétrica reconsidere a decisão de recomendar à União a prorrogação da concessão da Enel Rio (RJ) sem licitação, por mais 30 anos. O MP quer que a agência se abstenha de prorrogar o contrato e que a diretoria realize nova deliberação.

> Saiba mais na notícia “MPF-RJ pede reconsideração sobre prorrogação da Enel Rio”: https://bit.ly/3VK4xJ7

- EVENTOS  (canalenergia)

Webinar ESS | Economia que gera valor: Eficiência Energética no Mercado Livre

Data: 24 de setembro

Local: Online via Zoom

Horário: 10h

Brazil Windpower

Data: 28-30 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

WhatsApp Silmara - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511989155084

WhatsApp Bruno - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511932738511”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Câmara retira MP 1300 da pauta pelo segundo dia: https://bit.ly/46ljCG8

Medida provisória que traz a tarifa social tem mais uma semana para ser avaliada na Câmara e no Senado antes de perder a vigência.

Expansão dos biocombustíveis prevê R$ 110 bi até 2035: https://bit.ly/3JVYjU2

Caderno do PDE realizado pela EPE indica que para a geração de energia através do bagaço de cana o potencial é de 5,9 GW médios até o final da década.

BBCE registra R$ 8,4 bilhões em transações no mês de Agosto: https://bit.ly/4mhbNHt

Número representa um aumento de 21% em relação ao mês anterior  consolidando o mês como o segundo melhor agosto da histórica da plataforma.

Fonte: CanalEnergia

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INFORMATIVO ANEEL

11/9/2025

de deliberações da Diretoria Número 20, agosto/2025

Atos de caráter homologatório

1. Resolução Homologatória nº 3.507/2025. Homologa as novas tarifas de aplicação da Equatorial Pará Distribuidora de Energia S.A., com vigência a partir de 7 de agosto de 2025, correspondendo a um efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 3,74%, sendo de 4,50% em média para os consumidores conectados em Alta Tensão e de 3,57% em média para aqueles conectados em Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Energia – TE e as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD aplicáveis aos consumidores e aos usuários da Equatorial Pará; estabelece os valores da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; e, homologa o valor mensal a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à Distribuidora para custeio dos subsídios retirados da estrutura tarifária. Processo: 48500.003961/2025-28.

REH nº 3.507/2025

2. Resolução Homologatória no 3.508/2025. Homologa o resultado da revisão tarifária periódica da EDP Espírito Santo Distribuição de Energia S.A., a vigorar a partir de 7 de agosto de 2025, que conduz ao efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 15,53%, sendo de 17,85%, em média, para os consumidores conectados na Alta Tensão e de 14,72%, em média, para os consumidores conectados na Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD e as Energia Elétrica – TE aplicáveis aos consumidores e aos usuários da concessionária; estabelece o valor da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; aprova o valor mensal de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à EDP Espírito Santo Distribuição de Energia S.A., de modo a custear os descontos retirados da estrutura tarifária; define os postos tarifários ponta, intermediário e fora ponta; fixa os componentes T do Fator X em 0,108%; e fixa o referencial regulatório para perdas de energia para os reajustes de 2025 a 2029. Processo: 48500.004029/2025-12.

REH nº 3.508/2025

3. Resolução Homologatória nº 3.509/2025. Homologa novas tarifas de aplicação da Pacto Energia Paraná – Força e Luz Coronel Vivida Ltda., com vigência a partir de 26 de agosto de 2025, correspondendo a um efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 10,01% sendo de 23,52% em média para os consumidores conectados em Alta Tensão e de 1,82% em média para aqueles conectados em Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Energia – TE e as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD aplicáveis aos consumidores e usuários da Pacto Energia Paraná; estabelece os valores da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; e homologa o valor mensal a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à distribuidora para custeio dos subsídios retirados da estrutura tarifária. Processo: 48500.003965/2025-14.

REH nº 3.509/2025

4. Resolução Homologatória nº 3.510/2025. Homologa as tarifas de aplicação da Elektro Redes S.A, com vigência a partir de 27 de agosto de 2025, correspondendo a um efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 11,88% sendo de 12,39% em média para os consumidores conectados em Alta Tensão e de 11,62% em média para aqueles conectados em Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD e as Energia Elétrica – TE aplicáveis aos consumidores e aos usuários da concessionária; estabelece o valor da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; e homologa o valor mensal a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à distribuidora para custeio dos subsídios retirados da estrutura tarifária. Processo: 48500.003969/2025-94.

REH nº 3.510/2025

5. Resolução Homologatória no 3.511/2025. Homologa as novas tarifas de aplicação da Celesc Distribuição S.A., com vigência a partir de 22 de agosto de 2025, correspondendo a um efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 13,53%, sendo de 15,80% em média para os consumidores conectados em Alta Tensão e de 12,41% em média para aqueles conectados em Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Energia – TE e as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD aplicáveis aos consumidores e usuários da Celesc; estabelece dos valores da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; homologa o valor mensal a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à distribuidora para custeio dos subsídios retirados da estrutura tarifária; e determina que a Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica – SFT, no prazo de 180 dias, avalie a relação das ocorrências associadas a regularização do sistema comercial e as informações de mercado declaradas no SAMP e que eventuais inconsistências deverão ser informadas à Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica – STR, de modo que esta avalie eventuais repercussões no processo tarifário seguinte da distribuidora. Processo: 48500.003964/2025-61.

REH nº 3.511/2025

6. Resolução Homologatória no 3.512/2025. Aprova o resultado da Revisão Tarifária Periódica da Equatorial Maranhão Distribuidora de Energia S.A., a vigorar a partir de 28 de agosto de 2025, que conduz ao efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 17,90%, sendo de 18,67%, em média, para os consumidores conectados na Alta Tensão e de 17,77%, em média, para os consumidores conectados na Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD e as Energia Elétrica – TE aplicáveis aos consumidores e aos usuários da concessionária; aprova o valor mensal de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à Equatorial Maranhão Distribuidora de Energia S.A., de modo a custear os descontos retirados da estrutura tarifária; estabelece o valor da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; define os postos tarifários ponta, intermediário e fora ponta; fixa os componentes T e Pd do Fator X em -0,000% e 1,647%, respectivamente; e fixa o referencial regulatório perdas de energia para os processos tarifários de 2025 a 2028. Processo: 48500.003671/2025-84.

REH nº 3.512/2025

7. Resolução Homologatória no 3.514/2025, 3.515/2025, 3.516/2025, 3.517/2025. Homologa o índice de Reajuste Tarifário Anual das tarifas da Cooperativa Aliança – Cooperaliança, da Distribuidora Catarinense de Energia Elétrica Ltda. – Dcelt; da Empresa Força e Luz de Urussanga Ltda. – Eflul; e da Empresa Força e Luz João Cesa Ltda. – João Cesa, a vigorar a partir de 29 de agosto de 2025. Processo: 48500.003893/2025-05.

REH nº 3.514/2025, 3.515/2025, 3.516/2025, 3.517/2025

8. Resolução Homologatória no 3.518/2025. Aprova o resultado da Revisão Tarifária Periódica da Energisa Paraíba – Distribuidora de Energia S.A. – EPB, a vigorar a partir de 28 de agosto de 2025, que conduz ao efeito médio a ser percebido pelos consumidores de 13,59%, sendo de 12,11%, em média, para os consumidores conectados na Alta Tensão e de 13,94%, em média, para os consumidores conectados na Baixa Tensão; fixa as Tarifas de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD e as Tarifas de Energia Elétrica – TE aplicáveis aos consumidores e aos usuários da concessionária; aprova o valor mensal de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE a ser repassado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE à EPB, de modo a custear os descontos retirados da estrutura tarifária; estabelece o valor da receita anual referente às instalações de transmissão classificadas como Demais Instalações de Transmissão – DIT de uso exclusivo; define os postos tarifários ponta, intermediário e fora ponta; fixa o componente T e o componente Pd do Fator X em -1,388% e 1,464%, respectivamente; e fixa o referencial regulatório perdas de energia para os processos tarifários de 2025 a 2028. Processo: 48500.003674/2025-18.

REH no 3.518/2025

Participação Social

1. Consulta Pública nº 027/2025 – 03 de julho de 2025 a 12 de setembro de 2025.

Tema: Obter subsídios referente ao relatório de Análise de Impacto Regulatório – AIR que trata do aprimoramento da regulamentação associada à confiabilidade das instalações de transmissão. Processo: 48500.903183/2021-43.

2. Consulta Pública nº 028/2025 – 21 de agosto de 2025 a 19 de setembro de 2025.

Tema: Obter subsídios e informações adicionais para aperfeiçoar a minuta do Edital e Anexos do Leilão nº 1/2026-ANEEL (Leilão de Transmissão). Processo: 48500.023612/2025-22.

3. Consulta Pública nº 029/2025 – 28 de agosto de 2025 a 29 de setembro de 2025.

Tema: Obter subsídios para publicação da Resolução Homologatória contendo a definição dos indicadores e metas de Performance Organizacional do ONS para o ciclo de janeiro de 2026 a dezembro de 2028.

Processo: 48500.904034/2017-15.

Alerta Legislativo

1. Leilão ANEEL nº 001/2025. Aquisição de energia e potência elétricas, disponibilizadas por soluções de suprimento, para atendimento aos mercados consumidores dos sistemas isolados.

LEL ANEEL Nº 001/2025

Fonte: Aneel

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Resumo das Notícias de Hoje

10/9/2025

Dia 10 de setembro de 2025, quarta-feira

- GOLD COMERCIALIZADORA  (comercialização)

A diretoria da Aneel aprovou por unanimidade nesta terça-feira, 9 de setembro, a revogação da autorização da Gold Comercializadora de Energia. O colegiado também autorizou a análise, pela Procuradoria Federal, do ajuizamento de ação responsabilizando sócios e administradores. Essa medida tem como base os prejuízos decorrentes da inadimplência e do descumprimento de contratos, especialmente aqueles com impacto tarifário sobre os consumidores do ambiente regulado.

> Saiba mais na notícia “Aneel revoga autorização da Gold Comercializadora”: https://bit.ly/3IaHKTN

- MERCADO GLOBAL DE ENERGIA EÓLICA (geração)

A atualização das perspectivas do mercado global de energia eólica da Wood Mackenzie revela que o segmento está pronto para alcançar 2 TW até 2030. O feito deverá ser alcançado em apenas sete anos, ante os 23 anos necessários para atingir 1 TW em 2023.

> Leia mais em “Wood Mackenzie calcula eólica com 2 TW até 2030”: https://bit.ly/3JV6U9s

- REGRAS DE COMERCIALIZAÇÃO PARA CONTRATOS DO LRCAP* (comercialização)

A Aneel aprovou Regras de Comercialização aplicáveis a contratos do LRCAP. Houve a criação de um módulo que trata da Contratação de Reserva de Capacidade. A agência também homologou o módulo de Reajuste dos Parâmetros da Receita de CCEARs (contratos de comercialização de energia regulados) para atendimento a esses contratos.

> Continue a leitura na notícia “Aneel aprova Regras de Comercialização para contratos do LRCAP”: https://bit.ly/48c1JvL

- EVENTOS (canalenergia)

Webinar ESS | Economia que gera valor: Eficiência Energética no Mercado Livre

Data: 24 de setembro

Local: Online via Zoom

Horário: 10h

Brazil Windpower

Data: 28-30 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

WhatsApp Silmara - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511989155084

WhatsApp Bruno - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511932738511”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Dadoteca quer mercado de dados e IA no setor elétrico: https://bit.ly/4mWzcyV

Empresa especializada em análise de dados mira mercados internacionais e perspectiva de aumento nos investimentos no tema.

Eficiência Energética: medidas podem trazer redução de até 30% na conta: https://bit.ly/4peR9u2

O presidente da Abesco acredita que as pequenas e médias empresas podem implementar ações com baixo investimento, aumentar competitividade e reduzir custos.

Fepam emite licenças para R$ 3,8 bi em energia no RS: https://bit.ly/3JTFCjL

Dvulgação em meio à Expointer envolve autorizações para usinas de geração, linhas de transmissão e projetos biogás e biodiesel.

Fonte: CanalEnergia

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS BY CANALENERGIA – 175ª EDIÇÃO DE 09/09/2025

10/9/2025

EXCLUSIVO

Com 2025 já caminhando para o seu final, a COP30, em novembro, em Belém do Pará, sem dúvida, vai ser um tema cada vez mais presente. Faz tempo que o CanalEnergia entrou nessa vibe, dedicando amplo espaço ao evento em seu noticiário. Desta vez é o repórter Henrique Faerman quem traz muitas reflexões oportunas na reportagem especial desta semana. Segundo sua apuração, especialistas são unânimes em apontar que o Brasil enfrentará um de seus maiores testes diplomáticos e logísticos. Fora a questão da hospedagem a preços que beiram o surrealismo, o encontro, presidido pelo embaixador André Corrêa do Lago, ocorre em meio a um cenário global turbulento — marcado por guerras, tensões comerciais e o retorno de Donald Trump à Casa Branca, com impacto direto nas negociações climáticas. O país, que conta com matriz elétrica altamente renovável, aposta em seu modelo como vitrine para inspirar soluções globais. Entre os principais desafios estão o resgate do multilateralismo, a definição de metas mais ambiciosas, o financiamento da transição energética e a implementação efetiva de compromissos já assumidos. ONGs e ambientalistas também pressionam para que a conferência avance na justiça climática, valorizando saberes tradicionais, e enfrente contradições como a exclusão elétrica na Amazônia. A expectativa é de que a COP 30 seja lembrada não apenas como palco de incertezas, mas como espaço para ações concretas rumo à descarbonização em 2050.

ECONOMIA

Começando aqui pelo topo da pirâmide, tudo indica que a dança das cadeiras no primeiro escalão do MME acabou. Pelo menos por enquanto. João Daniel de Andrade Cascalho foi nomeado Secretário Nacional de Energia Elétrica. Ele entra no lugar de Gentil Nogueira, que já está oficialmente nomeado diretor da Aneel. Boa sorte a ele porque trabalho não vai faltar na inesgotável tarefa de tentar conciliar interesses de gregos e troianos no setor.

Está todo mundo de olho no ágio resultante do leilão de GSF. A ideia agora é que o valor excedente, coisa de R$ 559 milhões, seja usado para quitar, de uma vez por todas, o resíduo ainda pendente no MCP (Mercado de Curto Prazo). O buraco anda hoje na casa de R$ 300 milhões. Mas já se cogitou também pegar essa bolada toda para abater direto na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). A decisão final deve acontecer no âmbito da MP 1300.

Se a sobra milionária vai ou não aliviar a CDE, para diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, a Comissão Mista que debate a MP 1300 faria um grande favor se incluísse no relatório final um jeito de tornar mais flexível a atual estrutura tarifária. Segundo ele, isso permitiria a modulação de tarifas de forma dinâmica para atendimento às variações de carga ao longo do dia. A conferir.

Ainda falando da Aneel, em reunião com representantes de associações e instituições, a agência pontuou convergências no que se refere ao fechamento da terceira fase da Consulta Pública nº 45/2019. Objetivo é buscar equilíbrio e rapidez para equalizar o desafio do curtailment. A discussão é pra lá de intrincada, mas a notícia positiva é que boa parte das soluções está sob a jurisdição regulatória. Assim seja.

E por falar um curtailment, tem muita gente preocupada com o futuro da MMGD, é bom saber, portanto, que a Aneel incluiu a geração distribuída na Agenda Regulatória do biênio 2025-2026. O tema está presente na primeira revisão do documento aprovada na última terça-feira, 2 de setembro. A proposta é aprovar, no ano que vem, regras para apuração dos impactos da alta penetração de modalidade na operação do SIN (Sistema Interligado Nacional). Vai dar muito o que falar.

POLÍTICA

Não adianta querer disfarçar porque o assunto não sai da pauta. Em dois importantes eventos na semana passada ele, sim, o atendimento à demanda, foi prato de resistência durante os debates. Claro, o ONS segue alertando para os riscos crescentes de desequilíbrio. Embora a situação atual seja considerada “administrável”, o ONS aponta déficit estrutural de potência e cobra urgência na realização do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP). Para se ter uma ideia, a ponta noturna, sem o apoio da solar, já exige até 20 GW de térmicas para atender a uma demanda que chega a 100 GW, enquanto a incerteza hidrológica para 2026 e 2027 aumenta a vulnerabilidade. O ONS defende que não há mais espaço para hesitação: sem contratação de potência firme, o Brasil se aproxima de um ponto de não retorno na segurança energética. É tipo assim, um ultimato.

CONSUMO E COMPORTAMENTO

O consumidor brasileiro está naquela situação do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Ainda há muita dúvida sobre se vai mesmo valer a pena deixar de ser cativo e partir para o incerto mundo da energia livre ou ficar e ter o salário devorado por tarifas cada vez mais famintas. A julgar por um recente estudo da TR Soluções, parece que a escolha tende a ficar cada vez mais desafiadora. É que segundo a consultoria, a falta de alinhamento entre Executivo e Legislativo no planejamento do setor elétrico aumenta o risco de onerar ainda mais o bolso. A conclusão é que contratações compulsórias de energia, determinadas por leis e medida provisória, podem gerar aumento médio de 1,4% a 10,1% nas tarifas residenciais até 2035. Mas, calma. No mercado livre, o impacto também é significativo: o encargo de energia de reserva pode subir até R$ 82 MWh. O jeito é apelar para os búzios.

COMPARTILHAMENTO DE POSTES – SP

Nem só de críticas e multas vive a Enel SP. Tem notícia boa também. A concessionária retirou da sua rede mais de 5,3 toneladas de cabos e equipamentos clandestinos de telecomunicações no primeiro semestre de 2025. A operação, que visa reduzir riscos de acidentes e a poluição visual, teve como destaque uma ação realizada na região da Avenida Paulista, área nobre da capital paulista. Ali foram removidos, nada mais, nada menos, do que cerca de 800 quilos de materiais. A discussão em torno do compartilhamento de postes, aliás, segue emperrada no governo.

EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS

Presentes em várias obras da cena literária gaúcha, os ventos do Sul fazem jus à fama e estão cada vez mais e mais impactantes. Na semana passada, eles nocautearam sete torres de transmissão de um só vez. Aí um desligamento total atingiu a Subestação Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul. O incidente resultou na interrupção de 11 MW de carga da CEEE-Equatorial e na rejeição de cerca de 50 MW do Conjunto Eólico Santa Vitória do Palmar. O estrago deixou muita gente sem luz por um longo período, mas a geração de energia foi retomada pouco mais de 40 minutos após o evento.

ENERGY SOLUTIONS SHOW

E já no espírito dos preparativos para o Energy Solutions Show, acontece no dia 24 de Setembro um webinar imperdível e inteiramente gratuito. É o “Eficiência Energética: Estratégias essenciais para gestores de energia”. Faça inscrição e conecte-se à plataforma Zoom, a partir das 10h. Você vai conhecer estratégias para transformar eficiência energética em vantagem competitiva e entender como reduzir custos operacionais e maximizar o ROI com a migração para o mercado livre. E tem mais!

Serão apresentados Cases de sucesso e tecnologias inovadoras para otimizar o consumo de energia. Anote aí os nomes dos painelistas: Silla Motta, CEO da Donna Lamparina e embaixadora CanalEnergia; Gabriel Duarte, Gerente de Regulação e Comercialização de Energia do Grupo Amaggi; Ângela Oliveira, Especialista em Relações Institucionais; Kleiton Streuli, Coordenador de Manutenção na Sabó Indústria e Comércio de Autopeças.

E não se esqueça, já anota na agenda aí, o Energy Solutions Show está marcado para os dias 22 e 23 de abril de 2026, no Distrito Anhembi!

MP 1.300

A Comissão Mista no Congresso Nacional que cuida da MP 1300 aplicou uma dose de Ozempic no texto. Emagreceu o conteúdo ao máximo para evitar o risco da “caducagem”. Por isso, aprovado na quarta-feira passada, dia 3, o relatório apresentado pelo deputado Fernando Coelho Filho (União-PE) ficou bem enxuto. Está concentrado na ampliação da tarifa social de energia elétrica. Deixou de fora temas considerados polêmicos, como a prorrogação de concessões hidrelétricas, mudanças na contratação regulada e regras da CCEE. Esses pontos foram transferidos para a MP 1304, relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), que deve iniciar tramitação em outubro. Se tudo correr como previsto, essa sim deve levar a muitas mudanças no setor elétrico. Agora é esperar para saber qual será o score de emendas.

ANGRA 3

Se a opção do Executivo for aprovada vamos ter fogos de artifício de um lado e ranger de dentes do outro. Sim, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, entregou ao CNPE um novo voto em defesa da retomada de Angra 3. Após sucessivos adiamentos, o governo voltará a discutir o assunto na próxima reunião do colegiado, que vai acontecer provavelmente na segunda quinzena de setembro, segundo Silveira. Caso os integrantes do CNPE ergam seus polegares, em sinal de aprovação, a comunidade nuclear deve fazer uma festa daquelas. Já do lado da comunidade ambiental o clima será de velório. O empreendimento, que passou por paralisações ao longo do tempo, já consumiu R$ 12 bilhões. A estimativa do BNDES é de que o custo para terminar ou abandonar a obra dá em empate. Ou seja, os gastos são calculados em R$ 20 bilhões para ambas as opções. Mas o que chamou mesmo a atenção foi uma fala de Silveira sobre qual deverá ser o posicionamento do Brasil, frente à recente escalada mundial de tensões geopolíticas. Segundo ele, no longo prazo, o país vai ter que repensar a limitação constitucional do uso da fonte nuclear para finalidades pacíficas, considerando a necessidade e desenvolver instrumentos de defesa.

Fonte: VOLTS BY CANALENERGIA – 175ª EDIÇÃO DE 09/09/2025

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