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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

30/4/2025

Norte Energia investe R$ 8 bilhões em ações socioambientais: https://bit.ly/44mCEN3

“Projetos incluem educação, saúde, geração de renda para indígenas e inovação sustentável”.

Espanha e Portugal normalizam sistemas após apagão: https://bit.ly/4cVfxer

“Governos dos dois países voltam atenções para investigação de causa da ocorrência”.

Tarifas da Equatorial AL terão redução média de 6,79% a partir de maio: https://bit.ly/4iFN3Xt

“Aneel aprovou pedido da distribuidora de aplicar parcialmente o reajuste dos próximos 12 meses, para evitar a volatilidade tarifária”.

Fonte: Canal Energia

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Resumo das Notícias de Hoje

30/4/2025

- RENOVAÇÃO DA EDP ES (distribuição)

“A diretoria da Aneel decidiu por unanimidade recomendar a prorrogação da concessão da EDP Espírito Santo. Não houve, no entanto, consenso em relação às propostas de inclusão de novos parâmetros para avaliação da prestação do serviço das distribuidoras, apresentadas pelos diretores Fernando Mosna e Ricardo Tili e rejeitadas por maioria.

> Saiba mais em “Aneel recomenda renovação da EDP ES e rejeita ampliar análise sobre qualidade”: https://bit.ly/3Gx0ko1

- ONS ESTUDA SEPS (operação)

“O Operador Nacional do Sistema Elétrico elaborou um estudo para buscar aprimoramentos nos Sistemas Especiais de Proteção (SEPs), com o objetivo de conseguir aumentar em cerca de 1.000 MW o limite de intercâmbio do Nordeste para o Sudeste. A partir das conclusões desse trabalho poderão ser ampliados os limites de intercâmbio de energia entre os subsistemas Nordeste, Norte e Sudeste/Centro-Oeste e gerar ganhos na operação. A medida também poderá auxiliar na redução do curtailment do Nordeste ao ampliar a transmissão desta região para os demais subsistemas.

> Continue a leitura na matéria “ONS estuda SEPs para aumentar intercâmbio e reduzir curtailment”: https://bit.ly/42STcK5

- INVESTIMENTOS NO ENTORNO DO LAGO DE FURNAS (geração)

“O ministro Alexandre Silveira anunciou o investimento de mais de R$ 340 milhões em obras de saneamento básico, recuperação de áreas degradadas e nascentes em mais de 50 municípios da região de Furnas, no Sul de Minas. As obras serão contratadas e executadas pela Eletrobras. De acordo com o MME, os investimentos visam ampliar a flexibilidade operativa do reservatório da UHE Furnas (MG, 1.216 MW), preservando os usos múltiplos da represa.

> Leia mais na notícia “Investimentos de R$ 340 mi serão feitos no entorno do lago de Furnas”: https://bit.ly/3EKMPAq”

CANALENERGIA (eventos)

ENASE

11 e 12 junho/2025

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www.enase.com.br

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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS By CANALENERGIA – 156ª edição de 29/04/2025

30/4/2025

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tascou bandeira amarela para maio, confirmando as suspeitas de que o armazenamento de água nos reservatórios das hidrelétricas não anda mesmo lá essas coisas. Partiu também de um diretor do órgão regulador a ideia controversa de modificar a forma de cálculo dos indicadores de qualidade das distribuidoras, no âmbito do processo da renovação das concessões. A extensão do contrato da EDP Espírito Santo, a propósito, pode voltar ao debate na reunião de hoje do colegiado, cuja agenda também está repleta de discussões sobre reajustes tarifários de várias companhias.

Tivemos ainda uma reunião entre o MME e representantes de associações para conversar sobre a proposta da reforma do setor elétrico. O governo quer apoio, mas o mercado e os consumidores querem saber mais. Até porque o conteúdo divulgado até agora já está defasado segundo revelou o ministério. Uma coisa é certa, ninguém quer sequer ouvir falar em medida provisória como forma de envio ao Congresso Nacional.

E o tempo fechou na Eletrobras. A disputa entre acionistas pelas cadeiras no Conselho de Administração deflagrou uma batalha feroz nos bastidores. Tem assembleia programada para hoje e, em jogo, também há aprovação da reserva de três assentos que vão ampliar a participação da União no colegiado.

Para quem ainda ruminava uma série de dúvidas sobre curtailment, mas não tinha coragem de perguntar, o CanalEnergia deu um show de reportagens esclarecedoras. Além do rico resultado do Meet Up, realizado na quarta-feira passada, dia 23, nossos repórteres foram atrás de mais especialistas e autoridades para apurar ao máximo esse tema. (...).”

Alexandre Canazio

editor-chefe do Canal Energia

Bmg Energia Hub de Transição Energética: o aproveitamento da sinergia

OFERECIMENTO: BMG ENERGIA

“O Grupo Bmg empreende na transição energética com a criação da Bmg Energia e o desenvolvimento de Hubs sustentáveis para impulsionar a economia verde. Em um mercado promissor e com regulamentações favoráveis, foca em autoprodução, hidrogênio, amônia, biocombustíveis e novas tecnologias.

Com parceiros estratégicos, o Bmg Energia desenvolve empreendimentos que promovem a transição energética no Brasil.

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MeetUp REALIZADO NO DIA 23 ÚLTIMO

(...) “os assinantes do CanalEnergia tiveram acesso nos últimos dias a muitas informações super qualificadas sobre o desenrolar dos fatos em torno da séria questão do curtailment.

O assunto foi debatido com bastante profundidade no MeetUp realizado no dia 23 último. Mas também foi alvo de análises e comentários marcantes em entrevistas exclusivas concedidas ao subeditor Maurício Godoi. Numa delas, a diretora da Aneel Agnes da Costa teve a oportunidade de defender o importante papel da agência reguladora em meio às discussões. Fez, inclusive, um aceno otimista ao mercado. Segundo ela, as futuras regras “serão as melhores possíveis”. Como relatora da consulta pública que trata do curtailment estimou também que as análises em plenário devem ocorrer antes da chamada safra dos ventos. Em outra conversa, desta vez com a cúpula da direção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), participaram o próprio presidente da organização, Marcio Rea, além do diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato e o diretor de Operação, Christiano Vieira da Silva.

Uma trinca técnica de alta confiabilidade, que proporcionou um papo bastante esclarecedor sobre o tema, marcada por uma frase firme e contundente: “não cortamos porque queremos, mas o necessário para o sistema”. Também é de autoria de Godoi, em parceria com a colega Vanessa Andrade, a reportagem especial da semana. Esse trabalho fechou, com chave de ouro, a nossa jornada investigativa centrada num assunto que ainda vai gerar muitas notícias de impacto nos próximos meses".

CURTAILMENT

“os assinantes do CanalEnergia tiveram acesso nos últimos dias a muitas informações super qualificadas sobre o desenrolar dos fatos em torno da séria questão do curtailment.

O assunto foi debatido com bastante profundidade no MeetUp realizado no dia 23 último. Mas também foi alvo de análises e comentários marcantes em entrevistas exclusivas concedidas ao subeditor Maurício Godoi. Numa delas, a diretora da Aneel Agnes da Costa teve a oportunidade de defender o importante papel da agência reguladora em meio às discussões. Fez, inclusive, um aceno otimista ao mercado. Segundo ela, as futuras regras “serão as melhores possíveis”. Como relatora da consulta pública que trata do curtailment estimou também que as análises em plenário devem ocorrer antes da chamada safra dos ventos. Em outra conversa, desta vez com a cúpula da direção do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), participaram o próprio presidente da organização, Marcio Rea, além do diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato e o diretor de Operação, Christiano Vieira da Silva.

Uma trinca técnica de alta confiabilidade, que proporcionou um papo bastante esclarecedor sobre o tema, marcada por uma frase firme e contundente: “não cortamos porque queremos, mas o necessário para o sistema”. Também é de autoria de Godoi, em parceria com a colega Vanessa Andrade, a reportagem especial da semana. Esse trabalho fechou, com chave de ouro, a nossa jornada investigativa centrada num assunto que ainda vai gerar muitas notícias de impacto nos próximos meses.”

ECONOMIA

“O mercado livre de energia (ACL), um dos alvos mais visados pelos agentes no âmbito da proposta de reforma do setor elétrico, ganhou evidência ainda maior por outros motivos. Na quarta-feira, dia 23, foi dada partida oficial às atividades da plataforma N5X. O início dos trabalhos acontece concentrado em operações “em tela” de compra e venda de energia. Meta mesmo, segundo seus responsáveis, é estabelecer uma clearing house. Do lado da concorrência, o já veterano Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) não dorme de touca. Lançou mais uma funcionalidade: o BBCE RFQ. Trocando em miúdos, trata-se de um mecanismo que permite a negociação de ativos diversos, inclusive outras commodities.

O timing dessas empresas está sincronizado com a aceleração das negociações no país. Pela primeira vez, o consumo nacional no ACL ultrapassou os 30.000 MW médios. Chegou a 32.165 MW médios em fevereiro de 2025, crescimento de 15% no acumulado de 12 meses, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel).”

POLÍTICA

“Parecia líquido e certo, só que não. Entrou mais areia no processo inaugural da longa jornada de renovações de concessões das distribuidoras de energia. O caso da EDP Espírito Santo deve retornar hoje, pela terceira vez, ao plenário da diretoria da Aneel. Os debates esquentaram e há falta consenso entre os integrantes do colegiado. O diretor Fernando Mosna, de olho na satisfação dos consumidores - meio esquecida nos últimos tempos - insiste que é preciso ajustar o cálculo dos indicadores de qualidade, os notórios DEC e FEC. Na opinião dele, há itens que não podem mais ser expurgados. Entre eles estão, por exemplo, problemas originados no sistema de transmissão ou mesmo os longos apagões decorrentes dos impactos destruidores de eventos extremos. Se aprovado, um critério como esse pode se tornar quase que fatal para empresas como Enel Rio de Janeiro, Enel São Paulo e RGE. Lembrando que esta última concessionária enfrentou sérios problemas durante as trágicas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024. Mosna sugeriu ainda a obrigatoriedade de realização de audiência pública para todos os processos de renovação. O fato é que esse contexto pegou muito mal na avaliação do comando da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). O presidente da entidade, Marcos Madureira, destaca, simplesmente, que os aspectos levantados por Fernando Mosna não estão previstos no decreto presidencial que estabeleceu as regras de renovação. Não faz sentido, observou, ficar olhando o desempenho das empresas pelo retrovisor. Seja como for, a reunião desta terça-feira da diretoria da Aneel tende a ter caráter decisivo.

CONSUMO E COMPORTAMENTO

“Voltando agora a utilizar o nosso critério popular e nada científico do “uma no cravo e outra na ferradura”, vamos tentar equilibrar a balança mais uma vez. De positivo, temos a informar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,43% em abril, mas com 0,21 ponto percentual abaixo da taxa de março, de 0,64%.  A tarifa de energia elétrica, item de peso importante no componente Habitação, colaborou para esse recuo. Apresentou variação negativa de 0,09%. Já do lado negativo, a má notícia é que todos nós vamos pagar mais caro a eletricidade a ser consumida em maio. A Aneel decretou bandeira tarifaria amarela para o próximo mês. Quem nos acompanha deve lembrar que aqui na Volts a gente vinha alertando para as análises pessimistas de especialistas quanto ao comportamento abaixo do esperado das chuvas do período úmido. Não deu outra. Houve a constatação de que as vazões estão realmente abaixo da média nas regiões dos principais reservatórios. Portanto, pessoal, nada de banhos demorados, luzes acesas sem necessidade e de ficar ligando a máquina de lavar roupas para dar conta somente de uma ou duas peças de roupa. É hora de economizar!”

ECOBANK

“O assunto é a saúde das empresas. Como se sabe, a 2W Ecobank ainda atravessa um momento complicado em sua trajetória. Pelo menos, o juiz Leonardo Fernandes dos Santos, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, aceitou o pedido de recuperação judicial proposto pela companhia e de sua subsidiária, a 2W Comercializadora Varejista. A decisão suspende por 120 dias todos os processos de execução por parte dos credores. Força aí, pessoal! Outra boa nova é que a Auren conseguiu reduzir sua dívida em R$ 1,2 bilhão, com amortização de debêntures. Para isso, foram desembolsados R$ 3,2 bilhões, referentes à quarta emissão, que soma R$ 5,4 bilhões. Ou seja, 59% já foram liquidados. A companhia aproveitou para avisar ao mercado de que a estrutura da emissão permite amortizações sem custos adicionais. Nada como um planejamento bem-feito de caixa!”

ANEEL REJEITOU PEDIDO DA ABEÓLICA

“A diretoria da Aneel rejeitou pedido da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias) e da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) para que fossem suspensos os processos punitivos instaurados contra geradores, em decorrência do blecaute de 15 de agosto de 2023 no Sistema Interligado Nacional (SIN). Como esquecer toda aquela confusão! O incidente, enfim, resultou na aplicação de multas no valor total de R$ 245,3 milhões a 53 empreendedores responsáveis por 747 usinas de ambas as fontes.”

Fonte: Canal Energia

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OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

29/4/2025

Brasil precisa de regulação ampla para avançar em baterias, diz Atlas: https://bit.ly/4lMjTbT

“Investimentos nessa tecnologia no Chile foram viabilizados com as regras estabelecidas para atrair os aportes em armazenamento que podem chegar a 6 GW até o ano de 2030”.

Conselheiro da Eletrobras leva nova advertência por publicações no Linkedin: https://bit.ly/4jRACsv

“Para a companhia, postagens de Marcelo Gasparino da Silva violam normas de conduta, gestão e segurança da informação. Em outro comunicado, Guido Mantega desiste de vaga no Conselho Fiscal”.

Isa Energia conclui seccionamento da LT Ibiúna-Tijuco Preto em SP: https://bit.ly/4jtcpsJ

“Subestação Sul passará a ser alimentada por outras quatro SEs, eliminando riscos de sobrecarga por meio de remanejamentos mais eficientes e trazendo outros benefícios sistêmicos, afirma empresa”.

Fonte: Canal Energia

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11 e 12 junho/2025

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