AGENDA SETORIAL 2026: O PONTO DE PARTIDA PARA AS GRANDES DISCUSSÕES DO SETOR ELÉTRICO
- Agenda Setorial 2026 abre debates sobre reformas e prioridades do setor elétrico
A edição 2026 do Agenda Setorial foi aberta nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, reunindo representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), além de executivos e especialistas do setor. Organizado pela Informa Markets e coorganizado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), o encontro marca a abertura do calendário anual de discussões do segmento, em um contexto de mudanças relevantes para o modelo de expansão, a formação de preços e a governança do sistema.
Na abertura, o diretor de Relações Institucionais da Informa Markets, Hermano Pinto, destacou que o setor atravessa um momento decisivo, influenciado por transformações tecnológicas, avanços regulatórios e impactos geopolíticos. Segundo ele, temas como planejamento, preços, governança e expansão estão no centro das discussões.
O executivo também ressaltou o resultado do leilão de reserva de capacidade (LRCAP), realizado na véspera, que contratou 18,97 GW de energia despachável, com participação de hidrelétricas e termelétricas. Para Hermano, o resultado abre espaço para novos certames, incluindo soluções de armazenamento, como sistemas de baterias, com potencial de atrair investidores internacionais.
“Em um momento de expansão das fontes renováveis, o sistema precisa cada vez mais de flexibilidade, confiabilidade e capacidade de resposta”, afirmou.
Ao longo do dia, a programação aborda temas centrais da agenda setorial. O primeiro painel trata das prioridades político-regulatórias para 2026, seguido por discussões sobre planejamento, equilíbrio do sistema e flexibilidade operacional.
Também estão na pauta os preços de energia, considerados estratégicos para investimentos e gestão de risco, além de um painel final dedicado ao leilão recente e ao papel das novas tecnologias na evolução do setor.
O Agenda Setorial se consolida como um dos principais fóruns de discussão do setor elétrico brasileiro, ao reunir diferentes agentes em um ambiente de diálogo voltado à construção de soluções para os desafios do mercado.
- Agenda Setorial 2026 reúne líderes e especialistas para debater desafios e prioridades do setor elétrico
O Agenda Setorial 2026, realizado nesta quinta-feira (19) no Rio de Janeiro, reuniu lideranças e especialistas do setor elétrico para discutir os principais desafios e oportunidades que marcarão o ano.
Rodrigo Ferreira, presidente executivo da ABRACEEL, destacou que o setor enfrenta a maior crise dos últimos 20 anos, com problemas de liquidez, distorções na formação de preços e aumento do risco de judicialização. Segundo ele, a falta de previsibilidade nos preços compromete a atividade de trading e reduz a oferta de energia no mercado. Apesar do cenário desafiador, Ferreira ressaltou que a abertura do mercado para consumidores do Grupo B, prevista para 2027, representa uma oportunidade relevante. A ABRACEEL anunciou medidas como a criação de uma central de monitoramento do mercado e mecanismos de autorregulação entre os associados.
Fernando Coli Munhoz, secretário executivo adjunto do Ministério de Minas e Energia (MME), enfatizou a necessidade de consolidar avanços regulatórios e implementar medidas legais já encaminhadas. Ele detalhou mudanças no acesso à transmissão, que deve adotar um modelo competitivo, e destacou a condução de leilões de capacidade, incluindo o primeiro certame voltado a sistemas de armazenamento. Coli também apontou como prioridade a definição de critérios para renovação de outorgas de geração e ajustes na obrigatoriedade de contratação de energia.
Ricardo Simabuku, conselheiro de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), anunciou que a instituição manterá sua diretoria atual durante a transição para o novo modelo de governança, garantindo a continuidade das operações. Ele também destacou a preparação da CCEE para a ampliação do mercado livre de energia, com melhorias operacionais e tecnológicas, como a criação de APIs e plataformas de comparação de preços. Segundo Simabuku, o segmento já soma cerca de 89 mil consumidores, evidenciando o ritmo de expansão do mercado.
Mario Menel, presidente da Fundação de Apoio à Sustentabilidade Energética (FASE) e da Associação Brasileira dos Autoprodutores de Energia (ABIAPE), ressaltou a complexidade do setor elétrico e seus impactos na economia. Ele destacou que a multiplicidade de agendas exige coordenação entre os agentes e afeta toda a cadeia produtiva, chegando ao consumidor final. “O setor elétrico é muito complexo e isso se reflete no preço do pão”, afirmou.
O Agenda Setorial 2026 reafirmou seu papel como espaço de construção de conteúdo e alinhamento de prioridades, promovendo o diálogo entre diferentes agentes do mercado diante dos desafios regulatórios e estruturais em curso.
- Formação de preços, segurança e flexibilidade lideram debates no setor elétrico durante o Agenda Setorial 2026
O setor elétrico brasileiro está passando por uma transformação em suas prioridades, com foco crescente na formação de preços, segurança de mercado e flexibilidade operacional. Esses foram os principais temas discutidos no painel "Planejamento e Equilíbrio Setorial", realizado nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, durante o Agenda Setorial 2026, evento organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL).
Frederico Rodrigues, vice-presidente de Estratégia e Comunicação da ABRACEEL, abriu o painel destacando que a agenda do setor mudou. “O foco agora é formação de preço e segurança do mercado, no sentido mais amplo, incluindo a própria estabilidade do setor”, afirmou. Ele alertou para a falta de previsibilidade na formação de preços, que tem gerado distorções. “Estamos com preços elevados mesmo em cenários de corte de geração, o que é contraintuitivo”, disse. Rodrigues também apontou uma crise de liquidez que afeta comercializadores, consumidores e geradores. “O mercado está praticamente parado. Há empresas fechando mesas de operação por falta de instrumentos para atuar”, afirmou, destacando que o painel buscaria alternativas para restabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda.
Angela Gomes, diretora da PSR, enfatizou a necessidade de antecipar decisões no planejamento do setor, incorporando fatores como mudanças climáticas e geopolítica. “Não podemos deixar de fazer o que é possível hoje esperando o ideal. Precisamos atuar agora, olhando para o longo prazo”, afirmou. Ela também destacou o papel estratégico das baterias, que podem atuar em toda a cadeia do sistema elétrico. “O custo está caindo e precisamos de uma regulação inteligente para viabilizar sua expansão”, disse. Angela alertou ainda para os riscos de decisões adiadas. “Não podemos deixar problemas nascerem e crescerem sem tratamento, porque depois eles se tornam grandes demais para serem resolvidos”, afirmou, defendendo uma abordagem pragmática e coordenada entre os agentes do setor.
- Iniciativas e Desafios para a Formação de Preços no Setor Elétrico
Nesta quinta-feira (19), o Rio de Janeiro foi palco do evento Agenda Setorial 2026, organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL). O encontro reuniu especialistas e representantes do setor elétrico para debater os principais desafios e avanços relacionados à formação de preços no mercado de energia, destacando temas como inconsistências nos modelos de precificação, inovação tecnológica e iniciativas regulatórias.
Entre os pontos abordados, foram discutidas as discrepâncias entre os preços calculados e as condições reais do sistema elétrico. Casos de preços elevados em cenários de sobra de energia foram citados como exemplos de distorções que impactam a sinalização econômica e a operação do sistema. A calibração dos modelos, incluindo variáveis como despacho térmico, previsão de carga, vento e sol, foi apontada como essencial para ajustar os mecanismos de formação de preços à realidade operativa, especialmente diante do aumento da participação de fontes renováveis.
O evento também destacou o uso de ferramentas analíticas desenvolvidas em parceria com a Volt Robotics, que permitem comparar variáveis como custo marginal de operação, preço de liquidação das diferenças (PLD), programação de despacho e operação realizada. Essas iniciativas visam identificar divergências entre os modelos e a prática, ampliando a transparência e contribuindo para o aprimoramento dos sinais econômicos do setor.
Outro tema relevante foi a adoção de uma arquitetura aberta para os modelos do setor elétrico, proposta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A iniciativa prevê a disponibilização do código-fonte dos sistemas, permitindo que agentes do mercado adaptem e desenvolvam soluções próprias a partir da base existente. Essa abordagem open source busca estimular a inovação, reduzir limitações operacionais e ampliar a eficiência do setor, promovendo maior flexibilidade e autonomia para os participantes.
Além disso, o ONS anunciou a criação de uma nova área dedicada à modelagem, com foco em reduzir a dependência tecnológica de fornecedores externos e ampliar a capacidade interna de desenvolvimento. A proposta inclui a construção de uma arquitetura baseada em código aberto e desenvolvimento colaborativo, com participação de empresas, consultorias e universidades. O cronograma prevê mudanças significativas a partir de 2028, respeitando a governança setorial e os processos regulatórios.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) também apresentou avanços concretos no aprimoramento dos modelos de formação de preços. Foram identificadas 32 oportunidades de melhoria relacionadas a dados de entrada, premissas, restrições e modelagem, das quais 14 já foram implementadas. As análises realizadas pela CCEE destacaram que as divergências observadas refletem limitações inerentes aos modelos, reforçando a necessidade de ajustes contínuos para alinhar os sinais econômicos à realidade operativa do sistema.
Por fim, o evento abordou o equilíbrio entre precisão e tempo de processamento dos modelos, destacando que as simplificações necessárias para representar o sistema elétrico podem gerar diferenças entre os preços calculados e a operação real. Iniciativas recentes de análise comparativa entre modelos e operação já permitiram identificar dezenas de melhorias potenciais, parte das quais estão em fase de implementação.
O Agenda Setorial 2026 reforçou a importância de decisões técnicas e regulatórias conjuntas para enfrentar os desafios de um sistema cada vez mais complexo, com crescente participação de fontes renováveis e demandas por maior precisão e eficiência nos modelos de formação de preços. O evento destacou o compromisso do setor com a inovação, a transparência e o aprimoramento contínuo, visando garantir maior alinhamento entre os sinais econômicos e a realidade operativa do sistema elétrico.
Christiano Vieira, diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), destacou os desafios impostos pelo aumento da participação de fontes renováveis. “O sistema precisa operar com equilíbrio em tempo real. Quando há excesso de geração, é necessário reduzir produção para manter a estabilidade”, explicou. Ele também apontou a necessidade de soluções como armazenamento de energia e maior flexibilidade operacional para lidar com a complexidade crescente. Vieira ressaltou que a curva de carga redefine as necessidades do sistema, criando espaço para novos produtos e serviços. “O sistema precisa responder ao vale, à rampa e à ponta de carga, cada um com características próprias”, afirmou, destacando a importância de ajustes no modelo para sinalizar corretamente o valor desses recursos ao mercado.
Fernando Cezar Maia, vice-presidente de Regulação e Relações Institucionais do Grupo Energisa, afirmou que subsídios no passado contribuíram para o excesso de oferta no setor. “O subsídio levou a um sobreinvestimento. Já era possível identificar que isso geraria um excesso de oferta”, disse. Ele também destacou a necessidade de flexibilidade no sistema para lidar com o novo perfil de operação, marcado pelo crescimento das fontes renováveis e da geração distribuída. Entre as soluções, Maia mencionou o papel do armazenamento de energia, microgrids e novos modelos tarifários. Ele citou projetos de tarifas horárias que já envolvem mais de cinco mil consumidores no país, mas alertou que mecanismos como a tarifa branca, isoladamente, não são suficientes para promover mudanças significativas no padrão de consumo.
João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, reforçou que o excesso de oferta e os cortes de geração ampliam a necessidade de flexibilidade no sistema. “O sistema hoje precisa lidar com um excesso de energia, e isso se traduz diretamente em cortes de geração”, afirmou. Ele destacou o avanço de tecnologias como armazenamento de energia e resposta da demanda como essenciais para enfrentar a variabilidade crescente da matriz elétrica. Mello também mencionou iniciativas de inovação voltadas à agregação de flexibilidade e previsão de geração e carga, ressaltando que a complexidade do sistema exige ferramentas que permitam maior previsibilidade e adaptação.
Angela Gomes concluiu o painel com um apelo por soluções viáveis e coordenadas. “O setor é um grande museu de grandes novidades. A gente nunca sai dos mesmos problemas”, afirmou. Para ela, o momento exige uma mudança de postura. “Não podemos ficar esperando o mundo ideal. Precisamos fazer hoje o que é possível para melhorar o futuro”, disse, destacando a importância da inteligência coletiva para construir avanços no setor elétrico.
O painel "Planejamento e Equilíbrio Setorial" reforçou a necessidade de ações imediatas e coordenadas para enfrentar os desafios do setor elétrico, com foco em segurança, flexibilidade e inovação.
Redução de Subsídios e Novas Tecnologias no Setor Elétrico Marcam Encerramento do Agenda Setorial 2026
O encerramento do Agenda Setorial 2026, realizado nesta quinta-feira (19) no Rio de Janeiro, trouxe debates de alto nível sobre os desafios e oportunidades do setor elétrico brasileiro. O evento, organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), contou com a participação de líderes e especialistas que discutiram temas como subsídios, novas tecnologias e a evolução do mercado.
No painel LRCAP, Novas Tecnologias e Flexibilidade no Setor Elétrico, Alexandre Viana, CEO da ENVOL, destacou a necessidade de reavaliar a política de subsídios no setor, que atualmente soma cerca de R$ 70 bilhões. Segundo ele, esses subsídios representam custos redistribuídos entre agentes e consumidores, o que distorce preços e reduz a eficiência econômica. “É muito difícil mexer no passado. O mais pragmático é parar de ampliar distorções e melhorar as regras daqui para frente”, afirmou. Viana também defendeu ajustes na geração distribuída e a adoção de mecanismos complementares, como o mercado de capacidade, para garantir sinais econômicos mais eficientes.
Ainda sobre o tema, Marisete Pereira, presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (ABRAGE), reforçou a importância de preservar a segurança jurídica ao revisar subsídios. “Mudanças retroativas enfrentam forte resistência e risco de judicialização. Precisamos avançar com ajustes estruturais voltados ao futuro”, disse. Ela destacou que a redução dos subsídios exige maior responsabilização dos agentes e um esforço coordenado entre instituições e mercado.
Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE), também abordou a questão, afirmando que o modelo atual de incentivos precisa ser revisado para evitar distorções e garantir eficiência. “O setor acumulou mecanismos que incentivaram investimentos desalinhados com a demanda do sistema. Precisamos de sinais de preço mais claros e de uma expansão mais racional”, afirmou.
Além dos subsídios, o debate trouxe à tona a importância de novas tecnologias para o futuro do setor. Alexandre Viana destacou que a adoção de soluções como armazenamento de energia e veículos elétricos conectados à rede depende de sinais econômicos adequados. “O preço é o elemento central para que essas tecnologias ganhem escala”, afirmou. Ele também ressaltou o papel dos medidores inteligentes, que permitem aos consumidores ajustar seu consumo com base em sinais de preço, contribuindo para a eficiência do sistema.
Joisa Dutra, diretora do FGV Cebri, trouxe uma perspectiva técnica ao debate, enfatizando que o desenho de mercado deve ser tratado como uma ciência estruturada, baseada em modelos econômicos e teoria dos jogos. “O aumento da participação privada tornou o setor mais complexo e dinâmico. Cada empresa precisa desenvolver suas próprias análises e entender como seus ativos se inserem no sistema”, afirmou. Para ela, a evolução do mercado exige maior capacitação técnica e engajamento direto dos agentes na formulação de modelos e regras.
O evento concluiu com um consenso entre os painelistas sobre a necessidade de um pacto setorial para reduzir subsídios, fortalecer a lógica de preços e promover a modernização do setor elétrico brasileiro. A transição deve ser gradual e pragmática, com foco em soluções viáveis no curto prazo e na construção de um mercado mais eficiente e sustentável.
Fonte: Agenda Setorial | CanalEnergia