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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Resumo das Notícias de Hoje

28/1/2026

Dia 28 de janeiro de 2026, quarta-feira

- LRCAP E GÁS NATURAL (expansão)

O leilão de reserva da capacidade será fundamental na manutenção das tarifas de transporte de gás natural para os usuários remanescentes não térmicos. De acordo com a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, em caso de não recontratação, o custo fixo rateado pelo menor volume de agentes será maior para os que restarem na malha. A tarifa de transporte é uma remuneração mínima aprovada dividida pelo volume contratado. Com menos volume contratado, a tarifa sobe.

> Saiba mais na matéria “LRCAP será fundamental na remuneração da malha de gás”: https://bit.ly/4kdy5dO

> Sobre o mesmo assunto, leia também “MME altera regras do LRCAP para térmicas a gás”: https://bit.ly/4raFXPe

- CONCESSÕES DA STERLITE (política)

A diretoria da Aneel decidiu manter a recomendação de caducidade dos contratos de concessão da Serra Negra e da Tangará Transmissão de Energia, do grupo Sterlite. Os processos punitivos das transmissoras foram encaminhados em dezembro do ano passado ao Ministério de Minas e Energia, com conclusão favorável à revogação das outorgas.

> Leia mais em “Aneel mantém recomendação de caducidade de concessões da Sterlite”: https://bit.ly/45BEp8L

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

MEETUP | O futuro da matriz elétrica para além de 2030

Data: 11 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aneel aprova receita fixa e tarifa de Angra para 2026: https://bit.ly/3ZBu5dl

Valor total a ser rateado entre consumidores livres e regulados e autoprodutores será de R$ 4,8 bilhões.

Firjan: RJ é o maior consumidor de gás natural do país: https://bit.ly/3M6PFn3

Estado também é o maior produtor do energético com 75% da produção. Estudo da Firjan mostra transformação estrutural, com impulso a novos negócios.

Petrobras deve concluir negócio com Lightsource bp em março: https://bit.ly/49OhUA8

Após fechamento da operação, geradora renovável deve mudar de nome.”

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

27/1/2026

Dia 27 de janeiro de 2026, terça-feira

- SISTEMA NO LIMITE (geração)

O sistema elétrico operou “perigosamente próximo” do limite inferior de segurança por excesso de oferta de energia renovável em pelo menos 16 dias de 2025, segundo balanço da Volt Robotics. O desperdício de energia no ano passado foi da ordem de 20%, com impacto de R$6,5 bilhões, em uma estimativa conservadora. O valor está associado aos cortes de geração solar e eólica, que totalizaram 4.021 MW médios.

> Saiba mais na matéria “Sistema operou próximo do limite e corte de renováveis ficou em R$6,5bi”: https://bit.ly/4rmn5x7

- RESSARCIMENTO DE ENERGIA DE CONTRATOS REGULADOS (negócios e empresas)

A suspensão dos ressarcimentos de energia de contratos regulados vai contribuir para a liquidez e os indicadores financeiros de geradores eólicos e solares em 2026. A medida aprovada pela Aneel é neutra, no entanto, para o _rating_ das empresas e dos instrumentos de dívida dos projetos, segundo avaliação da Fitch Ratings.

> Continue a leitura em “Suspensão de ressarcimento é neutra para rating de geradores, diz Fitch”: https://bit.ly/3Z2oT1Z

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

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AGENDA SETORIAL

19 março/2026

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MEETUP | O futuro da matriz elétrica para além de 2030

Data: 11 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Grupo Voltxs coloca Energy Advisor no foco em 2026: https://bit.ly/4jZGzVz

Serviço de assessoria energética auxilia clientes a reduzirem custos de energia com soluções inteligentes e de mercado.

Consumo no Grupo Energisa sobe 3% em dezembro: https://bit.ly/4pXnyV5

Sete de nove concessões apresentaram alta na demanda por energia no final de 2025, em especial a residencial e rural. Resultado no acumulado do ano fica em 1,4%.

Eneva anuncia 14ª emissão de debêntures no valor de R$ 2 bilhões: https://bit.ly/3NFdMtu

As debêntures serão emitidas em duas séries, com vencimentos previstos para 15 de janeiro de 2036 e 15 de janeiro de 2041.

Albioma emite R$ 118 milhões em debêntures para financiar 31 usinas fotovoltaicas: https://bit.ly/3LC1z8p

Os recursos serão destinados ao financiamento de 81 MWp em usinas distribuídas  por diferentes estados brasileiros.”

Fonte: CanalEnergia

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SINAL DE ALERTA 4: os reservatórios das UHEs pararam de piorar, mas seguem preocupantes

27/1/2026

Edvaldo Santana | Diretor na NEAL, Negócios de Energia Associados Ltda.

Acertou a Aneel ao criar seu Gabinete de Acompanhamento das Condições do SIN, um eufemismo para Gabinete de Crise, ou uma forma educada de dizer que, por escassez de água, os hipopótamos subiram no telhado.

Hoje, dia 21 de janeiro, verifica-se que os reservatórios das UHEs alcançaram, no todo, 46,4%. Representa o crescimento de um ponto percentual em comparação com o início do mês. É um aumento, OK, mas mesmo assim um NÚMERO ASSUSTADOR. Em situação normal, nos 20 dias de janeiro o índice de armazenamento deveria ter crescido no mínimo 8 pontos percentuais. Portanto, o quadro, hoje, é de déficit. E não é um déficit qualquer.

Há uma Nota disponível na abertura da página do ONS na internet que mostra onde podemos chegar. Considerando um cenário chamado de “inferior”, dia 31 de janeiro os reservatórios do SE/CO atingiriam 41,1%, para uma ENA de 49% da média.

Com os números de hoje já é possível dizer que tal índice de armazenamento será igual ou maior que os atuais 43,5%. O PROBLEMA É QUE 43,5% É UM NÚMERO ARREPIANTE. SÃO 12 PONTOS PERCENTUAIS ABAIXO DO QUE SERIA NECESSÁRIO PARA QUE 2026 FOSSE IGUAL A 2025, ONDE PREDOMINOU A BANDEIRA VERMELHA. Ou seja, NÃO É DESPREZÍVEL A PROBABILIDADE DE 2026 SER BEM PIOR QUE 2025.

Note que, no cenário “superior” do ONS, os reservatórios do SE/CO chegariam dia 31 de janeiro com 48,5%, valor, hoje, quase impossível. Sucede que mesmo nesse cenário “superior” o índice de armazenamento do SIN no fim de junho, segundo o ONS, não atingiria a 64%, O QUE SINALIZARIA, NA MINHA COMPREENSÃO, UM ANO COM BANDEIRA VERMELHA NO PRIMEIRO PATAMAR A PARTIR DE FEVEREIRO (veja SINAL DE ALERTA 3) E NO SEGUNDO PATAMAR DE MAIO EM DIANTE, NA MELHOR DAS HIPÓTESES.

Mas vamos com calma. AINDA TEMOS 90 dias até o fim de abril, horizonte em que, normalmente, há chuvas em volumes relevantes. NÃO SERIA DESCARTÁVEL, ASSIM, A POSSIBILIDADE DE NESSES 90 DIAS CAIR A CHUVA QUE NÃO VEIO EM DEZEMBRO E JANEIRO E MAIS O QUE SERIA ESPERADO PARA O RESTO DO PERÍODO. Você contaria com isso? Eu seria mais conservador.

Entendo que numa “boa” expectativa de cenário, com ENA equivalente à média de 2025 (entre fevereiro e abril), o ÍNDICE DE ARMAZENAMENTO DO SIN SERIA DE POUCO MAIS DE 60%, QUE SALVA A PÁTRIA, MAS O CUSTO SERÁ ELEVADÍSSIMO.

Por alguma razão, lembrei de março de 2001, quando a Aneel criou o correspondente ao “gabinete de acompanhamento”. Eu fazia parte do tal “gabinete”. Na época, era proibido falar em crise. Deu no que deu. Aliás, naquela época também era impensável a Nota que, desde o dia 15 de janeiro, está estampada na página do ONS, que é um grande avanço.

Fonte: Linkedin

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TARIFAS INTELIGENTES | AULÃO VOLT – 23/01

27/1/2026

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DO ELECTRA CLIPPING – ED. 02/26, DE 23/01/2025

26/1/2026

- Uma liderança reconhecida pelo setor elétrico brasileiro Franklin Miguel entre os 100 + influentes da Energia 2025

O CEO da Electra Comercializadora de Energia, Franklin Miguel, foi destacado como um dos 100 + Influentes da Energia de 2025, reconhecimento promovido pelo Grupo Mídia Full Energy. A iniciativa, que homenageia personalidades e instituições que contribuem de forma relevante para o desenvolvimento, a inovação e o fortalecimento da cadeia energética no Brasil, reforça a liderança inspiradora e eficaz de Franklin à frente da Electra, além de refletir o trabalho consistente de uma empresa comprometida com uma gestão responsável e estratégica.

- A 67 Km de Curitiba, primeira grande hidrelétrica do Paraná foi construída no meio da Mata Atlântica

Construída pela Companhia Força e Luz do Paraná em meio à Mata Atlântica, a Usina Hidrelétrica Chaminé iniciou suas operações com capacidade instalada de 9 MW, número expressivo para a época em que foi construída, no início do século passado. Atualmente, sob o comando da Electra, tem capacidade de 18 MW. Embora modesta se comparada aos cerca de 14 mil MW de Itaipu, a geração mantém relevância histórica e energética para o estado do Paraná.

- Com alerta hídrico, Aneel cria gabinete para monitorar o sistema elétrico

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) instituiu um gabinete especial de acompanhamento das condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o biênio 2026/2027. O colegiado será subordinado à diretoria e contará com 11 integrantes. A decisão tem como base a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) da semana passada, na qual foram discutidas medidas emergenciais para garantir o atendimento energético no período, em linha com o conjunto de ações adotado durante a crise hídrica de 2021.

- Mercado livre de energia avança e amplia liberdade de escolha para o consumidor

O mercado livre de energia continua sua expansão acelerada no Brasil, oferecendo mais autonomia e competitividade para consumidores de diferentes perfis. Em 2025, o ambiente registrou a entrada de mais de 21,7 mil novos consumidores, totalizando cerca de 85 mil participantes, responsáveis por 43% de toda a eletricidade consumida no país, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Agora, o mercado está avançando para se tornar acessível a todos os brasileiros.

- Data Centers devem dobrar consumo de energia no Brasil e hidrelétricas serão decisivas para garantir potência firme e segurança energética no país

Ao se observar o salto projetado no consumo de energia elétrica dos data centers, torna-se evidente que o país só conseguirá atrair e sustentar essa nova onda de investimentos se a base hidrelétrica for reconhecida como alicerce de previsibilidade energética. O atendimento contínuo e de alta confiabilidade requerido por essas instalações, que não podem sofrer interrupções, variações bruscas ou oscilações de frequência, exige uma matriz com forte presença de fontes estáveis, robustas e capazes de compensar a intermitência das demais renováveis.

- Aneel suspende ressarcimentos a consumidores até a definição de nova regra sobre cortes de geração

Ao se observar o salto projetado no consumo de energia elétrica dos data centers, torna-se evidente que o país só conseguirá atrair e sustentar essa nova onda de investimentos se a base hidrelétrica for reconhecida como alicerce de previsibilidade energética. O atendimento contínuo e de alta confiabilidade requerido por essas instalações, que não podem sofrer interrupções, variações bruscas ou oscilações de frequência, exige uma matriz com forte presença de fontes estáveis, robustas e capazes de compensar a intermitência das demais renováveis.

- Sem regra de garantia física, Aneel vê risco no leilão de capacidade de 2026

A Aneel enviou ofício ao Ministério de Minas e Energia solicitando urgência na emissão de uma nova diretriz sobre a alocação da garantia física de usinas hidrelétricas outorgadas sob o regime de cotas. O pedido tem como foco as ampliações hidrelétricas que pretendem participar do leilão de reserva de capacidade de 2026, previsto para 18 de março.

- CMSE: ONS apresenta projeções de afluências e armazenamentos  e indica conjunto de medidas operativas na ocorrência de um período úmido desfavorável

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, no dia 14 de janeiro, os resultados das condições de atendimento eletroenergético até o fim de junho de 2026, em reunião ordinária do CMSE. Visando a preservação dos estoques de água, o ONS recomendou a manutenção da operação com defluências minimizadas na bacia do rio Paraná, e o início de tratativas para implementação da redução destas defluências mínimas a serem implementadas após o período da Piracema, a depender da evolução das condições hidrológicas do sistema.

- Empresas podem mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano para acelerar transição climática aponta WBA

As empresas mais influentes do mundo têm potencial para mobilizar cerca de US$ 1,3 trilhão por ano para a transição climática sem depender de avanços tecnológicos adicionais. Segundo relatório da World Benchmarking Alliance (WBA), até 30% da lacuna anual de investimentos em energia limpa necessária até 2030 poderia ser fechada caso as companhias elevassem seus aportes para níveis já observados no mercado, aproximando a economia global de uma trajetória alinhada ao limite de aquecimento de 1,5°C do planeta. O estudo avaliou 2 mil das empresas mais influentes do mundo.

- Demanda em alta por minerais críticos reforça gargalos, indica estudo

Os veículos eletrificados responderão por até 45% do consumo global de minerais críticos e terras raras até 2050 e por mais de 80% da expansão da demanda por substâncias como lítio, cobalto e níquel. O avanço ocorre em um contexto em que a oferta mineral primária tende a se tornar insuficiente, ao mesmo tempo em que a China concentra a capacidade industrial de produção desses veículos e o processamento dos minerais. A combinação desses fatores amplia o risco de gargalos de oferta, pressões inflacionárias e disputas geopolíticas, conforme análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

- Aneel prevê crescimento de 91 GW na Matriz elétrica brasileira em 2026

A Aneel prevê um aumento de 9.142 MW na potência instalada no Brasil em 2026. A estimativa supera em 23,4% o resultado obtido em 2025, quando 136 usinas entraram em operação comercial. No ano passado, foram instaladas 63 centrais solares fotovoltaicas (2,8 GW), 15 termelétricas (2,5 GW) e 43 eólicas (1,8 GW), entre outras usinas. Quanto à distribuição geográfica, as novas usinas foram instaladas em 17 estados, com destaque para o Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.

- BBCE movimenta R$ 88,8 bilhões em 2025 e registra maior volume financeiro de sua história

O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) encerrou 2025 com o maior volume financeiro anual já registrado em sua história, ao movimentar R$ 88,8 bilhões em negociações de energia elétrica. Segundo o órgão, o resultado foi impulsionado por preços mais elevados do MWh e por um ambiente de forte volatilidade ao longo do ano, que elevou o valor médio dos contratos negociados no mercado. No acumulado do ano, o montante financeiro cresceu 0,4% em relação a 2024 e quase triplicou frente a 2023, com alta de 199,3%.

Fonte:  ELECTRA CLIPPING – ED. 02/26, DE 23/01/2026

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