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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Resumo das Notícias de Hoje

3/6/2026

Dia 03 de junho de 2026, quarta-feira

- CONTRATAÇÃO DE POTÊNCIA (expansão)

A contratação de potência nos leilões de capacidade (LRCAP) realizados em março reduziu o risco de suprimento para os próximos anos. Porém, os quase 20 GW viabilizados ainda estão aquém da necessidade do sistema. A afirmação é do diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Alexandre Zucarato. O executivo participou nesta terça-feira, 2 de junho, de reunião de esclarecimentos sobre o LRCAP, na Comissão de Minas e Energia da Câmara do Deputados.

> Continue a leitura na matéria “LRCAP reduz risco, mas contratação está aquém da necessidade”: https://bit.ly/4o6hJFv

> Sobre o LRCAP de Baterias, leia “Portaria com diretrizes do LRCAP de baterias será publicada nesta quarta-feira”: https://bit.ly/3PTNVj2

- REGULAÇÃO PARA SISTEMAS DE ARMAZENAMENTO (expansão)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 2 de junho, a regulamentação para sistemas de armazenamento de energia (SAE) no Brasil. Nesse ato a autarquia estabeleceu as regras para a operação de baterias e outros dispositivos de armazenamento conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

> Saiba mais na notícia “Sistemas de armazenamento têm regulação aprovada pela Aneel”: https://bit.ly/3RNm1FR

- MECANISMO PARA LIBERAR MARGEM DE TRANSMISSÃO (geração)

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou resolução normativa que estabelece mecanismo regulatório excepcional para revogação de outorgas de geração. Além disso, a decisão engloba também a rescisão de Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST). Esse passo abre caminho para as geradoras da chamada “corrida do ouro”.

> Leia mais em “Diretoria da Aneel aprova mecanismo para liberar margem de transmissão”: https://bit.ly/4fnFSW3

- AVISOS CANALENERGIA

ENASE | O Futuro da Energia - Reformas e Eleições Moldando o Setor Elétrico

17 e 18 de junho/2026

Hotel Windsor Oceânico – RJ

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Justiça aceita Recuperação Judicial da Electra: https://bit.ly/4uQtzX9

Ações e execuções sobre a Electra e empresas do grupo paranaense estão suspensas  por 180 dias valor da causa é de R$ 1,3 bilhão.

BoltCast, podcast do Grupo Bolt, aposta em debates sobre transição, regulação e novos negócios no setor elétrico: https://bit.ly/4x5B0uP

BoltCast estreia sua quinta temporada reunindo lideranças do mercado de energia para discutir transição energética, regulação, inovação e novos modelos de negócio.

Fonte: CanalEnergia

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Publicado no DOU de 02/06

3/6/2026

Estabelece as Diretrizes e a Sistemática para a realização dos Leilões para Contratação de Potência Elétrica, a partir de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias, denominados "Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias com conteúdo nacional, de 2026 - LRCAP de 2026 - Armazenamento Nacional" e "Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias, de 2026 - LRCAP de 2026 – Armazenamento.

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

2/6/2026

Dia 02 de junho de 2026, terça-feira

- DATA CENTER REFRIGERADO POR ENERGIA SOLAR (geração)

A Axia Energia aprovou a construção de um data center e de um sistema de chiller de absorção em Petrolina (PE). Essa é mais uma etapa de seu projeto de inovação em geração renovável. A iniciativa pretende utilizar a energia produzida por uma usina heliotérmica para refrigerar a infraestrutura digital. Dessa forma, permite reduzir o consumo elétrico associado ao resfriamento dos equipamentos.

> Saiba mais na notícia “Axia desenvolve modelo de data center refrigerado por energia solar térmica”: https://bit.ly/3PyWYpu

- LEILÃO DE TRANSMISSÃO (expansão)

A Agência Nacional de Energia Elétrica marcou para o dia 3 de julho a segunda sessão pública do primeiro leilão de transmissão de 2026. O certame vai ofertar instalações dos Lotes 7 a 10, que incluem concessões da MEZ Energia revogadas após acordo amigável com o Ministério de Minas e Energia. A sessão terá início às 14 horas, na sede da B3, em São Paulo.

> Leia mais em “Aneel anuncia leilão de transmissão com ex-ativos da MEZ em 3 de julho”: https://bit.ly/4o3nAM0

- LEILÕES DE ENERGIA EXISTENTE (distribuição)

O Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu as diretrizes para a realização dos Leilões de Energia Existente de 2026. A portaria foi divulgada nesta segunda-feira, 01 de junho, no Diário Oficial da União. A portaria estabelece a realização de três certames programados para ocorrerem sequencialmente em 13 de novembro de 2026. O Leilão A-1 iniciará o fornecimento em 1º de janeiro de 2027, estendendo-se até 31 de dezembro de 2028, seguido pelo Leilão A-2, que cobrirá o biênio 2028-2029, e finalmente o Leilão A-3, responsável pelo abastecimento entre 2029 e 2030.

> Continue a leitura na matéria “Leilões de Energia Existente ocorrerão em 13 de novembro”: https://bit.ly/4ehVM31

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ENASE | O Futuro da Energia - Reformas e Eleições Moldando o Setor Elétrico

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

“Fiscalização da Aneel rejeita revisão de relatório sobre apagão de agosto de 23: https://bit.ly/49B3rXL

Solicitação foi feita por Abeeólica e Absolar. Associações também sugeriram reavaliação da RAP, para eventual arquivamento de autos de infração emitidos contra usinas eólicas e solares,

Enase 2026 lança pesquisa para apoiar debate sobre governança do setor elétrico: https://bit.ly/4uFspNW

Levantamento será realizado com participantes do evento e dará origem a documento com propostas para o governo e agentes do mercado.

Calor extremo ameaça crescimento e pode reduzir PIB em até 7% até 2030, aponta estudo: https://bit.ly/4oml57P

Estudo da Allianz Research mostra que além de afetar a produtividade, ondas de calor elevam o custo, pressionam a inflação e comprometem investimentos.”

Fonte: CanalEnergia

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Confira as consultas públicas terminando na próxima semana:

2/6/2026

Data final: 08/06/2026

Consulta Pública 009/2026

Obter subsídios para aprimoramentos regulatórios para tratamento de excedentes de energia e maior flexibilidade operativa na Rede de Distribuição.

- *Consulta Pública 010/2026*

Obter subsídios para aprimorar a proposta referente à Revisão Tarifária Periódica de 2026 da Energisa Sul-Sudeste - Distribuidora de Energia S.A. – ESS, a vigorar a partir de 12 de julho de 2026.

Data final: 11/06/2026

Consulta Pública n° 220 de 27/04/2026

Proposta de aprimoramento das diretrizes para a exportação de energia elétrica interruptível sem devolução, destinada à República Argentina ou à República Oriental do Uruguai, proveniente de excedente de geração de energia elétrica de usinas hidrelétricas despachadas centralizadamente pelo ONS, disponíveis para atendimento ao SIN, cuja geração seja transmissível e não alocável na carga.

Data final: 12/06/2026

Consulta Pública n° 222 de 29/04/2026

Consulta Pública, minuta do Plano Nacional de Transição Energética - Plante

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública e https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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A GD e o furto da energia, a indenização das transmissoras e a crise das comercializadoras

2/6/2026

Por: Edvaldo Santana | Conselho de empresas e de entidades de filantropia, consultor...

O furto de energia é insuperável. Ano passado, em um dos dias do Enase, perguntaram o que eu achava da instalação clandestina de painéis solares. Achei estranha a pergunta. E fiz outra: é uma espécie de migração dos “gatos”? A resposta veio com um sorriso irônico: “não. É a evolução de um “negócio” que segue as brechas legais, usa os avanços da tecnologia e se aproveita do padrão de desrespeito ao direito dos demais usuários da rede.” Hoje, na página 2 do Estadão, tem lá os casos concretos, que são traduzidos em um número: em inspeções realizadas pelas distribuidoras (Ds), para identificar irregularidades na instalação de painéis solares, foram encontrados “gatos” em 69% dos casos. Inacreditável! O desdobramento será interessante. Se alguém instala um painel solar em sua residência sem autorização da D é pq não precisa dos subsídios tão almejados pelos lobbies da GD e da solar. Até onde se sabe, uma condição para adquirir o direito ao subsídio é o “de acordo” da D. Conclusão 1: como é óbvio, a conta de luz é tão cara e os painéis caíram tanto de preço que a GD ficou imbatível e irresistível. Ora! Se essa conclusão é verdadeira, por que a clandestinidade? Acho que não é só pela aventura de ser clandestino. É para fugir da avaliação técnica da D, e aí mora o maior perigo. Se a moda pega, as Ds perderão o controle da confiabilidade de suas redes. E o ONS terá mais dificuldade para especificar a demanda líquida. É inquietante os efeitos disso para o sistema como um todo. Será que a clandestinidade também é subsidiada? Não duvide. A indenização das transmissoras (Ts), com decisão judicial, finalmente, em favor do consumidor, foi um dos maiores erros (propositais) já cometido no SEB. Foram R$ 65 bilhões lá em 2017. Claro que as Ts, com os absurdos da MP 579, tinham direito à indenização. Mas o MME, com uma Portaria “providencial”, e a Aneel, na época, com suas magias de cálculo, fizeram até o “valor novo de reposição”, uma técnica contábil consagrada, ser transformado em “valor velho de ocasião”. Esse cálculo truculento, “visto” pelas grandes auditorias, fez com que os ativos mais antigos fossem corrigidos monetariamente por 30 anos. Ex: em lugar de tornar os conversores da LT de corrente contínua de Itaipu equivalentes aos da LT do rio Madeira, muito mais modernos e baratos, o regulador optou pela correção monetária, que resultou num valor de 10 a 20 vezes maior. Tudo isso foi mostrado ao TCU em 2017. E teve bem mais absurdos. E a crise se agrava no mercado livre e, em consequência, entre as comercializadoras. A notícia é de que outras “grandes casas” também pedirão o socorro da recuperação judicial. Conclusão 2: o modelo matemático deu uma surra dolorosa nos seus adoradores. Insisto: até o fim deste ano, pelo menos 20 comercializadoras deixarão de existir. E o mercado livre, queira ou não a CCEE, a Aneel e o MME, terá um novo desenho, com menos ficções.

Fonte: Linkedin

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