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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

Resumo das Notícias de Hoje

24/3/2026

Dia 24 de março de 2026, terça-feira

- EÓLICA OFFSHORE E UHES REVERSÍVEIS (política)

O Conselho Nacional de Política Energética deve aprovar na próxima quinta-feira,26 de março, as diretrizes para a regulamentação do marco legal da eólica offshore. A pauta da reunião extraordinária também inclui as diretrizes para a contratação de hidrelétricas reversíveis. A fonte pode ter um leilão já em 2027.

> Saiba mais na notícia “Eólica offshore e UHEs reversíveis entram na pauta da reunião do CNPE”: https://bit.ly/4bwNMKs

- LRCAP (expansão)

O resultado final do Leilão de Reserva de Capacidade foi saudado pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia. O presidente Rui Altieri destacou ao CanalEnergia o expressivo número de projetos (mais de 100) e 19,5 GW contratados, que culminarão em investimentos de R$ 65 bilhões. Altieri também salientou a contratação de expansões de usinas hidrelétrica pela primeira vez, o que era uma reivindicação antiga do setor. “Um pleito antigo do segmento”, explica.

> Continue a leitura em “Além de térmicas, Apine destaca contratação de UHEs do LRCAP”: https://bit.ly/4btIAa2

- EVENTOS (CanalEnergia)

MEETUP | Sistema em Crise: entre a Escassez Hídrica e aumento da Demanda de Energia

Foco da discussão

Data: 31 de março

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://events.teams.microsoft.com/event/4881bdc8-49cc-4518-9164-10a837a5b8ff@2567d566-604c-408a-8a60-55d0dc9d9d6b”

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Vestas e Equinor fecham acordo para 230 MW eólicos no RN: https://bit.ly/4bIjUtn

Projeto no Rio Grande do Norte marca a retomada  de grande investimentos em energia renovável, conectando inovação e impacto local, fabricante acumula 1,1 GW em pedidos em 100 dias.

Light avança na renovação de concessão: https://bit.ly/4t4NDUa

O CEO da companhia, Alexandre Nogueira, destacou que a assinatura do novo contrato de concessão será um divisor de águas para a Light.

TCU cobra explicações da Aneel sobre processo da Enel SP: https://bit.ly/4taLUgl

Determinação foi emitida após decisão judicial que suspendeu deliberação sobre processo punitivo na agenda.

Lucro da Light cai 87% em 2025: https://bit.ly/4sou8Gi

Lucro anual da empresa ficou em R$ 213 milhões, no trimestre a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 187 milhões.”

Fonte: CanalEnergia

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Confira as consultas públicas terminando nos próximos dias

24/3/2026

Data final: 29/03/2026

Consulta Pública n° 214 de 12/02/2026

Consulta Pública, minuta do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 - PDE 2035

Consulta Pública n° 215 de 12/02/2026

Consulta Pública, minuta do Relatório Síntese do Plano Nacional de Energia 2055 - PNE 2055

Data final: 31/03/2026

Consulta Pública n° 217 de 02/03/2026

Proposta de Portaria Normativa que estabelece diretrizes para as Temporadas de Acesso da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão – PNAST, e a respectiva Análise de Impacto Regulatório – AIR, em atendimento ao disposto no Decreto nº 12.772, de 5 de dezembro de 2025

Data final: 03/04/2026

Consulta 039/2025

Obter subsídios e informações adicionais para a revisão do Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico - MCPSE.

ATENÇÃO: O prazo final de envio de contribuições foi prorrogado para 3/4/2026.

Saiba mais no site: https://bit.ly/Aneel-ConsultaPública e https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergi

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DO ELECTRA CLIPPING ED. 06/26 DE 20/03/2026

23/3/2026

92 milhões de consumidores poderão comprar energia de quem quiserem e a preços menores

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que 21,7 mil novos consumidores migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) em 2025, elevando o total para 85,4 mil unidades consumidoras, responsáveis por cerca de 43% da eletricidade consumida no país. A expansão é associada principalmente à ampliação dos consumidores com direito a acessar o mercado. “A abertura (...) para todos os consumidores representa um marco histórico no setor elétrico brasileiro, agora alinhado com os mais modernos mercados de energia do mundo”, resume o CEO da Electra Comercializadora, Franklin Miguel. “Isso também vai se traduzir em mais eficiência para o setor elétrico e para toda a economia”, complementa.

Grupo Electra Energia celebra 95 anos da usina Chaminé atento a novas oportunidades no segmento

O Grupo Electra Energia celebrou, em meados deste mês, os 95 anos da pequena hidrelétrica de Chaminé, de 18 MW, atento ao futuro do segmento. “A história da usina conecta o passado e o futuro do setor elétrico, demonstrando a longevidade da fonte hidráulica e reforçando a sua importância para o desenvolvimento do país e para que o setor elétrico brasileiro continue avançando de maneira próspera e sustentável. Por isso, estamos sempre atentos a oportunidades de aquisições no segmento”, destacou o diretor-presidente do Grupo, Claudio Alves.

Electra é destaque no Paraná Grandes Marcas

O Grupo Electra Energia foi selecionado para integrar o Paraná Grandes Marcas | Vol. II, publicação do Grupo Amanhã que reúne as empresas mais relevantes do estado. O lançamento aconteceu nesta quinta (19), em cerimônia realizada na FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).. “O destaque nos dá muita satisfação, ao mesmo tempo em que reforça o nosso compromisso e a nossa responsabilidade junto a nossos clientes e demais parceiros de continuar entregando energia com segurança, economia e respeito ao meio ambiente”, afirma o diretor-presidente do grupo, Claudio Alves.

LRCap contrata 19 GW em potência e vai custar R$ 38,9 bi por ano

O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado no dia 18 de março contratou 18.977 MW de potência, envolvendo investimentos da ordem de R$ 64,5 bilhões, ao preço médio de R$ 2.334.731 por MW ao ano, com deságio médio de 5,52%. As usinas vencedoras terão direito a um total de R$ 38,9 bilhões em receita fixa por ano. Dentre os produtos, destaque para o lote com entrega em agosto de 2026, voltado para termelétricas existentes a gás natural e carvão, com a contratação de 1.955 MW de potência.

Associação de consumidores estima aumento da tarifa em até 10%  após leilão de energia

A Abrace Energia (grandes consumidores) afirmou que o leilão de reserva de capacidade aumentará a tarifa média dos brasileiros em até 10%. A conta considera o custo de R$ 40 bilhões por ano para a contratação das cem usinas que venceram o certame, entre termelétricas existentes, novas e a ampliação de hidrelétricas. O Ministério de Minas e Energia (MME), por sua vez, defendeu que a contratação evitará uma alta de 24% da conta de luz ao longo dos próximos anos, em estimativas preliminares, já que substituirá um parque térmico considerado “caro e ineficiente”.

Associações pedem prioridade na regulamentação da Lei 15.269/2025

A Abraceel (comercializadores), ABEEólica (geradores eólicos), Abiape (autoprodutores), Abrace Energia (grandes consumidores), Abradee (distribuidores), Abrage (geradores), ANE (engenharia) e Apine (produtores independentes) encaminharam cartas ao MME e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com recomendação para dar prioridade à regulamentação da Lei 15.269/2025. A iniciativa foi fruto de discussões entre as associações para identificar os pontos que demandam definição regulatória no curto prazo.

Abraceel apresenta contribuição à CP 46/2025 da Aneel sobre a tarifa horária

A Abraceel enviou contribuição à Consulta Pública 46/2025 da Aneel, que trata da aplicação automática da tarifa horária para consumidores de baixa tensão. No documento, a Associação manifestou apoio à proposta de enquadramento automático para consumidores com consumo superior a 1.000 kWh em 2026, com expansão para aqueles com consumo acima de 600 kWh em 2027. A entidade também defendeu que a modalidade seja gradualmente estendida a todos os consumidores de baixa tensão, entre outros aspectos.

RR ganha estabilidade com conexão a sistema interligado

Desde a conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional, em setembro de 2025, nenhum blecaute foi registrado, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Os efeitos também aparecem nos indicadores de qualidade monitorados pela Aneel, que apontam redução na frequência e duração de interrupções nos últimos meses de 2025. Mas, com um serviço mais estável, consumidores passaram a arcar com novos custos, o que contribuiu para aumento médio de 24% na conta de luz neste ano.

Os desafios para abertura total e sustentável do mercado livre de energia elétrica

A Reforma do Setor Elétrico deu início a uma série de aprimoramentos no desenho de mercado que dependem da eficiente e independente atuação da Aneel. Há um caminho desafiador para que esse novo desenho seja efetivamente implementado com racionalidade técnica, econômica e financeira em prol dos consumidores. Decisões de investimentos no setor elétrico dependerão diretamente da clareza e segurança jurídica e regulatória.

CCEE elege conselho com executivos, nomes do MME e ex-parlamentares

A Assembleia Geral da CCEE elegeu o novo Conselho de Administração da entidade, que passa a contar com executivos de grandes empresas, ex-parlamentares e diversos nomes indicados pelo governo. Os associados também aprovaram as contas da CCEE de 2025 e a remuneração da nova estrutura de governança da câmara, que vai de R$ 38 mil (conselheiros) a R$ 108 mil (diretor-presidente). Nas vagas indicadas pelo MME, Alexandre Ramos se manteve à frente do conselho.

Aneel prepara agenda regulatória para eletromobilidade; recarga é gargalo

A Aneel prepara uma agenda regulatória para acompanhar o crescimento da eletromobilidade no país, com medidas voltadas à conexão de carregadores, transparência sobre a capacidade das redes e gestão do novo perfil de consumo de energia. Segundo o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, embora a tecnologia dos veículos elétricos já esteja consolidada, o avanço da mobilidade elétrica dependerá principalmente da expansão da infraestrutura de recarga e da adaptação das redes de distribuição. Entre as iniciativas em andamento está a consulta pública 42/2025 da Aneel.

Mercado de baterias deve atingir R$ 50 bi no país

Os investimentos em baterias no setor elétrico podem somar ao menos R$ 50 bilhões nos próximos anos, conforme estimativa de especialistas. O primeiro leilão da modalidade está previsto para ocorrer em abril. Os sistemas de armazenamento são vistos como uma das principais saídas para resolver o problema estrutural por trás do curtailment.

Reservatórios do Sudeste devem ficar entre 73,4% e 58,4% em agosto

O ONS estima que o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste deverá chegar ao final de agosto em uma faixa entre 73,4% e 58,4%. Esses volumes representam entre 10,6 p.p. acima do registrado no mesmo período de 2025 e 1,3 p.p. abaixo do verificado naquele mês. Os dados fazem parte do estudo apresentado mensalmente pelo Operador ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Solar pressiona preços e valoriza hidrelétricas no mercado

A geração solar registrou spreads negativos de até –R$163,4/MWh no Sudeste na última semana de fevereiro, enquanto hidrelétricas capturaram prêmios de até R$78,2/MWh, segundo relatório do Itaú BBA. A diferença de valor entre as duas fontes chega a cerca de R$ 240/MWh, evidenciando como ativos capazes de ajustar sua produção ao longo do dia tendem a capturar preços mais elevados no mercado. O relatório também destaca que o fenômeno ocorre em um ambiente de preços ainda elevados e voláteis no mercado de curto prazo.

Fonte: ELECTRA CLIPPING ED. 06/26 DE 20/03/2026

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Resumo das Notícias de Hoje

23/3/2026

Dia 23 de março de 2026, segunda-feira

- LRCAP (expansão)

O resultado Leilão de Reserva de Capacidade realizado esta semana assegurou a confiabilidade eletroenergética do sistema brasileiro. Essa é a visão dos agentes ouvidos pelo CanalEnergia. O presidente da Associação Brasileira dos Geradoras Termelétricos, Xisto Vieira, enalteceu a viabilização de novos projetos de térmicas a gás . De acordo com ele, os critérios de confiabilidade do certame também pedem novas plantas.

> Leia mais na matéria “Agentes destacam relevância de LRCAP, mas alertam para custos e desafios do sistema”: https://bit.ly/4bsE37L

> Sobre o mesmo assunto, leia também “Ministro do TCU manteve LRCAP por ameaça de riscos sistêmicos”: https://bit.ly/4t0qUbM

- MERCADO LIVRE DE ENERGIA (comercialização)

A migração do mercado cativo para o livre vem perdendo a atratividade. Durante painel no Worskshop PSR/ CanalEnergia, realizado na última quarta-feira, 18 de março, o Diretor Técnico de Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria, Rodrigo Gelli, destacou que a diferença entre o ACL e o ACR vem diminuindo. De acordo com ele, contas que antes ficavam apenas com ambiente cativo, agora também estão no livre. Ele dá como exemplo o Encargo de Cotas de Energia Nuclear, que entra no rateio com o mercado livre. Em 2025, houve migração de unidades, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

> Saiba mais em “Atratividade do ACL está diminuindo, avalia PSR”: https://bit.ly/41mLXJT

- PROCESSO DA ENEL SP (distribuição)

A Justiça Federal suspendeu na quinta-feira, 19 de março, a deliberação pela Aneel do processo punitivo que pode resultar em recomendação de caducidade da concessão da Enel SP. Entretanto, o tema foi incluído na pauta da reunião da agência da próxima terça-feira, 24.

> Continue a leitura na notícia “Justiça suspende deliberação da Aneel em processo da Enel SP”: https://bit.ly/4uJuWae

- EVENTOS (CanalEnergia)

MEETUP | Sistema em Crise: entre a Escassez Hídrica e aumento da Demanda de Energia

Foco da discussão

Data: 31 de março

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://events.teams.microsoft.com/event/4881bdc8-49cc-4518-9164-10a837a5b8ff@2567d566-604c-408a-8a60-55d0dc9d9d6b

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FRASE DA SEMANA

23/3/2026

“As correntes do hábito são leves demais para serem sentidas, até que se tornem pesadas demais para serem quebradas.”

Autor: Warren Buffett

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