- Governo monitora reservatórios do setor elétrico, mas especialistas dizem que situação requer cautela
Apesar da melhora na situação dos reservatórios do setor elétrico com as chuvas registradas nas últimas semanas, o governo e órgãos do setor seguem monitorando com atenção o cenário hídrico do país. A avaliação é de que a situação ainda requer cautela, sobretudo do ponto de vista da gestão dos reservatórios. Apesar de distante de um cenário de crise, níveis baixos de reservatórios neste momento, quando o país ainda está no período de chuvas, podem resultar em menor disponibilidade de potência hídrica no período seco. As medidas adotadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) buscam preservar mais água agora, sobretudo para reduzir a necessidade de complementação com usinas termelétricas nos próximos meses, cuja geração é mais cara.
- Leilão de baterias pode ter 5 GW, mas trava em tarifa dupla e alocação de custos
A demanda para o primeiro leilão de reserva de capacidade para baterias pode chegar a 5 GW, na avaliação de agentes do setor, mas entraves regulatórios — especialmente em torno da chamada “tarifa dupla” e da alocação de custos prevista na lei nº 15.269/2025 — ainda geram incerteza e risco de judicialização. O presidente da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (Absae), Markus Vlasits, lembra que o ministro Alexandre Silveira já declarou que o leilão deve contratar cerca de 2 GW, montante que coincide com os cálculos da entidade.
- COP 30 impulsiona agenda de negócios da transição
Uma das pautas centrais das COPs tem sido justamente o financiamento climático. O desafio é mobilizar US$ 300 bilhões por ano, com a ambição de atingir US$ 1,3 trilhão em aportes de países desenvolvidos, do setor privado e de países emergentes para viabilizar a mitigação e a adaptação climática. O estudo “Benefícios da Transição para uma Economia de Baixo Carbono”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com apoio do Itaú Unibanco, reforça o potencial desse movimento ao demonstrar que a expansão das fontes renováveis pode adicionar entre R$ 337 bilhões e R$ 465 bilhões ao PIB até 2035, além de gerar entre 1,2 e 1,9 milhão de empregos. O que explica tamanho impacto? Soluções de mitigação reduzem emissões ao mesmo tempo em que impulsionam a economia.
- Mercado reage bem a revisão de preços e prevê competição no LRCAP
O mercado reagiu bem à elevação dos preços-teto do LRCAP 2026. Agora a expectativa é de aumento na competitividade dos certames programados para os dias 18 e 20 de março. Como aguardava o mercado, os valores foram reajustados para os produtos térmicos, enquanto permaneceram estáveis para as hidrelétricas. Especialistas apontaram que o principal motivo para a necessidade de aumento nos preços-teto foi a elevação do CAPEX. Para o consultor Edvaldo Santana, os dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicavam valores muito abaixo da realidade do mercado.
- CCEE apresenta estudo detalhado das migrações para o mercado livre
Desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores conectados em alta tensão, 21.707 unidades consumidoras aderiram ao segmento. Estudo da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostra que, entre os setores com maior volume de migrações, estão o de serviços (6.648) e de comércio (4.098). No recorte geográfico, os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais concentram o maior número de novas unidades consumidoras no mercado livre.
- Governo estima investir até R$ 2 tri na matriz elétrica até 2055
O Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram as consultas públicas do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 e do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, que servem de base para decisões de investimento, regulação e políticas públicas na área de energia. O PNE 2055 prevê investimentos de até R$ 2 trilhões na expansão da matriz elétrica e R$ 600 bilhões em transmissão. O plano também projeta que a demanda total de energia pode dobrar até 2055, enquanto o consumo de eletricidade pode crescer até 4,2 vezes no período.
- Carro a hidrogênio vira problema no Japão com escassez de postos de abastecimento
As vendas de veículos a células de combustível caíram mais de 80% desde 2021 no Japão. A falta de postos de abastecimento representa um desafio para quem já dirige carros do tipo. O número de postos de abastecimento de hidrogênio chegou a 149 no ano fiscal de 2025, uma queda de 10% em relação a 2021, segundo o Centro de Promoção de Veículos de Próxima Geração (NGVPC). Esse número está bem abaixo da meta do governo de 320 postos até 2025, e a tendência é de queda.
- Energia solar lidera expansão da matriz elétrica em janeiro
A matriz elétrica brasileira registrou um crescimento de 543 MW em janeiro, impulsionado principalmente pela entrada em operação de usinas solares. Ao todo, 13 empreendimentos iniciaram operação comercial no mês, sendo 11 solares, que somaram 509 MW. Também entraram em funcionamento uma termelétrica, com 20 MW, e uma pequena central hidrelétrica, com 14 MW. Minas Gerais liderou a expansão, com 409 MW provenientes de nove usinas.
- Brasil entra em novo patamar de consumo elétrico
O Brasil passou a operar em um novo regime estrutural de energia elétrica: dados do ONS indicam que a demanda máxima horária do Sistema Interligado Nacional (SIN) deixou o antigo intervalo entre 80 mil e 90 mil MW e passou, desde meados de 2023, a orbitar a faixa de 100 mil MW — com pico superior a 105 mil MW em 2025. Em relação a 2021, quando a carga máxima girava perto de 82 mil MW, o avanço acumulado chega a 30%. Quanto mais alta a ponta, maior a pressão sobre redes, subestações e geração despachável.
- Contas de luz vão subir até o triplo do IPCA em 2026
As contas de luz devem ter reajuste médio de quase o dobro dos índices de inflação em 2026, segundo projeções da Thymos Energia. Na média nacional, o reajuste deve ficar em 7,64%. A fatura chegará ainda mais salgada na Neoenergia Pernambuco (13,12%), na CPFL Paulista (12,50%) e na Enel Ceará (10,66%) – os três maiores aumentos estimados pela consultoria. O movimento é associado a custos maiores de geração, perdas e valor da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
- Aumento dos riscos elevam preço e encurtam prazos de contratos de compra e venda de energia
Os contratos no mercado livre têm se tornado mais caros e mais curtos em função de mudanças da matriz elétrica e do regramento setorial, com o consequente aumento dos riscos, atualmente assumidos sobretudo pelos geradores, como os cortes de geração renovável e modulação. Para especialistas, a mudança “veio pra ficar” e exigirá modificações na forma de os agentes fecharem negócios. O diretor de estratégia e negócios para Energia e Serviços de Utilidade Pública da Deloitte, Jovanio Santos, afirmou que tem observado um maior “balanceamento de riscos” entre gerador e consumidor nas recentes negociações, especialmente no que diz respeito aos cortes de geração.
Fonte: ELECTRA – COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA – EDIÇÃO 04/26 DE 20/02/2026