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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Confira as consultas públicas terminando nos próximos dias

14/10/2025

Data final: 21/10/2025

Consulta Pública n° 198 de 19/09/2025

Proposta de diretrizes para a implantação de medidores inteligentes no curto prazo, seguida de Análise de Impacto Regulatório, e para a apresentação de análise de custo-benefício para implantação de medidores inteligentes no médio e longo prazo pelas distribuidoras de energia elétrica.

Data final: 24/10/2025

Consulta Pública 030/2025

Obter subsídios e informações adicionais acerca do aprimoramento da proposta referente à Revisão Tarifária Periódica de 2025 da DME Distribuição S.A. – DMED.

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública e https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS BY CANALENERGIA – 180ª EDIÇÃO DE 14/10/2025

14/10/2025

EXCLUSIVO

Todo mundo precisa praticar e entender de economia circular. É mais um tema urgente ao qual o CanalEnergia está bastante atento. Por isso, entendemos que também nos cabe a missão de compartilhar o que está acontecendo de mais atual nessa área. Imbuída desse espírito, a repórter Michele Rios produziu a robusta reportagem especial desta semana, com um panorama completo. Sem exagero, em especial no setor energético, a economia circular representa uma revolução. Isso porque, ao focar em fontes renováveis e no reaproveitamento de materiais, substitui o modelo tradicional baseado em combustíveis fósseis. Este novo paradigma visa reduzir custos, diminuir a dependência de importações e criar novos negócios a partir do reuso de equipamentos. A Absolar, por exemplo, destaca o papel estratégico da energia solar na descarbonização e circularidade. Dados apontam um potencial de geração de valor de US$ 450 milhões até 2030 apenas com a recuperação de materiais. No entanto, a implementação enfrenta desafios consideráveis. Uma pesquisa da CNI revelou que apenas 30% das empresas entrevistadas sabiam o que é economia circular. Além da lacuna de conhecimento, existem obstáculos regulatórios e logísticos, incluindo a inadequação dos modelos atuais de logística reversa para equipamentos fotovoltaicos, a necessidade de mão de obra especializada e a estruturação de uma cadeia robusta em um país continental. Nesse contexto, a ausência de uma política específica e integrativa para a economia circular também é um desafio notório.

ECONOMIA

O organograma do MME vai ganhar mais uma “caixinha”. O ministro Alexandre Silveira anunciou a criação da Secretaria Nacional de Eletromobilidade dentro do ministério. De acordo com ele, é importante que haja um planejamento desse tema no médio prazo, garantindo a atração de investimentos. A propósito,  o emplacamento de veículos elétricos leves registrou crescimento de 51% de janeiro a setembro.

Ainda sobre o MME, a Pasta trabalha na elaboração de planos de aceleração de soluções nas áreas de energia, mineração e combustíveis sustentáveis. As propostas abrangem sete temas que serão apresentados na COP30, em Belém (PA). A ideia é criar um fluxo de entregas, com ações até 2028. É nessa data, que todos os países farão o segundo balanço global dos avanços em relação às metas do Acordo de Paris.  Sebo nas canelas, para atender o prazo!

Foi no sufoco, na bacia das almas da aprovação da Medida Provisória 1300, mas deu certo. O presidente Lula sancionou a Lei 15.235, conversão da MP, que tem como principal item a ampliação da Tarifa Social de Energia Elétrica e a isenção do pagamento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para famílias de baixa renda. A cerimônia foi realizada no Palácio do Planalto, com direito aos tradicionais discursos entusiasmados do presidente Lula.

Não há nada a temer. Pelo menos é o que garante o ONS (Operador Nacional do Sistema). De acordo com projeções, o atendimento energético está garantido até março de 2026. Os reservatórios das hidrelétricas apresentaram evolução dentro do esperado durante o período seco. A avaliação foi feita na reunião mensal do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico).

POLÍTICA

A Justiça Federal determinou a suspensão do processo de renovação antecipada da concessão da concessionária. A sentença foi proferida pela 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, em resposta a uma ação da Prefeitura de São Paulo. A decisão interrompe o trâmite até que o processo sobre a eventual caducidade do contrato seja resolvido. O juiz exigiu ainda que a Aneel avalie rigorosamente o cumprimento do requisito de “serviço adequado” no período de 2023 a 2025. O diretor-Geral da Aneel, Sandoval Feitosa, Feitosa, já havia afirmado, aliás, que o processo sobre as falhas da Enel SP - que resultou em multas e pode levar à caducidade - deveria avançar antes do pedido de renovação. Ele ponderou na oportunidade, que não via possibilidade de deliberar favoravelmente sobre a prorrogação sem a resolução do processo instrutório. Acrescentou que a aprovação antecipada teria que retornar à agência caso a caducidade fosse posteriormente recomendada. A Enel SP, por seu lado, reitera que cumpre os critérios estabelecidos para a prorrogação e que investe em melhorias contínuas do serviço.

CONSUMO E COMPORTAMENTO

Legal que o presidente Lula tenha conseguido anunciar a ampliação da Tarifa Social para baixa renda. Mas a vida financeira das demais classes de consumidores continua difícil de administrar.  O fim da incorporação do bônus de Itaipu trouxe uma variação de 2,97% em setembro ao grupo Habitação, que compõe o IPCA Amplo. Energia teve alta de 10,31% no mês, sendo o principal impacto individual no índice no mês, com 0,41 ponto percentual. É, pelo menos, a segunda vez que isso acontece em meses recentes. Mas, não está fácil pra ninguém, mesmo. Até o ACL vem amargando aumentos salgados. O custo da energia em 2026 aos consumidores livres pode subir em até R$ 65 por MWh, conforme análise da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia). Na prática, isso equivale a um impacto médio real da ordem de 5% a 12% sobre as despesas com eletricidade.

CCEE – SELO INNOVATIVE WORKPLACES BRASIL

A Câmara recebeu, pela segunda vez, o selo Innovative Workplaces Brasil, concedido pela MIT Technology Review, uma das publicações mais prestigiadas do mundo em tecnologia e inovação. Mas, o ONS não fica atrás em excelência. O Operador conquistou, pela primeira vez, três certificações ISO que reforçam seu compromisso com a sustentabilidade e a eficiência na gestão de suas atividades: Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001), de Gestão de Energia (ISO 50001) e de Facilities (ISO 41001).

FISCALZAÇÃO ANEEL

A agência puxou o seu implacável talão de multas e tascou pelo menos umas quatro, recentemente. Os “contemplados” foram: Equatorial Goiás, Equatorial Amapá (CEA), TermoPernambuco e a PCH Cambuí. As penalidades somam, no total, coisa de uns  R$ 37,5 milhões. Os motivos são bem variados. Vão desde o atraso em obras, no caso da PCH, a falhas em restabelecimento de energia, caso da CEA, passando pelo uso não autorizado de informações, caso da Equatorial Goiás, até frustração de despacho, caso da TermoPernambuco.

Esta semana promete emoções fortes.

A começar pelos debates envolvendo a MP 1304, que entrou em rápida contagem regressiva, repetindo o drama da MP 1300. O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), sinalizou que vai dar celeridade ao processo. A previsão é que por esses dias ocorram audiências públicas. Os lugares na plateia, aliás, vão ser bem concorridos. Veja aqui na Volts mais detalhes sobre o plano do relator.

Para os lados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), vamos à segunda edição do chamado circuito deliberativo. Muito suspense em torno de um processo, em particular. Justamente aquele que envolve a controversa alteração no estatuto da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Vamos acompanhar tudo.

Fora isso, a expectativa não é menor em torno do destino da renovação do contrato de concessão da Enel SP. A Justiça decidiu barrar o processo. O mercado aguarda ansioso os próximos passos desse caso rumoroso. Saiba aqui a posição da Aneel, que já estava prevendo alguns obstáculos na tramitação.

E a boa notícia para os fãs do ENERGY TalkTechs é que temos uma nova edição programada. Vai ser um debate bacana sobre como o setor energético está sendo transformado por tecnologias emergentes e inteligência artificial, em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, exigências regulatórias rigorosas e a crescente pressão por fontes de energia sustentáveis e renováveis. Imperdível!  

Alexandre Canazio

editor-chefe do CanalEnergia”

Fonte: VOLTS BY CANALENERGIA – 180ª EDIÇÃO DE 14/10/2025

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FRASE DA SEMANA

14/10/2025

“Explicar um erro é sempre honroso.”

Autor: Machado de Assis

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Resumo das Notícias de Hoje

13/10/2025

Dia 13 de outubro de 2025, segunda-feira

- REGULAMENTAÇÃO DO H2 (cop 30)

A indústria do hidrogênio verde está na expectativa de ver os decretos que regulamentam as leis do Marco Legal serem publicados na COP 30. De acordo com a presidente executiva da ABIHV, Fernanda Delgado, os textos já foram encaminhados à Casa Civil e tudo indica que serão publicados durante o evento que acontece mês que vem em Belém (PA). Serão dois decretos, um para cada lei, de 2024. Um dos pontos mais esperados é o justamente o segundo, que trata da distribuição de R$ 18 bilhões de recursos para incentivar a indústria.

> Saiba mais na notícia “Regulamentação do H2 deve ser publicada na COP 30”: https://bit.ly/4q8p6wM

- PERSPECTIVA DOS RESERVATÓRIOS (geração)

Os reservatórios do Sistema Interligado Nacional devem chegar em março de 2026 com armazenamento entre 53,7% e 81,3%. Essa são as visões pessimistas e otimistas de acordo com análise do Operador Nacional do Sistema Elétrico divulgado nessa sexta-feira, 10 de outubro. Enquanto isso, as projeções de afluência estão abaixo da Média de Longo Termo (MLT) no cenário inferior (69% da MLT) e no cenário superior, onde alcança 100% da MLT.

> Continue a leitura na notícia “ONS projeta reservatórios entre 53,7% e 81,3% em março de 2026”: https://bit.ly/42BQPMv

- ENEL SP (distribuição)

A Justiça Federal determinou que a Agência Nacional de Energia Elétrica suspenda o processo de renovação antecipada da concessão da Enel São Paulo até decisão final em processo que pode resultar na caducidade do contrato atual.

Leia mais em “Justiça suspende prorrogação antecipada da concessão da Enel SP”: https://bit.ly/3W2Ds4k

- EVENTOS (canalenergia)

Brazil Windpower

Data: 28-30 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

Aproveite o DESCONTO EXCLUSIVO para assinantes!

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WhatsApp Bruno - https://api.whatsapp.com/send/?phone=5511932738511

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Embaixador admite decepção com atraso em compromissos de redução de emissões: https://bit.ly/4h3ejQo

Correa do Lago citou economias importantes como EU. Governo brasileiro antecipou sua NDC e esperava que demais países apresentassem suas propostas até fevereiro desse ano.

MME prepara planos de aceleração de soluções em energia, mineração e combustíveis: https://bit.ly/4nJX3Ch

Propostas vão abranger sete temas, que serão apresentados nas negociações da COP 30, em Belém.

MME vai criar Secretaria para Eletromobilidade: https://bit.ly/48KxsVt

Estado do Pará deverá ter alívio nas contas com uso de recurso do Uso do Bem Público.

Fonte: CanalEnergia

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DO ELECTRA ENERGY/CLIPPING Ed. 20/2025 de 10/10/2025

13/10/2025

- Demanda por minerais estratégicos para geração de energia vai crescer 54% em dez anos, estima EPE

A demanda por minerais estratégicos e críticos pelo setor energético deve crescer nos próximos dez anos, especialmente na geração renovável e nos veículos elétricos, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Estudos de planejamento da empresa apontam que a capacidade instalada de geração elétrica no país vai crescer 35% até 2034, ao passo que a composição mineral da matriz elétrica deve aumentar 54%. Eólicas e solares são as fontes com maior uso de minerais e devem manter essa composição em 2034.

- Setembro registra expansão de 1,4 GW na matriz elétrica somente com fontes renováveis

Em setembro, entraram em operação 27 novas usinas de geração de energia elétrica no país, somando 1,4 GW, incluindo 17 solares e 08 eólicas. Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também mostram que, no ano, houve uma expansão de 5,9 GW no parque gerador brasileiro, com a inauguração de 97 usinas. Desse total, 12 são termelétricas (2,5 GW), 35 solares (1,7 GW) e 37 eólicas (1,5 GW). Dentre os estados que mais receberam projetos estão Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Norte.

- Silveira diz que abertura do mercado livre beneficia classe média

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), defendeu que a abertura do mercado livre de energia elétrica vai beneficiar a classe média ao “acabar com o monopólio das distribuidoras” na venda ao consumidor final. Silveira defendeu o avanço no Congresso das discussões da medida provisória 1304/2025, a MP dos Vetos. “Quem comprar energia no mercado livre compra 20% mais barato”, disse.

- Brasil ignora seu maior trunfo energético

O mundo já escolheu sua principal aposta para o armazenamento de energia em larga escala: as usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs), responsáveis por mais de 94% de toda a capacidade global de armazenamento. Mas o Brasil, que detém expertise mundial em hidroeletricidade, não conta hoje com nenhuma UHR em operação. Estudos recentes identificaram cerca de 5.500 aproveitamentos viáveis para usinas do tipo no território nacional, muitos dos quais poderiam utilizar reservatórios já existentes. Essa abundância de alternativas reforça o potencial técnico e geográfico do Brasil para liderar globalmente na adoção dessa tecnologia.

- Aneel muda regra para reduzir desconto bilionário a geradores de energia renovável

A Aneel aprovou uma mudança nas regras para a concessão de benefícios tarifários a usinas de geração renovável: apenas empreendimentos de até 300 MW de potência injetada passam a ter direito ao benefício tarifário. A alteração cumpre determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). Com a mudança, o órgão regulador passou a adotar nas outorgas o conceito de “complexo de geração”, que considera tanto o compartilhamento de infraestrutura (ponto de conexão com a rede elétrica) pelas usinas quanto uma avaliação societária de seus donos.

- MP 1300 e MP 1304: o impacto das medidas provisórias no setor elétrco

As discussões sobre as mudanças no setor elétrico não se encerram com a aprovação da MP 1300, mas se projetam sobre a 1304, que carrega os pontos de maior impacto para a modernização do setor. Considerando o cenário atual, será necessário um esforço expressivo de articulação entre os atores setoriais para construir consensos relevantes. Sem isso, corre-se o risco de perpetuar o status quo e, pior, de ver o sistema elétrico colapsar diante de uma realidade operacional cada vez mais complexa, marcada pela inserção exponencial de fontes renováveis e pela urgência em modernizar redes físicas e digitais. A avaliação é de Wagner Ferreira, sócio do Caputo, Bastos e Serra Advogados.

- Babilônia e Electra inauguram sistema de carregamento para carros elétricos

O Grupo Electra, referência em soluções inteligentes de energia, e o Babilônia, referência na cena gastronômica de Curitiba, inauguraram um sistema de carregamento de veículos elétricos no estacionamento do restaurante. A iniciativa conecta a preocupação de ambas as empresas com a inovação, a sustentabilidade e a prestação de serviços diferenciados para seus clientes.

- Sem mercado de capacidade, bateria não é viável para reduzir curtailment

Os sistemas de baterias no Brasil se tornarão viáveis principalmente com o empilhamento de receitas e do mercado de capacidade, por meio de leilões. Para Matheus Dias, da Aurora Energy Research, mesmo diante de um contexto de alto curtailment e risco de modulação para energia solar, as baterias ainda não são viáveis no modelo merchant. Estudo da consultoria a pedido da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) demonstrou que a contratação de 1 GW em baterias em um leilão de reserva de capacidade pode gerar uma economia de até R$ 4,6 bilhões em comparação com mesmo volume contratado em usinas termelétricas a gás natural.

- Senado discute se prejuízo do curtailment deve ir para a conta de luz

A discussão sobre os cortes de geração de energia precisa ser feita com cautela e profundidade para evitar que os custos bilionários sejam repassados aos consumidores de energia, que já pagam os subsídios que resultaram no crescimento acelerado da geração. O alerta foi feito em audiência pública sobre o tema na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado. No evento, foram feitas ponderações sobre os motivos dos cortes e tentativas de minimizar o problema, incluindo mudanças nas regras de ressarcimento e possibilidade de dividir o custo com a MMGD.

- Produção de energia limpa é atrativo para empresas investirem no Brasil

A energia renovável é um grande valor agregado para empresas que querem entrar no Brasil, segundo Thomas Kwan, vice-presidente do Instituto de Pesquisas de Sustentabilidade da Schneider Electric. “Isso é uma espécie de ímã”, afirmou. Mas ainda existe um gargalo para distribuição de energia limpa, devido ao fato de que há muitos parques geradores eólicos e solares no Nordeste do Brasil, enquanto o consumo de energia elétrica se concentra na região Sudeste e o sistema de transmissão não atende toda a oferta.

- Companhia oferece energia limpa para empresas e residências

O objetivo do Grupo Electra é transformar energia em oportunidades, por meio da oferta de soluções inteligentes para que empresas e pessoas tenham acesso à energia de forma limpa, acessível e estratégica. “Estruturados em diferentes segmentos de mercado, nos posicionamos como uma companhia de soluções completas no setor, unindo economia, sustentabilidade e inovação”, disse o presidente do Grupo, Claudio F. Alves. A Electra Comercializadora, especializada no atendimento de consumidores de média e alta tensão, é a espinha dorsal do grupo. Somadas a ela, estão Electra Illian (painéis solares fotovoltaicos), Electra Hydra (responsável por 24 pequenas centrais hidrelétricas) e Electra Wind (projetos eólicos), além da Electra Soluções, que atua em infraestrutura energética.

Fonte: ELECTRA ENERGY/CLIPPING Ed. 20/2025 de 10/10/2025

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