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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS – BY CANALENERGIA – edição de 22/04/2025

22/4/2025

(...) “O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou a minuta da tão aguardada proposta de reforma do setor elétrico.” (...).

“Repleta de boas intenções a iniciativa não está sendo de fácil digestão por parte dos agentes. Além de alvo de muito debate em sua atual versão, o documento foi encaminhado para avaliação da Casa Civil da Presidência da República. De lá ainda passará pelo crivo do Congresso Nacional, onde tudo pode acontecer.” (...).

(...) “na reunião desta terça-feira do colegiado da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Na agenda do encontro, salvo, claro, alterações de última hora, está de volta o processo que trata da extensão do contrato de concessão da distribuidora EDP Espírito Santo. É a primeira, de um longa fila de empresas, a passar pelo crivo do órgão regulador, daí a expectativa em torno das condições da renovação.”

Alexandre Canazio

editor-chefe do Canal Energia

EXCLUSIVO

“Com a aproximação da expansão da abertura do mercado livre, conforme propõe o MME na minuta da reforma do setor elétrico, o segmento tende a ganhar ainda mais destaque no noticiário.  O subeditor do CanalEnergia, Maurício Godoi, se adiantou e trouxe uma perspectiva do cenário atual. Para isso conversou com representantes de comercializadoras que apontam o peso das incertezas no atual modelo de precificação. A volatilidade deve ser uma constante em 2025, impulsionada por parâmetros mais sensíveis do CVaR, conforme cita Renato Mendes, da Ultragaz Comercializadora.

Segundo ele, o novo modelo Newave híbrido tende a aumentar intensamente o valor da energia com alterações nas vazões, refletindo um nível de risco maior. “Estamos em uma tempestade perfeita, mas sem água”, resume. Fred Menezes, da Armor Energia, lembra que as perspectivas iniciais eram positivas, mas o novo modelo, mais conservador, eleva as probabilidades de preços maiores. “Agora

o modelo manda acionar as térmicas mais rápido”, justifica. Pedro Vidal, da Light Com, prevê que os

preços podem chegar a R$ 400 por MWh se o período seco se intensificar. “O modelo está muito avesso a risco”, observa, aconselhando a antecipação da compra de energia. A Abraceel, por seu lado, já solicitou uma consulta pública para discutir os parâmetros, visando uma possível recalibragem para 2026. Já Eduardo Rossetti, diretor da BBCE, observa que ainda não há um grande reposicionamento de comercializadoras. Ele destaca o salto nos valores da energia para entrega em 2025.” (...).

ECONOMIA

“O anúncio da reforma do setor elétrico ficou, sem dúvida, entre os temas que mais despertaram atenção no nosso termômetro de audiência, mas o setor é uma verdadeira usina de novidades, com perdão do trocadilho. Começando pelo Leilão de Sistemas Isolados, o mercado ficou sabendo que haverá oferta de 1,8 GW entre 241 projetos cadastrados. Segundo a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), esse pacote inclui centrais híbridas com participação das tecnologias termelétrica, fotovoltaica e sistemas de armazenamento. Ainda em relação à região Norte, principal polo de sistemas isolados, a primeira chamada de projetos do Pró-Amazônia Legal, em linha com as diretrizes do Programa Energias da Amazônia, teve 64 projetos cadastrados entre R$ 5,6 bilhões em investimentos.  

Por falar em armazenamento de energia, tecnologia estratégica para essa parte do Brasil, projeto da Quantum, em parceria com a EPE, PSR, Lactec, Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições, mostra que a inserção de baterias pode levar a redução de custos sistêmicos e tornar mais robusta a operação. Os resultados foram apresentados em evento realizado no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). E já que o assunto é economia de recursos, o MME prorrogou por mais dois meses a Chamada Pública Procel Energia Zero em Prédios Públicos. As propostas técnicas poderão ser enviadas até 11 de julho de 2025. O ministério ainda aproveitou para apresentar às distribuidoras de energia elétrica a Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e Projetos de Irrigação do Brasil. A iniciativa tem como objetivo fomentar a agricultura irrigada no país por meio de ações coordenadas entre os setores de energia e agropecuária. A dinâmica do agronegócio, aliás, vem numa toada veloz graças também à difusão acelerada da geração distribuída.

As instalações de micro e minigeração distribuída (MMGD) ultrapassaram 2,13 GW de potência no primeiro trimestre do ano. Segundo dados da Aneel, os painéis solares passaram a gerar créditos para aproximadamente 300 mil imóveis, entre casas, comércios, fazendas e outros. Não à toa, o mercado de fusões e aquisições do setor fotovoltaico manteve o ritmo de aceleração nos três primeiros meses de 2025. Houve 15 novas transações monitoradas. Crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela consultoria Greener. Para encerrar, tivemos o anúncio da Enel Brasil, que promete investimentos de R$ 25,3 bilhões, sendo R$ 24 bilhões em distribuição para o período de 2025 a 2027. Ah, sim, a empresa também avisa que está com nova identidade visual: pintou sua logomarca de verde e amarelo.”

POLÍTICA

“Como naquela velha fábula do “Pedro e Lobo”, o pessoal do mercado já não estava dando muita bola para as previsões do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, quanto às datas de apresentação da proposta de reforma do setor elétrico nacional. E não é que a minuta do projeto de lei – mas pode ser Medida Provisória -  já está na Casa Civil da Presidência da República! Não vai faltar oportunidade para comentar os muitos detalhes do plano nas próximas semanas – ou meses. Até porque, depois do Planalto o texto vai para o Congresso Nacional e aí só o divino sabe o que pode acontecer. Por enquanto, basta saber que a proposta está dividida em três eixos principais. Eles contemplam a ampliação da tarifa social de energia elétrica, abertura do mercado para a baixa tensão em 2027 e 2028 e rateio mais justo de encargos e subsídios entre consumidores dos ambientes livre e regulado. As medidas relacionadas à tarifa social terão custo adicional da ordem de R$ 4,5 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e impacto tarifário estimado em 1,4% para os demais consumidores do mercado regulado. Há previsão da extensão da gratuidade da tarifa para o consumo mensal até 80 kWh de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federa (CadÚnico). O MME calcula que o benefício vai atingir 17 milhões de famílias, cerca de 60 milhões de pessoas, a um custo anual de R$ 3,6 bilhões para a CDE. Só esta parte, em particular, deu muito o que falar no mercado.

A ideia é também liberar a baixa tensão a partir de 1º de março de 2027 para indústria e comércio e a partir de 1º de março de 2028 para os demais consumidores. O texto prevê que o Poder Concedente deverá regulamentar, até 1º de julho de 2026, as regras para a atuação do Supridor de Última Instância (SUI), definindo quem ficará responsável pela prestação desse serviço. Simplificando um pouco para quem ainda não está familiarizado, essa nova figura fará o papel de boia de salvação, caso o consumidor tenha a infelicidade de contratar energia de uma comercializadora capenga e que venha a falir. Ele, portanto, não ficará a deriva pois será acudido pelo SUI. Outras partes causaram frisson e lançaram um rastilho de debates acalorados. Foram as que tratam das mudanças mais restritivas voltadas ao segmento de autoprodução por equiparação, além da questão do rateio de encargos, entre outros pontos. Alexandre Silveira ponderou que o texto foi a proposta possível para permitir a aprovação na Câmara e no Senado.” (...).

CONSUMO E COMPORTAMENTO

“Aproveitando o embalo da proposta de reforma do setor elétrico, o capítulo que trata da cronologia da abertura do mercado abriu a temporada de análises e previsões. Aqui vamos logo partir para conhecer o lado bom da coisa. Para a Studio Energy, uma divisão especializada em mercado livre de energia do Grupo Studio, a migração de consumidores vai permitir negociar contratos mais vantajosos e reduzir a conta em até 30%. Estima-se que até pequenas empresas podem economizar e ganhar previsibilidade, o que deve se refletir em preços mais baixos para o consumidor final, criando assim algum freio no avanço da inflação. Mas, como a maioria dos consumidores ainda está presa ao mercado cativo, vamos à real. A Aneel aprovou os reajustes anuais das distribuidoras Neoenergia Cosern (- 0,32%, em média), Neoenergia Coelba (+ 2.05%, em média) e Energisa Sergipe (+ 7%, em média). As novas tarifas serão aplicadas a partir de hoje, 22 de abril. O caso do reajuste anual da Enel Ceará, por outro lado, teve um enredo bem mais complicado. Os diretores da Aneel debateram à exaustão para decidir por um valor negativo de 2,10%. Caso contrário, se a aplicação de uma redução fosse maior em 2025, havia o risco de a tarifa saltar 17,61%, em média, em 2026.”

VALORIZAÇÃO DAS EMPRESAS DE ENERGIA NO BRASIL

“O pessoal do mercado reclama, esperneia, diz que “assim não dá”, ameaça juntar tudo e ir embora, mas, meus amigos, os números não mentem. Segundo dados da Strategy&, divisão de consultoria da PwC, as empresas de energia no Brasil registraram uma valorização média de cerca de 20% nos últimos quatro anos. O destaque vai para aquelas que incorporaram fontes renováveis ao seu portfólio. Essas companhias, em especial, passaram a valer, em média, 25% mais do que as que mantiveram uma matriz energética baseada apenas em fontes tradicionais. De uma forma ou de outra, essa boa vibe tem reflexo prático no dia a dia. Vejam só o caso da Light. A companhia está promovendo uma grande transformação digital e, como parte desse processo, está abrindo vagas para profissionais das áreas de tecnologia da informação (TI) e negócios.”

CONTRATO DE MÚTUO ENTRE A ENEL-RJ E SUAS PARTES RELACIONADAS

(...) “a Aneel não aceitou o pedido de medida cautelar protocolado pela Enel Rio de Janeiro. O objetivo era buscar autorização para celebração de refinanciamento de contrato mútuo entre a empresa e suas partes relacionadas até uma decisão final do processo no âmbito administrativo. A coisa toda totaliza uma grana alta, na casa dos R$ 141,8 milhões. A agência, enfim, chegou à conclusão entre outros aspectos, que não havendo nenhum sinal severo de risco para a equidade financeira, ou a continuidade e qualidade dos serviços, uma intervenção imediata não se sustenta. Outra má notícia - esta, porém, de risco mais abrangente e que afeta todas as distribuidoras -, é que os medidores inteligentes - smart meters - podem ser a porta de entrada para diversos ataques cibernéticos O alerta é da empresa especializada TI Safe. Justo esse equipamento em as concessionárias botam muita fé no sentido de eliminar custos e oferecer facilidades aos consumidores.”

Em busca da pacificação perdida

“As regras para reparação geradores por perdas decorrentes de curtailment foram definidas há anos pela Aneel, mas ninguém dava muita bola. Os problemas, afinal, não eram tão frequentes e tão graves financeiramente. Com o tempo e a explosão da expansão das fontes renováveis, o tema ficou tão grave e tão sério que até as empresas hidrelétricas agora também estão em busca do seu quinhão. Por isso é que não dá pra falar do assunto só de vez em quando. Olha só: somente em 2025 o volume apurado de cortes somou cerca de 1.345 MW médios, o equivalente a um estado da dimensão do Ceará todo desligado. O impacto financeiro é de R$ 2 bilhões em receita perdida, segundo cálculo da consultoria Volt Robotics. É isso, então. O volume de cortes de geração de energia tornou-se uma realidade que pode levar negócios a fecharem em um período de 3 a 4 anos. A questão é que essa confusão está meio longe de ser pacificada, embora, exista uma movimentação grande para tentar contornar a situação. De um lado, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a agência não vai promover qualquer alteração na norma que trata dos cortes de geração, ao fazer a reclassificação dos cortes por razões de confiabilidade, como indisponibilidade externa por eventos de atraso da transmissão. De outro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acenou à presidente executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum, que o problema estrutural do curtailment deverá ser resolvido “nos próximos dias”. Bom, de concreto mesmo, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) publicou o plano de atuação do Grupo de Trabalho Cortes de Geração para receber contribuições até 25 de abril. Ou seja, prestem a atenção porque o prazo vence nesta próxima sexta-feira. O CMSE também tomou medidas que devem elevar o escoamento do Nordeste em 1,5GW, em um prazo estimado em 90 dias.”

Tratamento intensivo para o LRCAP

“O Leilão de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) é outro abacaxi que o MME tenta descascar, mas não está nada fácil. O mercado tem pressa, está pra lá de ansioso, mas não larga do pé das autoridades.  Hora é um novo problema aqui, hora é uma questão acolá. E dá-lhe ação judicial. A Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace) está preocupada agora com o foco do certame na contratação de usinas a gás natural. A entidade, até avalia como certa a decisão do ministério em suspender o certame para reorganizar as regras.  Entende, contudo não ver sentido continuar aumentando a participação de fontes térmicas enquanto a fonte solar avança na matriz elétrica brasileira. Fazer o leilão é fundamental, mas a entidade alerta que não se pode correr o risco de gerar custos ainda mais elevados para os consumidores. Em meio a tudo isso, a Aneel veio, ao menos, com uma informação positiva. Disse que poderá realizar eventualmente uma consulta pública mais curta,” (...).

Fonte: Canal Energia

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OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

22/4/2025

Reforma do setor é bem recebida, mas jabutis no Congresso preocupam: https://bit.ly/3GgTlPK

“Apesar do ministro acreditar que há relevância e urgência para MP, tendência é de o governo apresentar via PL e tramitação da matéria ver o acréscimo das emendas indiscriminadas que marcaram projetos anteriores”.

Associações aprovam pauta do GT de cortes e devem avaliar novas contribuições: https://bit.ly/4cIkqYr

“Agenda divulgada pelo MME prevê a apresentação de diagnósticos e um conjunto de soluções regulatórias, operacionais, de planejamento e de política pública”.

Fonte: Canal Energia

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS – BY CANALENERGIA – edição de 22/04/2025

(...) “O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou a minuta da tão aguardada proposta de reforma do setor elétrico.” (...).

“Repleta de boas intenções a iniciativa não está sendo de fácil digestão por parte dos agentes. Além de alvo de muito debate em sua atual versão, o documento foi encaminhado para avaliação da Casa Civil da Presidência da República. De lá ainda passará pelo crivo do Congresso Nacional, onde tudo pode acontecer.” (...).

(...) “na reunião desta terça-feira do colegiado da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Na agenda do encontro, salvo, claro, alterações de última hora, está de volta o processo que trata da extensão do contrato de concessão da distribuidora EDP Espírito Santo. É a primeira, de um longa fila de empresas, a passar pelo crivo do órgão regulador, daí a expectativa em torno das condições da renovação.”

Alexandre Canazio

editor-chefe do Canal Energia

EXCLUSIVO

“Com a aproximação da expansão da abertura do mercado livre, conforme propõe o MME na minuta da reforma do setor elétrico, o segmento tende a ganhar ainda mais destaque no noticiário.  O subeditor do CanalEnergia, Maurício Godoi, se adiantou e trouxe uma perspectiva do cenário atual. Para isso conversou com representantes de comercializadoras que apontam o peso das incertezas no atual modelo de precificação. A volatilidade deve ser uma constante em 2025, impulsionada por parâmetros mais sensíveis do CVaR, conforme cita Renato Mendes, da Ultragaz Comercializadora.

Segundo ele, o novo modelo Newave híbrido tende a aumentar intensamente o valor da energia com alterações nas vazões, refletindo um nível de risco maior. “Estamos em uma tempestade perfeita, mas sem água”, resume. Fred Menezes, da Armor Energia, lembra que as perspectivas iniciais eram positivas, mas o novo modelo, mais conservador, eleva as probabilidades de preços maiores. “Agora

o modelo manda acionar as térmicas mais rápido”, justifica. Pedro Vidal, da Light Com, prevê que os

preços podem chegar a R$ 400 por MWh se o período seco se intensificar. “O modelo está muito avesso a risco”, observa, aconselhando a antecipação da compra de energia. A Abraceel, por seu lado, já solicitou uma consulta pública para discutir os parâmetros, visando uma possível recalibragem para 2026. Já Eduardo Rossetti, diretor da BBCE, observa que ainda não há um grande reposicionamento de comercializadoras. Ele destaca o salto nos valores da energia para entrega em 2025.” (...).

ECONOMIA

“O anúncio da reforma do setor elétrico ficou, sem dúvida, entre os temas que mais despertaram atenção no nosso termômetro de audiência, mas o setor é uma verdadeira usina de novidades, com perdão do trocadilho. Começando pelo Leilão de Sistemas Isolados, o mercado ficou sabendo que haverá oferta de 1,8 GW entre 241 projetos cadastrados. Segundo a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), esse pacote inclui centrais híbridas com participação das tecnologias termelétrica, fotovoltaica e sistemas de armazenamento. Ainda em relação à região Norte, principal polo de sistemas isolados, a primeira chamada de projetos do Pró-Amazônia Legal, em linha com as diretrizes do Programa Energias da Amazônia, teve 64 projetos cadastrados entre R$ 5,6 bilhões em investimentos.  

Por falar em armazenamento de energia, tecnologia estratégica para essa parte do Brasil, projeto da Quantum, em parceria com a EPE, PSR, Lactec, Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições, mostra que a inserção de baterias pode levar a redução de custos sistêmicos e tornar mais robusta a operação. Os resultados foram apresentados em evento realizado no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). E já que o assunto é economia de recursos, o MME prorrogou por mais dois meses a Chamada Pública Procel Energia Zero em Prédios Públicos. As propostas técnicas poderão ser enviadas até 11 de julho de 2025. O ministério ainda aproveitou para apresentar às distribuidoras de energia elétrica a Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e Projetos de Irrigação do Brasil. A iniciativa tem como objetivo fomentar a agricultura irrigada no país por meio de ações coordenadas entre os setores de energia e agropecuária. A dinâmica do agronegócio, aliás, vem numa toada veloz graças também à difusão acelerada da geração distribuída.

As instalações de micro e minigeração distribuída (MMGD) ultrapassaram 2,13 GW de potência no primeiro trimestre do ano. Segundo dados da Aneel, os painéis solares passaram a gerar créditos para aproximadamente 300 mil imóveis, entre casas, comércios, fazendas e outros. Não à toa, o mercado de fusões e aquisições do setor fotovoltaico manteve o ritmo de aceleração nos três primeiros meses de 2025. Houve 15 novas transações monitoradas. Crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela consultoria Greener. Para encerrar, tivemos o anúncio da Enel Brasil, que promete investimentos de R$ 25,3 bilhões, sendo R$ 24 bilhões em distribuição para o período de 2025 a 2027. Ah, sim, a empresa também avisa que está com nova identidade visual: pintou sua logomarca de verde e amarelo.”

POLÍTICA

“Como naquela velha fábula do “Pedro e Lobo”, o pessoal do mercado já não estava dando muita bola para as previsões do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, quanto às datas de apresentação da proposta de reforma do setor elétrico nacional. E não é que a minuta do projeto de lei – mas pode ser Medida Provisória -  já está na Casa Civil da Presidência da República! Não vai faltar oportunidade para comentar os muitos detalhes do plano nas próximas semanas – ou meses. Até porque, depois do Planalto o texto vai para o Congresso Nacional e aí só o divino sabe o que pode acontecer. Por enquanto, basta saber que a proposta está dividida em três eixos principais. Eles contemplam a ampliação da tarifa social de energia elétrica, abertura do mercado para a baixa tensão em 2027 e 2028 e rateio mais justo de encargos e subsídios entre consumidores dos ambientes livre e regulado. As medidas relacionadas à tarifa social terão custo adicional da ordem de R$ 4,5 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e impacto tarifário estimado em 1,4% para os demais consumidores do mercado regulado. Há previsão da extensão da gratuidade da tarifa para o consumo mensal até 80 kWh de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federa (CadÚnico). O MME calcula que o benefício vai atingir 17 milhões de famílias, cerca de 60 milhões de pessoas, a um custo anual de R$ 3,6 bilhões para a CDE. Só esta parte, em particular, deu muito o que falar no mercado.

A ideia é também liberar a baixa tensão a partir de 1º de março de 2027 para indústria e comércio e a partir de 1º de março de 2028 para os demais consumidores. O texto prevê que o Poder Concedente deverá regulamentar, até 1º de julho de 2026, as regras para a atuação do Supridor de Última Instância (SUI), definindo quem ficará responsável pela prestação desse serviço. Simplificando um pouco para quem ainda não está familiarizado, essa nova figura fará o papel de boia de salvação, caso o consumidor tenha a infelicidade de contratar energia de uma comercializadora capenga e que venha a falir. Ele, portanto, não ficará a deriva pois será acudido pelo SUI. Outras partes causaram frisson e lançaram um rastilho de debates acalorados. Foram as que tratam das mudanças mais restritivas voltadas ao segmento de autoprodução por equiparação, além da questão do rateio de encargos, entre outros pontos. Alexandre Silveira ponderou que o texto foi a proposta possível para permitir a aprovação na Câmara e no Senado.” (...).

CONSUMO E COMPORTAMENTO

“Aproveitando o embalo da proposta de reforma do setor elétrico, o capítulo que trata da cronologia da abertura do mercado abriu a temporada de análises e previsões. Aqui vamos logo partir para conhecer o lado bom da coisa. Para a Studio Energy, uma divisão especializada em mercado livre de energia do Grupo Studio, a migração de consumidores vai permitir negociar contratos mais vantajosos e reduzir a conta em até 30%. Estima-se que até pequenas empresas podem economizar e ganhar previsibilidade, o que deve se refletir em preços mais baixos para o consumidor final, criando assim algum freio no avanço da inflação. Mas, como a maioria dos consumidores ainda está presa ao mercado cativo, vamos à real. A Aneel aprovou os reajustes anuais das distribuidoras Neoenergia Cosern (- 0,32%, em média), Neoenergia Coelba (+ 2.05%, em média) e Energisa Sergipe (+ 7%, em média). As novas tarifas serão aplicadas a partir de hoje, 22 de abril. O caso do reajuste anual da Enel Ceará, por outro lado, teve um enredo bem mais complicado. Os diretores da Aneel debateram à exaustão para decidir por um valor negativo de 2,10%. Caso contrário, se a aplicação de uma redução fosse maior em 2025, havia o risco de a tarifa saltar 17,61%, em média, em 2026.”

VALORIZAÇÃO DAS EMPRESAS DE ENERGIA NO BRASIL

“O pessoal do mercado reclama, esperneia, diz que “assim não dá”, ameaça juntar tudo e ir embora, mas, meus amigos, os números não mentem. Segundo dados da Strategy&, divisão de consultoria da PwC, as empresas de energia no Brasil registraram uma valorização média de cerca de 20% nos últimos quatro anos. O destaque vai para aquelas que incorporaram fontes renováveis ao seu portfólio. Essas companhias, em especial, passaram a valer, em média, 25% mais do que as que mantiveram uma matriz energética baseada apenas em fontes tradicionais. De uma forma ou de outra, essa boa vibe tem reflexo prático no dia a dia. Vejam só o caso da Light. A companhia está promovendo uma grande transformação digital e, como parte desse processo, está abrindo vagas para profissionais das áreas de tecnologia da informação (TI) e negócios.”

CONTRATO DE MÚTUO ENTRE A ENEL-RJ E SUAS PARTES RELACIONADAS

(...) “a Aneel não aceitou o pedido de medida cautelar protocolado pela Enel Rio de Janeiro. O objetivo era buscar autorização para celebração de refinanciamento de contrato mútuo entre a empresa e suas partes relacionadas até uma decisão final do processo no âmbito administrativo. A coisa toda totaliza uma grana alta, na casa dos R$ 141,8 milhões. A agência, enfim, chegou à conclusão entre outros aspectos, que não havendo nenhum sinal severo de risco para a equidade financeira, ou a continuidade e qualidade dos serviços, uma intervenção imediata não se sustenta. Outra má notícia - esta, porém, de risco mais abrangente e que afeta todas as distribuidoras -, é que os medidores inteligentes - smart meters - podem ser a porta de entrada para diversos ataques cibernéticos O alerta é da empresa especializada TI Safe. Justo esse equipamento em as concessionárias botam muita fé no sentido de eliminar custos e oferecer facilidades aos consumidores.”

Em busca da pacificação perdida

“As regras para reparação geradores por perdas decorrentes de curtailment foram definidas há anos pela Aneel, mas ninguém dava muita bola. Os problemas, afinal, não eram tão frequentes e tão graves financeiramente. Com o tempo e a explosão da expansão das fontes renováveis, o tema ficou tão grave e tão sério que até as empresas hidrelétricas agora também estão em busca do seu quinhão. Por isso é que não dá pra falar do assunto só de vez em quando. Olha só: somente em 2025 o volume apurado de cortes somou cerca de 1.345 MW médios, o equivalente a um estado da dimensão do Ceará todo desligado. O impacto financeiro é de R$ 2 bilhões em receita perdida, segundo cálculo da consultoria Volt Robotics. É isso, então. O volume de cortes de geração de energia tornou-se uma realidade que pode levar negócios a fecharem em um período de 3 a 4 anos. A questão é que essa confusão está meio longe de ser pacificada, embora, exista uma movimentação grande para tentar contornar a situação. De um lado, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a agência não vai promover qualquer alteração na norma que trata dos cortes de geração, ao fazer a reclassificação dos cortes por razões de confiabilidade, como indisponibilidade externa por eventos de atraso da transmissão. De outro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acenou à presidente executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum, que o problema estrutural do curtailment deverá ser resolvido “nos próximos dias”. Bom, de concreto mesmo, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) publicou o plano de atuação do Grupo de Trabalho Cortes de Geração para receber contribuições até 25 de abril. Ou seja, prestem a atenção porque o prazo vence nesta próxima sexta-feira. O CMSE também tomou medidas que devem elevar o escoamento do Nordeste em 1,5GW, em um prazo estimado em 90 dias.”

Tratamento intensivo para o LRCAP

“O Leilão de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) é outro abacaxi que o MME tenta descascar, mas não está nada fácil. O mercado tem pressa, está pra lá de ansioso, mas não larga do pé das autoridades.  Hora é um novo problema aqui, hora é uma questão acolá. E dá-lhe ação judicial. A Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace) está preocupada agora com o foco do certame na contratação de usinas a gás natural. A entidade, até avalia como certa a decisão do ministério em suspender o certame para reorganizar as regras.  Entende, contudo não ver sentido continuar aumentando a participação de fontes térmicas enquanto a fonte solar avança na matriz elétrica brasileira. Fazer o leilão é fundamental, mas a entidade alerta que não se pode correr o risco de gerar custos ainda mais elevados para os consumidores. Em meio a tudo isso, a Aneel veio, ao menos, com uma informação positiva. Disse que poderá realizar eventualmente uma consulta pública mais curta,” (...).

Fonte: Canal Energia

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Resumo das Notícias de Hoje

22/4/2025

REFORMA DO SETOR ELÉTRICO (política)

O projeto de reforma do setor elétrico apresentado no final da tarde de quarta-feira, 16 de abril, pelo Ministério de Minas e Energia poderá ser publicado via Projeto de Lei ou Medida Provisória. Para o ministro Alexandre Silveira, tem relevância e urgência para poder ser pela segunda opção, que teria vigência imediata e prazo de até 180 dias para o Congresso Nacional analisar o tema. Contudo, quem define qual será a forma é a Presidência da República.

> Continue a leitura em “Reforma pode ser apresentada como Medida Provisória”: https://bit.ly/43Zqppm

> Sobre o mesmo tema, leia também “Abertura para baixa tensão deve acontecer em 2027 e 2028”: https://bit.ly/3RQCLc2 e “MME apresenta reforma do setor e calcula gasto extra de R$4,5 bi com tarifa social”: https://bit.ly/445ht1Q

CONSUMIDORES NA REFORMA DO SETOR (política)

A indústria brasileira foi surpreendida pelo conjunto de medidas divulgadas na noite da última quarta-feira (16) pelo Ministério de Minas e Energia sem que antes houvesse um debate franco e técnico com a sociedade civil, os atores setoriais e especialistas. Essa é a avaliação central de três entidades representativas do setor elétrico ouvidas pelo CanalEnergia nessa quinta-feira, 17 de abril.

> Saiba mais em “Consumidores não foram ouvidos na reforma do setor”: https://bit.ly/3RYPJED

CANALENERGIA (eventos)

ENASE

11 e 12 junho/2025

Hotel Windsor Oceânico – RJ

www.enase.com.br

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O fim de um papado progressista

22/4/2025

O Papa Francisco morreu nesta segunda-feira, 21, aos 88 anos, vítima de um AVC seguido de coma e colapso cardiocirculatório irreversível, segundo boletim médico do Vaticano.

Francisco foi o primeiro Papa latino-americano e um dos líderes mais influentes da Igreja Católica no século 21. Sua morte marca o fim de um papado reformista, com forte apelo global e ênfase em justiça social, meio ambiente e acolhimento.

O corpo do pontífice será velado na Basílica de São Pedro de quarta-feira, 23, até o funeral no sábado, 25, às 5h da manhã no horário de Brasília.

Autor: Desperta | exame de 22 de abril de 2025

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FRASE DA SEMANA

22/4/2025

“Todo crime é uma enfermidade é uma enfermidade. A ação dos tribunais sobre os criminosos, posto que nem sempre cesse de fato, cessa efetivamente de direito no momento que termina a cura”.

Autor(a): Eça de Queiroz

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