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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Resumo das Notícias de Hoje

11/3/2026

Dia 11 de março de 2026, quarta-feira

- DUPLA COBRANÇA DA TARIFA FIO (política)

A Aneel adiou a decisão sobre a regulação do armazenamento de energia elétrica no qual inclui baterias e usinas reversíveis. A discussão principal, no entanto, gira em torno da proposta do diretor Fernando Mosna de equiparar os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) a agentes de geração. A medida evitaria a dupla cobrança pelo uso da rede no consumo e na injeção.

> Continue a leitura em “Aneel adia decisão sobre dupla cobrança da tarifa fio”: https://bit.ly/4lkfVYe

- AMBIENTE DE CONTRATAÇÃO LIVRE (comercialização)

O mercado livre de energia (ACL) alcança 42% de toda a eletricidade consumida no país em 2025. Essa é a maior participação já registrada. Os dados fazem parte do Estudo Cenários do Mercado Brasileiro de Energia, elaborado pela CCEE.

> Saiba mais na matéria “ACL alcança 42% do consumo de energia no Brasil”: https://bit.ly/4bhYSS9

- PARCERIA BRASIL E ÁFRICA DO SUL EM MINERAIS CRÍTICOS E AS TERRAS RARAS (política)

A visita do presidente da África do Sul Cyril Ramaphosa ao Brasil trouxe os minerais críticos e as terras raras à pauta novamente. O presidente Lula sugeriu que os dois países atuem juntos na exploração, com a montagem de uma empresa conjunta. De acordo com ele, há o desejo de repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas nos dois países.

> Leia mais na notícia “Lula quer parceria com África do Sul em minerais da transição”: https://bit.ly/3PbzVQL

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

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AGENDA SETORIAL

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Aumento de 8,59% para tarifas da Light visa evitar ‘efeito rebote’: https://bit.ly/3P5I35m

Tarifas da distribuidora terão aumento médio de 8,59% a partir de 15 de março, índice é mais elevado para evitar efeito rebote no processo de 2027.

Aneel aprova reajuste médio de 15,46% para a Enel Rio: https://bit.ly/4rY4Ezk

Índice final terá efeito médio de 14,43% para os consumidores atendidos em baixa tensão. Tarifa residencial ficará em 1.0561,10/MWh.

Hitachi amplia investimento na América Latina: https://bit.ly/4lq6Kp9

A expansão dos investimentos em mais US$ 70 milhões veio em resposta ao crescimento do mercado, principalmente, com Data Centers e outros investimentos no segmento de transmissão no país.”

Fonte: CanalEnergia

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O Guardião do Patrimônio - O Cofre Transparente: A Verdade Sobre a Nova Lei das Offshores e o Futuro do Seu Legado Global

11/3/2026

Há algumas semanas atrás, falamos sobre as armadilhas do seu passaporte. Hoje, o assunto é o seu cofre. A "mágica" de investir no exterior e não pagar imposto no Brasil acabou, mas fechar sua estrutura internacional agora pode ser o erro mais caro da sua sucessão.

O Guardião do Patrimônio alertou sobre a linha tênue da residência fiscal. Vimos que viver como um "cidadão do mundo" sem se divorciar formalmente da Receita Federal pode transformar a sua liberdade em um pesadelo de bitributação.

Hoje, damos o segundo passo estratégico na nossa jornada internacional. Suponha que você manteve sua residência no Brasil, mas enviou parte relevante do seu patrimônio para o exterior. Por muito tempo, a regra de ouro para grandes volumes era abrir uma Offshore (Private Investment Company - PIC) em um paraíso fiscal. A grande vantagem era o "diferimento": o dinheiro rendia lá fora e você não pagava Imposto de Renda no Brasil até decidir trazer o lucro para sua conta.

Porém, a Lei nº 14.754/2023 acabou com essa mágica, instituindo a tributação periódica e automática. O jogo mudou. Vamos destrinchar como a nova lei afeta o seu bolso e por que a sua Offshore continua sendo a peça central da sua governança.

1. A Nova Regra para a Pessoa Física: O Fim das Isenções

A nova lei dividiu os investimentos em realidades distintas. Se você investe diretamente na pessoa física (através de uma corretora internacional), o imposto passou a ser uma alíquota fixa de 15% sobre os rendimentos (juros, dividendos ou ganhos de capital). Essa regra unificada substitui as antigas e onerosas tabelas do Carnê-Leão (que chegava a 27,5%) e de ganho de capital.

Mas atenção a dois detalhes cruciais que pegaram muitos de surpresa:

  • Fim da isenção: Acabou a antiga isenção para vendas de bens no exterior que não ultrapassassem R$ 35.000,00 por mês.
  • O Lucro Cambial: Todo o rendimento agora é calculado em Reais. Se a sua ação em dólar não valorizou nada, mas o dólar subiu de R$ 5,00 para R$ 6,00, você paga 15% de imposto sobre essa variação cambial.

2. O Cerco às Offshores: A Regra do 31 de Dezembro

O impacto mais estrutural recaiu sobre as Entidades Controladas (Offshores ou PICs). A lei atacou empresas abertas em paraísos fiscais usadas apenas para guardar investimentos.

Você cai nessa regra se cumprir dois requisitos:

  1. Controle: Se você (sozinho ou com familiares) detém mais de 50% do capital social ou dos direitos de voto.
  2. Perfil: Se a empresa está em um paraíso fiscal (tributação menor que 20%) OU se possui "renda passiva" (vive de juros, dividendos e aluguéis) representando a maior parte de sua renda.

Se a sua Offshore se enquadra aqui, o diferimento acabou. Todo dia 31 de dezembro, a empresa precisa apurar o Lucro Líquido segundo regras contábeis formais (BR GAAP ou IFRS). Você declarará sua proporção nesse lucro no Brasil e pagará 15% de imposto, mesmo que a empresa não distribua o dinheiro para você.

3. A Opção pela Transparência Fiscal: O "Raio-X"

Para não obrigar pequenos investidores a pagarem contadores internacionais caríssimos para fechar esses balanços complexos, a lei criou a "Transparência Fiscal".

Você pode avisar a Receita: "Considere que essa Offshore não existe". Os ativos dentro dela passam a ser declarados diretamente no seu CPF. É uma simplificação contábil, mas exige extremo cuidado estratégico, pois essa opção é irretratável (não tem volta enquanto você tiver a entidade).

4. Por que NÃO Fechar sua Offshore?

Com o imposto sendo cobrado anualmente, muitos cogitam fechar a Offshore. A resposta técnica é: para grandes patrimônios, a Offshore aliada a Trusts continua sendo essencial pela Segurança Sucessória e governança.

Três motivos vitais para mantê-la:

  • O Escudo do Estate Tax: Se você tiver bens diretamente nos EUA e falecer, o governo americano cobra até 40% de imposto de herança. Com a PIC, quem é dona dos bens é a empresa caribenha. Você não "morre" perante os EUA.
  • Fuga do Probate: Fazer um inventário nos EUA (Probate) é caríssimo e demorado. A sucessão das cotas da PIC resolve isso rapidamente.
  • A Inteligência Contábil: A Offshore permite que você compense prejuízos sem limite de tempo (um prejuízo em 2024 pode zerar o lucro de 2025). Além disso, se a empresa pagou imposto retido no exterior (como 30% em dividendos nos EUA), esse valor pode ser abatido dos 15% devidos ao Brasil (Foreign Tax Credit), evitando a bitributação.

5. Trusts e a Janela de Oportunidade

A nova lei finalmente regulamentou os Trusts, definindo-os como transparentes. O Fisco agora "olha através dele".

A grande vitória para o Wealth Planning é que a lei sacramentou que a passagem dos bens do Trust para os herdeiros tem natureza de Herança ou Doação. O herdeiro pagará apenas o ITCMD estadual (em média 4% a 8%) e estará livre do imposto de renda (27,5%) sobre o patrimônio principal recebido.

Vale lembrar que, como regra de transição da lei, o governo ofereceu uma "anistia" para atualizar bens a valor de mercado em 31/12/2023 pagando apenas 8% de imposto (ao invés de 15%). Quem usou essa estratégia de forma inteligente já garantiu uma economia monumental na largada.

O planejamento tributário internacional amadureceu. Não se trata mais de adiar impostos infinitamente, mas de aceitar a regra dos 15% e blindar o patrimônio contra o confiscador imposto de herança estrangeiro.

Fonte: O Guardião do Patrimônio | Guia Invest Wealth – de 11/03/2026

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Petróleo em disparada: como ficam a inflação e os juros no Brasil?

11/3/2026

A escalada do conflito envolvendo o Irã levou o preço do petróleo a subir fortemente, chegando perto de US$ 120 por barril antes de recuar para a faixa de US$ 87. Economistas alertam que a volatilidade pode pressionar a inflação no Brasil. Projeções do BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME) indicam que, se o barril chegar a US$ 100, o IPCA de 2026 pode subir para cerca de 5,4%, refletindo principalmente o impacto sobre combustíveis e transporte.

A alta do petróleo pode encarecer gasolina e diesel e gerar efeitos em cadeia nos preços da economia. Isso aumenta a pressão inflacionária e pode dificultar as decisões do Banco Central sobre o início e o ritmo de cortes da Selic, que hoje está em 15% ao ano.

O QUE ACONTECE AGORA:

  • Mercado acompanha a evolução da guerra e seus efeitos no petróleo
  • Petrobras avalia possível repasse da alta aos combustíveis
  • Economistas revisam projeções de inflação
  • Banco Central decide nas próximas reuniões o ritmo dos cortes de juros.

SAIBA MAIS

Fonte: Desperta | exame de 11/03/2026

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Confira a consulta pública terminando nos próximos dias

9/3/2026

Data final: 16/03/2026

Consulta 001/2026

Obter subsídios e informações para o aprimoramento da Análise de Impacto Regulatório, no âmbito da atividade "Avaliação dos sistemas de medição para transição energética e modernização no segmento de distribuição" prevista na Agenda Regulatória.

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

9/3/2026

Dia 09 de março de 2026, segunda-feira

- ELEIÇÃO DO NOVO CONSELHO DA CCEE (comercialização)

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica convocou a Assembleia Geral Ordinária que vai eleger, no próximo dia 12 de março, os oitos integrantes do Conselho de Administração da entidade e seus suplentes. Metade das cadeiras, incluindo a de presidente, será ocupada pelo governo. A outra metade terá representantes dos segmentos de distribuição, geração, comercialização e consumo.

> Leia mais em “CCEE convoca assembleia geral para eleição do novo conselho”: https://bit.ly/3P9EiM9

- REGRAS PARA INDENIZAÇÃO DE TRANSMISSÃO (política)

Agentes do setor elétrico questionaram os critérios considerados pela Aneel na definição das regras de indenização dos ativos de transmissoras com contratos a vencer entre 2027 e 2042. A cobrança surgiu em debate promovido pela agência reguladora na última quinta-feira, 5 de março.

> Saiba mais na matéria “Agentes pedem reavaliação de regras para indenização de transmissão”: https://bit.ly/4rjTTWO

- EVENTOS (CanalEnergia)

WORKSHOP PSR

18 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://workshoppsr.ctee.com.br/pt/home.html

AGENDA SETORIAL

19 março/2026

Hotel Windsor Barra - RJ

https://www.agendasetorial.com.br/pt/home.html

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- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Petrobras está pronta e quer realização do LRCAP: https://bit.ly/4lmFkk7

Estatal possui mais de 2,9 GW para participar do certame.

Alupar na espera pela abertura de mercado: https://bit.ly/4daTrXA

Companhia também segue com o olhar para oportunidades na América do Sul e em leilões de transmissão no Brasil.

CPFL avalia oportunidades em leilão de transmissão: https://bit.ly/4cClyPi

Empresa também acompanha renovação de concessões e regulamentação do curtailment.

Eneva eleva reservas de gás e detalha vias para monetização: https://bit.ly/4rlfwX2

Volume na Bacia do Parnaíba subiu para 37,932 bilhões de m3 ao final de 2025 e companhia vai avaliar destinações em pequena escala, para novas termelétricas e conexão direta em gasodutos no Paraná.”

Fonte: CanalEnergia

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