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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Fundamentos do armazenamento de energia: o que é e por que importa

19/2/2026

Por Francisco Victer e Thiago Guilherme Ferreira Padro

A ENERGIA, ANTES DE SER ELÉTRICA, FOI FOGO. E ANTES DE SER FOGO, FOI LENHA

    Milênios atrás, quando os primeiros humanos aprenderam a dominar as chamas, não descobriram penas uma fonte de calor ou proteção contra predadores: descobriram, de maneira intuitiva, o conceito de armazenamento de energia. A lenha empilhada ao lado da caverna ou do vilarejo não era apenas madeira seca esperando para ser queimada. Era energia solar capturada ao longo de anos convertida em biomassa, condensada pela fotossíntese e agora disponível para uso em momentos de necessidade. Guardar lenha era, essencialmente, guardar o verão para usar no inverno.

    Esse gesto simples — acumular biomassa para uso futuro — talvez seja o primeiro exemplo claro de planejamento energético da humanidade. A lenha permitia cozinhar alimentos, aquecer abrigos durante a noite ou no frio intenso, endurecer ferramentas, produzir carvão vegetal e, com ele, sustentar atividades comerciais e artesanais. Mesmo sem compreender conceitos como joule ouwatt, nossos ancestrais já sabiam que energia abundante em um momento precisava ser guardada para quando ela faltasse.

    Desde então, a história da civilização passou por uma sucessão de ciclos energéticos, todos profundamente dependentes do armazenamento. O carvão mineral alimentou a Revolução Industrial porque podia ser extraído, transportado, estocado e queimado quando fosse conveniente. Já a partir do fim do século XIX, o petróleo e o gás natural tornaram-se a espinha dorsal da indústria moderna justamente por sua altíssima densidade energética e facilidade de estocagem. Um único barril de petróleo concentra trabalho suficiente para substituir semanas de esforço humano contínuo. Não por acaso, esses combustíveis moldaram e ainda moldam a geopolítica, a economia e a própria organização das cidades.

    No Brasil, o ciclo energético dominante assumiu uma forma distinta, mas não menos dependente de armazenamento. Os grandes reservatórios hidrelétricos construídos ao longo do século XX funcionam, em essência, como gigantescas baterias naturais. Durante períodos chuvosos, a água — portadora de energia potencial gravitacional — é acumulada atrás das barragens. Nos períodos secos ou nos momentos de maior consumo, essa água armazenada é liberada para movimentar turbinas e gerar eletricidade. A represa permite separar no tempo o momento em que a energia é capturada (a chuva) do momento em que ela é usada (o consumo). É o mesmo princípio da lenha, apenas em outra escala e com outra física.

    Esse pano de fundo ajuda a compreender uma característica fundamental — e frequentemente mal-entendida — da eletricidade: elétrons não ficam guardados. Não existem “estoques” de energia elétrica repousando em subestações ou aguardando nas linhas de transmissão. A eletricidade precisa ser consumida praticamente no instante em que é produzida. Um sistema elétrico é como uma música tocada ao vivo: se os músicos param, o som desaparece; se tocam alto demais para o auditório, o som entra em ressonância e assim a melodia já não é mais audível.

    Sempre que falamos em armazenamento de energia elétrica, portanto, estamos falando de algo indireto. Armazena-se energia convertendo-a em outra forma: química, mecânica, térmica ou gravitacional. Depois, quando necessário, reconverte-se essa energia em eletricidade. Mas no passado, essa conversão raramente era um problema. Afinal, o modelo energético do mundo inteiro foi construído em torno de fontes controláveis. Se uma cidade precisava de mais energia, queimava-se mais carvão, mais óleo ou mais gás. Se a demanda caía, reduzia-se a queima. Nas hidrelétricas, bastava turbinar mais ou menos água. A geração seguia o consumo com relativa tranquilidade. ESSE PARADIGMA, PORÉM, MUDOU.

    Com a expansão das fontes renováveis intermitentes — principalmente a solar e a eólica — a geração elétrica passou a depender cada vez mais de fatores que não estão sob controle humano. Não se escolhe quando o sol brilha, tão pouco não se agenda o vento. Voltando à metáfora da lenha, fica claro que o valor da energia é necessariamente dependente do tempo e do lugar. De nada adiantaria um vilarejo saber que existe lenha abundante em outro, se uma nevasca tornasse as estradas intransitáveis. Da mesma forma, não adianta um país possuir enorme capacidade de geração concentrada em uma região se não houver um sistema de transmissão robusto o suficiente para levar essa energia até onde ela é consumida. E quanto maior a distância e o volume de energia a ser transportada, maior o custo, a complexidade e as perdas envolvidas.

    A analogia pode ser estendida ainda mais. Não basta ter lenha; é preciso ter onde queimá-la. Lareiras, fogões e fornos precisam ser compatíveis com a quantidade de pessoas que estão sendo atendidas. No setor elétrico, isso equivale à existência de quantidade significativa de usinas capazes de gerar, subestações capazes de transformar níveis de tensão e redes de distribuição capazes de entregar essa energia com segurança aos usuários finais. Uma região pode ter abundância de combustível e, ainda assim, ser obrigada a desperdiçá-lo se não houver infraestrutura local adequada para absorvê-la.

    Além disso, é fundamental que esse sistema seja flexível. Uma lareira eficiente não é apenas aquela que esquenta, mas aquela cujo fogo pode ser ajustado rapidamente. Se uma nevasca começa de forma inesperada, é preciso intensificar o calor em minutos. Quando o dia amanhece, convém reduzir o fogo gradualmente, economizando lenha. Essa flexibilidade traz conforto, segurança e eficiência no uso do recurso energético.

    No sistema elétrico, o paralelo é direto. Ao final da tarde, quando milhões de pessoas chegam em casa e ligam iluminação, televisores e aparelhos de ar-condicionado, a demanda cresce abruptamente. A geração precisa acompanhar esse aumento quase instantaneamente. Horas depois, durante a madrugada, o consumo cai, e a geração deve diminuir para evitar sobrecargas que podem danificar equipamentos e desestabilizar a rede. Tradicionalmente, quem garante esse ajuste fino são fontes despacháveis: hidrelétricas que modulam vazão, termelétricas que ajustam a queima de combustível, turbinas a gás capazes de ligar e desligar rapidamente.

    A presença crescente de geração renovável torna esse equilíbrio mais delicado. Quando há vento, gera-se energia e, quando o sol nasce, milhares de usinas solares começam a produzir quase ao mesmo tempo. É preciso, em questão de minutos, reduzir a geração de outras fontes. Quando o vento para ou o sol se põe, ocorre o movimento inverso: uma grande quantidade de energia desaparece, e outras usinas precisam assumir rapidamente. No Brasil, essa variação diária já atinge dezenas de gigawatts — algo comparável ao sistema elétrico inteiro de países médios. As usinas remanescentes precisam ser suficientemente flexíveis para absorver esse vaivém diário, sob pena de cortes de carga ou instabilidades nos sistemas elétricos que podem chegar a ser incontroláveis.

    E isso traz outro aspecto menos intuitivo, mas absolutamente central, da operação elétrica: a estabilidade da rede. Em um vilarejo, não adianta haver dezenas de lareiras e toneladas de lenha se ninguém souber acender o primeiro fogo. No sistema elétrico, esse papel é desempenhado pelas chamadas usinas síncronas. Hidrelétricas e termelétricas possuem grandes máquinas girantes que, por sua própria inércia mecânica, mantêm a frequência elétrica estável e definem a forma das ondas de tensão e corrente. Elas funcionam como maestros de uma orquestra: ditam o ritmo, a cadência e garantem que todos os instrumentos estejam em harmonia.

    As usinas solares e eólicas modernas, por outro lado, conectam-se à rede por meio de inversores eletrônicos. Esses equipamentos são eficientes, mas normalmente não possuem inércia física significativa. Eles não sabem a música; apenas escutam o que está sendo tocado e imitam. Enquanto houver maestros suficientes, isso funciona muito bem. O risco surge quando a participação dessas fontes cresce a ponto de quase não restarem usinas capazes de estabelecer a referência elétrica. Caso ninguém da vila saiba acender o fogo, todo mundo fica no escuro; e caso nenhuma usina da região mantenha a forma correta das ondas, todo mundo também fica no escuro.

    Apesar de todos esses desafios, a geração renovável possui uma vantagem incontestável: é barata — e está ficando mais barata a cada ano. Por isso cresce de forma acelerada em todo o mundo. Elas reduzem a dependência externa à combustíveis líquidos, gás natural e outros energéticos. Democratizaram o acesso à energia em regiões de difícil acesso. Ao mesmo tempo, os combustíveis fósseis são progressivamente evitados por razões ambientais; grandes hidrelétricas tornam-se cada vez mais raras, pelo amplo debate social e ambiental no entorno delas; e, situações de excedente de geração renovável já são frequentes mundo afora — inclusive no Brasil.

    Nesse novo cenário, o setor elétrico precisa continuar entregando aquilo que sempre entregou: estabilidade, flexibilidade e segurança. Mas agora em um contexto em que não se controla plenamente quando e onde a energia é produzida. Assim como nossos ancestrais aprenderam a empilhar lenha antes do inverno, o desafio contemporâneo passa por aprender a capturar os excedentes do sol e do vento, guardá-los de forma eficiente e liberá-los quando realmente fazem falta.

    A pergunta, portanto, surge de maneira quase inevitável: em um sistema cada vez mais renovável, a chave para o equilíbrio não estará, novamente, no armazenamento da energia?

    A partir dessa pergunta — simples na forma, profunda nas implicações — abre-se um novo capítulo da história energética. Se no passado o armazenamento esteve embutido nos próprios combustíveis e reservatórios, hoje ele precisa ser pensado de maneira explícita, deliberada e tecnológica. Armazenar energia deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um pilar estrutural do sistema elétrico moderno.

MAS O QUE SIGNIFICA, AFINAL, ARMAZENAR ENERGIA ELÉTRICA?

    Significa, antes de tudo, aceitar que não se armazena eletricidade como eletricidade. Sempre haverá uma transformação intermediária. O elétron é um veículo eficiente, mas inquieto: excelente para transportar potência instantaneamente, péssimo para ficar parada. Sempre que queremos “segurá-lo”, somos obrigados a convertê-lo em algo mais estável — assim como o calor do verão é convertido em lenha, ou a água da chuva é convertida em um lago represado.

    As formas de armazenamento, portanto, nada mais são do que maneiras distintas de responder a uma mesma pergunta: em que outra forma física vale a pena guardar a energia, dadas as restrições de custo, espaço, tempo e eficiência?

A RESPOSTA NUNCA FOI ÚNICA, E CONTINUA NÃO SENDO:

   Uma das formas mais intuitivas é o armazenamento gravitacional, que curiosamente remete de volta às hidrelétricas. Quando se bombeia água para um reservatório mais alto usando eletricidade excedente, está se transformando energia elétrica em energia potencial. Mais tarde, ao liberar essa água, a conversão se inverte. Esse princípio é tão antigo quanto eficaz, e explica por que as usinas reversíveis (ou de bombeamento) continuam sendo, globalmente, a maior forma de armazenamento de energia em escala de rede. Elas são, literalmente, lagos artificiais onde se guarda eletricidade sob a forma de altura.

    Há também o armazenamento químico, talvez o mais emblemático da era atual. As baterias — especialmente as de íons de lítio — funcionam como pequenas refinarias reversíveis: usam eletricidade para rearranjar moléculas e elétrons em estruturas químicas de maior energia, e depois desfazem esse arranjo quando a eletricidade é necessária novamente. São compactas, rápidas e incrivelmente versáteis. Podem responder em milissegundos, fornecer potência precisa, estabilizar frequência e tensão. E por conta de avanços de manufatura, principalmente induzidos pelo crescimento na oferta de veículos elétricos na década de 2010, passaram (e continuam passando) a ser cada vez mais baratas. Não por acaso, tornaram-se o símbolo do armazenamento moderno.

    Mas essa versatilidade vem com limites. Baterias de íons de lítio são ótimas para resolver problemas de curta duração — segundos, minutos, algumas horas. Pedir que resolvam sozinhas semanas de seca ou longos períodos sem vento é como manter uma casa aquecida com fósforos: possível em teoria, pouco econômico na prática. Por mais eficiente que seja o processo de manufatura dos fósforos, eles sempre serão menos eficientes que a lenha: a física cobra um preço.

    Outra categoria é o armazenamento térmico. É possível usar eletricidade excedente para aquecer materiais — sais fundidos, rochas, água — e depois converter esse calor novamente em eletricidade ou usá-lo diretamente em processos industriais. Nesse caso, a energia deixa de ser “nobre” (elétrica) e se torna “bruta” (calor), mas ganha escala e alta capacidade de reuso. Por outro lado, as perdas de conversão costumam ser altas. É uma solução especialmente interessante quando o uso final não exige eletricidade de alta qualidade, mas apenas temperatura.

     Há ainda o armazenamento mecânico, como volantes de inércia, que giram a altíssimas velocidades, acumulando energia cinética. São como piões gigantes, extremamente úteis para estabilizar sistemas, absorver oscilações rápidas e fornecer potência instantânea, ainda que por curtos períodos. Outros exemplos de armazenamento mecânico são as molas e arranjos magnéticos.

    E existe o armazenamento químico indireto: converter eletricidade em combustíveis, como hidrogênio, amônia ou combustíveis sintéticos. Nesse caso, o sistema elétrico se conecta diretamente aos setores industrial, químico e de transportes. A energia elétrica deixa de ser apenas um produto final e passa a ser matéria-prima. É o retorno, em nova roupagem, da lógica dos combustíveis — só que agora produzidos com sol e vento, e não com fósseis. Com a desvantagem de que os custos dessa conversão costumam ser elevados, aqui os conceitos da termodinâmica nos lembram que sempre haverão perdas em cada uma dessas conversões, tornando o processo como um todo ineficiente sob a perspectiva energética, mas o problema aqui já é outro: disponibilidade energética.

    Vale, por fim, destacar o próprio armazenamento através de capacitores. Neles, a energia não é convertida em calor, movimento ou ligações químicas, mas mantida diretamente no campo elétrico criado entre duas placas condutoras separadas por um dielétrico. É, de certo modo, a forma mais literal de “segurar” a eletricidade — ainda que por um tempo muito curto. Capacitores conseguem carregar e descarregar em frações de segundo, entregando ou absorvendo potência de maneira quase instantânea, o que os torna extremamente valiosos para filtragem, correção de fator de potência, estabilização de tensão e amortecimento de transientes. Seu limite, porém, é estrutural: a quantidade de energia que podem armazenar é pequena, e cresce lentamente mesmo com grandes volumes físicos. Assim, capacitores não são adequados para horas sem vento, mas cumprem um papel indispensável durante instantes.

    Sendo assim, fica claro que cada uma dessas soluções carrega vantagens e limitações. Não existe — e dificilmente existirá — um “armazenamento universal”. Assim como não se aquece uma casa, move um navio e alimenta uma siderúrgica com a mesma lareira, o sistema elétrico do futuro será um mosaico de tecnologias, cada uma ocupando o espaço, cumprindo uma função e exercendo um papel onde faz mais sentido físico e econômico.

    Esse ponto é crucial: armazenamento não é apenas energia guardada, é energia guardada com propósito. A pergunta correta nunca é “quanto posso armazenar?”, mas sim “para quê estou armazenando?”. Para deslocar energia do meio-dia para a noite? Para atravessar um semestre sem chuva? Para estabilizar frequência em milissegundos? Para garantir partida do sistema após um apagão? Cada uma dessas funções exige características completamente diferentes.

    Voltemos, mais uma vez, à metáfora da lenha. Um vilarejo não guarda lenha apenas por guardar. Ele guarda para sobreviver ao inverno, para cozinhar refeições diárias, para lidar com emergências. Parte da lenha fica próxima à lareira, pronta para uso imediato. Outra parte fica empilhada no galpão, protegida da chuva, destinada aos meses mais frios. E há ainda a floresta ao redor, fonte de longo prazo, que não pode ser explorada de uma só vez sem comprometer o futuro. O armazenamento eficiente sempre foi, intuitivamente, estratificado no tempo.

    O mesmo passa a valer para o setor elétrico. Baterias cumprem o papel da lenha ao lado da lareira. Reservatórios e combustíveis fazem o papel do galpão e da floresta. Cada camada protege o sistema contra um tipo específico de risco.

    Além disso, o armazenamento resolve algo que vai além da simples energia: ele devolve controle ao operador do sistema. Em um mundo dominado por fontes intermitentes, armazenar é, em essência, recuperar a capacidade de decidir quando usar a energia que já foi gerada. É transformar fontes incontroláveis em recursos despacháveis para atender à sociedade exatamente nos momentos em que ela está o demandando. É converter vento e sol — caprichosos por natureza — em energia previsível e, principalmente, disponível quando ela é necessária.

    E há um efeito colateral importante: armazenamento cria valor onde antes havia desperdício. Excedentes renováveis, que antes eram cortados por falta de demanda ou de transmissão (o famoso curtailment ou constrained-off), passam a ser matéria-prima. Assim como a lenha empilhada evita que galhos secos apodreçam inutilmente no chão da floresta, o armazenamento evita que elétrons “morram” sem cumprir sua função.

    Nada disso, porém, elimina a necessidade de transmissão robusta, de geradores flexíveis ou de usinas síncronas — ao menos no horizonte próximo. O armazenamento não substitui o sistema elétrico tradicional; ele o completa. Ele preenche uma lacuna e suaviza a transição para a rede com cada vez mais renováveis. Num mundo que se mobiliza para uma transição energética de recursos convencionais fósseis para recursos renováveis ou limpos, fica evidente o papel relevante dessa tecnologia nesse processo transformacional que o mundo se encontra.

    Assim como o domínio do fogo não foi apenas uma descoberta técnica, mas uma transformação cultural da sociedade, aprender a armazenar energia elétrica em larga escala não é apenas um desafio técnico. É uma mudança de mentalidade para o planejamento e a operação dos sistemas eletroenergéticos. É aceitar que, em um mundo cada vez mais movido pelo sol e pelo vento, a prosperidade não está em negar essas fontes, mas como adaptar o sistema elétrico para extrair o melhor que elas podem oferecer.

    E, como sempre, essa convivência começa com um gesto simples e antigo: guardar hoje aquilo que poderá fazer falta amanhã, mas para isso se tornar uma realidade no Brasil, não basta romper os paradigmas técnicos, faz-se necessário atualizar as normas, a regulação e os modelos econômicos para os incentivos corretos apareçam e se convertam em justa remuneração por esse serviço que a tecnologia de armazenamento tem a oferecer.

Francisco Victer é Doutorando e Mestre em Economia e Finanças (ênfase em Energia e Ciência de Dados) pela EPGE/FGV, e Engenheiro de Produção pela Politécnica da UFRJ. É Analista de Pesquisa Energética concursado na Presidência da EPE (MME), com atuação em estudos e modelagem de projetos no setor de energia, inclusive em armazenamento. Thiago Prado é Doutor em Engenharia Elétrica (UnB) e Mestre em Energia e Eletrotécnica (USP) e Engenheiro Eletricista, Civil e de Segurança do Trabalho, com especializações em Gerenciamento de Projetos (FGV) e especializações na área de energia, mineração e petróleo e gás natural. É atualmente Presidente da Empresa de Pesquisa Energética, servidor da carreira de Regulação da ANEEL e, também, atuou profissionalmente como engenheiro na Eletrobras Eletronorte, no licenciamento ambiental no IBAMA e no Ministério de Minas e Energia, onde exerceu diferentes cargos de liderança em planejamento energético durante os 16 anos de passagem no órgão.

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – Ano 20 – Edição 216/ Janeiro – Fevereiro de 2026

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Resumo das Notícias de Hoje

18/2/2026

Dia 18 de fevereiro de 2026, quarta-feira

- LRCAP (expansão)

O mercado reagiu bem à elevação dos preços-teto do LRCAP 2026. Agora a expectativa é de aumento na competitividade dos certames programados para os dias 18 e 20 de março. Os valores foram reajustados para os produtos térmicos, enquanto permaneceram estáveis para as UHEs. O mercado aguardava essa mudança, pois gerou insatisfação com os valores iniciais. Os preços foram considerados insuficientes. O reflexo desse otimismo foi observado na valorização das ações ordinárias da Eneva na B3. Após uma queda de 17% na terça-feira, os papéis da geradora subiram 8% nesta sexta-feira, 13 de fevereiro.

> Saiba mais na matéria “Mercado reage bem à revisão de preços e prevê competição no LRCAP”: https://bit.ly/4aIpYBH

> Ainda sobre o LRCAP, leia “Aneel aprova editais com novos preços-teto do LRCAP”: https://bit.ly/4kKuwvZ

> Sobre o mesmo assunto, leia também “MME revisa preços do LRCAP com aumentos de até 100%”: https://bit.ly/4rojZcf

- CARGA DO SIN (geração)

A carga no Sistema Interligado Nacional em fevereiro deve ter um recuo de 3,8%. Os dados estão no Informe do Programa Mensal da Operação, divulgado nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A maior queda, de 7,5%, fica no Sudeste/ Centro-Oeste. De acordo com o ONS, o outro subsistema com variação negativa é o Sul, com 2,9%. A região Norte deve ter o maior aumento da carga, com 2,8%, enquanto no Nordeste, a alta fica em 3,5%. Na última semana, a expectativa era de queda de 1,8% na carga.

> Leia mais na notícia “Carga no SIN deve recuar 3,8% em fevereiro”: https://bit.ly/4aFyYYa

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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MEETUP | O futuro da matriz elétrica para além de 2030

Data: 26 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

CCEE liquida R$ 2,97 bilhões do MCP de dezembro: https://bit.ly/4rX1P14

Liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo alcança 89,7% do total contabilizado e registra inadimplência de R$ 342,7 milhões,

Anace critica Tarifa Branca obrigatória: https://bit.ly/46fUqBH

Medida da Aneel pode elevar custos de pequenos e médios comércio com consumo concentrado no horário de ponta.”

Fonte: CanalEnergia

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FRASE DA SEMANA

18/2/2026

“Sem um fim social o saber será a maior das futilidades.”

Autor: Gilberto Freyre, historiador, sociólogo, antropólogo e escritor

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PARA LER COM CALMA

14/2/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos da comunidade dessa semana, aqui vai um resumo:

SIN

- Carga do SIN:  https://bit.ly/3OuSmzr

> Previsão de recuo de 1,8% em fevereiro/2026 (87.482 MW médios)

> Quedas regionais: Sudeste/Centro-Oeste (-5,0%) e Sul (-4,5%)

> Crescimento no Nordeste (+8,2%) e Norte (+7,5%)

- Armazenamento do SIN: Reservatórios atingiram 50% em janeiro devido às chuvas https://bit.ly/4rkqXPx

Leilões

- LRCAP 2026:

> Editais aprovados pela Aneel com exclusão de empresas em recuperação judicial  https://bit.ly/4a8DOOA

> Revisão dos preços-teto após pressão do mercado (aumentos de até 100%)  https://bit.ly/4csBnYv

> Inflação de equipamentos citada como principal fator para ajustes  https://bit.ly/4kyPOwh

- Leilão de Baterias (BESS): https://bit.ly/3OEbPhd

> Previsto para até junho/2026 (data prevista: 30/04)

> Objetivo: consolidar energias renováveis e fomentar políticas de conteúdo local e desenvolvimento tecnológico nacional

Regulação e Políticas

- Autonomia Financeira das Agências:  https://bit.ly/3Mk6Z8e

> TCU determinou plano de ação em 180 dias para 11 agências reguladoras federais

> Foco em fortalecer autonomia, a capacidade, a governança e a transparência.

- Axia Energia: Aneel aprova captura de R$146 mi para modicidade  https://bit.ly/4aowY6q

Comercialização

- Preços na BBCE: Forte alta na última semana, com ativos acima de R$400/MWh https://bit.ly/46iF13F

- Monitoramento Prudencial: CCEE lançou um novo módulo digital para envio de documentos e informações  https://bit.ly/4ahH4px

Estudos e Planejamento

- PDE 2035 e PNE 2055:  https://bit.ly/46QT8NB

Consultas públicas lançadas pelo MME

Previsão de investimentos:

> PDE: R$3,5 trilhões (80% em petróleo e gás)

> PNE: Até R$2 trilhões em expansão elétrica em 30 anos

- Demanda global de energia: https://bit.ly/4chumtw

> Projeção de crescimento médio de 3,5% ao ano até 2030 (fonte: AIE)

> Fontes predominantes: renováveis, gás natural e nuclear

Destaques Empresariais

- Aeris: Nomeação de José Ricardo Elbel Simão como Diretor Administrativo Financeiro e RI  https://bit.ly/4akMbp7

- Eneva: Captação de R$2,4 bilhões em debêntures  https://bit.ly/4kDspdi

- Equatorial: Crescimento na distribuição no 4T25  https://bit.ly/4aFzztX

- Iberdrola: OPA pela Neoenergia com liquidação até abril https://bit.ly/3ZAze5G

- Térmicas da Bertin: Revogação de outorgas de 6 usinas e manutenção de multas por não execução dos empreendimentos https://bit.ly/4tyLdhG

Fonte: CanalEnergia

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GERAÇÃO

13/2/2026

Oferta de geração de energia elétrica em janeiro ultrapassa 500 MW

Em janeiro, a expansão foi de 543 MW, impulsionada principalmente por usinas solares.

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Publicado em 12/02/2026 09h35

Em janeiro, o incremento verificado na matriz elétrica brasileira foi de 543 MW, sendo a maioria de usinas solares. Um total de 13 usinas entrou em operação comercial no mês: 11 centrais solares fotovoltaicas (509 MW), uma usina termelétrica (20 MW) e uma pequena central hidrelétrica (14 MW).

Quatro estados em quatro regiões do Brasil tiveram empreendimentos liberados para operação comercial no primeiro mês de 2026. Os destaques, em ordem decrescente, foram Minas Gerais, com 409 MW decorrentes da entrada em operação de nove usinas, seguido da Bahia (100 MW e duas usinas), Pará (20 MW e uma usina) e Paraná (14 MW e uma usina).

Capacidade total de usinas centralizadas é de 216,5 GW

Em 9 de fevereiro, o Brasil somou 216.912.004,59 MW de potência fiscalizada, de acordo com dados do Sistema de Informações de Geração da ANEEL, o SIGA, atualizado diariamente com dados de usinas em operação e de empreendimentos outorgados em fase de construção.

Onde encontrar mais dados sobre a geração elétrica

Uma abordagem mais detalhada do crescimento da oferta centralizada de energia elétrica pode ser encontrada no painel RALIE, que reúne informações sobre a expansão da matriz elétrica. Com formato intuitivo, a ferramenta amplia o acesso aos dados de fiscalização de novas usinas em implantação e facilita o acompanhamento da expansão da oferta de geração de acordo com o ano, região, tipo de fonte de energia, entre outros filtros. Os objetivos são aprimorar a interatividade e fornecer mais informações sobre obras de geração.

As informações do painel são atualizadas mensalmente baseadas nas inspeções in loco nas obras das centrais geradoras e nos dados disponibilizados no Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel), que conta com a contribuição das empresas fiscalizadas para uma análise minuciosa da equipe de monitoramento. Veja neste link os relatórios e indicadores da ANEEL relacionados à geração de energia elétrica.

Fonte: Aneel

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Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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