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Electrical Sector

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Investimentos em Energia e Segurança Jurídica

13/2/2026

O Brasil atraiu US$ 16,2 bilhões em investimentos para projetos de energia renovável em 2024, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance. Este volume coloca o país entre os cinco principais destinos globais de capital para o setor. Porém, a conversão de intenções de investimento em projetos operacionais ainda enfrenta obstáculos significativos relacionados à previsibilidade regulatória e à estabilidade jurídica dos contratos de longo prazo.

A segurança jurídica no setor energético vai além da simples existência de leis. Envolve a consistência na aplicação de normas, a proteção contra mudanças retroativas, a eficiência dos mecanismos de solução de conflitos e a clareza nas regras de conexão e operação. Investidores institucionais que trabalham com horizonte de 20 a 25 anos precisam de garantias sólidas antes de alocar recursos na casa dos bilhões.

Antonio Araújo da Silva

Confira a consulta pública terminando na próxima semana

31/3/2026

Data final: 06/04/2026

Consulta Pública n° 219 de 20/03/2026

Relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre diretrizes e regras para a contratação e atuação de Verificador Independente nas concessões e permissões de distribuição de energia elétrica, com vistas ao aprimoramento da governança, à ampliação da transparência e da eficiência regulatória, e ao fortalecimento da segurança jurídica e da credibilidade dos dados utilizados na regulação e formulação de políticas públicas.

Saiba mais no site: https://bit.ly/ConsultaPúblicaMME

Fonte: CanalEnergia

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Resumo das Notícias de Hoje

30/3/2026

Dia 30 de março de 2026, segunda-feira

- LEILÃO DE OUTUBRO (transmissão)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já se organiza para o próximo certame de transmissão. A agência reguladora estima realizar a disputa em outubro. O secretário de leilões da autarquia, Ivo Nazareno, revelou que a contratação será de maior porte e os investimentos são estimados em R$ 22 bilhões.

> Continue a leitura em “Aneel: leilão de outubro tem investimento estimado em R$ 22 bilhões”: https://bit.ly/4ccO8WB

- TARIFAS DIFERENCIADAS PARA A MMGD (geração)

A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica apresentou esta semana proposta de aplicação de tarifas diferenciadas para a micro e minigeração distribuída. A ideia é que haja variação na tarifa de acordo com o momento em que o consumidor -gerador injetar ou consumir energia da rede.

> Saiba mais na matéria “Apine sugere tarifas diferenciadas para MMGD como solução para curtailment”: https://bit.ly/3NWfWVX

- RECLASSIFICAÇÃO DA UTE ARAUCÁRIA II (expansão)

A Âmbar Energia solicitou à Aneel a reclassificação da UTE Araucária II como empreendimento novo no leilão de capacidade (LRCAP). A medida alteraria o resultado do certame do último dia 18, ao ampliar o contrato de dez para 15 anos. A empresa pede, ainda, que a Aneel considere o preço-médio ofertado no produto potência termelétrica de 2028 para novos projetos.

> Leia mais em “Âmbar pede reclassificação da UTE Araucária II como projeto novo no LRCAP”: https://bit.ly/4v4o080

- EVENTOS (CanalEnergia)

MEETUP | Sistema em Crise: entre a Escassez Hídrica e aumento da Demanda de Energia

Foco da discussão

Data: 31 de março

Local: Online via Teams

Horário: 10h

Inscrições: https://events.teams.microsoft.com/event/4881bdc8-49cc-4518-9164-10a837a5b8ff@2567d566-604c-408a-8a60-55d0dc9d9d6b

- OUTRAS NOTÍCIAS DE HOJE

Engie e Cymi vencem 4 dos 5 lotes negociados no leilão de transmissão: https://bit.ly/3PCJCIf

Leilão de transmissão terminou com deságio médio de 50,69% o mais alto desde o certame realizado no início de 2020.

Eneva vende Pecem II para Diamante Energia: https://bit.ly/4lWeMq6

Térmica a carvão viabilizou contratos no LRCAP valor do negócio pode chegar a cerca de R$ 1 bilhão com antecipação da geração para leilão de potência.

Modernização de Tucuruí mobiliza R$ 1,5 bi em investimentos: https://bit.ly/4sGyIzV

Projeto da Axia Energia inclui renovação de geradores, reforço da infraestrutura elétrica e digitalização da operação.”

Fonte: CanalEnergia

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Leilão de Reserva de Capacidade - Caro ou barato?

30/3/2026

GESEL | Grupo de Estudo do Setor Elétrico - UFRJ

Nivalde de Castro
Roberto Brandão

Os provérbios são a sabedoria dos povos e é de fato verdade que "há males que vêm para o bem". Este é, na opinião dos autores, o caso do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) nos dias 18 e 20 de março.

O certame, que contratou quase 20 gigawatts (GW) em disponibilidade de potência ao preço médio de R$ 267 por megawatt-hora (MWh), irá impor um custo fixo, a ser pago através da conta Encargo de Serviços do Sistema (ESS) por todos os consumidores de energia elétrica, tanto do mercado cativo quanto do mercado livre, de R$ 39 bilhões por ano, valor este indexado ao IPCA. Estima-se que serão investidos aproximadamente R$ 64,5 bilhões, o que indica que boa parte dos contratos diz respeito a usinas termoelétricas existentes.

A pergunta que se faz é: por que se contratou tanta potência, a um custo relativamente elevado e com a predominância de centrais termoelétricas de diferentes fontes não renováveis? Essas questões que o presente artigo pretende responder de forma objetiva e didática, a partir de uma visão geral.

A origem desse leilão começa quando o processo de transição energética a nível mundial passa a priorizar investimentos em usinas eólicas e solares, com o objetivo de descarbonizar a produção de energia elétrica, já que os insumos que movem essas unidades produtivas - vento e sol - são naturais, renováveis, não poluidores e genuinamente nacionais. Como resultado desse processo, o custo das gerações eólica e, principalmente, solar apresentou uma redução significativa, em grande medida por conta da inclusão dessas fontes no planejamento energético estratégico da China, resultando em ganhos de escala produtiva.

Observa-se que, para a China, a inclusão das fontes eólica e solar em seu planejamento energético estratégico decorre menos em razão da descarbonização e muito mais em decorrência da segurança energética, visando evitar as incertezas do mercado mundial de petróleo e gás, como a invasão da Ucrânia pela Rússia e os ataques dos EUA e de Israel ao Irã demonstram de forma crua.

No caso brasileiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) instituiu, em 2012, a figura da micro e minigeração distribuída, com a possibilidade de os consumidores compensarem a energia consumida pela energia que produzissem e injetassem na rede, que apoiou fundamentalmente o desenvolvimento da cadeia produtiva da indústria nascente da energia solar no País. Essa benesse, contudo, se fez através de subsídios cruzados, com a redução dos custos do uso do sistema de distribuição para os consumidores com painéis solares e repasse para aqueles do mercado cativo que não os possuíam.

Aqui, prevaleceu o provérbio nacional de que dar subsídio é fácil, mas retirá-lo é impossível. Em 2019, quando a Resolução Normativa da Aneel que trata sobre o tema previa uma redução gradual dos subsídios para micro e minigeração distribuída, um forte lobby, com a propaganda mentirosa de que "vão taxar o sol", conseguiu, no Congresso Nacional, aprovar uma lei que postergou para até 2045 a redução dos subsídios em modo "conta-gotas". Outro subsídio obsoleto, mas ainda em vigor no Setor Elétrico Brasileiro (SEB), é o incentivo às fontes renováveis, com descontos nas tarifas de distribuição e transmissão. As cadeias produtivas das fontes renováveis já são completamente maduras, porém os subsídios persistem e crescem até hoje.

Como resultado destes lobbies, o SEB passou a conviver com uma "corrida ao ouro" por subsídios instituídos através de leis aprovadas no Congresso, que são contaminadas por "jabutis" e que, ao fim, determinam o crescimento da participação dessas duas fontes renováveis na matriz elétrica brasileiro, cujos valores são pagos principalmente pelos consumidores do mercado cativo. Mas o que esses subsídios têm a ver com o LRCAP? Para elucidar essa questão, toma-se como exemplo a energia solar, que, tendo em vista as suas características técnicas, possibilita o seu aproveitamento por painéis solares residenciais até grandes plantas. Durante o dia, a geração de energia solar cresce a taxas impressionantes e, ao anoitecer, sai de cena. Forma-se, assim, uma situação chamada de "rampa", então enquanto a energia solar vai diminuindo, outras unidades geradoras precisam substitui-la para garantir o equilíbrio entre demanda e oferta.

Por sua vez, quanto mais investimentos são realizados em energia solar, mais a rampa fica íngreme. De tal forma, das 14h às 18h, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem que dispor de unidades geradoras de energia elétrica flexíveis para realizar a substituição da geração solar, através de uma operação do tipo "troca do pneu com o carro andando". Portanto, o ONS enfrenta o desafio diário de acionar unidades geradoras flexíveis para possibilitar a "subida a rampa".

Destaca-se que o crescimento dessas duas fontes não vem ocorrendo em função do aumento da demanda por energia elétrica, mas pela busca dos benefícios dos subsídios, de modo que o ONS, durante horas do dia, é obrigado a cortar (curtailment) a geração de energia elétrica para manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Assim, a corrida ao ouro pelos subsídios:

  1. Aumenta a capacidade geradora acima da demanda;
  2. Obriga o ONS a impor curtailments com redução crescente da receita das unidades geradoras cortadas;
  3. Aumento na conta de luz para pagar os subsídios; e
  4. Coloca em risco a confiabilidade do suprimento de energia elétrica.

Deste enquadramento analítico bem didático, pode-se subtrair o problema mais grave, do ponto de vista da operação do sistema elétrico, que é a necessidade de substituir as unidades geradoras de energia solar (e eólica) por outras fontes, em especial no início da noite, período do dia em que a demanda de energia elétrica é mais intensa, chamado de horário de pico.

Esse problema de rampa só vem se agravando, conforme atestam os inúmeros estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e, principalmente, pelo ONS. Portanto, o LRCAP poderia já ter sido realizado, como não foi, a demora explica a quantidade de potência que foi contratada. Ademais, nota-se que o objetivo do LRCAP é proporcionar condições de flexibilidade operativa para o ONS manter a segurança do fornecimento de energia nacional. As usinas contratadas serão utilizadas principalmente para esse objetivo central, mas também podem ser um valioso recurso em períodos de escassez hídrica, haja vista que a crise climática tem reduzido a quantidade de chuvas no período úmido.

Diferentemente dos leilões de energia nova realizados até o início desta década, quando as concessionárias de distribuição estimavam as respectivas demandas para horizontes de até cinco anos (leilão de A-5) e enviavam suas projeções para o MME consolidar e realizar os certames, sem que os investidores tivessem informações sobre o quanto seria contratado, a quantidade a ser contratada pelo LRCAP foi mais transparente e embasada nos estudos da EPE e do ONS. O resultado da confluência da demora na realização do leilão com as informações de mais previsibilidade da quantidade a ser contratada explica, em grande parte, o baixo deságio em relação ao preço teto firmado para os lotes do certame.

No entanto, o custo anual de quase R$ 40 bilhões é o custo da segurança para que não haja apagões e o ONS disponha de recursos de flexibilidade para administrar as rampas diárias. Caro, é ficar sem energia, seja do ponto de vista econômico, seja, principalmente, do ponto de vista político, pois energia é uma variável muito sensível.

A título de conclusão, como resolver o problema do custo da energia, visto que o problema técnico tem nos leilões de reserva a sua solução? Pelo que foi exposto, o vilão da questão são os subsídios, em especial os abocanhados, em valores crescentes, pela energia solar. Contudo, a fraqueza do Poder Executivo frente aos lobbies que ganharam "corações e mentes" do Congresso Nacional dificulta a diminuição dessa conta. Ou seja, ali é onde está o problema, ali é onde está a solução.

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FRASE DA SEMANA

30/3/2026

“Os adjetivos passam e os substantivos ficam.”

Autor: Machado de Assis

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PARA LER COM CALMA

28/3/2026

Para quem está na correria e não conseguiu acompanhar os assuntos dessa semana, aqui vai um resumo:

Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP)

- Contratados 19,5 GW, com investimentos de R$ 65 bilhões. https://bit.ly/4btIAa2

- Incluiu pela primeira vez expansões de usinas hidrelétricas.

- Emissões anuais das usinas térmicas contratadas podem chegar a 40 MtCO₂. https://bit.ly/4bJDAgj

Controvérsias: J&F pediu anulação parcial do resultado e solicita a reabertura da fase de lances e o reprocessamento da fase competitiva dos produtos. https://bit.ly/4lULqZ9

Avaliação: Agentes destacam confiabilidade, mas alertam para custos e desafios operacionais. https://bit.ly/4bsE37L

Leilão de transmissão https://bit.ly/3PCJCIf

- Lotes 1 e 5: Cymi.

- Lotes 2 e 3: Engie (incluindo compensadores síncronos).

- Lote 4: Consórcio BR2ET.

Mercado Livre de Energia

Atratividade: https://bit.ly/41mLXJT

- Diferença entre ACL e ACR está diminuindo, reduzindo a atratividade do mercado cativo.

- Encargo de Cotas de Energia Nuclear agora rateado no mercado livre.

Recorde: Contratos no mercado livre atingiram volume histórico. https://bit.ly/4s1RFvL

Processos Regulatórios e Concessões

Enel SP:

- Justiça suspendeu deliberação da Aneel sobre caducidade, mas liminar foi cassada posteriormente. https://bit.ly/481Jngb

- Aneel está em fase prévia à instauração formal do processo. https://bit.ly/3Puwoxb

Light: Avanço na renovação de concessão, mas lucro caiu 87% em 2025. https://bit.ly/4t4NDUa / https://bit.ly/4sou8Gi

CNPE

- UHEs Reversíveis: Leilão de UHEs reversíveis pode ocorrer em 2027. https://bit.ly/4bwNMKs

- Angra 3: Decisão sobre continuidade das obras adiada (fora da pauta). https://bit.ly/4dFjhTN

Outros Destaques

- Preços de Energia: Fitch elevou projeções para 2026-2028 devido à hidrologia mais seca do que o esperado. https://bit.ly/4lPfRzT

- El Niño: Avanço em 2026 traz desafios adicionais. https://bit.ly/41q0iFw

- Hidrelétricas: UHE Tucuruí tem atuado como fonte de flexibilidade para o SIN. https://bit.ly/4uVsmhB

Fonte: CanalEnergia

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ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

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