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INDICE DE MODULAÇÃO DA DCIDE E OS DESCONTOS TARIFÁRIOS DAS FONTES DE ENERGIA

14/9/2026

Por: Antonio Araújo da Silva

A crescente importância da formação horária do preço da energia elétrica no Brasil tornou necessário distinguir dois fenômenos que, embora relacionados à comercialização de energia, possuem naturezas distintas: de um lado, os descontos tarifários regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incidentes principalmente sobre as Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão e Distribuição (TUST/TUSD); de outro, o Índice de Modulação da Dcide (IMD), que representa o efeito econômico decorrente do perfil horário de geração em comparação com uma geração hipoteticamente distribuída de maneira uniforme ao longo das horas.

Desde a adoção do PLD horário, em janeiro de 2021, a hora em que a energia é produzida passou a ter impacto crescente sobre o resultado econômico dos agentes. A Dcide desenvolveu, nesse contexto, seus Índices de Modulação por fonte e submercado. O indicador compara o valor econômico da geração efetivamente realizada a cada hora, considerando o PLD horário, com o valor que seria obtido caso a mesma quantidade de energia fosse gerada em um perfil denominado flat, isto é, uniformemente distribuído pelas horas do período. O resultado é expresso em R$/MWh.

Assim, quando o IMD é positivo, a fonte apresenta um prêmio de modulação, pois sua geração tende a ocorrer em horários nos quais o PLD é relativamente mais elevado. Quando o IMD é negativo, verifica-se um desconto de modulação, porque a geração está concentrada em períodos de preços menores. O indicador igual a zero significa, em termos econômicos, que não existe prêmio ou desconto relevante em relação ao perfil flat.

É importante destacar que o IMD da Dcide não representa um desconto tarifário estabelecido pela ANEEL. O indicador é uma referência analítica de mercado. Seu cálculo utiliza, fundamentalmente, a geração horária das usinas disponibilizada pelo ONS e os valores horários do PLD divulgados pela CCEE. Atualmente, a metodologia da Dcide contempla as fontes solar, eólica e hidráulica, nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.

A diferença entre os dois conceitos torna-se especialmente importante quando se analisam as chamadas fontes incentivadas. A legislação brasileira criou mecanismos de redução das tarifas de uso dos sistemas elétricos para estimular determinadas fontes de geração. A Lei nº 9.427/1996, juntamente com sua regulamentação, fundamenta a concessão de descontos na TUST/TUSD para empreendimentos enquadrados nas hipóteses legais. A ANEEL disciplina a aplicação desses benefícios, inclusive por meio da Resolução Normativa nº 1.031/2022 e das regras de comercialização correspondentes.

Na prática, os percentuais de desconto tarifário associados à energia incentivada podem variar conforme o enquadramento da usina e do contrato. A documentação regulatória da ANEEL registra, entre outros, descontos de 50%, 80% e 100%, conforme a situação específica do empreendimento e da energia comercializada. A própria base de dados da CCEE para 2026 identifica montantes de energia incentivada com descontos de 50%, 80% e 100%, além de energia convencional com desconto de 0%.

Dessa forma, pode-se estabelecer uma distinção simplificada:

Categoria| Desconto regulatório TUSD/TUST| Relação com o IMD da Dcide
Energia convencional| 0%| O IMD pode gerar prêmio ou desconto econômico
Energia incentivada| 50%, 80% ou 100%, conforme enquadramento| O desconto tarifário é independente do IMD
Cogeração qualificada| Há hipóteses de 50%, conforme enquadramento| Pode apresentar prêmio/desconto de modulação
Solar| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD tende a ser negativo quando a geração ocorre em horas de PLD baixo
Eólica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo quando a geração coincide com preços elevados
Hidráulica| Conforme enquadramento regulatório do empreendimento| IMD pode ser positivo pela capacidade de geração em horários de maior valor

Portanto, não se deve interpretar um desconto de 50%, 80% ou 100% da energia incentivada como sendo o mesmo que o desconto de modulação calculado pela Dcide. O primeiro é um benefício tarifário regulatório, relacionado à utilização da rede de transmissão e/ou distribuição; o segundo é um resultado econômico associado ao comportamento horário da geração diante do PLD.

Essa distinção é particularmente relevante no ambiente de contratação livre. Uma energia incentivada pode possuir, por exemplo, determinado percentual de desconto na TUSD/TUST e, simultaneamente, apresentar prêmio ou desconto de modulação. Os dois efeitos podem coexistir e influenciar a avaliação econômica do contrato, mas são calculados por metodologias distintas.

Os dados mais recentes divulgados pela Dcide demonstram a relevância econômica desse fenômeno. Em maio de 2026, a geração solar apresentou índices negativos em todos os submercados: -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, -R$ 60,41/MWh no Norte, -R$ 54,87/MWh no Nordeste e -R$ 52,86/MWh no Sul. Em sentido oposto, a geração eólica apresentou índices positivos nos quatro submercados, enquanto a hidráulica também apresentou prêmios positivos.

No caso da energia solar, o fenômeno está relacionado à concentração da geração durante o período diurno, justamente quando a elevada oferta fotovoltaica pode contribuir para reduzir o preço horário da energia. Em maio de 2026, o desconto de modulação da solar no Sudeste/Centro-Oeste chegou a aproximadamente 40,9% do PLD médio daquele submercado.

A geração hidráulica apresentou comportamento oposto: no mesmo mês, o prêmio de modulação variou de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A explicação econômica está relacionada à maior flexibilidade operacional das hidrelétricas, que permite maior contribuição nos períodos em que a geração solar diminui e o sistema necessita de outras fontes para atendimento da carga.

A fonte eólica também apresentou prêmio positivo em todos os submercados em maio de 2026, variando de R$ 6,24/MWh no Sul a R$ 33,80/MWh no Norte. No Nordeste, região de grande concentração da geração eólica brasileira, o prêmio foi de aproximadamente R$ 9,93/MWh, equivalente a cerca de 6% do PLD médio do submercado.

Os dados evidenciam, portanto, que a simples comparação do preço médio da energia de diferentes fontes pode ser insuficiente. Para uma avaliação econômica mais completa, é necessário considerar pelo menos quatro componentes: (1) preço da energia; (2) desconto regulatório de TUSD/TUST; (3) perfil de geração e seu efeito de modulação; e (4) localização da geração e do consumo nos diferentes submercados.

Em síntese, a regulação da ANEEL cria os mecanismos de incentivo tarifário destinados a determinadas fontes e empreendimentos, enquanto o Índice de Modulação da Dcide procura mensurar o efeito econômico do perfil horário de geração diante do PLD horário. A combinação desses fatores é fundamental para a correta avaliação de contratos de energia no mercado livre. Uma fonte pode possuir significativo benefício regulatório de TUSD/TUST e, ainda assim, sofrer perda econômica decorrente de sua modulação horária; da mesma forma, uma fonte pode apresentar menor ou nenhum benefício tarifário e obter prêmio econômico decorrente da produção em horários de preços elevados.

Por essa razão, na análise de uma operação de compra e venda de energia, o percentual de desconto regulatório não deve ser utilizado isoladamente como medida de vantagem econômica. O valor efetivo da energia depende da interação entre benefício tarifário, preço contratado, perfil de geração, PLD horário, submercado, sazonalidade, flexibilidade contratual e riscos de exposição à CCEE. O Índice de Modulação da Dcide constitui, nesse contexto, importante instrumento complementar para identificar quanto o perfil temporal da geração agrega ou subtrai valor da energia comercializada.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL. Resolução Normativa nº 1.031, de 26 de julho de 2022. Estabelece procedimentos para aplicação dos descontos nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
  • BRASIL. Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica.
  • CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA – CCEE. Dados abertos: Energia Incentivada. São Paulo: CCEE, 2026.
  • DCIDE. Índices de Modulação. Campinas: Dcide, jun. 2026.
  • DCIDE. Índices Mensais de Modulação – Análise Maio de 2026. Campinas: Dcide, 2026.
  • ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Dados de geração do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro: ONS.

Antonio Araújo da Silva
Consultor da TATICCA / Tax / Corporate Finance / Advisory

Confira as consultas públicas terminando na próxima semana

4/8/2026

Data final: 10/08/2026

- Consulta Pública 018/2026

obter subsídios para aprimoramento da Análise de Impacto Regulatório da ANEEL no âmbito da atividade P&E 22-02- “Aperfeiçoamento do Programa de Eficiência Energética para a Transição Energética” da Agenda Regulatória.

Data final: 13/08/2026

- Consulta Pública n°226 de 14/07/2026

Divulga, para Consulta Pública, proposta do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica - POTEE 2026 - Ampliações e Reforços - Rede Básica e Demais Instalações de Transmissão (1ª Emissão).

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública e https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

3/8/2026

Dia 03 de agosto de 2026, segunda-feira

- RESERVATÓRIOS DO SIN EM AGOSTO (geração)

Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem terminar o mês de agosto com volume operativo de 61,1%. Os dados estão no Relatório Executivo do Programa Mensal de Operação, referentes a Semana Operativa de 1º a 7 de agosto e divulgados pelo ONS. De acordo com o operador, o submercado Sul deve operar com 89,6% da capacidade. No Nordeste, os níveis devem chegar a 75,1%, enquanto na região Norte os reservatórios devem alcançar a marca de 85,8%.

> Leia mais na notícia “Reservatórios do SIN devem terminar agosto acima de 60%”: https://shorturl.at/3nW43

- “METODOLOGIA PARA SELEÇÃO DE ÁREAS PARA OFERTA PARA A GERAÇÃO EÓLICA OFFSHORE” (geração)

A Empresa de Pesquisa Energética publicou nesta semana a versão final da Nota Técnica “Metodologia para Seleção de Áreas para Oferta para a Geração Eólica Offshore”. O documento traz as contribuições da Consulta Pública nº 191/2025. Essa CP visava coletar subsídios para o aperfeiçoamento da proposta metodológica antes de sua publicação definitiva.

> Saiba mais em “EPE publica metodologia para seleção de áreas para oferta de geração offshore”: https://shorturl.at/bo29s

- EVENTOS CANALENERGIA

Brazil Windpower

Data: 27-29 de outubro

Local: São Paulo Expo - SP

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Diamante Geração avança nos estudos para conversão de Jorge Lacerda: https://shorturl.at/lzYVY

Light ainda tem 80 mil unidades sem energia: https://shorturl.at/8or0c

Bandeira tarifária permanece amarela em agosto: https://shorturl.at/2BS4Y

O que vem a seguir no Brasil? Armazenamento inteligente para uma rede elétrica mais flexível: https://tinyurl.com/4urrhc6k

Fonte: CanalEnergia

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A tarifa de energia do futuro está em discussão

3/8/2026

Não é apenas a rede que passar por modernização, assim como a infraestrutura, a forma como o consumidor será tarifado pelo seu consumo é uma das ações em análise pela agência reguladora

A Aneel espera emitir um sinal de preço com a nova regulação da tarifa horária na baixa tensão. A ideia é de que essa medida desloque a demanda de ponta e resolva um dos grandes gargalos do sistema.  O superintendente de Gestão Tarifária e Regulação Econômica da agência, Leandro Caixeta, afirma que o tema é,  disparado, o mais importante debate sobre modernização tarifária em andamento na autarquia.

A agenda regulatória da Aneel dividiu a modernização tarifária na distribuição em quatro ciclos. O primeiro inclui o preço horário, que está em consulta pública e deve ser aprovado ainda esse ano.

Os custos comerciais das distribuidoras são o segundo tema. Esse assunto também está em consulta pública e com previsão de aprovação em 2026. A Aneel estuda a revisão do faturamento mínimo, ou seja,  um valor que o consumidor  paga dentro da tarifa como custo de disponibilidade da rede. Assim, quanto mais  ele consome, maior é o valor, porque é uma tarifa em reais por megawatt hora.   A proposta em discussão é de que  esse custo (que impressão de fatura etc) passe a ser cobrado em reais por mês. Afinal, que ele existe independentemente do montante consumido.

Aneel aposta na tarifa horária para sinalização de preço impressão de fatura etc) passe a ser cobrado em reais por mês.  

Experimento chega às distribuidoras

Outro processo que já começa a dar resultados em 2026 são os experimentos das distribuidoras com diferentes modalidades de tarifas, dentro do projeto de sandboxes tarifários.  “Em cada ano teremos um ciclo de modernização, a partir dos resultados do sandboxes”, explica Caixeta. Há, atualmente, nove projetos em execução. Dois deles fora do projeto estratégico de P&D da Aneel. Os testes envolvem cerca de 60 mil unidades consumidoras em diferentes áreas de concessão do país.

Outro tema  importante para a implementação da nova estrutura tarifária são os sistemas de medição inteligente. O processo também passou por consulta e deve ser votado pela diretoria da agência até  o fim do ano.

Tarifa horária é o tema mais importante no debate sobre modernização tarifária. (Leandro Caixeta)

Por fim, Oliveira lembra que a tarifa branca  que está sendo discutida hoje é  um pouco diferente da que foi aprovada anos atrás pela Aneel. Agora vem embutido do sinal de preço. Assim, ao final dessa discussão, provavelmente será possível ter números mais assertivos. “Acho que esse processo desse caminho de modernização das tarifas funciona até como um habilitador no mercado livre para você poder oferecer serviços.”

Preço horário

O sinal de preço horário existe para os consumidores atendidos na alta e na média tensão.  Na baixa tensão, no entanto, há uma tarifa horária, conhecida com Tarifa Branca, que não tem o mesmo apelo ao consumidor. E o motivo da baixa adesão é que ela é voluntária e depende, portanto, de um pedido de inclusão do consumidor.

A Aneel apresentou uma proposta de revisão dessa tarifa em consulta pública. O ponto principal é a mudança do modelo de adesão. Ela passaria a ser automática para consumidores com consumo  mensal acima de 1 MWh, no primeiro momento. Na etapa seguinte, atingiria aqueles que consomem 600 kWh por mês.

Há a possibilidade, porém, de adoção do modelo opt-out, no qual o consumidor é incluído na tarifa horária, porém pode optar por pedir a exclusão e voltar para a tarifa convencional. Segundo Caixeta, existe uma convergência no debate quanto à necessidade dessa modalidade tarifária na baixa tensão. Porém, há dúvidas sobre qual é o melhor método. A nova regra será aprovada ainda esse ano.

Perda de flexibilidade e resposta pela demanda

Um dos problemas da operação do sistema é a perda  de flexibilidade pelo lado da oferta de energia, em razão do forte crescimento da geração solar distribuída. Afinal, a fonte já soma mais de 50 GW instalados e tem  aumentado 10 GW por ano.

Além disso, do lado da geração centralizada, usinas eólicas e solares, que são fontes inflexíveis, têm liderado a expansão no país, lembra o superintendente da Aneel. Assim, esse cenário exige uma resposta maior pelo lado da demanda, que só pode ser alcançada com um preço que varie ao longo do dia. Somente dessa forma o consumidor pode ser estimulado a usar mais energia no momento que o sistema está ocioso.

Caixeta lembra que  todo ano  Brasil bate recorde de investimento em distribuição. Da mesma forma,  tem realizado contratações cada vez maiores para o sistema de transmissão.  E o último leilão de capacidade na forma de potência (LRCAP) mostrou que a expansão está ficando muito cara para o consumidor, já que o sistema está cada vez mais subutilizado.

“A gente tem uma ponta muito forte no começo da noite. Mas tem um vale muito forte no período da manhã. Então o sistema fica ocioso praticamente o dia inteiro, e muito congestionado no final da tarde, começo da noite”, explica o superintendente.

Nesse sentido, a tarifa horária é uma agenda de alto impacto em termos de modernização. Um outro efeito positivo do sinal de preço é reduzir os cortes de geração, que já acumulam prejuízos bilionários para o segmento.

Separação fio energia e sinal de preços

O diretor executivo de Regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Ricardo Brandão, acredita separar os custos de fio e de energia evita situações que se comparam a um subsídio cruzado entre as duas modalidades. Ele diz que há espaço para isso, mas  a mudança não parte do zero. “Já existe hoje uma separação. Ela pode ser aprimorada e, certamente, será.”

Para o executivo, a sinalização de preço também é um ponto importante no processo de modernização das tarifas. “A gente não sabe qual é a melhor modalidade para o Brasil. A gente vai estar justamente testando no sandbox. Mas tem convicção que é importante para o consumidor o sinal de preço. Mostrar para ele que é diferente o consumo ao meio-dia, quando tem excesso de geração solar, e o consumo dele à noite, quando está despachando térmicas.”

Brandão diz que o sinal na tarifa é positivo e fundamental, independentemente de abertura do mercado. Nesse sentido, a sinalização é importante tanto para o consumidor que decide migrar quanto para aquele que continua como cliente da distribuidora.

Iniciativas positivas

Assim, o executivo lembra que a Aneel tem várias iniciativas  em paralelo relacionadas à questão tarifária na distribuição. Ele cita a proposta da tarifa branca e a do faturamento mínimo.

Destaca ainda o papel dos sandboxes realizados pelas distribuidoras. “A ideia do sandbox tarifário é você criar massa crítica para que a Aneel possa, a partir desses achados, dessas informações levantadas, do resultado, da análise desses estudos, propor modalidades tarifárias novas.”

O quarto elemento nessa equação é a medição inteligente. O executivo lembra que algumas dessas modalidades tarifárias só funcionam com o medidor inteligente.

“A Aneel vai ter que discutir como é que ela vai fazer o tratamento, no caso da abertura do mercado de baixa tensão. Porque, no mercado de alta tensão, você já tem ali uma separação de energia e demanda. Mas, na baixa tensão, a Aneel vai ter que estabelecer qual vai ser o modelo de tratamento,” explica Brandão. A rigor, afirma o executivo,  já existe  separação entre a Tusd, que é a tarifa do sistema de distribuição, e a TE, que é a tarifa de energia.

Em uma abertura do mercado livre, o consumidor de baixa tensão continuaria pagando a tarifa da rede. E compraria a própria energia de um fornecedor escolhido livremente. Brandão acredita, porém, que dá  para aprimorar a separação tarifária, já considerando esse ponto de partida, que é a Tusd e a TE.

Sandboxes tarifários

O gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado na Abradee, Lindemberg Reis, aponta que a tarifa horária e a  revisitação do custo de disponibilidade do serviço como duas agendas concretas, já apresentarão resultados em 2027.  Ele também é coordenador do projeto de governança dos sandboxes tarifários, e diz que três projetos terão avanços substanciais ao longo desse ano. Os demais serão finalizados em 2027.

O experimento com que mais avançou até agora é o das cooperativas de distribuição Cerbranorte (SC), Certaja (RS), Certel(RS) e Coprel (RS). A proposta trata de estratégias para o mercado livre de energia.  E trouxe duas curiosidades. Uma delas é que apenas 14% dos consumidores consultados pelas cooperativas aderiram a algum produto ofertado dentro do experimento. A outra conclusão é que o desconto médio  no produto ofertado foi de 14%.

Para o representante da Abradee, o resultado indica que o incentivo só na tarifa de energia parece pouco, em que pese toda a gama de informações que foram dadas aos usuários sobre a migração para o ambiente livre.

Dá para modernizar a tarifa sem impacto tarifário grande e mudança drástica para o consumidor. Lindemberg Reis, da Abradee

O segundo projeto, da Energisa, experimentou tarifas dinâmicas para usuários das distribuidoras da Paraíba, do Tocantins e Sul-Sudeste. E o grande legado, segundo Reis,  é que o usuário teve muita dificuldade em mudar seu padrão de consumo ao longo do dia. A explicação é que a ausência de equipamentos automatizados nas residências  dificulta a ação do consumidor,  mesmo com toda a informação de que ele disponha.

Além disso, o terceiro caso é uma experimento da EDP, também com tarifa de energia horária, demanda e custo fixo. Nesse sentido, as conclusões até agora são similares às da Energisa, em relação à dificuldade na mudança comportamental do usuário em relação ao padrão de consumo.

Lindemberg Reis acredita que o resultado pode trazer uma reflexão de que a tarifa deve ser bem desenhada. E, da mesma forma, deve ser implementada para adotar sinais de preço. Adicionalmente, ele argumenta que embora os usuários tenham dificuldade de resposta, ainda assim há algum retorno de uma parcela dos consumidores testados.

Abertura de mercado exige mudança importante

O diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia, Carlos Faria, observa que a abertura total do mercado de energia exige uma mudança importante na forma como a tarifa é apresentada ao consumidor.  Por isso, é fundamental que as pessoas entendam o que estão pagando pela energia e o que corresponde aos custos de uso da rede elétrica.

“Quanto mais transparente for essa informação, mais condições o consumidor terá de avaliar se vale a pena permanecer no mercado regulado ou migrar para o mercado livre. Essa decisão precisa ser tomada com base em informações claras e comparáveis,” reforça o executivo.

Estrutura tarifária moderna ajuda a fomentar a eficiência do setor .

Carlos Faria, da Anace

Modernização não depende da abertura do mercado

Para o especialista em Regulação da TR Soluções, Rodolfo Ribeiro de Oliveira, a modernização tarifária pode acontecer independente da abertura do mercado de baixa tensão. A melhoria no processo de construção das tarifas pode tratar do mercado regulado por si só, afirma Oliveira.

Nesse sentido, ele lembra que a Aneel  vem trabalhando nesse processo há alguns anos e estabeleceu um caminho de modernização tarifária  dividida em ciclos. Ressalta as medidas já em curso na agência reguladora.” Acho que isso faz parte de uma ação para separar custos para atender o mercado regulado. E ainda tem algumas outras etapas para caminhar para desenhos tarifários mais complexos.”

As possibilidades em se tratando de modernização incluem sinalizações para o deslocamento do consumo para horas, mas também para locais que tem um menor carregamento da rede. Assim, pode ser feita uma melhor eficiência alocativa.

Modernização funciona até como um habilitador do mercado livre.

Por fim, Oliveira lembra que a tarifa branca  que está sendo discutida hoje é  um pouco diferente da que foi aprovada anos atrás pela Aneel. Agora vem embutido do sinal de preço. Assim, ao final dessa discussão, provavelmente será possível ter números mais assertivos. “Acho que esse processo desse caminho de modernização das tarifas funciona até como um habilitador no mercado livre para você poder oferecer serviços.”

Fonte: CanalEnergia

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FRASE DA SEMANA

3/8/2026

“Sonhe grande, pois ter sonhos grandes dão o mesmo trabalho dos sonhos pequenos.”

Autor: Jorge Paulo Lemann

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PARA LER COM CALMA

1/8/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos dessa semana, aqui vai um resumo:

Operação do Sistema

- O ONS prevê variação de 4,76% na carga do SIN em agosto, acima dos 2,35% estimados na segunda revisão, mas abaixo dos 5,02% inicialmente previstos no planejamento.  https://shorturl.at/ANSph

- A previsão de carga no SIN mostra variação positiva de 2,4% em julho, com destaque para o Nordeste (8,3%) e Norte (7,8%), enquanto o Sudeste/Centro-Oeste deve ter alta de 0,4%. https://shorturl.at/wL4ZD

Leilões

- A Aneel aprovou abertura de consulta pública sobre o edital do LRCAP de baterias, mantendo o rateio dos custos exclusivamente com os geradores.  https://short-url.cc/1uQ0q

- A Absae defende que o debate sobre rateio de custos não pode atrasar o LRCAP de baterias, previsto para 2 e 4 de dezembro.  https://shorturl.at/ECHch

- A Comissão Permanente de Leilões da Aneel manteve a inabilitação dos consórcios ligados à Evolution Power Partners no LRCAP de 2026, devendo convocar Eneva e Global Participações em Energia.  https://shorturl.at/6Rn7K

- A Aneel vai submeter a consulta pública alterações nas Regras de Comercialização para incluir os LRCAPs de março de 2026, contemplando termelétricas a óleo, diesel, gás natural e carvão.  https://short-url.cc/1ArqV

Mercado Livre de Energia

- Pesquisa da CNI mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre desde 2024, após a Portaria 50 do MME ampliar o acesso ao ambiente de livre contratação.  https://shorturl.at/6WW0L

- A Neoenergia pede SUI e regras claras na abertura do mercado de energia elétrica.  https://shorturl.at/ueS5v

- Mercado de Contratos: A BBCE indica que o fenômeno El Niño está afetando as negociações em contratos de energia. https://short-url.cc/1uQfe

Cortes de Geração

- A Aneel adiou pela terceira vez a decisão sobre critérios de ordenamento e rateio contábil dos cortes de geração no SIN, após pedido de vistas do diretor Gentil Nogueira Junior.  https://shorturl.at/STXuI

- A Fitch Ratings avalia que as novas regras de compensação por curtailment podem beneficiar geradores eólicos e solares, mas o efeito financeiro só deve ser incorporado em 2027.  https://short-url.cc/1uQeY

Empresas e Negócios

- A Enel SP registrou alta de 6,6% no lucro do primeiro semestre de 2026.  https://shorturl.at/Y4D4w

- A Equatorial vê alta de 4,7% no consumo de energia no segundo trimestre de 2026.  https://shorturl.at/GVWRT

- A Engie acertou com a WEG o fornecimento de turbinas para expansão da UHE Jaguara.  https://shorturl.at/FJF0O

- A Echoenergia e o Grupo Olfar firmaram parceria para autoprodução de energia.  https://shorturl.at/SKL0n

- A Axia convocou AGE para incorporar controladas.  https://shorturl.at/mDaLy

- As tarifas da EDP ES terão reajuste médio de 7,52%.  https://short-url.cc/1uQdR

- Gás Natural: A Petrobras registrou queda nas vendas de gás em meio a desafios de oferta no mercado.  https://short-url.cc/1uWbv

Política, Regulação e Judiciário

- Associações do setor elétrico enviaram carta ao presidente do Senado defendendo emendas que retiram os "jabutis" do PL 5.017/2019, que incluiu contratações obrigatórias de térmicas a gás e pequenas hidrelétricas. https://shorturl.at/jUbL2

- Brasil e República da Coreia assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação energética, com foco em transição energética, renováveis, eficiência energética e minerais críticos.  https://shorturl.at/vtmoZ

- A Enel pediu à Aneel o arquivamento do processo de caducidade da concessão.  https://shorturl.at/srxKB

- A Thopen conseguiu proteção judicial por 60 dias contra execuções de dívidas, alegando escassez de liquidez decorrente de fatores de mercado e decisões estratégicas de administrações anteriores.  https://shorturl.at/pK8O8

Estudos e Previsões

- A Agência Internacional de Energia prevê crescimento acelerado da demanda global de eletricidade em 2026, apesar das perturbações nos mercados de gás devido à guerra no Oriente Médio.  https://shorturl.at/bjhkG

- A GlobalData avalia que o armazenamento em baterias deve crescer 42% entre 2025 e 2030.  https://short-url.cc/1Amcx

Outros Destaques

- O IPCA-15 foi a 0,06% em julho, com impacto do setor de energia.  https://short-url.cc/1uQd1

- Entidade defende que a Cosip deve custear, prioritariamente, a iluminação pública.  https://shorturl.at/u4CkL

- Fortes ventos causaram desligamentos no sistema elétrico do Rio de Janeiro, impactando 1,1 milhão de unidades consumidoras, segundo a Light. https://short-url.cc/1ACLY

Fonte: CanalEnergia

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