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FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026 (Continuação)

8/6/2026

- Data centers: a fronteira do setor elétrico

Curtailment no Brasil: como os data centers podem transformar energia represada em vantagens competitivas?

Por Alex Santiago

INTRODUÇÃO

    O setor elétrico brasileiro vive hoje uma contradição que precisa ser tratada com mais profundidade. Ao mesmo tempo em que o país amplia sua base renovável e consolida uma das matrizes mais limpas do mundo, cresce também a dificuldade de aproveitar integralmente essa energia. Em várias situações, o problema já não está apenas na capacidade de gerar, mas na capacidade de transmitir, absorver e usar essa energia de forma eficiente.

    É nesse contexto que o curtailment ganha centralidade no debate. Mais do que um evento operacional, ele passou a ser um sintoma claro do descompasso entre a expansão da geração renovável e a evolução da infraestrutura necessária para escoá-la e convertê-la em valor econômico. Em termos simples: o Brasil avança em geração limpa, mas ainda desperdiça parte relevante do potencial que cria.

    Esse tema se torna ainda mais importante quando observamos a dinâmica regional do setor. O crescimento da geração eólica e solar, especialmente no Nordeste, foi muito mais rápido do que a expansão da rede capaz de acomodar esse novo patamar de oferta. O resultado é conhecido pelos agentes do mercado: em determinados momentos, parte da energia disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema.

    A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    É exatamente nesse ponto que os data centers entram de forma mais relevante. Historicamente tratados apenas como grandes consumidores de energia, esses ativos podem assumir um papel mais estratégico na nova dinâmica do setor elétrico. Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética.

    A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais disponível precisa ser cortada para preservar a segurança operativa do sistema. A resposta estrutural continua sendo a expansão da transmissão. Isso é indiscutível. Mas limitar o debate apenas a esse eixo talvez seja insuficiente diante da velocidade da transformação energética e digital. O que o cenário atual exige é uma agenda complementar: mais flexibilidade, melhor coordenação entre oferta e demanda e, principalmente, uma nova leitura sobre a geografia do consumo elétrico no Brasil.

    Dependendo do modelo de implantação, da natureza da carga e do ambiente regulatório, podem atuar como demanda qualificada, vetor de agregação de valor à energia renovável e elemento de atração de investimento produtivo para regiões com forte vocação energética. A discussão, portanto, não é se os data centers substituem transmissão, armazenamento ou planejamento elétrico. Não substituem. A discussão correta é outra: em que medida essa infraestrutura pode fazer parte de uma solução mais ampla, conectando transição energética, economia digital e competitividade.

QUANDO A ABUNDÂNCIA ENCONTRA O LIMITE DA INFRAESTRUTURA

    O curtailment ocorre quando parte da geração disponível precisa ser limitada por razões operativas. No caso brasileiro, isso aparece com frequência em situações de restrição de escoamento, quando a rede não consegue transportar integralmente a energia produzida até os centros de carga ou até outras regiões do sistema.

    Esse fenômeno tende a ganhar relevância em sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis, especialmente quando a expansão da oferta ocorre em velocidade superior à ampliação da infraestrutura de transmissão. Nesses casos, o problema deixa de ser apenas energético e passa a ser também logístico, sistêmico e econômico.

    No Brasil, esse quadro é particularmente visível no Nordeste. A região reúne alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo e se consolidou como uma das grandes fronteiras de expansão renovável do país. Ao mesmo tempo, boa parte dessa energia precisa percorrer longas distâncias para alcançar os principais centros de consumo. Quando a geração cresce e a rede opera próxima de seus limites, o ONS precisa restringir parte dessa produção para manter a segurança operativa do SIN. Do ponto de vista técnico, trata-se de uma medida necessária.

    Do ponto de vista econômico, porém, essa situação escancara uma ineficiência relevante. O país investe, instala capacidade, amplia sua base renovável, mas não consegue capturar integralmente o valor dessa energia quando ela está disponível. Esse é o ponto central.

    A partir daqui a discussão precisa evoluir. A transição energética não pode mais ser tratada apenas como expansão de megawatts instalados. Ela precisa ser entendida como uma agenda de coordenação entre geração, transmissão, armazenamento, consumo e inteligência operacional. Em outras palavras, não basta produzir mais energia limpa. É preciso criar condições para usá-la melhor.

APROXIMAR DEMANDA QUALIFICADA DOS POLOS DE GERAÇÃO

    A resposta de longo prazo para esse desafio passa, sem dúvida, pelo reforço da transmissão. Mas há uma agenda complementar que merece mais atenção: aproximar cargas intensivas dos polos de geração renovável, sempre que houver viabilidade técnica, econômica e locacional para isso.

    Esse raciocínio é especialmente importante quando falamos de cargas capazes de transformar eletricidade em valor agregado de forma intensiva e contínua. E é justamente nesse espaço que os data centers se destacam. Durante muito tempo, a lógica de localização dos data centers no Brasil esteve fortemente associada à proximidade dos grandes centros consumidores, à conectividade e à presença de ecossistemas digitais consolidados. Essa lógica continua válida para muitas aplicações, principalmente para aquelas mais sensíveis à latência e à interconexão local. Mas o avanço da nuvem, da inteligência artificial e do processamento de alto desempenho trouxe uma nuance importante para esse debate.

    Nem toda carga digital responde da mesma forma aos critérios locacionais. Aplicações transacionais, ambientes críticos de baixa latência e determinadas arquiteturas distribuídas continuam exigindo proximidade com usuários, redes e grandes hubs. Por outro lado, algumas cargas de trabalho associadas a treinamento de modelos, simulações, processamento em lote, analytics e outras rotinas assíncronas podem admitir maior flexibilidade geográfica.

    Essa distinção muda a qualidade da discussão. Ela abre espaço para pensar determinadas regiões com forte disponibilidade de energia renovável não apenas como exportadoras de eletricidade, mas também como possíveis polos de infraestrutura digital. A energia deixa de ser vista somente como insumo a ser transportado e passa a ser tratada como base para atividades capazes de gerar serviços digitais, capacidade computacional e maior densidade econômica.

DATA CENTERS COMO VETOR DE AGREGAÇÃO DE VALOR

    Existe uma percepção consolidada de que data center é, essencialmente, um problema de carga. Essa leitura não está errada, mas está incompleta. Data centers são, sim, infraestruturas intensivas em energia. Mas também são ativos capazes de atrair investimento, consolidar cadeias de engenharia e tecnologia, ampliar a demanda por conectividade, impulsionar serviços associados e inserir o país em segmentos de maior valor da economia digital.

    Em regiões com abundância renovável e limitações de escoamento, essa infraestrutura pode representar uma forma adicional de capturar valor localmente. Isso não significa defender que energia disponível, por si só, basta para atrair hyperscalers ou grandes operadores. Não basta. A decisão de investimento depende de uma combinação complexa de fatores: fibra, rotas de conectividade, backbone, ambiente regulatório, segurança, mão de obra, prazo de conexão, licenciamento e previsibilidade institucional.

    Mas também não faz sentido subestimar o peso da energia nesse contexto. Em empreendimentos intensivos em eletricidade, o acesso competitivo a uma base renovável robusta pode, sim, se tornar um diferencial estratégico relevante, sobretudo em um cenário global cada vez mais pressionado pela expansão da IA, da nuvem e do processamento de dados em larga escala.

    É por isso que o curtailment precisa ser enxergado para além da ótica estritamente operacional. Ele sinaliza uma perda econômica concreta, mas também revela uma oportunidade. Regiões com energia renovável abundante, quando combinadas com infraestrutura digital, conectividade e ambiente de negócios adequado, podem se posicionar de forma mais competitiva para receber ativos intensivos em energia e dados.

UMA NOVA INTERFACE ENTRE DATA CENTERS E SISTEMA ELÉTRICO

     Se os data centers passam a ter relevância maior nessa discussão, também será necessário atualizar a forma como essa infraestrutura se relaciona com o sistema elétrico. O modelo tradicional sempre foi baseado em uma lógica simples: máxima disponibilidade, alta redundância e consumo essencialmente rígido. Essa lógica continua válida do ponto de vista da missão crítica. Mas ela já não precisa ser tratada como única.

    Com a evolução tecnológica, ganha espaço a possibilidade de uma relação mais inteligente entre data centers e rede elétrica. É aí que conceitos como infraestrutura grid-interactive passam a fazer sentido. Na prática, isso significa incorporar capacidades de gestão energética mais sofisticadas, sem comprometer os requisitos de resiliência e continuidade que são inegociáveis nesse tipo de ambiente.

    Entre essas capacidades estão monitoramento avançado, automação, integração com armazenamento, resposta a sinais tarifários e, em alguns casos, maior modulação de cargas específicas. Data center não é carga convencional, e esse ponto precisa ser respeitado. Mas isso não impede que a infraestrutura evolua para um patamar de gestão energética mais inteligente e mais aderente à nova realidade do setor.

    Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias, ou BESS, assumem papel relevante. Tradicionalmente, a infraestrutura elétrica dos data centers esteve associada a UPS e geradores voltados à continuidade operacional. O avanço do armazenamento amplia esse horizonte ao permitir novas estratégias, como deslocamento de consumo no tempo, redução de demanda em horários críticos, reforço de resiliência e melhor coordenação com condições operativas e econômicas da rede.

    É importante fazer a ressalva correta: BESS não transforma automaticamente o data center em solução direta para o curtailment. Para isso, são necessários arranjos regulatórios, econômicos e operacionais adequados. Mas o armazenamento amplia a flexibilidade disponível para consumidores intensivos e pode ser parte importante de modelos mais inteligentes de uso da eletricidade. Ou seja, o papel da bateria deixa de ser apenas contingência e passa a incluir gestão energética.

FLEXIBILIDADE ELÉTRICA E FLEXIBILIDADE DIGITAL

    Além da camada elétrica, há outro ponto que merece atenção: a própria computação está se tornando mais flexível. Em ambientes digitais de grande escala, cresce a capacidade de orquestrar workloads no tempo e no espaço, a partir de critérios técnicos, econômicos e energéticos.

    Esse tema precisa ser tratado com precisão. Não se trata de afirmar que o setor elétrico passará a comandar diretamente a alocação de cargas computacionais. Tampouco seria correto sugerir que toda carga associada à inteligência artificial possa ser deslocada livremente entre regiões. A realidade é mais seletiva e mais sofisticada.

    O que se observa é a convergência entre ferramentas de orquestração, previsibilidade de oferta energética, custo de eletricidade e estratégias de eficiência operacional. Em arquiteturas maduras, determinadas cargas assíncronas, processamento em lote, treinamento de modelos e tarefas de alto consumo computacional podem ser direcionados para ambientes mais favoráveis em termos energéticos e econômicos.

    Essa possibilidade cria uma interface inédita entre flexibilidade digital e flexibilidade elétrica. Para um país com forte expansão renovável, assimetrias regionais de oferta e desafios de escoamento, essa convergência pode se tornar especialmente valiosa. Quanto maior a capacidade de coordenar o uso da energia com inteligência locacional e temporal, maior a chance de transformar variabilidade em eficiência.

REGULAÇÃO, PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

    Para que essa agenda avance, tecnologia e mercado não bastam. É indispensável que a regulação e o planejamento acompanhem a complexidade dessa nova fase. O amadurecimento do debate sobre armazenamento, flexibilidade, modernização da rede e inserção de novas cargas estratégicas será determinante para abrir espaço a soluções mais sofisticadas.

    No caso dos data centers, previsibilidade regulatória é fator central. São investimentos intensivos em capital, de longo prazo e altamente dependentes de segurança jurídica, qualidade de conexão, estabilidade contratual e coordenação institucional. Se o Brasil pretende atrair empreendimentos digitais de grande porte para regiões com vocação renovável, precisará alinhar política energética, infraestrutura, telecomunicações, desenvolvimento regional e ambiente de negócios.

    A regulamentação do armazenamento tende a ser um dos pilares dessa agenda. Quanto maior a clareza sobre as possibilidades de inserção do BESS e sobre os mecanismos de valorização da flexibilidade, maior será a capacidade do sistema de incorporar arquiteturas energéticas mais eficientes e inteligentes. Para consumidores intensivos, isso pode abrir espaço para novos modelos operacionais e econômicos, mais alinhados com a transição energética em curso.

    Isso vale para políticas locacionais, instrumentos de atração de investimento e planejamento coordenado entre energia e infraestrutura digital. O Brasil reúne atributos relevantes: base renovável robusta, mercado digital em expansão, escala, posição regional estratégica e capacidade técnica. O desafio está em transformar esse conjunto de vantagens em uma estratégia coerente de longo prazo.

CONCLUSÃO

    O curtailment revela algo que vai além de uma restrição operacional do setor elétrico. Ele mostra que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais do que expansão da oferta renovável. Exigirá coordenação, flexibilidade, inteligência sistêmica e capacidade de transformar energia disponível em desenvolvimento efetivo.

    Nesse contexto, os data centers podem ocupar um papel mais estratégico do que normalmente se reconhece. Não porque substituam a expansão da transmissão ou resolvam sozinhos os desafios do sistema, mas porque podem integrar uma agenda mais ampla de agregação de valor à energia renovável, interiorização qualificada da demanda e fortalecimento da economia digital.  

    Ao aproximar parte do consumo intensivo de regiões com elevada disponibilidade renovável, o Brasil pode reduzir ineficiências, ampliar sua atratividade para investimentos, estimular novas cadeias produtivas e posicionar-se de forma mais competitiva em um ambiente global cada vez mais dependente de processamento, dados e inteligência artificial.

    O país já possui os recursos naturais, a escala e a capacidade técnica necessárias. O que falta, agora, é transformar essa possibilidade em direção estratégica. Se souber fazer isso, o Brasil poderá converter um problema hoje tratado como limitação em uma vantagem concreta de competitividade no futuro próximo.

*Alex Santiago de Paiva é especialista em Data Centers, eficiência energética e gestão de energia, com mais de 20 anos de experiência em TI e mais de 17 anos dedicados a ambientes de missão crítica. Sua atuação reúne experiência em infraestrutura crítica, sustentabilidade, modernização tecnológica e gestão energética aplicada a Data Centers. Atualmente, é Coordenador de Data Centers do Sicoob e presidente do Capítulo Brasília da Associação Brasileira de Data Center (ABDC).

Fonte: REVISTA O SETOR ELÉTRICO – OSE, DE 28/05/2026

FRAGMENTOS EXTRAÍDOS DA VOLTS By CANALENERGIA – 157ª edição de 06/05/2025 EXCLUSIVO

6/5/2025

“Tarifas altas demais? Renda baixa demais? Falta de investimento em tecnologia? Segurança pública insuficiente? Atividade criminal sem limites? Essas são apenas algumas das muitas questões que vem à mente quando se começa a pensar num dos problemas mais antigos enfrentados pelas companhias de distribuição e para o qual não há uma solução mágica, tal a sua complexidade. Estamos falando das perdas não técnicas (PNT) que vem aumentando em escala exponencial. E não só no Brasil. Trata-se de um desafio que aflige principalmente a América Latina e Caribe.

O colega Henrique Faerman aceitou a empreitada e se empenhou em trazer um panorama meticuloso sobre o tema para a reportagem especial desta semana do CanalEnergia. O resultado trouxe números e cifras reveladores e muito alarmantes, para dizer o mínimo. A região em foco registra perdas superiores a 17% nas últimas três décadas. Esse é um volume três vezes maior que o da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para ser ter uma ideia, em 2019, as perdas não técnicas atingiram 120 TWh, o equivalente a toda a produção eólica e solar regional no período. Especialistas e representantes de entidades foram ouvidos para compor esse quadro que abre espaço especial para o caso brasileiro. Em território nacional, o problema persiste há 15 anos. Em 2024, o volume de PNT chegou a 42 TWh, representando 16,8% do mercado de baixa tensão, quase o dobro da produção anual da hidrelétrica Belo Monte. Além do texto rico em detalhes, os leitores vão contar também com uma novidade. Interativa, a reportagem traz trechos em vídeo dos relatos de entrevistados.”

Acesse a Reportagem Especial aqui!

ECONOMIA

Para quem emendou o feriado de 1º de maio e ainda está meio fora de sintonia, vale saber que o ministro da Fazenda, Fernado Haddad, foi aos Estados Unidos. E o setor elétrico com isso? É que ele foi se encontrar com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e aproveitou para dar um pulinho ao Vale do Silício. Lá visitou diversas big techs, numa espécie de roadshow para apresentar a Política Nacional de Data Centers. A ideia é trazer esse tipo de investimento ao Brasil, já que aqui temos energia limpa sobrando. Agora é cruzar os dedos para dar tudo certo.

E por falar em excedente de eletricidade, o MME sacramentou a data de 14 de novembro para a realização dos leilões A-1, A-2 e A-3. Também estão disponíveis as diretrizes dos três certames. As distribuidoras devem ficar atentas. As Declarações de Necessidade, precisam ser encaminhadas no período de 12 a 22 de agosto de 2025. Time is Money! Que o diga o pessoal do mercado livre, que também tem prazo a cumprir. Fica aberta até 13 de junho a consulta pública recém-lançada pela Aneel para aprimoramento das regras de comercialização. Meio que relacionado, é preciso lembrar ainda que o MME também abriu consulta pública. Esta é destinada a definir proposta de critérios, ritos e prazos próprios para avaliação e aprovação, pelo CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), de alterações no nível de aversão ao risco a ser adotado nos modelos computacionais do setor elétrico. Ou seja, tudo desemboca em preços.

Outra medida fresquinha do ministério é que foi autorizada a inclusão de custos fixos ao Custo Variável Unitário (CVU) para geração de energia elétrica de térmicas despacháveis centralizadamente e operacionalmente disponíveis. Mas, anote aí, desde que não possuam Contrato de Comercialização de Energia Elétrica vigente.

E só para constar, de acordo com dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o consumo nacional cresceu 2,6% na média em março. Na faixa de 49.190 GWh, foi o maior patamar mensal de toda a série histórica desde 2004. A classe residencial puxou o resultado, com alta de 3,7%, seguido pelo industrial, com variação de 2,7%. De olho no consumo e no equilíbrio da malha elétrica, o ONS (Operador Nacional do Sistema) elaborou um estudo para buscar aprimoramentos nos Sistemas Especiais de Proteção (SEPs), com o objetivo de conseguir aumentar em cerca de 1.000 MW o limite de intercâmbio do Nordeste para o Sudeste. Qualquer relação com a questão do curtailment não é mera coincidência.

Para terminar, confira, rapidinho, o desempenho de três empresas que já divulgaram seus resultados financeiros referentes ao 1º trimestre de 2025. A fabricante de equipamentos Weg teve aumento de 16,4% no lucro, ao atingir R$ 1,5 bilhão em ganho no período. No caso da Neoenergia, houve reversão. O grupo alcançou a marca de R$ 1 bilhão, 11% a menos do que de janeiro a março de 2024. Também em queda, o resultado da ISA Energia recuou 17,6%, para R$ 337 milhões. Muita calma aí acionista, porque há tempo para recuperação.”

POLÍTICA

“Rendeu bastante controvérsia, como era de se esperar. Só que não foi mesmo adiante na diretoria da Aneel a proposta de incluir novos parâmetros de avaliação no processo de renovação das concessões das distribuidoras. Bem que a Procuradoria da agência já havia avisado que não era possível fazer nada diferente do que foi definido pelo MME. Mas o colegiado não perdeu a oportunidade de debater o assunto à exaustão. Muito na base daquele dito popular do “dou um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela”. Por três votos a dois, acabaram rejeitadas as recomendações dos diretores Ricardo Tili e Fernando Mosna para que fossem considerados indicadores adicionais na avaliação dos requisitos de qualidade. Com isso, ficou decidida a recomendação, ao MME, da aprovação do processo da EDP Espírito Santo, a primeira companhia a passar pelo crivo da Aneel. Ufa! A história do reforço nas exigências não termina aí, contudo. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, não descarta que a proposta possa ser discutida novamente, caso a sugestão seja feita em algum processo para os quais Tili e Mosna forem eventualmente sorteados. “Se as convicções deles não mudarem, eventualmente, esses mesmos argumentos podem retornar. Mas aí a gente vai ver caso a caso”, avisou. Ou seja, as demais companhias na fila que se preparem. Enel Rio de Janeiro, Equatorial Pará, Enel São Paulo, além de Light e Enel Ceará, por exemplo, estão com notas pouco satisfatórias no âmbito do Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC), um dos critérios adicionais defendidos por Tili e Mosna.”

CONSUMO E COMPORTAMENTO

Aqui você encontra informações sobre o mercado de consumo de bens e serviços, cujos impactos são refletidos diretamente na carga de energia em todo o País

Olha só o resultado da mais recente análise saída do forno sempre aceso da consultoria Volt Robotics. A nova proposta de reforma do setor elétrico em exame no governo, mantidas as diretrizes anunciadas até agora, tende a favorecer os pequenos consumidores. O grupo pode ser o mais beneficiado pelo processo. Isso porque o cálculo de redução no custo de energia deve ficar na faixa de 8% a 16%. Show! As condições também beneficiam as distribuidoras, já que elas ficarão praticamente blindadas contra os efeitos de sobra de energia ante a possibilidade dos consumidores se bandearem para o mercado livre. Outra boa notícia, essa para os consumidores da área da CPFL Paulista, é que a Aneel homologou o reajuste tarifário anual da companhia com redução média de 3,66%. A agência decidiu ainda excluir do processo o pedido da empresa de inclusão de R$ 1,3 bilhão na tarifa dos próximos 12 meses, como ressarcimento de parte de um passivo judicial, em ação transitada em julgado. O MME, por sua vez, aprovou a proposta de orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica (Luz para Todos), para 2025. Haverá desembolso de R$ 3,914 bilhões, ante um orçamento previsto de R$ 4,316 bilhões. (...). A Aneel aprovou aumento médio de 0,61% nas tarifas da Neoenergia Pernambuco.”

PROGRAMA ENERGIA SOLIDÁRIA

“O programa Energia Solidária, do Governo do Estado do Paraná, gerou uma economia total de R$ 26 milhões para as 280 mil famílias paranaenses cadastradas no primeiro trimestre de 2025. Esse é o valor que o Estado custeia no programa e que garante fornecimento gratuito para famílias de baixa renda que consomem até 150 kWh/mês. Houve, inclusive, aumento do limite de consumo, que era de 120 kWh. Também foi autorizada a inclusão no programa de famílias que recebem o Benefício Prestação Continuada (BPC).”

FRAUDES EM LEILÕES DA ANEEL

“O Ministério Público Federal denunciou dez integrantes de uma organização criminosa que obteve R$ 145,2 milhões ilicitamente a partir de fraudes em leilões da Aneel, entre 2015 e 2018. O esquema foi descoberto na Operação Skotos – um desdobramento da Operação Black Flag, deflagrada em 2021 para apurar uma série de crimes praticados pelo grupo, com articulações concentradas em Campinas (SP). A denúncia foi recebida pela Justiça Federal e os envolvidos responderão por crimes como fraude a licitação, lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos e corrupção ativa e passiva. As fraudes se basearam em uma rede empresarial protagonizada por uma construtora fictícia, a Steelcons Empreiteira”.

Fonte: Canal Energia

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FRASE DA SEMANA

6/5/2025

“A argumentos lógicos há de contrapor-se a razão, e não a autoridade.”

Autor: Rui Barbosa

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PARA LER COM CALMA

3/5/2025

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos dessa semana, aqui vai um resumo:

“*Operação, Política e Regulação*

- Investimentos em Furnas: O ministro Alexandre Silveira anunciou o investimento de mais de R$ 340 milhões em saneamento e preservação ambiental em mais de 50 municípios no entorno do lago de Furnas (MG).

- Cortes de Geração e Aneel (CP 45): Agnes da Costa, diretora da Aneel, afirmou que as regras sobre cortes de geração (Resolução 1030) estão sendo revisadas e devem ser apresentadas ainda no primeiro semestre, com urgência devido à Safra dos Ventos.

- Reforma do Setor Elétrico: Executivos do setor defendem que seja apresentada como projeto de lei e não como medida provisória.

- EDP Espírito Santo: Aneel recomendou renovação da concessão, mas rejeitou ampliar critérios de avaliação da qualidade do serviço.

- Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3: MME publicou diretrizes para realização em 14/11/2025, com prazo de suprimento de 2 anos.

- ONS estuda SEPs: Objetivo é aumentar o intercâmbio Nordeste–Sudeste em 1.000 MW, reduzindo curtailment e melhorando a operação do SIN.

- Consulta sobre aversão ao risco: MME abriu consulta para critérios de alteração do nível de aversão ao risco nos modelos computacionais do setor.

*Empresas, Expansão e Distribuição*

- Neoenergia: Previsão de encerrar 2025 com RAP total de R$ 1,9 bilhão.

- Isa Energia: Planeja investir R$ 13 bilhões até 2028, acelerando projetos e explorando novas frentes.

- Weg: Destaca importância de um leilão específico para baterias para destravar esse mercado no Brasil.

- Tarifas: Redução média de 6,79% nas tarifas da Equatorial AL a partir de maio.

- Perdas não técnicas: Subiram para 16,8% no setor de distribuição.

- Eletrobras: Redefiniu seus conselhos de administração e fiscal.

- Norte Energia: Já investiu R$ 8 bilhões em ações socioambientais ligadas à operação de Belo Monte.

- Atlas: Inaugurou sistema BESS no Chile.

- Belo Monte avalia nova barragem: Norte Energia iniciou estudos para construção de uma nova barragem no Xingu.”

Fonte: Canal Energia

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OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

2/5/2025

Eletrobras define novos conselhos de administração e fiscal: https://bit.ly/3GQQixS

“Assembleia da companhia também aprovou acordo com a União, alteração do Estatuto Social e dividendos adicionais”.

Neoenergia deve terminar 2025 com RAP total de R$ 1,9 bilhão: https://bit.ly/42Y93XE

“Projetos que serão entregues este ano agregarão RAP de 900 milhões à companhia e encerram ciclo de investimentos em transmissão iniciado em 2017”.

Weg diz que leilão para baterias deverá destravar setor no Brasil: https://bit.ly/3ERadfA

“Apesar de vontade do governo de realizar o certame este ano, perspectiva é de que LRCAP para a modalidade fique para 2026”.

Com R$ 13 bi até 2028, Isa Energia acelera projetos e mira novas frentes: https://bit.ly/44k3PIj

Leilões de Energia Existente ocorrerão em 14 de Novembro

“Certames serão abertos a todas as fontes com contratos que terão a duração de dois anos e sem atualização dos valores negociados”.

Fonte: Canal Energia

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Resumo das Notícias de Hoje

2/5/2025

- PROCESSO DE RENOVAÇÃO DA EDP ES (distribuição)

A decisão da diretoria da Aneel de aprovar o processo de renovação da EDP ES, descartando incluir novos parâmetros de avaliação do serviço prestado pelas distribuidoras, encerrou a possibilidade de que a proposta possa ser aplicada, sem risco jurídico, a outras concessionárias, na avaliação dos diretores Ricardo Tili e Fernando Mosna.

> Saiba mais na matéria “Renovação: viabilidade de rediscutir novos parâmetros não é consenso na Aneel”: https://bit.ly/432up6x

LEILÕES DE ENERGIA EXISTENTE A-1, A-2 E A-3 (expansão)

O Ministério de Minas e Energia publicou diretrizes para a realização dos Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3. As determinações foram publicadas na Portaria Normativa no. 107 do Diário Oficial da União desta quarta-feira, 30 de abril. O certame ocorrerá em 14 de novembro, cerca de 20 dias antes do que é realizado normalmente, em meio à COP 30 de Belém. O prazo de suprimento é de dois anos para todas as modalidades de contratação.

> Continue a leitura na notícia “Leilões de Energia Existente ocorrerão em 14 de novembro”: https://bit.ly/44k3PIj

- CANALENERGIA (eventos)

ENASE

11 e 12 junho/2025

Hotel Windsor Oceânico – RJ

www.enase.com.br

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