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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

FRAGMENTOS EXTRÍDOS DO ELECTRA CLIPPING – EDIÇÃO 03/26 DE 06/02/2026

9/2/2026

- PLD no teto contrasta com bandeira verde e reforça debate sobre operação

A disparada dos preços de energia elétrica voltou ao centro das mesas de operação nesta quarta-feira, 4 de fevereiro. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) atingiu o valor de R$ 1.557/MWh em diferentes submercados e patamares de carga. O descompasso entre a bandeira verde acionada em fevereiro e essa realidade do Mercado de Curto Prazo reforça críticas aos modelos de formação de preço e aos sinais percebidos pelo consumidor final em comparação com o custo marginal da operação.

- BNDES aprova R$ 280 milhões para produção de baterias que reduzem cortes na rede elétrica

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 280 milhões para a WEG reformar uma planta industrial e construir, em Itajaí (SC), a maior fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias do país. Com a nova fábrica, a WEG passará a ter uma capacidade produtiva para até 2 gigawatts por ano. A conclusão do projeto é prevista para o segundo semestre de 2027.

- Volume financeiro de energia incentivada cresce 68% na BBCE em 2025

A BBCE registrou um crescimento de 67,8% no volume financeiro total das negociações de energia incentivada em 2025 em comparação com o ano anterior, atingindo R$ 11,6 bilhões. Para a companhia, o resultado evidencia a consolidação da evolução do trading dessa fonte no Brasil. A BBCE informou ainda que a energia convencional movimentou 78.123 contratos, totalizando 47.098 GWh negociados no período.

- Leilão de hidrelétricas menores deve ficar para o segundo semestre

O leilão para contratação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) previsto na reforma do setor elétrico do ano passado não será realizado no prazo previsto na legislação e deverá só acontecer no segundo semestre de 2026. Pela lei, deveria ser contratado até o primeiro trimestre um limite de 3 GW dessas usinas. Internamente, o Ministério de Minas e Energia (MME) já avalia que não conseguirá cumprir o cronograma. A Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch) considera que o prazo previsto em lei foi muito curto para possibilitar a realização de um leilão.

- A tragédia dos comuns e o uso múltiplo dos reservatórios de hidrelétricas

As regras operacionais de uma hidrelétrica incluem limites, superior e inferior, impostos ao nível de água no próprio reservatório e no trecho do rio a jusante, para garantir que a geração de energia não comprometa os demais usos múltiplos e o equilíbrio ambiental. Em momentos de crise hídrica, se uma restrição no volume de água custa aos consumidores de energia elétrica R$ 100 e o relaxamento da restrição custa R$ 30 aos demais usuários da água, que tal achar uma maneira de canalizar R$ 50 do primeiro grupo para o segundo e todos saírem ganhando?

- Consumo no mercado livre avança 2,7 % em dezembro; cativo recua 1,2 %

O consumo de energia elétrica no país aumentou 0,5% em dezembro de 2025, registrando 47.616 GWh. Enquanto o avanço no mercado livre foi de 2,7%, o recuo no mercado cativo chegou a 1,2%, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), nas classes residencial, comercial e outros registraram crescimento de 4,1%, 0,5% e 1,4%, respectivamente. Já a indústria reduziu o consumo em 3,3%.

- Saiba como modelos matemáticos podem ajudar a reduzir crises hídricas

Pesquisa publicada na revista Water Resources Management mostra que, em muitos casos, ajustes relativamente simples na forma como os reservatórios de água são operados podem aumentar significativamente a segurança hídrica, sem a necessidade de novas obras ou grandes investimentos. Em vez de liberar água normalmente até que o nível do reservatório fique crítico, por exemplo, a operação com “gatilhos” estabelece limites antecipados: se o volume armazenado ficar abaixo de determinada capacidade, pequenas reduções graduais na liberação de água são acionadas automaticamente.

- Aneel autoriza nova versão do modelo Dessem

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o uso da versão 22 do modelo computacional DESSEM para o planejamento e programação da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e para o cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). O modelo é uma ferramenta essencial para o setor elétrico brasileiro, sendo utilizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para simular e otimizar a operação do SIN em curto prazo, garantindo maior eficiência no despacho de energia e no cálculo do PLD.

- Desequilíbrio no setor elétrico forçou o corte de 20% da produção de eólicas e solares  em 2025, aponta levantamento

Em 2025, o sistema elétrico brasileiro descartou cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido GWgerada, segundo cálculos da Volt Robotics com base em números do ONS. Esses cortes levaram um prejuízo de R$ 6,5 bilhões aos empreendimentos. A consultoria afirma que em 16 dias do ano o sistema operou “perigosamente” próximo do limite inferior de segurança por causa do excesso de geração de energia renovável. Em todo o ano de 2024, esse cenário aconteceu apenas uma vez.

- MME abre consulta pública para antecipação de contratos e reforço da segurança do SIN

O MME abriu a Consulta Pública nº 212 para a formulação da política pública que estabelece diretrizes gerais para antecipação dos contratos de projetos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP). A proposta visa fortalecer, de forma preventiva e estruturada, a segurança eletroenergética do SIN.

- Geração distribuída no Brasil ultrapassa 44 GW e deve atingir 50 GW  em 2026

A capacidade instalada de geração distribuída (GD) no Brasil ultrapassou 44 GW. Segundo a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), a expectativa é de um crescimento de 15% em 2026, para 50 GW. Os principais desafios para a expansão da GD em 2026 incluem a previsibilidade regulatória, a capacidade de conexão em algumas regiões e a necessidade de modernização das redes de distribuição, ainda pouco adaptadas a um sistema mais descentralizado.

Fonte: ELECTRA CLIPPING – EDIÇÃO 03/26 DE 06/02/2026

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FRASE DA SEMANA

9/2/2026

“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”

Autor: Benjamin Franklin

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PARA LER COM CALMA

7/2/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos dessa semana, aqui vai um resumo:

Política e Governança

- MME: Nomeação de Gustavo Ataide como Secretário-Executivo, substituindo Artur Valério.  https://bit.ly/4koBtCC

- Aneel: TCU identificou 6 riscos estruturais na agência, como restrições orçamentárias e defasagem de pessoal.  https://bit.ly/4tsPDqz

- Alexandre Silveira (MME): Afirmou lealdade ao presidente Lula e disposição para cumprir missões eleitorais em MG.  https://bit.ly/4kiSPAV

- Câmara dos Deputados: Joaquim Passarinho (PL-PA) assumiu a presidência da Comissão de Minas e Energia, prometendo diálogo com governo e setor privado.  https://bit.ly/4awAiNY

- Aneel liberou R$118,6 milhões para reduzir tarifas da CEA.  https://bit.ly/3LVZHYd

Operação e Infraestrutura

- Reservatórios: Sudeste/Centro-Oeste devem fechar fevereiro com 58,4% de armazenamento; Nordeste lidera com 69,2%.  https://bit.ly/4rweDvk

- Data Centers: 43 solicitações de acesso à rede aprovadas pelo ONS, com destaque para projetos de datacenters (7.040 MW).  https://bit.ly/3ZgDFm4

Tecnologia e Parcerias

- Armazenamento de Energia:

> WEG construirá fábrica de BESS (Battery Energy Storage Systems).  https://bit.ly/3M7s59S

> Mosna destacou urgência na regulamentação do armazenamento no Brasil.  ttps://bit.ly/4qgVA6T

- Certificados de Energia Renovável: CCEE e Itaipu lançam mecanismo para venda de I-RECs, fortalecendo mercado de atributos ambientais.  https://bit.ly/4qs04YM

- Hidrogênio Verde: Parceria entre Axia e GIZ para produção de aço a partir de H2V.  https://bit.ly/3Zlfp24

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

6/2/2026

Dia 06 de fevereiro de 2026, sexta-feira

- SECRETARIA-EXECUTIVA DO MME (política)

Foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira, 5 de fevereiro, o decreto nomeando Gustavo Ataide como Secretário – Executivo do Ministério de Minas e Energia. Ele entra no lugar de Artur Valério, que deixou o cargo no começo da semana. Ataíde ocupava desde junho de 2025 a Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, no lugar de Thiago Barral.

> Leia mais em “Governo nomeia Gustavo Ataide para secretaria-executiva do MME”: https://bit.ly/4koBtCC

- ATUAÇÃO DA ANEEL (política)

Levantamento realizado pelo Tribunal da Contas da União nos processos finalísticos da Aneel aponta seis riscos relacionados à capacidade da agência reguladora de atingir seus objetivos. Esses riscos são atribuídos a fragilidades estruturais, como restrições orçamentárias crônicas, defasagem do quadro de pessoal e limitações em investimentos tecnológicos.

> Saiba mais em “Fragilidades estruturais afetam capacidade de atuação da Aneel, conclui TCU”: https://bit.ly/4tsPDqz

- SILVEIRA E LULA (política)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quinta-feira (05/02), em Ipatinga (MG), que pretende cumprir a missão que for dada a ele pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições desse ano em Minas Gerais. “Eu já deixei público que eu serei um militante e um defensor da continuidade do governo do presidente Lula. Portanto, eu esperarei a missão que ele me der. E essa missão eu vou cumprir, porque lealdade e gratidão não se transigem,” disse, ao ser questionado sobre seu futuro político

> Continue a leitura “Silveira diz que vai cumprir a missão que for dada a ele pelo presidente Lula”: https://bit.ly/4kiSPAV

- EVENTOS  (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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MEETUP | O futuro da matriz elétrica para além de 2030

Data: 11 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Leilões e custos regulatórios ameaçam futuro da energia eólica no Brasil, aponta diretor da Casa dos Ventos: https://bit.ly/3ZlL2Zi

Fernando Elias alertou que o modelo atual de regulamentação transfere os custos da expansão para os geradores de energia renovável, inviabilizando economicamente a implementação.

Mosna reforça a urgência de regulamentação do armazenamento no Brasil: https://bit.ly/4qgVA6T

Diretor da Aneel reconheceu que o Brasil está atrasado nesse debate, mas ressaltou que a abordagem regulatória deve ser cuidadosa e adaptada às peculiaridades do mercado nacional.

Axia e GIZ lançam parceria para produção de aço a partir de H2V: https://bit.ly/3Zlfp24

Projeto do governo alemão visa desenvolver modelo de produção sustentável. Planta de hidrogênio verde com até 10 MW suprirá siderúrgica.”

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

5/2/2026

Dia 05 de fevereiro de 2026, quinta-feira

- PRESIDENTE DA COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA DA CÂMARA  (política)

O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) defendeu o diálogo com o governo e o setor privado, após ser eleito para a presidência da Comissão de Minas e Energia da Câmara nesta terça-feira, 3 de fevereiro. O parlamentar anunciou que vai convidar o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para que ele compareça o mais rápido possível à CME.

> Saiba mais em “Passarinho defende diálogo ao assumir CME e anuncia convite a Silveira”: https://bit.ly/4awAiNY

- OPERAÇÃO DO SISTEMA  (operação)

Os principais desafios enfrentados pelo setor elétrico no curto prazo incluem a operação do sistema durante o período úmido, que exige atenção especial devido aos baixos níveis de armazenamento nos reservatórios. Segundo a gerente executiva de relacionamento com agentes e assuntos regulatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Tatiane Pestana, atualmente, esses níveis estão em 49%. O índice está abaixo dos 63% registrados em janeiro de 2005.

> Continue a leitura em “ONS monitora operação do sistema diante de chuvas e desafios no Carnaval”: https://bit.ly/3Zj7DWw

- CRESCIMENTO DE DATA CENTERS NO BRASIL  (expansão)

O Brasil se destaca no cenário global por sua matriz elétrica altamente renovável, com cerca de 90% da eletricidade proveniente de fontes limpas, enquanto a média mundial é de apenas 30%. Essa posição privilegiada, no entanto, traz consigo desafios significativos, especialmente diante do crescimento acelerado dos data centers, que demandam cada vez mais energia. O diretor de estudos econômico-energéticos e ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Ivanoski Teixeira, destacou que o aumento da demanda por data centers é um fenômeno global, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, computação em nuvem e tecnologias de hyperscale.

> Leia mais em “Crescimento de data centers no Brasil redefine planejamento energético”: https://bit.ly/3ZnrjZg

- EVENTOS  (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

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https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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Data: 11 de fevereiro

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://bit.ly/meetup-ce-fev26”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Com foco na comunicação, Equatorial dá largada em sandbox: https://bit.ly/4qn6eJj

‘Minha Energia’ traz tarifa que varia conforme o horário de consumo. Consumidores terão medidores inteligentes para acompanhar consumo.

Aneel autoriza liberação de R$118,6 mi para reduzir tarifa da CEA: https://bit.ly/3LVZHYd

Repasse será feito com recursos do leilão de GSF e terá impacto de -10,32% no componente financeiro do reajuste da empresa de 2025.

WEG construirá fábrica para produzir BESS: https://bit.ly/3M7s59S

Projeto contou com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação.”

Fonte: CanalEnergia

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