- Conta de luz deve trazer alívio nos primeiros meses de 2026, com sequência de bandeira verde
O alívio nas contas de luz para janeiro de 2026 com o acionamento da bandeira verde, anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), deve se manter nos primeiros meses de 2026. “Essa condição [conta de energia menos pressionada] tende a se manter ao longo de, pelo menos, o primeiro semestre. Nesse período, devido à sazonalidade da geração hidráulica -- especialmente nas regiões Norte e Sudeste --, costuma haver maior disponibilidade de energia”, avalia Gabriel Apoena, gerente de Inteligência de Mercado da Electra Energia.
- Brasil deve fechar janeiro com chuva muito abaixo da média e calor acima do normal
Janeiro deve fechar com chuvas muito abaixo da média e calor acima do normal em grande parte do País, apesar da atuação de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que trouxe precipitações no início do mês ao Brasil, especialmente na faixa entre o Sudeste, Centro-Oeste e Norte. As projeções para o restante de janeiro não são animadoras em se tratando de recuperação dos reservatórios e mananciais, já que os volumes de chuva previstos não compensarão o déficit hídrico no Sudeste e Nordeste que se intensificou na segunda metade de 2025.
- Aneel deve suspender cobranças por curtailment enquanto novo ressarcimento é regulado
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Aneel estão atuando para suspender, de forma cautelar, as cobranças aplicadas a geradores renováveis que sofreram cortes de geração por razões associadas a restrições na rede de transmissão e a requisitos de confiabilidade da operação do sistema elétrico. A Lei nº 15.269, de 2025, estabeleceu que os cortes de geração eólica e solar classificados como decorrentes de indisponibilidade externa ou de atendimento aos requisitos de confiabilidade elétrica da operação passam a ter direito a ressarcimento. A nova legislação alterou o regime até então aplicado a esses eventos, que vinham sendo tratados como energia não entregue de responsabilidade do gerador.
- Itaipu vai investir R$ 15 bi em 2026 para manter tarifa no mesmo nível dos últimos anos
A usina hidrelétrica binacional de Itaipu vai investir R$ 1,5 bilhão ao longo de 2026 para manter a mesma tarifa que vem praticando desde 2024 para os consumidores regulados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, de US$ 17,66 por kW/mês. O valor será válido até dezembro deste ano. Segundo a empresa, até 2021, a tarifa de repasse da energia de Itaipu permaneceu estável, com média de US$ 27,86 por kW/mês. A quitação da dívida de construção da usina, concluída em 2023, permitiu uma redução da ordem de 27,4%.
- Novas regras pressionam conta de luz do brasileiro de 2026
Apesar de mudanças estruturais aprovadas recentemente no setor elétrico, a conta de luz deve ficar mais cara em 2026. Especialistas indicam que os efeitos de algumas das novas regras, sobretudo as com impacto tarifário mais relevante, não serão imediatas e dependerão de regulamentação. Dessa forma, o alívio deverá ser mais visível apenas a partir de 2027. Projeções da TR Soluções indicam alta média de 5,4% nas tarifas residenciais no país neste ano. As estimativas da empresa são de variações significativas entre as diferentes distribuidoras, que vão de reduções pontuais a aumentos superiores a 30%.
- Consumidores e geradores têm até maio para escapar de ‘leilões’ de acesso à rede
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) definiu o dia 29 de maio como prazo final para o recebimento de solicitações de acesso de agentes geradores e consumidores à Rede Básica fora do regime de Temporadas de Acesso. Ou seja, até essa data consumidores e geradores não precisarão participar das disputas pelo acesso à rede para conexão de seus projetos, desde que exista capacidade remanescente.
- Ressarcimento do curtailment entra em consulta pública
O MME abriu consulta pública para discutir as regras para ressarcimento do curtailment. O período de contribuições é de 15 dias. A expectativa do governo é até o final de janeiro publicar portaria com os termos finais do acordo com os geradores. A medida segue o rito já estabelecido pela Lei 15.269/2025, resultado da MP 1304.
- Alexandre Ramos, da CCEE: pessoas e tecnologia são o caminho para modernizar o setor
O futuro do setor elétrico promete bastante agitação nos próximos anos, com a abertura do mercado livre de energia à baixa tensão, a chegada de novas tecnologias e a descarbonização da economia, entre outras ações que trarão mais dinamismo. Em meio a essa revolução em curso, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) busca novas ferramentas e investimentos para atender a toda a demanda. Em entrevista, o presidente do Conselho de Administração da entidade, Alexandre Ramos, destaca o foco dos investimentos em pessoas e tecnologia.
- Mudanças climáticas elevam picos de demanda e pressionam planejamento, diz EPE
As mudanças climáticas já provocam impactos estruturais sobre a demanda de energia elétrica no Brasil e ampliam os desafios para o planejamento e a operação do Sistema Interligado Nacional. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor tem levado a sucessivos recordes de carga, exigindo mais resiliência do sistema, bem como o aperfeiçoamento dos modelos de previsão de demanda. Em fevereiro do ano passado, por exemplo, foram seis recordes de carga, com pico de 106.532 MW.
- Expansão da transmissão prevê R$ 117 bilhões até 2035
O segmento de transmissão deve receber investimentos de R$ 117 bilhões até 2035 para expansão da rede. A projeção aparece no cenário de referência de caderno do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), da EPE. Conforme o cenário de referência do estudo, a malha de escoamento deve ser ampliada em 14% ou 29 mil km, atingindo 230 mil km no horizonte em análise. No recorte das subestações, a expansão projetada é de 18% ou 89 mil MVA em capacidade de transformação. Assim, o sistema deve chegar em dez anos com 592 MVA acumulados.
- ONS faz balanço favorável da gestão do Sistema Interligado Nacional de 2025
Para o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, 2025 trouxe avanços na segurança energética nacional com a conexão de Roraima ao sistema, possibilitada pela energização do Linhão Manaus–Boa Vista. Entre os benefícios estão o controle de fluxo das linhas que atendem os estados do Amazonas e Roraima, com maior estabilidade. A interligação também reduz o uso de usinas térmicas e diminui a emissão de CO₂. O ONS também mensurou os resultados do projeto Valor Agregado: a iniciativa estimou uma economia de R$ 12,6 bilhões para a sociedade brasileira no período de um ano com as atividades relacionadas à gestão do SIN promovidas pelo Operador.
Fonte: ELECTRA CLIPPING – Edição 01/26 de 09/01/2026