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Setor Elétrico

Veja aqui as informações e notícias mais recentes sobre o setor elétrico. A curadoria do conteúdo é feita por nossos especialistas, considerando a importância do tema para o mercado.

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Distorções nos preços põem em risco a abertura do mercado É fato que os atuais modelos não mais representam a realidade operativa e comercial do sistema eletroenergético brasileiro

9/4/2026

José Antonio Sorge | Sócio da Ágora Energia

Este artigo procura tecer considerações relevantes sobre distorções observadas no atual processo de formação de preços no setor elétrico brasileiro, conduzido majoritariamente pelo Operador Nacional do Sistema – ONS e a Câmara de Comercialização de Energia – CCEE, com diretrizes emanadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE, onde estas instituições têm assento privilegiado para apresentar estudos e opiniões sobre o assunto.

Importante observar que as considerações a seguir também se inspiraram em informações e opiniões públicas de vários agentes e associações do setor, que estão sensíveis de forma negativa às atuais condições de formação de preços no setor.

Primeiramente vamos a um breve histórico sobre este processo no Brasil, resumido a seguir em alguns temas que mais influenciaram a formação de preços no setor elétrico:

Os modelos utilizados (NEWAVE, DECOMP, DESSEM) foram concebidos, diga-se com muita competência, e robustez pelos seus criadores, na fase final do século XX, quando a matriz elétrica apresentava mais de 90% de capacidade instalada de origem hidrelétrica Por este motivo, tais modelos utilizam cenários e incertezas hidrológicas para representar o sistema eletroenergético e para o cálculo dos preços (atualmente a energia hidrelétrica corresponde a cerca de 45% da capacidade instalada, segundo o ONS) A partir de 2013 foram incorporados aos modelos, os mecanismos de aversão ao risco, em especial a consideração do Valor Condicionado ao Risco (CVaR) que se manifesta através de pares de parâmetros (α,λ), os quais definem o nível de aversão ao risco do sistema, influenciando diretamente o custo total de operação e o preço da energia Enquanto o parâmetro Alfa (α) define a porcentagem dos cenários hidrológicos mais críticos a serem considerados no cálculo dos preços, o parâmetro Lambda (λ) define o peso dado a esses cenários críticos Até dezembro de 2024 os parâmetros eram (25,35), e a partir de janeiro de 2025 foram adotados os parâmetros (15,40), que aumentaram o nível de aversão ao risco. Estão abertas duas Consultas Externas pelo CT PMOPLD que tem o objetivo de discutir qual o nível de aversão ao risco que será adotado a partir de janeiro 2027, após deliberação do CMSE.

É evidente que quanto maior o nível de aversão ao risco, maior a segurança, mas maiores são os custos de operação do sistema.

Portanto, é imprescindível que haja foco nos custos associados ao nível de aversão de riscos dos modelos, qualquer que seja o par adotado.

O relatório da extinta CPA MP, publicado em 2024, sugeriu a adoção do par (15,40) e concluiu, naquele momento, que este par foi mais eficiente nas simulações, e poderiam fazer alcançar maiores níveis de armazenamento ao final do período seco em cerca de 2,1% a 2,5%. E assim foi feito.

Mas… e os custos incorridos com maior despacho termelétrico e aumento no custo da operação, valeram ter sido gastos, para se ganhar 2,5% no nível dos reservatórios? Qual o custo/benefício desta alternativa?

Meu entendimento pessoal, é que a prática operativa e o comportamento dos preços calculados pelos modelos com este par (15,40), mostraram que pode ter sido exagerado sua adoção neste biênio 2025-2026.

É fato que os atuais modelos não mais representam a realidade operativa e comercial do sistema eletroenergético brasileiro.

Se foram concebidos para operar um sistema com mais de 90% de usinas hidrelétricas como podem funcionar adequadamente com os atuais 45% (fonte ONS) hídricos na matriz elétrica? Perplexo, o mercado assiste diariamente às distorções que já seriam esperadas pela defasagem dos modelos com a nova matriz elétrica, mas estão ocorrendo em dimensões acima das previstas.

Enumero algumas a seguir.

Preço semanal calculado pelo DECOMP, nos estudos e revisões do Programa Mensal de Operação do ONS tem indicado valores invariavelmente superiores a R$ 100/MWh, em relação ao modelo DESSEM, que está mais próximo da realidade operativa. É certo que as premissas do modelo DECOMP são diferentes das do DESSEM, mas a diferença de tempo é muito pequena para se aceitar como normal tal distorção de preços entre estes modelos.

O DESSEM não reflete adequadamente a operação em tempo real, apesar de ser simulado com apenas um dia de antecedência.

Previsões de carga do DECOMP estão elevadas quando se compara ao tempo real. Qual a razão de tanto conservadorismo nestas projeções, que contribuem para as distorções observadas? Previsões de geração eólica estão defasadas em relação à capacidade operativa das usinas. Isso tem feito que o preço fique maior, até em momentos de corte de geração.

Outros fatos observados com grande surpresa, neste biênio 2025-2026, que demonstram incríveis distorções e insegurança nos preços: (a) uma usina (Canastra) de apenas 40 MW de capacidade instalada quando inserida no modelo provocou grande aumento de preços. Como assim? Aumenta a oferta e o preço aumenta? O ONS sabiamente não inclui tal Usina na entrada de dados dos modelos; (b) usina representada em duplicidade erroneamente (no caso Santa Cruz), quando corrigida para representar a usina individualizada corretamente, fez o preço diminuir. Como assim restringe a oferta e o preço diminui?

Diferença entre o número de iterações necessárias para convergência dos modelos, passaram a provocar enormes alterações de preços entre os modelos.

Citando caso concreto, neste período úmido do Sudeste/CO, estas diferenças têm provocado alterações maiores que 20% no valor do CMO e PLD. A incerteza com este fato endógeno aos modelos, reconhecida pelo ONS e CCEE conforme Consulta Externa no. 2 do CT PMOPLD, deveria ser motivo para fixar a convergência em 50 iterações nos modelos NEWAVE e DECOMP, já a partir do PMO de abril 2026, indubitavelmente;

Com a aproximação do final do período úmido no Submercado Sudeste/CO observa-se níveis de reservatório que, se não estão cheios, apresentam 65% na energia armazenada, enquanto o Norte e Nordeste apresentam volumes próximos a 90%.

Mesmo assim o PLD publicado pela CCEE se mantém no patamar superior a R$ 300/MWh em pleno período de chuvas.

Adotar parâmetros mais rígidos de aversão ao risco, acima do necessário, com maior peso em cenários de crise, os quais têm baixa probabilidade de ocorrência, traz para o presente aumento artificial de preços baseados nestes cenários futuros, com alta incerteza, distorce preços e afeta a segurança do mercado e dos investimentos. Não nos parece ser a melhor opção, dado o custo/benefício bastante controverso e o ganho de segurança bastante modesto.

A realidade é que hoje os modelos de formação de preços perderam totalmente a credibilidade.

A Abraceel tem destacado, publicamente, informações que o setor de comercialização sofre a maior crise dos últimos 20 anos. Certamente muito em função da inadequabilidade dos modelos ao momento atual e aos parâmetros de aversão ao risco adotados.

A liquidez do mercado foi dramaticamente reduzida, pois grandes geradores têm preferido a liquidação de sua energia disponível na CCEE, e não mais a ofertam majoritariamente aos demais agentes, impondo crise artificial ao mercado.

O resultado é que a imprevisibilidade do comportamento dos preços associado às distorções e insegurança proporcionadas pelos fatos acima citados, podem levar a retração de investimentos e à penalização dos consumidores.

A abertura de mercado para 2028 está seriamente em risco, consumidores não terão segurança para optar por migrar ao mercado livre, caso esta situação persista.

Espero que o ONS e a CCEE estejam sensíveis a esta realidade do mercado, e avaliem com critério as sugestões dos agentes nas Consultas Externas em andamento, como um passo inicial de se repensar se vale mesmo manter o parâmetro de aversão ao risco em (15,40) para 2027, diante das atuais e graves distorções de mercado.

Em paralelo, a Consulta Pública n° 218 do MME propõe diretrizes para a adoção da contabilização dupla no Mercado de Curto Prazo e para a transição para ofertas de quantidade de energia elétrica no processo de formação de preços, que poderá ser um caminho para reformar de forma estrutural o atual processo.

*Jose Antonio Sorge é sócio da comercializadora ÁGORA ENERGIA

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Resumo das Notícias de Hoje

9/4/2026

Dia 09 de abril de 2026, quinta-feira

- ENEL SP (distribuição)

O ministro Alexandre Silveira admitiu nesta quarta-feira ,8 de abril, que pode haver uma saída negociada para a Enel São Paulo. A Aneel aprovou a abertura do processo de caducidade do contrato da distribuidora. Segundo o ministro, caso a agência reguladora justifique e decida pelo pior cenário, o governo irá seguir o rito necessário.

> Continue a leitura na notícia “Silveira admite que pode haver saída negociada para Enel”: https://bit.ly/4dxw36U

- LICENÇA DE CANDIOTA III (geração)

A possibilidade de renovação da licença de operação da termelétrica Candiota III pode criar uma nova disputa judicial entre ambientalistas e o Grupo J&F. O empreendimento a carvão de 350 MW tem uma dívida em aberto de R$ 125 milhões em multas por pelo menos 12 infrações ambientais. Os dados são do Instituto Arayara.

> Saiba mais em “Licença de Candiota III pode ampliar disputa judicial entre ambientalistas e J&F”: https://bit.ly/4slN73k

- CONTA DE LUZ (consumidor)

As variações nas tarifas de energia elétrica devem gerar um impacto de aproximadamente 40 pontos-base (0,40 ponto percentual) na inflação oficial do país (IPCA) em 2026. A projeção é da TR Soluções. O cálculo reflete os efeitos diretos dos reposicionamentos tarifários das distribuidoras sobre as contas dos consumidores.

> Leia mais em “Aumento da conta de luz deve impactar inflação em 0,4 p.p. em 2026”: https://bit.ly/48CUDjk

- EVENTOS (CanalEnergia)

ENASE | O Futuro da Energia - Reformas e Eleições Moldando o Setor Elétrico

17 e 18 de junho/2026

Hotel Windsor Oceânico – RJ

www.enase.com.br

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Diretor da ANP destaca LRCAP e integração dos setores de gás e elétrico: https://bit.ly/3QbsXvz

Para Pietro Mendes, formato do certame viabiliza a cadeia e a contratação do gás natural e o integra ao setor elétrico.

Aneel revê sorteio e mantém Mosna com relatoria do LRCAP: https://bit.ly/47Roc0p

Em nova distribuição, a agência limitou a declaração de suspeição  do diretor à instrução dos pedidos da empresa dos irmãos Batista. Willamy Frota continua com recursos da J&F.

Itaipu recebe 15 propostas para projetos que somam R$ 100 mi: https://bit.ly/4sgeg7P

Projetos recebidos pela geradora binacional passarão por análise e resultado será divulgado até final de abril.

Fonte: CanalEnergia

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RELATÓRIO ANUAL 2025 DA CPFL ENERGIA

9/4/2026

Gustavo Estrella | CEO da CPFL Energia

Divulgamos hoje o Relatório Anual 2025 da CPFL Energia, que apresenta como contribuímos para o desenvolvimento econômico, para a geração de valor compartilhado com a sociedade e para o avanço rumo a uma economia de baixo carbono.
Tivemos marcos que nos enchem de orgulho, e destaco dois especialmente relevantes para a nossa evolução como companhia. O primeiro foi alcançarmos um portfólio de energia 100% renovável. O segundo foi a vitória no Leilão de Transmissão – Lote 3, que amplia nossa presença no Sul do país e reforça uma convicção essencial: não há transição energética sem uma rede de transmissão robusta.
Nossa estratégia de descarbonização também foi validada pela Science Based Targets initiative (SBTi), e conquistamos a classificação Double A List do CDP, a nota máxima em duas frentes ambientais avaliadas.
Avançamos ainda no nosso compromisso com a sociedade. Anunciamos uma nova fase do Programa CPFL nos Hospitais, com previsão de mais de R$ 120 milhões em investimentos até 2028. Além disso, destinamos mais de R$ 55 milhões a projetos sociais nas regiões onde atuamos, por meio do Instituto CPFL.
Com orgulho pelo caminho construído até aqui, seguimos investindo de forma consistente, integrando sustentabilidade, estratégia e transformação.
Este relatório é resultado da dedicação e do esforço conjunto do nosso time. Convido todos a conferirem na íntegra os resultados e conquistas de 2025: https://lnkd.in/d5WSnubG 

Fonte: CPFL Energia | Linkedin

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA NEWSLETTER OSE – O SETOR ELÉTRICO DE 08/04/2026

8/4/2026

FASCÍCULOS

- O setor elétrico na era da IA: eficiência, segurança e novos paradigmas

Capítulo 2: Engenharia Sistêmica : Smart Grid, a espinha dorsal do futuro do setor elétrico brasileiro

Em The Systems View of Life, Fritjof Capra argumenta que sistemas complexos não podem ser compreendidos pela soma de suas partes, mas pelas relações que as conectam. A estabilidade, em sistemas vivos, não decorre da rigidez estrutural, mas da capacidade adaptativa da rede. A resiliência emerge da qualidade das conexões e da circulação de informação. Essa leitura não é apenas filosófica. Ela é profundamente técnica, quando aplicada a infraestruturas críticas.

Assinado por Leo Almeida, com participação de Rodrigo Regis

Clique aqui e saiba mais sobre

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Capítulo 2: Arquiteturas HVDC 800 VDC para Data Centers de Alta Densidade e AI Factories 

A evolução recente das aplicações de inteligência artificial (IA) e de computação de alto desempenho (HPC) vem impulsionando um crescimento significativo da densidade de potência em data centers. Esse cenário pressiona as topologias tradicionais de distribuição elétrica, tipicamente baseadas em corrente alternada (AC) e em múltiplas etapas de conversão até níveis de baixa tensão.

Assinado por Alexandre Kontoyanis

Clique aqui e saiba mais sobre

COLUNAS

- Inovação e Equidade no Setor Elétrico

Coragem, Estratégia e Poder de Transformação: Mulheres que Brilham na Energia

Participei em Brasília, nos dias 3 e 4 de março, do Movimente. Promovido pelo Sebrae, o encontro reuniu lideranças femininas de diferentes setores para discutir empreendedorismo, inovação e desenvolvimento. A proposta do evento é ambiciosa e necessária: posicionar o Brasil entre os melhores lugares do mundo para uma mulher empreender.

Aline Cristiane Pan

Saiba mais

- Conexão Regulatória

Transparência e Simetria de Informação nas Redes de Distribuição

A modernização do acesso às redes de distribuição no Brasil deixou de ser uma pauta estritamente técnica para se tornar um imperativo de mercado e vetor da implementação da nossa transição energética. No centro desta transformação está o protagonismo do consumidor (o prossumidor) e a necessidade de transparência de informações, elemento vital para que a abertura do mercado livre para a baixa tensão e a integração massiva de recursos energéticos distribuídos ocorra de forma eficiente.

Frederico Boschin

Saiba mais

- Redes Subterrâneas em Foco

Depois do enterramento, o que sustenta a resiliência?

Na edição anterior desta coluna, tratei da resiliência na distribuição de energia a partir de um ponto que ganhou força no debate regulatório recente no Brasil: o marco regulatório aprovado pela ANEEL em outubro de 2025, que reconhece explicitamente a necessidade de preparar os sistemas elétricos para eventos climáticos extremos e para tempos de recuperação compatíveis com a dependência atual da sociedade.

Daniel Bento

Saiba mais

- Iluminação Pública

Cidades Inteligentes : Em qual estágio estamos, normas e iniciativas no Brasil

Em 2026, falar de cidades inteligentes no Brasil deixou de ser “futurista” e passou a ser, cada vez mais, um tema de gestão urbana e de infraestrutura crítica nas cidades. Ao mesmo tempo, ainda convivemos com uma realidade de projetos isolados, em que soluções modernas coexistem sem integração, criando “ilhas” tecnológicas que não geram inteligência integrada para os municípios.

Luciano Rosito

Saiba mais

- Quadros e painéis

Substituição do SF₆ em Cubículos de até 24 kV: Desafios Técnicos, Alternativas Tecnológicas e Critérios de Especificação

A substituição do hexafluoreto de enxofre (SF₆) em cubículos de média tensão até 24kV tornou-se uma prioridade técnica e ambiental no setor elétrico. Embora o SF₆ apresente excelentes propriedades dielétricas e de extinção de arco e seja para mim, umas das melhores soluções da engenharia elétrica de todos os tempos, seu elevado Potencial de Aquecimento Global (GWP ≈ 23.500) impulsiona fabricantes e usuários a adotarem tecnologias alternativas.

Nunziante Graziano

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Fonte: NEWSLETTER OSE – O SETOR ELÉTRICO DE 08/04/2026

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Resumo das Notícias de Hoje

8/4/2026

Dia 08 de abril de 2026, quarta-feira

- ENEL SP (distribuição)

A diretoria da Aneel aprovou por unanimidade a abertura de processo que pode levar à recomendação de caducidade da concessão da Enel São Paulo. A decisão tomada nesta terça-feira, 7 de abril, afasta de imediato a análise do pedido de renovação antecipada pela agência. O contrato de concessão da empresa expira em junho de 2028.

> Saiba mais na notícia “Aneel aprova abertura do processo de caducidade da Enel SP”: https://bit.ly/4ciqdUR

> Sobre o mesmo assunto, leia também “Transferência de controle pode ser alternativa para a Enel SP, diz Feitosa”: https://bit.ly/4tzcwaO

- RECURSOS DO UBP (distribuição)

A Aneel voltou a adiar a decisão sobre o rateio de recursos da repactuação de parcelas vincendas do pagamento pelo Uso do Bem Público. A proposta apresentada pela diretora Agnes da Costa na reunião desta terça feira, 7 de abril, prevê a distribuição do valor repactuado olhando no primeiro momento as distribuidoras com as maiores tarifas. O repasse final, porém, vai conjugar esse resultado com a necessidade de olhar também para os consumidores que terão aumentos tarifários maiores esse ano.

> Leia mais em “Decisão sobre divisão de recursos do UBP para aliviar tarifas é adiada”: https://bit.ly/4bXfSi3

- ‘DIA DO PERDÃO’ (geração)

A Agência Nacional de Energia Elétrica pretende abrir novo prazo para que projetos de geração inviáveis desistam da transmissão. Essa medida é mais conhecida como Dia do Perdão. A ideia é abrir uma consulta pública com prazo de 15 dias para discutir a revogação. Dados da agência apontam que há 9,5 GW nessa condição.

> Continue a leitura na matéria “Aneel avalia novo ‘dia do perdão’ que pode chegar a 9,5 GW”: https://bit.ly/4ty9gwv

- EVENTOS (CanalEnergia)

ENASE | O Futuro da Energia - Reformas e Eleições Moldando o Setor Elétrico

7 e 18 de junho/2026

Hotel Windsor Oceânico – RJ

www.enase.com.br

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Pacto Energia inaugura sistema de bateria em Coronel Vivida: https://bit.ly/4spSoHo

Diretrizes do CNPE criam as bases para eólica offshore no Brasil: https://bit.ly/4tA4oHe

Fonte: Canal Energia

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Credenciada na Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para trabalhos de apoio ao órgão regulador

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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